Pertencer a Cristo Unico Consolo do Crente

Pertencer a Jesus Cristo é o Sólido e Único Consolo do cristão

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a Doutrina Bíblica ensinada no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 1

Texto: Dia do Senhor 1
Leitura: Ef 2.1-22

Amada congregação do Senhor e visitantes,

O Dr. Zacarias Ursinus (um dos autores do Catecismo de Heidelberg) faz a seguinte pergunta na introdução do Comentário do Catecismo: “Qual o propósito do Catecismo, e da Doutrina da Igreja? E a resposta é: “O propósito da doutrina do Catecismo é nosso consolo e salvação!”
Essa palavra de Zacarias Ursinus é vistas claramente no Catecismo de Heidelberg. O Catecismo de Heidelberg do ínicio ao fim ecoa a doutrina da Salvação que Deus na Escritura revela. A doutrina que diz: que o homem está morto em seus delitos e pecados, que as obras humanas são imperfeitas em si mesmas e jamais podem satisfazer as perfeitas exigências da Lei de Deus, que a salvação é uma obra exclusiva de Deus e que, somente pela graça de Deus, o homem pode crer em Jesus Cristo, ser salvo por Jesus Cristo e viver uma vida de gratidão a Deus em Cristo.
Deste modo o Catecismo de Heidelberg aponta SOMENTE para Cristo e leva a igreja a buscar seu Único Consolo na salvação que Cristo conquistou para ela. Este é o Evangelho da Salvação que a Escritura apresenta e que é ecoado no ensino do Catecismo de Heidelberg.
E as Igrejas de Cristo apelidadas de Reformadas sabem bem o valor do ensino da doutrina da salvação de modo sistemático e organizado. Por isso, estas igrejas desde a época da Grande Reforma até hoje usam o texto do Catecismo para expor a doutrina da Palavra de Deus aos seus membros.
É através da exposição da doutrina da salvação aos seus membros que a Igreja é mantida viva, consolada e convicta na PROMESSA DE SALVAÇÃO SOMENTE EM CRISTO.
E o Dia do Senhor 1 é a introdução do Catecismo de Heidelberg, para apresentar ao cristão a doutrina da salvação ensinada na Escritura e que nos Consola na vida e na morte.
É para nos consolar que o Senhor Deus nos chama a ouvir o Evangelho da Salvação sob o seguinte tema:

Pertencer a Jesus Cristo é o Sólido e Único Consolo do cristão:

E neste tema aprenderemos dois pontos:

1. Por que nem a morte pode fazê-lo morrer
2. Por que nos mantém firmes durante os ataques de Satanás

1. Pertencer a Jesus Cristo é o Sólido e Único Consolo do cristão: Por que nem a morte pode fazê-lo morrer.

Por causa do pecado de Adão a morte entrou no mundo como sálario do pecado. E todos os homens em Adão estão mortos em seus delitos e pecados e por natureza são filhos da Ira de Deus (Ef 2.1-3).
E o Senhor Jesus Cristo veio para nos salvar desse estado de morte e de maldição. Ele morreu e ressuscitou para garantir ao Seu povo um consolo que nem a morte pode matar.
Esta verdade aprendemos do próprio Jesus. Marta tinha uma visão curta sobre o evangelho e não compreendia que Jesus era Aquele que tem o consolo que nem a morte pode tirar. Marta estava triste com a morte de seu irmão Lázaro, mas o Fiel Salvador Jesus Cristo consola Marta dizendo (veja Jo 11.25,26): “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”
Jesus Cristo consola Marta mostrando que nem a morte física tem o poder de arrancar os discípulos das mãos do Seu Fiel Salvador. Nem a morte física tem o poder de matar o consolo dos crentes de pertencerem a Jesus Cristo.
O Espírito Santo mostra esta verdade nas palavras do Apóstolo Paulo para os cristãos perseguidos em Roma (Rm 8.33,34,35,38,39): “[33] Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. [34] Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. [35] Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? [38]“Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem cousas do presente e do porvir, nem os poderes, [39] nem altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!
O Apóstolo falou estas palavras para consolar à igreja de Roma num período de muita perseguição. Os cristãos estavam sendo levados diante das autoridades, perdendo bens, parentes e até a vida por causa do Evangelho. E o que Paulo usa para consolar a igreja? Paulo apresenta que Cristo Jesus morreu e ressuscitou em favor da igreja e que nada nesta terra ou no céu, agora e no porvir “poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!
Pertencer ao Fiel Salvador Jesus Cristo é a garantia de que nem a morte física pode nos separados do amor de Deus e abalar nosso único consolo.
E o motivo dessa solidez do único consolo do cristão é ensinado pelo Apóstolo quando diz (veja Ef 2.5): “e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos”.
Sabe o que isto significa? O Espírito Santo mostra que eu e você fomos vivificados quando Cristo na Sua ressurreição venceu a morte! Significa que para a morte acabar com seu consolo é necessário que a ressurreição de Jesus Cristo seja desfeita. E isto é impossível!
A morte e ressurreição de Cristo são fatos históricos consumados e que não se repetem mais, então, se você foi vivicado na ressurreição de Cristo seu consolo não morre com a morte, pois Cristo já venceu a morte e está vivo para sempre e assim você tem a garantia do amor e da salvação eterna dados por Deus!
Então, diante da promessa do Evangelho como você e eu podemos deixar de ter uma vida sem consolo se temos Cristo Jesus como Senhor? Como podemos viver sem consolo nesta vida se nada poderá nos separar do amor de Deus em Cristo?
Meu irmão, cada crente em Cristo, corpo e alma, na vida e na morte, pertence ao Fiel Salvador Jesus Cristo, por isso, “nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14.7,8).”
Por isso, pertencer ao Fiel Salvador Jesus Cristo é o Sólido e Único consolo do Cristão. Você pertence Àquele que É A VIDA. Então, como o seu consolo pode ser morto pela morte?
Na vida existem coisas muito boas como família, honra, bens e prazeres. Mas estas coisas não podem ser consideradas pelo homem como seu sólido e único consolo. Sabe por quê? Porque todas estas coisas se acabam já nesta vida e certamente tem seu fim na hora da morte física. A morte física mostra a fragilidade dessas coisas boas.
Quando a malvada da morte bate na porta de sua casa então sua família, a honra, os seus bens e prazeres são todos abalados. Pode ser o homem mais honrado desta terra, ou mais rico do mundo ou até o homem que se entregou a todos os seus prazeres, mas se este homem não pertence a Cristo sua vida é vazia de consolo real e os seus minutos finais encherão o seu coração de insegurança, desespero e terror.
Isto mostra que família, honra, bens e prazer não podem ser considerados como sólidos e os únicos consolos do homem, pois não podem tranquilizar o seu coração nesta vida nem têm condições de nos dar segurança, consolo e paz na hora da morte.
E sabe por que essa insegurança, desespero e terror no coração do homem sem Cristo? Não é somente por que a morte é o fim de tudo para o homem natural, mas principalmente porque todo homem sabe (pela criação ou pelo Evangelho) que Deus está irado com o pecado e que Deus pedirá conta de todos os pecados que o homem cometeu (Rm 1.18-20; 2.15,16)!
Este é o principal motivo do desespero e terror dos homens diante da morte: o homem sabe que vai receber a punição de um Deus Irado! Por isso, a morte causa terror até aos mais corajoso guerreiro.
Mas, o cristão pela graça de Deus em Cristo tem a promessa de pertecer ao Senhor Jesus Cristo (Jo 10.14,15,27,28) e de ter o amor de Deus garantido na morte e ressurreição de Cristo Jesus (Ef 2.4,5).
Jesus Cristo derramou o Seu precioso sangue na cruz, para comprar você, corpo e alma, do domínio do pecado e do diabo. Jesus Cristo morreu para pagar o preço a Deus pelos pecados que você cometeu, para você ser reconciliado com Deus no sangue de Cristo e assim livrar você da perdição eterna.
Jesus Cristo morreu por você, para que a morte não afastasse você dEle. Por isso, se console com as Palavras do Senhor Jesus e viva feliz neste sólido e único consolo nesta vida e na morte.

