O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a
circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as
criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos
que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os
quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã. Os que
foram batizados na infância serão obrigados a reafirmar o voto de
batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da
igreja.

O batismo não é principalmente um sinal de arrependimento e fé da
parte dos batizados. É um sinal da aliança e da obra de Salvação de
Cristo realizada na Cruz. Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o
sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já
corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo
educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez
de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente.
Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt
3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está
presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não
precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o
Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e
do juízo (Jo 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes. João
Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da
aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a
saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel
ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41).
Jesus disse que as criancinhas, mesmo as que ainda estão na fase de
amamentação, são capazes de oferecer um perfeito louvor a Deus: “Ouves o
que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da
boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt
21:16).
Base Bíblica
Antigo Testamento
Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos
do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento.
Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento
favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com
indivíduos. Quando Noé foi salvo do dilúvio, toda sua família é
recebida com ele na arca (cf. 1Pe 3.20-21).
Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da
fé (Rm 4.11), é ordenado a aplicá-lo a todos os membros do sexo
masculino da sua família como um sinal da salvação que possuem por
pertencerem ao povo de Deus: “Circuncidareis a carne do vosso prepúcio;
será isso por sinal de aliança entre mim e vós” (Gn. 17:11).
Em Cl 2.11-12, Paulo faz uma associação entre o batismo e a circuncisão, chamando o batismo cristão de a circuncisão de Cristo.
No Mar Vermelho, todo o Israel, incluindo crianças, passa pelas águas
no grande ato de redenção que prefigura não somente o sinal do batismo
como também a obra de Deus que está por trás dele. É isto mesmo que
Paulo está dizendo em 1 Co 10.1-2: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis
que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar,
tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a
Moisés”.
Moisés aspergiu sangue sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb
9.19). Deus convocou adultos e crianças para entrarem em aliança com Ele
(Dt 29.10-12). Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”
(Js 24.15). “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade,
sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos”
(Salmos 103:17).
Novo Testamento
Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido
incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos: família da Lídia
(16.15), do Carcereiro (16.32, 33), de Crispo (18.8) e Estéfanas (1 Co
1.16).
Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no
tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então:
Jesus se torna um bebê concebido pelo Espírito Santo. João Batista,
também, fica cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe, de modo
que poderia ser um candidato ao batismo (Lc 1.39-45; cf. At 10.47
“Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados
estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”).
Cristo acolhe e abençoa os pequeninos (Mt 19.13-14) e fica zangado
quando seus discípulos os repreendem (Mc 10.14). Ele diz que as coisas
de Deus são reveladas aos pequeninos mais do que aos sábios e entendidos
(Lc 10.21). Ele retoma a declaração do Sl 8.2 no tocante ao louvor da
boca de crianças de peito (Mt 21.16). Adverte contra o perigo de alguém
ser um tropeço para os pequeninos que crêem nEle (Mt 18.6), e no mesmo
contexto nos diz que, como cristãos, não temos de nos tornar adultos,
mas, sim crianças. Jesus descreveu a condição espiritual especial destes
pequeninos, dizendo: “Vede, não desprezeis a qualquer destes
pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem
incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18:10).
Na primeira pregação da Igreja, Pedro diz que a promessa do Espírito é
para os filhos também e não apenas para os adultos: “Respondeu-lhes
Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito
Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos…” (At
2.38,39). Nas epístolas existem palavras dirigidas especialmente às
crianças (Efésios, Colossenses e 1 João).
Em 1 Co 7.14, Paulo diz que os filhos de um casal, onde pelo menos um
dos pais é crente, são “santos”, o que certamente significa que
pertencem ao povo da aliança, tendo, portanto, também o direito ao sinal
desta aliança. Uma pergunta que se faz necessária aqui é: Os filhos dos
crentes devem ser considerados cristãos ou pagãos?
As crianças eram incluídas na antiga aliança, eram circuncidadas e
participavam da Páscoa, que eram os sinais daquela aliança, por que
razão as crianças deveriam ser impedidas de participar dos sinais da
nova aliança? A Nova Aliança não é superior a antiga? Porventura a nova
aliança não inclui igualmente, e, por que não dizer, até principalmente
os pequeninos?
