O que é santa ceia?



Na noite em que foi traído Nosso Senhor tomou o pão e disse aos seus discípulos: "este é o meu corpo". Certamente não houve dúvida de que naquele momento os discípulos estavam participando de um acontecimento de importância cardeal. Jesus estava instituindo um sacramento, uma ordenança, que seria, segundo as suas próprias palavras, repetido em sua memória (Lc 22:19).

Para iniciar a nossa discussão sobre o sacramento da Santa Ceia, vamos rever a definição de sacramento: é um ato solene instituído pelo nosso Senhor que nos marca e que proclama a verdade que representa, tanto para dentro de cada um, como para qualquer pessoa que o presencie. Mais do que um ato humano, sabemos que no sacramento Deus se faz presente de um modo especial e aplica a verdade à nossa alma. Assim, ele confirma e renova suas promessas para nós, fortalecendo-nos na fé e na jornada cristã.

1. Qual a origem da Santa Ceia?

Na noite em que foi traído, Jesus participou de uma celebração solene chamada Páscoa. Esta refeição é celebrada pelo povo judeu desde sua libertação da escravidão no Egito, sob a liderança de Moisés. A Páscoa foi instituída por Deus para que o seu povo se lembrasse sempre da grande libertação que o Senhor havia operado na nação (Êx 12). A refeição representava uma renovação da aliança entre Deus e seu povo.

Jesus interrompeu a refeição da celebração da Páscoa e instituiu o que nós celebramos hoje como a Santa Ceia (Mt 26:17-30; Mc 14:12-25; Lc 22:1-20). Ele usou linguagem figurativa ao falar do pão e do vinho, como símbolos do seu corpo e do seu sangue.



2. O que significa a Santa Ceia?

A Ceia representa a mesma promessa que nos marca no Batismo. Só que ela funciona como uma renovação da nossa fé. Nesse sentido, o Batismo serve como sinal e selo enquanto que na Ceia, além disso, participamos de um memorial, ou seja, uma celebração que se repete trazendo-nos à memória a obra de Cristo na cruz. A Ceia é um sacramento, isto é, uma pregação viva que alimenta a nossa alma e a nossa fé. Não é uma cerimônia apenas. É um momento em que literalmente comungamos com a presença real de Cristo, o que aviva em nós a certeza de que somos participantes das bênçãos da salvação. Ele se faz presente e ministra pelo seu Santo Espírito para nós.

3. Isso quer dizer que comemos carne e bebemos sangue?

Não. O pão e o cálice são símbolos do sacrifício de Jesus. Ele se faz presente, não no pão ou no cálice, mas no nosso meio no momento em que participamos desta refeição solene. Há uma presença especial de Cristo na ocasião da Santa Ceia.

4. Quem pode participar da Ceia?

Todo aquele que crê no Senhor Jesus Cristo pode e deve participar regularmente da Santa Ceia. Há pessoas que deixam de participar porque estão passando por algum problema ou porque ainda estão em alguma situação irregular. Muitas pessoas deixam de participar porque ainda sofrem de um vício como o fumo, por exemplo. Mas, não há causa bíblica para este tipo de restrição.

A Igreja mantém uma mesa aberta e não proíbe quem quer que seja de participar da Santa Ceia. No entanto, há advertências escritas na Bíblia contra uma participação leviana.



5. Quais são as advertências?

ICo 11 fala daqueles que participam indignamente da mesa do Senhor. Esses se tornam réus do sacrifício de Cristo e muitos sofrem tremendamente por causa disso. O participante deve ter sua fé firmemente alicerçada em Cristo para tomar parte na Ceia. Deve examinar-se em relação ao trato com outros membros da igreja e verificar se há brigas ou divergências. Segundo o Apóstolo Paulo, quem participa da Santa Ceia de qualquer jeito corre grande perigo. Mas, o auto-exame não é para nos afastar da mesa e sim para nos aproximar dela, corretamente.

6. Devo vir em jejum para a Santa Ceia?

Muitas pessoas observam esta prática. Faz bem quem assim procede, não por causa da conjunção das duas atividades, mas porque o jejum é uma boa prática cristã. No entanto, não há indicação de que este seja um requisito para a melhor observação da Santa Ceia.

7. E se eu estiver apenas visitando a igreja?

Há igrejas que praticam a "mesa fechada". A maioria delas, no entanto, recebe com amor o cristão que as visita. Não deve haver restrição neste sentido, a não ser que a igreja adote a política de "mesa fechada". Se for este o caso, a pessoa deve respeitar a assembléia local e abster-se de participar da mesa.

8. E se eu estiver em desentendimento com o pastor?

Nestas circunstâncias, a oração e a busca de reconciliação devem ser seguidas. Este caso cai sob a restrição do Apóstolo Paulo, em ICo 11, que fala das divisões e brigas entre irmãos. Pastores não são homens perfeitos. Com frequência, ouvimos falar de pessoas que se ofendem com algo que um pastor fez ou disse. Mas há como superar essas situações com oração pelo pastor e busca de diálogo. Quem simplesmente deixa de participar sem entender que isto traz um empobrecimento da sua vida cristã está muito enganado.

9. E se eu tiver qualquer dúvida sobre a Santa Ceia?

Na dúvida, a pessoa deve deixar de participar. Ela deve, imediatamente, procurar o pastor para obter orientação.

Conclusão

A Santa Ceia é um momento solene em que a igreja em comunhão com Cristo e com o próximo celebra a promessa de perdão e poder operante na vida do crente mediante a fé. No momento da Ceia nos lembramos do dia em que Jesus deu a sua vida por nós, derramando o seu sangue puro e precioso. Renovamos os nossos votos a ele e nos lembramos das suas promessas imutáveis e infalíveis para conosco. Ele se faz presente e fortalece as nossas almas e a nossa fé.

Nos aproximamos com cuidado em relação aos nossos relacionamentos com os irmãos e com contrição pedimos novamente que Cristo nos perdoe de todos os nossos pecados e, se necessário for, nos dispomos a buscar reconciliação com os membros do Corpo de Cristo.

