Lei ou Graça?

 

Lei e Graça: Uma visão reformada

Mauro Fernando Meister*

É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades propus a estudantes de seminário e na escola dominical estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, a resposta tem sido a seguinte relação:

LEI            Antigo Testamento
GRAÇA      Novo Testamento
I. Estamos sob a Lei ou sob a graça?
Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação — o cristão está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto, essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Nesse caso, a obediência não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa idéia é que a Reforma Protestante lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia.
No século XVI, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas, de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador Martinho Lutero expressou preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por tanto tempo desprezada pela Igreja, acabavam por desprezar a Lei. Desde a reforma têm aparecido movimentos enfatizando um ou outro desses aspectos, lei ou graça, sempre de forma excludente. Um dos mais recentes movimentos nessa linha, enfatizando a graça em detrimento da lei, é o dispensacionalismo. Essa forma de abordagem surgiu no século XIX, caracterizando a lei como a forma de salvação no período mosaico e o evangelho como a forma de salvação na dispensação da igreja. Esse é, possivelmente, o movimento que mais influência exerce atualmente na interpretação do papel da lei e da graça entre os evangélicos ao redor do mundo.
Em uma direção oposta, outro grande movimento foi iniciado por Karl Barth, em seu livro God, Grace and Gospel, onde argüi por uma unidade básica entre lei e graça, direcionando seu pensamento para um novo moralismo.2 Para termos uma boa idéia de como o debate ainda é atual, em 1993 foi publicado o livro Five Views on Law and Gospel, da coleção Counterpoints, no qual cinco escritores evangélicos contemporâneos expressam diferentes pontos de vista sobre a relação entre a lei e o evangelho (graça).Sem sombra de dúvida, o assunto ainda está muito longe de apresentar um consenso entre os evangélicos.
As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras e princípios gerais, propondo uma nova moralidade.Esse movimento propõe que a ética das Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais, praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A conseqüência dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando em consideração o princípio do amor. Tome-se por exemplo a questão do aborto no caso de estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. A separação de casais passa a ser aceitável pelo mesmo princípio. O mesmo acontece com o homossexualismo. Aceitar o homossexualismo passa a ser um ato de amor, e portanto, essa prática não pode ser considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras sobre a lei? É isso que o estudo das Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam? Nas páginas a seguir avaliaremos o pensamento de Calvino a respeito dessa questão e a aplicação calvinista refletida na Confissão de Fé de Westminster (CFW).
II. O Uso da Lei
Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o conceito de lei que está envolvido na questão.
Pacto das Obras e Pacto da Graçaé a terminologia usada pela Confissão de Fé de Westminsterpara explicar a forma de relacionamento adotada por Deus para com as suas criaturas, os seres humanos. Mais do que isso, essa terminologia reflete o sistema teológico adotado pelos reformados, conhecido como teologia federal.De forma bem resumida, podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação, primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida. Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em Gênesis 1.28 aparece nos imperativos sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai. Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte, eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, a qual ele era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento, acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano. Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. A lei, portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?
III. De que Lei estamos Falando?
