segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Cristo Voltara Parte I

Rev. Daniel Carneiro.*
A SEGUNDA VINDA DE CRISTO (primeira parte).
Popularmente é dito hoje que a volta de cristo será IMINENTE, isto é, Cristo poderá voltar a qualquer momento. Poderá ser ainda hoje. Agora mesmo.
De acordo com as Escrituras, a volta de Cristo só acontecerá depois da realização de alguns eventos. Ei-los.
I- A Proclamação do Evangelho á Todas as Nações (Mt 24.14)
Isto não significa que cada pessoa da terra tem de se converter antes da vinda de Cristo; também não significa que cada pessoa da terra precisa ouvir o Evangelho antes que Cristo volte. Não.O que o texto quer dizer é que o Evangelho tem de ser pregado por todo o mundo como um testemunho para todas as nações.
Através da obra missionária da igreja, pregando o evangelho ao mundo, muitos o ouvirão e se converterão a Cristo. Esta obra missionária não pode ser negligenciada pela igreja, pois, este é um tempo em que Deus convida os homens para serem salvos e, ele faz isto por meio da igreja. Evangelização mundial é um sinal do fim.
II- A Salvação da Plenitude de Israel (Rm 11.26)
As palavras desse texto não significam que a nação de Israel como uma totalidade será salva.Estas palavras significam que Deus tem seus eleitos em Israel- como os têm em todo o mundo- e assim, ele reunirá esses eleitos remanescentes dentre os judeus ao longo da história e, dessa forma o número total dos eleitos -não todos- dentre os judeus será salvo. Isso ocorrerá antes da segunda vinda de Cristo.
Uma consideração a ser feita aqui, é que o Israel nacional deixou de ser o povo de Deus. O verdadeiro judeu não é aquele que nasce em Israel, mas é aquele que nasce do Espírito. É o crente em Jesus ( Rm 2.28,29; 9.27; 11.5).
Leia Rm 11.5; 9.27
III- A Grande Apostasia e a Grande Tribulação
1) Apostasia (2Ts 2.3; 1Tm 4.1)
Apostasia implica em um abandono ou em uma rebelião contra a fé cristã.
A apostasia acontecerá dentro das fileiras dos membros da igreja visível. Muitos que tem feito uma profissão de fé exterior, apostatarão. Eles darão ouvidos a falsos mestres e deixarão a fé bíblica.
Todavia, aqueles que são crentes verdadeiros, que são regenerados, não cometerão esse pecado, mas serão guardados pelo amor e pelo poder do Senhor.
(Jô 10.27,29; 1Pd 1.3-5)
2) A Grande Tribulação (Mt 24.21-24)
Jesus fala da tribulação como um sinal dos tempos que deve ser esperada por seu povo ao longo do período entre a sua primeira e segunda vindas.
No texto acima, encontramos a mensagem de que esta tribulação será tão grande que superará qualquer tribulação que a possa preceder, e os dias da tribulação terão que ser abreviados por causa doe eleitos. Caso contrário, eles não a suportarão.
IV- A Futura Revelação do Anticristo e de Falsos Profetas (Mt 24.5,24; 2Ts 2.3,4)
1) Anticristo
O anticristo será um falso Cristo que procurará ocupar o lugar de Cristo nos corações das pessoas, alegando ser o Cristo verdadeiro.
Este falso Cristo tentará conquistar as pessoas através de sinais e prodígios (2Ts 2.9; Ap 13.13,14)
2) Falsos Profetas
Duas características dos falsos profetas é que eles vêm em grande número e que virão em nome de Cristo. Jesus diz que eles enganarão a muitos.
Provavelmente, a mensagem do falso profeta é esta: "Eu sou o messias, aqui eu estou, vejam estes sinais, vejam os prodígios que eu posso fazer, o fim do mundo chegou!".
Historicamente, surgiram muitos falsos profetas. Há cerca de 30 anos, apareceu na Coréia um homem que dizia ser o messias.
O Brasil também tem seu Jesus Cristo. No Sul do país, surgiu o Inri Cristo, uma figura que se veste como Jesus Cristo, usa coroa de espinhos e carrega uma cruz, suscitando grande escárnio por parte da sociedade em geral.
Falsos profetas sempre existiram, anunciando o fim do mundo. Mas Jesus diz: "Vede que ninguém vos engane".
V- Guerras, Terremotos e Fomes (Mt 24.6-8)
Esse período é chamado por Jesus de "o princípio das dores", em que haverá conflitos armados entre reinos, povos e nações. Povos se levantarão contra outros povos.
1) Guerras
As guerras trazem medo, angústia e sempre o perigo de extinção da raça humana. Desde os dias de Jesus, até hoje, as guerras têm acontecido.
2) Terremotos e Fome
Nós conhecemos o poder de um terremoto, de um furacão ou de um maremoto. Jesus disse que essas calamidades viriam em vários lugares e assim tem acontecido.
Em 60-80 houve uma grande fome em todo o mundo, conforme Atos 11.28. A fome foi tão grande e tão extensa, eu os discípulos de Cristo fizeram uma coleta para levar ofertas e mantimentos para os cristãos pobres de Jerusalém, duramente atingidos por essa tragédia.
Em nossos dias, ouvimos a mídia continuamente relatando enchentes, furacões, tempestades, seca e pestes. Quer dizer, uma calamidade atrás da outra é anunciada. Mas Jesus diz: "Não vos assusteis...não é o fim".
Devemos ter em mente a certeza que o mundo não vai se destruir, nem a humanidade terminará num genocídio sem proporções. Não! o fim do mundo virá pela ação direta de Deus. O mundo não irá se destruir, mas será destruído.
Todas essas coisas são apenas "o princípio das dores". Essa expressão é tirada da figura de uma mulher que está para dar a luz: primeiro vêm contrações (o principio das dores). Depois essas dores iniciais vão ficando mais fortes, mais freqüentes, mais intensas,e, então, é chegado o momento do parto. Aí a dor torna-se lancinante, insuportável.
Jesus descreve a presente fase em que vivemos como sendo as dores de contração da História, que se aproxima do clímax.
Está chegando o grande momento em que ela- a História- vai dar à luz, ou seja, em que Jesus voltará pela segunda vez. Até lá o que vai anteceder são essas contrações, o princípio das dores. É a época que nós estamos vivendo.
Jesus diz: "Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis...ainda não é o fim".
Estes sinais são evidências do juízo de Deus. São manifestações do fato que o mundo presente está sob a maldição de Deus, e que a ira de Deus está constantemente sendo revelada do céu contra a impiedade e perversão dos homens (Rm 1.18).
*Rev. Daniel Carneiro é Pastor da IPB e professor de teologia sistemática no SPN.

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal, nao esqueca do aniversariante!

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domingo, 21 de dezembro de 2008

Jose, Maria e as Adversidades

Reagindo as adversidades



Mateus 1:19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.



Maria informa a José sobre as notícias vibrantes que estava grávida.,

Suas explicações sobre a visita angelical e do bebê que estava dentro era o filho de Deus poderia ter tranqüilizado sua mente um pouco, mas mesmo assim...as novas bateram como um soco em seu estômago. O que as pessoas iriam pensar? O que José diria a sua família e amigos? E o pensamento mais perturbador – será que Maria estava falando a verdade?



José poderia ter reagido de vários modos. Ele poderia ter envergonhado Maria publicamente, exigido que ela fosse apedrejada como adúltera ou poderia ter desaparecido de noite como ele pensou em fazer.



Ao invés disso, José tentou encontrar uma solução que agradasse a Deus e poupasse Maria de qualquer tipo de ridicularização pública. Isto não é interessante? No meio de uma severa adversidade, uma Crise profunda pessoal, os pensamento de José foram: 1- o que Deus quer que eu faça? 2- Como posso demonstrar misericórdia e bondade a Maria da melhor forma? No final, Deus enviou um anjo a José com instruções para ir em frente e tomar Maria como sua esposa.



Pense na ultima crise de sua vida. Como você reagiu? Se um escritor resumisse sua reação em uma frase o que ele diria de você?

Peça a Deus que ele te faça um tipo de pessoa que reage corretamente às difíceis situações da vida.



A adversidade revela muito do nosso caráter espiritual.


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FELIZ NATAL...HIPÓCRITA!


Estamos no período natalino, onde pessoas se reúnem com a família, confraternizam-se com amigos, etc, tudo em comemoração ao nascimento de Jesus, ocorrido a dois milênios atrás. Ainda que não se saiba a data de seu nascimento, pelo menos se sabe que não ocorreu em dezembro, pois o frio intenso impediria um bebê de ficar em uma manjedoura e de haver homens pastoreando à noite. O 25 de dezembro foi oficializado pelo Papa Libério no ano de 354 d.C., com o intuito de atrair os pagãos que comemoravam o nascimento do deus-Sol invicto e a Saturnália, onde havia orgias. Foram absorvidos muitos símbolos pagãos neste intento de “cristianizar” as práticas pagãs. Hoje não podemos aceitar o discurso extremista de que não podemos festejar o nascimento de Jesus simplesmente porque a data tem origem pagã . A circuncisão e o batismo já existiam em outras religiões antes mesmo da fé judaico-cristã, por exemplo, e nem por isso foram descumpridos, além de que os enfeites natalinos hoje visam tão somente a ornamentação, e não um rito litúrgico pagão. Convém lembrar que os próprios anjos louvaram a Deus pelo nascimento do messias(Cf. Lucas 2.13,14), e portanto não há nenhum problema em se alegrar à semelhança destes.
Mas... será que temos nos alegrado mesmo com o nascimento de Jesus? Hoje muitos se dizem cristãos em virtude da idéia de que alguém pode ser algo se apenas aceitar cognitivamente uma ideologia. Na antiguidade não era assim. Um seguidor de Sócrates, Aristóteles etc, vivia suas idéias, elas desciam ao coração. O contrário seria como se um urubu pudesse alegar ser vegetariano apenas por aceitar mentalmente isto! Não há como uma essência assumir outro atributo, pois seria o mesmo que defender a flexibilidade de um tamanco. Assim, visto que a nossa vida expressa nossa ideologia, seria muito salutar perguntar às pessoas da nossa sociedade de quem é o seu Natal? A nossa vida alegra-se com o nascimento de quem mesmo?
Bem, para isso não faltam candidatos. Por exemplo, os espertos que na tragédia de Santa Catarina furtaram donativos dos necessitados poderiam fazer o “Natal dos soldados romanos”, os quais pegaram a túnica de Jesus e lançaram sortes(Cf. João 19.23,24). Já os adúlteros, o “Natal de Herodes Tetrarca”, o qual tinha um caso com a mulher de seu irmão Filipe, e por sua libidinagem inconseqüente matou o inocente João Batista(Cf. Mateus 14.1-12). Para os políticos brasileiros que farram com nosso dinheiro e querem aumentar consideravelmente o número dos vereadores com fins escusos, que tal o “Natal de Pôncio Pilatos”, aquele “Severino” que preferiu sentenciar uma injusta crucificação por temer uma revolta popular que poderia destituí-lo de seu cargo político. Ali estava embrionariamente o “jeitinho brasileiro”. E as feministas pró-aborto? Como simpatizantes de Moloque, o deus dos sacrifícios de infantes, cabe-lhes o “Natal de Herodes Magno”, responsável pela matança dos bebês de Belém, que quase vitima o pequeno Jesus (Cf. Mateus 2.16-18). Tem vaga para mais! Há os sacerdotes pedófilos, os quais descumprem a orientação apostólica de se casar caso não resistam às naturais necessidades sexuais (Cf. 1 Timóteo 3.1,2; Tito 1.5,6). Poderiam festejar o “Natal dos fariseus”, a quem o Mestre chamava de sepulcros caiados (Cf. Mateus 23.27)! Agora não podemos nos esquecer do “Natal dos mercadores do Templo”, expulsos por Jesus “debaixo de pau” por enriquecerem ludibriando a boa fé do povo. No atual contexto, são muito bem representados pelos exploradores “do sal de Jericó” e “do manto sagrado”, dentre tantas outras formas de extorquir a massa sofrida e ignara. Por fim, há os que tentam subir na vida às custas de sangue alheio. Passam por cima de princípios éticos. Não são “homens de palavra”. Vendem a própria mãe e derrubam amigos para tomar-lhes a vez e ficar “bem na fita” com os que possuem o poder para favorecer-lhes funcionalmente. Eis o “Natal de Judas Iscariotes”, traidor que dispensa apresentações...
Jesus disse que aquele que o ama guarda os seus mandamentos (Cf. João 14.21), mas aquele que não guarda as suas palavras dá sinais de que não o ama (Cf. João 14.24). Que nossa ceia natalina não seja a expressão máxima da hipócrita comemoração do nascimento de alguém que, na prática, não significa nada para as nossas vidas. Na realidade, os presépios não têm valor espiritual algum. O que importa mesmo é saber quem é que se deita na manjedoura do seu coração. Quem faz morada no seu coração? Certamente é pelos frutos que conhecemos a árvore (Cf. Lucas 6.43-45), e a nossa oração é que possamos aproveitar este período para rever nossos conceitos, reconhecer os nossos pecados e deles nos arrepender, cumprindo com o simples desejo do “aniversariante”, que é amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos (Cf. Mateus 22.34-40). Que Deus abençoe a todos e um feliz natal segundo sua real essência.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Salmo de Maria