2. O Sólido e Único Consolo do cristão é pertencer a Jesus Cristo: Por que nos mantém firmes durante os ataques de Satanás

A Queda de Adão levou todos os seus descendentes a serem feitos escravos de Satanás. O Apóstolo Paulo nos mostra isto em Ef. 2.1,2.
O Senhor Jesus Cristo veio para destruir as obras do diabo e isto incluiu a libertação do Seu povo do domínio de Satanás. Jesus Cristo, o Fiel Salvador, na cruz derrotou Satanás e libertou o Seu povo do império das trevas.
Mas esta libertação não significa ausência de luta, pois apesar da guerra ter sido vencida na cruz há muitas batalhas a serem terminadas. Satanás continua a atacar o Reino de Cristo com suas tentações.
Meu irmão em Cristo saiba que o único cristão que não sofre tentações é um cristão que já morreu. Satanás é o principal inimigo de Cristo e da Igreja. E por isso enquanto você estiver nesta terra Satanás investirá contra você, assaltando você e usando todas as armas das trevas. Satanás fará isto para tirar sua confiança em Cristo, sua alegria de servir a Cristo e de viver para Deus. Satanás assim luta contra a obra de Deus.
E saiba que Satanás atacará muito sua mente com tentações. Por exemplo:
O diabo apresentará todos os pecados que você cometeu, para tirar sua alegria e consolo em Cristo e assim entristecer e desestimular você na batalha. Você defenderá a sua mente tomando como escudo o seu sólido e único consolo.
Defenda-se, reconhecendo que você é um pecador, mas dizendo ao diabo que Cristo já sabia disto quando quis comprar você com Seu precioso sangue. Jesus Cristo viu que você estava morte em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Jesus viu que você seguia a Satanás e os desejos da sua carne (Ef 2.2). Mas, Jesus Cristo mesmo assim morreu para comprar você para Deus, pagando o preço dos pecados da Sua igreja, dando a Seu povo a Justiça e Santidade perfeitas, aproximando você de Deus por meio do Seu sangue e livrando a consciência dos Seus discípulos da culpa do pecado.
E Jesus Cristo fez isto não por que você merecia ou era bom em si mesmo, mas Jesus Cristo fez isto pela bondade de Deus, por sua graça, mediante a fé verdadadeira que é um dom de Deus (Ef 2.4-9).
O Evangelho diz a você que está em Cristo (Ef 2.13): “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”.
O Sangue de Cristo pagou o preço para libertar Seu povo do domínio do diabo e do pecado. Assim, você como membro de Cristo foi de uma vez por todas aproximado de Deus, ou seja, você como membro de Cristo tem uma relação pactual com Deus.
Deus, pelo sangue de Cristo, é seu Pai e você faz parte da família de Deus (Ef. 2.19). Você pertence a Cristo não por que você é sem pecado, mas por que o Fiel Salvador Jesus Cristo comprou você do pecado e do diabo.
Mas, Satanás não se dá por vencido. Satanás tem um dardo agudo que ele tenta cravar nos olhos do cristão, levando o Cristão a não ver o amor de Deus Pai. Esse dardo é muito usado quando estamos no meio das provações.
Satanás tenta levar os crentes a olharem para as dificuldades da vida, às lutas, os problemas normais a esta vida quebrada pelo pecado e a pensar: Será que Deus é meu Pai mesmo, será que Ele me ama mesmo? Será que ele não esta irado comigo?
Defenda-se se lembrando da promessa do Evangelho que diz a você (veja Ef 2.14-16). O Fiel Salvador, o Senhor Jesus Cristo, é a nossa Paz com Deus. Cristo na cruz nos reconciliou com Deus e nos nos fez filhos de Deus. Em Cristo Deus é nosso Pai (Ef 2.18).
Então, como você que pertence a Cristo pode pensar que Deus não é seu Pai e que ainda está irado contra você? Jesus Cristo veio e evangelizou essa Paz no Seu sangue (a judeus e a gentios) e dá a você está boa nova: Em Cristo “temos acesso ao Pai em um Espírito”. Em Cristo Deus é seu Pai.
Não deixe Satanás assaltar e atacar você com suas tentações, pondo em dúvida o amor de Deus para com você. Jesus Cristo todo domingo ensina que você pertence a Ele. Qual primeira expressão que você ouve no culto? Resposta: Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo.
Será que você que é membro de Cristo não entendeu ainda esse Evangelho que você é DO Senhor Jesus Cristo?
Então, como você pode pensar durante a semana que Deus não ama você e que está irado contra você? Será que os problemas da vida são tão grandes que podem tirar sua visão do grande amor de Deus em Cristo para com você?
O Espírito Santo diz no Evangelho (Rm 8.28): “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.
Meu amado irmão em Cristo, O Fiel Salvador Jesus garante no Evangelho: todas as coisas (boas ou ruins) que acontecem em sua vida sempre trabalham juntas para sua salvação! Por isso, pelo poder de Deus, os problemas da vida contribuem para sua salvação.
Essa Palavra mostra que a vida eterna é algo certo. Todos os acontecimentos no universo cooperam para que você alcance a vida eterna. Quem garante isto é Jesus Cristo pelo poder do Seu Espírito.
Defenda-se contra Satanás: Pertenço, corpo e alma, na vida e na morte, por isso, meu Fiel Salvador ira transformar em bem para mim todo mal e me assim me garante a vida eterna.

