Ateismo cristao?




“Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! Insensato!” (Tg 2.19-20a)

Nessa passagem bíblica, o autor Tiago está expondo sobre o tema fé e obras e nos diz que a fé viva é operante, a fé verdadeira é manisfesta sem falta de obras. No versículo destacado ele diz que a questão que está em jogo não é se cremos e acreditamos em Deus ou não, porque isso até os demônios fazem, a questão aqui é se a nossa fé tem determinado a maneira com que vivemos. Se tenho fé, caminho de maneira com que meus passos e obras confirmam minha crença.

Se não estou conforme a orientação de Tiago, sou o famoso “ateísta cristão” –  creio em Deus mas vivo como se Ele não existisse!

Essa passagem me fez refletir bastante sobre o momento de cristianismo que estamos vivendo no Brasil. Muitos têm dito que creem em Deus, se autodenominado evangélicos ou crentes, “professam” a fé na teoria; o número de evangélicos têm crescido de maneira rápida no país, mas assim também tem crescido o número do “ateísmo cristão”. Algumas frases podem definir um ateísta cristão:

– Creio em Deus, mas vivo totalmente independente Dele
– Acredito em Deus, mas eu que sou o dono da minha vida
– Digo que sou cristão, mas não sigo nada do que Ele diz
– Sou crente, mas Ele não faz parte da minha vida
– Sou evangélico, mas vivo como um ateu
– Tenho fé, mas vivo igual um demônio
– Ele existe, mas não sei nada sobre Ele

Essa definição/conceito de ateísmo cristão é famoso, todos conhecem (no público) , mas o perigo é que (no pessoal) ele é dissimulado , escondido, encoberto e disfarçado por nós mesmos.

O fim do ateísmo cristão é a morte e condenação, como diz o próprio Tiago.

Minha oração é para que vivamos uma fé viva e verdadeira, experimentando e provando esse Deus vivo em nossas vidas. Que Deus nos livre da porcentagem de “evangélicos nominais”.


Soli Deo Gloria

fonte: http://naomordamaca.com/2015/05/13/o-ateismo-cristao/#.VrE-niMrLIU 

Batismo Infantil uma perspectiva biblica

O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã. Os que foram batizados na infância serão obrigados a reafirmar o voto de batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da igreja.
O batismo não é principalmente um sinal de arrependimento e fé da parte dos batizados. É um sinal da aliança e da obra de Salvação de Cristo realizada na Cruz. Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente.
Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt 3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes. João Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41).
Jesus disse que as criancinhas, mesmo as que ainda estão na fase de amamentação, são capazes de oferecer um perfeito louvor a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21:16).

Base Bíblica

Antigo Testamento

Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento. Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com indivíduos. Quando Noé foi salvo do dilúvio, toda sua família é recebida com ele na arca (cf. 1Pe 3.20-21).
Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé (Rm 4.11), é ordenado a aplicá-lo a todos os membros do sexo masculino da sua família como um sinal da salvação que possuem por pertencerem ao povo de Deus: “Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós” (Gn. 17:11).
Em Cl 2.11-12, Paulo faz uma associação entre o batismo e a circuncisão, chamando o batismo cristão de a circuncisão de Cristo.
No Mar Vermelho, todo o Israel, incluindo crianças, passa pelas águas no grande ato de redenção que prefigura não somente o sinal do batismo como também a obra de Deus que está por trás dele. É isto mesmo que Paulo está dizendo em 1 Co 10.1-2: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”.
Moisés aspergiu sangue sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb 9.19). Deus convocou adultos e crianças para entrarem em aliança com Ele (Dt 29.10-12). Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (Salmos 103:17).