Lc 1:46-55 Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,47 e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,48 porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,49 porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.50 A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.51 Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.52 Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.53 Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.54 Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia55 a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais.
Tudo no natal é mega. Mega árvores, mega promoções, mega corais, mega praças, enfim, tudo parece ficar maior, mais amplo. Para onde quer que olhemos não há espaço para o simples e o pequeno. Cada vez mais distorcemos e nos afastamos do verdadeiro significado dessa festa tão celebrada mas tão pouco entendida.
Para enaltecermos devidamente o natal, precisamos fazer um esforço mental grande para entendermos a seguinte verdade: Deus não age conforme as diretrizes humanas, mas exclusivamente de acordo com a sua vontade Santa, Livre e Soberana. Isto é o que deveríamos aprender hoje do cântico de Maria. Este cântico é também chamado de Magnificat que é a tradução da primeira palavra desse hino na versão latina da Bíblia. Ele é o mais antigo salmo do Advento que conhecemos.
Aqui temos uma Maria cheia do Espírito Santo, suas palavras não transmitem um lirismo adocicado mas falam de grandes coisas que Deus fez e faz. Fala de tronos e poderosos derrubados e de miseráveis erguidos do pó; de ricos que são despachados de mãos abanando, e de pobres e famintos repletos de bens. Um Deus revolucionário e subversivo! Calma que explicaremos o significado: esta palavra vem de subverter que dentre tantas coisas também significa
aquele que expressa idéias, pensamentos, opiniões opostos ou profundamente diferentes dos da maioria, que, por isso, freq. se sente ameaçada. É neste sentido que afirmamos que Deus é subversivo. Ele põe nossos conceitos, nossos orgulhos, nossos pensamentos de pernas pro ar, subverte, volta de baixo para cima toda nossa escalada de valores vãos.
É por isso que eu disse no início que precisamos de grande esforço mental para compreender verdadeiramente a ação de Deus no natal. Em vez de fazer uso de um militar, de um rei, ou de um outro expoente da sociedade da época ele usa uma pobre mulher e marceneiro, nasce também em um lugar esquecido chamado Belém e num local inapropriado para uma criança(uma manjedoura). Deus na pessoa de Jesus continua agindo assim, ele chamou pescadores sem cultura, em vez de dirigir-se a filósofos da época ou então a rabinos, em vez de procurar os crentes notórios e conhecidos ele vai a prostitutas e odiados cobradores de impostos. Deus vai a elementos que estão lá em baixo, vai a elementos que pensamos não existirem.
Vejam amados irmãos e amigos a escolha de Maria foi um verdadeiro absurdo dentro dos nossos valores rotos. E porque Deus lança mão de Maria? Não devido a méritos humanos que a fizessem merecedora, mas, única e exclusivamente porque Deus, em sua bondade, ama, escolhe e engrandece o pequeno, o insignificante. E o menino Jesus na sua manjedoura? Deus não se envergonha da pequenez humana. Ele escolhe uma pessoa, penetra no nosso meio e faz milagres de onde não esperamos. Deus detesta padrões pré-estabelecidos. Deus salva. Onde dizemos não! Deus diz sim! Onde nós desviamos o olhar orgulhosos ou indiferentes, é lá que Deus olha com mais amor e calor.
Que este cântico do Advento nos ajude a entender que se quisermos ter um caminho para Deus, ele não poderá andar pelas alturas, mas terá que ir realmente as profundezas, aos pequenos, humildes e necessitados. E isso tem que acontecer. Deus não permite que zombemos dele. Deus não consente que celebremos o Advento, ano após ano, sem levá-lo realmente a sério. Deus cumpre o que diz; e há de derrubar todos os poderosos do seu trono, tanto pequenos quanto grandes. Qual tem sido nosso comportamento diante de nossas empregadas, dos taxistas, das faxineiras, dos engraxates, dos contínuos, dos porteiros, e assim por diante. Deus valorizou os pequenos e humildes. Se nós não entendermos essa valorização é porque ainda não compreendemos a mensagem contida no cântico de Maria. Nos humilhemos diante de Deus e permitamos que somente ELE seja exaltado.
Deus nos iIumine.
Oremos:
Senhor, ajuda-nos a aceitar o desafio que nos propões e voltar de "baixo para cima" nossa escalada de valores, para que nos dediquemos àqueles que tu te dedicaste e não aos que nos são interessantes. Por Jesus Cristo Amém.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

SERENA CONFIANÇA

Nós não podemos decidir a respeito de como morrer, mas podemos decidir sobre como viver. Robin Sharma
A mais eficiente e poderosa confiança é a serena confiança. Ela não se vangloria nem é arrogante. A serena confiança não se abala com a zombaria e a crítica daqueles que com esses atos só deixam transparecer e manifestar suas próprias inseguranças. A serena confiança faz aquilo que é correto fazer, não se importando com o que os outros pensem.

A serena confiança é edificada pela substância, e não é manifesta para exibições emocionais. Ela é genuína e poderosa. A serena confiança não está preocupada com aparências. Ela simplesmente realiza e concretiza os alvos propostos. A serena confiança nem sempre pode ser vista, e normalmente você nem cogita sobre ela. Contudo ela trabalha incansavelmente por trás das cortinas, lhe trazendo coisas de precioso significado, e valor eterno.

A serena confiança serena transcende a limitada confiança humana. Ela é divina; tem sua raiz e origem no relacionamento com o Pai. Ela se sobrepõe ao barulho, à agitação e às aparentes adversidades que surgem em meio ao caminho. A serena confiança pode ser a sua realidade, quando seus olhos estiverem fixados em Deus e não nas suas circunstâncias.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre. Salmos 125:1

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E se católicos romanos se unissem aos ortodoxos?


Qual o impacto teológico que haveria na reunificação das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa? Até que ponto os cristãos deveriam considerar isso como prioridade?[1]


Antes de responder às questões supracitadas, é bastante salutar dar uma breve visão sobre a Igreja Ortodoxa, visto que a Romana é por demais conhecida no Ocidente. Também convém observar como as diferenças teológicas se desenvolveram, além das questões político-doutrinárias que colaboraram para o cisma, e as tentativas fracassadas de reunificação.
De acordo com Champlin, o termo ortodoxo é empregado, como título, para falar “sobre a comunhão das denominações cristãs orientais cuja ortodoxia é determinada pelos sete primeiros concílios ecumênicos” [2]. As Igrejas Ortodoxas estão vinculadas por uma fé comum, formando uma confederação frouxa e não possuindo uma unidade de comando como o catolicismo romano. O patriarca de Constantinopla, por exemplo, tem apenas uma posição honrosa em relação aos demais, mas não possui nenhuma autoridade sobre os outros patriarcados antigos de Alexandria, Jerusalém e Antioquia, e muito menos sobre os outros patriarcados espalhados pelo mundo, como Bulgária, Rússia, EUA, dentre outros.
As diferenças teológicas entre Tertuliano, de Cartago, e Clemente, de Alexandria, já no II século, representavam embrionariamente as inclinações diferentes entre ocidentais e orientais, respectivamente. Tertuliano desafiou o paganismo, enquanto que Clemente fez uso dele, naquilo que achava benéfico. Entretanto, vai ser a partir do IV século, com a transferência da sede do Império Romano para Constantinopla, que tais discrepâncias vão aumentar. No VI século os romanos acrescentam a palavra filioque ao Credo Niceno, e em VII d. C. o Islã toma o Mediterrâneo e controla as suas comunicações. Para completar a animosidade, no século XI questões político-dogmáticas acabam na excomunhão mútua do Cardeal Humberto e do patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário. Algumas tentativas de reunificação foram tentadas, como os Concílios de Lião (1274) e de Florença (1438 e 1439), mas foram em vão, em virtude dos ortodoxos não abrirem mão de seus postulados.
As convicções ortodoxas devem ser observadas ao se tentar prever qual seria o impacto teológico numa reunificação das Igrejas Romana e Ortodoxa. Tal anseio certamente deve ser visto como algo além de uma declaração formal do tipo “somos irmãos”. Sem sombra de dúvidas, há muitas diferenças de importância secundária. No entanto, há muitas outras não recebidas pelos orientais como um “simples modo de ser”. Basta olhar para trás para se perceber que os ortodoxos provavelmente nunca vão aceitar o bispo romano como superior hierárquico, e muito menos os concílios promovidos pelos católicos romanos, além dos sete concílios ecumênicos. Portanto, o que deve ser analisado é a possibilidade de haver ou não concessões dogmáticas.
Talvez tal reunificação seja bastante improvável de se concretizar. Questões como infalibilidade papal e supremacia universal da jurisdição de Roma são difíceis de serem aceitas por serem os patriarcados orientais autocéfalos. É mais provável o papa abdicar de seu orgulho ex-cathedra numa tentativa de união. Certamente, seria um impacto teológico glacial o catolicismo romano retornar às prescrições dos sete primeiros concílios ecumênicos, visto que quem se afastou da espinha dorsal do catolicismo foram os romanos, e não os orientais. Foi o romanismo que modificou os Dez Mandamentos, o Credo Niceno, criou as indulgências e mantém o celibato clerical, dentre outras divergências. Os orientais não sofreram o impacto da Renascença, da Reforma, do Iluminismo. Eles conseguem manter sua tradição quase que intacta em muitos aspectos. Assim, o retorno do catolicismo romano ao cristianismo dos primeiros séculos poderia ser a realização de um sonho não concretizado por muitos reformadores do século XVI.
O protestantismo certamente veria com bons olhos um processo de retorno à Igreja pós-apostólica por parte do catolicismo romano, visto que para boa parcela evangélica o Vaticano representa uma igreja atolada num pântano de heresias sem fim. De fato, o romanismo se descaracterizou como Igreja Cristã por seu envolvimento político e sua absorção pagã. Uma reavaliação de seus postulados antibíblicos à luz da ortodoxia oriental significaria uma reforma e um avanço para o cristianismo mundial.
Este avanço da fé deve ser o objetivo de todo aquele que se diz cristão. Priorizar tal reunificação significaria cumprir o requisito dos que andam “na luz”, que é ter “comunhão uns com os outros” (1Jo 1.7b). Isso concorreria para uma maior evangelização no mundo, além de servir de testemunho, visto que, não obstante nossas diferenças em questões secundárias, teríamos uma confissão de fé mínima que nos identificaria como verdadeiros seguidores de Jesus. Mas, é claro, o romanismo teria que abrir mão de sua doutrinas pagãs absorvidas ao longo dos séculos.

[1] A questão em pauta faz parte da seção Perguntas para estudo, In: NOLL, Mark A. Momentos decisivos na história do Cristianismo. Trad. De Alderi Souza de Matos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2000. p. 366.
[2] CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. 6ª Ed. São Paulo: Hagnos, 2002 V. 4 p. 632.