Conclusão:

Agora você pode perguntar: Como tenho esta certeza que pertenço a Cristo? Pelo Espirito Santo e pela palavra.
O Espírito Santo é a garantia da promessa feita na Palavra (Ef 1.13,14). O Espírito testifica em nossos corações que somos filhos de Deus e as promessas na Escritura nos levam a confiar que pertencemos a Cristo Jesus. Jesus Cristo pela pregação do Evangelho e pelo poder do Espírito Santo opera a fé verdadeira no coração daqueles que pertencem a Ele.
E o Apóstolo Paulo na Carta aos Efésios mostra claramente essa relação entre o Espírito e a Palavra na igreja. Pela obra de Cristo a Igreja tem acesso ao Pai em um Espírito (Ef. 2.17-19). Jesus Cristo está edificando sua igreja sobre a doutrina dos profetas e apóstolos como santuário de Deus no Espírito (Ef 2.20-22).
Nestes textos vemos que o Espírito Santo e a Palavra estão juntos na obra de Jesus Cristo edificar, consolar e salvar a Sua Igreja. Por isso, você só pode ter a conficção (certeza) e o sólido e único consolo alimentados e vivos: SE VOCÊ ESTIVER DEBAIXO DA PREGAÇÃO DA DOUTRINA DA PALAVRA!
Onde não há a pregação da doutrina da Palavra de Deus não há operação do Espírito Santo para edificar e consolar a Igreja. Por isso, o diabo tenta afastar a Igreja da exposição da doutrina da Salvação SOMENTE EM CRISTO! Pois o diabo sabe que retirando você debaixo dessa pregação você se tornará um alvo fácil para ele encher seu coração de dúvidas e pecados contra Deus.
Sendo assim, quando você estiver triste e sentir o desejo de faltar os cultos saiba que esse desejo não vem do Espírito Santo, mas é uma tentação de Satanás para abalar o sólido e único consolo que você tem em Cristo.
O Espírito Santo quer sempre manter você sempre consolado em Cristo e firme diante de Satanás, por isso, Ele chama você a ouvir a pregação da doutrina, que mostra a você como são grandes seus pecados e miséria, como você é liberto de todos os seus pecados e miséria e como você deve ser grato a Deus por tal libertação.
Deus chama você neste culto a viver a doutrina da salvação e a andar nas obras que Ele de antemão preparou para que você ande nelas (Ef 2.10). Faça isto e você terá a certeza de pertencer a Cristo. Viva a doutrina da salvação confiando em Cristo, de todo o seu coração, sabendo que o Espírito Santo de Deus está em você e vai lhe fortificar até a sua chegada no céu.
Fique certo, meu irmão em Cristo, que por esses meios você viverá e partirá dessa vida no sólido e único consolo do Cristão que é PERTENCER AO FIEL SALVADOR JESUS CRISTO. Amém.

Fonte:bandeiradagraca.org

Calvino e suas Ovelhas

João Calvino: Sua Visão Pastoral
por
Rev. Gildásio Reis


“Calvino é pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas, sofridas e angustiadas por males de toda sorte” –– Wilson Castro Ferreira

Muitos membros em nossas igrejas e principalmente nós pastores, estamos mais acostumados a pensar na figura do “Grande Reformador” como um Teólogo, do que como um pastor de almas (embora estas duas coisas não sejam excludentes ). É indiscutível a capacidade de João Calvino como estudioso, teólogo, escritor e expositor sério da Escritura; mas há um lado de Calvino muitas vezes esquecido, o qual precisamos resgatar – seu lado pastor. E penso que olhar para a figura de Calvino nessa perspectiva pastoral, pode em muito nos ajudar hoje em nossa caminha­da como pastores.
Gostaria, portanto, mesmo que de maneira condensada, olhar para Calvino nesta perspectiva, e refletir como ele desenvolveu seu pastorado nas seguintes áreas: Na pregação, na visitação e no aconselhamento. Ninguém tem dúvida, de que estas três áreas são vitais no ministério pastoral.

