Como Receber um visitante em sua Igreja

1 - Com um sorriso nos lábios, estenda as boas vindas a cada visitante e fale da alegria de recebê-lo. Se for um desconhecido, apresente-se, pergunte o seu nome, pergunte se é a primeira vez que vem a nossa igreja, se conhece alguém dali, para levá-lo junto de seu amigo. Enfim, faça-o sentir-se à vontade e muito bem vindo. 2 - Explique que a igreja gostaria de enviar-lhe um convite para outras programações e para isso você precisa de algumas informações. A seguir tome nota dos dados do visitante (nome, telefone, e-mail e algumas outras informações pessoais – essas últimas podem até ser anotadas fora da presença do visitante – de maneira a facilitar a identificação e dar elementos para um contato posterior. Entregue-lhe o boletim da igreja e, se tiver, um cartão de boas vindas. Se houver algo para ser preenchido e destacado no cartão, explique-lhe que ele pode devolver à saída. 3 - Se a pessoa já esteve na igreja e deu seus dados, demonstre alegria pelo retorno e pergunte se ela recebeu um e-mail ou carta com a programação da igreja. Em caso negativo, comunique o fato à liderança para que a mesma verifique o porquê da não efetivação do contato. 4 - A seguir, acompanhe-o ou apresente-o a um diácono que irá mostrar-lhe os assentos ou ajudá-lo na procura das salas da Escola Dominical, sanitários, biblioteca, berçário, Projeto Crianças de Primeira, etc. Ele deve ser acompanhado, mas sentir-se a vontade para sentar aonde preferir. Seja gentil, sem sufocá-lo com atenção. 5 - Se vierem acompanhados de crianças, adolescentes ou jovens, dê-lhes atenção e encaminhe-os para as salas apropriadas. Para tanto, é necessário conhecer bem as dependências da igreja, as classes da Escola Dominical e as idades que atendem, seus professores e os líderes dos ministérios e sociedades. É importante estar bem informado sobre as programações atuais e futuras da igreja. 6 - Ao final do culto despeça-os amavelmente, convidando-os a voltar.

UMA BENÇÃO CHAMADA DESESPERO!


