Judas e os Libertinos- Augustus Nicodemus

 

 

Augustus Nicodemus explica porque não devemos pensar que os libertinos são apenas um resultado do relativismo moral característico da nossa geração


"Libertino" é o nome dado aos que defendem a liberdade do cristão para desfrutar de toda sorte de práticas sexuais desde que feitas em amor. Os libertinos defendem a validade e naturalidade para o cristão do sexo antes do casamento, a relação homo-erótica, o "ficar" entre adolescentes e jovens, entre outras coisas.

Não devemos pensar que os libertinos são um fenômeno peculiar de nossa época, o resultado do impacto do movimento de liberação sexual da década de 1960 e do impacto do relativismo moral característico da nossa geração. Os libertinos existiram em todas as épocas da Igreja de Cristo, como um organismo paralelo nas igrejas locais. Nunca faltou na Igreja Cristã quem interpretasse a salvação somente pela fé como uma desculpa para a libertinagem. Aliás, essa é uma das acusações mais freqüentes contra o Evangelho, ou seja, que ele tem em si próprio o potencial para a libertinagem, pois ensina que os pecadores são redimidos livremente, pela graça de Deus, sem obras. Trata-se, todavia, de uma compreensão equivocada do significado do Evangelho e da graça de Deus, que nos foram dados, não para que pecássemos livremente, mas para que fôssemos feitos mais e mais semelhantes ao Senhor Jesus Cristo, santos, puros e irrepreensíveis (Tito 2:11-12).

Um exemplo da atividade dos libertinos pode ser encontrado na carta de Judas. Embora praticamente desconhecida de muitos evangélicos, a carta de Judas é da mais alta importância para as igrejas de hoje, visto que trata exatamente da libertinagem moral defendida por um grupo de falsos mestres em sua época. Judas escreveu essa carta para ajudar as igrejas a identificá-los, alertá-las do perigo e avisá-las dos castigos divinos que sobrevirão a todos que seguirem as suas práticas.

Judas deu prioridade ao assunto dos libertinos em uma carta que estava para escrever àquelas igrejas sobre a salvação (Jd 3). Ele se justificou dizendo que eles estavam se infiltrando nas comunidades e, com seu ensino, transformando em libertinagem a graça de Deus e negando a Jesus Cristo (Jd 4). Mas o Deus que havia castigado os judeus libertinos no deserto, o Deus que havia destinado ao juízo os anjos que abusaram da sua graça e quiseram ir além dos limites (uma referência provável à queda de Satanás) e que havia destruído os imorais moradores de Sodoma e cidades vizinhas, esse mesmo Deus haveria de, igualmente, castigar tais libertinos e todos que seguissem suas práticas imorais (Judas 5-7).

Para Judas, os libertinos não eram pessoas bem intencionadas. Não eram líderes que, apesar de errados na teologia e na prática, eram sinceros na motivação. Eles apelavam para seus sonhos e visões como fonte de autoridade ("sonhadores alucinados", Jd 8). Eram impuros moralmente, insubmissos e revoltados, ignorantes quanto a Deus (Jd 9-10). Judas pronuncia a sua condenação, "ai deles!" - e os compara a Caim, que criou uma religião não ordenada por Deus; a Balaão, o falso profeta movido pela ganância; e a Corá, que se revoltou contra Moisés por amor ao poder e ao cargo eclesiástico (Jd 11). Eles representavam um perigo para a igreja, como "rochas submersas". Já estavam disseminando suas doutrinas e práticas imorais nos próprios ágapes das igrejas. Apesar do discurso bonito, ao fim, eles eram como nuvens sem águas, ondas do mar que lançam de si as impurezas, árvores sem frutos, estrelas cadentes que se precipitam, sem volta, nas trevas do céu da noite (Jd 12-13).

O surgimento dos libertinos no cenário cristão não deveria surpreender ninguém. O próprio Enoque já havia profetizado a vinda deles, bem como os apóstolos de Cristo (Jd 14-19). A Igreja deveria guardar-se deles, em oração e temor, tendo compaixão daqueles que haviam sido influenciados, em alguma medida, pela doutrina libertina e procurar trazê-los de volta para a doutrina dos apóstolos (Jd 20-23). E Deus haveria de confirmar e guardar os crentes fiéis (Jd 24-25).

Os libertinos infiltrados nas igrejas às quais Judas escreve foram apenas os primeiros de uma longa série de outros ímpios que, através da história, fizeram a mesma coisa. Na época da Reforma, por exemplo, encontramos referências à luta de Calvino e outros reformadores contra os libertinos de sua época. Lamentavelmente, por falta do exercício da disciplina eclesiástica, da pregação dos requerimentos espirituais e morais do Evangelho, da denúncia nos púlpitos contra as iniqüidades toleradas pelos cristãos, de voz profética que se levante contra as aberrações acontecidas dentro dos arraiais evangélicos, assistimos, nos dias de hoje e no nosso país, a transformação da graça de Deus em libertinagem por parte de muitos, que ao final, acabam negando ao próprio Senhor Jesus Cristo, apesar de falarem em seu nome.

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