Hermenêutica, que Bicho é Esse? Palestras Para Jovens Teologia Fácil


Hermenêutica é um ramo da filosofia que se debate com a compreensão humana e a interpretação de textos escritos. O termo "hermenêutica" provém do verbo grego "hermēneuein" e significa "declarar", "anunciar", "interpretar", "esclarecer" e, por último, "traduzir". Significa que alguma coisa é "tornada compreensível" ou "levada à compreensão". Encontra-se desde os séculos XVII e XVIII o uso do termo no sentido de uma interpretação correta e objetiva da Bíblia.
Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese deriva do grego exegeomai, exegesis; sentido é de extrair, externar, exteriorizar, expor; ou seja, um bom exegeta não insere nada no texto e sim extraí dele.

 
A exegese pode ser de cinco tipos.
a)Exegese Estrutural – Doutrina que sustenta que o significado do texto bíblico está além do processo de composição e das intenções do autor.
b)Exegese Gramático-histórica – princípio de interpretação bíblica que leva em conta apenas a sintaxe e o contexto histórico no qual foi composta a Bíblia.
c)Exegese Teológica – Princípio de interpretação bíblica que toma por parâmetro as doutrinas sistematizadas pelos estudiosos da Igreja.
d)Texto e Contexto – O texto bíblico é a passagem focalizada como um todo significado dependente do contexto para interpretação.O contexto é o que vem antes e depois do texto .
e)Contexto Bíblico e Histórico – O contexto bíblico realiza-se na própria Bíblia. O Contexto histórico leva em consideração a época em o autor escreveu. Nalguns casos a própria Bíblia oferece o contexto histórico, mas noutros, é preciso recorrer a livros que abordem questões culturais e históricas.
Na História do Antigo Testamento e da Igreja eram encontrados alguns tipos fundamentais de exegese tais como:
a)Exegese Rabínica – Os judeus interpretavam a Escritura letra a letra, por causa da noção de inspiração que tinham. Se uma palavra não tinha sentido perceptível imediatamente, eles usavam artifícios intelectuais (alegorizavam), para lhe dar um sentido, porque todas as palavras da Bíblia tinham que ter uma explicação.
A Igreja primitiva herdou muito do rabinismo.
Eles encontraram nela vários sentidos, a saber: literal, pleno e acomodatício
Literal: Sentido inerente às palavras, expressão pura e simples da ideia do autor.
Pleno: fundado no literal, mas que tem um aprofundamento não revelado pelo autor. Deus. A palavra do profeta refere uma situação histórica; a palavra de Deus refere o futuro.
Acomodatício: é a acomodação a um sentido à parte que combina com as palavras. É a Bíblia aplicada à realidade apenas pela coincidência dos textos. Por exemplo, em Mateus se lê "do Egito chamei meu filho" …para que se cumprisse a Escritura. Mas o sentido, ou seja, a aplicação original deste trecho não se referia ao Filho de Deus, mas à saída do Povo do Egito. Outro exemplo de acomodação é a aplicação a Maria dos textos do livro da Sabedoria. Estes são mais literatura que Escritura. Todavia, crendo-se na inspiração, se aceita que as palavras do autor podem Ter uma significação mais profundo que a original.
b) Exegese Católica
Na exegese católica, partia-se dos escritos dos pais da Igreja para a Bíblia. Para a cristandade defensora dessa exegese, a Bíblia dizia aquilo que os pais da Igreja já haviam dito. Hugo de São Vítor chegou a dizer: "aprende primeiro o que deves crer e então vai à Bíblia para encontrares a confirmação". Principalmente na idade média, a exegese esteve de mãos atadas pelas tradições e pela autoridade dos concílios. A regra era apegarem-se ao máximo aos métodos tradicionais de interpretação valorizando mais a tradição e menos a Bíblia.

 
A Exegese Protestante
Surgiu do protesto de alguns cristãos contra a autoridade da Igreja como intérprete fiel da Bíblia. Lutero instituiu o princípio da "sola scriptura" (só a Escritura), sem tradição, sem autoridade, sem outra prova que não a própria Bíblia. A partir daquele instante, os Protestantes dedicaram-se ao estudo mais profundo da Bíblia, antecipando-se mesmo aos Católicos.
Por causa deste entendimento de Lutero surgiram várias correntes de interpretação, que podem se resumir em Três: a conservadora, a racionalista e a Hegeliana.
A conservadora parte daquele princípio da inspiração como ditado, em que se consideram até os pontos massoréticos como inspirados. Não se deve aplicar qualquer método científico para entender o que está escrito. É só ler e, do modo que Deus quiser, se compreende.
A racionalista foi influenciada pelo iluminismo e começou a negar os milagres. Daí passou-se à negação de certos fatos, como os referentes a Abraão. Afirmam que as narrações descritas como provam o vocabulário, os costumes, são coisas de uma época posterior, atribuído àquela por ignorância. Esta teoria teve muito sucesso e começaram a surgir várias 'vidas' de Jesus em que ele era apresentado como um pregador popular, frustrado, fracassado.
Hegeliana. Nessa perspectiva, o apóstolo Paulo, entusiasmado, teria feito uma doutrina, que a atribuiu a Cristo (tese). Depois, João, com seu Evangelho constituiu a antítese. Finalmente Marcos fez a síntese.
A intenção dessa postagem é deixar você com "a pulga atrás de orelha", agora você pode estar se perguntando, será que tudo que um dia pensei que era certo, seria apenas por causa do meu ponto de vista e interpretação pessoal? Será que aquilo que eu li, eu entendi mesmo? Será que aquele texto tem outro sentido maior do que a minha percepção?
Deus os Ilumine nessa caminhada!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este Comentário será exibido após moderação dos Editores da equipe Plugados com Deus!