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domingo, 14 de dezembro de 2008

Natal sem Jesus


Lc 3:1-9 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene,2 sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.3 Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados,4 conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.5 Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados;6 e toda carne verá a salvação de Deus.7 Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

A notícia de crise não abalou os brasileiros. Apesar de tanto alvoroço devido à derrocada do sistema financeiro internacional, as ruas de comércio popular estão lotadas para as compras de Natal, afirmam os jornais. Mas, diante de tudo isso vale a pena uma pergunta: o que é Natal mesmo?
Há mais de dois mil anos atrás Deus fez uma visita aos homens. Ele veio na figura humana, chamado Jesus de Nazaré, nascido no ano zero da nossa história. Deus não chegou assim de qualquer jeito, de sopetão, ELE mandou preparar a visita. O preparador foi um cidadão estranho, chamado João o Batista.
Dentro de mais uns poucos dias estaremos comemorando essa visita, mas antes, precisamos passar por uma preparação. Nós temos que passar por João para chegar a Jesus. Sem João Batista não tem Jesus para nós. Sem João Batista Deus não nos visita; sem João nosso Natal é uma farsa.
Exposição:
No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene.
Corre o ano de 2008, Barack Obama é o presidente dos EUA, Gordon Brown é o primeiro ministro da Inglaterra, Lula é o presidente do Brasil, Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, é governador do estado de Pernambuco e João da Costa prefeito do Recife. Foi aí nesse contexto que Deus ordenou essa mensagem. Foi aí neste mundo, neste país, nesta cidade e neste fim de ano. Foi neste mundo convulsionado, se retorcendo em dores e misérias, matanças de soldados, matanças de civis, ameaças de bombas nucleares, fome, peste, terremotos. Foi aí com transplantes de órgãos, raios laser a curar doenças, coquetéis poderosos anti AIDS, Foi aí com a educação abaixo de zero, e a criminalidade acima de dez, foi aí onde filhos matam os pais, pais matam e estupram filhos, casais se separam cada vez mais, angústia, depressão, foi aí no País campeão mundial de acessos à pornografia na Internet segundo a Symantec, insegurança, medo, subversão, falências, torturas e atentados. Foi aí que João Batista nos prepara a visita hoje.
O que João fez para nos preparar a visita? Primeiro ele diz o seguinte: vocês, que vivem neste mundo de guerra, neste mundo de ciência avançada, neste país emergente, nesta sociedade transtornada de angústia e medo; prestem atenção! Isso aí não é tudo! Isso não é toda a realidade! O inferno não é aqui! Existe mais, Existe muito mais!
Existe um Deus que pode te dar um futuro grandioso e perdoará tua culpa (...pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados); mas também irá derramar toda a sua ira diante daqueles que não se arrependerem de verdade (...E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo).
Esta é a realidade que vocês estão esquecendo, diz João, a realidade está mais no fundo, mais acima, mais além é maior e tremendamente mais importante do que qualquer outra realidade em sua vida. Um Deus que pode restituir-vos a paz e harmonia do paraíso perdido, como também decretar a derrocada, e o castigo eterno. O Deus que vai exigir prestação de contas. O Deus que vem visitar! Essa é a primeira coisa que João nos diz hoje.
E agora? Que fazer diante dessa realidade? Que fazer diante desse Deus que pode dar e negar? João mais uma vez responde: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" Mc 1:15. Lembrem-se meu amados amigos e irmãos, sem João batista o Natal é uma farsa. E por que? O que houve de tão importante nesse homem? Poderiam me perguntar, e eu vos afirmo o importante em João foi o que ele falou: arrependam-se! Imaginem o seguinte: você está em seu carro e quer ir ao aeroporto, vai tranqüilo a uma certa velocidade, mas, por uma distração, pega uma rodovia diferente da que leva ao seu destino e nem percebe, na sua frente há sinal de trânsito que bruscamente muda de verde para vermelho, acionamos o pedal do carro que, de forma violenta, freia quase que em cima da faixa de pedestres. Neste momento, você para um pouco e pensa: afinal para onde estou indo? Este caminho não me conduzirá ao aeroporto! Você vê um retorno mais a frente, muda a direção e volta agora ao caminho exato que te levará ao destino desejado.
Leitores plugados com Deus, assim é o arrependimento! Arrepender-se é ter um estalo por dentro, parar, pensar: mas para onde é que eu vou indo desse jeito? Como é que eu vim parar aqui? E fazer o retorno. Nada vale um arrependimento somente mental sem mudança de direção na vida. Nada adianta dizer mentalmente -- é preciso me acertar com o criador-- e continuar no caminho que não conduz ao céu.
Sem arrependimento não tem Jesus, se não sentirmos ou vivermos esse arrependimento, o nosso Natal será uma farsa, um show, uma brincadeira vergonhosa. Vergonhosa porque usaremos Deus para esta brincadeira, o mesmo Deus que disse não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Aqui está uma advertência violenta de João, "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão." Vocês percebem como costumamos celebrar a visita do Deus todo- poderoso aos homens? Como gostamos de falar no menino Jesus, tão meigo, deitadinho na sua manjedoura, ao lado de Maria e seu pai José o burrinho, a vaquinha, e outros animais olhando e anjinhos voando por cima cantando: "glória, glória..." isso nos dá um aconchego não é mesmo? Nos sentimos tão bem! Com um deusinho tão meigo, tão querido, nada pode dar nada errado. E esquecemos que aquele menino ter que ser executado na cruz, por nossa culpa. Sim, esquecemos a nossa culpa!
Toda essa montagem melosa que colocamos em torno de Deus nos faz esquecer que " já está posto o machado à raiz das árvores".
Toda esta montagem nos dá uma garantia tragicamente falsa. Deus não precisa de nós. Nós não estamos lhe fazendo um favor celebrando o natal ou deixando presentes aos pés da árvore tão belamente enfeitada.
O alerta de João é violento, e tem que ser sentido em toda sua violência para que não façamos do nosso Natal uma afronta a Deus, uma palhaçada. Uma palhaçada que se transformará em juízo, pois para realizá-la usamos e abusamos do nome de Deus.
Meus amados leitores, vamos endireitar os caminhos, aterrar os vales, nivelar os montes e colinas, cortar as curvas, aplainar as partes acidentadas. Vamos praticar o arrependimento. Vamos acabar com tudo que há de tortuoso, obscuro e orgulhoso em nossas vidas para que o rei da glória entre. Para que ELE possa vir a nós no Natal como ELE quer.
E a melhor maneira de fazer isso é confessar, um por um, por mais horrível que seja, os pecados e pedir perdão. Hoje eu coloco diante de vocês o sinal vermelho. Parem o carro da vida e pensem: para onde eu estou indo? Isto é o que nos diz João Batista a cada um de nós, dentro do mundo em que vivemos neste ano de 2008. Só assim entenderemos o verdadeiro, mas tão pouco falado, sentido do Natal.
Oremos:
Senhor, nosso Deus, ajuda-nos a fazer o retorno, cria tu em nós o verdadeiro arrependimento, aquele que produz frutos; faze-nos mudar de vida, para que este Natal não seja uma farsa, uma brincadeira em teu nome, mas realmente tua visita a nós. Em nome de Jesus. Amém.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Canones de Dort Parte IV

CAPÍTULO 5
A PERSEVERANÇA DOS SANTOS


1. Aqueles que, de acordo com o seu propósito, Deus chama à comunhão do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e regenera pelo seu Santo Espírito, Ele certamente os livra do domínio e da escravidão do pecado. Mas nesta vida, Ele não os livra totalmente da carne e do corpo de pecado (Rom 7:24).
2. Portanto, pecados diários de fraqueza surgem e até as melhores obras dos santos são imperfeitas. Estes são para eles constante motivo para humilhar-se perante Deus e refugiar-se no Cristo crucificado. Também são motivo para mais e mais mortificar a carne através do Espírito de oração, e através dos santos exercícios de piedade, e ansiar pela meta da perfeição. Eles fazem isto até que possam reinar com o Cordeiro de Deus nos céus, finalmente livres deste corpo de morte.
3. Por causa dos seus pecados remanescentes e também por causa das tentações do mundo e de Satanás, aqueles que têm sido convertidos não poderiam perseverar nesta graça, se deixados ao cuidado de suas próprias forças. Mas Deus é fiel: misericordiosamente os confirma na graça, uma vez conferida sobre eles, e poderosamente preserva a eles na sua graça até o fim.
4. O poder de Deus, pelo qual Ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne. Mas os convertidos nem sempre são guiados e movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria culpa, se desviar da direção da graça, e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam em tentação. Quando não vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satanás para sérios e horríveis pecados. Isto ocorre também muitas vezes pela justa permissão de Deus. A lamentável queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isto.
5. Por tais pecados grosseiros, entretanto, eles causam a ira de Deus, se tornam culpados da morte, entristecem o Espírito Santo, suspendem o exercício da fé, ferem profundamente suas consciências e algumas vezes perdem temporariamente a sensação da graça. Mas quando retornam ao reto caminho por meio de arrependimento sincero, logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles.
6. Pois Deus, que é rico em misericórdia, de acordo com o imutável propósito da eleição, não retira completamente o seu Espírito dos seus, mesmo em sua deplorável queda. Nem tão pouco permite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do estado de justificado. Nem permite que cometam o pecado que leva à morte, isto é, o pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalmente abandonados por Ele, lançando-se na perdição eterna.
7. Pois, em primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua imperecível semente da regeneração, a fim de que esta não pereça nem seja lançada fora. Além disto, através da sua Palavra e seu Espírito, certamente Ele os renova efetivamente para arrependimento. Como resultado eles se afligem de coração com uma tristeza para com Deus pelos pecados que têm cometido; procuram e obtêm pela fé, com coração contrito, perdão pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a graça de Deus, que é reconciliado com eles, adorando sua misericórdia e fidelidade. E de agora em diante eles se empenham mais diligentemente pela sua salvação com temor e tremor.
8. Assim, não é por seus próprios méritos ou força mas pela imerecida misericórdia de Deus que eles não caiam totalmente da fé e da graça e nem permaneçam caídos ou se percam definitivamente. Quanto a eles, isto facilmente poderia acontecer e aconteceria sem dúvida. Porém, quanto a Deus, isto não pode acontecer, de modo nenhum. Pois seu decreto não pode ser mudado, sua promessa não pode ser quebrada, seu chamado em acordo com seu propósito não pode ser revogado. Nem o mérito, a intercessão e a preservação de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Espírito tão pouco pode ser frustrada ou destruída.
9. Os crentes podem estar certos e estão certos desta preservação dos eleitos para salvação e da perserverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza é de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem com certeza que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão de pecados e a vida eterna.
10. Esta certeza não vem de uma revelação especial, sem ou fora da Palavra, mas vem da fé nas promessas de Deus, que Ele revelou abundantemente em sua Palavra para nossa consolação. Vem também do testemunho do Espírito Santo, testificando com o nosso espírito de que somos filhos e herdeiros de Deus; e finalmente, vem do zelo sério e santo por uma boa consciência e por boas obras. E se os eleitos não tivessem neste mundo a sólida consolação de obter a vitória e esta garantia infalível da glória eterna, seriam os mais miseráveis de todos os homens (Rom 8:16,17).
11. No entanto, a Escritura testifica que os crentes nesta vida têm de lutar contra várias dúvidas da carne e, sujeitos a graves tentações, nem sempre sentem plenamente esta confiança da fé e certeza da perseverança. Mas Deus, que é Pai de toda a consolação, não os deixa ser tentados além de suas forças, mas com a tentação proverá também o livramento e pelo Espírito Santo novamente revive neles a certeza da perseverança (I Cor. 10:13).
12. Entretanto, esta certeza de perseverança não faz de maneira nenhuma que os verdadeiros crentes se orgulhem e se acomodem. Ao contrário, ela é a verdadeira raiz da humildade, reverência filial, verdadeira piedade, paciência em toda luta, orações fervorosas, firmeza em carregar a cruz e confessar a verdade e alegria sólida em Deus. Além do mais, a reflexão deste benefício é para eles um estímulo para praticar séria e constantemente a gratidão e as boas obras, como é evidente nos testemunhos da Escritura e nos exemplos dos santos.
13. Quando pessoas são levantadas de uma queda (no pecado) começa a reviver a confiança na perseverança. Isto não produz descuido ou negligência na piedade delas. Em vez disto produz maior cuidado e diligência para guardar os caminhos do Senhor, já preparados, para que, andando neles, possam preservar a certeza da perseverança. Quando fazem isto o Deus reconciliado não retira de novo sua face delas por causa do abuso da sua bondade paternal (a contemplação dela é para os piedosos mais doce que a vida e sua retirada mais amarga que a morte), e elas não cairão em tormentos mais graves da alma (Ef. 2:10).
14. Tal como agradou a Deus iniciar sua obra da graça em nós pela pregação do evangelho, assim Ele a mantém, continua e aperfeiçoa pelo ouvir e ler do Evangelho, pelo meditar nele, pelas suas exortações, ameaças, e promessas, e pelo uso dos sacramentos.
15. Deus revelou abundantemente em sua Palavra esta doutrina da perseverança dos verdadeiros crentes e santos, e da certeza dela, para a glória do seu Nome e para a consolação dos piedosos. Ele a imprime nos corações dos crentes, mas a carne não pode entendê-la. Satanás a odeia, o mundo zomba dela, os ignorantes e hipócritas dela abusam, e os heréticos a ela se opõem. A Noiva de Cristo, entretanto, sempre tem-na amado ternamente e defendido constantemente como um tesouro de inestimável valor. Deus, contra quem nenhum plano pode se valer e nenhuma força pode prevalecer, cuidará para que a Igreja possa continuar fazendo isso. Ao único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, sejam a honra e a glória para sempre. Amém!

