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O LADO BONITO E O LADO FEIO DO NATAL

Basta o mês de dezembro despontar no horizonte, para as pessoas começarem a falar que um clima novo de convivências e interações se instalou no ar. É a chegada do natal, do lado bonito do natal, festivo, ruidoso, contagiante. As casas, as ruas e as cidades se vestem de roupas novas, coloridas, num cromatismo multiplicado pelos mais variados tipos de decoração. Roupas novas principiam a desfilar por todos os lados. Confraternização se transforma na palavra da moda. Muitas vezes, mais confraternizações de momento que momentos de confraternização. Ceias refinadas são dispostas nas mesas da opulência. Presentes e mais presentes são permutados. Correspondências atravessam as geografias. Viagens são programadas para os mais longínquos territórios. A festa torna-se o paradigma comportamental predileto da maioria dos ajuntamentos humanos. Músicas tocantes irradiam nos mais variados ambientes, criando um fascinante clima de afetividade e comoção. Esse é o lado bonito do natal, celebrado, cultural e universalmente, por quase todos os homens. Mas, atentemos com muita seriedade, há um lado feio, sombrio, indesejado, do natal, sobre o qual pouco ou quase nada se fala; o qual, entretanto, é a sua indesviável essência, seu coração intocável. Enquanto os seres humanos não se debruçarem sobre ele, ainda que a contragosto, prosseguirão, anos a fio, no cultivo de uma ilusão aparentemente bonita, mas extremamente grave em sua falácia e desconexão com a dura e verdadeira realidade bíblica sobre o efetivo significado da encarnação do Filho de Deus. A pergunta que não deveria silenciar nunca em nossas consciências é a seguinte: por que Jesus Cristo, o eterno e glorioso Filho de Deus, deixou o seu domicílio celestial e veio nascer e viver neste mundo caído e amaldiçoado por Deus, num estado de suprema humilhação e, depois, ser morto, de modo ultrajante, numa cruz de horrores? Foi para dar-nos edificantes exemplos de como nos comportarmos no mundo? Foi para estimular-nos a despertar o imenso potencial de bondade que há em nós? Foi para revelar-nos a essência de uma entidade meio fantasmagórica chamada, misticamente, de “espírito de natal”? A resposta é absolutamente simples e contundente: não! Jesus Cristo fez-se homem por causa da miséria do nosso pecado; porque, tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, e com o fito maravilhoso de vivermos para o seu louvor glória, nós fizemos mau uso da liberdade original com que fomos criados; e, em Adão e Eva, rompemos com o nosso criador; rebelamo-nos contra a sua indisputável prerrogativa de governar todas as coisas, sobretudo a nossa existência; quebramos, acintosamente, a sua ordenança; levantamos contra o Senhor as nossas mãos cheias de ódio e de sangue; pecamos contra o Rei supremo do universo; traímos o nosso benfeitor sublime; tornamo-nos pecadores corruptos, depravados em todas as dimensões constitutivas do nosso ser; morremos espiritualmente; expusemo-nos à justa ira de Deus; e, conclusão dessa deprimente senda de iniquidade, tornamo-nos sumamente merecedores do inferno, lugar tenebroso para onde serão mandados os povos e nações que se esquecem de Deus e vivem como se ele não passasse de um desvalioso e distante detalhe. A narrativa inspirada do livro de Gênesis, relato das origens de todas as coisas, afirma, de maneira extremamente poética, que, no crepúsculo de cada dia, Deus procurava A dão e Eva para o encontro plenificador e ratificante de uma comunhão que se pretendia irrasurável. Num trágico dia, entretanto, dia em que o pecado entrou no mundo, pela desobediência dos nossos primeiros pais, a chegada do Senhor ao Jardim do Éden ganhou surpreendentes contornos. No lugar da espera anelada do casal Adão e Eva, a fuga inútil e apavoradora. No lugar de corações alegres e prontos para a contumaz adoração vespertina, o tormento de consciências envergonhadas pela transgressão cometida e vergadas pela culpa real dela decorrente. No lugar da integridade de um ser, cuja mente, afetos e vontade estavam inteiramente harmonizados com os ditames emanados da boca do Senhor, o que temos, agora, é um ser caído, cuja práxis procedimental consiste em transferir responsabilidades, nunca em assumi-las, postura bastante comum em nossos dias, abarrotados de pessoas sempre pródigas em encontrar no outro, pais, governo, amigos, nunca em si mesmas, a razão primacial dos seus flagelos. A sentença interrogativa bíblica, segundo a qual: “De que queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lamentações de Jeremias 3.39), tem sido cada vez mais, inobservada, dado que, em vez de assumir-se como um ser moralmente responsável diante de Deus, o homem prefere, pecaminosamente, bancar a figura de uma mera vítima do sistema. Diante da vergonhosa queda da obra-prima da sua criação, Deus poderia, se assim quisesse, ter decretado a morte eterna de todos, pondo em exercício, tão somente, a sua justa justiça. No entanto, incompreensível e amorosamente, decidiu da massa gigantesca de seres rebeldes e depravados, salvar o seu povo. Para tal, estabeleceu, nos invisíveis bastidores da eternidade, o Pacto da Redenção, no qual e do qual participaram as três pessoas da santíssima Trindade. O Pai, elegendo pecadores para a salvação. O Filho, decidindo salvá-los, eficazmente, por meio de sua morte substitutiva na cruz do calvário e de sua ressurreição gloriosa. O Espírito Santo, aplicando no coração dos eleitos os resultados da vitoriosa obra por Jesus Cristo realizada. Vê-se, pois, que o nascimento de Jesus Cristo está, umbilicalmente, ligado à mazela do pecado humano; à hediondez das nossas abomináveis iniquidades; ao incontornável espólio das nossas vis perversidades. Esse é o lado indisfarçavelmente feio e sombrio do natal. É a chaga malcheirosa da nossa realidade moral e espiritual diante de Deus, que, frequentemente, nós preferimos maquiar com o imprestável esparadrapo das nossas boas intenções; das nossas falidas e supostas boas obras, por Deus classificadas como “trapos de imundície”, de acordo com a percepção suramente realista do profeta Isaías. No lugar desse natal diagnosticador do nosso terrível pecado, a ponto de levar o Filho de Deus a humilhar-se até a morte, e morte de Cruz, como sinaliza o apóstolo Paulo na epístola que endereçou aos irmãos da cidade de Filipos, privilegiamos, vezes sem conta, o natal humanista dos folguedos, das comelanças, dos gastos estraçalhadores dos apertados orçamentos, das passagens de ano regadas a vinho, champanhe e congêneres. Das expressões espetacularizadas de solidariedade. Em face de tudo isso, o ponto mais importante não é saber se Jesus Cristo nasceu na cidade de Belém, mas sim se, pela obra regeneradora do Espírito Santo, ele já nasceu e reina como Senhor absoluto, em nossos corações. Não é saber se ele é o Salvador vago e inobjetivo da humanidade, mas sim se ele é o meu Salvador pessoal; se os meus pecados já foram perdoados; se o meu coração já é, de fato, morada da paz; não a que se confunde com um estado de espírito meramente subjetivo e existencial, mas sim a que é resultado objetivo de uma justiça que, sendo de Jesus Cristo e decorrente da sua obra sacrificial no calvário, é, graciosamente imputada aos que, ao receberem o dom da fé salvadora, creem em Jesus Cristo e a ele são unidos definitivamente. Sem essa compreensão bíblica acerca do real sentido do nascimento do Filho de Deus, continuaremos, ano após ano, a celebrar, idolatricamente, um cerimonialismo vazio, que, como tudo o que não se compatibiliza com as Escrituras Sagradas, tem como finalidade primordial, tão somente, afastar-nos da verdade absoluta do Senhor, a única que nos ilumina, dissipa as trevas do nosso coração e revela-nos não somente quem é o Deus único, vivo e verdadeiro, mas, de igual modo, a maneira correta de amá-lo, servi-lo e adorá-lo em espírito e em verdade, conforme nos ensinou o nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

PRIMEIRA CONFERÊNCIA METANOIA DA IGREJA PRESBITERIANA DE CAMPINA GRANDE (FINAL)

