Cristo Voltara Parte I

Rev. Daniel Carneiro.*
A SEGUNDA VINDA DE CRISTO (primeira parte).
Popularmente é dito hoje que a volta de cristo será IMINENTE, isto é, Cristo poderá voltar a qualquer momento. Poderá ser ainda hoje. Agora mesmo.
De acordo com as Escrituras, a volta de Cristo só acontecerá depois da realização de alguns eventos. Ei-los.
I- A Proclamação do Evangelho á Todas as Nações (Mt 24.14)
Isto não significa que cada pessoa da terra tem de se converter antes da vinda de Cristo; também não significa que cada pessoa da terra precisa ouvir o Evangelho antes que Cristo volte. Não.O que o texto quer dizer é que o Evangelho tem de ser pregado por todo o mundo como um testemunho para todas as nações.
Através da obra missionária da igreja, pregando o evangelho ao mundo, muitos o ouvirão e se converterão a Cristo. Esta obra missionária não pode ser negligenciada pela igreja, pois, este é um tempo em que Deus convida os homens para serem salvos e, ele faz isto por meio da igreja. Evangelização mundial é um sinal do fim.
II- A Salvação da Plenitude de Israel (Rm 11.26)
As palavras desse texto não significam que a nação de Israel como uma totalidade será salva.Estas palavras significam que Deus tem seus eleitos em Israel- como os têm em todo o mundo- e assim, ele reunirá esses eleitos remanescentes dentre os judeus ao longo da história e, dessa forma o número total dos eleitos -não todos- dentre os judeus será salvo. Isso ocorrerá antes da segunda vinda de Cristo.
Uma consideração a ser feita aqui, é que o Israel nacional deixou de ser o povo de Deus. O verdadeiro judeu não é aquele que nasce em Israel, mas é aquele que nasce do Espírito. É o crente em Jesus ( Rm 2.28,29; 9.27; 11.5).
Leia Rm 11.5; 9.27
III- A Grande Apostasia e a Grande Tribulação
1) Apostasia (2Ts 2.3; 1Tm 4.1)
Apostasia implica em um abandono ou em uma rebelião contra a fé cristã.
A apostasia acontecerá dentro das fileiras dos membros da igreja visível. Muitos que tem feito uma profissão de fé exterior, apostatarão. Eles darão ouvidos a falsos mestres e deixarão a fé bíblica.
Todavia, aqueles que são crentes verdadeiros, que são regenerados, não cometerão esse pecado, mas serão guardados pelo amor e pelo poder do Senhor.
(Jô 10.27,29; 1Pd 1.3-5)
2) A Grande Tribulação (Mt 24.21-24)
Jesus fala da tribulação como um sinal dos tempos que deve ser esperada por seu povo ao longo do período entre a sua primeira e segunda vindas.
No texto acima, encontramos a mensagem de que esta tribulação será tão grande que superará qualquer tribulação que a possa preceder, e os dias da tribulação terão que ser abreviados por causa doe eleitos. Caso contrário, eles não a suportarão.
IV- A Futura Revelação do Anticristo e de Falsos Profetas (Mt 24.5,24; 2Ts 2.3,4)
1) Anticristo
O anticristo será um falso Cristo que procurará ocupar o lugar de Cristo nos corações das pessoas, alegando ser o Cristo verdadeiro.
Este falso Cristo tentará conquistar as pessoas através de sinais e prodígios (2Ts 2.9; Ap 13.13,14)
2) Falsos Profetas
Duas características dos falsos profetas é que eles vêm em grande número e que virão em nome de Cristo. Jesus diz que eles enganarão a muitos.
Provavelmente, a mensagem do falso profeta é esta: "Eu sou o messias, aqui eu estou, vejam estes sinais, vejam os prodígios que eu posso fazer, o fim do mundo chegou!".
Historicamente, surgiram muitos falsos profetas. Há cerca de 30 anos, apareceu na Coréia um homem que dizia ser o messias.
O Brasil também tem seu Jesus Cristo. No Sul do país, surgiu o Inri Cristo, uma figura que se veste como Jesus Cristo, usa coroa de espinhos e carrega uma cruz, suscitando grande escárnio por parte da sociedade em geral.
Falsos profetas sempre existiram, anunciando o fim do mundo. Mas Jesus diz: "Vede que ninguém vos engane".
V- Guerras, Terremotos e Fomes (Mt 24.6-8)
Esse período é chamado por Jesus de "o princípio das dores", em que haverá conflitos armados entre reinos, povos e nações. Povos se levantarão contra outros povos.
1) Guerras
As guerras trazem medo, angústia e sempre o perigo de extinção da raça humana. Desde os dias de Jesus, até hoje, as guerras têm acontecido.
2) Terremotos e Fome
Nós conhecemos o poder de um terremoto, de um furacão ou de um maremoto. Jesus disse que essas calamidades viriam em vários lugares e assim tem acontecido.
Em 60-80 houve uma grande fome em todo o mundo, conforme Atos 11.28. A fome foi tão grande e tão extensa, eu os discípulos de Cristo fizeram uma coleta para levar ofertas e mantimentos para os cristãos pobres de Jerusalém, duramente atingidos por essa tragédia.
Em nossos dias, ouvimos a mídia continuamente relatando enchentes, furacões, tempestades, seca e pestes. Quer dizer, uma calamidade atrás da outra é anunciada. Mas Jesus diz: "Não vos assusteis...não é o fim".
Devemos ter em mente a certeza que o mundo não vai se destruir, nem a humanidade terminará num genocídio sem proporções. Não! o fim do mundo virá pela ação direta de Deus. O mundo não irá se destruir, mas será destruído.
Todas essas coisas são apenas "o princípio das dores". Essa expressão é tirada da figura de uma mulher que está para dar a luz: primeiro vêm contrações (o principio das dores). Depois essas dores iniciais vão ficando mais fortes, mais freqüentes, mais intensas,e, então, é chegado o momento do parto. Aí a dor torna-se lancinante, insuportável.
Jesus descreve a presente fase em que vivemos como sendo as dores de contração da História, que se aproxima do clímax.
Está chegando o grande momento em que ela- a História- vai dar à luz, ou seja, em que Jesus voltará pela segunda vez. Até lá o que vai anteceder são essas contrações, o princípio das dores. É a época que nós estamos vivendo.
Jesus diz: "Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis...ainda não é o fim".
Estes sinais são evidências do juízo de Deus. São manifestações do fato que o mundo presente está sob a maldição de Deus, e que a ira de Deus está constantemente sendo revelada do céu contra a impiedade e perversão dos homens (Rm 1.18).
*Rev. Daniel Carneiro é Pastor da IPB e professor de teologia sistemática no SPN.

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Jose, Maria e as Adversidades

Reagindo as adversidades



Mateus 1:19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.



Maria informa a José sobre as notícias vibrantes que estava grávida.,

Suas explicações sobre a visita angelical e do bebê que estava dentro era o filho de Deus poderia ter tranqüilizado sua mente um pouco, mas mesmo assim...as novas bateram como um soco em seu estômago. O que as pessoas iriam pensar? O que José diria a sua família e amigos? E o pensamento mais perturbador – será que Maria estava falando a verdade?



José poderia ter reagido de vários modos. Ele poderia ter envergonhado Maria publicamente, exigido que ela fosse apedrejada como adúltera ou poderia ter desaparecido de noite como ele pensou em fazer.



Ao invés disso, José tentou encontrar uma solução que agradasse a Deus e poupasse Maria de qualquer tipo de ridicularização pública. Isto não é interessante? No meio de uma severa adversidade, uma Crise profunda pessoal, os pensamento de José foram: 1- o que Deus quer que eu faça? 2- Como posso demonstrar misericórdia e bondade a Maria da melhor forma? No final, Deus enviou um anjo a José com instruções para ir em frente e tomar Maria como sua esposa.



Pense na ultima crise de sua vida. Como você reagiu? Se um escritor resumisse sua reação em uma frase o que ele diria de você?

Peça a Deus que ele te faça um tipo de pessoa que reage corretamente às difíceis situações da vida.



A adversidade revela muito do nosso caráter espiritual.


FELIZ NATAL...HIPÓCRITA!