A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo. Dependendo das circunstâncias e da ocasião em que foi dada, possui diferentes aspectos, qualidades ou áreas sobre as quais legisla. Assim, é importante observar o contexto em que cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a que estamos nos referindo quando falamos de Lei.
A Confissão de Fé, no capítulo 18, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:
(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres.
A. Toda a Lei é aplicável aos nossos dias?
Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. Os sabatistas erram ao querer aplicar parte dela, sendo incoerentes, pois não conseguem aplicá-la, nem impingi-la, em sua totalidade.
(b) A Lei Religiosa tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. Os sabatistas erram ao querer aplicar parte da mesma nos dias de hoje e ao mesclá-la com a Lei Civil.
(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões. Os sabatistas acertam ao considerá-la válida, porém erram ao confundi-la e ao mesclá-la  com as outras duas, prescrevendo um aplicação confusa e desconexa.
Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis e cerimoniais de Israel não têm um caráter normativo para o povo de Deus em nossos dias, ainda que possam ter outra função como, por exemplo, ensinar-nos princípios gerais sobre a justiça de Deus. Portanto, a lei que permanece “vigente” em nossa e em todas as épocas é a lei moral de Deus. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje. Isto implica que estamos, hoje, debaixo da lei?
B. Estamos sob a Lei ou sob a Graça de Deus?
Muitas interpretações erradas podem resultar de um entendimento falho das declarações bíblicas de que “não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos 6.14). Se considerarmos que os três aspectos da lei de Deus apresentados acima são distinções bíblicas, podemos afirmar:
(a) Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da graça de Deus, em que o evangelho atinge todos os povos, raças, tribos e nações.
(b) Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.
(c) Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos achamos cobertos por sua graça. Não estamos, portanto, sob a lei, mas sob a graça de Deus, nesses sentidos.
Entretanto...
(a) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.
(b) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado pelo Espírito Santo em nossa pessoa (João 14.15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua graça, representando a revelação objetiva e proposicional de sua vontade.10 
IV. Os Três usos da Lei11 
Para esclarecer a função da lei de Deus dada por intermédio de Moisés12 nas diferentes épocas da revelação, Calvino usou a seguinte terminologia:
A. O Primeiro Uso da Lei: Usus Theologicus
É a função da lei que revela e torna ainda maior o pecado humano. Segue o ensino de Paulo em Romanos 3.20 e 5.20:
...visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.13 
Calvino aponta para esse papel da lei diante da realidade do homem caído. Sendo o pecado abundante, vivemos no tempo em que a lei exerce o “ministério da morte” (2 Co 3.7) e, por conseguinte, “opera a ira” (Rm 4.15).
Cabe aqui uma nota sobre a terminologia dos reformadores (especialmente Calvino) a respeito da lei. A palavra lei é usada em pelo menos dois sentidos distintos, que devem ser entendidos a partir do contexto. Em alguns casos o termo lei é usado como um sinônimo de Antigo Testamento, da mesma forma como Evangelho é usado como um sinônimo de Novo Testamento. Em outros contextos o termo lei é usado como uma categoria especial referente ao seu uso como categoria de comando, um mandamento direto expressando a vontade absoluta de Deus sobre alguma coisa, sem promessa. É dessa forma que Calvino interpreta a lei em 2 Co 3.7, Rm 4.15 e 8.15. Nesse sentido, o binômio que se confirma é o binômio Lei x Evangelho. O mandamento que não traz salvação versus a graça salvadora de Deus. Porém, não podemos esquecer que é o próprio Antigo Testamento que nos apresenta a promessa da salvação de Deus, a sua graça operante sobre os crentes da antiga dispensação.
Em Romanos, Paulo aponta para a perfeição da lei, que, se obedecida, seria suficiente para a salvação. Porém, nossa natureza carnal confronta-se com a perfeição da lei, e essa, dada para a vida, torna-se em ocasião de morte. Uma vez que todos são comprovadamente transgressores da lei, ela cumpre a função de revelar a nossa iniqüidade.