1)  Calvino como pregador.
A pregação das Escrituras na sua totalidade, constituía o alicerce do seu trabalho pastoral. Diz ele que “A Escritura é a fonte de toda a sabedoria, e os pastores terão de extrair dela tudo o que eles expõem diante do rebanho”. [1] Sua convicção é de que pela exposição da Palavra de Deus as pessoas são conduzidas à liberdade e à segurança da fé salvadora, e a verdadeira pregação, tem o objetivo de abrir a porta do reino ao ouvinte. [2] Pela pregação, a plenitude da graça de Deus alcança o coração das almas carentes.
Em suas pregações, comentários e cartas pessoais dirigidas a amigos [3], Calvino ad­verte os fiéis com respeito aos perigos da vida cristã, sobretudo em contato com a oposição de um mundo hostil aos valores do reino de Deus. Como pastor, Calvino também critica severamente seus oponentes teológicos e freqüentemente afirmava que “o verdadeiro pastor tem duas vozes: uma para chamar as ovelhas e outra para espantar os lobos devoradores”. [4]
É óbvio que, se entendemos que a pregação da Palavra é a comunicação da graça de Deus ao coração de nossos ouvintes, nós pastores precisamos ser mais zelosos na preparação e na entrega de nossos sermões. Isto porque, não pregamos para mostrar nosso conhecimento bíblico ou capacidades de oratória, mas para que vidas sejam edificadas e transformadas. Por isto, o Pastor Calvino exorta-nos sobre o grande privilégio e responsabilidade na exposição da Palavra, considerando que “a infidelidade ou negligência de um pastor é fatal à igreja”. [5]
Seguir o exemplo de Calvino na pregação, é pregar com o propósito de produzir pessoas que reflitam a medida de maturidade de que falou o escritor de Hebreus: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5.14).
Infelizmente, a pregação em nossos dias, parece ter esquecido estas verdades. Algumas pregações hodiernas contêm mais entretenimento do que ensino. Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino doutrinário (pregação expositiva) como algo indesejável e sem utilidade prática, preferindo um sermão repleto de histórias engraçadas, revelando muito pouco do coração de Deus. Não é o tipo de pregação que as Escrituras exigem de nós.
Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar “o que convém à sã doutrina” (Tt 2.1). É preciso resgatar a visão do pastorado de Calvino quanto a pregação, e este é o nosso grande desafio, numa época de superficialidades e entretenimento.

2) Calvino como visitador.
Expondo a idéia de Calvino quanto à visitação, Wallace diz que se o pastor tiver uma real preocupação pastoral para com aqueles para quem ele está pregando, irá procurar não falhar em visitá-los em seus lares. [6] É explícita esta idéia em Calvino, quando ao comentar Atos 20:20, diz que Paulo estabeleceu um modelo para o ministério da Palavra quando falava sobre como ele não cessava de admoestar tanto “publicamente” quanto de “casa em casa”. [7] “O que quer que os outros pensem, não consideramos nosso cargo como algo dentro de limites tão estreitos como se, quando o sermão estiver terminado, pudéssemos descansar como se nossa tarefa tivesse terminada. Aqueles cujo sangue será requerido de nós se os perdermos por causa de nossa preguiça, devem ser cuidados muito mais de perto e de modo mais vigilante”. [8]
Infelizmente essa prática vem aos poucos sendo esquecida, e mesmo aquelas igrejas que ainda valorizam a visitação, nem sempre a faz de maneira eficaz e com o propósito bíblico. Isto porque a visita para muitos, limita-se a uma conversa informal sobre muitos assuntos, acompanhada de uma xícara de café e bolinhos. [9] Contudo, há vários termos na Bíblia que mostram que a visitação pastoral é para encorajar os desanimados (I Tes 5:11,14;), fortalecer os fracos (Gl 6:1), repreender os desatentos (2 Tm 3:16,17), o instruir na sã doutrina (2 Tm 4.2), etc...
Calvino tinha uma visão clara da finalidade da visita por parte dos pastores e presbíteros. Para ele, a pregação pública deve ser suplementada com visitas pastorais: “Não é suficiente que, do púlpito, um pastor ensine todas as pessoas conjuntamente, pois ele não acrescenta instrução particular de acordo com a necessidade e com as circunstâncias específicas de cada caso”. [10]
É fato que o grande reformador, desenvolveu seu pastorado dispensando grande cuidado à visitação dos enfermos [11], e Ronald Wallace nos lembra que Calvino prescreveu em suas Ordenanças Eclesiásticas, que ninguém deveria permanecer três dias inteiros confinado à sua cama sem cuidar para que o ministro seja notificado e...quando qualquer pessoa desejar que o ministro vá à sua casa, deve cuidar de chamá-lo numa hora conveniente para a visita. [12]
Talvez alguém possa pensar que Calvino tinha tempo de sobra e só por isso ele conseguia fazer as visitas. Não é bem assim. Observe como Halsema fala sobre a agenda diária do Reformador:
Calvino trabalhava de uma maneira que teria esgotado qualquer homem com saúde. Estava em pé e ocupado às cinco da manhã. Se doente, ele estava na cama e ocupado, com livros espalhados sobre a colcha. Aos domingos ele pregava duas ou três vezes em Saint Pierre. Em semanas alternadas, pregava sermões na segunda, quarta e sexta-feira. Semanalmente, fazia conferências públicas na terça, quinta e sábado. Nas quintas-feiras ele também presidia a reunião do conselho da igreja, na qual todos os ministros e presbíteros se reuniam para estudar as Escrituras. Calvino assumia sua parcela de responsabilidades nas visitas aos doentes e prisioneiros. Visitava as famílias da sua paróquia com regularidade, como tivera estabelecido nas Ordens. Esses eram os deveres normais. [13]
Não tenho dúvidas de que o domingo é um dia essencial para a realização do serviço pastoral, mas Calvino adverte: “não consideramos nosso cargo como algo dentro de limites tão estreitos como se, quando o sermão estiver terminado, pudéssemos descansar como se nossa tarefa tivesse terminada” [14]. Lamentavelmente, existem pastores que pensam e agem desta maneira.
Ricardo Agreste citando Eugene Peterson, deixa muito clara a idéia de que o pastor não deve limitar seu pastorado apenas aos domingos. Diz ele:
Assim, como muitos outros pastores, deparo-me com a realidade de que, apesar do Domingo ser um dia essencial no serviço pastoral, muito deste ministério precisa ser feito em meio ao caos de Segunda a Sábado ....Nossas igrejas estão necessitando de pastores que conduzam suas ovelhas através de suas limitações e crises, com amor e paciência na direção da maturidade em Cristo Jesus. Nossas comunidades precisam de guias que, através da oração e da Palavra, ajudem as pessoas a caminharem através de suas crises e a viverem em meio ao caos. [15]
Mesmo sendo um pastor muito ocupado, Calvino encontrava tempo para a visitação. Mesmo porque, visitar as ovelhas não era uma questão de ter ou não tempo, mas uma questão de visão pastoral. Visitar fazia parte da sua filosofia ministerial. Mormente, precisamos compreender que, o ministério de visitação não teve sua importância apenas nos dias de Calvino. Visitar ainda é relevante para o ministério contemporâneo, pois pela visitação, o pastor adquire direta e imediatamente conhecimento dos problemas básicos e profundos de suas ovelhas, podendo orientá-las nas Escrituras; e é pela visitação que o pastor tem como aplicar de maneira mais pessoal e direta a Palavra de Deus; bem como, pela visitação, o pastor conhece os outros membros da família que porventura não são membros da igreja, tendo assim a oportunidade de falar-lhes de Cristo.

