Estado é Laico ou Ateu?

Aproveitando a recente tentativa do Procurador da República Jefferson Aparecido Dias de retirar das cédulas de Real a expressão "Deus seja louvado" tomando como argumento a laicidade do Estado, gostaria de ajudar os ateus propondo 10 dicas para que eles tornem o Brasil laico, de uma vez por todas: 1ª Dica: À semelhança do Procurador Jefferson, entrem com ações contra o Banco Central exigindo a retirada da expressão "Deus seja louvado" das cédulas de Real. 2ª Dica: Exijam do governo a troca dos nomes dos Estados da Federação que contém alguma nomenclatura religiosa, a saber: Espírito Santo, Santa Catarina e São Paulo. 3ª Dica: Exijam, igualmente, a troca dos nomes das capitais do país: Salvador, São Luiz, Belém, Natal e São Paulo. 4ª Dica: Da mesma forma, não podem ficar de fora as demais cidades do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o país tem 2.500 localidades com nomes de santos. Alguns exemplos de cidades que devem ter os seus nomes trocados: Santo Antônio (e variações), São João (idem), São Francisco, Santa Maria, Santo André, São Caetano, São Bernardo, Santos, São Vicente, São José dos Campos, Santa Bárbara do Oeste, etc... 5ª Dica: É preciso que instituições públicas não tenham nomes religiosos. Estão nesta categoria hospitais, abrigos, creches, asilos, escolas, etc... 6ª Dica: Os feriados religiosos também devem ser banidos. Acabe-se portanto com a Páscoa, Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Finados e Natal. 7ª Dica: É preciso fazer uma constituinte para que se retirem da Constituição Federal todas as leis que mencionam religião, a saber, 1) o artigo 5º, VI, que estipula ser inviolável a liberdade de crença e assegura o livre exercício de cultos religiosos e a proteção dos locais de culto; 2) o inciso VII do mesmo artigo, que assegura a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; 3) o inciso VIII, ainda do artigo 5º, que garante que ninguém pode ser privado de direitos por motivo de crença religiosa; 4) o artigo 19, I, que veda aos Estados, Municípios, à União e ao Distrito Federal tanto o estabelecimento quando o embaraço de cultos religiosos ou igrejas; 5) o artigo 143, § 1º, que dá competência às Forças Armadas atribuir serviço alternativo aos que, em tempos de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência decorrente de crença religiosa; 6) o artigo 150, VI, "b", que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre templos de qualquer culto; 7) o artigo 210, § 1º, que prevê o ensino religioso, de matrícula facultativa, nas escolas públicas de ensino fundamental; 8) o artigo 213 que prevê que recursos públicos podem ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas; e 9) o artigo 226, § 3º, que estabelece que o casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 8ª Dica: Na constituinte que expurgará todo direito religioso do cidadão brasileiro, expurgue-se também o preâmbulo da Constituição Federal onde se diz: "... promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL". 9ª Dica: Para que não haja memória do tempo em que o país não era laico, é bom que se revisem os livros de história do Brasil para se apagar as referências religiosas do início de nossa nação, como, por exemplo, seus primeiros nomes: Ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz. 10ª Dica: Por fim, assim que a expressão "Deus seja louvado" for retirada de nossas cédulas, é recomendável que o pais entre com uma ação na ONU exigindo a retirada do "In God we trust" (nós confiamos em Deus) do dólar americano... Afinal, temos que ensinar os EUA a serem uma nação laica... Não é preciso dizer que este post é irônico. O Brasil é um país laico, mas não ateu. Estado laico é aquele que tem separação entre Igreja e Estado, mas que permite a existência das demais religiões. Estado ateu é aquele que suprime a liberdade de expressão religiosa. Veja o que diz o jurista Ives Gandra sobre este assunto: "Quando se sustenta que o Estado deve ser surdo à religiosidade de seus cidadãos, na verdade se reveste esse mesmo Estado de características pagãs e ateístas que não são e nunca foram albergadas pelas Constituições brasileiras. A democracia nasce e se desenvolve a partir da pluralidade de idéias e opiniões, e não da ausência delas. É direito e garantia fundamental a livre expressão do pensamento, inclusive para a adequada formação das políticas públicas. Pretender calar os vários segmentos religiosos do país não apenas é antidemocrático e inconstitucional mas traduz comportamento revestido de profunda intolerância e prejudica gravemente a saudável convivência harmônica do todo social brasileiro." Portanto, Estado laico sim, mas ateu não. Que Deus ilumine nossos governantes para que percebam esta diferença. fonte: http://resistenciaprotestante.blogspot.com.br/2012/11/laicizacao-do-estado-10-dicas-para-ateus.html