O ponto doutrinário com o qual se concluiu a Primeira Conferência Metanoia da Igreja Presbiteriana de Campina Grande foi o do arrependimento, conteúdo bíblico-teológico absolutamente central no cristianismo e numa proclamação evangelística que se pretende, indesviavelmente, fiel e compatibilizada com os parâmetros revelacionais fornecidos pelas Escrituras Sagradas. De Gênesis a Apocalipse, a doutrina do arrependimento revela-se nuclear, constituindo-se no temário privilegiado de homens que foram levantados por Deus para anunciar uma mensagem frequentemente dura; confrontadora de pecado; e que tinha como finalidade primordial levar o povo de Deus a prantear por seus maus caminhos; arrepender-se da prática da iniquidade; e, ato contínuo, voltar-se para Deus, dele recebendo perdão, purificação e completa restauração da mais gratificante experiência existencial que um ser humano pode vivenciar: a comunhão íntima com aquele que nos criou para o seu louvor e a sua glória. A história do povo de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, sempre foi marcada por momentos de esplendor e queda; de plenificante relacionamento com o Senhor e, de igual maneira, de recalcitrância e afastamento das suas retas veredas. Tal oscilação comportamental, acentue-se bem, deriva da pecaminosidade humana e da propensão que temos, a despeito da regeneração de que fomos alvos, para nos distanciarmos da vontade de Deus, erigindo, em seu lugar, o nosso próprio querer. Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros, na Antiga Aliança, foram porta-vozes de Deus, nas solenes exortações dirigidas aos israelitas. Malaquias, no último livro vetero-testamentário, pregou uma série de mensagens denunciando as transgressões dos hebreus: o culto desvirtuado pela vida, e a vida desvirtuando o culto. Em todas essas situações, o alvo perseguido era claro: produzir quebrantamento no coração dos faltosos e levá-los ao arrependimento e ao abandono dos pecados. No Novo Testamento, a realidade segue o mesmo diapasão. João Batista, precursor de Jesus Cristo, surge, no deserto, pregando o arrependimento e apontando para a irrupção iminente do reino de Deus. Jesus Cristo inicia o seu ministério público pregando a ingente e urgente necessidade do arrependimento, sem o qual os homens, inevitavelmente, perecerão em seus pecados. Depois de ressurreto dentre os mortos, Jesus Cristo ordena aos seus discípulos que permaneçam “na cidade de Jerusalém, até que do alto sejam revestidos de poder” (Lucas 24.49b), alusão explícita à vinda do Espírito Santo, que os capacitará para a obra de evangelização do mundo. E o cerne da palavra evangelizadora é o arrependimento e a remissão de pecados no nome precioso de Jesus Cristo. O primeiro sermão pregado pelo apóstolo Pedro, depois da consumação de Pentecostes, teve como ponto temático central a doutrina do arrependimento. Depois de promover uma memorável apresentação dos atos redentivos de Deus, espalhados por toda a história humana e culminados na encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, Pedro exorta os seus ouvintes ao arrependimento a fim de que, por meio dele, eles experimentem o cancelamento dos pecados e os tempos do refrigério, advindos da definitiva presença do Senhor em seus corações (Atos 3.19). No areópago de Atenas, santuário privilegiado pelos gregos para o engendramento de permanentes e acaloradas discussões filosóficas, deparamo-nos com o apóstolo Paulo dissertando, em majestoso sermão, sobre alguns pontos doutrinários seminais da fé cristã. Enfrentando, dentre outras correntes de pensamento ali presentes, os arautos do estoicismo e do epicurismo, com atilado espírito missionário e coração impregnado de terna compaixão pelos que, embora pretextando sinceridade confessional, laboravam em graves erros de compreensão espiritual, o apóstolo Paulo, numa corretíssima explanação do evangelho, discorre sobre Deus, sobre o homem e sobre a magnífica obra redentiva efetuada por Jesus Cristo na cruz do calvário. Deus Pai, argumenta Paulo, é criador e preservador de todas as coisas criadas. É soberano, autossuficiente e governa todo o universo por meio do exercício da sua sábia, santa e onipotente providência. De igual modo, é um Deus redentor, tanto assim que, na pessoa do seu Filho Jesus Cristo, deixou o seu domicílio celestial; em flagrante estado de humilhação, encarnou-se; viveu vida santa; morreu morte ignominiosa; ressuscitou ao terceiro dia e, por fim, assegura completa vida eterna a todos os que, arrependidos, a ele se entregam em plena atitude de confiança espiritual. Aliás, é a doutrina do arrependimento que avulta na parte final do esplêndido sermão pregado pelo Apóstolo das Gentes, dado que, arremata Paulo: “não levou Deus em conta os tempos da ignorância, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17.30,31). Assentada, pois, a centralidade da doutrina do arrependimento, convém conceituarmos, didaticamente, o que significa arrependimento. À luz das Escrituras Sagradas, arrependimento é mudança de mente, de consciência, de atitude. Reconhecimento, sem nenhum esboço de justificativa, de uma vida de pecado e desconformidade com a lei de Deus. Considerando que o coração do homem é “enganoso e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9), somente o Espírito Santo é quem pode conduzir o homem ao arrependimento e à fé salvadora na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esse ponto é sumamente importante para a compreensão e vivência de uma espiritualidade bíblica e genuinamente ancorada nos parâmetros da Revelação escriturística. Sem arrependimento genuíno, não pode haver fé salvadora. Sem arrependimento verdadeiro, o pecador não emite sinais de ter realmente se dado conta do quanto o pecado é mau e ofensivo à santidade de Deus. Sem arrependimento profundo, o pecador permanece, mesmo que seja frequentador contumaz dos ajuntamentos solenes promovidos pela igreja, um mero religioso, perigosamente autoiludido acerca da sua efetiva condição espiritual. Advirta-se, contudo, que, conquanto o arrependimento seja a porta insubstituível de entrada no reino de Deus, ele deve ser a marca constante da vida do crente em todos os momentos, dado que em todo o tempo nós devemos andar em humildade e de luto na presença do Senhor, porque, por maiores que sejam os nossos avanços na íngreme e gloriosa senda da santificação, ainda pecamos, e de muitas maneiras, contra o nosso maravilhoso Deus. A Deus, que nos concede a graça do arrependimento e o precioso dom da fé salvadora, sejam tributados, sempre, o louvor, a honra, a glória e a mais fervente adoração, pois de todas essas deferências o Senhor é mais do que digno. SOLI DEO GLORIA NUC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