Estamos no período natalino, onde pessoas se reúnem com a família, confraternizam-se com amigos, etc, tudo em comemoração ao nascimento de Jesus, ocorrido a dois milênios atrás. Ainda que não se saiba a data de seu nascimento, pelo menos se sabe que não ocorreu em dezembro, pois o frio intenso impediria um bebê de ficar em uma manjedoura e de haver homens pastoreando à noite. O 25 de dezembro foi oficializado pelo Papa Libério no ano de 354 d.C., com o intuito de atrair os pagãos que comemoravam o nascimento do deus-Sol invicto e a Saturnália, onde havia orgias. Foram absorvidos muitos símbolos pagãos neste intento de “cristianizar” as práticas pagãs. Hoje não podemos aceitar o discurso extremista de que não podemos festejar o nascimento de Jesus simplesmente porque a data tem origem pagã . A circuncisão e o batismo já existiam em outras religiões antes mesmo da fé judaico-cristã, por exemplo, e nem por isso foram descumpridos, além de que os enfeites natalinos hoje visam tão somente a ornamentação, e não um rito litúrgico pagão. Convém lembrar que os próprios anjos louvaram a Deus pelo nascimento do messias(Cf. Lucas 2.13,14), e portanto não há nenhum problema em se alegrar à semelhança destes.
Mas... será que temos nos alegrado mesmo com o nascimento de Jesus? Hoje muitos se dizem cristãos em virtude da idéia de que alguém pode ser algo se apenas aceitar cognitivamente uma ideologia. Na antiguidade não era assim. Um seguidor de Sócrates, Aristóteles etc, vivia suas idéias, elas desciam ao coração. O contrário seria como se um urubu pudesse alegar ser vegetariano apenas por aceitar mentalmente isto! Não há como uma essência assumir outro atributo, pois seria o mesmo que defender a flexibilidade de um tamanco. Assim, visto que a nossa vida expressa nossa ideologia, seria muito salutar perguntar às pessoas da nossa sociedade de quem é o seu Natal? A nossa vida alegra-se com o nascimento de quem mesmo?
Bem, para isso não faltam candidatos. Por exemplo, os espertos que na tragédia de Santa Catarina furtaram donativos dos necessitados poderiam fazer o “Natal dos soldados romanos”, os quais pegaram a túnica de Jesus e lançaram sortes(Cf. João 19.23,24). Já os adúlteros, o “Natal de Herodes Tetrarca”, o qual tinha um caso com a mulher de seu irmão Filipe, e por sua libidinagem inconseqüente matou o inocente João Batista(Cf. Mateus 14.1-12). Para os políticos brasileiros que farram com nosso dinheiro e querem aumentar consideravelmente o número dos vereadores com fins escusos, que tal o “Natal de Pôncio Pilatos”, aquele “Severino” que preferiu sentenciar uma injusta crucificação por temer uma revolta popular que poderia destituí-lo de seu cargo político. Ali estava embrionariamente o “jeitinho brasileiro”. E as feministas pró-aborto? Como simpatizantes de Moloque, o deus dos sacrifícios de infantes, cabe-lhes o “Natal de Herodes Magno”, responsável pela matança dos bebês de Belém, que quase vitima o pequeno Jesus (Cf. Mateus 2.16-18). Tem vaga para mais! Há os sacerdotes pedófilos, os quais descumprem a orientação apostólica de se casar caso não resistam às naturais necessidades sexuais (Cf. 1 Timóteo 3.1,2; Tito 1.5,6). Poderiam festejar o “Natal dos fariseus”, a quem o Mestre chamava de sepulcros caiados (Cf. Mateus 23.27)! Agora não podemos nos esquecer do “Natal dos mercadores do Templo”, expulsos por Jesus “debaixo de pau” por enriquecerem ludibriando a boa fé do povo. No atual contexto, são muito bem representados pelos exploradores “do sal de Jericó” e “do manto sagrado”, dentre tantas outras formas de extorquir a massa sofrida e ignara. Por fim, há os que tentam subir na vida às custas de sangue alheio. Passam por cima de princípios éticos. Não são “homens de palavra”. Vendem a própria mãe e derrubam amigos para tomar-lhes a vez e ficar “bem na fita” com os que possuem o poder para favorecer-lhes funcionalmente. Eis o “Natal de Judas Iscariotes”, traidor que dispensa apresentações...
Jesus disse que aquele que o ama guarda os seus mandamentos (Cf. João 14.21), mas aquele que não guarda as suas palavras dá sinais de que não o ama (Cf. João 14.24). Que nossa ceia natalina não seja a expressão máxima da hipócrita comemoração do nascimento de alguém que, na prática, não significa nada para as nossas vidas. Na realidade, os presépios não têm valor espiritual algum. O que importa mesmo é saber quem é que se deita na manjedoura do seu coração. Quem faz morada no seu coração? Certamente é pelos frutos que conhecemos a árvore (Cf. Lucas 6.43-45), e a nossa oração é que possamos aproveitar este período para rever nossos conceitos, reconhecer os nossos pecados e deles nos arrepender, cumprindo com o simples desejo do “aniversariante”, que é amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos (Cf. Mateus 22.34-40). Que Deus abençoe a todos e um feliz natal segundo sua real essência.

O Salmo de Maria


Lc 1:46-55 Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,47 e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,48 porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,49 porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.50 A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.51 Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.52 Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.53 Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.54 Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia55 a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais.
Tudo no natal é mega. Mega árvores, mega promoções, mega corais, mega praças, enfim, tudo parece ficar maior, mais amplo. Para onde quer que olhemos não há espaço para o simples e o pequeno. Cada vez mais distorcemos e nos afastamos do verdadeiro significado dessa festa tão celebrada mas tão pouco entendida.
Para enaltecermos devidamente o natal, precisamos fazer um esforço mental grande para entendermos a seguinte verdade: Deus não age conforme as diretrizes humanas, mas exclusivamente de acordo com a sua vontade Santa, Livre e Soberana. Isto é o que deveríamos aprender hoje do cântico de Maria. Este cântico é também chamado de Magnificat que é a tradução da primeira palavra desse hino na versão latina da Bíblia. Ele é o mais antigo salmo do Advento que conhecemos.
Aqui temos uma Maria cheia do Espírito Santo, suas palavras não transmitem um lirismo adocicado mas falam de grandes coisas que Deus fez e faz. Fala de tronos e poderosos derrubados e de miseráveis erguidos do pó; de ricos que são despachados de mãos abanando, e de pobres e famintos repletos de bens. Um Deus revolucionário e subversivo! Calma que explicaremos o significado: esta palavra vem de subverter que dentre tantas coisas também significa
aquele que expressa idéias, pensamentos, opiniões opostos ou profundamente diferentes dos da maioria, que, por isso, freq. se sente ameaçada. É neste sentido que afirmamos que Deus é subversivo. Ele põe nossos conceitos, nossos orgulhos, nossos pensamentos de pernas pro ar, subverte, volta de baixo para cima toda nossa escalada de valores vãos.
É por isso que eu disse no início que precisamos de grande esforço mental para compreender verdadeiramente a ação de Deus no natal. Em vez de fazer uso de um militar, de um rei, ou de um outro expoente da sociedade da época ele usa uma pobre mulher e marceneiro, nasce também em um lugar esquecido chamado Belém e num local inapropriado para uma criança(uma manjedoura). Deus na pessoa de Jesus continua agindo assim, ele chamou pescadores sem cultura, em vez de dirigir-se a filósofos da época ou então a rabinos, em vez de procurar os crentes notórios e conhecidos ele vai a prostitutas e odiados cobradores de impostos. Deus vai a elementos que estão lá em baixo, vai a elementos que pensamos não existirem.
Vejam amados irmãos e amigos a escolha de Maria foi um verdadeiro absurdo dentro dos nossos valores rotos. E porque Deus lança mão de Maria? Não devido a méritos humanos que a fizessem merecedora, mas, única e exclusivamente porque Deus, em sua bondade, ama, escolhe e engrandece o pequeno, o insignificante. E o menino Jesus na sua manjedoura? Deus não se envergonha da pequenez humana. Ele escolhe uma pessoa, penetra no nosso meio e faz milagres de onde não esperamos. Deus detesta padrões pré-estabelecidos. Deus salva. Onde dizemos não! Deus diz sim! Onde nós desviamos o olhar orgulhosos ou indiferentes, é lá que Deus olha com mais amor e calor.
Que este cântico do Advento nos ajude a entender que se quisermos ter um caminho para Deus, ele não poderá andar pelas alturas, mas terá que ir realmente as profundezas, aos pequenos, humildes e necessitados. E isso tem que acontecer. Deus não permite que zombemos dele. Deus não consente que celebremos o Advento, ano após ano, sem levá-lo realmente a sério. Deus cumpre o que diz; e há de derrubar todos os poderosos do seu trono, tanto pequenos quanto grandes. Qual tem sido nosso comportamento diante de nossas empregadas, dos taxistas, das faxineiras, dos engraxates, dos contínuos, dos porteiros, e assim por diante. Deus valorizou os pequenos e humildes. Se nós não entendermos essa valorização é porque ainda não compreendemos a mensagem contida no cântico de Maria. Nos humilhemos diante de Deus e permitamos que somente ELE seja exaltado.
Deus nos iIumine.
Oremos:
Senhor, ajuda-nos a aceitar o desafio que nos propões e voltar de "baixo para cima" nossa escalada de valores, para que nos dediquemos àqueles que tu te dedicaste e não aos que nos são interessantes. Por Jesus Cristo Amém.