                                               UMA BÊNÇÃO CHAMADO DESESPERO
                Num primeiro momento, e sem uma análise contextual mais apurada, a palavra desespero não parece ter nenhuma vinculação semântica com o conceito de bênção. Aliás, para muitos, juntar bênção e desespero, mais do que um paradoxo, é um completo absurdo. O desespero de um cidadão que tem apontada para a sua fronte a gélida arma de um impiedoso assassino, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de uma senhora que se vê transformada em presa fácil nas mãos de um maníaco imoral e perverso, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de um trabalhador que, de uma hora para outra, vê-se privado do seu emprego e, ato contínuo, dos recursos e condições indispensáveis para prover a subsistência da sua família, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de uma família que, em dramáticos tempos de guerra, vê-se compelida a enviar os seus filhos para os atemorizadores campos de batalha, sem ter a certeza de que eles voltaram bem, certamente, não pode ser chamado de uma bênção.
                Em suma, exemplos e mais exemplos poderiam ser multiplicados aqui, sinalizadores de situações atípicas, nas quais desespero e bênção trilham searas diametralmente opostas, indiscutivelmente inconciliáveis. Contudo, há sim, e abundantemente encontrável nas Escrituras Sagradas, Regra Única de Fé e Prática de todo cristão que a recepciona como a infalível e inspirada Palavra de Deus, um tipo de desespero que, conquanto tremendamente doloroso e desassossegador da consciência humana, é uma bênção, porque leva o ser humano a refletir, com real seriedade, sobre a sua situação espiritual diante do Senhor; e, por fim, arrependido, a voltar-se para Deus, o único que, em sua graça, pode restaurá-lo, concedendo-lhe, misericordiosamente, uma eterna e gloriosa salvação.
                Um dos mais nefastos efeitos da queda de Adão e Eva, logo transpostos para toda a raça humana, foi uma corrupção espiritual e moral que se estendeu por todas as dimensões constitutivas da personalidade do homem: mente/afeições/vontade. Dentre os inúmeros e malévolos frutos decorrentes dessa congênita depravação, avulta, como um dos mais perceptíveis, a soberba, a autoconfiança, autossuficiência, que faz com que o homem cultive uma imagem muito positiva de si mesmo; a ver-se como portador de méritos diante do Senhor, digno, portanto, de herdar o céu e a presença de Deus, como consequência natural dos seus supostos merecimentos.
                Noutras palavras: o homem passa a cultivar, em seu coração, uma falsa esperança de salvação, proveniente, convém reiterar, da soberba que o domina. É exatamente neste contexto que a pregação fiel do evangelho salvífico de Jesus Cristo, ao confrontar o pecador e desnudar-lhe as falsas esperanças, fere a sua consciência, inquieta o seu coração e o conduz a um santo e abençoado desespero.
                Examinemos mais de perto, a natureza bíblica desse desespero. Em primeiro lugar, esse desespero nasce de uma consciência viva de que o pecado, realmente, é uma transgressão séria da lei de Deus, que o ofende e macula a sua ofuscante santidade. Creio que foi esse o sentimento que tomou conta do profeta Isaías, quando ele teve uma sobrenatural visão do Deus de Israel, assentado, todo-poderoso, num alto e sublime trono, rodeado por querubins e serafins que, incansavelmente, não cessavam de proclamar a santidade e o peso da glória do Senhor, estendido por todos os quadrantes da terra. Em vez de sair pulando e dando aleluias, diante da aterradora visão que teve da majestade do Senhor, Isaías, ao contrário, foi conduzido a experimentar uma bênção chamada desespero, traduzida por palavras ardentes, emanadas de um coração que se percebeu como realmente era: mau e tremendamente pecador diante de Deus. Ao mirar-se no espelho da fulgurante santidade de Deus, o profeta Isaías dá-se conta de que era um homem portador de lábios impuros e, de igual modo, habitante e conterrâneo de um povo que também era detentor de impuros lábios.
                É dessa dramática percepção do seu pecado individual e do pecado coletivo do povo a que pertencia que emerge o quebrantamento do profeta e o clamor angustiado da sua alma, revestido da nítida consciência de que ele vai perecer. Ao ser atingido pela bênção chamada desespero, Isaías encontra-se com a brasa viva do altar do Senhor; Senhor que é santidade absoluta e também graça que perdoa; e misericórdia que acolhe e põe um miserável no coração. Em segundo lugar, o desespero abençoador produz genuíno arrependimento no coração do pecador penitente.
                Há uma passagem bíblica que é sobremaneira elucidativa nesta matéria. Encontramo-la no Livro de Atos dos Apóstolos, mais precisamente no trecho em que, cheio do Espírito Santo, o apóstolo Pedro profere um incisivo sermão, mostrando, por meio de acurada hermenêutica e uma bem aplicada analogia da fé, que a descida do Santo Espírito de Deus, no dia de Pentecostes, era o cabal cumprimento de profecias vetero-testamentárias e apontava, redentivo-escatologicamente, para a vitoriosa obra expiatória realizada por Jesus Cristo na cruz do calvário, meio único e eficaz de reconciliação do homem pecador com o Deus três vezes santo.