Novo Testamento

Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos: família da Lídia (16.15), do Carcereiro (16.32, 33), de Crispo (18.8) e Estéfanas (1 Co 1.16).
Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então: Jesus se torna um bebê concebido pelo Espírito Santo. João Batista, também, fica cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe, de modo que poderia ser um candidato ao batismo (Lc 1.39-45; cf. At 10.47 “Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”).
Cristo acolhe e abençoa os pequeninos (Mt 19.13-14) e fica zangado quando seus discípulos os repreendem (Mc 10.14). Ele diz que as coisas de Deus são reveladas aos pequeninos mais do que aos sábios e entendidos (Lc 10.21). Ele retoma a declaração do Sl 8.2 no tocante ao louvor da boca de crianças de peito (Mt 21.16). Adverte contra o perigo de alguém ser um tropeço para os pequeninos que crêem nEle (Mt 18.6), e no mesmo contexto nos diz que, como cristãos, não temos de nos tornar adultos, mas, sim crianças. Jesus descreveu a condição espiritual especial destes pequeninos, dizendo: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18:10).
Na primeira pregação da Igreja, Pedro diz que a promessa do Espírito é para os filhos também e não apenas para os adultos: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos…” (At 2.38,39). Nas epístolas existem palavras dirigidas especialmente às crianças (Efésios, Colossenses e 1 João).
Em 1 Co 7.14, Paulo diz que os filhos de um casal, onde pelo menos um dos pais é crente, são “santos”, o que certamente significa que pertencem ao povo da aliança, tendo, portanto, também o direito ao sinal desta aliança. Uma pergunta que se faz necessária aqui é: Os filhos dos crentes devem ser considerados cristãos ou pagãos?
As crianças eram incluídas na antiga aliança, eram circuncidadas e participavam da Páscoa, que eram os sinais daquela aliança, por que razão as crianças deveriam ser impedidas de participar dos sinais da nova aliança? A Nova Aliança não é superior a antiga? Porventura a nova aliança não inclui igualmente, e, por que não dizer, até principalmente os pequeninos?
Quando é que se dá ou deveria se dar a conversão de alguém nascido em lar cristão? Precisaria ele experimentar uma crise de conversão? Não deveriam, os filhos de cristãos, serem abençoados e dedicados a Deus como cristãos, ensinados como cristãos, considerados como cristãos desde o seu nascimento?
Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente abençoados por causa da fé do pais. A ressurreição da filha de Jairo (Mateus 9:18-19, 23-26), O pai de um epiléptico pediu que Jesus curasse o seu filho (Mt 17:14-18), a ressurreição do filho da viúva de Naim, episódio em que Jesus teve compaixão da mulher, e favoreceu o filho por causa da mãe (Lc 7:11-17), a cura do filho de um oficial da cidade de Cafarnaum (João 4:46-54).

Base histórica

O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva

O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva, atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180), Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 157). O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos.
Irineu, que foi discípulo de Policarpo, um discípulo do apóstolo João, foi batizado quando criança. Ele afirmou: “A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças” e, em 180 d.C., Irineu afirma também que “Jesus veio para salvar a todos que são renascidos através dele em Deus: recém nascidos, crianças, adolescentes, jovens e adultos” (Adv. Haer., livro II, 22.4; 39). O termo “renascidos”, para os pais da Igreja, é termo técnico para o “batismo”.
Na Constituição Eclesiástica de Roma, formulada por Hipólito em 215, encontramos a frase: “Primeiro devemos batizar os pequenos. Todos que podem falar por si mesmos. Para aqueles que ainda não sabem falar, falem seus pais ou alguém que pertença à família” (Const. Ecl. XVI, 4).
Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C., cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos. Orígenes, em seu comentário à carta de Romanos, afirma: “A igreja recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém nascidos” (Epist. ad. Rom. Livro V, 9 Hom. in Lev., VIII. 4). Sabemos também que o próprio Orígenes foi batizado quando criança.
Ireneu de Lião (sec III) considera óbvia a presença de “crianças e pequeninos” , entre os batizados em geral (Contra as Heresias II,24,4;).
Hermas, contemporâneo do apóstolo Paulo (Rm 16.14), fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: “Ora, esse selo é a água do batismo”.
Clemente, que também viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava os pais: “Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção do Senhor”.
O “Didaqué” (manual da Igreja Antiga, também conhecido como doutrina dos doze apóstolos) prescreve o batismo de crianças.
Tertuliano (De Bapt., 18).
Cipriano, em 258, escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças” (carta a Fido). No século III , um sínodo do Norte da África determinou que era permitido batizar as crianças “já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento” (Epístola 64 de São Cipriano).
O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil após o oitavo dia de vida era comum.
Agostinho dizia: “Desde a Antigüidade a Igreja tem observado o batismo infantil” e ainda, “O costume de nossa igreja mãe de batizar crianças não deve ser desconhecido nem tido como desnecessário; nem se deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue pelos apóstolos” dizia ainda: Não foi instituído por concílios mas sempre esteve em uso”. Estas afirmações foram feitas e o batismo de criança estava sendo praticado antes do desvio do catolicismo, pois os relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua “pureza”.

