PRIMEIRA CONFERÊNCIA METANOIA DA IGREJA PRESBITERIANA DE CAMPINA GRANDE (FINAL)

O ponto doutrinário com o qual se concluiu a Primeira Conferência Metanoia da Igreja Presbiteriana de Campina Grande foi o do arrependimento, conteúdo bíblico-teológico absolutamente central no cristianismo e numa proclamação evangelística que se pretende, indesviavelmente, fiel e compatibilizada com os parâmetros revelacionais fornecidos pelas Escrituras Sagradas. De Gênesis a Apocalipse, a doutrina do arrependimento revela-se nuclear, constituindo-se no temário privilegiado de homens que foram levantados por Deus para anunciar uma mensagem frequentemente dura; confrontadora de pecado; e que tinha como finalidade primordial levar o povo de Deus a prantear por seus maus caminhos; arrepender-se da prática da iniquidade; e, ato contínuo, voltar-se para Deus, dele recebendo perdão, purificação e completa restauração da mais gratificante experiência existencial que um ser humano pode vivenciar: a comunhão íntima com aquele que nos criou para o seu louvor e a sua glória. A história do povo de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, sempre foi marcada por momentos de esplendor e queda; de plenificante relacionamento com o Senhor e, de igual maneira, de recalcitrância e afastamento das suas retas veredas. Tal oscilação comportamental, acentue-se bem, deriva da pecaminosidade humana e da propensão que temos, a despeito da regeneração de que fomos alvos, para nos distanciarmos da vontade de Deus, erigindo, em seu lugar, o nosso próprio querer. Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros, na Antiga Aliança, foram porta-vozes de Deus, nas solenes exortações dirigidas aos israelitas. Malaquias, no último livro vetero-testamentário, pregou uma série de mensagens denunciando as transgressões dos hebreus: o culto desvirtuado pela vida, e a vida desvirtuando o culto. Em todas essas situações, o alvo perseguido era claro: produzir quebrantamento no coração dos faltosos e levá-los ao arrependimento e ao abandono dos pecados. No Novo Testamento, a realidade segue o mesmo diapasão. João Batista, precursor de Jesus Cristo, surge, no deserto, pregando o arrependimento e apontando para a irrupção iminente do reino de Deus. Jesus Cristo inicia o seu ministério público pregando a ingente e urgente necessidade do arrependimento, sem o qual os homens, inevitavelmente, perecerão em seus pecados. Depois de ressurreto dentre os mortos, Jesus Cristo ordena aos seus discípulos que permaneçam “na cidade de Jerusalém, até que do alto sejam revestidos de poder” (Lucas 24.49b), alusão explícita à vinda do Espírito Santo, que os capacitará para a obra de evangelização do mundo. E o cerne da palavra evangelizadora é o arrependimento e a remissão de pecados no nome precioso de Jesus Cristo. O primeiro sermão pregado pelo apóstolo Pedro, depois da consumação de Pentecostes, teve como ponto temático central a doutrina do arrependimento. Depois de promover uma memorável apresentação dos atos redentivos de Deus, espalhados por toda a história humana e culminados na encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, Pedro exorta os seus ouvintes ao arrependimento a fim de que, por meio dele, eles experimentem o cancelamento dos pecados e os tempos do refrigério, advindos da definitiva presença do Senhor em seus corações (Atos 3.19). No areópago de Atenas, santuário privilegiado pelos gregos para o engendramento de permanentes e acaloradas discussões filosóficas, deparamo-nos com o apóstolo Paulo dissertando, em majestoso sermão, sobre alguns pontos doutrinários seminais da fé cristã. Enfrentando, dentre outras correntes de pensamento ali presentes, os arautos do estoicismo e do epicurismo, com atilado espírito missionário e coração impregnado de terna compaixão pelos que, embora pretextando sinceridade confessional, laboravam em graves erros de compreensão espiritual, o apóstolo Paulo, numa corretíssima explanação do evangelho, discorre sobre Deus, sobre o homem e sobre a magnífica obra redentiva efetuada por Jesus Cristo na cruz do calvário. Deus Pai, argumenta Paulo, é criador e preservador de todas as coisas criadas. É soberano, autossuficiente e governa todo o universo por meio do exercício da sua sábia, santa e onipotente providência. De igual modo, é um Deus redentor, tanto assim que, na pessoa do seu Filho Jesus Cristo, deixou o seu domicílio celestial; em flagrante estado de humilhação, encarnou-se; viveu vida santa; morreu morte ignominiosa; ressuscitou ao terceiro dia e, por fim, assegura completa vida eterna a todos os que, arrependidos, a ele se entregam em plena atitude de confiança espiritual. Aliás, é a doutrina do arrependimento que avulta na parte final do esplêndido sermão pregado pelo Apóstolo das Gentes, dado que, arremata Paulo: “não levou Deus em conta os tempos da ignorância, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17.30,31). Assentada, pois, a centralidade da doutrina do arrependimento, convém conceituarmos, didaticamente, o que significa arrependimento. À luz das Escrituras Sagradas, arrependimento é mudança de mente, de consciência, de atitude. Reconhecimento, sem nenhum esboço de justificativa, de uma vida de pecado e desconformidade com a lei de Deus. Considerando que o coração do homem é “enganoso e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9), somente o Espírito Santo é quem pode conduzir o homem ao arrependimento e à fé salvadora na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esse ponto é sumamente importante para a compreensão e vivência de uma espiritualidade bíblica e genuinamente ancorada nos parâmetros da Revelação escriturística. Sem arrependimento genuíno, não pode haver fé salvadora. Sem arrependimento verdadeiro, o pecador não emite sinais de ter realmente se dado conta do quanto o pecado é mau e ofensivo à santidade de Deus. Sem arrependimento profundo, o pecador permanece, mesmo que seja frequentador contumaz dos ajuntamentos solenes promovidos pela igreja, um mero religioso, perigosamente autoiludido acerca da sua efetiva condição espiritual. Advirta-se, contudo, que, conquanto o arrependimento seja a porta insubstituível de entrada no reino de Deus, ele deve ser a marca constante da vida do crente em todos os momentos, dado que em todo o tempo nós devemos andar em humildade e de luto na presença do Senhor, porque, por maiores que sejam os nossos avanços na íngreme e gloriosa senda da santificação, ainda pecamos, e de muitas maneiras, contra o nosso maravilhoso Deus. A Deus, que nos concede a graça do arrependimento e o precioso dom da fé salvadora, sejam tributados, sempre, o louvor, a honra, a glória e a mais fervente adoração, pois de todas essas deferências o Senhor é mais do que digno. SOLI DEO GLORIA NUC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

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