Boas Perguntas! (5)



Continuando nossa série de estudos entenda de forma resumida algumas questões Bíblicas essenciais à razão da nossa fé! Caso queira analisar as perguntas anteriores clique aqui

31.    Que é arrependimento para a vida?

R. É a tristeza que o pecador sente pelo seu estado de miséria espiritual, acompanhada da resolução de abandonar o pecado e voltar-se para Deus. Há dois tipos de arrependimento: 1. O que leva o pecador a ter tristeza pelo que fez, mas não o induz a abandonar o pecado e a voltar-se para Deus. Exemplo deste tipo de arrependimento é Judas Iscariotes (Mt 27. 3-5).

2. O arrependimento para a vida, como o que foi experimentado por Pedro, depois de negar a Cristo (Mt 26.69-75; At 11.18).



32. Que é fé salvadora?

R. "É uma confiante entrega a Cristo, para a salvação". A fé salvadora implica numa completa renúncia de toda a tentativa para se alcançar a salvação através de obras, e numa entrega total a Cristo, e firme crença de que o Seu sacrifício na cruz é suficiente para nos salvar. É Deus quem dá ao homem e te tipo de fé (Ef 2.8) e o pecador a exercita para salvação (Rm 10.9).

33. Que é justificação?

R. É o ato de Deus pelo qual Ele nos declara justificados. Em outras palavras: Deus anula as nossas culpas mediante os méritos de Cristo, que morreu em nosso lugar (Rm 3.21-28; 5.8).

34. Que queremos dizer, quando afirmamos que Deus nos adota como filhos?

R. É o ato pelo qual Deus, por Sua graça, nos torna participantes da herança eterna, habilitando-nos a viver em íntima comunhão com Ele (Jo 1:12; E 1.5; Gl 4.4-7; Rm 8 14-17).



35. Que é santificação?

R. É o processo que se inicia no momento em que o pecador nasce de novo, buscando aperfeiçoar-se até atingir a plenitude da vida em comunhão com Deus. A santificação do crente tem três aspectos: 1. Quando o Espírito Santo regenera uma pessoa, ela crê em Cristo e todos os seus pecados são perdoados. Não é mais considerada culpada de pecado algum. Isto é a santificação definitiva (2 Co 5.17; Rm 8.1; Ef 1.4; Hb 10.10).

2. A partir da regeneração, o crente começa a crescer espiritualmente, e este crescimento continua a vida toda: É a santificação progressiva (Ef 2.10; Fl 3.12-14)

3. Na hora da morte, o crente é aperfeiçoado em santidade, a fim de comparecer diante de Deus (Hb 12.14; Ec 12.7; Lc 16.22; Ap 7.9-17). É a santificação final.

36.Que é glorificação?

R. É o aperfeiçoamento da nossa alma, a transformação do nosso corpo e a completa vitória sobre o pecado, que nos fará semelhantes a Cristo (Fl 1.6; 3.20-21; 1 Jo 3.2). A glorificação começa nesta vida, mas só alcançará sua plenitude na ressurreição do corpo.

37.O crente pode ter certeza de sua salvação?

R. A Palavra de Deus nos garante que todo aquele que crê em Cristo, como Senhor e Salvador, tem a vida eterna (Jo 3.16, 36). Logo, o crente pode e deve ter a certeza de que está salvo e de que viverá com Deus na eternidade (1 Jo 5.13).

38.O verdadeiro crente pode cair do estado de graça e perder a salvação?

R. Não, o verdadeiro crente não perde a salvação, porque ela depende da fidelidade de Deus, que o escolheu. O poder de Deus é a garantia de que Ele cumprirá o Seu propósito (Ef 1.11; 1 Jo 4.4; Jo 10. 29). A morte expiatória, a ressurreição e a intercessão de Cristo garantem a salvação do crente (Rm 8.34). E o Espírito Santo é o selo e o penhor da nossa salvação (Ef 1.13-14) ou, seja, o Espírito Santo também garante a eterna salvação do crente.

39.Qual é o lugar das boas obras na vida do crente?

R. Todo crente deve praticar boas obras como testemunho de sua fé, para a glória de Deus (Tg 2,18-22; Mt 5.16). Todo crente deve praticar as boas obras que Deus "de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). No entanto, devemos estar plenamente conscientes de que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não pelas obras, "para que ninguém se glorie" (Ef 2. 8, 9). As boas obras são a consequência e não a causa da nossa salvação.



40. O crente deve guardar a Lei?

R. Na Bíblia, encontramos três tipos de lei:

1. Lei Cerimonial - ordenanças que tinham como finalidade orientar, disciplinar e dirigir a vida religiosa do povo de Israel, servindo-lhe de instrumento de comunhão com Deus e de preparação para vinda do Salvador;

2. Lei Civil - que disciplinava a vida do cidadão perante o Estado;

3. Lei Moral - que revela a natureza e a vontade de Deus, bem como o dever de cada ser humano para com o Senhor. A Lei Cerimonial e a Lei Civil, do Antigo Testamento, foram todas abolidas pelo Novo Testamento. Mas a Lei Moral, que se encontra resumida nos dois mandamentos citados por Cristo (Mt 19.16-22; 22.34-40),deve ser ainda obedecida por todos os homens, especialmente por todos os crentes.

41.Em que sentido o crente é liberto do mal?

R. No sentido de não ser justificado nem condenado pela Lei (Rm 3.28; 7.4-6; Gl 2.16). Mas o crente tem o dever de pautar a sua vida segundo a retidão estabelecida pela Lei Moral, que o Novo Testamento mantém como norma de conduta.

Aprenda a orar da maneira correta


Continuando estudo sobre oração. Caso deseseje estudo anterior clicar aqui

2. Vejamos os elementos da oração.

Os discípulos de Jesus pediram-lhe que os ensinasse a orar. A sua resposta foi a oração que conhecemos como o "Pai Nosso". Mais do que uma oração, ela é uma aula sobre como se deve orar. Em Mt 6:9-13 temos:

•    Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

A oração é iniciada com louvor. O Salmo 100:4 diz, "Entrai por suas portas com ações de graça, e nos seus átrios com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-Ihe o nome. Porque o Senhor é bom, e sua misericórdia dura para sempre, e de geração em geração a sua fidelidade". Observe que não começamos "bajulando" o Pai para podermos ganhar a sua "simpatia". Começamos com louvor, porque Deus é bom. Ao louvarmos nos lembramos de que nos relacionamos com um Deus Santo e que podemos nos aproximar dele com confiança e dependência, pois ele é o nosso Pai.

