O LEGADO DO CRISTÃO

EXEMPLOS DE PIEDADE / EXEMPLOS DE IMPIEDADE No salmo noventa, cujo autor é o profeta Moisés, somos informados de que “Os anos da nossa vida chegam a setenta, ou, para os que têm mais vigor, a oitenta; mas o melhor deles é cansaço e enfado; pois tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Salmo 90.10). Aprendemos, aqui, que é Deus quem, providencialmente, estabelece o tempo da nossa existência. Aprendemos, de igual modo, que nossa vida terrena, por prolongada que seja, é breve, sumamente fugaz, irresistivelmente, passageira. Sendo assim, devemos refletir, seriamente, a respeito do nosso viver; do legado que pretendemos deixar neste mundo, depois que os nossos dias se findarem, e a porta da eternidade se abrir para nós. As Escrituras Sagradas estão repletas de exemplos de pessoas que aproveitaram o tempo que lhes foi concedido por Deus para imprimirem nele marcas de piedade e consagração ao Senhor. Outros, contudo, em direção contrária, assinaram pactos de convivência com a impiedade e legaram tristes exemplos de descompromisso com Deus e com os valores normativos da sua palavra. Vejamos alguns relatos bíblicos que ilustram tais realidades. No livro de Gênesis, a Escritura fala-nos acerca de um homem chamado Lameque, que tinha duas mulheres. Uma chamava-se Ada, a outra, Zila. Ele matou dois homens, de modo cruel. Ao tomar conhecimento de que Caim, também assassino, havia recebido do Senhor proteção, após ter tirado a vida de Abel, seu irmão, Lameque, em vez de vislumbrar no gesto do Senhor um exercício de bondade e de restrição ao mal, tomou-o como um convite à prática reiterada do pecado. Um salvo-conduto para continuar trilhando a senda da iniquidade. Triste exemplo de impiedade. No mesmo livro, há a história de Sete, mais um filho que Deus concedeu a Adão. Depois, Sete gerou a Enos. “Foi nesse tempo que os homens começaram a invocar o nome do Senhor” (Gênesis 4.26). Geração santa, semente celestial, sublime demonstração de piedade. Abraão, Ló e a mulher de Ló, três personagens, exemplos de impiedade e de piedade. Abraão e Ló, movidos pela contenda travada pelos pastores dos seus rebanhos, tiveram de separar-se, percorrer outras estradas, habitar outros espaços, conviver com outras geografias. Seduzido pela concupiscência dos olhos, “Ló escolheu para si todo o vale do Jordão, e partiu para o Oriente (Gênesis 13.11). Foi habitar nas cidades do vale, mudando suas tendas até chegar a Sodoma”, esquecendo-se de que “os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor” (Gênesis 13.12b). Abraão, por seu turno, “habitou na terra de Canaã” (Gênesis 13.12), preferindo colocar os seus olhos e firmar a sua fé no “Deus invisível, mas real”, que lhe havia feito graciosas e imutáveis promessas, a todas conferindo, no tempo por ele determinado, cabal e infalível cumprimento. Precioso exemplo de piedade. Já a mulher de Ló inseriu-se na história da redenção da forma mais trágica possível. Na hora crucial da sua vida, quando o justo juízo de Deus caía sobre as ímpias cidades de Sodoma e Gomorra, em vez de fixar os seus olhos no Senhor e abraçar, pela fé, a grande e imerecida salvação que lhe estava sendo ofertada na hora extrema da sua existência, preferiu olhar para trás, enamorar-se até o fim com o pecado, com o mundo, que, continuamente, “jaz no maligno”) 1 João 5.19b) e, na consumação de tudo, será condenado pelo Senhor de maneira definitiva. Ao virar uma estátua de sal, a mulher de Ló deu-nos um dramático exemplo de impiedade, próprio de alguém que amou o mundo e, por essa razão, tornou-se inimigo de Deus. Quando nos transportamos para o universo do Novo Testamento, os exemplos contrastantes multiplicam-se. De um lado, vemos uma mulher chamada Dorcas. Ela só é mencionada uma única vez no livro de Atos de Apóstolos, mas o suficiente para percebermos que a sua vida foi operosa. “ela fazia muitas boas obras e dava esmolas” (Atos 9.36). Seu exemplo de piedade era tão vivo que quando ela morreu, “todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando as roupas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas”. (Atos 9.39b). Posteriormente, o apóstolo Pedro faz uso dos dons extraordinários que Deus concedeu aos apóstolos, fazendo-os cessar depois, e ressuscita Dorcas. Eis-nos diante de um bonito exemplo de piedade. Mais adiante, nas epístolas pastorais, Paulo fala-nos de um homem chamado Alexandre, o latoeiro, que causou muitos males ao servo de Deus. Passou para a história como um mau obreiro, alguém descomprometido com o evangelho, que fez da impiedade o traço mais visível do seu ser/estar no mundo. Poderíamos arrolar inúmeros nomes de pessoas que viveram de forma digna do evangelho de Jesus Cristo; e de outras que, em direção contrária, escreveram, na história da revelação, capítulos de impiedade, de procedimentos destoantes dos santos caminhos do Senhor. O ponto central, entretanto, é o seguinte: e, quanto a nós, como temos vivido? Que legado deixaremos para os que nos sucederão na caminhada da fé, da esperança e do amor cristãos? Legado de piedade, inarredável compromisso com Jesus Cristo e o seu reino ou, ao contrário, de impiedade e vida de incompatibilidade com o padrão de santidade inerente ao caráter do Senhor? Que Deus nos ajude a meditar em realidades espirituais tão sérias e que têm implicações para toda a eternidade. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

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