Quando é que se dá ou deveria se dar a conversão de alguém nascido em
lar cristão? Precisaria ele experimentar uma crise de conversão? Não
deveriam, os filhos de cristãos, serem abençoados e dedicados a Deus
como cristãos, ensinados como cristãos, considerados como cristãos desde
o seu nascimento?
Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente
abençoados por causa da fé do pais. A ressurreição da filha de Jairo
(Mateus 9:18-19, 23-26), O pai de um epiléptico pediu que Jesus curasse o
seu filho (Mt 17:14-18), a ressurreição do filho da viúva de Naim,
episódio em que Jesus teve compaixão da mulher, e favoreceu o filho por
causa da mãe (Lc 7:11-17), a cura do filho de um oficial da cidade de
Cafarnaum (João 4:46-54).
Base histórica
O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva
O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva,
atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180),
Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também
batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã,
v. 1, p. 157). O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava
surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o
ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos.
Irineu, que foi discípulo de Policarpo, um discípulo do apóstolo
João, foi batizado quando criança. Ele afirmou: “A igreja aprendeu dos
apóstolos a ministrar o batismo a crianças” e, em 180 d.C., Irineu
afirma também que “Jesus veio para salvar a todos que são renascidos
através dele em Deus: recém nascidos, crianças, adolescentes, jovens e
adultos” (Adv. Haer., livro II, 22.4; 39). O termo “renascidos”, para os
pais da Igreja, é termo técnico para o “batismo”.
Na Constituição Eclesiástica de Roma, formulada por Hipólito em 215,
encontramos a frase: “Primeiro devemos batizar os pequenos. Todos que
podem falar por si mesmos. Para aqueles que ainda não sabem falar, falem
seus pais ou alguém que pertença à família” (Const. Ecl. XVI, 4).
Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os
escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C.,
cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos.
Orígenes, em seu comentário à carta de Romanos, afirma: “A igreja
recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém nascidos”
(Epist. ad. Rom. Livro V, 9 Hom. in Lev., VIII. 4). Sabemos também que o
próprio Orígenes foi batizado quando criança.
Ireneu de Lião (sec III) considera óbvia a presença de “crianças e
pequeninos” , entre os batizados em geral (Contra as Heresias II,24,4;).
Hermas, contemporâneo do apóstolo Paulo (Rm 16.14), fala de crianças
que receberam o selo do batismo, nestas palavras: “Ora, esse selo é a
água do batismo”.
Clemente, que também viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava
os pais: “Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção
do Senhor”.
O “Didaqué” (manual da Igreja Antiga, também conhecido como doutrina dos doze apóstolos) prescreve o batismo de crianças.
Tertuliano (De Bapt., 18).
Cipriano, em 258, escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar
as crianças” (carta a Fido). No século III , um sínodo do Norte da
África determinou que era permitido batizar as crianças “já a partir do
segundo ou terceiro dia após o nascimento” (Epístola 64 de São
Cipriano).
O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças
antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil
após o oitavo dia de vida era comum.
Agostinho dizia: “Desde a Antigüidade a Igreja tem observado o
batismo infantil” e ainda, “O costume de nossa igreja mãe de batizar
crianças não deve ser desconhecido nem tido como desnecessário; nem se
deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue
pelos apóstolos” dizia ainda: Não foi instituído por concílios mas
sempre esteve em uso”. Estas afirmações foram feitas e o batismo de
criança estava sendo praticado antes do desvio do catolicismo, pois os
relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em
que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua “pureza”.
As crianças continuaram sendo Batizadas na Reforma Protestante
Lutero condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um
adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo
grau” (Catecismo Maior IV, 55).
Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente
deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do
batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é
fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus. Outro motivo que permitiu a
difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a
convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do
senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que
crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da
Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.
Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma
tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os
tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do
movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de
história da prática do batismo infantil. Lutero, no entanto, condenou o
rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como
criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior
IV, 55).
Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser
humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste
sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo,
confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo
que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde. Aliás, nem é
possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os
padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança:
“Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e
rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57). Este, porém,
ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam
crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em
obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a
batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV,
57).