REJEIÇÃO DE ERROS


Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - A perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. É uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade antes da assim chamada eleição decisiva, e justificação.
Refutação - A Escritura Sagrada testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo: "a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" (Rom 11:7). Também: "Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom 8:32-35)
Erro 2 - Deus de fato provê os crentes de suficientes forças para perseverar, e está pronto para preservar tais forças nele, se este cumprir seu dever; mas ainda que todas estas coisas tenham sido estabelecidas, que são necessárias para perseverar na fé e que Deus usa para preservar a fé, ainda assim dependerá da vontade humana se perseverar ou não.
Refutação - Esta idéia é abertamente pelagiana. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evangélica que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por este benefício somente à graça de Deus. É também contrário ao apóstolo que declara: "...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1:8).
Erro 3 - Crentes verdadeiramente regenerados não só podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a graça e a salvação, mas de fato as perdem freqüentemente e assim se perdem eternamente.
Refutação - Esta opinião invalida a graça, justificação, regeneração e contínua preservação por Cristo. Ela é contrária às palavras expressas do apóstolo Paulo: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom 5:8,9). É contrária ao apóstolo João: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Também é contrária às palavras de Jesus Cristo: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:28,29).
Erro 4 - Verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva à morte ou o pecado contra o Espírito Santo.
Refutação - Após o apóstolo João ter falado no 5º capítulo de sua 1ª carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado, antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca."
Erro 5 - Sem uma revelação especial não podemos ter nesta vida, nenhuma certeza da perseverança futura.
Refutação - Por tal doutrina o seguro consolo dos crentes verdadeiros nesta vida é tirado, e as dúvidas dos seguidores do papa são novamente introduzidas na igreja. As Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem esta segurança, não a partir de uma revelação especial e extraordinária, mas a partir das marcas dos filhos de Deus e das promessas mui firmes dEle. Especialmente o apóstolo Paulo ensina isto:"...nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que há em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom 8:39). E João escreve: "E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que Ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu" (1 Jo 3:24).
Erro 6 - Por sua própria natureza a doutrina da certeza da perseverança e da salvação causa falsa segurança e prejudica a piedade, os bons costumes, orações e outros santos exercícios. Ao contrário, é louvável duvidar desta certeza.
Refutação - Esta falsa doutrina ignora o efetivo poder da graça de Deus e a operação do Santo Espírito, que habita em nós. Contradiz o apóstolo João que, em palavras explícitas, ensina o contrário: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque havemos de vê-Lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, como ele é puro." (1 Jo 3:2,3) Ainda mais, ela é refutada pelos exemplos dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento, que, não obstante estarem certos de sua perseverança e salvação, continuaram em oração e outros exercícios de piedade.
Erro 7 - A fé daqueles que crêem apenas por um tempo não é diferente da fé justificadora e salvadora, a não ser com respeito à sua duração.
Refutação - Em Mt 13:20-23 e Lc 8:13-15 Cristo mesmo indica claramente, além da duração, uma tríplice diferença entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o último em bom solo, ou seja, em bom coração; que o primeiro é sem raiz, mas o último tem firme raiz; que o primeiro não tem fruto, mas o último produz fruto em várias medidas, constante e perseverantemente.
Erro 8 - Não é absurdo o fato de alguém, tendo perdido sua primeira regeneração, nascer de novo e mesmo freqüentemente nascer de novo.
Refutação - Esta doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorruptível. Isto é contrário ao testemunho do apóstolo Pedro: "...pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível..." (I Ped. 1:23).
Erro 9 - Cristo em lugar algum orou para que os crentes perseverassem infalivelmente na fé.
Refutação - Isto contradiz ao próprio Cristo, que diz: "Eu, porém, roguei por ti" (Pedro) "para que a tua fé não desfaleça." (Lc 22:32). Também contradiz o apóstolo João que declara que Cristo não orava somente pelos apóstolos, mas também por todos aqueles que viessem a crer por meio da palavra deles: "Pai Santo, guarda-os em teu nome, que me deste...Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal." (Jo 17:11,15).

CONCLUSÃO

Esta é a declaração clara, simples, e sincera da doutrina ortodoxa com respeito aos Cinco Artigos de Fé disputados na Holanda; e esta é a rejeição dos erros pelos quais as Igrejas têm sido perturbadas, por algum tempo. O Sínodo de Dort julga a presente declaração e as rejeições serem tiradas da Palavra de Deus e conforme as Confissões das Igrejas Reformadas. Assim torna-se evidente que alguns agiram muito impropriamente e contrário à toda verdade, equidade e amor, desejando persuadir o povo do seguinte:
- A doutrina das Igrejas Reformadas com relação à predestinação e assuntos relacionados com ela, por seu caráter e tendência, desvia os corações dos homens da verdadeira religião.
- Ela é um ópio do diabo para a carne, bem como uma fortaleza para Satanás, onde permanece à espera por todos, fere multidões atingindo mortalmente a muitos com os dardos tanto de desespero quanto de falsa segurança.
- Faz de Deus o autor injusto do pecado, um tirano e hipócrita; é nada mais do que um renovado Estoicismo, Maniqueísmo, Libertinismo e Islamismo.
- Conduz a um pecaminoso descuido porque faz as pessoas crer que nada pode impedir a salvação dos eleitos, não importando como vivam, e que portanto podem, tranqüilamente, cometer os crimes mais horríveis. Por outro lado, se os reprovados tivessem produzido todas as obras dos santos, isto não poderia nem ao menos contribuir para a salvação deles.
- A mesma doutrina ensina que Deus tem predestinado e criado a maior parte da humanidade para a condenação eterna só por um ato arbitrário de sua vontade sem levar em conta qualquer pecado.
- Da mesma maneira pela qual a eleição é a fonte e a causa da fé e boas obras, a reprovação é a causa da incredulidade e impiedade.
- Muitos filhos inocentes de pais crentes são arrancados do seio de suas mães e, tiranicamente lançados no inferno, de tal modo que nem o sangue de Cristo, nem o batismo nem as orações da Igreja no ato do batismo lhes podem ser proveitosos.
Há muitas outras coisas semelhantes que as Igrejas Reformadas não apenas não confessam mas também repelem de todo coração.
Portanto, este Sínodo de Dort conclama em nome do Senhor a todos os que piedosamente invocam o nosso Salvador Jesus Cristo, que não julguem a fé das Igrejas Reformadas a partir das calúnias juntadas daqui e dali, nem tão pouco a partir de declarações pessoais de alguns professores, modernos ou antigos, que muitas vezes são citadas em má fé, distorcidas e explicadas de forma oposta ao seu sentido real.
Mas deve-se julgar a fé das Igrejas Reformadas pelas Confissões públicas destas Igrejas, e pela presente declaração da ortodoxa doutrina, confirmada pelo consenso unânime de cada um dos membros de todo o Sínodo.
Além do mais, o Sínodo adverte os caluniosos para que considerem o severo julgamento de Deus à espera deles, por falar falso testemunho contra tantas igrejas e contra as Confissões delas, e por conturbar as consciências dos fracos e por tentar colocar em suspeito, aos olhos de muitos, a comunidade dos verdadeiros crentes.
Finalmente, este Sínodo exorta todos os conservos no evangelho de Cristo a comportar-se em santo temor e piedade diante de Deus, quando lidarem com esta doutrina em escolas e igrejas.
Ao ensiná-la, tanto pela palavra falada quanto escrita, devem procurar a glória de Deus, a santidade de vida, e a consolação das almas aflitas. Seus pensamentos e palavras sobre a doutrina devem estar em concordância com a Escritura, de acordo com a analogia da fé. E devem abster-se de usar qualquer frase que exceda os limites prescritos pelo genuíno sentido das Escrituras
Sagradas para não dar aos frívolos sofistas boas oportunidades para atacar ou caluniar a doutrina das Igrejas Reformadas.
Que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual está sentado à direita do Pai e envia seus dons aos homens, nos santifique na verdade. Que Ele traga à verdade os que se desviaram dela, cale a boca dos caluniosos da sã doutrina e equipe os ministros fiéis da sua Palavra com o Espírito de sabedoria e discrição, para que tudo que falem possa ser para a glória de Deus e a edificação dos ouvintes. Amém.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uma forma equivocada de interpretar a Biblia


DISPENSACIONALISMO
Por Rev. Daniel Carneiro.*
Introdução
O dispensacionalismo já foi conhecido como DARBYNISMO devido ao nome do seu fundador, um pastor anglicano chamado John Nelson Darby, que viveu entre 1800 e 1882. Darby foi muito influenciado por padres jesuítas na formação desse pensamento.
O dispensacionalismo não é apenas um ensino sobre o milênio e o futuro, é também um sistema teológico errôneo.
O nome “dispensacionalismo” vem do fato que a teoria divide a história da humanidade em diferentes dispensações; em cada uma delas Deus tem uma relação pactual diferente com os homens, que termina com uma falha deles em cumprir os requerimentos de Deus.
Quais são as dispensações? São sete. Ei-las:
1-Inocência: Vai da criação à queda.
Julgamento: expulsão do paraíso.
2-Consciência: Vai da expulsão de Adão e Eva do paraíso ao dilúvio.
Julgamento: o dilúvio.
3- Governo Humano: Do dilúvio a Abraão.
Julgamento: torre de babel.
4- Promessa: Vai de Abraão ao cativeiro do Egito
Julgamento: cativeiro do Egito.
5- Lei: Do Sinai ao Calvário.
Julgamento: destruição do templo.
6- Graça: Vai do Calvário ao arrebatamento.
Julgamento: a grande tribulação.
7- Milênio: Vai do arrebatamento ao fim do mundo.
Julgamento: fora do céu.
Note que cada dispensação termina com um julgamento de Deus.
Explicando as dispensações, Scofield diz:
“Uma dispensação é um período de prova durante o qual o homem é provado quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus... cada dispensação pode ser considerada como uma nova prova do homem natural, e cada uma delas termina em juízo... assinalando o seu fracasso”.
Na verdade “dispensação” que é um termo bíblico, em grego é “oikonomos” significa mordomia, disposição ou administração. Nunca significa um período de prova.
Não há sete dispensações, mas apenas duas formas de DEUS tratar com seu povo. Uma na Primeira Aliança (Velho Testamento) e outra na Segunda Aliança (Novo Testamento). A dispensação do Velho Testamento tem vários períodos dentro da aliança da graça.
Há a aliança com Noé, com Abraão, com Moisés, e com Davi. É uma só aliança em vários períodos. A mesma aliança era sempre renovada.
No Novo Testamento a aliança é essencialmente a mesma do V.T. a diferença está no fato que no V.T. a aliança era nacional e no N.T. é universal.
De acordo com o dispensacionalismo nós agora estamos vivendo na “era da Igreja” ou na “dispensação da graça”, faltando apenas uma, isto é, a “dispensação do reino” ou “milênio”.
Vejamos mais alguns erros teológicos do dispensacionalismo.
I - O Dispensacionalismo é um Método Falho de Interpretar a Escritura
O dispensacionalismo ensina que todo o V.T. e algumas partes do N.T. são aplicados aos judeus e não tem nenhuma aplicação aos crentes do N.T. a não ser por curiosidade.
Por exemplo: o sermão do monte e a oração do Pai nosso, não tem nada a ver conosco, crentes do N.T. e, sim, só com os judeus.
Quanto a este argumento, leia o que Paulo diz em 2 Timóteo 3.15-17.
Paulo diz que TODA a Bíblia é de extremo valor para o crente, não apenas um pedaço dela. Paulo aqui está falando para os crentes do N.T. sobre o valor que a Escritura -V.T. - tinha para eles.
II - O Dispensacionalismo é Estritamente Literalista
Neste ponto os dispensacionalistas são como os fariseus que não conseguiam ver em Cristo um Rei espiritual, e assim, o crucificaram. Eles esperavam ansiosamente por um rei político. Um messias político .
Ora, em muitas passagens a Bíblia “espiritualiza” – dá significação espiritual- as coisas do V.T.
Por exemplo, 1 Co 10.1-4; 1 Pd 2.5-9 e todo o livro de Hebreus que fala do tabernáculo, dos sacrifícios, de Jerusalém e Sião, etc.
Ainda mais, como podemos ler literalmente 1 Co 12.12-15 que trata da Igreja como um organismo? A Igreja é literalmente um corpo? Não. apenas figuradamente.
É a oposição a espiritualização de certas partes da Bíblia, que leva os dispensacionalistas a negar o reino celestial e espiritual de Cristo. Para eles, o reino de Cristo tem de ser literal, físico, geográfico e, em Jerusalém.
Nós cremos que haverá um reino físico, visível de Cristo, mas afirmamos que há um reinado de Cristo hoje, ainda que reconhecido só pela Igreja. Mas há (1 Co 15.25).
III - O Dispensacionalismo faz Separação entre Israel e a Igreja
Segundo os dispensacionalistas, Israel é Israel e a igreja é a Igreja. Os dois não devem ser confundidos.
Aliás, a Igreja é um “parêntese” no plano de Deus. Ela não existia no plano original de Deus.
A Escritura chama o Israel do V.T. de Igreja e chama a Igreja do N.T. de Israel espiritual (At 7.38 – a palavra “congregação”, em grego é Ekklesia; Rm 2. 28,29)
Em gálatas 3.29, Paulo fala sobre os descendentes de Abraão. Quem são estes? A Igreja é claro.
IV - O Dispensacionalismo Ensina que o Espírito Santo Será Retirado da Terra na hora do Arrebatamento
Durante a tribulação os judeus serão salvos e trazidos à fé em Cristo sem as operações soberanas do Espírito Santo.
Como vai ser possível isso acontecer, visto que a fé é um dom de Deus através do Espírito Santo? E também a regeneração ou novo nascimento que é essencial para a salvação, é obra exclusiva do Espírito Santo.
 Como haverá a conversão de Israel e outros sem as operações do Espírito Santo? ( Jo. 3.3-8; Ef 2.8).
Mais uma vez afirmamos o que falta ao povo Santo é apenas profundidade e seriedade nas verdades divinas.
DEUS nos ilumine.
AMÉM.
* Reverendo Daniel Carneiro é professor de Teologia Sistemática no SPN e pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Canones de Dort Parte III