3)  Calvino como Conselheiro.
Calvino também no exercício de seu pastorado, sempre procurou encorajar pessoas sobrecarregadas, que não conseguiam encontrar consolo mediante sua própria aproximação de Deus, a procurarem seu pastor para aconselhamento particular e pessoal. Nas palavras de Ferreira, “Calvino é pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas, sofridas e angustiadas por males de toda sorte”. [16]
Conforme registro de um dos seus colegas pastores em Genebra, “(...) os que lhe procuram são recebidos com simpatia, gentileza e sensibilidade. Ele os atende e prontamente lhes responde as perguntas, mesmo as mais sérias delas. Sua sabedoria é demonstrada nas entrevistas particulares tanto quanto nas conversas públicas onde ele conforta os entristecidos e encoraja os abatidos...[17]
Como já dito, Calvino acreditava que o ensino, além de ser público nos cultos, deveria ser acompanhado por orientação pessoal e aplicado às circunstâncias específicas da vida de suas ovelhas. Atendia noivos que estavam se preparando para o casamento, pais que traziam seus problemas relacionados aos seus filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com enfermidades, ouvia confissões de pecados, e a todos ele os recebia e levava o conforto e o encorajamento necessários. [18]
Penso eu, que a razão pela qual Calvino entendia que o aconselhamento era indispensável para o trabalho pastoral, é que Deus estabeleceu a igreja como seu principal instrumento para cuidar de nossas dores e sofrimentos pessoais. Portanto, na qualidade de conselheiro, o pastor não pode deixar para a psicologia secular o cuidado de suas ovelhas, ao contrário, deve assumir esta responsabilidade e restaurar pessoas perturbadas, e orientando-as biblicamente conduzi-las à vidas plenas e produtivas para a glória de Deus.
Concluindo, penso que podemos ter Calvino como um exemplo de pastor, pois o mesmo atende à orientação que Pedro dirige ao escrever a nós pastores nos dias atuais: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos de rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” (I Pe 5.1-4).
Sigamos o exemplo de Calvino. Sejamos pastores, pastores de almas.

(Texto primeiramente publicado na Revista PROPOSTA da UPH – Quarto Trimestre de 2004 )

NOTAS:
[1] - João Calvino, As Pastorais, Comentário em I Tm 4:13, p. 123
[2] - VALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma . São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2004 p. 145
[3] - Calvino tinha muitos amigos, ebtre eles Viret e Fare, e as cartas escritas a estes dois homens superam em número aquelas dirigidas a qualquer outra pessoa. A Viret escreveu ele mais de 60 cartas e a Farel mais de 90. Através destas cartas é possível conhecer muito o coração pastoral de Calvino. Cf. Ferreira, p. 155
[4] - Wallace, Op Cit., p. 144
[5] - João Calvino, As Pastorais,( comentário em I Tm 4:16 ), p. 126
[6] - VALLACE, Op Cit., p. 147
[7] - Calvin , John. Calvin´s Commentaries – The Acts Of The Apostles . Vol. II. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishins Company. 1973 p. 175
[8] - Wallace, Op Cit., p. 147
[9] - SITTEMA, John. Coração de Pastor – Resgatando a Responsabilidade Pastoral do Presbítero . São Paulo , SP: Ed. Cultura Cristã. 2004 p. 198
[10] - Calvin , John. Calvin´s Commentaries – The Epistles Of Paul – The Apostle To The Romans And To The Thessalonians. Grand R apids , Michigan : Eerdmans Publishins Company. p. 345 ( Ao camentar I Tessalonissenses 2:11, Calvino insiste em que o pastor precisa ser um “pai” para cada pessoa.
[11] - LESSA, Vicente Tenudo. Calvino -1509-1564 – Sua Vida e a Sua Obra. São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana. P. 119
[12] - Wallace. Op Cit., p. 148
[13] - HALSEMA, Thea B. Van. João Calvino Era Assim. São Paulo, SP: ED. Vida Evangélica. 1968. p. 139
[14] - Wallace, Op Cit., p 147
[16] - F erreira , Wilson Castro. Calvino: Vida, Influência e Teologia. Campinas, SP: LPC. 1985. p. 153.
[17] - Palavras de Nicolas des Gallars registradas por Richardr Staufer em The Humanness of John Calvin (New York: Abingdon Press, 1971) e citadas por Baumann.
[18] - Calvino , João. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, 3: 6 - São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana. 1989. 

Rev. Gildásio Reis, Pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco, Psicanalista Clínico, Mestre em Teologia pelo centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Educação Cristã) e Professor de Teologia Pastoral no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição.
Agradecemos ao autor pelo envio do texto para publicação no Monergismo.com!