Para Calvino, “Se as crianças cristãs não puderem ser batizadas, elas
ficarão em desvantagem em relação às crianças judias, as quais eram
pública e externamente seladas e introduzidas na comunidade da aliança
através da circuncisão (Institutas da Religião Cristã, IV.xvi.6).
Portanto, Calvino argumenta que as crianças deveriam ser batizadas, não
lhes sendo negados os benefícios daí decorrentes.
E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número
74, que diz: “As crianças devem ser baptizadas?” A resposta é a
seguinte: “Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e
à sua Igreja (Gén.17:7). Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e
o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que
aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem
ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja
cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47),
como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em
cujo lugar no Novo Testamento foi o Batismo instituído (Col.2:11-13).”
Zwínglio afirmou: “Visto que as crianças cristãs pertencem tão obviamente a Deus, como podemos negar-lhes o sinal dessa posse?”
João Wesley, em “Um Tratado Sobre o Batismo Infantil”, afirma: “A
circuncisão era, então, o selo da aliança; o que é,em si mesma,
portanto, figurativamente denominada de a aliança. (Atos 7:8). Por isto,
as crianças daqueles que professaram a verdadeira religião foram,
então, admitidas nela, e obrigadas às condições dela; e, quando a lei
foi acrescentada, à observância dela também. E quando o antigo selo da
circuncisão foi tirado, este do batismo foi acrescentado em seu lugar;
nosso Senhor indicou uma instituição inegável para suceder outra. Um
novo selo foi colocado para a aliança deAbraão; os selos diferiam, mas o
contrato era o mesmo; apenas aquela parte foi cortada, a que era
política ou cerimonial. Que aquele batismo veio em lugar da circuncisão,
aparece da clara razão da coisa, como do argumento do Apóstolo, onde,
depois da circuncisão, ele menciona o batismo, como aquele em queDeus
‘perdoou nossas transgressões'; ao qual ele acrescenta o ‘apagar dos
manuscritos das ordenanças’, plenamente referindo-se à circuncisão e
outros ritos judaicos; que tão fielmente implica que o batismo veio no
lugar da circuncisão,como nosso Salvador denominar o outro sacramento de
páscoa dos judeus, (Colossenses 2:11-13; Lucas 22:15) mostra que ele
foi instituído no lugar dele.”
Wesley conclui assim o seu Tratado sobre o Batismo Infantil: “No
conjunto, portanto, não é apenas lícito e inocente,mas adequado,
correto, e nosso dever sagrado, em conformidade com a prática
ininterrupta de toda a Igreja de Cristo, desde as primeiras eras,
consagrar nossas crianças a Deus, através do batismo, como a Igreja
judaica foi ordenada fazer, através da circuncisão.”
( http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/um-tratado-sobre-batismo-infantil.pdf )
A Responsabilidade dos pais
Os pais têm uma grande responsabilidade sobre a fé e a educação
religiosa dos seus filhos (Dt 6.6-7). Temos na Bíblia a promessa de que
os filhos bem educados no caminho do Senhor não irão se desviar dele (Pv
22.6). Sendo assim, os pais devem guiar seus filhos, através da
instrução e do exemplo, no caminho da vida eterna.
A promessa do Espírito e da salvação não se restringe aos adultos,
mas se estende aos filhos (At 2.38). Um pai ouve de Paulo que seu ato de
fé em Deus abriria a porta da salvação a toda a sua casa (At 16.31).
Quando Zaqueu se converteu, Jesus declarou: “hoje veio salvação para
esta casa” (Lc 19.9). A Bíblia ensina também que a “oração de um justo
pode muito em seus efeitos” (Tg 5) e, como já mencionado, sabemos que
uma mulher crente santifica sua família a ponto dos seus filhos serem
contados entre os “santos” (1 Co 7.14).
Respondendo às objeções mais comuns
1. Não existe mandamento para batizar crianças
E nem era necessário, pois as crianças que eram filhas dos crentes
sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo
Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais
incluí-las na igreja do Novo Testamento.