A REFORMA PROTESTANTE

Trinta e um de outubro de mil quinhentos e dezessete. Uma data emblemática na vida da Igreja do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois foi nela, há 495 anos, que Martinho Lutero, monge pertencente à ordem dos agostinianos, profundamente inconformado com os desvios morais e doutrinários exibidos pela igreja cristã do seu tempo, afixou, na porta de uma pequena capela em Wittenberg, Noventa e Cinco Teses de natureza teológica, convocando as autoridades religiosas da época para um amplo debate acerca dos caminhos e descaminhos vivenciados pelo cristianismo do seu tempo. Não era pretensão de Martinho Lutero fundar outra igreja, mas, sim, por meio de uma discussão franca, levar os líderes religiosos da igreja a refletir acerca de uma série de crenças e comportamentos que destoavam, flagrantemente, dos ensinamentos emanados da Palavra de Deus. Na verdade, examinadas de perto, damo-nos conta de que as Noventa e Cinco Teses levantadas por Martinho Lutero longe estão de representar, em plenitude, a sua teologia, que, ao longo do tempo, vai se refinando e ganhando contornos mais nítidos e bíblicos, na medida em que ele submete todo o seu pensar/sentir/agir, à suficiência e normatividade provenientes das Escrituras Sagradas. As aludidas teses, contudo, constituíram-se num marco histórico fundamental, pois, publicamente, puseram o dedo nas visíveis chagas ético-doutrinárias de uma igreja quase roçante da apostasia mais inescondível. Aqui, o quesito mais combatido por Lutero foi a inescrupulosa instituição das indulgências, por meio das quais a igreja, vergonhosamente, mercadejava as bênçãos de Deus, leiloando-as no território da manipulação mais grosseira e abominável. Alegando possuir uma espécie de tesouro de méritos dos chamados santos da igreja, as autoridades religiosas colocavam esses supostos méritos à disposição de quem deles quisesse fazer uso, bastando, para tal, a utilização de dinheiro, terras, ou outros tipos de bens, todos muito bem vindos aos cofres de uma igreja corrupta e completamente divorciada do padrão apostólico. Tetzel, o ímpio usado por Satanás para dilapidar a consciência dos incautos, no afã de arrecadar o máximo de recursos para a construção da monumental basílica de São Pedro, não hesitou em proclamar que “na hora exata em que a moeda caísse no gazofilácio, a alma, atormentada no purgatório, sairia, imediatamente de tal estado, e iria para o céu, desfrutar da gloriosa presença de Deus”. Convocado perante os mandatários eclesiásticos da época, e instado a retratar-se e a negar as verdades teológicas que estava, corajosamente, proclamando, Lutero manteve-se firme; invocou a ajuda do Senhor; e, de modo altaneiro, sentenciou que não alteraria uma mínima vírgula em tudo quanto estava defendendo, a menos que os seus opositores pudessem convencê-lo pela razão e, sobretudo, pela supremacia indisputável da inerrante, inspirada e infalível Palavra de Deus, o que, efetivamente, eles não puderam fazer, dado que, conforme pontua o apóstolo Paulo, “nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade” (2 Coríntios 13.8). Na intrépida atitude assumida por Lutero e, por extensão, por todos os demais Reformadores que vieram depois deles, já constatamos que a primeira grande bandeira hasteada pela Reforma Protestante foi a do SOLA SCRIPTURA, SOLA SCRIPTURA que foi considerado como o Princípio Formal de toda a Reforma Protestante, isto é, aquele que norteou todos os demais solas proclamados. Ao afirmarem a supremacia das Escrituras Sagradas, Regra Única de Fé e de Prática, os Reformadores não estavam relegando à condição de desimportância absoluta, todas as demais instâncias da vida da igreja, tais como a tradição e o magistério dos seus teólogos mestres. Estava, isto sim, asseverando que somente a Palavra de Deus é normativa e suficiente; somente ela é portadora de indisputáveis prerrogativas; somente nela, Revelação Especial, encontramos a ciência veraz acerca de quem é Deus, quem somos nós; é nela que tomamos conhecimento do nosso pecado e, de igual modo, da