Quantidade é qualidade?

Jesus ordenou a Grande Comissão [Mt 28:19-20] e desde então seus seguidores tem se esforçado por cumprir tal obra. Da Igreja Primitiva aos tempos atuais, cristãos que possuem a visão bíblica dada por Cristo tem trabalhado e sistematizado o discipulado de forma correta e coerente, visando o crescimento do Reino de Deus na Terra.
Mas o discipulado bíblico tem alguns inimigos dentro do próprio meio cristão. O resumo da ópera nos mostra que a maioria dos problemas convergem para um só ponto: a ganância do homem.
Creio que um dos maiores inimigos, se não o maior de todos, é o ardente desejo por quantidade de pessoas na igreja, baseado no princípio demoníaco do mais é mai$, tendo como foco o resultado (em especial o financeiro) e não o discipulado. Qualquer interesse em se aplicar um modelo de discipulado que não seja o puro desejo de gerar discípulos para Cristo é tão errado quanto o pecado e causa a mesma repulsa em Jesus. São os chamados atos de justiça própria, nas quais se faz algo que é correto, mas com a motivação errada, como, por exemplo, praticar boas obras para ser salvo. Esses atos são tão abomináveis para Deus quanto a injustiça, pois estão fora da Sua vontade.Deixe-me ser bem claro, direto e objetivo: se Jesus estivesse preocupado com quantidade, teria logo chamado 120 ou 1200 discípulos, e não somente 12. Erramos quando não entendemos que o foco de Cristo era cada pessoa individualmente, e não as multidões. Na maioria dos milagres efetuados por Cristo havia uma multidão o rodeando e Ele parou ou desviou Seu caminho para atender a uma única pessoa. Um exemplo disto foi quando a mulher com hemorragia foi curada. Jesus já estava a caminho da casa de Jairo para curar a filha dele, mas deteve-se por causa de tal mulher, dando-lhe toda a Sua atenção em meio à multidão. [Mt 5:22-41]
Somente a aplicação de um discipulado bíblico que vise a maturidade cristã é capaz de produzir verdadeiros cristãos, pois foi exatamente este o modelo usado por Cristo com os seus discípulos. Instituições religiosas, a mando de seus líderes, despendem dinheiro e passam a funcionar como uma empresa em busca de resultados e lucro e, não raro, a porta de saída destas igrejas é maior que a porta de entrada. Tal fenômeno acontece porque ao se conquistar a pessoa para sua denominação ela é deixada de lado, pois o importante são números, e dizimistas, claro. Acabam por se tornarem igrejas de alta rotatividade que vão gerar muitos feridos em nome de Cristo, pois o foco não está nas pessoas. Ou, pior ainda, mantém um grupo de pessoas mortas espiritualmente cujo único sentido de permanecerem nestas igrejas é a promessa de bênção ou a distribuição de cargos.
Temos uma proposta bem simples: que cada cristão fundamentado na Palavra assuma o compromisso de discipular em Cristo uma pessoa por ano, preparando-a para que no ano seguinte esse cristão faça o mesmo. Moro em uma cidade com 60 mil habitantes e se apenas 200 cristãos assumissem realmente este compromisso a partir do ano que vem, em onze anos até os cachorros da minha cidade seriam crentes.
Os resultados? Bem, os resultados corretos com certeza vêm para os que buscam seguir a Cristo. O que não podemos esquecer é que a glória é de Deus e que devemos cumprir a missão que nos é proposta, deixando os resultados nas mãos dEle.
Na próxima oportunidade falaremos sobre outra armadilha para o discipulado: a falta de qualidade no discipulado.
fonte: crer e pensar

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