2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé
Textos que mencionam arrependimento e fé como condição para o batismo
foram dirigidos a primeira geração de convertidos. Pois, o mesmo
argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos
igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que
não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mesmo aqueles que condenam o
batismo infantil não são capazes de concluir que estariam condenadas ao
inferno as criancinhas que não tem idade para se arrepender e exercer
fé. Portanto, concluímos que tais textos se dirigem àqueles que têm
idade para responder com arrependimento e fé e não formam uma legislação
aplicável aos infantes. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não
coma’’. E as crianças?! Devemos deixá-las com fome, porque não podem
trabalhar?!
As crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas
promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do
Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas
membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe
foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi
também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para
exercer fé em Deus (Gn 17).
3. Jesus só foi batizado quando tinha 30 anos de idade
Através de seu batismo, o Senhor Jesus confirmou a pregação de João
que preparava o caminho para a chegada dele próprio, o Cristo! Há uma
clara distinção entre o batismo de João e o de Cristo que não é com
apenas água, mas também com o Espírito Santo e com fogo! Os que haviam
sido batizados com o batismo de João, precisaram ser batizados no
batismo de Cristo para serem reconhecidos como cristãos e recebidos na
Igreja (Atos 19-3-5).
João Wesley lembra que os judeus da época de Cristo “continuamente
batizaram, assim como circuncidaram todos os prosélitos infantis. Nosso
Senhor, portanto, ordenou aos seus Apóstolos a fazerem prosélitos ou
discípulos de todas as nações, batizando-os, e não os proibindo de
receberem as criancinhas, assim como outros, eles necessitariam batizar
crianças também.
Os judeus admitiram prosélitos, através do batismo, assim como,
através da circuncisão, até mesmo famílias completas juntas, pais e
filhos, nós temos o testemunho unânime de seus mais antigos, eruditos e
autênticos escritores. Os homens eram recebidos pelo batismo e
circuncisão; as mulheres pelo batismo apenas. Consequentemente, os
Apóstolos, exceto se nosso Senhor proibisse expressamente, faziam a
mesma coisa, evidentemente. Na verdade, a conseqüência mantida da
circuncisão apenas. Porque, se fosse costume dos judeus, quando eles
reuniam prosélitos de todas as nações, admitirem crianças dentro da
Igreja, através da circuncisão, embora elas não pudessem verdadeiramente
acreditar na lei, ou obedecerem-na; então, os Apóstolos, fazendo
prosélitos para o Cristianismo, através do batismo, nunca pensariam em
excluir crianças, a quem os judeus sempre admitiram (a razão porque sua
admissão é a mesma), exceto se nosso Senhor tivesse expressamente
proibido isto. Segue-se que os Apóstolos batizaram crianças. Portanto,
eles são objetos apropriados do batismo.” (Um Tratado Sobre o Batismo
Infantil).
Além do mais, os que querem levar o exemplo de Cristo ao pé da letra,
para serem coerentes consigo mesmos, deveriam adotar o batismo única e
tão somente para aqueles que tivessem 30 anos de idade.
4. Mas e se vier a desviar-se da fé depois de grande?
Este risco existe para todos, independente da etapa da vida em que
foram batizados. É um questão de discipulado. Há mais risco em deixar os
filhos decidirem pelo batismo na fase da adolescência, pois pode dar a
entender que eles tem ali a oportunidade de decidirem se querem ou não
abraçar a fé cristã. No caso dos que foram batizados na infância, a
única e mais difícil opção seria abandonar a fé em que foram batizados e
educados. O batismo na infância, como sinal da Aliança, exorta o
desviado a retornar ao Caminho.
5. O batismo infantil não é válido por ser por aspersão
Existe muita controvérsia em relação a forma de batismo. Muitos
apregoam que o batismo só é válido se for feito por imersão,
questionando, assim, o valor do batismo daqueles que foram batizados por
aspersão ou afusão. Fazem um verdadeiro cavalo de batalha sobre uma
questão secundária, pois se o método fosse fundamental, certamente,
haveria prescrições claras nas Escrituras a este respeito. No entanto,
nem Jesus e nem os seus Apóstolos escreveram uma linha sequer ensinando
que o batismo deve ser feito desta ou daquela forma. E não é plausível a
alegação de que a ausência de prescrição imersionista se deu por falta
de necessidade, numa tentativa de nos fazer crer que na época não se
ventilava sequer a hipótese de que o batismo fosse feito por aspersão ou
afusão. Pois, os rituais de purificação e os batismos judaicos eram
todos realizados por aspersão, além disto, é bem sabido que a prática do
batismo cristão por afusão ou aspersão era algo bem comum já no
primeiro século da Igreja.