Explicando isso, Calvino comenta:
Ainda que o pacto da graça se ache contido na lei, não obstante Paulo o remove de lá; porque ao contrastar o evangelho com a lei, ele leva em consideração somente o que fora peculiar à lei em si mesma, ou seja, ordenança e proibição, refreando assim os transgressores com a ameaça de morte. Ele atribui à lei suas próprias qualificações, mediante as quais ela difere do evangelho. Contudo, pode-se preferir a seguinte afirmação: “Ele só apresenta a lei no sentido em que Deus, nela, se pactua conosco em relação às obras.14 
B. O Segundo Uso da Lei: Usus Civilis
É a função da lei que restringe o pecado humano, ameaçando com punição as faltas contra ela mesma.15 É certo que essa função da lei não opera nenhuma mudança interior no coração humano, fazendo-o justo ou reto ao obedecê-la. A lei opera assim como um freio, refreando “as mãos de uma ação extrema.”16 Portanto, pela lei somente o homem não se torna submisso, mas é coagido pela força da lei que se faz presente na sociedade comum. É exatamente isto que permite aos seres humanos uma convivência social. Vivemos em sociedade para nos proteger uns dos outros. Com o tempo, o homem pode aprender a viver com tranqüilidade por causa da lei de Deus que nos restringe do mal. O homem é capaz, por causa da lei de Deus, de copiá-la para o seu próprio bem. É até mesmo capaz de criar leis que refletem princípios da justiça de Deus. Calvino menciona o texto de 1 Timóteo 1.9-10 para mostrar essa função da lei:
...tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina...
Assim, a lei exerce o papel de coerção para esses transgressores e evita que esse tipo de mal se alastre ainda mais amplamente no seio da sociedade humana. Essa ação inibidora da lei cumpre ainda um outro papel importante no caso dos eleitos não regenerados. Ela serve como um aio, um condutor a Cristo, como diz Paulo em Gálatas 3.24: “...de maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.” Dessa forma ela serviu à sociedade judia e serve à sociedade humana como um todo. Da mesma forma essa lei serve ao eleito ainda não regenerado. Ele, antes da manifestação da sua salvação, é ajudado pela lei a não cometer atrocidades, não como uma garantia de que não fará algo terrível, mas como uma ajuda, pelo temor da punição.
C. O Terceiro Uso da Lei
Esse uso da lei só é válido para os cristãos — ensina-os, a cada dia, qual a vontade de Deus.17 Segundo o texto de Jeremias 31.33, a lei de Deus seria escrita na mente e no coração dos crentes:
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Se a lei de Deus está impressa na mente e escrita no coração dos crentes, qual a função da lei escrita por Moisés? Ela é realmente necessária? Não basta um coração convertido, amoroso e cheio de compaixão para conhecer a vontade de Deus? A “lei do amor” e a consciência do cristão orientado pelo Espírito Santo não bastam? Não seria suficiente apenas termos a paz de Cristo como árbitro de nossos corações? (Cl 3.15).
Creio que não é bem assim. A lei, assim como no Éden, tem ainda um papel orientador para os cristãos. Embora eles sejam guiados pelo Espírito de Deus, vivendo e dependendo tão somente da sua maravilhosa graça, a “lei é o melhor instrumento mediante o qual melhor aprendam cada dia, e com certeza maior, qual seja a vontade de Deus, a que aspiram, e se lhes firme na compreensão.”18 A paz de Cristo como o árbitro dos corações só é clara quando conhecemos com clareza a vontade de Deus expressa na sua lei. Deus expressa sua vontade na sua lei e essa se torna um prazer para o crente, não uma obrigação. Calvino exemplifica com a figura do servo que de todo o coração se empenha em servir o seu senhor, mas que, para ainda melhor servi-lo, precisa conhecer e entender mais plenamente aquele a quem serve. Assim, o crente, procurando melhor servir ao seu Senhor empenha-se em conhecer a sua vontade revelada de maneira clara e objetiva na lei.
A lei também serve como exortação para o crente. Ainda que convertidos ao Senhor, resta em nós a fraqueza da carne, que pode ser, no linguajar de Calvino, chicoteada pela lei, não permitindo que estejamos à mercê da inércia da mesma.