                Concluída a poderosa pregação, “compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 2.37,38). Foi a contundente proclamação de Pedro o instrumento usado por Deus para levar pecadores empedernidos ao desespero e ao arrependimento. Sem a exigência do arrependimento, resulta mutilada a pregação do evangelho; e, de igual modo, destoante do padrão apostólico, reformado e puritano de proclamação da salvadora mensagem da cruz.
                Em terceiro lugar, o desespero abençoador faz com que o pecador, ao ver-se face a face com a santa lei de Deus, para cujo cumprimento perfeito ele acha-se completamente inabilitado, desista de continuar firmando-se nas andrajosas muletas das suas pecaminosas obras; na sua religiosidade; no seu moralismo; ou em qualquer outra realidade presumivelmente capaz de justificá-lo diante do Senhor. A parábola do fariseu e do publicano, registrada nas páginas santas do evangelho, revela, solenemente, essa verdade. Enquanto o fariseu, engordado pelo fermento da soberba, gabava-se de grandes feitos diante de Deus, “o publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lucas 18.13). No limite, o publicano, levado a desespero pelos pecados que o tornavam inimigo de Deus, percebeu que somente na fonte caudalosa da graça divina, ele poderia encontrar a justiça inexistente em si mesmo e nas suas insuficientes obras.
                No livro Os batistas e a doutrina da eleição, na parte especificamente dedicada à evangelização, Robert Selph afirma que “Nosso principal objetivo na evangelização do coração é duplo: Fazer a lei de um Deus soberano e justo pesar sobre o coração do pecador, ao ponto de desespero e direcionar o pecador para que corra para Cristo, em total abandono do pecado e do próprio eu, rogando-lhe por misericórdia e uma nova vida. A palavra chave que devemos frisar, quanto a esse objetivo duplo, é ‘desespero’. É preciso que os pecadores sejam levados ao desespero, pelo Espírito Santo. O desespero faz parte inerente da própria natureza do vir a Cristo”. Na mesma linha de raciocínio, asseverou o Dr. Martyn Lloyd-Jones que “Fica perfeitamente claro, nas páginas do Novo Testamento, que ninguém pode ser salvo enquanto, mais cedo ou mais tarde, não sentir o desespero de si mesmo”.
                Como se pode perceber, o desespero abençoador, que leva o pecador a tirar os olhos de si e colocá-los, irreservadamente, na pessoa e obra de Jesus Cristo, está diretamente relacionado a uma proclamação do evangelho feita de forma fiel às Escrituras Sagradas; proclamação que não hesita em “anunciar todo o conselho de Deus” (Atos dos Apóstolos 20.27b). O notável pregador inglês Charles Spurgeon, num dos seus sempre inspirativos e bíblicos escritos, sentenciou: “Deus a ninguém reveste com o manto da sua justiça, sem antes tê-lo aguilhoado com os rigores da sua lei”.
                A realidade, entretanto, é que, na maioria dos púlpitos do evangelicalismo brasileiro moderno, no lugar da mensagem simples e bíblica da cruz de Jesus Cristo, sua morte expiatória e ressurreição justificadora, o que tem tristemente prevalecido é um estranho sincretismo que consorcia autoajuda, prosperidade material, curandeirismo sensacionalista, existencialismo psicologizante, entretenimento superficial, palestras motivacionais, dentre outros componentes conteudísticos inteiramente contrários ao nosso inegociável tesouro de fé, que “de uma vez por todas foi entregue aos santos, e pela qual somos exortados a batalhar com toda a diligência”, conforme a doutrinação emanada do sacro escritor Judas, em sua diminuta e instrutiva epístola. Que Deus tenha misericórdia do nosso país e, ato contínuo, levante pregadores que, firmados no santo livro do Senhor, trovejem sermões que confrontem o pecado, levem os pecadores, num primeiro momento, ao desespero por seus pecados; e, depois, à real e gloriosa esperança radicada na pessoa e redentiva obra de Jesus Cristo na cruz do calvário. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                                                                                                             JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                                                             PRESBÍTERO

UMA CARTA AOS APOSTOLOS DE HOJE

Por Rev. Augustus Nicodemus [Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.] Meu caro Juvenal, Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum. Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo. Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si. Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas. 1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe. 2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.? 3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último. 4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles. 5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local? 6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas... 7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo. Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus. Um abraço, Augustus