CAPÍTULOS 3 e 4
A CORRUPÇÃO DO HOMEM,
A SUA CONVERSÃO A DEUS E O MODO DELA


1. No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e salutar conhecimento de Deus e de todas as coisas espirituais. Sua vontade e seu coração eram retos, todos os seus afetos puros; portanto, era o homem completamente santo. Mas, desviando-se de Deus sob instigação do diabo e pela sua própria livre vontade, ele se privou destes dons excelentes. Em lugar disso trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis, leviano e perverso juízo em seu entendimento; malícia, rebeldia e dureza em sua vontade e seu coração; também impureza em todos os seus afetos.
2. Depois da queda, o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Então a corrupção, de acordo com o justo julgamento de Deus, passou de Adão até todos os seus descendentes, com exceção de Cristo somente. Não passou por imitação, como os antigos pelagianos afirmavam, mas por procriação da natureza corrompida.
3. Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que o salve, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador nem desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir suas naturezas corrompidas ou ao menos estar dispostos para esta correção.
4. É verdade que há no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim ele retém ainda alguma noção sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferença entre honrado e desonrado e pratica um pouco de virtude e disciplina exterior. Mas o homem está tão distante de chegar ao conhecimento salvífico de Deus e à verdadeira conversão por meio desta luz natural que ele não a usa apropriadamente nem mesmo em assuntos cotidianos. Antes, qualquer que seja esta luz, o homem totalmente a polui de maneiras diversas e a detém pela injustiça. Assim ele se faz indesculpável perante Deus.
5. O que foi dito sobre a luz da natureza vale também com relação à lei dos Dez Mandamentos, dada por Deus através de Moisés, particularmente aos judeus. A lei revela como é grande o pecado e mais e mais convence o homem de sua culpa, mas não aponta o remédio nem dá a força para sair desta miséria. A lei ficou sem força pela carne e deixa o transgressor debaixo da maldição. Por esta razão o homem não pode obter a graça salvadora através da lei.
6. Aquilo que a luz natural nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Espírito Santo e pela pregação ou ministério da reconciliação, que é o Evangelho do Messias. Agradou a Deus usar este Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga quanto na nova aliança.
7. No Antigo Testamento Deus revelou este mistério da sua vontade apenas a poucas pessoas. No Novo testamento, entretanto, Ele retirou a distinção entre os povos e revelou o mistério a muito mais pessoas. Esta distribuição distinta do Evangelho não é causada pela maior dignidade de um certo povo, nem pelo melhor uso da luz da natureza, mas pelo soberano bom propósito e amor imerecido de Deus. Portanto eles que recebem tão grande graça, além e ao contrário de tudo que merecem, devem reconhecer isto com coração humilde e agradecido. Mas eles devem com o apóstolo adorar a severidade e justiça dos julgamentos de Deus sobre aqueles que não recebem esta graça. Estes julgamentos de Deus, eles não devem, de maneira nenhuma, investigá-los curiosamente.
8. Mas tantos quantos são chamados pelo Evangelho, seriamente o são. Porque Deus revela séria e sinceramente em sua Palavra o que Lhe agrada, a saber, que aqueles que são chamados venham a Ele. Ele também seriamente promete descanso para a alma e vida eterna a todos que a Ele vierem e crerem.
9. Muitos são chamados através do ministério do Evangelho mas não vêm nem são convertidos. Não é a culpa do Evangelho, nem do Cristo que é oferecido pelo Evangelho, nem de Deus que chama através do Evangelho e inclusive confere vários dons a eles. Mas é sua própria culpa. Alguns deles não aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações, e por isso, quando desaparece a alegria de sua fé temporária, viram as costas à Palavra. Ainda outros sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados e prazeres deste mundo, e não produzem nenhum fruto. Isto é o que o Salvador ensina na parábola do semeador (Mt 13).
10. Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como Ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim Ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes dá fé e arrependimento; Ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho. Tudo isto Ele faz a fim de que eles proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, e se gloriem não em si mesmos mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (Col 1:13; 1 Pe 2:9; 1 Cor 1:31).
11. Deus realiza seu bom propósito nos eleitos e opera neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e poderosamente ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir as coisas do Espírito de Deus. Mas pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também penetra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e amolece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas Ele a faz reviver; era má, mas Ele a torna boa; estava indisposta, mas Ele a torna disposta; era rebelde, mas Ele a faz obediente. Ele move e fortalece esta vontade de tal forma que, como uma boa árvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras (I Cor 2:14).
12. Esta conversão é aquela regeneração, renovação, nova criação, ressurreição dos mortos e vivificação, tão exaltada nas Escrituras, a qual Deus opera em nós, sem nós. Mas esta regeneração não é efetuada pela pregação apenas, nem por persuasão moral. Nem ocorre de tal maneira que, havendo Deus feito a sua parte, resta ao poder do homem ser regenerado ou não regenerado, convertido ou não convertido. Ao contrário, a regeneração é uma obra sobrenatural, poderosíssima, e ao mesmo tempo agradabilíssima, maravilhosa, misteriosa e indizível. De acordo com o testemunho da Escritura, inspirada pelo próprio autor desta obra, regeneração não é inferior em poder à criação ou à ressurreição dos mortos. Consequentemente todos aqueles em cujos corações Deus opera desta maneira maravilhosa são, certamente, infalivelmente e efetivamente regenerados e de fato passam a crer. Portanto a vontade que é renovada não é apenas acionada e movida por Deus, mas ela age também, sob a ação de Deus, por si mesma. Por isso também se diz corretamente que o homem crê e se arrepende mediante a graça que recebeu.
13. Como Deus opera, os crentes, enquanto vivos, não podem entender completamente. Entretanto, porém, estão tranqüilos sabendo e sentindo que por esta graça de Deus eles crêem com o coração e amam seu Salvador.
14. Fé é, portanto, um dom de Deus. Isto não significa que Deus a oferece à livre vontade do homem, mas que ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida. Não é um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contrário, é um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar, sim, opera tudo em todos. (Ef 2:8; Fp 2:13).
15. Esta graça Deus não deve a ninguém. Em troca de que seria Ele devedor ao homem? Quem tem primeiro dado a Ele para que possa ser retribuído? O que poderia Deus dever a alguém que nada tem de si mesmo a não ser pecado e falsidade? Aquele portanto, que recebe esta graça deve e rende eterna gratidão a Deus. Porém quem não recebe esta graça, nem valoriza estas coisas espirituais e tem prazer na sua própria situação, ou numa falsa segurança em vão se gaba de ter o que não tem. Além disto, quanto aos que manifestam sua fé e corrigem suas vidas, nós devemos julgar e falar da maneira mais favorável, de acordo com o exemplo dos apóstolos, pois o fundo do coração é desconhecido de nós. Quanto aos que ainda não foram chamados, nós devemos orar a Deus em seu favor, pois Ele é que chama à existência as coisas que não existem. De maneira nenhuma, porém, podemos ter uma atitude orgulhosa para com eles, como se nós tivéssemos realizado nossa posição distinta (Rom 11:35).
17. O homem não deixou, apesar da queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, a cura, a corrige, e a dobra agradável e ao mesmo tempo poderosamente. Como resultado, onde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição.
18. A todo-poderosa operação de Deus pela qual Ele produz e sustenta nossa vida natural não exclui mas requer o uso de meios, pelos quais Ele quis exercer seu poder, de acordo com sua infinita sabedoria e bondade. Da mesma maneira a mencionada operação sobrenatural de Deus, pela qual Ele nos regenera, de modo nenhum exclui ou anula o uso do Evangelho, que o mui sábio Deus ordenou para ser a semente da regeneração e o alimento da alma. Por esta razão os apóstolos, e os mestres que os sucederam, piedosamente instruíram o povo acerca da graça de Deus, para sua glória e para humilhação de toda soberba do homem. Ao mesmo tempo eles não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do Evangelho, sob a ministração da Palavra, dos sacramentos e da disciplina.
Por isso aqueles que hoje ensinam ou aprendem na igreja não devem ousar tentar a Deus, separando aquilo que Ele em seu bom propósito quis preservar inteiramente unido. Pois a graça é conferida, através de admoestações, e quanto mais prontamente desempenhamos nosso dever, tanto mais este benefício de Deus, que opera em nós, se manifesta gloriosamente e sua obra prossegue da maneira melhor. A Deus somente toda glória eternamente, tanto pelos meios quanto pelo fruto e eficácia salvíficos.


REJEIÇÃO DE ERROS


Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - É impróprio dizer que o pecado original em si é suficiente para condenar toda a raça humana ou merecer castigo temporal e eterno.
Refutação - Isto contradiz o apóstolo que declara: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram." (Rom 5:12) E no verso 16 diz: "... o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação." E em Rom 6:23: "O salário do pecado é a morte."
Erro 2 - Os dons espirituais ou as boas qualidades e virtudes, tal como a bondade, santidade, justiça, não podiam estar na vontade do homem quando no princípio foi criado. Por isso também não podiam ter sido separados da sua própria vontade quando caiu.
Refutação - Este erro é contrário à descrição da imagem de Deus que o apóstolo dá em Ef 4:24, dizendo que ela consiste em justiça e santidade, que sem dúvida estão na vontade.
Erro 3 - Na morte espiritual os dons espirituais não são separados da vontade do homem. Porque a vontade como tal nunca tem sido corrompida mas apenas atrapalhada pelo obscurecimento do entendimento e pela desordem das afeções. Se estes obstáculos forem removidos, a vontade pode exercer seu livre poder inato. A vontade é por si mesma capaz de desejar e escolher ou não toda espécie de bem que lhe for apresentada.
Refutação - Esta é uma novidade e um engano, e tende a exaltar os poderes da livre vontade, contrário ao que o profeta Jeremias declara no cap. 17:9: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto...." E o apóstolo Paulo escreve: "Entre os quais (os filhos da desobediência) também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (Ef 2:3).
Erro 4 - O homem não-regenerado não é realmente ou totalmente morto em pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode ter fome e sede de justiça e vida, e pode oferecer sacrifício de espírito contrito e quebrantado que agrada a Deus.
Refutação - Estas afirmações são contrárias ao testemunho claro da Escritura: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2:1; cf.vs.5). E, "...era continuamente mau todo o desígnio do seu coração" (Gn 6:5; cf.8:21). Além do mais, somente os regenerados e os bem-aventurados têm fome e sede da libertação da miséria, e da vida, e oferecem a Deus um sacrifício de espírito quebrantado (Sl 51:19 e Mt 5:6).
Erro 5 - O homem degenerado e carnal pode usar bem a graça comum (o que é a luz natural), ou os dons ainda lhe deixados após a queda. Assim ele, sozinho, pode alcançar, pouco a pouco e gradualmente, uma graça maior, isto é, a graça evangélica ou salvadora, e até a salvação. Dessa forma Deus, por seu lado, mostra-se pronto para revelar Cristo a todo homem, porque a todos Ele administra suficiente e efetivamente os meios necessários para conhecer Cristo, para crer e se arrepender.
Refutação - Tanto a experiência de todas as épocas como a Escritura testificam que isto não é verdade. "Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos" (Sl 147:19,20). "...o qual nas gerações passadas permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos" (At 14:16). E Paulo e seus companheiros foram "impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra na Asia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu" (At 16:6,7).
Erro 6 - Na verdadeira conversão do homem, Deus não pode infundir novas qualidades, novos poderes ou dons na vontade humana. Portanto a fé, que é o começo da conversão, e que nos dá o nome de crente, não é uma qualidade ou um dom outorgados por Deus mas apenas um ato do homem. Somente com respeito ao poder para alcançar a fé, pode se dizer que é um dom.
Refutação - Este ensino contradiz a Sagrada Escritura que declara que Deus infunde em nossos corações novas qualidades de fé, obediência e experiência de seu amor: "Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também nos corações lhas inscreverei" (Jr 31:33). E: "...derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca" (Is 44:3). E ainda: "...o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado" (Rom 5:5). O ensino arminiano também contraria a prática constante da Igreja, que ora com o profeta: "Converte-me, e serei convertido" (Jr 31:18).
Erro 7 - Esta graça pela qual somos convertidos a Deus é apenas um apelo gentil. Ou (como alguns explicam): Esta maneira de agir, que consiste em aconselhar é a mais nobre maneira de converter o homem e está mais em harmonia com a natureza do homem. Não há razão porque tal graça persuasiva não seja suficiente para tornar espiritual o homem natural. Em verdade, Deus não produz o consentimento da vontade a não ser através deste tipo de apelo moral. O poder da operação divina supera a ação de Satanás, Deus prometendo bens eternos e Satanás bens temporais.
Refutação - Isto é Pelagianismo por completo, e contrário a toda Escritura que conhece além deste apelo moral, outra operação, muito mais poderosa e divina: a ação do Espírito Santo na conversão do homem: "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne" (Ez 36:26).
Erro 8 - Na regeneração do homem Deus não usa os poderes de sua onipotência de tal maneira que Ele dobra a vontade do homem, à força e infalivelmente, para fé e conversão. Mesmo sendo realizadas todas as operações da graça que Deus possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a intenção e a vontade de regenerá-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Espírito. De fato freqüentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regeneração. Portanto ser ou não ser regenerado permanece no poder do homem.
Refutação - Isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão e sujeitar a operação do Deus Todo-Poderoso à vontade do homem. É contrário ao que os apóstolos ensinam: cremos "... segundo a eficácia da força do seu poder" (Ef 1:19), e: "...para que nosso Deus cumpra... com poder todo propósito de bondade e obra de fé..." (2 Ts 1:11), e também: "...pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e piedade..." (2 Pe 1:3).
Erro 9 - Graça e livre vontade são as causas parciais que operam juntas no início da conversão. Pela ordem destas causas a graça não precede à operação da vontade do homem. Deus não ajuda efetivamente a vontade do homem para sua conversão, enquanto a própria vontade do homem não se move e decide se converter.
Refutação - A Igreja Antiga há muito tempo já condenou esta doutrina dos Pelagianos, de acordo com a palavra do apóstolo: "Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (Rom 9:16). Também: "Pois quem é que te faz sobressair? e que tens tu que não tenhas recebido?..." (1 Cor 4:7)? E ainda: "...porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Canones de Dort Parte II