SERENA CONFIANÇA

Nós não podemos decidir a respeito de como morrer, mas podemos decidir sobre como viver. Robin Sharma
A mais eficiente e poderosa confiança é a serena confiança. Ela não se vangloria nem é arrogante. A serena confiança não se abala com a zombaria e a crítica daqueles que com esses atos só deixam transparecer e manifestar suas próprias inseguranças. A serena confiança faz aquilo que é correto fazer, não se importando com o que os outros pensem.

A serena confiança é edificada pela substância, e não é manifesta para exibições emocionais. Ela é genuína e poderosa. A serena confiança não está preocupada com aparências. Ela simplesmente realiza e concretiza os alvos propostos. A serena confiança nem sempre pode ser vista, e normalmente você nem cogita sobre ela. Contudo ela trabalha incansavelmente por trás das cortinas, lhe trazendo coisas de precioso significado, e valor eterno.

A serena confiança serena transcende a limitada confiança humana. Ela é divina; tem sua raiz e origem no relacionamento com o Pai. Ela se sobrepõe ao barulho, à agitação e às aparentes adversidades que surgem em meio ao caminho. A serena confiança pode ser a sua realidade, quando seus olhos estiverem fixados em Deus e não nas suas circunstâncias.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre. Salmos 125:1

E se católicos romanos se unissem aos ortodoxos?


Qual o impacto teológico que haveria na reunificação das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa? Até que ponto os cristãos deveriam considerar isso como prioridade?[1]


Antes de responder às questões supracitadas, é bastante salutar dar uma breve visão sobre a Igreja Ortodoxa, visto que a Romana é por demais conhecida no Ocidente. Também convém observar como as diferenças teológicas se desenvolveram, além das questões político-doutrinárias que colaboraram para o cisma, e as tentativas fracassadas de reunificação.
De acordo com Champlin, o termo ortodoxo é empregado, como título, para falar “sobre a comunhão das denominações cristãs orientais cuja ortodoxia é determinada pelos sete primeiros concílios ecumênicos” [2]. As Igrejas Ortodoxas estão vinculadas por uma fé comum, formando uma confederação frouxa e não possuindo uma unidade de comando como o catolicismo romano. O patriarca de Constantinopla, por exemplo, tem apenas uma posição honrosa em relação aos demais, mas não possui nenhuma autoridade sobre os outros patriarcados antigos de Alexandria, Jerusalém e Antioquia, e muito menos sobre os outros patriarcados espalhados pelo mundo, como Bulgária, Rússia, EUA, dentre outros.
As diferenças teológicas entre Tertuliano, de Cartago, e Clemente, de Alexandria, já no II século, representavam embrionariamente as inclinações diferentes entre ocidentais e orientais, respectivamente. Tertuliano desafiou o paganismo, enquanto que Clemente fez uso dele, naquilo que achava benéfico. Entretanto, vai ser a partir do IV século, com a transferência da sede do Império Romano para Constantinopla, que tais discrepâncias vão aumentar. No VI século os romanos acrescentam a palavra filioque ao Credo Niceno, e em VII d. C. o Islã toma o Mediterrâneo e controla as suas comunicações. Para completar a animosidade, no século XI questões político-dogmáticas acabam na excomunhão mútua do Cardeal Humberto e do patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário. Algumas tentativas de reunificação foram tentadas, como os Concílios de Lião (1274) e de Florença (1438 e 1439), mas foram em vão, em virtude dos ortodoxos não abrirem mão de seus postulados.
As convicções ortodoxas devem ser observadas ao se tentar prever qual seria o impacto teológico numa reunificação das Igrejas Romana e Ortodoxa. Tal anseio certamente deve ser visto como algo além de uma declaração formal do tipo “somos irmãos”. Sem sombra de dúvidas, há muitas diferenças de importância secundária. No entanto, há muitas outras não recebidas pelos orientais como um “simples modo de ser”. Basta olhar para trás para se perceber que os ortodoxos provavelmente nunca vão aceitar o bispo romano como superior hierárquico, e muito menos os concílios promovidos pelos católicos romanos, além dos sete concílios ecumênicos. Portanto, o que deve ser analisado é a possibilidade de haver ou não concessões dogmáticas.
Talvez tal reunificação seja bastante improvável de se concretizar. Questões como infalibilidade papal e supremacia universal da jurisdição de Roma são difíceis de serem aceitas por serem os patriarcados orientais autocéfalos. É mais provável o papa abdicar de seu orgulho ex-cathedra numa tentativa de união. Certamente, seria um impacto teológico glacial o catolicismo romano retornar às prescrições dos sete primeiros concílios ecumênicos, visto que quem se afastou da espinha dorsal do catolicismo foram os romanos, e não os orientais. Foi o romanismo que modificou os Dez Mandamentos, o Credo Niceno, criou as indulgências e mantém o celibato clerical, dentre outras divergências. Os orientais não sofreram o impacto da Renascença, da Reforma, do Iluminismo. Eles conseguem manter sua tradição quase que intacta em muitos aspectos. Assim, o retorno do catolicismo romano ao cristianismo dos primeiros séculos poderia ser a realização de um sonho não concretizado por muitos reformadores do século XVI.
O protestantismo certamente veria com bons olhos um processo de retorno à Igreja pós-apostólica por parte do catolicismo romano, visto que para boa parcela evangélica o Vaticano representa uma igreja atolada num pântano de heresias sem fim. De fato, o romanismo se descaracterizou como Igreja Cristã por seu envolvimento político e sua absorção pagã. Uma reavaliação de seus postulados antibíblicos à luz da ortodoxia oriental significaria uma reforma e um avanço para o cristianismo mundial.
Este avanço da fé deve ser o objetivo de todo aquele que se diz cristão. Priorizar tal reunificação significaria cumprir o requisito dos que andam “na luz”, que é ter “comunhão uns com os outros” (1Jo 1.7b). Isso concorreria para uma maior evangelização no mundo, além de servir de testemunho, visto que, não obstante nossas diferenças em questões secundárias, teríamos uma confissão de fé mínima que nos identificaria como verdadeiros seguidores de Jesus. Mas, é claro, o romanismo teria que abrir mão de sua doutrinas pagãs absorvidas ao longo dos séculos.

[1] A questão em pauta faz parte da seção Perguntas para estudo, In: NOLL, Mark A. Momentos decisivos na história do Cristianismo. Trad. De Alderi Souza de Matos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2000. p. 366.
[2] CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. 6ª Ed. São Paulo: Hagnos, 2002 V. 4 p. 632.