ALGUMAS COISAS QUE DEUS NÃO PODE FAZER

O título da presente meditação dominical, lido de bate pronto e sem o acompanhamento cuidadoso do seu desenvolvimento argumentativo propriamente dito, pode parecer estranho e despropositado, afinal das contas, já temos, formulada em nossas mentes, a ideia de que Deus pode fazer todas as coisas, nada ficando de fora da esfera do seu onipotente poder. Contudo, antes de refletirmos sobre o que Deus pode ou não fazer, temos de nos desvencilhar das concepções urdidas pela pecaminosa imaginação humana e, ato contínuo, aferrarmo-nos, incondicional e submissamente, à Revelação que Ele fez acerca de Si mesmo nas Escrituras Sagradas: nossa regra única de fé e de prática, fonte autoritativa e suficiente em tudo quanto diz respeito a Deus, seu caráter santo, atributos gloriosos e propósito redentor estendido, graciosamente, ao povo por Ele amado e escolhido, antes da fundação do mundo, para ser herdeiro da grande salvação que, no Pacto da Redenção, Pai, Filho e Espírito Santo arquitetaram. Assim, examinando as credenciais e indisputáveis prerrogativas do Deus das Escrituras Sagradas, damo-nos conta de que Ele pode fazer todas as coisas, sim, mas todas as coisas que se harmonizam com a essência do seu ser e com o conselho da sua boa, perfeita e agradável vontade. Tendo tais pressupostos teológicos como parâmetros inafastáveis do nosso sentir/pensar, podemos afirmar que há algumas coisas que Deus não pode fazer. Em primeiro lugar, Deus não pode, em hipótese alguma, pecar. Nesse sentido, é bastante emblemático constatarmos que o único atributo de Deus que aparece referenciado três vezes consecutivas é o que se vincula ao território sublime da sua ontológica santidade. “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; e toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.3b). Foi esse o saldo mais impressionante da singular visão que o profeta Isaías teve de Deus: Ele é santo, não havendo, em todas as vastas latitudes do seu ser, o mais leve vestígio de imperfeição. A impecabilidade de Deus foi pontuada pelos profetas Isaías: “não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (Isaías 1.13b) e Habacuque: “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar” (Habacuque 1.13b). Tal impossibilidade de haver em Deus qualquer nesga de erro e pecado tem implicações práticas profundas para a nossa fé, visto que nos confere a inabalável e consoladora convicção de que todos os atos de Deus são adornados pela luminosa beleza da sua santidade. A bondade de Deus é santa. O amor de Deus é santo. Os juízos de Deus são santos. Santidade, eis o traço indelével do Deus das Escrituras Sagradas. O apóstolo João, na mesma direção revelacional, sentenciou: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (Primeira Epístola de João 1.5b). Sendo assim, como assim é, “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem para que se arrependa, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Números 23.19). Desse modo, não há o menor risco de que as promessas de Deus não sejam plenamente cumpridas: “E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna” (Primeira Epístola de João 2.25). Em segundo lugar, Deus não pode deixar de ser Deus, isto é, o que Ele é hoje é o que Ele foi ontem; e o que será para sempre, até porque sendo um Espírito eterno e autoexistente, Deus não está sujeito às contingências da temporalidade. Tal verdade teológico-doutrinária, por sua sobrante evidência escriturística, não deveria ser objeto de qualquer espécie de controvérsia. Não deveria, mas, lamentavelmente, é. Basta que nos reportemos aos arautos do teísmo aberto/teologia relacional que, ressuscitando velhas e rechaçadas heresias, insistem em afirmar que Deus, voluntária e deliberadamente, abriu mão de alguns atributos, tais como a sua onisciência, por meio da qual Deus sabe de todas as coisas; o fim, antes do começo. Ao abrir mão desse seu atributo incomunicável, Deus, na ótica dessa estranha teologia, sabe sobre o futuro, exatamente o que cada ser humano sabe: nada. Por esse viés, o máximo que Deus pode fazer, em sua autoconsentida insciência sobre todas as coisas, é estar ao nosso lado, a fim de construir conosco o futuro, encarado, nessa perspectiva, como uma realidade inteiramente aberta. Houve mesmo um famoso pregador brasileiro que afirmou que quando o devastador tsunami matou milhares de pessoas em geografias asiáticas, Deus não sabia de coisa alguma a esse respeito, tendo sido pego de surpresa. Estamos, decisivamente, diante de uma canhestra caricatura do Deus soberano e glorioso que se revela nas Escrituras Sagradas, em cujas inspiradas páginas aprendemos exatamente o oposto, isto é, aprendemos que Deus é onipotente, onisciente e onipresente; e governa todas as coisas de modo soberano, sábio, santo e providencial. Um Deus que desconhece o futuro não é o Deus único, vivo e verdadeiro; não é o Deus dos santos profetas e apóstolos; não é o Pai do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; antes, é um ídolo fabricado pela pecaminosa mente dos homens. Em terceiro lugar, Deus não pode tomar o culpado por inocente; não pode ignorar que o pecado é algo sobremaneira hediondo, que fere a santidade do criador e é passível de morte: morte física, espiritual e, a pior de todas, a morte eterna, separação definitiva entre a alma e Deus. Separação essa que é fonte de indescritível e perene sofrimento. Por fim, Deus não pode jamais deixar de amar o seu povo, menina dos seus olhos, sua particular e preciosa herança. O amor de Deus por seu povo é tão grande que Ele não hesitou em dar o seu Filho amado para morrer a mais terrível das mortes: a morte de cruz, por meio da qual fomos redimidos e libertados da opressiva escravidão do pecado e, de igual modo, transportados para a gloriosa liberdade do “reino do Filho do seu amor”. Meditar em tais verdades é fundamental para a vivência de um cristianismo saudável e rigorosamente bíblico. O ponto seminal é conhecermos realmente quem é Deus, a fim de que, instruídos por sua Palavra, possamos adorá-lO em espírito e em verdade; cultuá-lO e viver para o seu louvor e glória. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

Orai sem Cessar (final)

ORAI SEM CESSAR (FINAL) Conforme dissertamos na meditação dominical da semana passada, a oração é um componente inseparável da vida cristã, um imperativo da graça, uma clara ordenança do Senhor ao seu povo; e não uma mera opção a ser ou não seguida por cada um de nós, de acordo com as nossas subjetivas decisões. Assim, é simplesmente inconcebível que alguém se declare um servo de Deus, alcançado por sua salvífica graça, regenerado pelo onipotente poder do seu Espírito Santo e, mesmo assim, não ore, não sinta prazer em investir precioso tempo da sua vida cotidiana numa convivência amorosa com Deus por meio da oração. Assim como um infante chora, tão logo deixa o aconchegante casulo do útero materno, o crente deve orar, ao constatar que passou das trevas para a maravilhosa luz do seu Senhor. Por esse prisma, a oração é um ato sublime de amor, por intermédio do qual, o crente deve expressar, com toda a intensidade dos afetos presentes em sua alma, o seu amor a Deus, em justo reconhecimento ao que o Senhor fez, ao estender as suas misericordiosas mãos a um desvalido, que jazia no imundo chão da iniquidade e, ato contínuo, caminhava, celeremente, para uma completa e eterna perdição. Ora, considerando que a oração é um diálogo permanente da alma com o bendito criador, na medida em que, em nosso viver diário, nós desprezamos a oração, na prática, nós estamos asseverando que o nosso amor pelo Senhor é bem diminuto, visto que não nos apraz cultivar, o mais demoradamente possível, a companhia daquele que dizemos ser a razão primacial da nossa vida. Nesse sentido, convém fixarmos, indesviavelmente, os nossos olhos na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, cujo indeclinável e ardente amor pelo Pai expressou-se, dentre outros aspectos, por uma vida que, ao longo de trinta e três anos, foi sumamente dedicada à oração, na qual ele consumiu-se e consumou-se, ao cumprir, cabalmente, todo o seu ministério. Além de um ato de amor, a oração também é um poderoso instrumento que Deus nos concede, a fim de podermos combater a ansiedade que, frequentemente, insiste em rondar-nos e fazer do nosso coração a sua morada mais privilegiada. Na epístola endereçada aos irmãos da cidade de Filipos, de modo enfático e consolador, Paulo exorta: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças (Filipenses 4.6). A santa e providencial recomendação apostólica em tudo se harmoniza com as palavras proferidas por Jesus Cristo no grandioso Sermão do Monte: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mateus 6.25a). Depreende-se, claramente, das palavras do Filho de Deus, que a ansiedade humana radica nas milenares preocupações que nos assaltam no tocante à nossa sobrevivência terrena, cercada, toda ela, por variada espécie de necessidades: comer, vestir, dentre outras. Nesse contexto de multiplicadas e recorrentes pressões, ávidas por transformar a nossa vida num barquinho indefeso e sacudido para todos os lados pelos inclementes vendavais da existência, a oração pontifica como um antídoto contra o desespero; um eficaz remédio contra as massacrantes e inúteis preocupações; um lenitivo seguro contra a ansiedade que oprime o peito; rouba a alegria; planta a malfazeja semente da incredulidade; extingue a paz; faz do presente sinônimo de completo desassossego; e, do futuro, uma aflitiva e irrespondível indagação. Contra todos esses flagelos que atormentam a alma, a oração emerge como um poderoso recurso de Deus, com o qual nós lutamos e com o qual nós vencemos. Ato de amor, remédio para a ansiedade, a oração, de igual modo, é uma arma imprescindível na batalha que os pregadores travam, tendo como alvo a conquista de vidas para o Senhor. Conquanto estejamos bem persuadidos de que, em última análise, a tarefa de conversão de uma alma é prerrogativa indisputável de Deus, que nela exerce as irresistíveis operações do seu Santo Espírito, dobra a sua congênita dureza e a conduz, arrependida, aos pés do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, não estamos menos conscientes da responsabilidade de orarmos por todos aqueles a quem vamos evangelizar. Tal verdade teológico-doutrinária, de que é Deus quem regenera o coração de um pecador, amplamente chancelada pelas Escrituras Sagradas, não anula as responsabilidades que pesam sobre os que trazem em seus ombros a missão de proclamar o evangelho a todas as criaturas. Como bem sentencia o apóstolo Paulo, devemos “anunciar todo o conselho de Deus (Atos 20.27b), na inteira dependência do Espírito Santo, traduzida no exercício contínuo da oração. Na epístola encaminhada aos crentes da cidade de Éfeso, Paulo pede oração “para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo” (Filipenses 6.19b-20). A petição apostólica é nítida em seu escopo: ele anela por autoridade na transmissão do evangelho da graça de Deus. Autoridade essa que somente lhe será concedida por meio da oração. Oração que expõe diante de Deus a nossa insuficiência e, de igual modo, descansa na completa suficiência de Deus. O problema é que, às vezes, nós confiamos em nossa suposta cultura bíblica; em nosso aparentemente lógico e irresistível poder de argumentação; na presumível eficácia de nosso método comunicacional. Assim procedendo, esquecemo-nos de que, sem a imprescindível assistência do Espírito Santo de Deus, pela qual devemos rogar em perseverante oração, os nossos esforços, por mais bem intencionados que sejam, resultarão inteiramente malogrados. A oração, à luz das Escrituras Sagradas, também nos auxilia a cultivar, num mundo confuso e eivado de erros de toda a espécie, a atitude de discernimento diante da babel de vozes que se elevam e querem conquistar nossas mentes e corações. É nesse patamar que aprendemos que oração e Palavra de Deus nunca podem andar desconectadas uma da outra; antes, devem ser faces indissociáveis. Escola do Espírito, no lúcido dizer do Reformador João Calvino, a Palavra de Deus é nossa Regra Única de Fé e de Prática, legislação autoritativa e suficiente para todas as áreas da nossa vida. A Escritura, sem oração, pode tornar-nos ortodoxos frios e racionalistas, perigo que sempre rondou a teologia em sua feição mais acadêmica e escolástica. A oração, sem a Escritura, é uma porta escancarada para o misticismo mais desarrazoado e para o fanatismo mais destruidor. Pautada pelas Escrituras Sagradas, a nossa vida de oração encontrará instrução sólida, a fim de que nos harmonizemos com a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Romanos 12.2b). Em suma: orando tendo como balizamento supremo a Palavra de Deus, obteremos a graça do discernimento espiritual, que nos capacitará o ouvir, tão somente, a voz do Bom Pastor, o único que nos “restaura a alma e nos conduz aos pastos verdejantes” (Salmo 23.2,3). Por fim, a oração fortalece a nossa alma e nos capacita para enfrentarmos as duras e necessárias provações que Deus, em sua providência misteriosa e santa, nos destina, a fim de provar-nos e aprovar-nos na caminhada da fé. Num dos mais belos versículos da Palavra de Deus, o apóstolo Paulo sentencia: “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Romanos 12.12). Quando somos visitados por uma rigorosa professora chamada tribulação, alegramo-nos na esperança da glória de Deus, que é Jesus Cristo, e somos instados a perseverar na oração. Oremos sem cessar, amados irmãos e cumpramos, desse modo, um explícito mandamento do Senhor. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