Vejamos alguns exemplos do relacionamento entre o crente do Antigo Testamento e o terceiro uso a lei. Primeiramente, podemos observar o prazer do salmista ao falar da lei no Salmo 19.7-14:
A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.
O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente justos.
São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.
Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.
Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.
Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.
As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu.
Que princípio de morte opera nessa lei, segundo o salmista? Nenhum. Para o regenerado, o crente no Senhor, a lei é prazer, é desejável, inculca temor, restaura a alma e lhe dá sabedoria. Isso de alguma forma parece contradizer os ensinos do Novo Testamento. O terceiro uso da lei é claro para o salmista. A lei em si não faz nenhuma dessa coisas, mas para o coração regenerado ela traz prazer e alegria. Na lei o salmista reconhece a sua rocha, o seu redentor, Jesus Cristo: “rocha minha e redentor meu.”
Observe também o Salmo 119.1-20:
Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR.
Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniqüidade e andam nos seus caminhos.
Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.
Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos.
Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos.
Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos.
Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.
De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra.
De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos.
Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.
Bendito és tu, SENHOR; ensina-me os teus preceitos.
Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca.
Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas.
Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito.
Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.
Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra.
Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.
Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos.
De onde vem esse desejo do salmista pelos juízos de Deus? Da lei que opera sobre o homem natural? Certamente que não. Mas para o homem regenerado a lei de Deus se torna objeto de desejo da alma. A lei é maravilhosa para aquele que tem os olhos abertos pelo Senhor. Amar a lei de Deus é ensino claro das Escrituras para os regenerados. Viver na lei de Deus é bênção para o cristão, para o salvo. Ela é o nosso orientador para melhor conhecermos a vontade do nosso Senhor e assim melhor servi-lo. Observe que o viver segundo a lei de Deus é considerado uma bem-aventurança, é como ter fome e sede de justiça.
Pergunto: O que seria do cristão sem a lei para orientá-lo? Como conheceria ele a vontade de Deus? (essa, aliás, é uma das perguntas mais freqüentes entre os crentes no seu dia-a-dia). Ele seria um perdido, buscando respostas em seu próprio coração, na igreja, no consenso eclesiástico, na autoridade de alguém que considerasse superior. Mas o crente tem a lei de Deus, expressando objetivamente qual é o desejo do Criador para a criatura, qual o desejo do Pai para seus filhos.
Mas essa visão da lei não nos traz de volta ao legalismo? Estamos então novamente debaixo da lei? Certamente que não. Para bem entendermos a posição bíblica expressa por Calvino sobre a lei no pacto da graça, precisamos entender também como ele relaciona Cristo e a Lei.
V. Cristo e a Lei
Precisamos entender que Cristo satisfez e cumpriu a lei de forma plena e completa. Ele não veio revogar a lei. Façamos uma breve análise de Mateus 5.17-19:
Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
Alguns pontos interessantes são demonstrados por Jesus nessa passagem:
(a) Ele veio cumprir a lei e não revogá-la.
(b) A lei seria cumprida totalmente, em todas as suas exigências e em todas as suas modalidades (moral, cerimonial e civil) enquanto houvesse sentido em fazê-lo.
(c) Aquele que viola a lei pode chegar ao Reino dos Céus! (“aquele que violar...será considerado mínimo no reino dos céus.”) O sermão do monte é um sermão para crentes e o texto pode ser entendido dessa forma.
(d) Aquele que cumpre a lei será considerado grande no Reino dos Céus.