•    venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

Deus age em Aliança conosco. Certamente ele poderia fazer o que bem quisesse pois é soberano, contudo o Pai se uniu com seu povo de tal maneira que só age na Terra quando invocamos a sua vontade.Portanto esta parte da oração é de vital importância. Muitas vezes não sabemos sequer o que rogar ao Pai, mas podemos pedir com toda a confiança que seja feita a sua vontade, pois ela é "boa, perfeita e agradável" (Rm 12:2).

•    o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

O que certamente podemos pedir de Deus, com toda a confiança de que ele nos dará, é o nosso sustento. Mas Jesus também é o "Pão da Vida". Portanto, esta parte da oração tem a ver não somente com o nosso sustento físico, mas também com o espiritual.

•     perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado os nossos devedores;

Diariamente temos necessidade de suplicar o perdão de Deus. Mas o Senhor quer que sejamos também perdoadores do nosso próximo. De fato, esta colocação de Jesus mostra que a misericórdia de Deus para conosco pode ser sustada se não formos misericordiosos uns para com os outros. Em Mt 18:21-35, através da parábola do credor incompassivo, Jesus nos leva a entender a dinâmica do perdão.

•    e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal

Certamente seremos tentados, mas temos livramento (ICo 10:13). O problema é que há pessoas que se consideram fortes o suficiente para resistir por conta própria. Cedo, porém, descobrem que a vida espiritual depende do poder da graça de Deus em suas vidas (Jo 15:3-5). É com submissão e arrependimento que aprendemos a depender de Cristo e, ao longo do tempo, Deus vai mudando o nosso interior. De glória em glória somos transformados.

•    pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre.Amém

Aqui Trata-se de uma expressão denominada de doxologia (tributação de glória a Deus). É uma maneira de encerrarmos nossas confissões e petições com louvor. A palavra "amém", por sua vez, significa "que assim seja". Ela tem o sentido de renúncia e entrega. Não é somente uma forma de pontuar a oração, mas é a confissão mor, através da qual reconhecemos que todas as coisas estão nas mãos de Deus.



3. Jesus também ensinou que devemos orar em seu nome. Qual o significado desta instrução?

O nome de Jesus vem sendo banalizado e utilizado, até por alguns setores da Igreja, muitas vezes de uma forma mágica. É como se à sua mera citação todos os problemas fossem resolvidos, ou todas as portas se abrissem, como por encanto. Mas o Mestre não nos ensinou assim.

Após haver despojado principados e potestades, triunfando sobre eles na cruz, Jesus, entre sua ressurreição e sua ascensão, reunido com seus discípulos, disse-lhes Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra." (Mt 28:18)

Além disso, os evangelhos registram várias vezes a instrução do Mestre para que oremos e apresentemos nossas petições a Deus em seu nome.

Assim, quando oramos no nome de Jesus estamos invocando toda a autoridade do Deus Onipotente, daquele que é o Criador e Sustentador do Universo, e com isto desencadeando uma série de ações no reino espiritual para que se cumpra o que estamos pedindo. Contudo, usar o nome de Jesus é um privilégio dos cristãos, daqueles "... que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (Jo 1:12b-14) e também é uma grande responsabilidade. Devemos fazê-lo com reverência e temor para que não venhamos a ferir o terceiro mandamento da Lei de Deus: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão ..." ( Ex 20:7).

Em sua oração sacerdotal Jesus suplicou ao Pai: "...Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós." (Jo 17:11b). Portanto, o nome denota uma identificação. Quando recebemos o nome do nosso pai natural somos reconhecidos como filhos e passamos a ter direitos e obrigações para com ele. Não é diferente em relação a Deus. Se por um lado, ao invocarmos o nome de Jesus nos identificamos com a sua autoridade, com o seu poder, por outro lado devemos orar de maneira consistente com a nossa nova identidade de filhos de Deus, apoiados numa vida cristã verdadeira, numa fé não fingida, para que este poder seja exercido conforme a vontade do Pai. "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito." (Jo 15:7). Neste caso, quando oramos em nome de Jesus somos levados a pedir de acordo com a vontade do Senhor e não mais conforme os nossos propósitos humanos. É o mesmo que dizer: Que a vontade do Pai seja feita não apenas em nós, mas através de nós.

A oração deve ser feita sem arrogância ou presunção, mas com submissão e humildade, reconhecendo que o Senhor é o mediador, a porta de acesso à presença de Deus e somente pelo que ele fez na cruz por nós é que podemos clamar "Abba" - Pai.



Conclusão

Os evangelhos registram muitas passagens em que Jesus nos instrui a orar, a pedir tudo o que necessitamos. Além do mais. o próprio Mestre deixou para nós um modelo de oração no qual encontramos todos os elementos necessários a uma aproximação ao Pai. Sabemos que Deus se comprometeu conosco a tal ponto que não realiza sua vontade na terra sem que a invoquemos através da oração.

Devemos orar em nome de Jesus, pois assim ele orientou, e quando o fazemos estamos nos identificando não apenas com sua autoridade sobre todas as coisas mas, também, com sua confiança, submissão e humildade diante do Pai.

Senhor nos Ilumine. Amém.

Proibido pensar


João Alexandre é excelente compositor. Algumas de suas músicas são verdadeiros hinos de adoração a Deus. Nesta música, ele denuncia alguns dos desvios do neo-pentecostalismo atual fazendo referência à "adoração extravagante", "apaixonados por Jesus", "show da fé", Renascer em Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, etc.

Presbiterianos no Brasil :150 anos origens e doutrina (4)


Interessante coleção de perguntas e respostas sobre a Igreja Presbiteriana do Brasil que nos ensina a conhecer melhor sua história e doutrina. Caso queira estudar o post anterior clique aqui.



23.    Qual deve ser a atitude do crente diante da doutrina da predestinação?

R. Aceitá-la com profunda reverência e humildade, por estar fundamentada na Bíblia. Estar convicto de que a sua situação de crente em Jesus Cristo lhe dá a certeza de ser um predestinado para a salvação (Jo 6.44). Louvar a Deus, ser diligente e abundante na obra do Senhor (1 Co 15.58) e procurar crescer em santidade (1 Pe 1.14-16; 1 Jo 3.3). A consciência de ser um predestinado deve ser uma aliada do crente na luta contra o pecado.

24.    Que é pecado?

R. "É a falta de conformidade com a Lei da Deus ou qualquer transgressão dessa Lei". Isto Inclui o nosso estado de decaídos (Rm 3.9-18, 23), . A nossa disposição corrompida (Rm 7.21-23), as nossas omissões egoístas (Tg 4.17) e nossos atos, pensamentos e palavras que não se harmonizam com a santa e perfeita vontade de Deus.

