Domingo, Dia do Senhor

Alguns perturbadores acusavam os cristãos de retornarem a ritos judaicos, por conta do Dia do Senhor. Calvino responde essa questão lembrando novamente que a igreja não se reune em um dia fixo por conta de algum tipo de ritualismo, mas por ser necessária certa data fixa para essas celebrações. Paulo, por exemplo, não era contrário a este dia, mas ao uso judaico.

"Não o celebramos como uma cerimônia revestida com a mais estrita religiosidade, pela qual pensamos representar-se um mistério espiritual. Pelo contrário, tomamo-lo como um remédio necessário para reter-se ordem na Igreja... Visto que para suprimir-se a superstição se impunha isto, foi abolido o dia sagrado observado pelos judeus; e como era necessário para se conservarem o decoro, a ordem e a paz na Igreja, designou-se outro dia, o domingo para este fim." (2.8.33, p.157s)

O reformador lembra que o domingo foi escolhido por ser o dia da ressurreição do Senhor, demonstrando que a realidade, da qual o sábado era apenas sombra, agora foi desvendada para os fiéis. Assim, da mesma maneira que fez com o sábado para os judeus, Calvino divide o sentido do mandamento, agora para os cristãos, em três partes.

"Em primeiro lugar, nos é outorgada sem sombras, para que por toda a vida observemos um perpétuo sabatismo de nossos labores, a fim de que o Senhor em nós opere por seu Espírito; em segundo lugar, para que cada um, individualmente, sempre que disponha de lazer, se exercite diligentemente na piedosa reflexão das obras de Deus. Então, ainda, para que todos a um tempo observemos a legítima ordem da Igreja, constituída para ouvir-se a Palavra, para a administração dos sacramentos, para as orações públicas. Em terceiro lugar, para que não oprimamos desumanamente os que nos estão sujeitos." (2.8.34, p.158, grifos meus)

Calvino também critica aqueles que entendem que o mandamento, embora não tenha suas características cerimonais, ainda tem força moral, obrigando todos os cristãos a guardarem um dia da semana de maneira semelhante ao judaísmo¹.

"Asseverando que nada mais foi cancelado senão o que era cerimonial neste mandamento, com isto entendem em seu linguajar a fixação do dia sétimo, mas remanescer o que é moral, isto é, a observância de um dia na semana. Com efeito, isto outra coisa não é senão mudar o dia por despeito aos judeus e reter em mente a mesma santidade do dia, uma vez que ainda nos permanece nos dias sentido de mistério igual ao que tinha lugar entre os judeus." (2.8.34, p.158)

Essa seção sobre o quarto mandamento se encerra com uma exortação. Não é saudável faltarmos as reuniões da igreja se desejamos manter nossa caminhada cristã sempre viva e crescente. O crente que despreza o encontro com a comunidade dos santos corre grande perigo.

"Importa manter-se, principalmente, o ensino geral: para que a religião não pereça ou enlanguesça entre nós, devem ser realizadas diligentemente as reuniões sagradas e deve dar-se atenção aos meios externos que servem para fomentar o culto divino." (2.8.34, p.159)

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