CAPÍTULO 2
A MORTE DE CRISTO
E A REDENÇÃO DO HOMEM POR MEIO DELA



1. Deus é não só supremamente misericordioso mas também supremamente justo. E como Ele se revelou em sua Palavra, sua justiça exige que nossos pecados, cometidos contra sua infinita majestade, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma. Não podemos escapar destas punições a menos que seja cumprida a justiça de Deus.
2. Por nós mesmos, entretanto, não podemos cumprir tal satisfação nem podemos livrar a nós mesmos da ira de Deus. Por isso Deus, em sua infinita misericórdia deu seu Filho único como nosso Fiador. Por nós, ou em nosso lugar, Ele foi feito pecado e maldição na cruz para que pudesse satisfazer a Deus por nós.
3. Esta morte do Filho de Deus é o único e perfeito sacrifício pelos pecados, de valor e dignidade infinitos, abundantemente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro.
4. Essa morte é de tão grande poder e valor porque quem se submeteu a ela, é não apenas verdadeira e perfeitamente santo homem, mas também o Filho único de Deus. Ele é Deus eterno e infinito junto ao Pai e ao Espírito Santo. Assim devia ser nosso Salvador. Além disto, Ele sentiu, quando morria a ira e a maldição de Deus que nós merecemos, pelos nossos pecados.
5. A promessa do Evangelho é que todo aquele que crer no Cristo crucificado não pereça mas tenha vida eterna. Esta promessa deve ser anunciada e proclamada sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus em seu bom propósito envia o Evangelho, com a ordem de se arrepender e crer.
6. Muitos que têm sido chamados pelo Evangelho não se arrependem nem crêem em Cristo, mas perecem na incredulidade. Isto não acontece por causa de algum defeito ou insuficiência no sacrifício de Cristo na cruz, mas por causa de sua própria culpa.
7. Mas aqueles que verdadeiramente crêem e, pela morte de Cristo, são libertos e salvos dos seus pecados e perdição, recebem tal benefício apenas por causa da graça de Deus, que lhes é dada, em Cristo, desde a eternidade. Deus não deve a ninguém tal graça.
8. Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança) redimisse efetivamente de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos, e Lhe foram dado pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que Ele mesmo lhes conquistou com sua morte, junto com outros dons salvíficos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até ao fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, "sem mácula, nem ruga" (Ef 5:27).
9. Este conselho, procedendo do amor eterno de Deus aos eleitos, tem sido poderosamente cumprido, desde o começo do mundo até hoje, ainda que as "portas do inferno" em vão tentem frustrá-lo. O conselho de Deus também continuará a ser cumprido. No devido tempo os eleitos serão unidos em um só rebanho, e sempre haverá uma Igreja de crentes fundada no sangue de Cristo. Esta Igreja ama firmemente seu Salvador (o qual como noivo deu na cruz sua própria vida por sua noiva), O serve com perseverança e O glorifica agora e para sempre.


REJEIÇÃO DE ERROS

Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - Deus o Pai destinou seu Filho à morte na cruz sem um decreto definido de determinadas pessoas. Mesmo que a redenção por Cristo conquistada de fato nunca tivesse sido aplicada a nem uma só pessoa, o que Ele alcançou pela sua morte podia ter sido necessário, proveitoso e valioso e podia permanecer perfeito, completo, e intacto em todas as suas partes.
Refutação - Esta doutrina é uma ofensa à sabedoria do Pai, ao mérito de Cristo e é contrária à Escritura. Pois o nosso Salvador afirma: "... dou a minha vida pelas ovelhas." e "eu as conheço..." (Jo 10:15, 27). E o profeta Isaías fala acerca do Salvador: "... quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos." (Is 53:10). Finalmente, este erro invalida o artigo de fé pelo qual confessamos a Igreja universal de Cristo.
Erro 2 - Não era propósito da morte de Cristo que Ele confirmasse de fato a nova aliança da graça pelo seu sangue. Mas era somente propósito que conquistasse para o Pai o mero direito de estabelecer de novo uma aliança com o homem, seja de graça seja de obras, conforme a vontade do Pai.
Refutação - Isto contradiz a Escritura que ensina que Cristo se tornou o Fiador e Mediador de uma aliança superior, isto é, da nova aliança. Um testamento só se concretiza em caso de morte (Hb 7:22 e 9:15, 17).
Erro 3 - Por sua satisfação ao Pai, Cristo não mereceu para ninguém a salvação segura nem a fé pela qual esta satisfação para salvação é efetivamente aplicada. Ele obteve apenas para o Pai a possibilidade ou a vontade perfeita, para tratar de novo com o homem e para prescrever novas condições conforme sua vontade. Depende entretanto da livre vontade do homem para preencher estas condições. Portanto poderia acontecer que ninguém ou todos os homens preenchessem tais condições.
Refutação - Aqueles que ensinam este erro desprezam a morte de Cristo e não reconhecem de maneira nenhuma o seu mais importante resultado ou benefício. Eles evocam do inferno o erro pelagiano.
Erro 4 - A nova aliança da graça, que Deus o Pai, mediante a morte de Cristo, estabeleceu com o homem, não consiste nisso que nós estamos justificados diante de Deus e salvos pela fé se ela aceita o mérito de Cristo. Ela consiste no fato de que Deus revogou a exigência de perfeita obediência à lei e considera agora a própria fé e a obediência de fé, ainda que imperfeitas, como a perfeita obediência à lei. Ele acha, em sua graça, que elas sejam dignas da recompensa da vida eterna.
Refutação - Os que ensinam isto contradizem a Escritura: "...sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé..." (Rom 3:24, 25). Eles introduzem, junto com o ímpio Socino, uma nova e estranha justificação do homem diante de Deus, contrária ao consenso da Igreja inteira.
Erro 5 - Todas as pessoas têm sido aceitas por Deus, de tal maneira que estão reconciliadas com Ele e participam da aliança. Por isso ninguém está sujeito à condenação ou será condenado por causa do pecado original. Todos estão livres da culpa deste pecado.
Refutação - Esta opinião contraria a Escritura que ensina que nós somos "por natureza filhos da ira" (Ef 2:3).
Erro 6 - Deus, por sua parte, quer dar a todas as pessoas igualmente os benefícios conquistados pela morte de Cristo. Entretanto algumas obtêm o perdão de pecados e a vida eterna, e outras não. Esta distinção depende de sua própria livre vontade que se junta à graça que é oferecida sem distinção. Mas não depende do dom especial da misericórdia que opera tão poderosamente nestas pessoas, que elas, diferentes de outras, se apropriam desta graça.
Refutação - Os que ensinam assim abusam da distinção entre aquisição e apropriação da salvação para implantar esta opinião nas mentes de pessoas imprudentes e sem experiência. Enquanto eles simulam apresentar esta distinção da maneira correta, procuram induzir na mente do povo o perigoso veneno dos erros pelagianos.
Erro 7 - Cristo não podia nem precisava morrer, nem morreu de fato, por aqueles a quem Deus amou supremamente e elegeu para a vida eterna, visto que estes não precisavam da morte de Cristo.
Refutação - Esta doutrina contradiz o apóstolo, que declara: O Filho de Deus "me amou e a si mesmo se entregou por mim." (Gl 2:20). Igualmente: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu..." por eles (Rom.8:33, 34). E o Salvador assegura: "...dou a minha vida pelas ovelhas." (Jo 10:15). E mais: "O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos." (Jo 15:12, 13).

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Adoração só Reformada. E o resto é resto...



JOHNSON, Terry L. Adoração reformada: a adoração que é de acordo com as Escrituras. Trad. de Josafá Vasconcelos. São Paulo: Os Puritanos, 2001. 68p.



Um dos temas que comumente são discutidos no seio das igrejas protestantes é a chamada adoração. Não poucas vezes os debates se tornam acalorados, chegando até a serem a força propulsora para cismas eclesiásticos. Há também quem considere isso como algo de menor importância, e que também deve se coadunar com as preferências de cada igreja local. Ou seja, a adoração a Deus, segundo esta opinião, tem por instrumento regulador a discricionariedade eclesiástica local.
A despeito da indiferença de muitos, Terry L. Johnson procura apresentar não somente a relevância da temática mas também o que entende como sendo a “adoração que é de acordo com as Escrituras”, e esta, para ele, é a adoração reformada. É a partir de tal premissa que toda a obra é construída, estando dividida em quatro capítulos, sendo que o primeiro funciona como introdução e o último como conclusão do opúsculo.
Dessa forma, Johnson desenvolve toda a sua argumentação sem perder de foco as suas “lentes hermenêuticas” forjadas sob a ótica calvinista.
O primeiro capítulo, como comentado, vai ter um caráter introdutório. Nele Johnson vai falar brevemente de sua formação espiritual, onde passou pela tradição batista reavivalista, pela Igreja Comunitária da Graça, de John MacArthur, pelos corinhos do Maranatha Music, pelo Movimento Jesus, e pelo Trinity College, em Bristol, Inglaterra, onde se utilizava o Livro de Oração Comum, oriundo do anglicanismo (Cf. p. 10). Por ter vivenciado toda essa pluralidade, ele pode com propriedade dizer que o ethos reformado não se coaduna com quaisquer destas formas de adoração. Mas ele, dentre muitas abordagens feitas, vai focalizar a seguinte questão: “O que devemos fazer no Culto Público de Adoração no Dia do Senhor?” (p. 11). Ele não está preocupado com a adoração num sentido amplo, naquilo que glorifica a Deus no “dia a dia”, nem com uma estrutura litúrgica “estreita, legalista e fundamentalista” (p. 17), mas com o que deve ser feito no culto dominical. A adoração é reputada como sendo o “norte” a ser seguido, visto que é o tema central do diálogo de Jesus com a mulher samaritana (Jo 4.1-30). Além do mais, pode ser observado que a adoração em “espírito e em verdade” está fulcrada na afirmação de Jesus sobre a essência de Deus: “Deus é espírito” (v. 24). Por isso, a adoração deve ter atitude e forma corretas (f. p. 30), conforme os capítulos seguintes nos mostram.
No segundo capítulo, Johnson opta por tratar do princípio “em verdade”. A adoração calcada nele deve estar conforme as Escrituras (Cf. p. 31), ou seja, deve seguir o chamado “Princípio Regulador” que rejeita qualquer forma não sancionada no Cânon Sagrado, a despeito das opiniões contrárias de John Frame, comumente citados no rodapé do opúsculo (Cf. p. 11,31). Tal alegação é corroborada por vários exemplos bíblicos citados onde Deus normatiza o culto ou rejeita o falso culto(Cf. p. 32,33). Além disso, convém recordar que o homem está corrompido pelo pecado, depende da revelação das Escrituras, que é a regra de fé e prática dos protestantes, e que Deus é soberano para estabelecer como quer ser adorado. Também observa-se que a adoração deve estar eivada de conteúdo bíblico, ou seja, as Escrituras devem, além da leitura, preencher a pregação, os cânticos, a oração e os sacramentos (Cf. p. 43-45). Essa simplicidade não dá margem às falsas alegações de que tal culto é meramente cognitivo, a não ser que se rejeite a inspiração do conteúdo Bíblico aplicado em suas partes.
Não obstante tais objeções, a adoração que é, como já visto, “em verdade”, também é “em espírito”. Vai ser no terceiro capítulo que esse princípio vai ser analisado. Para o autor, uma adoração “em espírito” é caracterizada como sendo algo que se origina no interior do coração humano. Não está mais atrelada às representações visíveis veterotestamentárias de realidades espirituais neotestamentárias, ainda que os sacramentos do batismo e santa ceia também sejam representações das verdades do evangelho (Cf. p. 48).
A simbologia veterotestamentária é substituída pela simplicidade do culto cristão. Por isso Johnson diz que a adoração também é “simples” (p. 52). Toda a complexidade cerimonial foi deixada de lado, sendo substituída pela doutrina dos apóstolos, comunhão, partir do pão e orações (Cf. p. 56). Mas além de sua “simplicidade” e “internalidade”, a adoração “em espírito” é também reverente. Convém que se ofereça a Deus um culto “aceitável, com reverência e santo temor” (Hb 12.28). Não é à toa que Johnson vai contrastar a alegria cristã com a experimentada num baile (Cf. p. 60). O “pio exibicionismo” não é apropriado nos cultos reformados visto que o desejo não é atrair a atenção para si próprio. Apenas Deus deve ser glorificado (Cf. p. 61).
A obra se encerra no quarto capítulo, o qual vai tratar de algumas reivindicações feitas em favor do uso de expressões corporais no culto (Cf. p. 63). Nele são vistas as alegações construídas a partir de textos extraídos principalmente dos Salmos, os quais são muitas vezes descontextualizados com o objetivo de defender o emprego na liturgia de danças, palmas, dentre outras expressões (Cf. p. 63, 64). Além disso, o autor contesta o que chama de “estilo carismático” (p. 67), especialmente por sua forte ênfase não-cognitiva e experimental, a qual concorre para uma superficialidade religiosa alicerçada não na verdade, mas na experiência. Ela destoa totalmente da adoração reformada, a qual é formatada pelas Escrituras Sagradas e visa glorificar a Deus, e não entreter os homens.
Pode-se dizer que a obra é de grande valor para todo aquele que desejar conhecer um pouco sobre o conceito reformado de adoração. A inteligibilidade de sua linguagem o torna acessível a qualquer cristão, ao invés de se restringir àqueles de nível acadêmico. Ele não se propõe abordar a temática exaustivamente, mas transmitir seus princípios fundamentando-os biblicamente. Infelizmente, como uma das características do povo brasileiro é sua aversão à leitura, a grande massa evangélica acaba por herdar tal atributo, deixando de desfrutar de obras como esta, a qual, ainda que simples, é bastante objetiva e edificante para todo aquele que a lê.