Natal sem Jesus


Lc 3:1-9 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene,2 sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.3 Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados,4 conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.5 Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados;6 e toda carne verá a salvação de Deus.7 Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

A notícia de crise não abalou os brasileiros. Apesar de tanto alvoroço devido à derrocada do sistema financeiro internacional, as ruas de comércio popular estão lotadas para as compras de Natal, afirmam os jornais. Mas, diante de tudo isso vale a pena uma pergunta: o que é Natal mesmo?
Há mais de dois mil anos atrás Deus fez uma visita aos homens. Ele veio na figura humana, chamado Jesus de Nazaré, nascido no ano zero da nossa história. Deus não chegou assim de qualquer jeito, de sopetão, ELE mandou preparar a visita. O preparador foi um cidadão estranho, chamado João o Batista.
Dentro de mais uns poucos dias estaremos comemorando essa visita, mas antes, precisamos passar por uma preparação. Nós temos que passar por João para chegar a Jesus. Sem João Batista não tem Jesus para nós. Sem João Batista Deus não nos visita; sem João nosso Natal é uma farsa.
Exposição:
No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene.
Corre o ano de 2008, Barack Obama é o presidente dos EUA, Gordon Brown é o primeiro ministro da Inglaterra, Lula é o presidente do Brasil, Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, é governador do estado de Pernambuco e João da Costa prefeito do Recife. Foi aí nesse contexto que Deus ordenou essa mensagem. Foi aí neste mundo, neste país, nesta cidade e neste fim de ano. Foi neste mundo convulsionado, se retorcendo em dores e misérias, matanças de soldados, matanças de civis, ameaças de bombas nucleares, fome, peste, terremotos. Foi aí com transplantes de órgãos, raios laser a curar doenças, coquetéis poderosos anti AIDS, Foi aí com a educação abaixo de zero, e a criminalidade acima de dez, foi aí onde filhos matam os pais, pais matam e estupram filhos, casais se separam cada vez mais, angústia, depressão, foi aí no País campeão mundial de acessos à pornografia na Internet segundo a Symantec, insegurança, medo, subversão, falências, torturas e atentados. Foi aí que João Batista nos prepara a visita hoje.
O que João fez para nos preparar a visita? Primeiro ele diz o seguinte: vocês, que vivem neste mundo de guerra, neste mundo de ciência avançada, neste país emergente, nesta sociedade transtornada de angústia e medo; prestem atenção! Isso aí não é tudo! Isso não é toda a realidade! O inferno não é aqui! Existe mais, Existe muito mais!
Existe um Deus que pode te dar um futuro grandioso e perdoará tua culpa (...pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados); mas também irá derramar toda a sua ira diante daqueles que não se arrependerem de verdade (...E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo).
Esta é a realidade que vocês estão esquecendo, diz João, a realidade está mais no fundo, mais acima, mais além é maior e tremendamente mais importante do que qualquer outra realidade em sua vida. Um Deus que pode restituir-vos a paz e harmonia do paraíso perdido, como também decretar a derrocada, e o castigo eterno. O Deus que vai exigir prestação de contas. O Deus que vem visitar! Essa é a primeira coisa que João nos diz hoje.
E agora? Que fazer diante dessa realidade? Que fazer diante desse Deus que pode dar e negar? João mais uma vez responde: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" Mc 1:15. Lembrem-se meu amados amigos e irmãos, sem João batista o Natal é uma farsa. E por que? O que houve de tão importante nesse homem? Poderiam me perguntar, e eu vos afirmo o importante em João foi o que ele falou: arrependam-se! Imaginem o seguinte: você está em seu carro e quer ir ao aeroporto, vai tranqüilo a uma certa velocidade, mas, por uma distração, pega uma rodovia diferente da que leva ao seu destino e nem percebe, na sua frente há sinal de trânsito que bruscamente muda de verde para vermelho, acionamos o pedal do carro que, de forma violenta, freia quase que em cima da faixa de pedestres. Neste momento, você para um pouco e pensa: afinal para onde estou indo? Este caminho não me conduzirá ao aeroporto! Você vê um retorno mais a frente, muda a direção e volta agora ao caminho exato que te levará ao destino desejado.
Leitores plugados com Deus, assim é o arrependimento! Arrepender-se é ter um estalo por dentro, parar, pensar: mas para onde é que eu vou indo desse jeito? Como é que eu vim parar aqui? E fazer o retorno. Nada vale um arrependimento somente mental sem mudança de direção na vida. Nada adianta dizer mentalmente -- é preciso me acertar com o criador-- e continuar no caminho que não conduz ao céu.
Sem arrependimento não tem Jesus, se não sentirmos ou vivermos esse arrependimento, o nosso Natal será uma farsa, um show, uma brincadeira vergonhosa. Vergonhosa porque usaremos Deus para esta brincadeira, o mesmo Deus que disse não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Aqui está uma advertência violenta de João, "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão." Vocês percebem como costumamos celebrar a visita do Deus todo- poderoso aos homens? Como gostamos de falar no menino Jesus, tão meigo, deitadinho na sua manjedoura, ao lado de Maria e seu pai José o burrinho, a vaquinha, e outros animais olhando e anjinhos voando por cima cantando: "glória, glória..." isso nos dá um aconchego não é mesmo? Nos sentimos tão bem! Com um deusinho tão meigo, tão querido, nada pode dar nada errado. E esquecemos que aquele menino ter que ser executado na cruz, por nossa culpa. Sim, esquecemos a nossa culpa!
Toda essa montagem melosa que colocamos em torno de Deus nos faz esquecer que " já está posto o machado à raiz das árvores".
Toda esta montagem nos dá uma garantia tragicamente falsa. Deus não precisa de nós. Nós não estamos lhe fazendo um favor celebrando o natal ou deixando presentes aos pés da árvore tão belamente enfeitada.
O alerta de João é violento, e tem que ser sentido em toda sua violência para que não façamos do nosso Natal uma afronta a Deus, uma palhaçada. Uma palhaçada que se transformará em juízo, pois para realizá-la usamos e abusamos do nome de Deus.
Meus amados leitores, vamos endireitar os caminhos, aterrar os vales, nivelar os montes e colinas, cortar as curvas, aplainar as partes acidentadas. Vamos praticar o arrependimento. Vamos acabar com tudo que há de tortuoso, obscuro e orgulhoso em nossas vidas para que o rei da glória entre. Para que ELE possa vir a nós no Natal como ELE quer.
E a melhor maneira de fazer isso é confessar, um por um, por mais horrível que seja, os pecados e pedir perdão. Hoje eu coloco diante de vocês o sinal vermelho. Parem o carro da vida e pensem: para onde eu estou indo? Isto é o que nos diz João Batista a cada um de nós, dentro do mundo em que vivemos neste ano de 2008. Só assim entenderemos o verdadeiro, mas tão pouco falado, sentido do Natal.
Oremos:
Senhor, nosso Deus, ajuda-nos a fazer o retorno, cria tu em nós o verdadeiro arrependimento, aquele que produz frutos; faze-nos mudar de vida, para que este Natal não seja uma farsa, uma brincadeira em teu nome, mas realmente tua visita a nós. Em nome de Jesus. Amém.