ORAI SEM CESSAR

Embora as Escrituras Sagradas, no geral, sejam justamente consideradas claras em seu conteúdo revelatório, é fato incontestável que há porções bíblicas que oferecem certo grau de dificuldade interpretativa, fazendo-se necessária, nesses casos, a presença de ferramentas exegético-contextuais mais efetiva. Por outro lado, textos há em que o significado é absolutamente cristalino, dado, devendo o crente simplesmente submeter-se a eles e colocá-los em prática em seu viver cotidiano. A esse segundo grupo pertence, por exemplo, o texto que funciona como título desta meditação dominical, extraído da Primeira Epístola que o apóstolo Paulo endereçou à igreja de Tessalônica (1 Tessalonicenses 5.17). Orar sem cessar significa orar continuamente, sem interrupção; fazer da oração uma atitude espiritual permanente de uma vida que tenciona, verdadeiramente, experimentar real comunhão com Deus. Na verdade, o Deus revelado nas Escrituras Sagradas já preordenou todas as coisas que acontecem de modo sábio, santo e amoroso, tudo compatibilizado com o conselho da sua boa, perfeita e agradável vontade. Diante, pois, de verdade tão profunda quanto sobrantemente bíblica, uma indagação, inapelavelmente, se impõe: se Deus já sabe, por que orar? Aliás, tal questionamento, em toda a sua formulação verbal, corresponde ao título de um belo livro escrito pelo pastor e teólogo norte-americano Douglas Kelly. Considerando que a preordenação de Deus acerca de todas as coisas, ancorada na sublime doutrina da soberania divina e do exercício glorioso da sua providência, em nada se confunde com a filosofia desesperadora do determinismo cego e fatalista, nós devemos atender, com alegria e humildade, à santa exortação apostólica, e orar, sempre, e sem cessar. Propomo-nos, pois, a partir de agora, a arrolar algumas razões nucleares pelas quais devemos orar sem cessar, mesmo persuadidos pelas Escrituras Sagradas que, em última análise, é o propósito eterno de Deus que vai prevalecer. Em primeiro lugar, devemos orar sem cessar pelo simples fato de estarmos diante de um mandamento do Senhor, um explícito imperativo da graça; e não de uma opção ou alternativa cuja observância fica ao sabor e arbítrio da nossa subjetiva decisão. Orar, antes de qualquer coisa, é uma ordenança do Senhor. Sendo assim, na condição de servos de Deus, é dever intransferível nosso fazer o que ele nos manda em sua normativa e suficiente Palavra. Do contrário, seremos arrolados como desobedientes. Em segundo lugar, devemos orar, porque o Deus que preordena o fim último das coisas é o mesmo que estabelece os meios para a sua consumação. A oração, nesse sentido, é o meio determinado por Deus, em sua Palavra, para conceder-nos as suas maravilhosas bênçãos, provenientes do seu bondoso ser e alicerçadas em suas infalíveis promessas. Certamente, era propósito de Deus conceder a Ana, esposa de Elcana, um filho; fertilizar a sua madre e livrá-la da humilhação constante a que ela era submetida por sua rival Penina, num contexto histórico em que não gerar filhos era profundamente constrangedor para uma mulher. Mas, foi pela instrumentalidade da agônica e confiante oração que Ana fez, que Deus satisfez o desejou do seu coração e lhe concedeu Samuel, amado profeta do Senhor, filho tão anelado. Oração tão pungente que, a fim de traduzir o doloroso estado de alma em que Ana se encontrava, quase dispensou as palavras, ficando, tão somente, no território de um comovido sussurro do coração. Em terceiro, devemos orar sem cessar, porque a oração é um precioso meio de graça que Deus põe ao dispor do seu povo, tendo como objetivo maior enriquecer a sua vida espiritual. Os meios de graça não realidades mágicas, nem meramente ritualísticas, e nem operam desconectados do Deus de quem provém toda graça. Por intermédio deles, Deus comunica graça à sua igreja, fortalece-a e a aperfeiçoa em sua caminhada cotidiana. Em quarto lugar, devemos orar sem cessar, porque a oração é a respiração natural de uma alma que, outrora “morta em delitos e em pecados” (Efésios 2.1b), experimentou o milagre da regeneração. De uma pessoa que foi adotada na família de Deus e assumiu a privilegiada condição de filho de Deus. Respiração essa que agudiza em nós o desejo de estreitarmos os nossos laços de comunhão com aquele que nos criou para o seu louvor e glória, nos redimiu em Cristo Jesus e, por fim, tornou-nos a habitação definitiva do seu Santo Espírito. Em quinto lugar, devemos orar sem cessar, porque a oração foi uma das marcas indeléveis do ministério do Senhor Jesus Cristo. Os evangelhos neotestamentários mostram-nos, à exaustão, que Jesus Cristo, embora fosse verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, nunca se afastou da oração; antes a cultivava de modo recorrente e intenso. E sua oração ao Pai em favor do seu povo perdura até hoje por intermédio da contínua intercessão que ele, na condição de Sumo Sacerdote, realiza em favor de todos aqueles que se chegam Deus por sua eficaz mediação. Desse modo, sendo Jesus Cristo o nosso modelo supremo em todas as esferas do viver, devemos, no poder do Espírito Santo e atentos às orientações emanadas da sua Palavra, imitá-lo bem de perto no quesito da oração. Em sexto lugar, devemos orar sem cessar, porque a oração, ao mesmo tempo em que nos leva a depender do Senhor em todas as coisas, freia em nós a propensão pecaminosa para a autossuficiência e a soberba que, frequentemente, insistem em dominar-nos. Na incessante oração cotidiana, mais do que os joelhos, é o coração que devemos dobrar diante do Senhor, num humilde reconhecimento de que é dele que procede “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tiago 1.17a); e de que sem Jesus Cristo “nada podemos fazer” (João 15.5b). A oração é o mapa bendito que nos conduz aos inexauríveis tesouros da graça e do poder de Deus. Por fim, devemos orar sem cessar, porque a oração é uma santa preparação de Deus para enfrentarmos os grandes e inesperados dramas da vida. Há uma passagem bíblica que é superlativamente emblemática acerca da matéria em apreço. De modo gracioso, “Jesus Cristo tomou consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte” (Mateus 17.1b). Subitamente, por um ato de condescendência divina, Jesus transfigurou-se diante deles; “o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornavam-se brancas como a luz” (Mateus 17.2b). Tão esplêndido era o cenário e tão espetacular a experiência que os discípulos, na realidade, o apóstolo Pedro, com a impetuosidade própria do seu ardente temperamento, sentenciou: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outras para Elias” (Mateus 17.4b). Diante das empolgadas palavras de Pedro, o silêncio santo de Jesus Cristo. Contudo, ao descerem do monte, eis o contraste absoluto. No alto do monte, o Filho de Deus transfigurado. O testemunho do Pai acerca da filiação divina de Jesus Cristo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17.5b). Na planície, entretanto, era outra, bem outra a realidade. De um lado, um filho possuído por um demônio perverso. Do outro, um pai amargurado e suplicante. E, no meio desse quadro de desolação, os discípulos do Senhor Jesus Cristo impotentes diante da tenebrosa situação, simplesmente por causa da pequenez da fé e da ausência de uma vida pautada pela oração contumaz e pelo jejum devotado ao Senhor. Assim é também conosco. No alto do monte queremos estar, permanentemente, acomodadamente, ignorando que, ao descermos, as tribulações mostrarão a face mais dura da existência, daí a necessidade de orarmos, orarmos sem cessar. Sopra sobre nós, Senhor, o cálido fogo do seu Santo Espírito e aquece os nossos corações de modo tal que venhamos a fazer da oração parte inseparável da nossa vida. Orar, orar sem cessar, eis o urgente desafio para todos nós. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

UMA BENÇÃO CHAMADA DESESPERO!