As crianças continuaram sendo Batizadas na Reforma Protestante

Lutero condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).
Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus. Outro motivo que permitiu a difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.
Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de história da prática do batismo infantil. Lutero, no entanto, condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).
Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo, confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde. Aliás, nem é possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança: “Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57). Este, porém, ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV, 57).
Para Calvino, “Se as crianças cristãs não puderem ser batizadas, elas ficarão em desvantagem em relação às crianças judias, as quais eram pública e externamente seladas e introduzidas na comunidade da aliança através da circuncisão (Institutas da Religião Cristã, IV.xvi.6). Portanto, Calvino argumenta que as crianças deveriam ser batizadas, não lhes sendo negados os benefícios daí decorrentes.
E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número 74, que diz: “As crianças devem ser baptizadas?” A resposta é a seguinte: “Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja (Gén.17:7). Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47), como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em cujo lugar no Novo Testamento foi o Batismo instituído (Col.2:11-13).”
Zwínglio afirmou: “Visto que as crianças cristãs pertencem tão obviamente a Deus, como podemos negar-lhes o sinal dessa posse?”
João Wesley, em “Um Tratado Sobre o Batismo Infantil”, afirma: “A circuncisão era, então, o selo da aliança; o que é,em si mesma, portanto, figurativamente denominada de a aliança. (Atos 7:8). Por isto, as crianças daqueles que professaram a verdadeira religião foram, então, admitidas nela, e obrigadas às condições dela; e, quando a lei foi acrescentada, à observância dela também. E quando o antigo selo da circuncisão foi tirado, este do batismo foi acrescentado em seu lugar; nosso Senhor indicou uma instituição inegável para suceder outra. Um novo selo foi colocado para a aliança deAbraão; os selos diferiam, mas o contrato era o mesmo; apenas aquela parte foi cortada, a que era política ou cerimonial. Que aquele batismo veio em lugar da circuncisão, aparece da clara razão da coisa, como do argumento do Apóstolo, onde, depois da circuncisão, ele menciona o batismo, como aquele em queDeus ‘perdoou nossas transgressões'; ao qual ele acrescenta o ‘apagar dos manuscritos das ordenanças’, plenamente referindo-se à circuncisão e outros ritos judaicos; que tão fielmente implica que o batismo veio no lugar da circuncisão,como nosso Salvador denominar o outro sacramento de páscoa dos judeus, (Colossenses 2:11-13; Lucas 22:15) mostra que ele foi instituído no lugar dele.”
Wesley conclui assim o seu Tratado sobre o Batismo Infantil: “No conjunto, portanto, não é apenas lícito e inocente,mas adequado, correto, e nosso dever sagrado, em conformidade com a prática ininterrupta de toda a Igreja de Cristo, desde as primeiras eras, consagrar nossas crianças a Deus, através do batismo, como a Igreja judaica foi ordenada fazer, através da circuncisão.”
( http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/um-tratado-sobre-batismo-infantil.pdf )

A Responsabilidade dos pais

Os pais têm uma grande responsabilidade sobre a fé e a educação religiosa dos seus filhos (Dt 6.6-7). Temos na Bíblia a promessa de que os filhos bem educados no caminho do Senhor não irão se desviar dele (Pv 22.6). Sendo assim, os pais devem guiar seus filhos, através da instrução e do exemplo, no caminho da vida eterna.
A promessa do Espírito e da salvação não se restringe aos adultos, mas se estende aos filhos (At 2.38). Um pai ouve de Paulo que seu ato de fé em Deus abriria a porta da salvação a toda a sua casa (At 16.31). Quando Zaqueu se converteu, Jesus declarou: “hoje veio salvação para esta casa” (Lc 19.9). A Bíblia ensina também que a “oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5) e, como já mencionado, sabemos que uma mulher crente santifica sua família a ponto dos seus filhos serem contados entre os “santos” (1 Co 7.14).