Canones de Dort Parte IV

CAPÍTULO 5
A PERSEVERANÇA DOS SANTOS


1. Aqueles que, de acordo com o seu propósito, Deus chama à comunhão do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e regenera pelo seu Santo Espírito, Ele certamente os livra do domínio e da escravidão do pecado. Mas nesta vida, Ele não os livra totalmente da carne e do corpo de pecado (Rom 7:24).
2. Portanto, pecados diários de fraqueza surgem e até as melhores obras dos santos são imperfeitas. Estes são para eles constante motivo para humilhar-se perante Deus e refugiar-se no Cristo crucificado. Também são motivo para mais e mais mortificar a carne através do Espírito de oração, e através dos santos exercícios de piedade, e ansiar pela meta da perfeição. Eles fazem isto até que possam reinar com o Cordeiro de Deus nos céus, finalmente livres deste corpo de morte.
3. Por causa dos seus pecados remanescentes e também por causa das tentações do mundo e de Satanás, aqueles que têm sido convertidos não poderiam perseverar nesta graça, se deixados ao cuidado de suas próprias forças. Mas Deus é fiel: misericordiosamente os confirma na graça, uma vez conferida sobre eles, e poderosamente preserva a eles na sua graça até o fim.
4. O poder de Deus, pelo qual Ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne. Mas os convertidos nem sempre são guiados e movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria culpa, se desviar da direção da graça, e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam em tentação. Quando não vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satanás para sérios e horríveis pecados. Isto ocorre também muitas vezes pela justa permissão de Deus. A lamentável queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isto.
5. Por tais pecados grosseiros, entretanto, eles causam a ira de Deus, se tornam culpados da morte, entristecem o Espírito Santo, suspendem o exercício da fé, ferem profundamente suas consciências e algumas vezes perdem temporariamente a sensação da graça. Mas quando retornam ao reto caminho por meio de arrependimento sincero, logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles.
6. Pois Deus, que é rico em misericórdia, de acordo com o imutável propósito da eleição, não retira completamente o seu Espírito dos seus, mesmo em sua deplorável queda. Nem tão pouco permite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do estado de justificado. Nem permite que cometam o pecado que leva à morte, isto é, o pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalmente abandonados por Ele, lançando-se na perdição eterna.
7. Pois, em primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua imperecível semente da regeneração, a fim de que esta não pereça nem seja lançada fora. Além disto, através da sua Palavra e seu Espírito, certamente Ele os renova efetivamente para arrependimento. Como resultado eles se afligem de coração com uma tristeza para com Deus pelos pecados que têm cometido; procuram e obtêm pela fé, com coração contrito, perdão pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a graça de Deus, que é reconciliado com eles, adorando sua misericórdia e fidelidade. E de agora em diante eles se empenham mais diligentemente pela sua salvação com temor e tremor.
8. Assim, não é por seus próprios méritos ou força mas pela imerecida misericórdia de Deus que eles não caiam totalmente da fé e da graça e nem permaneçam caídos ou se percam definitivamente. Quanto a eles, isto facilmente poderia acontecer e aconteceria sem dúvida. Porém, quanto a Deus, isto não pode acontecer, de modo nenhum. Pois seu decreto não pode ser mudado, sua promessa não pode ser quebrada, seu chamado em acordo com seu propósito não pode ser revogado. Nem o mérito, a intercessão e a preservação de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Espírito tão pouco pode ser frustrada ou destruída.
9. Os crentes podem estar certos e estão certos desta preservação dos eleitos para salvação e da perserverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza é de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem com certeza que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão de pecados e a vida eterna.
10. Esta certeza não vem de uma revelação especial, sem ou fora da Palavra, mas vem da fé nas promessas de Deus, que Ele revelou abundantemente em sua Palavra para nossa consolação. Vem também do testemunho do Espírito Santo, testificando com o nosso espírito de que somos filhos e herdeiros de Deus; e finalmente, vem do zelo sério e santo por uma boa consciência e por boas obras. E se os eleitos não tivessem neste mundo a sólida consolação de obter a vitória e esta garantia infalível da glória eterna, seriam os mais miseráveis de todos os homens (Rom 8:16,17).
11. No entanto, a Escritura testifica que os crentes nesta vida têm de lutar contra várias dúvidas da carne e, sujeitos a graves tentações, nem sempre sentem plenamente esta confiança da fé e certeza da perseverança. Mas Deus, que é Pai de toda a consolação, não os deixa ser tentados além de suas forças, mas com a tentação proverá também o livramento e pelo Espírito Santo novamente revive neles a certeza da perseverança (I Cor. 10:13).
12. Entretanto, esta certeza de perseverança não faz de maneira nenhuma que os verdadeiros crentes se orgulhem e se acomodem. Ao contrário, ela é a verdadeira raiz da humildade, reverência filial, verdadeira piedade, paciência em toda luta, orações fervorosas, firmeza em carregar a cruz e confessar a verdade e alegria sólida em Deus. Além do mais, a reflexão deste benefício é para eles um estímulo para praticar séria e constantemente a gratidão e as boas obras, como é evidente nos testemunhos da Escritura e nos exemplos dos santos.
13. Quando pessoas são levantadas de uma queda (no pecado) começa a reviver a confiança na perseverança. Isto não produz descuido ou negligência na piedade delas. Em vez disto produz maior cuidado e diligência para guardar os caminhos do Senhor, já preparados, para que, andando neles, possam preservar a certeza da perseverança. Quando fazem isto o Deus reconciliado não retira de novo sua face delas por causa do abuso da sua bondade paternal (a contemplação dela é para os piedosos mais doce que a vida e sua retirada mais amarga que a morte), e elas não cairão em tormentos mais graves da alma (Ef. 2:10).
14. Tal como agradou a Deus iniciar sua obra da graça em nós pela pregação do evangelho, assim Ele a mantém, continua e aperfeiçoa pelo ouvir e ler do Evangelho, pelo meditar nele, pelas suas exortações, ameaças, e promessas, e pelo uso dos sacramentos.
15. Deus revelou abundantemente em sua Palavra esta doutrina da perseverança dos verdadeiros crentes e santos, e da certeza dela, para a glória do seu Nome e para a consolação dos piedosos. Ele a imprime nos corações dos crentes, mas a carne não pode entendê-la. Satanás a odeia, o mundo zomba dela, os ignorantes e hipócritas dela abusam, e os heréticos a ela se opõem. A Noiva de Cristo, entretanto, sempre tem-na amado ternamente e defendido constantemente como um tesouro de inestimável valor. Deus, contra quem nenhum plano pode se valer e nenhuma força pode prevalecer, cuidará para que a Igreja possa continuar fazendo isso. Ao único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, sejam a honra e a glória para sempre. Amém!

REJEIÇÃO DE ERROS


Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - A perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. É uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade antes da assim chamada eleição decisiva, e justificação.
Refutação - A Escritura Sagrada testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo: "a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" (Rom 11:7). Também: "Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom 8:32-35)
Erro 2 - Deus de fato provê os crentes de suficientes forças para perseverar, e está pronto para preservar tais forças nele, se este cumprir seu dever; mas ainda que todas estas coisas tenham sido estabelecidas, que são necessárias para perseverar na fé e que Deus usa para preservar a fé, ainda assim dependerá da vontade humana se perseverar ou não.
Refutação - Esta idéia é abertamente pelagiana. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evangélica que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por este benefício somente à graça de Deus. É também contrário ao apóstolo que declara: "...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1:8).
Erro 3 - Crentes verdadeiramente regenerados não só podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a graça e a salvação, mas de fato as perdem freqüentemente e assim se perdem eternamente.
Refutação - Esta opinião invalida a graça, justificação, regeneração e contínua preservação por Cristo. Ela é contrária às palavras expressas do apóstolo Paulo: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom 5:8,9). É contrária ao apóstolo João: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Também é contrária às palavras de Jesus Cristo: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:28,29).
Erro 4 - Verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva à morte ou o pecado contra o Espírito Santo.
Refutação - Após o apóstolo João ter falado no 5º capítulo de sua 1ª carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado, antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca."
Erro 5 - Sem uma revelação especial não podemos ter nesta vida, nenhuma certeza da perseverança futura.
Refutação - Por tal doutrina o seguro consolo dos crentes verdadeiros nesta vida é tirado, e as dúvidas dos seguidores do papa são novamente introduzidas na igreja. As Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem esta segurança, não a partir de uma revelação especial e extraordinária, mas a partir das marcas dos filhos de Deus e das promessas mui firmes dEle. Especialmente o apóstolo Paulo ensina isto:"...nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que há em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom 8:39). E João escreve: "E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que Ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu" (1 Jo 3:24).
Erro 6 - Por sua própria natureza a doutrina da certeza da perseverança e da salvação causa falsa segurança e prejudica a piedade, os bons costumes, orações e outros santos exercícios. Ao contrário, é louvável duvidar desta certeza.
Refutação - Esta falsa doutrina ignora o efetivo poder da graça de Deus e a operação do Santo Espírito, que habita em nós. Contradiz o apóstolo João que, em palavras explícitas, ensina o contrário: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque havemos de vê-Lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, como ele é puro." (1 Jo 3:2,3) Ainda mais, ela é refutada pelos exemplos dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento, que, não obstante estarem certos de sua perseverança e salvação, continuaram em oração e outros exercícios de piedade.
Erro 7 - A fé daqueles que crêem apenas por um tempo não é diferente da fé justificadora e salvadora, a não ser com respeito à sua duração.
Refutação - Em Mt 13:20-23 e Lc 8:13-15 Cristo mesmo indica claramente, além da duração, uma tríplice diferença entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o último em bom solo, ou seja, em bom coração; que o primeiro é sem raiz, mas o último tem firme raiz; que o primeiro não tem fruto, mas o último produz fruto em várias medidas, constante e perseverantemente.
Erro 8 - Não é absurdo o fato de alguém, tendo perdido sua primeira regeneração, nascer de novo e mesmo freqüentemente nascer de novo.
Refutação - Esta doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorruptível. Isto é contrário ao testemunho do apóstolo Pedro: "...pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível..." (I Ped. 1:23).
Erro 9 - Cristo em lugar algum orou para que os crentes perseverassem infalivelmente na fé.
Refutação - Isto contradiz ao próprio Cristo, que diz: "Eu, porém, roguei por ti" (Pedro) "para que a tua fé não desfaleça." (Lc 22:32). Também contradiz o apóstolo João que declara que Cristo não orava somente pelos apóstolos, mas também por todos aqueles que viessem a crer por meio da palavra deles: "Pai Santo, guarda-os em teu nome, que me deste...Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal." (Jo 17:11,15).