25.    Quais são as consequências do pecado?

R. A morte espiritual ou, seja, o rompimento da comunhão com Deus (Gn 2.15-17; 3.1-10), os castigos naturais e os sofrimentos resultantes dos erros cometidos (2 Sm 12.7-14; Gl 6.7), a escravidão sob o pecado (Rm 7.18-24; Jo 8.34), a morte física (Rm 5.12) e a perdição eterna (Ap 20.11-15).

26.    Que fez Deus para livrar o homem das consequências do pecado?

R. Diante da incapacidade do homem de libertar-se do pecado, Deus estabeleceu um pacto com o Seu Filho, na eternidade, para salvar o pecador e restaurá-lo à comunhão com o Criador (Ef 1.3.-14; Tt 1.4). Esta aliança de Deus com o Seu Filho é chamada, pelos teólogos, de Pacto da Redenção.

27.    Que fez o Filho de Deus para salvar o pecador?

R. Jesus Cristo, o Filho de Deus, escolhido e ordenado pelo Pai para ser o Mediador entre Deus e o homem, no cumprimento de Sua missão redentora, assumiu a forma humana (Jo 1.1, 14), nasceu da virgem Maria (Lc 1.26-38; 2.1-7), viveu vida santa e perfeita e tomou sobre Si mesmo o fardo de nossos pecados (Is 53.4-5); padeceu em Sua alma os mais cruéis tormentos (Mt 26.38; Mc 14.34; Lc 22.44) e, em Seu corpo, os maiores sofrimentos (Jo 18.12-13; Mc 14.65; Jo 18.22; Mt 27.27-31, 46); foi preso e condenado inocentemente (Lc 23.4, 22, 47; Mt 27.24), foi crucificado, morto e sepultado, mas ressurgiu ao terceiro dia (Mt 28.1-10; 1 Co 15.3-8), subiu ao céu (At 1.9-11), onde está à direita de Deus Pai (Hb 10. 12; 1 Pe 3.22), e de onde intercede pelos Seus servos (Rm 8.34; Hb 7.25). Ao assumir a forma humana, Jesus tornou-se verdadeiramente homem, sem deixar de ser verdadeiramente Deus, possuindo ambas as naturezas, a divina e a humana, inteiramente perfeitas e distintas, inseparavelmente unidas em Sua Pessoa. Como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus realizou uma obra redentora completa (Hb 9.12).

28. Como a obra redentora de Cristo é aplicada ao pecador?

R. Deus, através do Espírito Santo, aplica ao pecador a obra redentora de Cristo, operando em nós a vocação eficaz, a regeneração, o arrependimento para a vida, a fé salvadora, a justificação, a adoção de filhos, a santificação e a glorificação.

29. Que é vocação eficaz?

R. É a atração irresistível que Deus (Rm 8.30), por meio da Palavra e do Espírito Santo (Rm 10.14-17; Jo 16.13-14; At. 16.14; Ef 4.1), exerce sobre o pecador, levando-o a aceitar a Cristo como seu único Salvador. Se Deus não agisse no coração do pecador, todos, sem exceção, rejeitariam a salvação em Cristo(l Co 2.14).

30.    Que é regeneração?

R. É a ação do Espírito Santo, através da qual ele implanta no coração do pecador, a quem Deus chamou eficazmente, uma disposição santa de servir a Deus em espírito e em verdade (Ef 2.1-9). É o novo nascimento (Jo 3.3, 5-8).

Jesus, a Agua Viva!

Assista o vídeo abaixo que nos mostra como era um poço nos tempos de Jesus e o interessante diálogo com a mulher samaritana em joão 4.



caso nao consiga visualizar esse vídeo clique aqui e atualize o player

Niestzche, o Espelho e a Lei de Deus


Certa fez, o famoso filósofo alemão Niestzche escreveu essa poesia abaixo:

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: 'Ao Deus Desconhecido'.

Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, não obstante aos laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a serví-Lo.

Eu quero Te conhecer, Desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.



Salmos 143:1-2 Atende, SENHOR, a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas. Responde-me, segundo a tua fidelidade, segundo a tua justiça. 2 Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente.



É surpreendente quando uma alma descobre que Deus concedeu uma Lei que deve ser guardada e, no entanto, a obediência a ela não é levada em conta nem como instrumento para alcançar a salvação. Então, qual a razão de conceder a Lei? O que existe de bom nos princípios morais? Eles não foram concedidos porque Deus tinha a ilusão de que nós pudéssemos submeter nossa vida a esse conjunto de preceitos. Deus sabe que todos nós somos seres decadentes e que nada existe de bom em nossa natureza carnal.

"A Lei serve para outro propósito: ela nos mostra nosso pecado. O coração dos homens é confrontado com a Lei moral, que é justa e boa, A mente humana, ao mesmo tempo, sabe que a verdade está na Lei e confessa que o homem não vive de acordo com ela. E não adianta todo seu esforço, ele percebe que não alcança a perfeição. Desse modo, torna-se claro em seu coração quem ele é: um pecador perdido.

"Esta é a finalidade maior da Lei: ensinar- nos o que é o pecado e revelar que estamos errados, da mesma maneira que um espelho nos mostra quão impuros somos quando estamos sujos. Contudo, a exemplo do próprio espelho, inca paz de purificar as pessoas, mas pronto a refletir nossa condição, também a Lei não é capaz ela própria de regenerar e remediar nossa alma. Ela pode apenas apontar o que somos: pecadores.

"A finalidade da Lei é fazer com que você conheça seu pecado, a fim de que um dia possa orar como o salmista: '... não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém e jus to diante de ti'" (v. 2).



Fonte: Richard Wurmbrand (adaptado)

Dos Juramentos, Casamento e Magistrados Confissão de Fé WestMinster XXII,XXIII,XXIV


À Luz das Escrituras Sagradas estudemos um pouco mais sobre os Juramentos, os juízes, Matrimônio e Divórcio. Procure por CFW e terá todos os comentarios da confissão de fé westminster


CAPÍTULO XXII

DOS JURAMENTOS LEGAIS E DOS VOTOS

I. O Juramento, quando lícito, é uma parte do culto religioso pelo qual o crente, em ocasiões necessárias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus para julgá-lo segundo a verdade ou falsidade do que jura.