Respondendo às objeções mais comuns

1. Não existe mandamento para batizar crianças

E nem era necessário, pois as crianças que eram filhas dos crentes sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais incluí-las na igreja do Novo Testamento.

2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé

Textos que mencionam arrependimento e fé como condição para o batismo foram dirigidos a primeira geração de convertidos. Pois, o mesmo argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mesmo aqueles que condenam o batismo infantil não são capazes de concluir que estariam condenadas ao inferno as criancinhas que não tem idade para se arrepender e exercer fé. Portanto, concluímos que tais textos se dirigem àqueles que têm idade para responder com arrependimento e fé e não formam uma legislação aplicável aos infantes. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não coma’’. E as crianças?! Devemos deixá-las com fome, porque não podem trabalhar?!
As crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para exercer fé em Deus (Gn 17).

3. Jesus só foi batizado quando tinha 30 anos de idade

Através de seu batismo, o Senhor Jesus confirmou a pregação de João que preparava o caminho para a chegada dele próprio, o Cristo! Há uma clara distinção entre o batismo de João e o de Cristo que não é com apenas água, mas também com o Espírito Santo e com fogo! Os que haviam sido batizados com o batismo de João, precisaram ser batizados no batismo de Cristo para serem reconhecidos como cristãos e recebidos na Igreja (Atos 19-3-5).
João Wesley lembra que os judeus da época de Cristo “continuamente batizaram, assim como circuncidaram todos os prosélitos infantis. Nosso Senhor, portanto, ordenou aos seus Apóstolos a fazerem prosélitos ou discípulos de todas as nações, batizando-os, e não os proibindo de receberem as criancinhas, assim como outros, eles necessitariam batizar crianças também.
Os judeus admitiram prosélitos, através do batismo, assim como, através da circuncisão, até mesmo famílias completas juntas, pais e filhos, nós temos o testemunho unânime de seus mais antigos, eruditos e autênticos escritores. Os homens eram recebidos pelo batismo e circuncisão; as mulheres pelo batismo apenas. Consequentemente, os Apóstolos, exceto se nosso Senhor proibisse expressamente, faziam a mesma coisa, evidentemente. Na verdade, a conseqüência mantida da circuncisão apenas. Porque, se fosse costume dos judeus, quando eles reuniam prosélitos de todas as nações, admitirem crianças dentro da Igreja, através da circuncisão, embora elas não pudessem verdadeiramente acreditar na lei, ou obedecerem-na; então, os Apóstolos, fazendo prosélitos para o Cristianismo, através do batismo, nunca pensariam em excluir crianças, a quem os judeus sempre admitiram (a razão porque sua admissão é a mesma), exceto se nosso Senhor tivesse expressamente proibido isto. Segue-se que os Apóstolos batizaram crianças. Portanto, eles são objetos apropriados do batismo.” (Um Tratado Sobre o Batismo Infantil).
Além do mais, os que querem levar o exemplo de Cristo ao pé da letra, para serem coerentes consigo mesmos, deveriam adotar o batismo única e tão somente para aqueles que tivessem 30 anos de idade.

4. Mas e se vier a desviar-se da fé depois de grande?

Este risco existe para todos, independente da etapa da vida em que foram batizados. É um questão de discipulado. Há mais risco em deixar os filhos decidirem pelo batismo na fase da adolescência, pois pode dar a entender que eles tem ali a oportunidade de decidirem se querem ou não abraçar a fé cristã. No caso dos que foram batizados na infância, a única e mais difícil opção seria abandonar a fé em que foram batizados e educados. O batismo na infância, como sinal da Aliança, exorta o desviado a retornar ao Caminho.