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sábado, 6 de dezembro de 2008

Canones de Dort Parte I (sistematização do Calvinismo)

 
 
Quase 100 anos após a morte de Calvino o concílio reunido em Dort resolve sistematizar seus ensinos em rejeição a uma heresia promovida pelos discípulos de Jacob Armininus assim nasce os Canônes de Dort.
 
 
Os Cânones de Dort
(1618-1619)

 

CAPÍTULO 1
A DIVINA ELEIÇÃO E REPROVAÇÃO

1. Todos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Por isso Deus não teria feito injustiça a ninguém se Ele tivesse resolvido deixar toda a raça humana no pecado e sob a maldição e condená-la por causa do seu pecado, de acordo com estas palavras do apóstolo: "... para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus...", e:"...o salário do pecado é a morte..." (Rom. 3:19,23; 6:23).
2. Mas "Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo...", "...para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (I Jo 4:9; Jo 3:16).
3. Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros desta mensagem muito alegre a quem e quando Ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque "...como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?..." (Rom. 10:14, 15).
4. A ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem neste Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abraçam Jesus, o Salvador, com uma fé verdadeira e viva, são redimidos por Ele da ira de Deus e da perdição, e presenteados com a vida eterna (Jo 3:36; Mc 16:16).
5. Em Deus não está, de forma alguma, a causa ou culpa desta incredulidade. O homem tem a culpa dela, tal como de todos os demais pecados. Mas a fé em Jesus Cristo e também a salvação por meio dEle são dons gratuitos de Deus, como está escrito: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus..." (Ef 2:8). Semelhantemente, "Porque vos foi concedida a graça de..." crer em Cristo (Fp 1:29).
6. Deus dá nesta vida a fé a alguns enquanto não dá a fé a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras dizem que Ele "...faz estas cousas conhecidas desde séculos." e que Ele "faz todas as cousas conforme o conselho da sua vontade..." (Atos 15:18; Ef 1:11). De acordo com este decreto, Ele graciosamente quebranta os corações dos eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo juízo, Ele deixa os não-eleitos em sua própria maldade e dureza. E aqui especialmente nos é manifesta a profunda, misericordiosa e ao mesmo tempo justa distinção entre os homens que estão na mesma condição de perdição. Este é o decreto da eleição e reprovação revelado na Palavra de Deus. Ainda que os homens perversos, impuros e instáveis o deturpem, para sua própria perdição, ele dá um inexprimível conforto para as pessoas santas e tementes a Deus.
7. Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído pela sua própria culpa de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, porém envolvidos na mesma miséria dos demais. São escolhidos em Cristo, quem Deus constituiu, desde a eternidade, como Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação. E, para salvá-los por Cristo, Deus decidiu dá-los a Ele e efetivamente chamá-los e atraí-los à sua comunhão por meio da sua Palavra e seu Espírito. Em outras palavras, Ele decidiu dar-lhes verdadeira fé em Cristo, justificá-los, santificá-los, e depois, tendo-os guardado poderosamente na comunhão de seu Filho, glorificá-los finalmente. Deus fez isto para a demonstração de sua misericórdia e para o louvor da riqueza de sua gloriosa graça. Como está escrito: "... assim como nos escolheu nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito [bom propósito] de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado...". E em outro lugar: "E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou" (Ef 1:4-6; Rom 8:30).
8. Esta eleição náo é múltipla, mas ela é uma e a mesma de todos os que são salvos tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Pois a Escritura nos prega o único bom propósito e conselho da vontade de Deus, pelo qual Ele nos escolheu desde a eternidade, tanto para a graça como para a glória, assim também para a salvação e para o caminho da salvação, o qual preparou para que andássemos nEle (Ef 1:4,5; 2:10).
9. Esta eleição não é baseada em fé prevista, em obediência de fé, santidade ou qualquer boa qualidade ou disposição, que seria uma causa ou condição previamente requerida ao homem para ser escolhido. Mas a eleição é para fé, obediência de fé, santidade, etc. Eleição, portanto, é a fonte de todos os bens da salvação, de onde procedem a fé, a santidade e os outros dons da salvação, e finalmente a própria vida eterna como seus frutos. É conforme o testemunho do apóstolo: Ele "...nos escolheu..." (não por sermos mas) "...para sermos santos e irrepreensíveis perante ele..." (Ef 1:4).
10. A causa desta eleição graciosa é somente o bom propósito de Deus. Este bom propósito não consiste no fato de que, dentre todas as condições possíveis Deus tenha escolhido certas qualidades ou ações dos homens como condição para salvação. Mas este bom propósito consiste no fato de que Deus adotou certas pessoas dentre da multidão inteira de pecadores para ser a sua propriedade. Como está escrito: "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal...já lhe fora dito a ela (Rebeca): O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito, "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú." E, "...creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." (Rom 9:11-13; At 13:48).
11. Como Deus é supremamente sábio, imutável, onisciente, e Todo-Poderoso, assim sua eleição não pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; nem mesmo podem os eleitos ser rejeitados, ou o número deles ser diminuído.
12. Os eleitos recebem, no devido tempo, a certeza da sua eterna e imutável eleição para salvação, ainda que em vários graus e em medidas desiguais. Eles não a recebem quando curiosamente investigam os mistérios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem, quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os infalíveis frutos de eleição indicados na Palavra de Deus - tais como uma fé verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza com seus pecados segundo a vontade de Deus, e fome e sede de justiça.
13. A consciência e a certeza desta eleição fornecem diariamente aos filhos de Deus maior motivo para se humilhar perante Deus, para adorar a profundidade de sua misericórdia, para se purificar, e para amar ardentemente Aquele que primeiro tanto os amou. Contudo absolutamente não é verdade que esta doutrina da eleição e a reflexão na mesma os façam relaxar na observação dos mandamentos de Deus ou rendam segurança falsa. No justo julgamento de Deus isto ocorre freqüentemente àqueles que se vangloriam levianamente da graça da eleição, ou facilmente falam acerca disto, mas recusam andar nos caminhos dos eleitos.
14. A doutrina da divina eleição, segundo o mui sábio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, por Cristo mesmo, e pelos apóstolos, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, e depois escrita e nos entregue nas Escrituras Sagradas. Por isso, também hoje esta doutrina deve ser ensinada no seu devido tempo e lugar na Igreja de Deus, para qual ela foi particularmente destinada. Ela deve ser ensinada com espírito de discrição, de modo reverente e santo, sem curiosa investigação dos caminhos do Altíssimo, para a glória do santo nome de Deus e consolação vivificante do seu povo.
15. A Escritura Sagrada mostra e recomenda a nós esta graça eterna e imerecida sobre nossa eleição, especialmente quando, além disso, testifica que nem todos os homens são eleitos, mas que alguns não o são, ou seja, são passados na eleição eterna de Deus. De acordo com seu soberano, justo, irrepreensível e imutável bom propósito, Deus decidiu deixá-los na miséria comum em que se lançaram por sua própria culpa, nao lhes concedendo a fé salvadora e a graça de conversão. Para mostrar sua justiça, decidiu deixá-los em seus próprios caminhos e debaixo do seu justo julgamento, e finalmente condená-los e puni-los eternamente, não apenas por causa de sua incredulidade, mas também por todos os seus pecados, para mostrar sua justiça. Este é o decreto da reprovação qual não torna Deus o autor do pecado (tal pensamento é blasfêmia!), mas O declara o temível, irrepreensível e justo Juiz e Vingador do pecado.
16. Há pessoas que não sentem fortemente a fé viva em Cristo, nem confiança firme no coração, nem boa consciência, nem zelo pela obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo. Apesar disso elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em nós. Elas não devem se desanimar quando a reprovação for mencionada nem contar a si mesmos entre os reprovados. Pelo contrário, devem continuar diligentemente no uso destes meios, desejando ferventemente dias de graça mais abundante e esperando-os com reverência e humildade. Não devem se assustar de maneira nenhuma com a doutrina da reprovação os que desejam seriamente se converter a Deus, agradar só a Ele e serem libertos do corpo de morte, mas ainda não podem chegar no ponto que gostariam no caminho da piedade e da fé. O Deus misericordioso prometeu não apagar a torcida que fumega, nem esmagar a cana quebrada. Mas esta doutrina é certamente assustadora para os que não contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo e se entregaram completamente às preocupações do mundo e aos desejos da carne, enquanto não se converterem seria mente a Deus.
17. Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base na sua Palavra. Ela testifica que os filhos de crentes são santos, não por natureza mas em virtude da aliança da graça, na qual estão incluídos com seus pais. Por isso os pais que temem a Deus não devem ter dúvida da eleição e salvação de seus filhos, que Deus chama desta vida ainda na infância.
18. Aqueles que reclamam contra esta graça de eleição imerecida e a severidade da justa reprovação, nós replicamos com esta sentença do apóstolo: "Quem és tu, ó homem para discutires com Deus?!" (Rom 9:20). E com esta palavra do Salvador: "Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu?" (Mt 20:15). Nós entretanto, adorando reverentemente estes mistérios, exclamamos com o apóstolo: "O profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém." (Rom 11:33-36).