Como entender essas conclusões de Jesus com respeito a si mesmo e à Lei?
(a) Ele veio cumprir a lei e de fato a cumpriu em todas as suas dimensões: cerimonial, civil e moral. Não houve qualquer aspecto da lei para o qual Cristo não pudesse atentar e cumprir. Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a própria morte. Ele tomou sobre si a maldição da lei. Ele se torna o fundamento da justificação para o eleito.
(b) Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também interpretou a lei de forma perfeita, permitindo aos que comprou na cruz, entendê-la de forma mais completa, mais abrangente.
(c) Os que nele crêem agora também podem cumprir os aspectos necessários da lei para uma vida santa. No entanto, esses que por ele são salvos não são mais dependentes da lei para a sua salvação. Por isso há uma diferença clara entre os que chegam ao             Reino dos Céus: alguns serão considerados maiores do que     outros.
(d) Cristo, ao cumprir a lei, ab-roga a maldição da lei, mas não a sua magisterialidade.19 A lei continua com o seu papel de ensinar ao ser humano a vontade de Deus. A ab-rogação da maldição da lei é aquilo a que Paulo se refere em textos como Rm 6.14 e Gl 2.16 — estamos debaixo da graça! A lei continua no seu papel de nos    ensinar, pela obra do Espírito Santo. Não somos mais condenados    pela lei nem servos da mesma. A lei, por expressar a vontade de         Deus, se nos torna um prazer.
Johnson resume o material sobre Cristo e a lei no pensamento de Calvino da seguinte forma:
O ponto principal, claro, é que Cristo cumpriu a lei em todos os aspectos, seja no vivê-la, no submeter-se à maldição da lei para satisfazer a sua exigência de punição dos transgressores, ou restabelecendo sobre outras bases a possibilidade de cumprir aquilo que a lei requer. Cristo, em outras palavras, satisfez tudo o que a lei exigiu ou pode vir a exigir da humanidade. A justificação que estava associada à lei agora pertence completamente a Cristo.20 
Portanto, nossa obediência à lei não acontece e não pode acontecer sem Cristo. Tentar viver debaixo da lei, sem Cristo, é submeter-se à escravidão. Porém, obedecer à lei com Cristo é prazer e vida. Também, nesse sentido, Cristo é o fim da lei!
Conclusão
Como fica o aparente paradoxo inicial entre a Lei e Graça? Como corrigir essa visão distorcida? Mais uma vez creio que a visão correta da Confissão de Fé pode nos ajudar a entendê-lo:
Este pacto da graça é freqüentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de Testamento, em referência à morte de Cristo, o testador, e à perdurável herança, com tudo o que lhe pertence, legada neste pacto.
Este pacto no tempo da lei não foi administrado como no tempo do Evangelho. Sob a lei foi administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascoal e outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, prefigurando, tudo, Cristo que havia de vir; por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se o Velho Testamento.
Sob o Evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, as ordenanças pelas quais este pacto é dispensado são a pregação da palavra e a administração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor; por estas ordenanças, posto que poucas em número e administradas com maior simplicidade e menor glória externa, o pacto é manifestado com maior plenitude, evidência e eficácia espiritual, a todas as nações, aos judeus bem como aos gentios. É chamado o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos de graça diferentes em substância mas um e o mesmo sob várias dispensações (CFW 7.4–6).
Portanto, ao relacionarmos lei e graça devemos nos lembrar dos diversos aspectos e nuanças que estão envolvidos nesses termos.
Primeiramente, encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a graça de Deus. Ele não reserva a sua graça somente para o período do Novo Testamento como muitos pensam. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento podemos ver Deus agindo graciosamente, salvando aqueles que crêem na promessa do Redentor. Assim Abel, Enoque, Noé, Abraão e todos os santos do Antigo Testamento foram remidos. Nenhum deles foi salvo por obediência à Lei, ainda que o Senhor requeresse deles, assim como requer de nós, que sejamos obedientes.
Em segundo lugar, a lei opera para vida ou morte no pacto das obras e somente para a morte no pacto da graça. No pacto das obras, por mérito, o homem poderia continuar vivo e merecer a “árvore da vida.” Portanto, pela obediência o homem viveria. No pacto da graça a lei opera para condenação do homem caído. Porque o homem já está condenado, ele não pode mais cumprir a lei e ela lhe serve para a morte.
Por último, o crente se beneficia da lei estando debaixo da obra redentora de Cristo. O mérito de Cristo, sendo obediente à lei até as últimas conseqüências, compra-nos o benefício da salvação e a graça de conhecermos a vontade de Deus pela sua lei. O único modo de o ser humano ser salvo é submeter-se totalmente àquele que, por mérito, compra-lhe a salvação. Ainda aqui o homem é beneficiado pela Lei. Cristo a cumpre e declara justificado aquele por quem ele morre.
Portanto, o nosso gráfico do início deveria ser modificado para refletir a verdade bíblica sobre a Lei e a Graça de Deus:

Disp. do Antigo Testamento  ------------------        Disp. do Novo Testamento
Obras
Graça – obras como fruto da fé
Lei Evangelho – obediência à lei como conseqüência
Lei –justifica na
obediência
Lei – condena o não eleito
Usus Theologicus

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (João 14.21).

Notas

1     Sobre esse assunto, verificar o artigo W. R. Godfrey, “Law and Gospel,” em New Dictionary of Theology, eds. Sinclair Ferguson e David F. Wright (Leicester: InterVarsity, 1988), 379.
2      Ibid, 380.
3     Greg Bahnsen et al., Five Views on Law and Gospel (Grand Rapids: Zondervan, 1996). Os cinco autores são Greg Bahnsen, Walter  Kaiser Jr., Douglas Moo, Wayne Strickland e Willem VanGemeren.
4     John Hesselink, “Christ, the Law and the Christian: An Unexplored Aspect of the Third Use of the Law in Calvin´s Theology,” em B. A. Gerrish, Refomatio Perennis (Pittsburgh: Pickwick Press, 1981), 12.
5     Calvino usa com certa freqüência a expressão pacto da graça [por exemplo, Comentário à Sagrada Escritura: Romanos (São Paulo: Parácletos, 1997), 277; As Institutas, vol. 2, trad. Waldyr Carvalho Luz  (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985), 3.17.15; 4.13.6. (A numeração refere-se ao livro, capítulo e parágrafo respectivamente. A citação da página, quando necessária, vem após o parágrafo, separada por vírgula).
6     Adotada como padrão de fé pela Igreja Presbiteriana do Brasil e por várias outras igrejas reformadas no mundo.
7     Ver meu artigo “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto,” Fides Reformata 3.1 (1998), 110-122,  especialmente 111-112.
8     Mais detalhes sobre a lei em “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto (II),” Fides Reformata 4.1 (1999), 89-102.
9     F. Solano Portela, “Pena de Morte - Uma Avaliação Teológica e Confessional”, publicação eletrônica - http://www.ipcb.org.br/publicacoes/pena_de_morte.htm
10    Ibid.
11    Uma discussão muito esclarecedora do assunto se encontra em Merwyn S. Johnson, “Calvin’s Handling of the Third Use of the Law and Its Problems,” Calviniana: Ideas and Influences of Jean Calvin, 10 (1988), 33-50.
12     As Institutas, 2.7.1, 109.
13    Ibid., 2.7.7.
14    Calvino, Romanos, 277. Parte do comentário de Romanos 8.15.
15    As Institutas, 2.7.10.
16    Ibid., 2.7.10, 119.
17     Ibid., 2.7.12
18    Ibid., 2.7.12, 121.
19     As Institutas, 2.7.14, 123.
20     Johnson, “Calvin’s Handling,” 44.

Judas e os Libertinos- Augustus Nicodemus

 

 

Augustus Nicodemus explica porque não devemos pensar que os libertinos são apenas um resultado do relativismo moral característico da nossa geração


"Libertino" é o nome dado aos que defendem a liberdade do cristão para desfrutar de toda sorte de práticas sexuais desde que feitas em amor. Os libertinos defendem a validade e naturalidade para o cristão do sexo antes do casamento, a relação homo-erótica, o "ficar" entre adolescentes e jovens, entre outras coisas.

Não devemos pensar que os libertinos são um fenômeno peculiar de nossa época, o resultado do impacto do movimento de liberação sexual da década de 1960 e do impacto do relativismo moral característico da nossa geração. Os libertinos existiram em todas as épocas da Igreja de Cristo, como um organismo paralelo nas igrejas locais. Nunca faltou na Igreja Cristã quem interpretasse a salvação somente pela fé como uma desculpa para a libertinagem. Aliás, essa é uma das acusações mais freqüentes contra o Evangelho, ou seja, que ele tem em si próprio o potencial para a libertinagem, pois ensina que os pecadores são redimidos livremente, pela graça de Deus, sem obras. Trata-se, todavia, de uma compreensão equivocada do significado do Evangelho e da graça de Deus, que nos foram dados, não para que pecássemos livremente, mas para que fôssemos feitos mais e mais semelhantes ao Senhor Jesus Cristo, santos, puros e irrepreensíveis (Tito 2:11-12).

Um exemplo da atividade dos libertinos pode ser encontrado na carta de Judas. Embora praticamente desconhecida de muitos evangélicos, a carta de Judas é da mais alta importância para as igrejas de hoje, visto que trata exatamente da libertinagem moral defendida por um grupo de falsos mestres em sua época. Judas escreveu essa carta para ajudar as igrejas a identificá-los, alertá-las do perigo e avisá-las dos castigos divinos que sobrevirão a todos que seguirem as suas práticas.