5. O batismo infantil não é válido por ser por aspersão

Existe muita controvérsia em relação a forma de batismo. Muitos apregoam que o batismo só é válido se for feito por imersão, questionando, assim, o valor do batismo daqueles que foram batizados por aspersão ou afusão. Fazem um verdadeiro cavalo de batalha sobre uma questão secundária, pois se o método fosse fundamental, certamente, haveria prescrições claras nas Escrituras a este respeito. No entanto, nem Jesus e nem os seus Apóstolos escreveram uma linha sequer ensinando que o batismo deve ser feito desta ou daquela forma. E não é plausível a alegação de que a ausência de prescrição imersionista se deu por falta de necessidade, numa tentativa de nos fazer crer que na época não se ventilava sequer a hipótese de que o batismo fosse feito por aspersão ou afusão. Pois, os rituais de purificação e os batismos judaicos eram todos realizados por aspersão, além disto, é bem sabido que a prática do batismo cristão por afusão ou aspersão era algo bem comum já no primeiro século da Igreja.
A Didaqué, conhecida também como Doutrina dos Apóstolos, e que foi escrita no final do primeiro século da era cristã, quer dizer, logo depois do apóstolo João ter escrito o seu Evangelho, sim, este que, depois das Escrituras, é o mais antigo documento cristão, já ensinava ser legítimo o uso das distintas formas de batismo: “Quanto ao batismo, procedam assim: depois de ditas todas essas coisas [isto é, de instruídos os catecúmenos na doutrina cristã], batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Se não se tem água corrente, batize em qualquer outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça [do neófito], em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.(Didaque,VII — Tradução, introdução e notas: Pe. Ivo Storniolo-Euclides Martins Balancin, Ed. Paulus, São Paulo, 1989, p. 19).
É obvio que os primeiros cristãos tiveram de lidar com circunstâncias em que o batismo por imersão seria inadequado ou, até mesmo, impossível. Pois, dependendo da gravidade da enfermidade de um candidato ao batismo, torna-se impraticável o método imersionista. Tal método também seria inconveniente em muitas outras ocasiões, como, por exemplo, quando o Apóstolo Paulo e outros mártires tiveram que batizar outros presos e, até mesmo, alguns guardas que se converteram durante o período de seus ministérios em que estavam aprisionados. Como praticar o batismo por imersão em lugares inóspitos como as regiões de deserto, onde a água é produto raríssimo?
O próprio livro dos Atos dos Apóstolos registra alguns episódios onde o batismo por imersão seria inviável. Por exemplo, como batizar por imersão uma multidão de três mil pessoas que se converteu na cidade de Jerusalém, onde não havia rio? Observar também que em Atos 2 não há nenhuma menção de ter havido uma movimentação daquela enorme multidão numa longa jornada até um rio distante fora da cidade para a realização do batismo. Outro exemplo notório é o do batismo do carcereiro de Filipos, registrado em Atos 16, que foi batizado de madrugada. Até o pastor batista, Tácito da Gama Leite Filho, em seu livro “Seitas Proféticas”, na página 108, reconhece o fato, escrevendo que: “O carcereiro de Filipos e seus familiares certamente não foram batizados num rio, pois era de madrugada e as portas da cidade estavam fechadas”.
Outro ponto a ser levado em consideração é que batismos para purificação eram uma prática milenar entre os judeus. O método da aspersão de água para purificação de pecados era o usado no Antigo Testamento. Tanto que há mais de duzentas menções a ele na Bíblia. O autor de Hebreus claramente ensina que o método da aspersão usado por Moisés para a purificação do povo hebreu era um tipo ou cópia da purificação perfeita que hoje encontramos em Cristo (Hb 9.19-28). Se as purificações se davam por aspersão no contexto do nascimento da igreja, é bem plausível que os Apóstolos tenham seguido o modelo do Antigo Testamento, que eram as Escrituras Sagradas deles, para a prática do batismo cristão, ainda mais tendo de