CONCLUSÃO

Esta é a declaração clara, simples, e sincera da doutrina ortodoxa com respeito aos Cinco Artigos de Fé disputados na Holanda; e esta é a rejeição dos erros pelos quais as Igrejas têm sido perturbadas, por algum tempo. O Sínodo de Dort julga a presente declaração e as rejeições serem tiradas da Palavra de Deus e conforme as Confissões das Igrejas Reformadas. Assim torna-se evidente que alguns agiram muito impropriamente e contrário à toda verdade, equidade e amor, desejando persuadir o povo do seguinte:
- A doutrina das Igrejas Reformadas com relação à predestinação e assuntos relacionados com ela, por seu caráter e tendência, desvia os corações dos homens da verdadeira religião.
- Ela é um ópio do diabo para a carne, bem como uma fortaleza para Satanás, onde permanece à espera por todos, fere multidões atingindo mortalmente a muitos com os dardos tanto de desespero quanto de falsa segurança.
- Faz de Deus o autor injusto do pecado, um tirano e hipócrita; é nada mais do que um renovado Estoicismo, Maniqueísmo, Libertinismo e Islamismo.
- Conduz a um pecaminoso descuido porque faz as pessoas crer que nada pode impedir a salvação dos eleitos, não importando como vivam, e que portanto podem, tranqüilamente, cometer os crimes mais horríveis. Por outro lado, se os reprovados tivessem produzido todas as obras dos santos, isto não poderia nem ao menos contribuir para a salvação deles.
- A mesma doutrina ensina que Deus tem predestinado e criado a maior parte da humanidade para a condenação eterna só por um ato arbitrário de sua vontade sem levar em conta qualquer pecado.
- Da mesma maneira pela qual a eleição é a fonte e a causa da fé e boas obras, a reprovação é a causa da incredulidade e impiedade.
- Muitos filhos inocentes de pais crentes são arrancados do seio de suas mães e, tiranicamente lançados no inferno, de tal modo que nem o sangue de Cristo, nem o batismo nem as orações da Igreja no ato do batismo lhes podem ser proveitosos.
Há muitas outras coisas semelhantes que as Igrejas Reformadas não apenas não confessam mas também repelem de todo coração.
Portanto, este Sínodo de Dort conclama em nome do Senhor a todos os que piedosamente invocam o nosso Salvador Jesus Cristo, que não julguem a fé das Igrejas Reformadas a partir das calúnias juntadas daqui e dali, nem tão pouco a partir de declarações pessoais de alguns professores, modernos ou antigos, que muitas vezes são citadas em má fé, distorcidas e explicadas de forma oposta ao seu sentido real.
Mas deve-se julgar a fé das Igrejas Reformadas pelas Confissões públicas destas Igrejas, e pela presente declaração da ortodoxa doutrina, confirmada pelo consenso unânime de cada um dos membros de todo o Sínodo.
Além do mais, o Sínodo adverte os caluniosos para que considerem o severo julgamento de Deus à espera deles, por falar falso testemunho contra tantas igrejas e contra as Confissões delas, e por conturbar as consciências dos fracos e por tentar colocar em suspeito, aos olhos de muitos, a comunidade dos verdadeiros crentes.
Finalmente, este Sínodo exorta todos os conservos no evangelho de Cristo a comportar-se em santo temor e piedade diante de Deus, quando lidarem com esta doutrina em escolas e igrejas.
Ao ensiná-la, tanto pela palavra falada quanto escrita, devem procurar a glória de Deus, a santidade de vida, e a consolação das almas aflitas. Seus pensamentos e palavras sobre a doutrina devem estar em concordância com a Escritura, de acordo com a analogia da fé. E devem abster-se de usar qualquer frase que exceda os limites prescritos pelo genuíno sentido das Escrituras
Sagradas para não dar aos frívolos sofistas boas oportunidades para atacar ou caluniar a doutrina das Igrejas Reformadas.
Que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual está sentado à direita do Pai e envia seus dons aos homens, nos santifique na verdade. Que Ele traga à verdade os que se desviaram dela, cale a boca dos caluniosos da sã doutrina e equipe os ministros fiéis da sua Palavra com o Espírito de sabedoria e discrição, para que tudo que falem possa ser para a glória de Deus e a edificação dos ouvintes. Amém.

Uma forma equivocada de interpretar a Biblia


DISPENSACIONALISMO
Por Rev. Daniel Carneiro.*
Introdução
O dispensacionalismo já foi conhecido como DARBYNISMO devido ao nome do seu fundador, um pastor anglicano chamado John Nelson Darby, que viveu entre 1800 e 1882. Darby foi muito influenciado por padres jesuítas na formação desse pensamento.
O dispensacionalismo não é apenas um ensino sobre o milênio e o futuro, é também um sistema teológico errôneo.
O nome “dispensacionalismo” vem do fato que a teoria divide a história da humanidade em diferentes dispensações; em cada uma delas Deus tem uma relação pactual diferente com os homens, que termina com uma falha deles em cumprir os requerimentos de Deus.
Quais são as dispensações? São sete. Ei-las:
1-Inocência: Vai da criação à queda.
Julgamento: expulsão do paraíso.
2-Consciência: Vai da expulsão de Adão e Eva do paraíso ao dilúvio.
Julgamento: o dilúvio.
3- Governo Humano: Do dilúvio a Abraão.
Julgamento: torre de babel.
4- Promessa: Vai de Abraão ao cativeiro do Egito
Julgamento: cativeiro do Egito.
5- Lei: Do Sinai ao Calvário.
Julgamento: destruição do templo.
6- Graça: Vai do Calvário ao arrebatamento.
Julgamento: a grande tribulação.
7- Milênio: Vai do arrebatamento ao fim do mundo.
Julgamento: fora do céu.
Note que cada dispensação termina com um julgamento de Deus.
Explicando as dispensações, Scofield diz:
“Uma dispensação é um período de prova durante o qual o homem é provado quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus... cada dispensação pode ser considerada como uma nova prova do homem natural, e cada uma delas termina em juízo... assinalando o seu fracasso”.
Na verdade “dispensação” que é um termo bíblico, em grego é “oikonomos” significa mordomia, disposição ou administração. Nunca significa um período de prova.
Não há sete dispensações, mas apenas duas formas de DEUS tratar com seu povo. Uma na Primeira Aliança (Velho Testamento) e outra na Segunda Aliança (Novo Testamento). A dispensação do Velho Testamento tem vários períodos dentro da aliança da graça.
Há a aliança com Noé, com Abraão, com Moisés, e com Davi. É uma só aliança em vários períodos. A mesma aliança era sempre renovada.
No Novo Testamento a aliança é essencialmente a mesma do V.T. a diferença está no fato que no V.T. a aliança era nacional e no N.T. é universal.
De acordo com o dispensacionalismo nós agora estamos vivendo na “era da Igreja” ou na “dispensação da graça”, faltando apenas uma, isto é, a “dispensação do reino” ou “milênio”.
Vejamos mais alguns erros teológicos do dispensacionalismo.
I - O Dispensacionalismo é um Método Falho de Interpretar a Escritura
O dispensacionalismo ensina que todo o V.T. e algumas partes do N.T. são aplicados aos judeus e não tem nenhuma aplicação aos crentes do N.T. a não ser por curiosidade.
Por exemplo: o sermão do monte e a oração do Pai nosso, não tem nada a ver conosco, crentes do N.T. e, sim, só com os judeus.
Quanto a este argumento, leia o que Paulo diz em 2 Timóteo 3.15-17.
Paulo diz que TODA a Bíblia é de extremo valor para o crente, não apenas um pedaço dela. Paulo aqui está falando para os crentes do N.T. sobre o valor que a Escritura -V.T. - tinha para eles.
II - O Dispensacionalismo é Estritamente Literalista
Neste ponto os dispensacionalistas são como os fariseus que não conseguiam ver em Cristo um Rei espiritual, e assim, o crucificaram. Eles esperavam ansiosamente por um rei político. Um messias político .
Ora, em muitas passagens a Bíblia “espiritualiza” – dá significação espiritual- as coisas do V.T.
Por exemplo, 1 Co 10.1-4; 1 Pd 2.5-9 e todo o livro de Hebreus que fala do tabernáculo, dos sacrifícios, de Jerusalém e Sião, etc.
Ainda mais, como podemos ler literalmente 1 Co 12.12-15 que trata da Igreja como um organismo? A Igreja é literalmente um corpo? Não. apenas figuradamente.
É a oposição a espiritualização de certas partes da Bíblia, que leva os dispensacionalistas a negar o reino celestial e espiritual de Cristo. Para eles, o reino de Cristo tem de ser literal, físico, geográfico e, em Jerusalém.
Nós cremos que haverá um reino físico, visível de Cristo, mas afirmamos que há um reinado de Cristo hoje, ainda que reconhecido só pela Igreja. Mas há (1 Co 15.25).
III - O Dispensacionalismo faz Separação entre Israel e a Igreja
Segundo os dispensacionalistas, Israel é Israel e a igreja é a Igreja. Os dois não devem ser confundidos.
Aliás, a Igreja é um “parêntese” no plano de Deus. Ela não existia no plano original de Deus.
A Escritura chama o Israel do V.T. de Igreja e chama a Igreja do N.T. de Israel espiritual (At 7.38 – a palavra “congregação”, em grego é Ekklesia; Rm 2. 28,29)
Em gálatas 3.29, Paulo fala sobre os descendentes de Abraão. Quem são estes? A Igreja é claro.
IV - O Dispensacionalismo Ensina que o Espírito Santo Será Retirado da Terra na hora do Arrebatamento
Durante a tribulação os judeus serão salvos e trazidos à fé em Cristo sem as operações soberanas do Espírito Santo.
Como vai ser possível isso acontecer, visto que a fé é um dom de Deus através do Espírito Santo? E também a regeneração ou novo nascimento que é essencial para a salvação, é obra exclusiva do Espírito Santo.
 Como haverá a conversão de Israel e outros sem as operações do Espírito Santo? ( Jo. 3.3-8; Ef 2.8).
Mais uma vez afirmamos o que falta ao povo Santo é apenas profundidade e seriedade nas verdades divinas.
DEUS nos ilumine.
AMÉM.
* Reverendo Daniel Carneiro é professor de Teologia Sistemática no SPN e pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Canones de Dort Parte III