Mark Driscoll 18 obstaculos ao evangelismo eficaz

Mark Driscoll esteve em Sidney, Austrália, e em uma palestra ele apontou 18 pontos que considera serem obstáculos ao evangelismo na diocese de Sidney. Segue um resumo preparado por Natasha Percy. Apesar de todo o foco dele ser voltado para as peculiaridades da igreja australiana, muita coisa pode ser usada para nossa reflexão aqui no Brasil. Não concordo com diversas afirmações dele, mas outras considero que são tremendamente importantes. Deixo para o leitor tirar suas próprias conclusões. (Nota do Tradutor)
md001g.jpg (8K) - Mark Driscoll
O Sr. Driscoll apresentou estes pontos afirmando que se não estamos vendo fruto no nosso ministério, em vez de fazer mais, deveríamos nos perguntar o que estamos fazendo de errado. Ele também afirmou que a “poda” deve preceder a “colheita”. Esta poda poderia envolver tais coisas como pessoas e programas.
"Você precisa cortar aquilo que está drenando energia para longe do evangelismo", disse ele.
Mark Driscoll afirmou que estes 18 pontos deveriam ser recebidos como vindo de um "amigo", enquanto pediu a todos os presentes que avaliassem se, em seus ministérios, estavam fazendo "tudo" que podiam para assegurar que as pessoas estivessem conhecendo a Jesus. (1 Cor 9:22)
1. Os sujeitos entendidos em Bíblia não são os sujeitos missionais o que conduz à irrelevância orgulhosa. (Pastores estão) menos atentos ao contexto do ministério deles e mais atentos ao conteúdo da Bíblia. Não basta somente serem fiéis, vocês precisam ser frutíferos.
2. A cultura de vocês sofre de uma falta de empreendedorismo, devido à influência do Socialismo e da Grã-Bretanha. O socialismo traz o conceito de que se deve cuidar de todo mundo, com os recursos sendo dados para os pastores mais fracos nas igrejas mais fracas ao invés de executar a poda. Isto significa você está sendo negligente em enviar nutrientes a novos brotos e galhos em nome da igualdade socialista. Os britânicos não são pessoas empreendedoras. Eles jogam pelas regras e operam dentro de estruturas pré-existentes. Isto fez com que a cultura australiana não fosse muito empreendedorista e coisas novas não são largamente adotadas.
3. Nas denominações há uma falta de recompensa baseada no mérito. Nos Estados Unidos há muito mais empreendedores. Eu não estou dizendo que a sua cultura é ruim e a minha cultura é boa. O que eu estou dizendo é que a sua cultura é ruim e a minha cultura é ruim de um modo diferente. As pessoas são recompensadas por antiguidade, mas não por fruto. Homens não podem ser rebaixados ou colocados para fora do ministério por nada menos do que roubar dinheiro ou cair em pecado sexual. Só porque você está no ministério há muito tempo não significa que deveria ter o emprego garantido. Todos vocês sabem que algumas igrejas estão sendo conduzidas por homens que não são os melhores homens para o trabalho.
"Homens estão vivendo com suas mães até os 25 anos, casando aos 32, retardando a tomada de responsabilidade tanto quanto possível."
4. Os homens cristãos australianos são imaturos. Há uma falta de empreendedorismo e um sistema que desencoraja a ambição dos homens jovens. Homens estão vivendo com suas mães até os 25 anos, casando aos 32, retardando a tomada de responsabilidade tanto quanto possível. O fato é que não há uma denominação aqui na qual eu esteja qualificado para ser pastor. Eu plantei uma igreja com 25 anos. Eu poderia fazer isso com vocês? A resposta é “não”. E se houver um jovem que quer ser responsável por plantar uma igreja. Há um sistema preparado para isso? Quanto mais se retarda a responsabilidade, mais se atrasa a masculinidade. Estar indefinidamente em um estilo de vida Peter Pan é pecado. Jesus Cristo tinha expiado os pecados do mundo inteiro com a idade em que a maioria dos homens se torna pastor auxiliar. Há bons homens piedosos na faixa dos 30 anos liderando grandes igrejas do outro lado do mundo e vocês os trazem aqui para que possam pregar para vocês porque vocês não os têm no seu sistema.
5. Plantação de igreja não é difundida, nem bem-vinda. As habilidades requeridas de um plantador de igrejas são muito distintas. Não há nenhuma oportunidade largamente difundida para jovens inovadores nessa área. Homens jovens que querem plantar uma igreja são deixados com um terrível dilema: inovar e destruir a igreja ou viver dentro dos parâmetros do sistema e negar o chamado de Deus nas suas vidas. Nada menos que 300 homens vieram até mim e disseram: “eu quero plantar uma igreja e não posso. O que é eu que faço?” Eles precisam ser avaliados e treinados e somente aqueles que estão prontos deveriam ser enviados, mas eles precisam ser enviados.
6. Vocês sofrem de síndrome da papoula alta*. Através da pregação, as pessoas têm que perceber que isso é um pecado. Ter uma igreja de 1000 pessoas como um limite não é saudável. Vocês não querem se erguer porque as pessoas pensarão que vocês são orgulhosos. O fato de vocês estarem pensando em si mesmos dessa forma indica que vocês já são orgulhosos. Isso é pecado. Nós deveríamos celebrar se Deus permitisse que uma igreja crescesse. Meus presbíteros dão 10 por cento de nosso dinheiro para a plantação de igrejas. Ter uma igreja grande não é ruim. Tudo depende do que aquela igreja acredita e do que ela faz.
7. Seu ensino carece de três coisas: apologética, missão e aplicação. 1) Antecipe-se às objeções de seus ouvintes e responda-as. Isto também encorajará as pessoas a trazerem os seus amigos. 2) Pergunte à igreja qual é a nossa missão e como devemos vivenciá-la? Isso serve de aplicação para a igreja inteira. 3) Ofereça aplicação pessoal para indivíduos. Não é suficiente dar doutrina. A aplicação precisa conectar a vida e a doutrina.