A Didaqué, conhecida também como Doutrina dos Apóstolos, e que foi
escrita no final do primeiro século da era cristã, quer dizer, logo
depois do apóstolo João ter escrito o seu Evangelho, sim, este que,
depois das Escrituras, é o mais antigo documento cristão, já ensinava
ser legítimo o uso das distintas formas de batismo: “Quanto ao batismo,
procedam assim: depois de ditas todas essas coisas [isto é, de
instruídos os catecúmenos na doutrina cristã], batizem em água corrente,
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Se não se tem água
corrente, batize em qualquer outra água; se não puder batizar em água
fria, faça-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrame três vezes
água sobre a cabeça [do neófito], em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo”.(Didaque,VII — Tradução, introdução e notas: Pe. Ivo
Storniolo-Euclides Martins Balancin, Ed. Paulus, São Paulo, 1989, p.
19).
É obvio que os primeiros cristãos tiveram de lidar com circunstâncias
em que o batismo por imersão seria inadequado ou, até mesmo,
impossível. Pois, dependendo da gravidade da enfermidade de um candidato
ao batismo, torna-se impraticável o método imersionista. Tal método
também seria inconveniente em muitas outras ocasiões, como, por exemplo,
quando o Apóstolo Paulo e outros mártires tiveram que batizar outros
presos e, até mesmo, alguns guardas que se converteram durante o período
de seus ministérios em que estavam aprisionados. Como praticar o
batismo por imersão em lugares inóspitos como as regiões de deserto,
onde a água é produto raríssimo?
O próprio livro dos Atos dos Apóstolos registra alguns episódios onde
o batismo por imersão seria inviável. Por exemplo, como batizar por
imersão uma multidão de três mil pessoas que se converteu na cidade de
Jerusalém, onde não havia rio? Observar também que em Atos 2 não há
nenhuma menção de ter havido uma movimentação daquela enorme multidão
numa longa jornada até um rio distante fora da cidade para a realização
do batismo. Outro exemplo notório é o do batismo do carcereiro de
Filipos, registrado em Atos 16, que foi batizado de madrugada. Até o
pastor batista, Tácito da Gama Leite Filho, em seu livro “Seitas
Proféticas”, na página 108, reconhece o fato, escrevendo que: “O
carcereiro de Filipos e seus familiares certamente não foram batizados
num rio, pois era de madrugada e as portas da cidade estavam fechadas”.
Outro ponto a ser levado em consideração é que batismos para
purificação eram uma prática milenar entre os judeus. O método da
aspersão de água para purificação de pecados era o usado no Antigo
Testamento. Tanto que há mais de duzentas menções a ele na Bíblia. O
autor de Hebreus claramente ensina que o método da aspersão usado por
Moisés para a purificação do povo hebreu era um tipo ou cópia da
purificação perfeita que hoje encontramos em Cristo (Hb 9.19-28). Se as
purificações se davam por aspersão no contexto do nascimento da igreja, é
bem plausível que os Apóstolos tenham seguido o modelo do Antigo
Testamento, que eram as Escrituras Sagradas deles, para a prática do
batismo cristão, ainda mais tendo de lidar com circunstâncias onde a
imersão era impraticável. O mesmo podemos dizer com referência a João
Batista, que, conforme Jesus, era o Elias prometido em Malaquias 4.5,
cuja missão era a de preparar o caminho do Messias, promovendo a
purificação dos levitas (Ml3.1-3). Para a purificação dos levitas, João
Batista, que era um profeta judeu cumpridor da lei, deveria obedecer o
que o Senhor havia prescrito a Moisés: “Separe os levitas do meio dos
israelitas e purifique-os. A purificação deles será assim: você
aspergirá a água da purificação sobre eles…” (Nm 8.6-7). Se a imersão é a
única forma correta correta de batismo, por que, então, as figuras
cristãs mais antigas do mundo, retratam o batismo de Jesus como tendo
sido feito por aspersão ou afusão?