CAPÍTULOS 3 e 4
A CORRUPÇÃO DO HOMEM,
A SUA CONVERSÃO A DEUS E O MODO DELA


1. No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e salutar conhecimento de Deus e de todas as coisas espirituais. Sua vontade e seu coração eram retos, todos os seus afetos puros; portanto, era o homem completamente santo. Mas, desviando-se de Deus sob instigação do diabo e pela sua própria livre vontade, ele se privou destes dons excelentes. Em lugar disso trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis, leviano e perverso juízo em seu entendimento; malícia, rebeldia e dureza em sua vontade e seu coração; também impureza em todos os seus afetos.
2. Depois da queda, o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Então a corrupção, de acordo com o justo julgamento de Deus, passou de Adão até todos os seus descendentes, com exceção de Cristo somente. Não passou por imitação, como os antigos pelagianos afirmavam, mas por procriação da natureza corrompida.
3. Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que o salve, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador nem desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir suas naturezas corrompidas ou ao menos estar dispostos para esta correção.
4. É verdade que há no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim ele retém ainda alguma noção sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferença entre honrado e desonrado e pratica um pouco de virtude e disciplina exterior. Mas o homem está tão distante de chegar ao conhecimento salvífico de Deus e à verdadeira conversão por meio desta luz natural que ele não a usa apropriadamente nem mesmo em assuntos cotidianos. Antes, qualquer que seja esta luz, o homem totalmente a polui de maneiras diversas e a detém pela injustiça. Assim ele se faz indesculpável perante Deus.
5. O que foi dito sobre a luz da natureza vale também com relação à lei dos Dez Mandamentos, dada por Deus através de Moisés, particularmente aos judeus. A lei revela como é grande o pecado e mais e mais convence o homem de sua culpa, mas não aponta o remédio nem dá a força para sair desta miséria. A lei ficou sem força pela carne e deixa o transgressor debaixo da maldição. Por esta razão o homem não pode obter a graça salvadora através da lei.
6. Aquilo que a luz natural nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Espírito Santo e pela pregação ou ministério da reconciliação, que é o Evangelho do Messias. Agradou a Deus usar este Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga quanto na nova aliança.
7. No Antigo Testamento Deus revelou este mistério da sua vontade apenas a poucas pessoas. No Novo testamento, entretanto, Ele retirou a distinção entre os povos e revelou o mistério a muito mais pessoas. Esta distribuição distinta do Evangelho não é causada pela maior dignidade de um certo povo, nem pelo melhor uso da luz da natureza, mas pelo soberano bom propósito e amor imerecido de Deus. Portanto eles que recebem tão grande graça, além e ao contrário de tudo que merecem, devem reconhecer isto com coração humilde e agradecido. Mas eles devem com o apóstolo adorar a severidade e justiça dos julgamentos de Deus sobre aqueles que não recebem esta graça. Estes julgamentos de Deus, eles não devem, de maneira nenhuma, investigá-los curiosamente.
8. Mas tantos quantos são chamados pelo Evangelho, seriamente o são. Porque Deus revela séria e sinceramente em sua Palavra o que Lhe agrada, a saber, que aqueles que são chamados venham a Ele. Ele também seriamente promete descanso para a alma e vida eterna a todos que a Ele vierem e crerem.
9. Muitos são chamados através do ministério do Evangelho mas não vêm nem são convertidos. Não é a culpa do Evangelho, nem do Cristo que é oferecido pelo Evangelho, nem de Deus que chama através do Evangelho e inclusive confere vários dons a eles. Mas é sua própria culpa. Alguns deles não aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações, e por isso, quando desaparece a alegria de sua fé temporária, viram as costas à Palavra. Ainda outros sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados e prazeres deste mundo, e não produzem nenhum fruto. Isto é o que o Salvador ensina na parábola do semeador (Mt 13).
10. Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como Ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim Ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes dá fé e arrependimento; Ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho. Tudo isto Ele faz a fim de que eles proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, e se gloriem não em si mesmos mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (Col 1:13; 1 Pe 2:9; 1 Cor 1:31).
11. Deus realiza seu bom propósito nos eleitos e opera neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e poderosamente ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir as coisas do Espírito de Deus. Mas pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também penetra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e amolece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas Ele a faz reviver; era má, mas Ele a torna boa; estava indisposta, mas Ele a torna disposta; era rebelde, mas Ele a faz obediente. Ele move e fortalece esta vontade de tal forma que, como uma boa árvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras (I Cor 2:14).
12. Esta conversão é aquela regeneração, renovação, nova criação, ressurreição dos mortos e vivificação, tão exaltada nas Escrituras, a qual Deus opera em nós, sem nós. Mas esta regeneração não é efetuada pela pregação apenas, nem por persuasão moral. Nem ocorre de tal maneira que, havendo Deus feito a sua parte, resta ao poder do homem ser regenerado ou não regenerado, convertido ou não convertido. Ao contrário, a regeneração é uma obra sobrenatural, poderosíssima, e ao mesmo tempo agradabilíssima, maravilhosa, misteriosa e indizível. De acordo com o testemunho da Escritura, inspirada pelo próprio autor desta obra, regeneração não é inferior em poder à criação ou à ressurreição dos mortos. Consequentemente todos aqueles em cujos corações Deus opera desta maneira maravilhosa são, certamente, infalivelmente e efetivamente regenerados e de fato passam a crer. Portanto a vontade que é renovada não é apenas acionada e movida por Deus, mas ela age também, sob a ação de Deus, por si mesma. Por isso também se diz corretamente que o homem crê e se arrepende mediante a graça que recebeu.
13. Como Deus opera, os crentes, enquanto vivos, não podem entender completamente. Entretanto, porém, estão tranqüilos sabendo e sentindo que por esta graça de Deus eles crêem com o coração e amam seu Salvador.
14. Fé é, portanto, um dom de Deus. Isto não significa que Deus a oferece à livre vontade do homem, mas que ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida. Não é um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contrário, é um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar, sim, opera tudo em todos. (Ef 2:8; Fp 2:13).
15. Esta graça Deus não deve a ninguém. Em troca de que seria Ele devedor ao homem? Quem tem primeiro dado a Ele para que possa ser retribuído? O que poderia Deus dever a alguém que nada tem de si mesmo a não ser pecado e falsidade? Aquele portanto, que recebe esta graça deve e rende eterna gratidão a Deus. Porém quem não recebe esta graça, nem valoriza estas coisas espirituais e tem prazer na sua própria situação, ou numa falsa segurança em vão se gaba de ter o que não tem. Além disto, quanto aos que manifestam sua fé e corrigem suas vidas, nós devemos julgar e falar da maneira mais favorável, de acordo com o exemplo dos apóstolos, pois o fundo do coração é desconhecido de nós. Quanto aos que ainda não foram chamados, nós devemos orar a Deus em seu favor, pois Ele é que chama à existência as coisas que não existem. De maneira nenhuma, porém, podemos ter uma atitude orgulhosa para com eles, como se nós tivéssemos realizado nossa posição distinta (Rom 11:35).
17. O homem não deixou, apesar da queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, a cura, a corrige, e a dobra agradável e ao mesmo tempo poderosamente. Como resultado, onde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição.
18. A todo-poderosa operação de Deus pela qual Ele produz e sustenta nossa vida natural não exclui mas requer o uso de meios, pelos quais Ele quis exercer seu poder, de acordo com sua infinita sabedoria e bondade. Da mesma maneira a mencionada operação sobrenatural de Deus, pela qual Ele nos regenera, de modo nenhum exclui ou anula o uso do Evangelho, que o mui sábio Deus ordenou para ser a semente da regeneração e o alimento da alma. Por esta razão os apóstolos, e os mestres que os sucederam, piedosamente instruíram o povo acerca da graça de Deus, para sua glória e para humilhação de toda soberba do homem. Ao mesmo tempo eles não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do Evangelho, sob a ministração da Palavra, dos sacramentos e da disciplina.
Por isso aqueles que hoje ensinam ou aprendem na igreja não devem ousar tentar a Deus, separando aquilo que Ele em seu bom propósito quis preservar inteiramente unido. Pois a graça é conferida, através de admoestações, e quanto mais prontamente desempenhamos nosso dever, tanto mais este benefício de Deus, que opera em nós, se manifesta gloriosamente e sua obra prossegue da maneira melhor. A Deus somente toda glória eternamente, tanto pelos meios quanto pelo fruto e eficácia salvíficos.