Ref. Deut. 10:20; Exo..20:7; Lev. 19:12; II Cor. 1:23; II Cron. 6:22-23.


II.    O único nome pelo qual se deve jurar é o nome de Deus, nome que se pronunciará com
todo o santo temor e reverência; jurar, pois, falsa ou temerariamente por este glorioso e tremendo
nome ou jurar por qualquer outra coisa é pecaminoso e abominável, contudo, como em assuntos de
gravidade e importância o juramento é autorizado pela palavra de Deus, tanto sob o Novo
Testamento como sob o Velho, o juramento, sendo exigido pela autoridade legal, deve ser prestado
com referência a tais assuntos.


Ref. Deut. 6:13; Jer. 5:7; Mat. 5:34,.37; Tiago 5:12; Heb. 6:16; I Reis 5:31; Esdras 10:5.

III.    Quem vai prestar um juramento deve considerar refletidamente a gravidade de ato tão
solene e nada afirmar de cuja verdade não esteja plenamente persuadido, obrigando-se tão somente
por aquilo que é justo e bom e que tem como tal, e por aquilo que pode e está resolvido a cumprir.
É, porém, pecado recusar prestar juramento concernente a qualquer coisa justa e boa, sendo ele
exigido pela autoridade legal.


Ref. Jer. 4:2; Gen. 24:2-3; 9; Ne.5: 12.

IV.    O juramento deve ser prestado conforme o sentido claro e óbvio das palavras, sem equívoco
ou restrição mental. Não pode obrigar a pecar, mas sendo prestado com referência a qualquer coisa
não pecaminosa, obriga ao cumprimento, mesmo com prejuízo de quem jura. Não deve ser violado,
ainda que feito a hereges ou infiéis.


Ref. Sal. 24:4, e 15:4; Eze. 17:16, 18.

V.    O voto é da mesma natureza que o juramento promissório; deve ser feito com o mesmo
cuidado religioso e cumprindo com igual fidelidade.


Ref. Isa. 19:21; Ec. 5:4-6; Sal. 66:13-14.

VI.    O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas somente a Deus; para que seja aceitável,
deve ser feito voluntariamente, com fé e consciência de dever, em reconhecimento de misericórdias
recebidas ou para obter o que desejamos. Pelo voto obrigamo-nos mais restritamente aos deveres
necessários ou a outras coisas, até onde ou quando elas conduzirem a esses deveres.


Ref. Sal. 76:1 1; Deut. 23:21, 23; Sal. 50:14.

VII.    Ninguém deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na palavra de Deus ou que
embarace o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem o que não está em seu poder
cumprir e para cuja execução não tenha promessa ou poder de Deus; por isso os votos monásticos
que os papistas fazem do celibato perpétuo, pobreza voluntária e obediência regular, em vez de
serem graus de maior perfeição, não passam de laços supersticiosos e iníquos com os quais nenhum
cristão deve embaraçar-se.


Ref. At. 23:12; Mar. 6:26; I Cor. 2:9; Ef. 4:28; I Tess. 4:11-12; I Cor. 7:23.

CAPÍTULO XXIII

DO MAGISTRADO CIVIL


I.    Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público,
constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e a este fim, os armou com o poder
da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.


Ref. Rom. 13:1-4; I Ped. 2:13-14.

II.    Aos cristãos é licito aceitar e exercer o ofício de magistrado, sendo para ele chamado; e em
sua administração, como devem especialmente manter a piedade, a justiça, e a paz segundo as leis
salutares de cada Estado, eles, sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim,
podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões justas e necessárias.


Ref. Prov. 8:15-16; Sal. 82:3-4; II Sam. 23:3; Luc. 3:14; Mat. 8:9-10; Rom. 13:4.

III.    Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da palavra e dos
sacramentos ou o poder das chaves do Reino do Céu, nem de modo algum intervir em matéria de fé;
contudo, como pais solícitos, devem proteger a Igreja do nosso comum Senhor, sem dar preferência
a qualquer denominação cristã sobre as outras, para que todos os eclesiásticos sem distinção gozem
plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas funções, sem
violência ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua Igreja um governo regular e uma
disciplina, nenhuma lei de qualquer Estado deve proibir, impedir ou embaraçar o seu devido
exercício entre os membros voluntários de qualquer denominação cristã, segundo a profissão e
crença de cada uma. E é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de cada um
dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de religião ou de
incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa; e bem assim
providenciar para que todas as assembléias religiosas e eclesiásticas possam reunir-se sem ser
perturbadas ou molestadas.


Ref. Heb. 5:4; II Cron. 26:18; Mat. 16:19; I Cor. 4:1-2; João 15:36; At. 5:29; Ef. 4:11-12; Isa. 49:23; Sal. 105:15; 11 Sam.23:3.

IV.    É dever do povo orar pelos magistrados, honrar as suas pessoas, pagar-lhes tributos e outros
impostos, obedecer às suas ordens legais e sujeitar-se à sua autoridade, e tudo isto por amor da
consciência. Incredulidade ou indiferença de religião não anula a justa e legal autoridade do
magistrado, nem absolve o povo da obediência que lhe deve, obediência de que não estão isentos os
eclesiásticos. O papa não tem nenhum poder ou jurisdição sobre os magistrados dentro dos
domínios deles ou sobre qualquer um do seu povo; e muito menos tem o poder de privá-los dos seus
domínios ou vidas, por julgá-los hereges ou sob qualquer outro pretexto.


Ref. I Tim. 2:1-3; II Ped. 2:17; Mat. 22:21; Rom. 13:2-7, e 13:5; Tito 3:1; I Ped. 2:13-14, 16; Rom. 13:1; At. 25:10-11; II Tim. 2:24; I Ped. 5:3.

CAPÍTULO XXIV

DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO


I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.

Ref. Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3.

II.    O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da
raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a
impureza.


Ref. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.

III.    A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever
dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada
não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se
desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que
mantém heresias perniciosas.


Ref. Heb. 13:4; I Tim. 4:3; Gen.24:57-58; I Cor. 7:39; II Cor. 6:14.

IV.    Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou
afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos
pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e
mulher.


Ref. I Cor. 5:1; Mar. 6:18; Lev. 18:24, 28.

V.    O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do
casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do
casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem,
como se a parte infiel fosse morta.