                                               UMA BÊNÇÃO CHAMADO DESESPERO
                Num primeiro momento, e sem uma análise contextual mais apurada, a palavra desespero não parece ter nenhuma vinculação semântica com o conceito de bênção. Aliás, para muitos, juntar bênção e desespero, mais do que um paradoxo, é um completo absurdo. O desespero de um cidadão que tem apontada para a sua fronte a gélida arma de um impiedoso assassino, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de uma senhora que se vê transformada em presa fácil nas mãos de um maníaco imoral e perverso, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de um trabalhador que, de uma hora para outra, vê-se privado do seu emprego e, ato contínuo, dos recursos e condições indispensáveis para prover a subsistência da sua família, certamente, não pode ser chamado de uma bênção. O desespero de uma família que, em dramáticos tempos de guerra, vê-se compelida a enviar os seus filhos para os atemorizadores campos de batalha, sem ter a certeza de que eles voltaram bem, certamente, não pode ser chamado de uma bênção.
                Em suma, exemplos e mais exemplos poderiam ser multiplicados aqui, sinalizadores de situações atípicas, nas quais desespero e bênção trilham searas diametralmente opostas, indiscutivelmente inconciliáveis. Contudo, há sim, e abundantemente encontrável nas Escrituras Sagradas, Regra Única de Fé e Prática de todo cristão que a recepciona como a infalível e inspirada Palavra de Deus, um tipo de desespero que, conquanto tremendamente doloroso e desassossegador da consciência humana, é uma bênção, porque leva o ser humano a refletir, com real seriedade, sobre a sua situação espiritual diante do Senhor; e, por fim, arrependido, a voltar-se para Deus, o único que, em sua graça, pode restaurá-lo, concedendo-lhe, misericordiosamente, uma eterna e gloriosa salvação.
                Um dos mais nefastos efeitos da queda de Adão e Eva, logo transpostos para toda a raça humana, foi uma corrupção espiritual e moral que se estendeu por todas as dimensões constitutivas da personalidade do homem: mente/afeições/vontade. Dentre os inúmeros e malévolos frutos decorrentes dessa congênita depravação, avulta, como um dos mais perceptíveis, a soberba, a autoconfiança, autossuficiência, que faz com que o homem cultive uma imagem muito positiva de si mesmo; a ver-se como portador de méritos diante do Senhor, digno, portanto, de herdar o céu e a presença de Deus, como consequência natural dos seus supostos merecimentos.
                Noutras palavras: o homem passa a cultivar, em seu coração, uma falsa esperança de salvação, proveniente, convém reiterar, da soberba que o domina. É exatamente neste contexto que a pregação fiel do evangelho salvífico de Jesus Cristo, ao confrontar o pecador e desnudar-lhe as falsas esperanças, fere a sua consciência, inquieta o seu coração e o conduz a um santo e abençoado desespero.
                Examinemos mais de perto, a natureza bíblica desse desespero. Em primeiro lugar, esse desespero nasce de uma consciência viva de que o pecado, realmente, é uma transgressão séria da lei de Deus, que o ofende e macula a sua ofuscante santidade. Creio que foi esse o sentimento que tomou conta do profeta Isaías, quando ele teve uma sobrenatural visão do Deus de Israel, assentado, todo-poderoso, num alto e sublime trono, rodeado por querubins e serafins que, incansavelmente, não cessavam de proclamar a santidade e o peso da glória do Senhor, estendido por todos os quadrantes da terra. Em vez de sair pulando e dando aleluias, diante da aterradora visão que teve da majestade do Senhor, Isaías, ao contrário, foi conduzido a experimentar uma bênção chamada desespero, traduzida por palavras ardentes, emanadas de um coração que se percebeu como realmente era: mau e tremendamente pecador diante de Deus. Ao mirar-se no espelho da fulgurante santidade de Deus, o profeta Isaías dá-se conta de que era um homem portador de lábios impuros e, de igual modo, habitante e conterrâneo de um povo que também era detentor de impuros lábios.
                É dessa dramática percepção do seu pecado individual e do pecado coletivo do povo a que pertencia que emerge o quebrantamento do profeta e o clamor angustiado da sua alma, revestido da nítida consciência de que ele vai perecer. Ao ser atingido pela bênção chamada desespero, Isaías encontra-se com a brasa viva do altar do Senhor; Senhor que é santidade absoluta e também graça que perdoa; e misericórdia que acolhe e põe um miserável no coração. Em segundo lugar, o desespero abençoador produz genuíno arrependimento no coração do pecador penitente.
                Há uma passagem bíblica que é sobremaneira elucidativa nesta matéria. Encontramo-la no Livro de Atos dos Apóstolos, mais precisamente no trecho em que, cheio do Espírito Santo, o apóstolo Pedro profere um incisivo sermão, mostrando, por meio de acurada hermenêutica e uma bem aplicada analogia da fé, que a descida do Santo Espírito de Deus, no dia de Pentecostes, era o cabal cumprimento de profecias vetero-testamentárias e apontava, redentivo-escatologicamente, para a vitoriosa obra expiatória realizada por Jesus Cristo na cruz do calvário, meio único e eficaz de reconciliação do homem pecador com o Deus três vezes santo.
                Concluída a poderosa pregação, “compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 2.37,38). Foi a contundente proclamação de Pedro o instrumento usado por Deus para levar pecadores empedernidos ao desespero e ao arrependimento. Sem a exigência do arrependimento, resulta mutilada a pregação do evangelho; e, de igual modo, destoante do padrão apostólico, reformado e puritano de proclamação da salvadora mensagem da cruz.
                Em terceiro lugar, o desespero abençoador faz com que o pecador, ao ver-se face a face com a santa lei de Deus, para cujo cumprimento perfeito ele acha-se completamente inabilitado, desista de continuar firmando-se nas andrajosas muletas das suas pecaminosas obras; na sua religiosidade; no seu moralismo; ou em qualquer outra realidade presumivelmente capaz de justificá-lo diante do Senhor. A parábola do fariseu e do publicano, registrada nas páginas santas do evangelho, revela, solenemente, essa verdade. Enquanto o fariseu, engordado pelo fermento da soberba, gabava-se de grandes feitos diante de Deus, “o publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lucas 18.13). No limite, o publicano, levado a desespero pelos pecados que o tornavam inimigo de Deus, percebeu que somente na fonte caudalosa da graça divina, ele poderia encontrar a justiça inexistente em si mesmo e nas suas insuficientes obras.
                No livro Os batistas e a doutrina da eleição, na parte especificamente dedicada à evangelização, Robert Selph afirma que “Nosso principal objetivo na evangelização do coração é duplo: Fazer a lei de um Deus soberano e justo pesar sobre o coração do pecador, ao ponto de desespero e direcionar o pecador para que corra para Cristo, em total abandono do pecado e do próprio eu, rogando-lhe por misericórdia e uma nova vida. A palavra chave que devemos frisar, quanto a esse objetivo duplo, é ‘desespero’. É preciso que os pecadores sejam levados ao desespero, pelo Espírito Santo. O desespero faz parte inerente da própria natureza do vir a Cristo”. Na mesma linha de raciocínio, asseverou o Dr. Martyn Lloyd-Jones que “Fica perfeitamente claro, nas páginas do Novo Testamento, que ninguém pode ser salvo enquanto, mais cedo ou mais tarde, não sentir o desespero de si mesmo”.
                Como se pode perceber, o desespero abençoador, que leva o pecador a tirar os olhos de si e colocá-los, irreservadamente, na pessoa e obra de Jesus Cristo, está diretamente relacionado a uma proclamação do evangelho feita de forma fiel às Escrituras Sagradas; proclamação que não hesita em “anunciar todo o conselho de Deus” (Atos dos Apóstolos 20.27b). O notável pregador inglês Charles Spurgeon, num dos seus sempre inspirativos e bíblicos escritos, sentenciou: “Deus a ninguém reveste com o manto da sua justiça, sem antes tê-lo aguilhoado com os rigores da sua lei”.
                A realidade, entretanto, é que, na maioria dos púlpitos do evangelicalismo brasileiro moderno, no lugar da mensagem simples e bíblica da cruz de Jesus Cristo, sua morte expiatória e ressurreição justificadora, o que tem tristemente prevalecido é um estranho sincretismo que consorcia autoajuda, prosperidade material, curandeirismo sensacionalista, existencialismo psicologizante, entretenimento superficial, palestras motivacionais, dentre outros componentes conteudísticos inteiramente contrários ao nosso inegociável tesouro de fé, que “de uma vez por todas foi entregue aos santos, e pela qual somos exortados a batalhar com toda a diligência”, conforme a doutrinação emanada do sacro escritor Judas, em sua diminuta e instrutiva epístola. Que Deus tenha misericórdia do nosso país e, ato contínuo, levante pregadores que, firmados no santo livro do Senhor, trovejem sermões que confrontem o pecado, levem os pecadores, num primeiro momento, ao desespero por seus pecados; e, depois, à real e gloriosa esperança radicada na pessoa e redentiva obra de Jesus Cristo na cruz do calvário. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                                                                                                             JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                                                             PRESBÍTERO

UMA CARTA AOS APOSTOLOS DE HOJE

Por Rev. Augustus Nicodemus [Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.] Meu caro Juvenal, Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum. Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo. Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si. Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas. 1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe. 2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.? 3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último. 4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles. 5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local? 6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas... 7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo. Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus. Um abraço, Augustus

UM SUICIDA PODE SER SALVO?