lidar com circunstâncias onde a imersão era impraticável. O mesmo podemos dizer com referência a João Batista, que, conforme Jesus, era o Elias prometido em Malaquias 4.5, cuja missão era a de preparar o caminho do Messias, promovendo a purificação dos levitas (Ml3.1-3). Para a purificação dos levitas, João Batista, que era um profeta judeu cumpridor da lei, deveria obedecer o que o Senhor havia prescrito a Moisés: “Separe os levitas do meio dos israelitas e purifique-os. A purificação deles será assim: você aspergirá a água da purificação sobre eles…” (Nm 8.6-7). Se a imersão é a única forma correta correta de batismo, por que, então, as figuras cristãs mais antigas do mundo, retratam o batismo de Jesus como tendo sido feito por aspersão ou afusão?
Visto que o batismo é o ritual de iniciação cristã que aponta para o lavar regenerador e purificador do Espírito Santo que Deus derramou sobre nós abundantemente por meio de Jesus, nosso Salvador (Tito 3.5-6), e cientes de que o batismo de Cristo é com o Espírito Santo e com fogo, então, precisamos reconhecer que o método de batismo por aspersão ou afusão seria o que melhor expressa o batismo com o Espírito Santo, que é constantemente descrito como sendo derramado: “derramarei do meu Espírito sobre toda carne” (Joel), “o Espírito Santo veio sobre vós” (At 1:5), e “até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto” (Is 32:15).
De acordo com o texto original grego, o batismo é sempre “com” o Espírito Santo e nunca “no” Espírito, o que também sugere o ato de derramar. Por exemplo, em Lucas 3:16, João está dizendo: “eu na verdade batizo com água… mas ele vos batizará com o Espírito Santo”; se os mesmos termos são usados para descrever os dois tipos de batismos, “batizo com” e “batizará com”, por que com o Espírito teria o sentido de derramamento, enquanto com água deveria ser interpretado como imersão? E se o termo batismo apenas significasse imersão como poderia estar sendo utilizado como uma referência ao derramar do Espírito?
Em Ezequiel 36.25-27, Deus promete aspergir água pura para purificar seu povo, promete também dar a eles um novo coração e também promete conceder-lhes o Seu Espírito. Sabemos que tudo isto se cumpre através de Cristo a partir do dia de Pentecostes. Temos aí uma clara referência ao Batismo Cristão que é operado pelo derramar do Espírito Santo. Sendo assim, o batismo está sendo prefigurado pelo ato do próprio Deus que está aspergindo água pura visando promover purificação e nova vida. O mesmo podemos ver em Isaías 44:1-6, onde a promessa do derramamento do Espírito está atrelada ao promessa do derramamento de água!
O “Léxico do Novo Testamento Grego/Português”, páginas 40 e 41 define “baptizo” como mergulhar, imergir, lavagens rituais judaicas, lavar as mãos, ablução, lavagem cerimonial, molhar, embeber, salpicar, o que combina com aspersão. Em Marcos 7.4, o termo grego, ‘batismo’, significa lavar, e esta lavagem ritual judaica era sempre feita através do derramamento de água sobre os utensílios (Nm 8. 5-7) ou sobre as pessoas (Ez 36.25). Em Hebreus 9.10, o termo grego ‘batismos’ é traduzido por abluções que também se davam por aspersão (Ex 29.21).
Berkhof, na pg. 630, diz que: “é mais que evidente que as palavras bapto e baptizo, tinham outros significados, como os de (lavar), (banhar-se) e (purificar mediante livramento).” Sendo que a ideia de purificação acabou sendo a predominante. E a aspersão era a forma ritual de purificação no contexto judaico (Nm 8:7, 19:13, 18-20; Sl 51:4, Ez 36:25). Além disto, não existe um único texto no Novo Testamento que descreva o batismo sendo realizado por imersão.
Apenas para ressaltar que o termo batismo era também usado no sentido de aspersão mesmo antes do período do Novo Testamento, menciono a tradução grega de Eclesiástico 34:30, datada de 132 A.C., que utiliza a palavra baptizo para referir-se ao ato de aspergir água para purificação de quem tivera tocado em cadáver (Cf. Nm 19).