Judas deu prioridade ao assunto dos libertinos em uma carta que estava para escrever àquelas igrejas sobre a salvação (Jd 3). Ele se justificou dizendo que eles estavam se infiltrando nas comunidades e, com seu ensino, transformando em libertinagem a graça de Deus e negando a Jesus Cristo (Jd 4). Mas o Deus que havia castigado os judeus libertinos no deserto, o Deus que havia destinado ao juízo os anjos que abusaram da sua graça e quiseram ir além dos limites (uma referência provável à queda de Satanás) e que havia destruído os imorais moradores de Sodoma e cidades vizinhas, esse mesmo Deus haveria de, igualmente, castigar tais libertinos e todos que seguissem suas práticas imorais (Judas 5-7).

Para Judas, os libertinos não eram pessoas bem intencionadas. Não eram líderes que, apesar de errados na teologia e na prática, eram sinceros na motivação. Eles apelavam para seus sonhos e visões como fonte de autoridade ("sonhadores alucinados", Jd 8). Eram impuros moralmente, insubmissos e revoltados, ignorantes quanto a Deus (Jd 9-10). Judas pronuncia a sua condenação, "ai deles!" - e os compara a Caim, que criou uma religião não ordenada por Deus; a Balaão, o falso profeta movido pela ganância; e a Corá, que se revoltou contra Moisés por amor ao poder e ao cargo eclesiástico (Jd 11). Eles representavam um perigo para a igreja, como "rochas submersas". Já estavam disseminando suas doutrinas e práticas imorais nos próprios ágapes das igrejas. Apesar do discurso bonito, ao fim, eles eram como nuvens sem águas, ondas do mar que lançam de si as impurezas, árvores sem frutos, estrelas cadentes que se precipitam, sem volta, nas trevas do céu da noite (Jd 12-13).

O surgimento dos libertinos no cenário cristão não deveria surpreender ninguém. O próprio Enoque já havia profetizado a vinda deles, bem como os apóstolos de Cristo (Jd 14-19). A Igreja deveria guardar-se deles, em oração e temor, tendo compaixão daqueles que haviam sido influenciados, em alguma medida, pela doutrina libertina e procurar trazê-los de volta para a doutrina dos apóstolos (Jd 20-23). E Deus haveria de confirmar e guardar os crentes fiéis (Jd 24-25).

Os libertinos infiltrados nas igrejas às quais Judas escreve foram apenas os primeiros de uma longa série de outros ímpios que, através da história, fizeram a mesma coisa. Na época da Reforma, por exemplo, encontramos referências à luta de Calvino e outros reformadores contra os libertinos de sua época. Lamentavelmente, por falta do exercício da disciplina eclesiástica, da pregação dos requerimentos espirituais e morais do Evangelho, da denúncia nos púlpitos contra as iniqüidades toleradas pelos cristãos, de voz profética que se levante contra as aberrações acontecidas dentro dos arraiais evangélicos, assistimos, nos dias de hoje e no nosso país, a transformação da graça de Deus em libertinagem por parte de muitos, que ao final, acabam negando ao próprio Senhor Jesus Cristo, apesar de falarem em seu nome.

Teologia Fácil. O como age a Trindade na Salvação. (Parte 2)