Texto por
Massimo Lorenzini
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Hoje de manhã, recebi a triste notícia de que um parente meu havia se suicidado. Parei, pensei, refleti sobre o assunto e cogitei a possibilidade de esboçar alguns pensamentos. Porém, encontrei um artigo que conseguiu expressar com melhor clareza as minhas ideias e suposições. Segue abaixo o mesmo:
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Pode uma pessoa que comete suicídio ser salva? O que segue abaixo é minha resposta a uma mulher cujo filho cometeu suicídio. Ela disse que ele professava fé em Cristo, mas permitiu a depressão sobrepujá-lo e finalmente acabar com sua própria vida.
Inicio a resposta...
Estou muito triste de ler sobre a tragédia de seu filho. Você me perguntou se você deve se angustiar sobre seu ato. Primeiro esta, como você sabe, é uma questão muito difícil para se responder com certeza. Na realidade, eu não penso que ela possa ser respondida com absoluta certeza. Assim, embora possamos fazer alguns esforços para determinar a condição espiritual da pessoa, no final das contas é o juízo final de Deus sobre a alma de uma pessoa. Segundo, permita-me dizer que eu não creio que o suicídio seja um pecado imperdoável. Terceiro, embora eu não creia que o suicídio seja um pecado imperdoável, eu ainda creio que ele seja pecado. Eu creio que Deus é o autor da vida e não está dentro dos nossos direitos acabar com qualquer vida, até mesmo a nossa.
Com respeito a seu filho, eu não estou muito esclarecido sobre a natureza do testemunho Cristão de seu filho. Permita-me compartilhar com você as marcas de uma genuína fé salvadora.
Primeiro, as seguintes evidências não provam nem desaprovam a fé de alguém:
A. Moralidade visível – Mateus 19:16-21; 23:27
B. Conhecimento intelectual – Romanos 1:21; 2:17ss
C. Envolvimento religioso – Mateus 25:1-10
D. Ministério ativo – Mateus 7:21-24
E. Convicção de pecado – Atos 24:25
F. Certeza – Mateus 23
G. Tempo de decisão – Lucas 8:13-14
Agora, aqui estão algumas provas de uma fé autêntica:
A. Amor a Deus – Salmos 42:1ss; Lucas 10:27; Romanos 8:7
B. Arrependimento do pecado – Salmos 32:5; Provérbios 28:13; Romanos 7:14ss; 2 Coríntios 7:10; 1 João 1:8-10
C. Humildade Genuína – Salmos 51:17; Mateus 5:1-12; Tiago 4:6,9s
D. Devoção à glória de Deus – Salmos 105:3; 115:1; Isaías 43:7, 48:10ss; Jeremias 9:23-24; 1 Coríntios 10:31
E. Oração contínua – Lucas 18:1; Efésios 6:18ss; Filipenses 4:6ss; 1 Timóteo 2:1-4; Tiago 5:16-18
F. Amor abnegado – 1 João 2:9ss; 3:14; 4:7ss; João 13:34-35; 1 Pedro 1:22
G. Separação do mundo – 1 Coríntios 2:12; Tiago 4:4ss; 1 João 2:15-17, 5:5
H. Crescimento espiritual – Lucas 8:15; João 15:1-6; Efésios 4:12-16
I. Vida obediente – Mateus 7:21; João 15:14ss; Romanos 16:26; 1 Pedro 1:2,22; 1 João 2:3-5

Se a primeira lista é verdadeira sobre uma pessoa e a segunda lista é falsa, há motivo para questionar a validade de uma profissão de fé. Todavia se a segunda lista é verdadeira, então a primeira também será.
Agora, visto que eu não conheço o testemunho de seu filho, eu não estou na posição de dizer se ele era um Cristão ou não. Você terá que olhar para o seu testemunho à luz da Palavra de Deus como eu compartilhei com você e tentar discernir isto tão difícil como ele possa ser.
Após fazer isto, se você crê que ele possuía uma fé genuína, então pode ser que ele fez a decisão de acabar com sua própria vida em um momento de confusão sem realmente pensar sobre isto. Neste caso é possível que o ato não necessariamente mostre que ele não era um crente verdadeiro. Por outro lado, pode ser que embora seu filho reivindicasse ser um crente, este ato final de suicídio demonstre seu verdadeiro caráter; que ele na realidade não era um crente verdadeiro durante todo o tempo. Este ato pode representar um ato final de incredulidade e uma rendição ao desespero e à desesperança antes do que a uma confiança no Deus vivo.
Assim é como John MacArthur, um professor da Bíblia muito respeitado hoje, responde a questão:
"Pode alguém que comete suicídio ser salva? Suicídio é um pecado grave equivalente ao assassinato (Êxodo 20:13; 21:23), mas ele pode ser perdoado como qualquer outro pecado. E as Escrituras claramente dizem que aqueles redimidos por Deus foram perdoados de todos os seus pecados – passado, presente, e futuro (Colossenses 2:13-14). Paulo diz em Romanos 8:38-39 que nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.
Se um verdadeiro Cristão cometer suicídio em um tempo de extrema fraqueza, ele ou ela será recebido no céu (Judas 24). Mas nós questionamos a fé daqueles que tiram suas vidas ou até mesmo consideram isso seriamente – é bem provável que eles nunca tenham sido verdadeiramente salvos.
Eu digo que porque os filhos de Deus são definidos repetidamente nas Escrituras como aqueles que têm esperança (Atos 24:15; Romanos 5:2-5; 8:24; 2 Coríntios 1:10, etc.) e propósito na vida (Lucas 9:23-25; Romanos 8:28; Colossenses 1:29). E aqueles que pensam em cometer suicídio fazem assim porque eles não têm nem esperança nem propósito em suas vidas. Além do mais, alguém que repetidamente considera o suicídio está praticando pecado em seu coração (Provérbios 23:7), e 1 João 3:9 diz que “aquele que é nascido de Deus não comete pecado”. E finalmente, suicídio é freqüentemente a última evidência de um coração que rejeita o senhorio de Jesus Cristo, porque ele é um ato onde o pecador está tirando sua vida com suas próprias mãos completamente antes do que se submetendo a vontade de Deus para isso. Certamente muitos daqueles que tiraram suas vidas ouvirão aquelas terrificantes palavras do Senhor Jesus no julgamento – “Eu nunca vos conheci; Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:23).
Assim, embora seja possível para um crente verdadeiro cometer suicídio, nós cremos que esta é uma ocorrência pouco comum. Alguém, considerando o suicídio, deve ser convidado acima de tudo para examinar a si mesmo para ver se ele está ou não na fé (2 Coríntios 13:5)."
Assim, para responder sua questão, você precisa avaliar da melhor maneira que puder, pela Palavra de Deus, se ele era um verdadeiro Cristão ou meramente um falso. Isto não será fácil, eu sei. Se você está convencida, pela Palavra de Deus e não por suas emoções ou qualquer outro padrão, que ele era um verdadeiro Cristão então você pode esperar ver seu filho novamente no Céu. Que sua confiança descanse em Deus e na Sua Palavra, e uma vez feita a avaliação sobre a condição de seu filho, não permita que você mesma seja influenciada pelas suas emoções ou pela reação de outros. Mas no final das contas, nosso julgamento concernente a uma pessoa ser salva ou não é limitado e não final. Apesar de podermos ter certeza de nossa salvação (1 João 5:13), somente Deus pode fazer a avaliação final sobre a alma de outra pessoa.
Quanto a você, possa a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, estar com você (2 Coríntios 13:14).