REJEIÇÃO DE ERROS

Havendo explicado a doutrina ortodoxa de eleição e reprovação, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - A vontade de Deus para salvar aqueles que crerem e perseverarem na fé e na obediência da fé é o decreto inteiro e total da eleição para salvação. Nada mais sobre este decreto foi revelado na Palavra de Deus.
Refutação - Este erro engana aos simples e claramente contradiz a Escritura. Ela testifica não apenas que Deus salvará aqueles que crêem mas também que escolheu específicas pessoas desde a eternidade. Nesta vida Ele dará a estes eleitos a fé em Cristo e perseverança, que Ele não dá a outros; como está escrito: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo." (Jo 17:6). "...e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." (At 13:48). "...como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele..." (Ef 1:4).
Erro 2 - Há vários tipos de eleição divina para a vida eterna. Um é geral e indefinido, e outro é particular e definido. Esta última eleição ou é incompleta, revogável, não-decisiva e condicional, ou é completa, irrevogável, decisiva e absoluta. Do mesmo modo, há uma eleição para fé e outra para salvação. Portanto eleição pode ser para a fé justificante, sem ser decisiva para a salvação.
Refutação - Isto é uma invenção da mente humana, sem nenhuma base na Escritura. Essa invenção corrompe a doutrina da eleição e quebra a corrente de ouro da nossa salvação. "E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou." (Rom 8:30).
Erro 3 - O bom propósito de Deus do qual a Escritura fala na doutrina da eleição não significa que Ele escolheu certas pessoas e não outras, mas que Ele, dentre todas as condições possíveis (inclusive as obras da lei) ou seja, dentre todas as possibilidades, escolheu como condição de salvação, o ato de fé, que é sem méritos de si mesmo, e a obediência imperfeita da fé. Na sua graça Ele a considera como obediência perfeita e digna da recompensa da vida eterna.
Refutação - Este erro perigoso invalida o bom propósito de Deus e o mérito de Cristo, e desvia as pessoas, por questões inúteis, da verdade da justificação graciosa e da simplicidade da Escritura. Ele acusa de falsidade esta declaração do apóstolo: " ...que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos." (II Tim 1:9).
Erro 4 - Eleição para fé depende das seguintes condições prévias: o homem deve fazer uso adequado da luz da natureza, e deve ser piedoso, humilde, submisso e qualificado para a vida eterna.
Refutação - Assim parece que a eleição depende destas coisas. Isto tem o sabor do ensino de Pelágio e está em conflito com o ensino do apóstolo em Efésios 2:3-9: "...entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo -- pela graça sois salvos, e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie."
Erro 5 - A eleição incompleta e não-definitiva de certas pessoas para a salvação se baseou nisto: Deus previu que elas começariam a crer, se converter, viver em santidade e piedade, e até continuariam nisto por algum tempo. Eleição completa e definitiva de pessoas, porém, ocorreu porque Deus previu que elas perseverariam em fé, conversão, santidade e piedade até ao fim. Isto é a dignidade graciosa e evangélica por causa da qual a pessoa que é escolhida é mais digna que outra que não é escolhida. Consequentemente a fé, a obediência de fé, a piedade e a perseverança não são frutos da imutável eleição para glória. São condições e causas previamente requeridas e previstas como cumpridas naqueles que serão eleitos completamente. Só com base nestas condições ocorre a eleição imutável para a glória.
Refutação - Este erro está em conflito com toda a Escritura que repete constantemente para nossos ouvidos e corações, estas e semelhantes afirmações: eleição "não [é] por obras mas por aquele que chama..." (Rom 9:11), "...e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." (At 13:48); "...nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele..." (Ef 1:4); "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros..." (Jo 15:16); "...se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça." (Rom 11:6). "Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o seu Filho..." (I Jo 4:10).
Erro 6 - Nem toda eleição para salvação é imutável. Alguns dos eleitos podem perder-se e de fato se perdem eternamente, não obstante qualquer decreto de Deus.
Refutação - Este erro grosseiro faz Deus mutável, destrói o conforto dos crentes quanto à constância de sua eleição, e contradiz a Escritura: os eleitos não podem ser enganados (Mt 24:24); "E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu..." (Jo 6:39); "E aos que predestinou a esses também chamou; e aos que chamou a esses também justificou; e aos que justificou a esses também glorificou." (Rom 8:30).
Erro 7 - Nesta vida não há fruto, consciência ou certeza da eleição imutável para glória, exceto a certeza que depende de uma condição mutável e incerta.
Refutação - Falar acerca de uma certeza incerta é não apenas absurdo mas também contrário à experiência dos santos. Sentindo sua eleição, eles se regozijam junto com o apóstolo e glorificam este benefício de Deus (Cf Ef 1:12). Conforme o mandamento de Cristo Eles se regozijam junto com os discípulos por seus nomes estarem escritos nos céus (Lc 10:20). Eles colocam a consciência de sua eleição contra os dardos inflamados das tentações do diabo, quando perguntam: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" (Rom 8:33).
Erro 8 - Deus não decidiu, simplesmente com base em sua justa vontade, deixar ninguém na queda de Adão e no estado comum de pecado e condenação. Nem decidiu passar ninguém quando deu a graça, necessária para fé e conversão.
Refutação - Pois isto é certo: "Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz." (Rom 9:18). E também isto: "...Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido." (Mt 13:11). Igualmente: "...Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi de teu agrado." (Mt 11:25,26).
Erro 9 - Deus envia o Evangelho a um povo mais que a um outro, não meramente e somente por causa do bom propósito de sua vontade, mas por ser este melhor e mais digno que o outro, ao qual o Evangelho não é comunicado.
Refutação - Moisés nega isto quando se dirige ao povo de Israel dizendo: "Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR teu Deus, a terra e tudo o que nela há. Tão-somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar: a vós outros, descendentes deles escolheu de todos os povos, como hoje se vê." (Dt 10:14, 15). E Cristo diz: "Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, com pano de saco e cinza." (Mt 11:21).

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O profeta de Aluguel

Balaão...amou o prêmio da injustiça 2 pedro 2.15

Alguns artesãos no mundo antigo faziam tendas; outros forjavam ferramentas; alguns contuíam casas; Balaão praticava advinhaçao. Com uma simples taxa( Semelhança com os dias atuais é mera conicidência), você poderia alugar o profeta para lançar maldições que o ajudariam em sua causa ou a ferir seus inimigos. Era assim que ele ganhava a vida, e se saía muito bem.

Um dia, no meio de sua carreira de sucesso, Balaão deparou-se com um problema. Solicitado pelo rei moabita balaque para amaldiçoar os Israelitas, o advinho descobriu o verdadeiro Deus. Ele havia invocado deuses e espiritos malignos todos os dias de seu trabalho mas, dessa vez, bateu em uma parede. Deus não queria que ele amaldiçoasse seu povo. Para seu bem Balaão, atendeu a orde do Deus Altíssimo.( Logicamente houve um campo limitado de ação pois um anjo com a lança na mão estava pronto caso ele ousasse dar uma de esperto e desobedecer). Balaão até confessou admiração pelo Senhor e ensinou aos moabitas pagãos sobre o caráter de Deus(Nm 23.18-24).

Mas no final, o encontro de Balaão com Deus não fez diferença em sua ambição. Ele voltou a Moabe durante o ataque israelita e ali encontrou o seu fim.

Guarde-se da ambição caro leitor. O amor ao dinheiro vai confundir a sua vida, obscurecer o certo e o errado e perturbar o seu senso de propósito.

Leia a historia completa de Balaão Nm 22.1-24.25 Nm 31.7-8; Dt 23:4-5; Js 24:9-10; Ne 13:2; Mq 6:5; 2Pe 2: 15,16 Jd 11, Ap 2.14

Senhor nos Ilumine.
Amém.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Jezabel, Poder, Luxo, Queda

O sinete de Jezabel.

O anel real da rainha Jezabel, citada na Bíblia, foi encontrado, segundo uma pesquisadora holandesa. Marjo Korpel, especialista da Universidade de Utrecht, identificou o sinete, espécie de carimbo pessoal, usado pela soberana.
Segundo Korpel, o objeto era maior que o normal da época, feito de opala e com uma série de desenhos e inscrições. Os símbolos, de acordo com a especialista, estão associados à realeza e à figura feminina, como uma esfinge com coroa de rainha, serpentes e falcões. Para a especialista, todas as evidências indicam que o sinete realmente pertencia à personagem bíblica
Antes dos estudos de Korpel, já se suspeitava que o artefato era da rainha. O anel foi analisado pela primeira vez por um arqueólogo israelense na década de 60. O estudioso obteve o objeto em um mercado de antigüidades e não conseguiu provar porque o suposto nome de Jezabel, gravado na opala, estava escrito errado. Anos depois, Korpel avaliou o sinete e o comparou com outros objetos da época, produzidos por volta do ano 850 a.C., quando viveram a rainha e seu marido Acabe, rei de Israel. A especialista percebeu uma pequena área quebrada e, pela distribuição das letras, Korpel estimou que faltavam duas outras para compor o nome em hebraico, o suficiente para “corrigir” o nome Jezabel. Para a pesquisadora, todos os detalhes tornam grande a probabilidade do artefato ter sido da rainha.
O sinete mostra que realmente a rainha era bastante influente durante o reinado. O artefato era usado para ratificar documentos, o que significa que ela podia “despachar” por conta própria em seu palácio.
A descrição dessa mulher nas escrituras não é das melhores vejamos que diz o livro de reis:
1Reis 21:25  Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o SENHOR, porque Jezabel, sua mulher, o instigava; 

Talvez Jezabel figuere como a mulher mais maligna da história bíblica. O livro de Apocalipse coloca seu nome como sinônimo daqueles que rejeitam completamente a Deus(Ap 2.20-21). Muitas mulheres pagãs casaram em Israel sem conhecerem o Deus que seus maridos adoravam.Mas nenhuma foi tão determinada a fazer com que Israel adorasse seus deuses como Jezabel. Sua influência maligna espalhou a idolatria que iria eventualmente destruir o reino do norte.
o palno de Jezabel de varrer de Israel a adoração a Deus levou-a à sua própria desgraça. Antes de morrer Jezabel sofreu a perda de seu marido em combate e seu filho nas mãos de Jeú, que tomou o trono à força. Ela morreu do mesmo modo desobediente e sarcástico que caracterizou sua vida.

Os ossos de Jezabel foi tudo que sobrou de sua vida maligna. Seu poder, dinheiro e fama não puderam salvá-la. No final da vida de traições ruíram à sua volta. Poder, saúde e riqueza podem nos levar a pensar que a vida vai continuar indefinidamente, mas a morte arranca de todos sua segurança externa. O tempo de definir o curso de sua vida chegou. O fim logo se aproximará. Você de que lado estará?

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Venca a Pornografia em 10 Passos


O Brasil é o país que acessa mais sites pornográficos, segundo uma pesquisa enconmendada pela Symantec. 55% de todos os internautas brasileiros sempre acessam sites pornográficos. Conheci alguns pastores que possuíam verdadeira fixação nos corpos perfeitos apresentados nos sites, não somente homens, mas, também muitas mulheres pois se engana aqueles que pensam em mulheres como seres que não gostam de sexo ou pornografia.
Pensando nestas coisas, Decidimos postar esse artigo com 10 passos simples e bíblicos para aqueles que desejam se livrar dessa corrente pesada que se chama impureza sexual.
1-      Você levaria uma revista pornográfica para a igreja e ficaria olhando esse tipo de coisa no culto? Pois bem, Deus está presente tanto no culto quando no interior de nosso quarto.
7  Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?
8  Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;
9  se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares,
10  ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.
11  Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite,
12  até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa. Sl 139:7-12
2-      Encare a possibilidade de você ainda não estar salvo, mas sim ter um assentimento mental, ou seja, estar convencido, não convertido. Não é  importante se há anos você freqüenta uma igreja ou é filho de pastor ou de presbítero ou da fundadora do templo ou da pessoa mais rica ali, do crente mais antigo enfim, nada disso aproveitará ou te salvará. Só um encontro real com Cristo e uma mudança de mente, um novo nascimento.
Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.  2Co13:5; Rm 6:11-22; 8:1-14; Ef 5:3-8.
3-      Admita que, quando se entrega a pornografia você está praticando imoralidade sexual. Lembre-se de que Jesus falou sobre cometer adultério no coração.cuidado com os legalismos que restringem a amplitude da Lei de Deus.
27 ¶ Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
28  Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Mt 5:27-28
4-       Compreenda a natureza grave do pecado. Jesus disse que era melhor ser cego (viver como se o membro não existisse, Jesus não estava mandando arrancar o olho literalmente) e entrar no céu do que ter os dois olhos e ser lançado no inferno. Mt 5:29
5-      A pessoa que professa a fé Cristã e ao mesmo tempo faz uso de material pornográfico evidentemente não está tendo o temor de Deus (Pv16:6). Cultive o temor ao Deus Todo-Poderoso Pv 2:1-5
1  Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos,
2  para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento,
3  e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz,
4  se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares,
5  então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.
 
6-      Leia o salmo 51 e faça dele sua oração pessoal.
7-      Memorize Tg 1:14-15 e 1Co 10.13. Siga o exemplo de Jesus Mt 4:3-11 e recite a palavra de Deus quando estiver sendo tentando Ef 6:12-20.
8-      Não dê lugar aos desejos da nossa carne, ou seja, não dê lugar a nossa natureza humana, que é corrupta e totalmente depravada. (Rm 13.14; 1Pe2:11). Bloqueie todo o acesso possível a qualquer material pornográfico – seja na internet, seja em revistas, televisão, filmes, etc. não ponha mais lenha na fogueira você não conseguirá por si só domar esse desejo. Não queira andar na beira do abismo confiando no seu equilíbrio um dia certamente você cairá.
9-       Guarde o seu coração com todo zelo. Não permita o reino dos demônios sugerir seus atos, porque se você baixar a guarda nesse ponto será escravizado por eles PV 4:23 23  Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. João 8:34  Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. Leia a bíblia todos os dias. Considere a Escritura  alimento único para sua alma, quando você se submeter a Deus o diabo fugirá rapidamente. (Tg 4:7-8).
10-   Da próxima vez que a tentação vier, desvie o pensamento para outra coisa, exerça uma atividade física, canse a mente, “esmurre” seu corpo para não ser desqualificado. 1Co 9.27   Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado 
Deus nos ajude a viver puros. Dentro de um mundo que está morto e enterrado no maligno.
Amém.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Politicos brasileiros: Rimos ou choramos?



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