REJEIÇÃO DE ERROS


Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - É impróprio dizer que o pecado original em si é suficiente para condenar toda a raça humana ou merecer castigo temporal e eterno.
Refutação - Isto contradiz o apóstolo que declara: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram." (Rom 5:12) E no verso 16 diz: "... o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação." E em Rom 6:23: "O salário do pecado é a morte."
Erro 2 - Os dons espirituais ou as boas qualidades e virtudes, tal como a bondade, santidade, justiça, não podiam estar na vontade do homem quando no princípio foi criado. Por isso também não podiam ter sido separados da sua própria vontade quando caiu.
Refutação - Este erro é contrário à descrição da imagem de Deus que o apóstolo dá em Ef 4:24, dizendo que ela consiste em justiça e santidade, que sem dúvida estão na vontade.
Erro 3 - Na morte espiritual os dons espirituais não são separados da vontade do homem. Porque a vontade como tal nunca tem sido corrompida mas apenas atrapalhada pelo obscurecimento do entendimento e pela desordem das afeções. Se estes obstáculos forem removidos, a vontade pode exercer seu livre poder inato. A vontade é por si mesma capaz de desejar e escolher ou não toda espécie de bem que lhe for apresentada.
Refutação - Esta é uma novidade e um engano, e tende a exaltar os poderes da livre vontade, contrário ao que o profeta Jeremias declara no cap. 17:9: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto...." E o apóstolo Paulo escreve: "Entre os quais (os filhos da desobediência) também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (Ef 2:3).
Erro 4 - O homem não-regenerado não é realmente ou totalmente morto em pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode ter fome e sede de justiça e vida, e pode oferecer sacrifício de espírito contrito e quebrantado que agrada a Deus.
Refutação - Estas afirmações são contrárias ao testemunho claro da Escritura: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2:1; cf.vs.5). E, "...era continuamente mau todo o desígnio do seu coração" (Gn 6:5; cf.8:21). Além do mais, somente os regenerados e os bem-aventurados têm fome e sede da libertação da miséria, e da vida, e oferecem a Deus um sacrifício de espírito quebrantado (Sl 51:19 e Mt 5:6).
Erro 5 - O homem degenerado e carnal pode usar bem a graça comum (o que é a luz natural), ou os dons ainda lhe deixados após a queda. Assim ele, sozinho, pode alcançar, pouco a pouco e gradualmente, uma graça maior, isto é, a graça evangélica ou salvadora, e até a salvação. Dessa forma Deus, por seu lado, mostra-se pronto para revelar Cristo a todo homem, porque a todos Ele administra suficiente e efetivamente os meios necessários para conhecer Cristo, para crer e se arrepender.
Refutação - Tanto a experiência de todas as épocas como a Escritura testificam que isto não é verdade. "Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos" (Sl 147:19,20). "...o qual nas gerações passadas permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos" (At 14:16). E Paulo e seus companheiros foram "impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra na Asia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu" (At 16:6,7).
Erro 6 - Na verdadeira conversão do homem, Deus não pode infundir novas qualidades, novos poderes ou dons na vontade humana. Portanto a fé, que é o começo da conversão, e que nos dá o nome de crente, não é uma qualidade ou um dom outorgados por Deus mas apenas um ato do homem. Somente com respeito ao poder para alcançar a fé, pode se dizer que é um dom.
Refutação - Este ensino contradiz a Sagrada Escritura que declara que Deus infunde em nossos corações novas qualidades de fé, obediência e experiência de seu amor: "Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também nos corações lhas inscreverei" (Jr 31:33). E: "...derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca" (Is 44:3). E ainda: "...o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado" (Rom 5:5). O ensino arminiano também contraria a prática constante da Igreja, que ora com o profeta: "Converte-me, e serei convertido" (Jr 31:18).
Erro 7 - Esta graça pela qual somos convertidos a Deus é apenas um apelo gentil. Ou (como alguns explicam): Esta maneira de agir, que consiste em aconselhar é a mais nobre maneira de converter o homem e está mais em harmonia com a natureza do homem. Não há razão porque tal graça persuasiva não seja suficiente para tornar espiritual o homem natural. Em verdade, Deus não produz o consentimento da vontade a não ser através deste tipo de apelo moral. O poder da operação divina supera a ação de Satanás, Deus prometendo bens eternos e Satanás bens temporais.
Refutação - Isto é Pelagianismo por completo, e contrário a toda Escritura que conhece além deste apelo moral, outra operação, muito mais poderosa e divina: a ação do Espírito Santo na conversão do homem: "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne" (Ez 36:26).
Erro 8 - Na regeneração do homem Deus não usa os poderes de sua onipotência de tal maneira que Ele dobra a vontade do homem, à força e infalivelmente, para fé e conversão. Mesmo sendo realizadas todas as operações da graça que Deus possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a intenção e a vontade de regenerá-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Espírito. De fato freqüentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regeneração. Portanto ser ou não ser regenerado permanece no poder do homem.
Refutação - Isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão e sujeitar a operação do Deus Todo-Poderoso à vontade do homem. É contrário ao que os apóstolos ensinam: cremos "... segundo a eficácia da força do seu poder" (Ef 1:19), e: "...para que nosso Deus cumpra... com poder todo propósito de bondade e obra de fé..." (2 Ts 1:11), e também: "...pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e piedade..." (2 Pe 1:3).
Erro 9 - Graça e livre vontade são as causas parciais que operam juntas no início da conversão. Pela ordem destas causas a graça não precede à operação da vontade do homem. Deus não ajuda efetivamente a vontade do homem para sua conversão, enquanto a própria vontade do homem não se move e decide se converter.
Refutação - A Igreja Antiga há muito tempo já condenou esta doutrina dos Pelagianos, de acordo com a palavra do apóstolo: "Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (Rom 9:16). Também: "Pois quem é que te faz sobressair? e que tens tu que não tenhas recebido?..." (1 Cor 4:7)? E ainda: "...porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).