Resposta Biblica para a modernidade liquida atual



2 João 1-10

INTRODUÇÃO:

Viver sem Deus, esse é o sonho mais antigo da humanidade pecaminosa e caída. Diante dessa verdade muitos filósofos e cientistas tem proposto uma "nova" visão sobre tudo que nos rodeia.O grande desejo é formar uma sociedade completamente livre e independente  sem interferência de uma crença em qualquer ser espiritual.
Como cristãos devemos nos questionar: Por que o cristianismo tem sido abandonado como visão de mundo determinante de valores? Como os cristãos devem agir para que sua visão de mundo continue a influenciar a sociedade cumprindo a missão de ser sal e luz?

1-    O enfraquecimento do cristianismo bíblico.

Segundo o escritor Albert Mohler ao menos três fatores influenciam hoje para o enfraquecimento do cristianismo: a infidelidade bíblica, a privatização da fé e a abertura doutrinária.

Ø  Infidelidade bíblica. É fato que muitos cristãos tentam manter firme sua confissão e sua fé bíblica, entretanto uma característica comum em nosso dias é a abdicação da fé bíblica, uma crescente imaturidade teológica e consequente falta de compromisso com a fé bíblica. Deus faz diversas advertências contra a infidelidade como pode ser visto em Dt 30.15-20;32.47. Foi a infidelidade que levou Israel para o exílio. Jr 9.10-16.
Ø  Privatização da fé. O processo de secularização pode ser descrito como uma sujeição da fé e das coisas de Deus ao nosso modo de vista, nossa forma pecaminosa de pensar. A privatização da fé passa a produzir um sistemas de crença baseado em nossas preferencias, um Deus segundo os nossos conceitos e valores individuais, diminuindo o papel da verdade objetiva para todos (Fp 3.18-19).
Ø  Abertura da doutrina moderna. A maioria das pessoas diz que devemos viver na idade da “tolerância”, mas quando se trata de assuntos do pensamento cristão bíblico rapidamente observa-se a total intolerância da maioria das pessoas. Rejeita-se a ideia cristã básica e suas verdade reveladas em sua palavra. 2tm 4.3-4 e jo 17.17. Devemos lutar como bons soldados para que se mantenha a pureza da fé bíblica evitando os desvios que resultariam fatalmente em libertinagem. (jd 3-4;17-21;2pe2.1;tt 1.10.11 2jo 7-11).

2-    A resposta bíblica.
É necessária a unidade dos cristãos de diversos segmentos em torno de verdade centrais e inegociáveis da bíblia

Ø  A importância da maturidade. Quando Paulo falou em unidade da igreja de Éfeso (Ef 4.1-6), demonstrou que essa unidade deveria crescer e amadurecer na fé e no conhecimento de Jesus Cristo. Uma igreja Cristã imatura teologicamente é uma pedra de tropeço. (Rm 2.23-24; Os 4:6; Rm 1:28).
Ø  A importância da verdade. A verdade do cristianismo não é um conjunto de moralidades construídas a partir de concepções humanas, mas segundo a verdade objetiva e proposicional revelada nas Escrituras Sagradas (2Pe 1:19-21). O padrão moral e espiritual emana da Bíblia e  esta é a palavra da verdade (jo 17.17).


CONCLUSÃO.
O cristianismo tem confrontado o ceticismo e o cinismo da sociedade atual, mas para manter seu potencial transformador deverá lutar contra seu próprio enfraquecimento. Para que isso ocorra tudo deve girar em torno da verdade revelada na Bíblia somente. E o fortalecimento da fé baseado em doutrinas básicas do cristianismo.



Fonte: Revista nossa fé. O desaparecimento de Deus. Editora cultura Cristã.

Igrejas Particulares e Independentes




A Reforma Protestante trouxe para o mundo valores inestimáveis, positivos no que diz respeito, entre outros setores, a religião.

A doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes abriu caminho para a oração espontânea (diferente das rezas), para o estudo da Bíblia e a investigação por parte de cada crente que passou a ter a Bíblia traduzida para a língua de sua própria nação.

A interpretação que antes era dada unicamente pela Igreja Católica, agora, partia de outras fontes e estudiosos da Bíblia; os reformadores jamais defenderam uma interpretação irresponsável da Bíblia que levasse à proliferação de tantas denominações como temos nos dias atuais; há alguns anos estimava-se no Brasil algo em torno de 600 (seiscentas) denominações; hoje, a cada ano surgem dezenas de novas denominações.

Os nomes destas novas denominações são esquisitos e até cômicos, ao mesmo tempo em que entristece e enfraquece a pregação do evangelho; passaremos a citar alguns destes nomes e os estados nos quais tais igrejas estão localizadas:  Igreja Pentecostal Florzinha de Jesus (PR), Ig. Pent. Alarido de Deus (GO), Ig. Pent. Esconderijo do Altíssimo (GO), Ig. de Deus que se Reúne nas Casas (MG), Ig. Evang. Pent. Creio Eu na Bíblia (MG), Ig. Pent. Jesus Nasceu em Belém (Belém – PA), Ig. Pent. do Fogo Azul (RJ), Ig. Pent. O Poder de Deus é Fogo (RJ), Ig. a Serpente de Moisés, a que Engoliu as Outras (RJ), Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (RJ), Congregação de Profetas Jesus Nosso Rei dos Judeus (SP), Ig. Atual dos Últimos Dias (SP) ; estes e outros nomes estão na reportagem da Revista VINDE (Dez./98).

Cumpre-nos analisar alguns aspectos importantes desses movimentos que geram tais igrejas, aspectos estes gerais e nem sempre presentes na sua totalidade e simultaneamente em todos os grupos :

1) O surgimento destas igrejas se dá num contexto de uma busca de uma vida espiritual mais intensa em contraste com uma vida espiritual fria e sem compromisso de muitos irmãos e igrejas que fizeram da igreja um clube de reuniões sociais, levando a pessoa a achar que a solução está em sair e começar a “sua” igreja ao “seu” modo, causando escândalo e divisão no Corpo de Cristo. Precisamos buscar uma vida mais consagrada (Rm.12:1,2; I Ts.1:2-9;5:23; Fp.1:6) sem que isto contribua para divisão no corpo de Cristo: a Igreja (Rm.16:17-20; Fp.4:2;2:1-4);

2) As igrejas independentes e particulares surgem também em decorrência de posições pessoais assumidas por líderes que nem sempre são humildes para reconhecerem seus erros e se arrependerem evitando prejuízos maiores para a Igreja de Jesus (At.16:36-41 – Paulo e Barnabé se separaram por causa de Marcos que antes os havia abandonado; depois Paulo reconheceu a utilidade de Marcos – Fm.23,24; II Tm. 4:11); surgem ainda num contexto de ganância e de interesses, seja de poder, prestígio ou dinheiro   (II Co.10:7-12; 11:1-15; Fp.1:12-18; II Co.2:14-17);

3) Precisamos considerar que há problemas não só quanto ao início de tais igrejas, como também quanto ao seu desenvolvimento, podendo ser destacadas como práticas erradas: a livre interpretação da Bíblia sem o devido estudo e atribuindo tudo à suposta “direção e inspiração do Espírito Santo” mesmo quando altamente contraditórias quanto ao que a Bíblia ensina (II Pe.3:14-18); a ação cada vez mais constante, porém errada, de tentar tirar crentes de outras igrejas, em vez de levar o evangelho aos descrentes livrando-os do mundo e do pecado (II Pe.2:1-3; Tt.1:10-16; Ef.4:14-16);

4) Não podemos deixar de considerar o fato de que o Espírito Santo age na igreja no sentido de purificá-la e cada vez mais reaproximá-la e fazê-la viver a verdade e a vontade de Deus reveladas na Sua Palavra: a Bíblia, e que tais igrejas, ainda que de forma errada, vez por outra se constituem em pedras que clamam (Lc.19:40), note que o contexto das palavras de Jesus sobre “as próprias pedras clamarão” foi de fariseus (líderes e estudiosos judaicos) que queriam o silêncio dos discípulos de Jesus (v.39); Jesus chega a chorar ao ver Jerusalém (v.41) e a promover uma reforma no Templo (vv.45-48). Deus pode permitir “pedras clamarem” e até mesmo uma jumenta falar (Nm.22:27-33) a fim de que nós nos voltemos para ele confessando o nosso pecado, com muita humildade e nunca com orgulho com respeito aos nossos valores e práticas (Is.1:10-20), entendendo e crendo que é possível SEMPRE SER UMA IGREJA MELHOR, até que esta igreja que é comparada na Bíblia à noiva (Jo.3:27-30; Ap.22:17; Ef.5:25-27) seja entregue ao noivo: o Senhor da igreja, o Senhor Jesus Cristo.


Queremos fazer algumas recomendações práticas e bíblicas:

1) cuidado para que você não esteja quebrando a unidade do Corpo de Cristo na igreja local através de movimentos contrários ao que se é ensinado;

2) cuide da sua vida espiritual orando, estudando a Palavra e consagrando sua vida ao serviço do Senhor na igreja;

3) ao se deparar com alguma doutrina que para você seja nova, antes de passar para outros na igreja, procure seus professores da Escola Dominical e principalmente o pastor da igreja a fim de que juntos possamos estudar a questão e termos um posicionamento bíblico evitando doutrinas erradas.



Revdo. Petrônio Tavares

Martinho Lutero era Charlie. Fazia cartoons que zombavam dos pequenos "deuses" e "deusas" da ICAR do século XVI

Martinho Lutero era Charlie. Fazia cartoons que zombavam dos pequenos "deuses" e "deusas" da ICAR do século XVI



























Se você só é favor da liberdade de expressão quando concorda com a opinião, então você não o é.

E com esta frase, coloco a minha colher na sopa -já morna- do Je suis Charlie,prometendo que esta será a única obviedade do artigo.

Quero é colocar mais lenha na fogueira.

Eu até entendo que muitos crentes tenham cedido a certos artigos aqui e acolá colocando MAS e mais MAS depois da solidariedade aos cartunistas assassinados franceses e da defesa das bases da nossa civilização ocidental, onde não há espaço para atos do calibre dos executados por estes extremistas do islã. Entendo porque foram levantados alguns bons argumentos. Tanto mais quando se divulgou o cartoon abaixo, um dos muitos esculachando a fé cristã já publicados pelo Charlie Hedbo.

O "deus" que precisa de defensores é o "deus" morto. 
Esta imagem nos choca, mas deixamos ao Deus vivo a Sua justiça. 
Compreendo a irritação de muçulmanos e católicos em relação a imagens e esculturas do sagrado. Os primeiros as odeiam pois seriam idolatria e os segundos se sensibilizam com a difamação destas, por questões até mais culturais do que teológicas, mas para nós, os protestantes "da gema", tudo isto é menor: Deus está vivo e é espirito.

Entendo, mas reluto, eu mesmo,  articular qualquer MAS na direção da ponderação da barbárie que é matar alguém simplesmente porque não se concorda com o que este diz ou pensa. Não quero considerar outros fatos.  Nem estou aqui propondo discutir os limites da liberdade de expressão e, sim, creio queexistem limites. Não creio que sejam os de natureza religiosa, mas os limites das máximas civilizatórias (a pedofilia, por exemplo) e qualquer limite visando proteger quem não pode se defender. E, creio mesmo, no respeito aos limites estabelecidos na convenção social, aquilo que a sociedade decidiu normatizar por meio de leis. E tudo o mais se discuta diante do tribunal ou na mesa de café!


As razões dos sem razão


A questões religiosas são pessoais e mesmo que a liberdade religiosa seja um direito fundamental do homem (e é - devemos lutar por esta garantia), o direito do hindu de achar que a vaca é sagrada, não pode me impedir de comer churrasco, fazer propaganda de churrasco, desenhar uma vaca sendo sodomizada e até dizer que churrasco é coisa de "deus".  

E, mesmo que eu compreenda a dinâmica do imigrante que veio à grande cidade ocidental em busca de um meio de vida que a sua própria sociedade não pôde lhe oferecer e, ali, tenha vivido uma vida de trabalho duro, carências sociais, para além do conflito com a sua cosmovisão, e, por isto mesmo, tenha se voltado mais e mais para a religião abrindo  o fosso da alienação... Bem assim, ainda prefiro ignorar outros pontos-de-vista e me concentrar na barbarie.

Não quero nem ouvir "o outro lado".  Não quero conhecer a lente com que vê o mundo aquele filho de imigrante crescido em um lar religioso por pais escandalizados com a visão de um país aonde os hábitos do povo parecem ofensa a "deus". Meninos ensinados a viver num gueto que os separa, não somente da cidade onde vivem, mas do resto do mundo ocidental, mundo de infiéis que odeiam a lei de Alá. 

Não quero correr o risco de me apiedar do garoto recluso que via as crianças ocidentais brincado na rua vestidos de super-heróis, ou sem camisa, enquanto ele tinha de ir para mesquita estudar uma cultura distante da sua realidade vestido como um sacerdote. Não quero olhar para as crianças buscando o orgulho dos pais na vida do mártir pela justiça de  "deus" e dos opressores do seu povo. 

Não quero saber da história do menino muçulmano que não podia namorar, ouvir música, ter um videogame, ver TV, mas se viu obrigado por seus pais a viver inserido numa sociedade onde tudo isto é possível, farto e acessível. 

Não quero entender este menino cujo sonho era poder viver em uma sociedade onde os seus valores e os valores do seu "deus" são os válidos. Não quero conhecer os  pais deste menino, gente que decidiu que a melhor forma de tentar a vida no estrangeiro não era se integrar, mas se separar em ilhas de religiosidade opressiva cercada de liberdade por todos os lados. 

Não quero saber da dura realidade de uma gente que nunca encontrou apoio nas elites em seus próprios países para ter uma vida digna, mas que, estranhamente, recebem um tipo de apoio "direcionado" quando se colocaram em terras estrangeiras. No exílio, não receberam estímulo dos governantes de sua terra para retornar à pátria. Contudo, sempre puderam contar com a "solidariedade" destas  mesmas elites quando o assunto era financiar a ida de missionários religiosos para irem ao encontro dos compatriotas no estrangeiro a fim de lhes dar conforto espiritual, fazer de seus filhos prosélitos de grupos extremistas e promover o islã em terras ocidentais. 


Crítica da razão prática?


Não. Não quero conhecer ou ponderar estas coisas. E ainda que abandonasse a minha cosmovisão cristã, deixando de lado a questão do pecado, trilhando somente o caminho da razão, ainda assim, argumentaria em função do absoluto da liberdade - aqui tomando emprestados os conceito de Kant.  A natureza atua segundo leis e o homem segundo a ideia de lei. As máximas impõe-se à razão como regras imperativas. Uma Lei moral tem, pelo contrário uma validade universal idêntica às leis que regem a natureza. Se a lei de Deus não o faz ver o imperativo da liberdade (e da vida), compreenda que se o homem não fosse livre, não haveria moral, mas apenas submissão, e neste sentido ele não poderia ser responsabilizado pelos seus atos. A liberdade é pressuposta pela própria moral.


Meus olhos estão turvados. Eu só vejo o sangue derramado, policiais heróis caídos, mártires, famílias destroçadas e mais nada. Nem mesmo os corpos trucidados dos terroristas aniquilados eu quero ver. Não quero me identificar com a dor de suas famílias exiladas. Não quero nada com a parentela destes assassinos.  Prefiro esconder-me  da tragédia humana e só ver o mal personificado. Sem história, sem razões. Só o mal e os seus ardis que construíram a mente destes terroristas... 

A liberdade de expressão que ofende


É óbvio que eu me ofendo com um cartoon como este acima. Uma representação da Santíssima Trindade de forma obscena! Me causa asco profundo. Mas não perderia meu tempo escrevendo um artigo de desagravo. A menos, é claro, que a tal imagem fosse divulgada em um veiculo de concessão pública, ou não sujeito a censura por idade. Não quero ver isto na TV aberta. Até porque, o tal cartoon é obsceno por si só, fosse ali Jesus ou Genézio. 

Mas se o cartoon está numa revista de ateus... Compra quem quer! Não me importo mesmo! Meu Deus não precisa de defensores. O "deus" que precisa de defensores é o "deus" morto. 

Fato é que o tal cartoon só está correndo o mundo à custa do sangue derramado dos seus autores e da arguta ação de um jornalista muçulmano incendiário que decidiu promove-lo no bojo desta comoção toda, a fim de dar o MAS que faltava a muita gente que tinha escrúpulos de assumir o seu "Não sou Charlie".

E que tenham todos o seu direito de ser (ou não ser) Charlie, pois é exercício dialético completamente dependente de liberdade! Não importando a temperatura dos cadáveres!


O Humor como arma é como a funda de David


Eu não faço e nem consumo este tipo de humor ofensivo, mas devo muito a ele. Aliás, devemos todos nós protestantes. O humor é um instrumento extraordinário de promoção de ideais. Com humor, se diz tudo, ofendendo a metade; ou se diz o possível, ofendendo o dobro. Durante os tempo de chumbo da ditadura brasileira, presenciamos as duas possibilidades abundantemente.

O humor é a espuma sobre as cristas das ondas de mudança e é muito mais eficaz do que a própria vaga. Assim como a espuma gera a névoa que esconde o tamanho da onda, o humor inebria e ofusca a resistência. Altera e força um novo ponto-de-vista. O iconoclasta, o mordaz, o irônico, o metafórico, o satírico, o impróprio, o inesperado, o provocador e até o inocente. Todos quebram as defesas da mente com risos e entregam a mensagem diretamente no  âmago da alma.

O jornal Charlie Hedbo tinha um propósito. Para alguns, era promover o ateísmo. Outros imaginavam que era combater o conservadorismo de origem religiosa. Segundo os próprios autores a proposta principal era defender a liberdade de expressão em uma França – berço da liberdade do ocidente – assolada por ondas de conservadorismo de ordem religiosa. Eles odiavam a hipocrisia dos religiosos e nem tanto a religião per se.


E... Logo a França!



E, logo a França, a dama revolucionária, que conquistou para o mundo, a custa da muita cabeça rolada nas guilhotinas a nossa tão fundamental construção civilizatória: liberdade, igualdade e a fraternidade.

E, logo a França, que outro dia mesmo produziu um ano -68- que ainda não terminou. A França que escreveu em seus muros que as ideias tinham de ser perigosas. A França que produziu o corolário de tudo o que veio depois em termos de cultura, contra-cultura, direitos civis, democracia, etc. Esta França gigante das artes! 

Uma França que se estranha e vive na carne as consequências da sua própria pregação de liberdade. Uma liberdade que um dia acolheu imigrantes em necessidade. No espírito da estátua da Liberdade que construiu e deu a sua nação irmã americana. Uma França  que hoje se vê às voltas com o atrito cultural entre a sua população nativa e os jovens franceses filhos de imigrantes estrangeiros vindos de culturas que são o contraponto de tudo o que a mãe França representa desde o século XVII. Uma França que vive às voltas com movimentos de extrema direita exigindo restrições à imigração e, de outro lado, imigrantes que não se integram culturalmente ao país; com mulheres exigindo usar burcas nas escolas públicas e homens, que na terra do melhor vinho do mundo,  só tomam chá. Uma França onde o burburinho dos cafés de Paris, berço das bases e da vanguarda das ciências sociais e patrona das artes, agora se perturba com as entoações à Alá vinda dos alto-falantes da mesquita da esquina. Uma França que já se incomoda muito com a proximidade de uma cultura, que a maioria já imagina ser uma fábrica de bárbaros sanguinários.


O humor é arma de revolução



O humor ajudou a derrubar ditaduras, mudar cabeças, propor ideias novas e fazer revoluções, inclusive religiosas e, a maior delas, foi a justamente a que nos é mais cara, a base da construção da cosmovisão protestante: A Reforma.

Abusando do direito de resumir a ópera. Lutero e os seus aliados usaram todos os principais meios de comunicação de sua época a fim de espalhar os ideais da reforma protestante e, apesar de contar com a força da recém criada prensa de Gutemberg, que permitiu a produção de livros em massa, não foram as bíblias impressas -ao custo do preço de uma vaca- o principal promotor dos ideais reformados, mas os folhetos impressos, a preços populares –custo de uma galinha- que, contendo a doutrina reformada em linguagem popular e na língua pátria, foram o rastilho de pólvora da revolução que mudou a Igreja para sempre. Baladas –musicas cheia de humor e apologética reformada – eram cantadas nas tavernas. Cartoons circulavam por entre a plebe, a nobreza e o clero. Dos risos contidos dos padres e das gargalhadas infames do povo surgiram discussões teológicas acaloradas que ajudaram a formar a mente protestante. Todo este material correu a Europa por meio das redes sociais da época promovendo a teologia reformada e atacando a Igreja de Roma e o seu papa mercador de simonias e indulgencias.
Neste cartoon COMPORTADO Lutero informa que os padres e monges católicos se originam dos excrementos de demônios. Temos outros cartoons do autor retratando o papa sendo currado, por exemplo.
Nesta guerra de humor, saíram da própria pena de Lutero cartoons e letras de canções que corariam os menos carolas dos crentes de hoje que, de supetão,  diriam ser Lutero nada além de um bêbado escarnecedor.

E não foi Jesus, outro que muito escandalizou os religiosos de seu tempo?

Não estou aqui a defender estes (erros, exageros, etc.) de Lutero, até porque, os erros e exageros são abundantes na história do cristianismo. Homens erram mais por conta de religião do que por amor e até dinheiro e nada disto ofusca a obra do Senhor Deus. Apenas trago aos leitores a inconveniência da história, sempre capaz de escandalizar as certezas dos mais ignorantes.

Malgrado o fato de que a base protestante foi toda formada por bons de copo, digamos assim, desde os puritanos, aos huguenotes, e, claro, os luteranos, este humor ácido não tinha na sua origem as bebedeiras descompromissadas. Não se tratava de escárnio sem propósito, mas de uma tática de guerrilha, muito bem pensada, e, quero crer, inspirada no Espirito Santo, que soprou os acontecimentos da Reforma, como e para onde Quis, não sendo, obviamente, responsável pelos excessos... (?)

No melhor estilo, do nosso Genizah de outrora, estes cartoons pegavam pesado as vezes, mas o seu objetivo não era a zombaria, mas provocar, por meio do escândalo, a maravilha de fazer cair as escamas dos olhos de muita gente que não enxergava a heresia, a luxuria e o ardil tomando conta da igreja do século XVI.


POR Danilo Fernandes 
Herege por maioria de votos.

POR QUE PRECISAMOS NASCER DE NOVO?

                   
                         
                Porque, de conformidade com as Escrituras Sagradas, depois da queda de Adão e de Eva, nossos representantes federais diante de Deus no Pacto das Obras, todos nós morremos espiritualmente e, ato contínuo, adquirimos uma natureza corrupta e inteiramente contrária à santidade do Senhor. A essa congênita corrupção de todas as dimensões constitutivas do ser humano: mente/afetos/vontade, a Teologia Reformada, com sobrante chancela bíblica, chama de Depravação Total. Isso não quer dizer que todos os homens são igualmente depravados, no sentido de que são completamente destituídos de qualquer dique moral, ou de que todos eles, de modo similar, cometem as mesmas torpezas, mas sim que todos estão, sem exceção e sem distinção, amplamente incapacitados para obedecerem a Deus e se conformarem ao elevado padrão estabelecido por sua santa lei. De acordo com o teólogo conservador J. Dwight Pentecost, a doutrina da Depravação Total não significa que todos os homens são os piores possíveis, mas sim que estão todos na pior situação possível diante de Deus. Porque, sem o novo nascimento, nós estamos plenamente inabilitados para contemplar o reino de Deus e, também, para ingressar nele com a nossa capacidade e supostos méritos. Porque, sem o novo nascimento, nós não passamos de pecadores perdidos e, de igual modo, inteiramente expostos ao justo juízo de Deus. Porque, sem o novo nascimento, o que nos espera na eternidade é o completo banimento da presença daquele que nos criou à sua imagem e semelhança, para o louvor da sua majestosa glória.
                O novo nascimento é um milagre poderoso operado pelo Espírito Santo, por meio da pregação fiel e eficaz do evangelho da graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Quando alguém realmente experimenta a graça do novo nascimento, torna-se, como preconizou o apostolo Paulo em sua Segunda Epístola aos Coríntios, “uma nova criatura. As coisas velhas passam. Tudo se faz novo”. O amor de Deus brota no coração. Há fome e sede da Palavra do Senhor. Há crescimento em santificação. Há um refinamento do caráter manifestado pelo florescimento visível do fruto do Espírito Santo. Há um anelo pela proclamação urgente da Palavra de Deus. Há um inquebrantável compromisso com Jesus Cristo, recebido não somente como Salvador, mas, sobretudo, como Senhor. Como bem pontua o renomado teólogo e pregador D. Martyn Lloyd-Jones, no novo nascimento, Deus produz em nossa alma uma nova disposição de vida, repassada por valores completamente transformados e santos. Novo nascimento não é uma reforma moral, mas uma vivificação radical da natureza humana. Não é um aperfeiçoamento do velho homem, mas a criação de um ser inteiramente novo. É uma verdadeira ressurreição espiritual.
                Em suma: já nascemos verdadeiramente de novo? Você já nasceu de novo, caro leitor desta mensagem? Já existem evidências claras dessa obra sobrenatural em sua vida? Sim? Não? Pense seriamente sobre isso, pois essa é uma questão de vida e morte, que tem implicações para toda a eternidade. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                               JOSÉ MÁRIO DA SILVA

                                                               PRESBÍTERO