8. Muitos de vocês têm medo do Espírito santo. Vocês não sabem o que fazer com Ele, e aí a Trindade passa a ser o Pai, o Filho e a Bíblia Santa. Vocês são tão reacionários ao pentecostalismo que acabam não tendo uma teologia robusta do Espírito Santo. O Espírito Santo chama as pessoas para o ministério. Ele também confere poder às pessoas no ministério. Vocês não têm que ser carismáticos mas vocês deveriam ser um pouquinho carismáticos; o suficiente para poder pelo menos adorar a Deus com algo a mais do que com toda a sua mente. Aqui [na Austrália] a palavra “carismático” significa prosperidade, excesso, bizarro. Em Londres, significa que você não é um liberal. Não fique preso a toda essa terminologia. Você ama o Espírito santo? Jesus diz que o Espírito Santo é um “Ele” e não um “isso”. O ministério não pode ser exercido sem o Espírito santo. Acredito que isso está conduzindo, em parte, à falta de empreendedorismo e inovação, porque se já não foi feito ou escrito vocês suspeitam daquilo.
"Vocês são tão reacionários ao pentecostalismo que acabam não tendo uma teologia robusta do Espírito Santo."
9. Muitos de você são anglicanos. O sistema paroquial funciona para alguns, mas não todos. Menos da metade das pessoas que vivem nesta cidade possuem sua própria casa e constituem suas redes sociais on-line. Pessoas têm três lugares: onde elas trabalham, onde elas se divertem e onde elas vivem (o lugar onde elas se divertem é o lugar de que elas realmente gostam e onde viveriam, se pudessem). Então qual é o lugar delas? O modelo de paróquia diz que nós fixamos os limites. Mas isso torna o evangelismo nesta sociedade muito difícil. Pessoas já não se organizam por geografia, mas por afinidade. Pessoas estão se mudando o tempo todo. O sistema paroquial também faz com que a plantação de igreja seja muito difícil. E o supervisor pode impedi-la.
10. Denominações são construídas sobre um velho paradigma que homens jovens não compreendem. Este é um paradigma de controle: nós controlamos seus benefícios, sua renda, sua estabilidade... Nós controlamos você. Homens jovens operam sob influência. Alguns jovens são desrespeitosos diante da autoridade e precisam ser repreendidos. Nem todos os jovens são desrespeitosos, mas eles operam por influência - isso ocorre através de relacionamentos e de mentoria. "A influência deve ficar próxima e o controle deve ser mantido a certa distância." Eles precisam receber encorajamento e responsabilidade. Homens jovens progressivamente evitarão um sistema que é construído para controlá-los e cada vez mais trabalharão de forma a contornar o sistema para conquistar sua liberdade.
11. Há uma tendência em chamar o treinado em lugar de treinar os chamados. As pessoas precisam ser testadas e provadas pelos líderes da igreja, mas o ministério precisa começar com um chamado. Deveria haver um senso inato de desejo, em lugar de ir para a faculdade, sendo então treinado, sendo então chamado ao ministério. Faculdades que têm sistemas alternativos, como por exemplo, opções de meio período, serão mais efetivas em treinar os chamados. Quatro anos na faculdade, sem experiência prática suficiente, podem conduzir a idealismo e farisaísmo nos quais jovens que nunca fizeram algo ficam criticando homens mais velhos que fizeram alguma coisa. Isso dá, então, aos jovens, a falsa impressão que eles estão fazendo algo. O Pastor Driscoll informou que a igreja Mars Hill (Colina de Marte) tinha crescido a 8000 membros quando ele concluiu o seu mestrado em Teologia. "Às vezes você não sabe o que você não sabe até que esteja fazendo ministério. E aí você é mais educável do que nunca."
12. Igrejas precisam de profetas, sacerdotes e reis, de acordo com 1 Pedro 5 onde Jesus é o pastor chefe e os líderes são subpastores abaixo dEle. Profetas pregam e ensinam, sacerdotes cuidam das pessoas (por exemplo, visitação em hospitais) e reis preocupam-se com sistemas, políticas, procedimentos, bens imóveis e coisas semelhantes. A maioria das igrejas em Sydney está cheia de sacerdotes e há um déficit de profetas e reis. Há um limite em quantas pessoas um pastor pode cuidar. Pastores não podem fazer todos os três. Reis são desencorajados por sistemas que já estão estabelecidos.
"Quando um sujeito de número 2 está em uma posição reservada aos número 1, a igreja sobrevive, mas não multiplica."
13. Há uma carência de missiologistas. Um missiologista avalia a cultura e usa discernimento para achar os ídolos, "de forma que missionários podem ser empregados e as igrejas podem ser missionais." "Teólogos defendem a verdade do evangelho e os missiologistas então a levam às ruas." Quando você enche a equipe com teólogos e não missiologistas muitas pessoas permanecem sem conhecer Jesus.
14. Há uma tendência de tentar formar ministros antes de fazê-los maridos e pais. Muitos homens atrasam o casamento e a paternidade para que possam entrar na faculdade e no ministério. Eles precisam aprender a serem bons maridos e pais e pastorear um pequeno rebanho. Se eles não forem bons maridos e pais, não vão ser bons ministros. "Na verdade... ser um marido e pai prepara mais para o ministério do que qualquer faculdade." Vocês deveriam realmente pressionar os homens jovens a assumirem responsabilidade cedo, serem bons maridos e pais e então encorajá-los para o ministério. Caso contrário as prioridades deles acabam sendo Deus, ministério, esposa, crianças, em vez de Deus, esposa, crianças, ministério. Se você retarda o casamento por causa do ministério, você está organizando um paradigma que é perigoso.
15. Há o fazer evangelismo, mas não missões. Evangelismo não compete só ao cristão individual, evangelismo é algo que compete à igreja cristã. Estamos usando todos os recursos à nossa disposição? Não pergunte: “Como seria um ministro do Evangelho fiel?”. Pergunte: “Como seria um missionário do Evangelho fiel? '.