copiosa redenção que o Senhor providenciou para nós na pessoa de Jesus Cristo. Na verdade, a Igreja Medieval havia chegado ao estado de profunda decadência espiritual em que se encontrava simplesmente porque abandonou o inabalável fundamento da Palavra de Deus. O mesmo diagnóstico podemos fornecer para a Igreja evangélica brasileira que, ao se afastar do santo livro de Deus, escancarou as suas portas para a mercantilista Teologia da Prosperidade, a mágica Teologia da Confissão Positiva, sem falar nos estranhos ajuntamentos que têm no sincretismo religioso a sua marca seminal. Os Reformadores, de igual maneira, trouxeram de volta para o púlpito, a doutrina do SOLA GRATIA, segundo a qual o homem é salvo unicamente pela graça de Deus, sem o concurso dos seus méritos, sem o mais leve vestígio de colaboração das suas obras. O SOLA GRATIA aponta para a soberania de Deus na escola do seu povo, pois, como bem pontua o apóstolo Paulo: “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus usar a sua misericórdia” (Romanos 9.16b), mesmo porque, o homem está “morto em delitos e em pecados” (Efésios 2.b); “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, á uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não nem um sequer”. (Romanos 3.10b-12). Se, dentre o oceano de depravados, alguém se inclina para Deus em arrependimento e fé, é porque nele, irresistível e eficazmente, já opera a graça salvadora da bendita Trindade. No mesmo diapasão, os Reformadores hastearam o glorioso pendão da justificação somente pela fé, o SOLA FIDE. Para Martinho Lutero, um dos parâmetros aferidores da genuinidade ou não de uma igreja cristã reside na atitude que ela exibe em relação à doutrina da justificação somente pela fé. Se ela prega tal mensagem, coração intocável do evangelho, ela permanece de pé; se a abandona, vira um clube de religiosos, tão sedutor quanto fadado à condenação eterna, pois estará fiando-se nas andrajosas muletas das pecaminosas obras humanas. Princípio Instrumental da Reforma Protestante, a doutrina da justificação somente pela fé ensina-nos, com robusta chancela bíblica, que a fé é um dom de Deus, não uma obra meritória dos homens. É uma dádiva divina, por meio da qual somos, salvadoramente, unidos a Jesus Cristo, de cujos braços onipotentes nada, nem ninguém, pode nos separar. A base inamovível da bênção da justificação não é a fé, mas, sim, a perfeita e sacrificial obra que Jesus Cristo realizou em nosso favor, da qual emerge a justiça do Filho de Deus que, imputada aos seus filhos, torna-os justificados diante de Deus e destituídos de qualquer culpa e condenação decorrentes do pecado. SOLI DEO GLORIA. Cláusula pétrea nas formulações teológicas empreendidas pelos Reformadores, a bandeira da glória unicamente a Deus radica no fato de que somente Ele é digno de honra, glória, louvor e adoração. Glória somente ao Senhor, jamais aos homens. “O coração do homem, bem o proclamou João Calvino, é uma fábrica de ídolos”, daí a terrível propensão que temos de conferir a coisas, a pessoas e a nós mesmos, uma glória somente devida a Deus. Outro ponto sobejamente enfatizado pelos Reformadores foi o que atende pelo nome de Sacerdócio Universal dos Crentes, que significa, simplesmente, o acesso que todo crente tem à presença de Deus por meio de Jesus Cristo e da sua suficiente mediação. A Reforma Protestante, pela beleza e inquestionável biblicidade das teses que advogou, impõe-se, indubitavelmente, como um dos mais sublimes momentos da vida da Igreja do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Contudo, se conferirmos a ela, a cada ano que a relembrarmos, uma feição meramente saudosista, como se ela tivesse ficado aprisionada nas enevoadas cronologias do século dezesseis, teremos perdido a nervura essencial de um movimento que, comandado pelo Espírito Santo de Deus, teve como meta insubstituível, e atemporal, reconduzir a Igreja aos pastos verdejantes da Palavra de Deus. Por esse viés, a Reforma Protestante não é de ontem, mas de hoje e de sempre. Igreja Reformada, Sempre se Reformando, eis o anelo indesviável de quem se pretende bíblico em todas as suas crenças e práticas. Sempre se reformando, bem claro fique, não no sentido de estar, permanentemente, aberta aos modismos e invencionices humanos, mas, sim, no de estar, continuamente, submetendo o seu pensar/sentir/agir aos parâmetros normativos e absolutos das Escrituras Sagradas. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO