AS FIRMES RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS (FINAL)

Na meditação dominical da semana passada, discorremos sobre as famosas e Firmes Resoluções espirituais que o notável teólogo e filósofo norte-americano Jonathan Edwards estabeleceu com a indesviável finalidade de em todas as coisas, promover a glória de Deus, no pleno reconhecimento de que esse é o alvo supremo e a indisputável teleologia de todo o universo, com a imensa variedade das coisas que foram criadas. Hoje, vamos examinar, de modo mais detido, algumas dessas Firmes Resoluções que, pela graça de Deus, emergiram do piedoso e regenerado coração do eminente servo de Deus. “Resolvi nunca perder um momento, mas aproveitar o tempo da forma mais vantajosa que puder”. O tempo é uma preciosa escola que Deus nos concede a fim de que aprendamos nela, com a indispensável iluminação procedente do Espírito Santo em conúbio com as Escrituras Sagradas que o Santo Espírito inspirou, como devemos agir, de modo a que a glória do Senhor seja amplamente realçada em todas as coisas que sentirmos, pensarmos e fizermos. A palavra de Deus, em várias das suas suficientes porções, aborda o temário do tempo, sempre advertindo-nos para que dele nos utilizemos de maneira sábia, nunca insensatamente. Na belíssima oração que fez no poético salmo 90, o homem de Deus Moisés assim se pronunciou: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmo 90.12). Aqui, aprendemos que a vida, diferentemente do que apregoam os arautos do existencialismo clássico, não é uma mera sucessão de acontecimentos aleatórios e destituídos de propósito e transcendência, mas sim um magnífico dom de Deus, para ser vivido em Cristo Jesus, no poder do Espírito Santo, com a regência suprema de uma pedagogia eterna, que tem nas Escrituras Sagradas o seu inamovível fundamento. Mas, como somos absolutamente insuficientes para essas coisas, precisamos, humildemente, rogar ao Senhor: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”. Tal sabedoria levar-nos-á a temer ao Senhor e a tomar como prioridade em nossas vidas, a realização daquilo que sabemos ser perfeitamente harmonizado com a sua “boa, agradável e perfeita vontade”. Somente desse modo podemos, verdadeiramente, certificar-nos de que estamos, como preconizava Jonathan Edwards, aproveitando o tempo da forma mais vantajosa possível. Dentro das vinte e quatro horas que Deus nos concede, dia após dia, quanto tempo investimos na oração, na leitura das Sagradas Escrituras, na proclamação às pessoas, com as quais convivemos, da gloriosa e salvadora mensagem do evangelho, no fazer o bem aos mais necessitados? Essas, dentre tantas outras, são algumas balizas por meio das quais podemos aferir de que maneira estamos administrando o precioso, e fugaz, tempo, que Deus, graciosamente, nos concede, não para que o dissipemos, egoisticamente, mas sim, convém reiterar, para o glorificarmos, envolvendo-nos, irreservadamente, nas demandas do seu bendito reino. “Resolvi meditar bastante, em todas as ocasiões, sobre minha própria morte e sobre circunstâncias comuns relacionadas à morte”. Eis aqui uma Resolução Firme, séria, e, sinceramente, bem ausente das nossas cogitações cotidianas. Na realidade prática do nosso dia-a-dia, forçoso é admitir, mesmo entre o povo de Deus, que não cessa de proclamar as excelências do céu e do estar par sempre com Deus, a morte nunca é apreciada com a solenidade exigida. Pode-se argumentar que a razão primacial para que as coisas se passem dessa maneira decorre do fato de ser a morte uma intrusa, uma indesejada, que somente adentrou na esfera das experiências humanas, por causa do pecado dos nossos primeiros pais, mormente de Adão, cabeça da velha raça, com quem Deus estabeleceu o Pacto das Obras. Por esse viés, a morte é algo que sempre queremos suprimir, a ela não conferindo a mínima atenção. Por atraente e razoável que pareça tal modalidade de manifestação do pensamento, presumo que, muitas vezes, nossa tola presunção de autossuficiência é que nos leva a ignorar que não passamos de uma “neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tiago 4.14b). A fingir que não somos mais do que um pó movente, que se move, unicamente, por causa da misericórdia de Deus, copiosamente, derramada em nossas vidas. O meditar na morte e nas circunstâncias a ela subjacentes, postulado por Jonathan Edwards em uma das suas Firmes Resoluções, nada tem a ver com um estado emocional mórbido, próprio de quem despreza, irrazoavelmente, as legítimas e múltiplas alegrias que a vida, mercê de Deus, nos proporciona. Antes, radica na consciência imperiosa que devemos ter de que não somos seres essenciais, mas contingentes; não somos um fim em nós mesmos, mas um meio para exaltarmos a Deus e glorificarmos o seu bendito nome. Enfim, refletir, à luz das Escrituras Sagradas, sobre a desconfortável realidade da morte, é tomarmos como certo o fato de que a qualquer momento podemos estar face a face com aquele que nos criou para o seu louvor e glória. “Resolvi sempre fazer o possível para promover, manter e estabelecer a paz, desde que isso não seja feito em detrimento de outras áreas da vida cristã”. O cristão é classificado pelo Senhor Jesus Cristo como um pacificador. Nesse sentido, devemos, sim, ser instrumentos de Deus para a promoção da paz, no âmbito da família, do trabalho, da igreja, onde quer que o Senhor nos coloque como agentes do seu reino. Na igreja, por exemplo, a paz reina quando triunfa a unidade. Unidade que tem na verdade do evangelho o seu parâmetro inafastável. Unidade, pela qual o Senhor Jesus Cristo orou na majestosa Oração Sacerdotal. Unidade, essência do perfeito e trinitariano relacionamento que as pessoas da santíssima Trindade vivenciam desde toda a eternidade. Que o Senhor nos livre de sermos achados na triste condição daqueles que “semeiam contendas entre irmãos” (Provérbios 6.19b), procedimento abominado pelo Senhor Deus dos Exércitos. Que, no alvorecer de um novo ano, haja, em nossos corações, como houve no do santo profeta Daniel, a Firme Resolução de não nos contaminarmos com os (anti)valores deste mundo, com as iguarias que nos são oferecidas nos fartos e mortais banquetes da iniquidade. Que conhecer a Deus mais e mais, pela mediação de Jesus, no poder do Espírito Santo e pela instrução das Sagradas Escrituras, seja a mais Firme Resolução das nossas vidas. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

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