Ref. Mat, 1: 18-20, e 5:31-32, e 19:9.

VI.    Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de
indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para
dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser
remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário
haver um processo público e regular. não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o
decidirem seu próprio caso.


Ref. Mat. 19:6-8; I Cor. 7:15; Deut. 24:1-4; Esdras 10:3.

Palestra Sobre Oracao (1)



ORAÇÃO

René Montarroyos

Quem entre nós já não "rezou" o "Pai Nosso" ou fez uma invocação qualquer (falo dos que anteriormente andavam em outras religiões), ou talvez num momento de desespero, já não tenha gritado por "socorro" a um deus que sequer conhecia? Quem não jogou uma moedinha na "fonte dos desejos", ou comprou um talãozinho para fazer uma "fezinha"? Enfim, quem não procurou "lá fora" - além da nossa realidade material e dos nossos recursos pessoais- uma ajuda, um consolo, uma esperança, uma certeza? A vida tem meios de nos levar a entender que ela compreende perigos, oportunidades e desafios maiores do que somos capazes de transpor sozinhos. A pessoa que se considera auto-suficiente chega, cedo ou tarde, ao fim de si mesma e da sua autoconfiança. Ao nos aproximarmos de Cristo, somos conquistados pelo seu amor, que se manifesta apesar da debilidade do nosso estado natural. Ele nos resgata da morte e nos levanta. A partir de então, passamos a perceber o quanto dependemos dele: aos poucos, no início, e completamente quando atingimos a maturidade na fé e no conhecimento da sua pessoa. Esta experiência nos leva a uma vida enraizada na certeza das suas palavras, "sem mim nada podeis fazer ".

A oração é a nossa comunicação pessoal e direta com Deus, assim como um diálogo entre duas pessoas, ou uma conversa por telefone. Mas a dinâmica da oração é extremamente diferente de qualquer outro tipo de diálogo horizontal. Ela é a expressão da criatura diante do seu Criador, a abertura de um coração complexo, cheio de conflitos e contradições para com aquele que é santo e de uma pureza infinita. É a resposta da criatura dependente, pecaminosa e miseravelmente limitada àquele que a fez, a compreende, a ama, lhe quer bem, que sabe de todas as coisas e é Todo Poderoso. O ato de orar, enfim, pode ser visto como o mais humilhante da vida cristã, pois ao chegarmos ao Pai somos transparentes, uma vez que ele não somente ouve nossas palavras, mas vê o que está dentro dos nossos corações. Não fosse por seu amor, fugiríamos e abandonaríamos qualquer pretensão de lhe dirigir a palavra. Mas o Criador não se calou. Ele tomou a iniciativa e se revelou a nós. Não nos deixou nas trevas, antes fez com que sua luz resplandecesse sobre nós na pessoa do seu Filho Jesus e nas páginas das Escrituras Sagradas. E entre as muitas coisas que ele nos revelou, deixou claro que não devemos ficar em silêncio. Nós também podemos levantar a nossa voz ao Pai.

Esta aula terá como base apenas duas passagens bíblicas. A oração é um tema que requer muito mais estudo, como qualquer outro assunto que tratamos aqui neste blog, contudo iremos nos restringir a apenas alguns dos seus aspectos, uma vez que se trata de uma palestra básica e de introdução.

1. Jesus ensinou que devemos orar e buscar a Deus com confiança.

Façamos a leitura de Lucas 18:1-14. Temos aqui duas lições. A primeira mostra o juiz iníquo que fez justiça só para se ver livre do pedido insistente da viúva (símbolo bíblico da pessoa mais indefesa possível). Deus não é comparado a um juiz mau. Ele é o oposto. O que observamos é que se tal juiz respondeu àquele pedido insistente, quanto mais não fará Deus por nós? Há uma passagem paralela a esta que também merece nossa atenção. Em Lucas 11:5-13, temos a mesma lição. Jesus nos mostra que podemos e devemos fazer petições a Deus. Ele deixa patente que o Pai celestial é um bom pai. É da sua natureza fazer-nos bem. De volta à segunda parte da passagem, em Lucas 18:9-14, o Mestre mostra que o tipo de oração que chega a Deus é a que fazemos com humildade e não com pretensão e pompa. Não é a beleza das palavras, nem a adoção de uma técnica ou de um ritual que faz com que as orações cheguem ao Pai. Ah, se aprendêssemos isto, certamente não iríamos procurar quem nos ensinasse os "segredos da oração respondida". Deus não é uma pessoa que precisamos aprender a "dobrar" nem tampouco é um gênio da lâmpada mágica, ele é nosso pai. Devemos honrá-lo e respeitá-lo como tal.

Na Próxima aula veremos os elementos da oração. Não percam!

Presbiterianos no Brasil: 150 anos origens e doutrina (3)


Continuação dos estudos sobre IPB. Caso queira ler artigo anterior clique aqui

15.    Como sabemos que a Bíblia foi inspirada por Deus?

R. O testemunho de Jesus sobre o Antigo Testamento (Mt 22.29; Mc 12.24; Lc 24.25, 27, 32 e Jo 5.39). O testemunho da Bíblia sobre sua natureza (2 Tm 3.16-17; 2 Pe 1.20, 21). A experiência de milhões de pessoas cuja vida foi transformada pela leitura da Bíblia e a nossa própria experiência de sentir Deus falando conosco, quando lemos a Bíblia. Tudo isto é evidência da inspiração divina das Escrituras. Porém, como esta aceitação é matéria de fé e não de prova científica, só a operação do Espírito Santo em nós é que nos dá a convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus.

16.    Por que a Bíblia "católica" tem 7 livros a mais do que a "nossa"

Bíblia?

R. Porque o Concílio de Trento, no dia 15 de abril de 1546, anexou, por decreto, esses livros à Bíblia. Nós não os aceitamos e a "nossa" Bíblia não os têm porque eles não tem nem as evidências externas nem as evidências internas de que são inspirados por Deus. A Igreja Católica Romana nos acusa de termos retirado 7 livros das Escrituras. No entanto, foi ela que os acrescentou à Bíblia, no Concílio de Trento.