Hitler vem Ai!

Luiz Sayão Uma das figuras mais sombrias do século 20 foi o ditador nazista Adolf Hitler. O artista desiludido austríaco conseguiu crescer na política alemã dos anos 30 até tornar-se o chanceler de um pretenso império germânico que acabaria se desmoronando em 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial. As terríveis decorrências do governo de Hitler ainda hoje nos causam espanto e pavor. Além da perseguição deflagrada contra os judeus, bastante conhecida e divulgada, e dos campos de concentração criados pelo regime nazista, Hitler foi o causador direto e indireto de atrocidades imensuráveis. Conforme as estimativas, a Segunda Guerra Mundial deixou cerca de 70 milhões de mortos, sendo mais de 24 milhões de russos, 20 milhões de chineses, 7.5 milhões de alemães e 6 milhões de judeus. Destes, 60% eram civis. A perseguição e os maus tratos atingiram diversas comunidades como ciganos, eslavos, homossexuais, judeus, evangélicos e comunistas. Um dos principais mártires evangélicos do período nazista foi Dietrich Bonhoeffer. Entre os teólogos renomados que perderam sua posição por causa da intolerância Führer, destacam-se Karl Barth e Paul Tillich. As propostas imperialistas e racistas de Hitler chocaram o mundo por sua frieza no processo de condenação, prisão e assassinato dos “indesejados” para o sistema. O assassinato de milhares de pessoas calculado e premeditado associado às experiências genéticas e científicas cruéis e desumanas deixaram o mundo consternados. Estávamos diante de um império da morte. No entanto, parece que a percepção desta realidade está mudando. A consternação perdeu espaço nos últimos anos. Rencentemente, por exemplo, conversei com alguém que comentou uma aula de filosofia. Nela a professora afirmou a lógica da sociedade relativista: “o que Hitler fez é errado para nós, mas para eles estava certo. Cada cultura e sociedade decide o que acha certo ou errado.” Voltando a atenção para a perspectiva bíblica, vamos encontrar o fato de que Deus é descrito como o Deus que dá a vida e tem poder sobre ela (Dt 30.15; 1Sm 2.6; Ne 9.6). Em grande parte, a teologia do Antigo Testamento é uma teologia da vida. A relação de polarização “vida-morte” marca muito da revelação das Sagradas Escrituras. O primeiro pecado humano tem como retribuição o castigo da morte (Gn 2.17). Em seguida, o que é vedado ao homem, que deseja indepedência de Deus, é a árvore da vida (Gn 3.22-24). Toda impureza ritual que encontramos em Levítico está relacionada com a morte. Os animais ligados à morte (carnívoros e rastejantes) não podem ser comidos (Lv 11). A impureza do fluxo do homem e da mulher os tornam imundos (Lv 15), pois o que era para ser vida tornou-se morte. Toda a promessa de bênção para Israel envolve bênçãos da terra e de prosperidade, que são, em resumo, uma celebração da vida. Basta ler as decorrências da aliança de Deus com Israel em Deuteronômio 27-29 e observar como a distinção básica é bênçãos para a vida e ameaças que significam morte. O salmista louva a Deus e clama ao Senhor por causa daquilo que representa a diferença entre a vida e a morte (e.g. Sl 30). A renovação da promessas de Deus por ocasião do exílio está claramente apresentada por Jeremias: “Ponho diante de vocês o caminho da vida e o caminho da morte” (21.8). Quando chegamos ao Novo Testamento, a polaridade permanece, agora, porém, o enfoque é distinto. A qualidade de vida sobe! A vida que está em vista é de qualidade plena e superior é a vida eterna (Jo 3.16). O próprio Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Já a morte absoluta descrita no Novo Testamento também é a morte eterna. Conforme podemos observar, o Deus da Bíblia cria, enfatiza, valoriza e concede vida e vida em plenitude (Jo 10.10). Quem crê tem vontade de viver e razão para celebrar a vida. Para falarmos sobre isso, é preciso entender que a vida é um valor importante nas Escrituras por causa da perspectiva bíblica da realidade. Segundo as Escrituras, o ser humano é imagem de Deus (Gn 1.26), o que lhe dá significado no universo e dignidade intrínseca. O homem possui origem e propósito definidos e caminha teleologicamente para um destino, sob o domínio divino. O ser humano sobrevive após a morte e terá de prestar contas de sua vida a Deus, o justo juiz. Neste sistema bíblico, faz sentido viver. Todavia, quando isso é deixado de lado, o sistema desmorona e passamos a caminhar na direção de uma cultura “da morte”. Será que é sem razão e explicação que vivemos numa sociedade que banalizou o aborto e que trivializou a violência? Por que, à semelhança do paganismo greco-romano antigo, há uma obsessão crescente na sociedade pela morte e pela violência? Há uma sede de sangue no ar! Os filmes de terror, obsessão máxima pela morte, tornaram-se divertimentos triviais. É a triste universalização do “Halloween” americano. Não é assustador e estarrecedor observar a busca da morte nas drogas e nas experiências radicais sexuais e religiosas que rondam o público adolescente e juvenil, em pleno vigor da vida? Por que grupos de rock como ACDC, Kiss e Sepultura fazem sucesso e cativam tantos fãs? Como entender a epidemia mundial de suicídio, principalmente em países abastados, incluindo crianças e adolescentes? O que está acontecendo conosco? Socorro! Parem o mundo que eu quero descer! A irrelevância e a fascinação da morte nos assustam! O fato é que, sem o Deus da vida, caminhamos para a morte. Estamos de novo sob a sombra de Hitler, filho lógico da sociedade secular, pós-nietzscheana. A verdade é que a sociedade secular, que se enraizou na cultura ocidental nos últimos quatro séculos, a partir da natureza e do homem, não tem base para estabelecer e defender o valor da vida e do ser humano. Sem Deus, o homem está morto. Sem Deus, não há paradigmas, e sem paradigmas absolutos, não há razão para viver. Sentimos a maresia e a náusea dos escritos existencialistas ateus. Por que o racismo de Hitler deve ser condenado? Em que base? Se o ser humano não tem valor intrínseco, por que uma etnia específica teria algum valor? Se não há parâmetros para definir o que é certo e errado, como dizer que Hitler cometeu crimes contra a humanidade? O americano imperialista belicoso, o terrorista radical islâmico, o índio que comete infanticídio e o neonazista homicida estão todos corretos em seus próprios pontos de vista! Só resta a voz (ou a arma) do mais forte para impor a lei, neste admirável mundo bárbaro. Nossa sociedade está em crise. O fato é que em muitos países, assassinos são hoje protegidos pela lei. O aborto tornou-se “direito” e sinal de “avanço”. O suicídio tornou-se “requinte” de sociedades sofisticadas. O nível de barbárie dos crimes apavoraria até os carrascos de Auschwitz: “Vemos pedofilia seguida de morte, canibalismo, chacinas, crianças homicidas, suicídio coletivo, etc.” Onde vamos parar? A sociedade secular, com seu humanismo, ateísmo e agnosticismo, nunca foi coerente com seus pressupostos. Embora crítica do cristianismo, sempre viveu de seus valores. No secularismo ateu não há lugar para a misericórdia, a caridade, o amor e a esperança. Os ateus e agnósticos vivem, na prática, com idéias cristãs de amor, igualdade, perdão, etc. A grande pergunta é: “o que acontecerá conosco quando tivermos gerações criadas sem a influência cristã?” Se Deus não existe e não juízo final, e a vida é apenas agora, um mero acidente que deu certo, a lógica necessária é a selvageria. O que vale é aproveitar ao máximo o pouco que temos neste mundo sem lei e sem lógica. A questão se torna muito mais relevante quando vemos a barbárie crescente presente em nosso cotidiano e o surgimento de uma nova empreitada hostil de ateus e agnósticos contra a expressão religiosa, particularmente contra o cristianismo, exemplificada na obra recente de Richard Dawkins. Se não considerarmos a história de nossa tradição ocidental, com sua herança cristã e suas decorrências, corremos o sério risco de ver uma versão piorada do que foi o nazismo; seria o “retorno de Hitler”. Luiz Sayão é pastor da Igreja Batista Nações Unidas (São Paulo, SP), é tradutor da Bíblia, tendo coordenado a publicação da Nova Versão Internacional, entre outros projetos. Atualmente, coordena a publicação da primeira Bíblia Brasileira de Estudos da Editora Hagnos. Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/07/o-retorno-de-hitler.html#ixzz20nOqbV37 Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