Certa vez, ouvi alguém argumentando que o Apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 10.2, estaria fazendo menção ao batismo por imersão quando afirma que os antepassados judeus haviam sido batizados na nuvem e no mar. No entanto, tal texto, em vez de colaborar com o ponto de vista imersionista, serve, de fato, como um forte argumento em favor do batismo por aspersão ou afusão. Pois sabemos que os hebreus da época de Moisés não foram mergulhados na nuvem, pelo contrário, o versículo um, claramente afirma que eles estavam sob a nuvem, de modo que as águas da nuvem eram derramadas sobre eles. E também sabemos que o povo hebreu jamais foi mergulhado no Mar Vermelho. Na verdade, eles atravessaram o mar com os pés enxutos, apenas o exército egípcio que os perseguia é que foi submerso! No máximo, o povo hebreu recebeu os respingos que eram aspergidos pelos dois paredões de água que se fizeram quando o mar se abriu. Portanto, tais metáforas melhor se harmonizam com a ideia de aspersão e afusão.
O Apóstolo Pedro apresenta a arca de Noé como uma metáfora para o batismo cristão, dizendo que as 8 pessoas ali foram salvas por meio da água, e conclui dizendo: “isto é representado pelo batismo que agora também salva vocês” (1 Pe 3.20,21). Como sabemos que a arca não foi imersa nas águas do dilúvio, temos aí, mais uma metáfora que favorece o batismo por aspersão ou afusão, pois eles foram salvas através das águas que foram derramadas sobre eles. Tanto no episódio do Mar Vermelho como também aqui, somente os ímpios é que foram imersos como punição.
De maneira semelhante aos rituais de expiação do Antigo Testamento, o sangue do Cordeiro de Deus que foi derramado em nosso favor (Lc 22:20), é, figuradamente, aplicado a nós através do método da aspersão: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (I Pe 1:2). Esta é uma alusão ao batismo porque diz respeito a aplicação dos méritos do sangue de Cristo para a justificação e santificação do convertido. A associação entre água e sangue se vê claramente em 1 Jo 5.6, onde se lê: “Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo: não somente por água, mas por água e sangue”. “Sendo assim, aproxime-mo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura” (Hb 10.22).
Portanto, não é errado batizar por aspersão ou efusão. Como também não vejo que haja erro no batismo por imersão. Não é a quantidade de água e nem a forma de sua aplicação que torna o batismo mais ou menos eficaz. Algumas considerações bíblicas podem levar alguns a preferirem a aspersão ou a afusão no lugar da imersão, por serem os que melhor expressam o derramamento do Espírito e também por se assemelharem aos rituais de purificação e aos batismos que eram praticados pelos judeus em obediência a Lei de Moisés. Outros, devido a tradição e também à algumas passagens bíblicas como Romanos 6, podem preferir o batismo por imersão. Independentemente de nossa preferência, o mais importante é reconhecer que existem bons argumentos bíblicos e históricos para o uso de todas as formas batismais. O que não podemos fazer, de maneira alguma, é discriminar as pessoas por causa da forma de seu batismo, conclamando-as ao rebatismo numa atitude de desprezo ao seu batismo, pois isto promove confusão e divisão no corpo de Cristo, além de não ser justificável à luz das Escrituras Sagradas conforme demonstrado neste breve estudo.
Para finalizar, gostaria de levantar a seguinte questão: Por que aqueles que são tão rigorosos quanto ao que eles supõem ser a forma correta de batismo não usam do mesmo rigor quanto a forma da celebração da Ceia do Senhor, fazendo uso de suco de uva no lugar do vinho e de pão fermentado no lugar do pão ázimo? Tal incongruência é simplesmente injustificável!

Conclusão

Temos base bíblica para o batismo infantil. Cristo concedeu as crianças um tratamento superior ao que era dado a elas no Antigo Testamento. Se o sinal da Antiga Aliança devia ser comunicado aos infantes, não seria coerente privar a estes do sinal da Nova Aliança que em tudo é superior a Antiga. O batismo infantil tem sido praticado desde os tempos dos apóstolos.
Bispo José Ildo Swartele de Mello