17.    Que é que as Escrituras nos revelam a respeito de Deus?

R. Que Deus é Espírito (Jo 4.24) e, portanto, não tem corpo como nós (Lc 24.39); que Deus é um Ser pessoal, capaz de compreender os nossos sentimentos e conhecer os nossos pensamentos (SI 103.14 e 139.1-7); que Deus é eterno (SI 90.2), imutável (Ml 3.6), infinito (I Rs 8.27), conhece todas as coisas (SI 139.4), vê tudo o que se passa no céu e na terra (Pv 15.3), está presente, ao mesmo tempo, em todos os lugares (SI 139.7-10), é onipotente (Mt 19.26), nos ama (1 Jo 4.8), é cheio de misericórdia (SI 57.10 e 100.5). Revela-nos também que Deus é justíssimo (SI 119.137) e terrível em Seus juízos (Hb 10.31). O Deus de quem a Bíblia nos fala é um Deus Triúno, isto é, subiste em três Pessoas.

18.    Que é a Santíssima Trindade?

R. É a coexistência das Três Pessoas na Divindade Única: O Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 27.19; 2 Co 13.13). São Três Pessoas distintas, da mesma substância, iguais em poder e glória, porém um só Deus. É um mistério que não pode ser expli¬cado nem definido, porque está além do alcance da mente do homem. Em suma: Ou aceitamos a Triunidade do Deus Único, ou temos de admitir três Deuses na Bíblia. A Bíblia, no entanto, nos ensina com muita clareza que existe um só Deus verdadeiro (1 Co 8.5, 6; 1 Tm 2.5), e que o Pai é Deus (Gl 1.1; Ef 6.23), que o Filho é Deus (Jo 1.1 e 2 Pe 1.1) e que o Espírito Santo é Deus (At 5.3, 4).

19.    Como Deus se relaciona com o universo?

R. Deus o criou (Gn 1.1 e Ef 3.9), Deus o dirige (Dn 4.35), Deus o governa (Jó 34.12-15; SI 22.28;103.19), Deus o preserva (Ne 9.6). Ele tem um plano eterno de ação (Ef 1.11). Nada acontece sem que Ele tenha ordenado ou permitido (Mt 10.29). Deus não improvisa nem é surpreendido pelos acontecimentos. Na Sua infinita sabedoria, Ele dirige tudo segundo Sua própria vontade sem, contudo, tirar a liberdade do homem nem violentar a vontade do ser humano.

20.    Que é predestinação?

R. É a doutrina bíblica segundo a qual Deus já determinou o destino eterno de todo o ser humano (Rm 8.29-30; Rm 9.14-21; Ef 1.3-5), tanto dos que se salvam como dos que se perdem.

21.    A doutrina da predestinação anula a pregação do Evangelho?

R. Não, porque Deus, que nos predestinou para a salvação em Cristo, é o mesmo que "amou ao mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Deus não é o autor do pecado (Tg 1.12), não viola a liberdade humana e não deseja a perdição do pecador (Ez 33.11). O decreto divino da predestinação se cumpre segundo o propósito de Deus, que opera segundo Sua justiça e Sua graça. Os que buscam a Deus com sinceridade de alma, são tangidos por Seu Espírito misericordioso, e os que O rejeitam, fazem-no levados por sua própria soberba, como réprobos rebelados contra Deus, e nos quais se manifesta a justiça divina, que retribui a cada um, segundo as suas obras.



22.    A doutrina da predestinação se harmoniza com a lógica humana?

R. O pensamento e as ações de Deus não precisam submeter-se ao juízo da lógica humana. O próprio Deus afirma que os Seus pensamentos não são os nossos pensamentos, nem os Seus caminhos, os nossos caminhos (Is 55.8, 9). Querer submeter a ação divina à lógica humana é tentar colocar o homem na posição de soberano e Deus na de súdito.

Bússola Para dias Desorientados. Confissão de fé westminster XX, XXI



Horrível se sentir perdido não? Diante de de tantas vozes parece que é assim que o Cristão sincero se sente. O estudo da confissão de fé de westminster é uma ótima bússola embasada nas Escrituras para uma fé sadia. Hoje continuaremos estudando esta confissão tão importante na história da Igreja e os assuntos São: Liberdade Cristã e Domingo. Boa leitura.

Ps. Procure em nosso blog as etiquetas com a sigla CFW e terá acesso a todas as postagens. Deus nos Ilumine.

CAPÍTULO XX

DA LIBERDADE CRISTÃ E DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA

I. A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem livres do poder deste mundo. do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam.

Ref. Tito 2:14; I Tess. 1: 10; Gal. 3:13; Rom. 8: 1; Gal. 1:4; At. 26:18; Rom. 6:14; I João 1:7; Sal. 119:71; Rom. 8:28; I Cor, 15:54-57; Rom. 5l: 1-2; Ef. 2:18 e 3:12; Heb. 10: 19; Rom. 8:14. 15; Gal. 6:6; I João 6:18; Gal. 3:9, 14, e 5: 1; At. 15: 10; Heb. 4:14, 16, e 10: 19-22; João 7:38-39; Rom. 5:5.

II. Só Deus é senhor da consciência, e ele deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que em qualquer coisa, sejam contrários à sua palavra ou que, em matéria de fé ou de culto estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como coisa de consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer para elas fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma razão.

Ref. Rom. 14:4, 10; Tiago 4:12; At. 4:19, e 5:29; Mat. 28:8-10; Col. 2:20-23; Gal. 1: 10, e 2:4-5, e 4:9-10, e 5: 1;. Rom, 14:23; At. 17:11; João 4:22; Jer. 8:9; I Ped. 3: 15.

III. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, cometem qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência, destroem por isso mesmo o fim da liberdade cristã; o fim da liberdade é que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justiça, diante dele todos os dias da nossa vida.

Ref. Luc. 1:74-75; Rom. 6:15; Gal. 5:13; I Ped. 2:16; II Ped. 3: 15.


IV. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas.

Ref. I Ped. 2:13-16; Heb. 13:17; Mat. 18:15-17; II Tess.3:14; Tito3:10; I Cor. 5:11-13; Rom. 16:17; II Tess. 3:6.

CAPÍTULO XXI

DO CULTO RELIGIOSO E DO DOMINGO

I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.

Ref. Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6.

II.    O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não
deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da
queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo.

Ref. João 5:23; Mat. 28:19; II Cor. 13:14; Col. 2:18; Apoc 19:10; Rom. l:25; João 14:6; I Tim. 2:5; Ef. 2:18; Col. 3:17.

III.    A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus
exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes.