Visto que o batismo é o ritual de iniciação cristã que aponta para o
lavar regenerador e purificador do Espírito Santo que Deus derramou
sobre nós abundantemente por meio de Jesus, nosso Salvador (Tito 3.5-6),
e cientes de que o batismo de Cristo é com o Espírito Santo e com fogo,
então, precisamos reconhecer que o método de batismo por aspersão ou
afusão seria o que melhor expressa o batismo com o Espírito Santo, que é
constantemente descrito como sendo derramado: “derramarei do meu
Espírito sobre toda carne” (Joel), “o Espírito Santo veio sobre vós” (At
1:5), e “até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto” (Is
32:15).
De acordo com o texto original grego, o batismo é sempre “com” o
Espírito Santo e nunca “no” Espírito, o que também sugere o ato de
derramar. Por exemplo, em Lucas 3:16, João está dizendo: “eu na verdade
batizo com água… mas ele vos batizará com o Espírito Santo”; se os
mesmos termos são usados para descrever os dois tipos de batismos,
“batizo com” e “batizará com”, por que com o Espírito teria o sentido de
derramamento, enquanto com água deveria ser interpretado como imersão? E
se o termo batismo apenas significasse imersão como poderia estar sendo
utilizado como uma referência ao derramar do Espírito?
Em Ezequiel 36.25-27, Deus promete aspergir água pura para purificar
seu povo, promete também dar a eles um novo coração e também promete
conceder-lhes o Seu Espírito. Sabemos que tudo isto se cumpre através de
Cristo a partir do dia de Pentecostes. Temos aí uma clara referência ao
Batismo Cristão que é operado pelo derramar do Espírito Santo. Sendo
assim, o batismo está sendo prefigurado pelo ato do próprio Deus que
está aspergindo água pura visando promover purificação e nova vida. O
mesmo podemos ver em Isaías 44:1-6, onde a promessa do derramamento do
Espírito está atrelada ao promessa do derramamento de água!
O “Léxico do Novo Testamento Grego/Português”, páginas 40 e 41 define
“baptizo” como mergulhar, imergir, lavagens rituais judaicas, lavar as
mãos, ablução, lavagem cerimonial, molhar, embeber, salpicar, o que
combina com aspersão. Em Marcos 7.4, o termo grego, ‘batismo’, significa
lavar, e esta lavagem ritual judaica era sempre feita através do
derramamento de água sobre os utensílios (Nm 8. 5-7) ou sobre as pessoas
(Ez 36.25). Em Hebreus 9.10, o termo grego ‘batismos’ é traduzido por
abluções que também se davam por aspersão (Ex 29.21).
Berkhof, na pg. 630, diz que: “é mais que evidente que as palavras
bapto e
baptizo,
tinham outros significados, como os de (lavar), (banhar-se) e
(purificar mediante livramento).” Sendo que a ideia de purificação
acabou sendo a predominante. E a aspersão era a forma ritual de
purificação no contexto judaico (Nm 8:7, 19:13, 18-20; Sl 51:4, Ez
36:25). Além disto, não existe um único texto no Novo Testamento que
descreva o batismo sendo realizado por imersão.
Apenas para ressaltar que o termo batismo era também usado no sentido
de aspersão mesmo antes do período do Novo Testamento, menciono a
tradução grega de Eclesiástico 34:30, datada de 132 A.C., que utiliza a
palavra baptizo para referir-se ao ato de aspergir água para purificação
de quem tivera tocado em cadáver (Cf. Nm 19).