16. Há muitos sujeitos número 2 ocupando posições de número 1. Sujeitos número 1 são pregadores, mestres, líderes, inovadores. Um sujeito número 2 não é ruim, mas ele não é a pessoa certa para o trabalho. Esse é um assunto que faz parte da questão de ter um sistema baseado em antiguidade em lugar de meritocracia. Sujeitos número 2 precisam ter a humildade de recuar como João Batista fez com Jesus - o que é fácil dizer, mas difícil de fazer. Quando um sujeito de número 2 está em uma posição reservada aos número 1, a igreja sobrevive, mas não multiplica.
17. Não há um grande senso de urgência. "Eu acredito que Deus tem um senso de urgência por plantar igrejas, e enviar homens jovens", mas esta urgência não é evidente. Vocês não estão vendo muitas conversões e em todos os lugares que eu vou pessoas vêm a mim queixar-se de que não têm permissão para plantar igrejas. A urgência se apresenta com novos cultos e novas igrejas. A falta de urgência se apresenta pela falta de inovação. Nem todo mundo é um inovador ou empreendedor - mas há espaço no sistema para aqueles que são? Pode-se permitir inovação sem livrar-se do que é bom.
18. Movimentos tornaram-se instituições e museus. Um movimento é onde Deus faz o que Ele sempre faz, mas em uma profundidade maior do que estamos acostumados a ver. Por exemplo, os puritanos, os metodistas e o movimento carismático.
"Pessoas Jovens estão frequentemente no centro de um movimento."
Variáveis definíveis de um movimento são:
1) Pessoas Jovens estão frequentemente no centro de um movimento - em todos os lugares, menos em Sydney. Eu sou um sujeito mais velho no lugar de onde eu venho - mas aqui, eu sou jovem. Pessoas jovens estão freqüentemente no centro de movimentos. A maioria dos metodistas eram homens na faixa dos vinte anos. Billy Graham tinha 19 anos quando começou a pregar.
2) "Eu penso que uma das razões da igreja de vocês ser tão pequena estatisticamente é que os seus jovens não conseguem liderar até que se tornem velhos". E eles ficam sem fôlego bem antes de chegar lá. E aí vocês dizem: “Mas os jovens são irresponsáveis”. Claro que eles são! Homens jovens dizem e fazem coisas tolas, mas é bom livrar-se das derrotas no caminho bem cedo.
3) Movimentos não são marcados só por nascimento, mas também por novo nascimento. Igrejas novas têm que ser plantadas e vocês precisam de líderes novos para que possam ter igrejas novas.
4) Muitos movimentos são completamente desatentos à sua própria influência. "Eu fiquei chocado com o número de australianos que fazem download de meus sermões."
5) Movimentos possuem organizações de suporte, como faculdades teológicas e editoras.
6) Normalmente, movimentos novos surgem quando há novas tecnologias. Por exemplo, a reforma protestante aconteceu no tempo da imprensa, Billy Graham usou os avanços na em amplificação e no rádio no tempo em que estava pregando. Hoje, nós temos a internet. Sistemas antigos eram baseados em controle, mas hoje, não há nenhum controle. "Você pode sentar em seu Macbook e até mesmo se nenhum líder aprovar, você pode se comunicar com o mundo. Isso muda tudo. "As pessoas gastam mais tempo olhando para uma tela do que para um ser humano. Os sermões de Mark Driscoll são baixados mais de 10 milhões de vezes ao ano. "Isso é insano. Nós nunca poderíamos ter uma reunião com 10 milhões de pessoas. Nós chamaríamos a isso de ‘país’."
7) Os líderes do movimento encarnam os valores e então contam a história do movimento de forma que este tenha integridade no futuro. Eles são atacados e difamados e normalmente não são bem quistos até depois da sua morte.
8) Movimentos tornam-se organizações e depois instituições. Inovadores não entram ou saem de instituições. Instituições são marcadas por um medo do fracasso e por uma preservação de vitórias anteriores. "Por fim, os líderes jovens percebem que é muito complicado fazer qualquer coisa e eles acabam saindo."
"Sua adoração e estrutura de culto é dolorosa, lenta e frustrante. Vocês precisam ter humildade para aprender de outras pessoas em outras denominações e discernimento para saber o que não implementar."
9) Se uma instituição não voltar a ser uma organização ou um movimento, ela torna-se um museu. "Um museu existe para contar histórias de quando Deus costumava operar." Um museu não existe para chamar futuros líderes. Então vocês precisam perguntar: “Nós somos um movimento, uma organização, uma instituição ou um museu?” Os melhores e mais brilhantes jovens empreendedores querem se associar a vocês ou eles estão pouco dispostos a caminhar com vocês por não quererem ser controlados?”
Cinco modos pelos quais vocês saíram dos trilhos:
1. Doutrinariamente, vocês têm muito ou muito pouco controle. Vocês definem o mundo de forma tão estreita teologicamente que não dão muito espaço para a flexibilidade.
2. Relacionamentos. As pessoas amam umas às outras e não querem se afastar dos relacionamentos que elas têm com outros na liderança. Assim o amor nos relacionamentos significa que todos os assentos (de oportunidade) são tomados.
3. Em termos organizacionais, vocês têm muito ou muito pouco controle. Se muito, o ministério fica muito complicado; se muito pouco, pessoas que não têm boa doutrina ou bom caráter podem se infiltrar.
4. Orgulho ou “síndrome do não foi inventado aqui”. Não adaptar algo, a menos que tenha sido criado por alguém em sua equipe. Sua adoração e estrutura de culto é dolorosa, lenta e frustrante. Vocês precisam ter humildade para aprender de outras pessoas em outras denominações e discernimento para saber o que não implementar.
5. Falha em honrar os fundadores e o futuro. Questões de sucessão são difíceis e significativas. A chave é honrar seus fundadores e seu futuro. Você precisa fazer algumas coisas diferentemente e você precisa ser inovador naquilo que faz.

fonte: bom caminho

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