Ref. Fil. 4:6; I Tim. 2:1; Col. 4:2; Sal. 65:2, e 67:3; I Tess. 5:17-18; João 14:13-14; I Ped. 2:5; Rom. 8:26; Ef. 6:8; João 5:14; Sal. 47:7; Heb. 12:28; Gen. 18:27; Tiago 5:16; Ef. 6:18; I Cor. 14:14.

IV.    A oração deve ser feita por coisas lícitas e por todas as classes de homens que existem atualmente ou que existirão no futuro; mas não pelos mortos, nem por aqueles que se saiba terem cometido o pecado para a morte.

Ref. Mat. 26:42; I Tim. 2:1-2; João 17:20; II Sam. 7:29, e 12:21-23; Luc. 16:25-26; I João 5: 16.


V.    A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por
Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.

Ref. At. 15:21; Apoc. 1:3; II Tim. 4:2; Tiago 1:22: At. 10:33; Heb. 4:2; Col. 3:16; Ef. 5:19; Tiago 5:13; At. 16:25; Mat. 28:19; At. 2:42; Deut. 6:13; Ne. 10:29; Ec. 5:4-5; Joel 2:12; Mat. 9:15.

VI.    Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade - tanto em famílias
diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembléias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.

Ref. João 5:21; Mal. 1:11; I Tim. 2:8; João 4:23-24; Jer. 10: 25; Jó 1:5; II Sam. 6:18-20; Deut. 6:6-7; Mat. 6: 11, e 6:6; Isa. 56:7; Heb. 10:25; Prov. 5:34; At. 2:42.

VII.    Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete
para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de
continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.

Ref. Exo. 20:8-11; Gen. 2:3; I Cor. 16:1-2; At. 20:7; Apoc.1:10; Mat. 5: 17-18.

VIII.    Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus
empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.

Ref. Exo. 16:23-26,29:30, e 31:15-16; Isa.58:13.

Exegese Aplicada – Tristeza Pelo Pecado


A RAIZ DO ARREPENDIMENTO CRISTÃO

Anderson José Teixeira Cavalcanti de Barros



Leitura: 1 Co 5.2

Introdução- O cristianismo é conhecido por pregar a amor a Deus e ao próximo. Esse modus vivendi muitas vezes é obstaculado por nossa inclinação ao erro, acabando por ofender a Deus, ao próximo ou a ambos. Diante disso, muitos alegam que é só se arrepender e pedir perdão para que haja restauração espiritual. Mas, o que caracteriza o verdadeiro arrependimento não pode ser visto como um mero balbuciar "perdoe-me". É possível perceber qual é a raiz do verdadeiro arrependimento? Cremos que sim, desde que haja UMA REAL TRISTEZA pelo pecado.

Dentre várias palavras que encontramos no NT grego, uma tem um significado especial: pentheo. Ela é a palavra mais enfática do grego, em todos os tempos até o período neotestamentário, que traduz o vocábulo lamentar. Como podemos verificar isso? Bem, isso pode ser visto através do seu uso em alguns períodos anteriores ao NT e no próprio NT.



I. O uso de pentheo no grego clássico e na LXX (Septuaginta).

Encontramos no grego clássico o verbo pentheo empregado no sentido de lamentar ou prantear por alguém que faleceu (Heródoto, Ésquilo). O substantivo penthos se emprega no sentido de luto ou tristeza, apontando para os sinais externos que identificam o luto. Assim, o vocábulo era utilizado não para descrever um mero pesar interno pela perda, mas a expressão visível de pranto por alguém que morreu.

Mas além do seu uso no período clássico, temos também o seu emprego na LXX, que é o Antigo Testamento traduzido para o grego. Nessa versão também encontramos pentheo traduzindo o hebraico 'abal, palavra empregada para o prantear e o pesar por causa do infortúnio ocorrido ou iminente. Também é utilizada para o luto por causa da morte de alguém (2 Rs 14.2; 1 Cr 7.22), para o remorso em geral ( Ne 8.9), e para a tristeza sentida por causa de um ente querido 2 Rs 13.27; 19.10). Também traduz o heb. 'amal , que significa estar fraco, definhar-se, conforme pode ser visto em Isaías(16.8; 19.8; 24.4,7; 33.9). Pode, por causa do seu uso em contextos de luto, descrever os efeitos psicológicos e físicos do luto, como o chorar, no heb. 'bakah (Gn 23.2; 50.3), o tremular, estremecer, como expressão da mágoa, do heb. Nûd (Jr 23.10), e escurecer-se, isto é, ficar de luto, tradução do heb. qadar (Ez 31.15). O verbo apresenta assim vários aspectos da tristeza, inclusive com a demonstração externa da tristeza.

Já o subst. Penthos representa o Heb. 'ebel, cujo significado é semelhante à forma verbal 'abal, lamentar (Gn 27.1; 50.10-11; Am 5.16; 8.10; Is 60.20).





II. O uso de pentheono grego neotestamentário.

O verbo pentheo aparece para descrever também a tristeza por um ente querido (Mt 9.15), para os que choravam pela morte de Jesus(Mc 16.10) e para a tristeza de Paulo ao saber da atitude impenitente de alguns crentes de Corinto (2 Co 12.21). É empregado para relatar a lamentação daqueles que agora riem impenitentemente ( Lc 6.25), e para o luto futuro daqueles que contemplarão o julgamento da Grande Babilônia (Ap 18.11,15,19).

Paulo e Tiago usam o termo num sentido de tristeza segundo Deus, arrependimento. Paulo emprega o verbo para denotar a atitude que deve ter a igreja de Corinto acerca do pecado de prostituição existente no meio dela(1 Co5.2). Tiago chega a exortar os pecadores a se afligirem, lamentar e chorar pelo pecado (Tg 4.8-10).



Conclusão

É possível perceber que o vocábulo em análise tem mantido uma certa homogeneidade semântica por vários períodos. Ele descreve o prantear por alguém que já faleceu, mas não uma mera contrição mental, e sim a expressão visível por todos que presenciam o enlutado. Quando chegamos no Novo Testamento, vemos seu uso também no sentimento de reprovação pelo pecado. Diante do pecado, esse vocábulo nos ensina não a um pseudo-arrependimento, um mero "franzir a testa", mas uma reprovação tal que nos leve a chorar pela nossa situação como se chora pela morte de um ente querido. Essa deve ser a nossa atitude diante do erro. Essa é a raiz do verdadeiro arrependimento cristão.