Certa vez, ouvi alguém argumentando que o Apóstolo Paulo, em 1
Coríntios 10.2, estaria fazendo menção ao batismo por imersão quando
afirma que os antepassados judeus haviam sido batizados na nuvem e no
mar. No entanto, tal texto, em vez de colaborar com o ponto de vista
imersionista, serve, de fato, como um forte argumento em favor do
batismo por aspersão ou afusão. Pois sabemos que os hebreus da época de
Moisés não foram mergulhados na nuvem, pelo contrário, o versículo um,
claramente afirma que eles estavam sob a nuvem, de modo que as águas da
nuvem eram derramadas sobre eles. E também sabemos que o povo hebreu
jamais foi mergulhado no Mar Vermelho. Na verdade, eles atravessaram o
mar com os pés enxutos, apenas o exército egípcio que os perseguia é que
foi submerso! No máximo, o povo hebreu recebeu os respingos que eram
aspergidos pelos dois paredões de água que se fizeram quando o mar se
abriu. Portanto, tais metáforas melhor se harmonizam com a ideia de
aspersão e afusão.
O Apóstolo Pedro apresenta a arca de Noé como uma metáfora para o
batismo cristão, dizendo que as 8 pessoas ali foram salvas por meio da
água, e conclui dizendo: “isto é representado pelo batismo que agora
também salva vocês” (1 Pe 3.20,21). Como sabemos que a arca não foi
imersa nas águas do dilúvio, temos aí, mais uma metáfora que favorece o
batismo por aspersão ou afusão, pois eles foram salvas através das águas
que foram derramadas sobre eles. Tanto no episódio do Mar Vermelho como
também aqui, somente os ímpios é que foram imersos como punição.
De maneira semelhante aos rituais de expiação do Antigo Testamento, o
sangue do Cordeiro de Deus que foi derramado em nosso favor (Lc 22:20),
é, figuradamente, aplicado a nós através do método da aspersão:
“eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do
Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo,
graça e paz vos sejam multiplicadas” (I Pe 1:2). Esta é uma alusão ao
batismo porque diz respeito a aplicação dos méritos do sangue de Cristo
para a justificação e santificação do convertido. A associação entre
água e sangue se vê claramente em 1 Jo 5.6, onde se lê: “Este é aquele
que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo: não somente por água,
mas por água e sangue”. “Sendo assim, aproxime-mo-nos de Deus com um
coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações
aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os
nossos corpos lavados com água pura” (Hb 10.22).
Portanto, não é errado batizar por aspersão ou efusão. Como também
não vejo que haja erro no batismo por imersão. Não é a quantidade de
água e nem a forma de sua aplicação que torna o batismo mais ou menos
eficaz. Algumas considerações bíblicas podem levar alguns a preferirem a
aspersão ou a afusão no lugar da imersão, por serem os que melhor
expressam o derramamento do Espírito e também por se assemelharem aos
rituais de purificação e aos batismos que eram praticados pelos judeus
em obediência a Lei de Moisés. Outros, devido a tradição e também à
algumas passagens bíblicas como Romanos 6, podem preferir o batismo por
imersão. Independentemente de nossa preferência, o mais importante é
reconhecer que existem bons argumentos bíblicos e históricos para o uso
de todas as formas batismais. O que não podemos fazer, de maneira
alguma, é discriminar as pessoas por causa da forma de seu batismo,
conclamando-as ao rebatismo numa atitude de desprezo ao seu batismo,
pois isto promove confusão e divisão no corpo de Cristo, além de não ser
justificável à luz das Escrituras Sagradas conforme demonstrado neste
breve estudo.
Para finalizar, gostaria de levantar a seguinte questão: Por que
aqueles que são tão rigorosos quanto ao que eles supõem ser a forma
correta de batismo não usam do mesmo rigor quanto a forma da celebração
da Ceia do Senhor, fazendo uso de suco de uva no lugar do vinho e de pão
fermentado no lugar do pão ázimo? Tal incongruência é simplesmente
injustificável!
Conclusão
Temos base bíblica para o batismo infantil. Cristo concedeu as
crianças um tratamento superior ao que era dado a elas no Antigo
Testamento. Se o sinal da Antiga Aliança devia ser comunicado aos
infantes, não seria coerente privar a estes do sinal da Nova Aliança que
em tudo é superior a Antiga. O batismo infantil tem sido praticado
desde os tempos dos apóstolos.
Bispo José Ildo Swartele de Mello