As poderosas palavras de JESUS CRISTO

Quando nós examinamos detidamente o ministério do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, apoiados nas inspiradas narrativas empreendidas pelos quatro evangelistas neotestamentários, damo-nos conta de que ele fundamentou-se, seminalmente, nos seguintes pilares: no cultivo de uma estreita e inseparável comunhão com o Pai, por meio de um ser/fazer intensamente devotado à prática da oração; na proclamação diuturna do evangelho da graça, do qual ele próprio, em sua vida reta e em sua morte substitutiva, é o protagonista maior, único e indesviável; no ensino infalível das verdades absolutas e eternas concernentes ao reino de Deus; no exercício de uma doce e bondosa compaixão pelos que, cativos do pecado, do diabo e das mais diversificadas espécies de enfermidades físicas e espirituais, viviam subjugados pelo despótico império da dor, do sofrimento e da morte. Nesse particular, o testemunho da Escritura sagrada é sumamente alentador, dado que pontua que, por onde Jesus Cristo passava, deixava os indeléveis vestígios da sua misericórdia; a todos, sem exceção, nem distinção, fazendo o bem. Dentre esses vários aspectos nuclearizadores do ministério redentivo-sacrificial de Jesus Cristo, pretendo ater-me, na presente meditação dominical, naquele que está diretamente vinculado às palavras que o Filho de Deus proferiu nas mais variadas circunstâncias em que esteve inserido. Incomparável comunicador, as palavras de Jesus Cristo, diferentemente das que eram proferidas pelos demais líderes religiosos do seu tempo, portavam prerrogativas e credenciais únicas e inexcedíveis. Em primeiro lugar, as palavras de Jesus Cristo eram “espírito e vida”, isto é, faziam-se acompanhadas de um poder espiritual pródigo em impactar e transformar a vida das pessoas que eram atingidas por elas. Em segundo lugar, as palavras de Jesus tinham o selo da mais rigorosa e certeira objetividade. Nunca se perdiam em circunlóquios retóricos vazios; antes, iam ao cerne das questões mais prementes e inadiáveis do ser humano, exatamente as que dizem respeito ao pecado, que escraviza, mata, aliena o homem, de Deus e, por fim, não sendo expiado, o conduzirá, inevitavelmente, a uma eternidade sem Deus, sem paz e sem esperança. Há, nas Escrituras sagradas, dois emblemáticos exemplos acerca da objetividade permeadora das palavras ditas por Jesus Cristo. No primeiro, contrapondo-se ao discurso religioso e aparentemente correto de Nicodemus, Jesus Cristo, de modo incisivo, sentencia: “em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (João 3.3b). No segundo, presente no magnífico diálogo que Jesus Cristo entabulou com a mulher samaritana, o Filho de Deus demonstra que o flagelo existencial que corroía a alma daquela pobre mulher samaritana, era a corrupção moral que matizava o seu pecaminoso estilo de vida. Em terceiro lugar, as palavras de Jesus Cristo eram autoritativas, não somente porque procediam de Deus, sendo Jesus Cristo o próprio Deus encarnado, mas, sobretudo, por serem chanceladas por uma irrasurável consonância entre o dito e o visto; entre o que brotava dos seus lábios e o que se corporificava em sua santa e inatacável vida. Em quarto lugar, as palavras de Jesus Cristo eram confrontadoras do pecado humano e das suas terríveis conseqüências. Equivocam-se, redondamente, os que fantasiam a imagem de um Jesus Cristo bonachão, politicamente correto, e altamente preocupado em não ferir a sensibilidade ímpia das pessoas que dele se aproximavam com motivações erradas. Jesus Cristo foi implacável com a fachada hipócrita dos fariseus endurecidos e teatrais da sua época; e não hesitou em rotulá-los de filhos do diabo e sepulcros caiados: bonitos por fora, mas repletos de podridão por dentro. Em seus sermões, a doutrina do arrependimento ocupou, sempre, uma centralíssima posição. Embora tenha sinalizado para as delícias que aguardam os salvos no céu, nunca ocultou de ninguém a pavorosa realidade do inferno, para onde serão enviadas todos aqueles que, impenitentes e amantes do pecado, mantiverem-se, até o final das suas vidas, indiferentes e rebeldes à graça salvadora e ao senhorio soberano do Filho de Deus. Conceda-nos o Senhor a graça de vivermos, todo o tempo, firmados naquele cujas palavras, ainda que passem o céu e a terra, jamais passarão. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER. JOSÉ MÁRIO DA SILVA PRESBÍTERO

A NATUREZA DA FÉ SALVADORA





                                               A NATUREZA DA FÉ SALVADORA
                Semana passada dissertamos sobre alguns aspectos relacionados à natureza da fé salvadora, aquela que nos une a Jesus Cristo de um modo radical, comprometido, comprometedor, produzindo, numa dimensão implicativa maior, plena convicção de vida eterna. Pela extrema relevância espiritual do assunto, julgamos de todo oportuno voltarmos a ele, buscando enfocá-lo, uma vez mais, à luz das Escrituras Sagradas. E julgamos tal matéria teológica de fundamental importância, porque é desse modo que a Escritura Sagrada o apresenta. E, de igual modo, porque é perfeitamente possível que uma pessoa passe uma significativa parte da sua vida no âmbito de uma igreja evangélica; familiarize-se com todas as realidades nela existentes; sinta-se bem com todas as práticas cúlticas por ela protagonizadas; e, ainda assim, não tenha experimentado em seu coração uma genuína e salvadora fé.
                Antes de pontuarmos alguns elementos ligados à manifestação de uma fé verdadeiramente salvadora, reflitamos sobre aquilo que ela efetivamente não é. A fé salvadora não é uma emoção intensa, mas fugidia, que assoma aos nossos corações, em determinados momentos, quando somos confrontados com a Palavra de Deus. A fé salvadora também não é sinônimo da confiança que podemos vir a ter de que Deus é suficientemente poderoso para intervir em nossas vidas e conferir a ela solução para determinados problemas de natureza temporal. A fé salvadora também não é uma espécie de obra meritória que brota em nossos corações e torna-nos, como presumem muitos, dignos de receber do Senhor determinadas bênçãos.
                A fé salvadora, como no-lo ensina fartamente a Palavra de Deus, é um dom do próprio Deus; uma dádiva estendida ao pecador graciosamente por meio da ação sobrenatural do Espírito Santo. Nesse particular, a sentença do apóstolo, inteiramente inspirada por Deus, é contundente e irrefutável: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2.8,9). A fé salvadora, dom gracioso de Deus e produzido pelo soberano agir do Espírito Santo em um coração morto em delitos e pecados, é resultante da exposição fiel da Palavra de Deus, dado que, como bem preceituam as Escrituras Sagradas, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”. (Romanos 10.17).
                Vê-se aqui, claramente, que a fé salvadora não é expressão de uma crença meramente subjetivista e desprovida de uma âncora de objetividade mais profunda; antes, ao contrário, está umbilicalmente ligada à proclamação do evangelho. Por esse viés, a fé salvadora não é um salto no escuro; um mergulho no irracionalismo; nem muito menos uma modalidade de apagamento das nossas faculdades racionais. Ao sermos expostos à pregação fiel da Palavra de Deus, o Espírito Santo ilumina a nossa mente, a fim de que possamos compreender o que nos está sendo apresentado e, ato contínuo, possamos abraçar, com irreservada confiança, tal mensagem.
                Conforme dito, na manifestação da autêntica fé salvadora, compreensão intelectiva e confiança do coração andam de mãos dadas, jamais se divorciam, dado que são face e contraface de uma realidade espiritual única, inseparável, indivisível. No exercício da fé salvadora, toda a nossa confiança é depositada na pessoa de Jesus Cristo e na poderosa e eterna obra redentiva que ele realizou na cruz do calvário em favor dos seus eleitos.
                Confiar somente em Jesus Cristo para a salvação das nossas almas significa tirar os nossos olhos das muletas inúteis das nossas imprestáveis obras; da nossa vã religiosidade; dos supostos merecimentos que todos julgamos possuir, em maior ou em menor grau. Ao compreendermos a obra de Jesus Cristo e confiarmos integralmente nela, nós passamos a depender, unicamente, dos suficientes e gloriosos méritos do Filho de Deus, em cujo poder descansamos as nossas cansadas e sobrecarregadas almas, dele recebendo segura direção e suave e definitivo alívio.
                Implicações práticas dessas verdades: você já creu salvadoramente em Jesus Cristo? Já foi confrontado com o único e verdadeiro evangelho da graça? Já o compreendeu nos seus próprios termos? Já confiou nele plenamente para a sua salvação? Sim? Não? Pense nisso. Essa é uma questão que tem implicações para a eternidade.
                                                                                                              JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                              PRESBÍTERO

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Conflito de gerações: como manter a fé bíblica sem perder filhos e netos

Introdução  Há um tipo de tristeza que não faz barulho, mas pesa como pedra: a sensação de que os filhos e netos estão “escorregando” dos pr...