A Atividade Salvadora da Trindade
Tendo abatido todo o orgulho humano, e havendo exposto a inutilidade de todos os meios humanos, o apóstolo nos mostra que a justificação do homem procede completamente de Deus: Sendo justificados gratuitamente, por sua graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propôs no seu sangue como propiciação, mediante a fé, para manifestar sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação de sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Rom. 3: 24-26.
Estes três breves textos contêm a substância do Evangelho de Paulo; são maravilhosos em sua brevidade e alcance. O resto do livro pode ser considerado como um desenvolvimento das mesmas.
Note-se como estes versos cobrem a justificação sob três aspectos diferentes: por graça, por Cristo, e por fé. Aqui podemos ver a atividade salvadora das três pessoas da Trindade: Deus, o Pai, nos justifica por sua graça. Deus, o Filho, nos justifica dando-nos sua vida, e Deus, o Espírito Santo, nos capacita a aceitarmos isto dando-nos fé.
Pela Graça Somente—A Fonte da Justificação
"Sendo justificados gratuitamente por sua graça (a do Pai) ..." Graça significa misericórdia e favor mostrado para com alguém que está perdido e nada merece. A fim de preservar a natureza gratuita da justificação, Paulo disse que os pecados são justificados "Gratuitamente" pela graça de Deus. A palavra "gratuitamente" significa "sem motivo" (ver João 15:25). Nenhum grau de crença, de obediência, de arrependimento ou de edificação do caráter pode levar Deus a considerar-nos alguma vez justo ante seus olhos. Alguém já disse acertadamente que justificação pela graça significa a divina aceitação de pessoas t]ue são em si inaceitáveis.
E importante notar também que Paulo não só está falando acerca de tornar-se justificado no início da vida cristã. Ele usa o tempo presente contínuo do verbo—"Sendo justificados..." Isto inclui o estado de permanecer justificados, tanto como o ato de chegar a ser justificados. Isto significa que nunca podemos ultrapassar a justificação pela Graça. Não podemos permanecer no favor de Deus a não ser por pura misericórdia. A graça nos encontra pecadores, e permane¬ceremos justificados somente enquanto nos consideramos pecadores à nossa própria vista. Se em algum momento pu-déssemos apresentar-nos como aceitáveis diante dc Deus baseados em nossa fé, nossa obediência ou qualquer exce¬lência moral, já não seria mais justificação por graça.
Por Cristo Somente—O Modo da Justificação
Devemos também compreender a maneira pela qual a graça opera para fazer o pecador aceitável à vista de Deus. Diz-se que o modo de nossa justificação é..."mediante a redenção que há em Cristo Jesus" Rom. 3:24. Também se diz que somos justificados "...pelo seu sangue." Rom. 5:9.
Os atos e a morte do Senhor Jesus constituem a única base de nossa aceitação para com Deus. Ele se constituiu no substituto e garantia para pobres e perdidos pecadores. Em favor deles deu à lei uma obediência que se mede com seus mais altos reclamos. Em seu favor, pelas agonias da sua morte, pagou alei a dívida devida às transgressões.
A obediência ativa e passiva de Cristo (sua vida e morte) foi de todo suficiente para assegurar a justificação de todo pecador. Disse o apóstolo: "...um morreu por todos, logo todos morreram". 2 Cor. 5:14. No que afeta à justiça, esta pode olhar a Cristo e considerar a todo homem como morto, como alguém que já satisfez plenamente as exigências da Lei. E isto é assim porque Cristo é o substituto de todo homem. Em vista disso, em sua epístola aos Romanos o apóstolo Paulo faz esta surprendente declaração: "O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação"—Rom. 4:25. A justificação não se tem de assegurar. Ela já está segura. A ressureição de Cristo é a prova de que Deus aceitou a humanidade na pessoa de seu Filho.
Alguém talvez pergunte: "Quer dizer que Deus já efetuou minha justificação através da morte de seu Filho? " Ao que respondemos: Isto é precisamente o Evangelho. São as boas novas do que Deus fez. O sepulcro vazio é a prova de que Deus já perdoou nossos pecados e nos tem recebido de volta a seu favor real. Escute isto: "...sua graça que ele nos concedeu gratuitamente no amado." Ef. 1: 6. Há pessoas que se inclinam a pensar que se se arrependem, crêem ou se entregam então Deus efetuará sua justificação. E supõem que isto
e o Evangelho. Não, não! Cristo se levantou de entre os mortos para provar que Deus já havia completado nossa justificação (Rom. 4:25). E esta poderosa reconciliação foi operada enquanto éramos pecadores (Rom. 5:8), e quando éra¬mos inimigos (Rom. 5:10).
Isto suscita a pergunta: "Acaso Deus efetuou nossa justificação fazendo algo completamente fora de nós? " A resposta de Paulo é um enfático Sim! Então prossegue provando-o mediante um contraste entre Cristo e Adão (Rom. 5: 15-19). Seu ponto central é: Quando Adão desobedeceu, a condenação e o pecado passaram a toda a raça humana. E isto aconteceu assim porque ele era nosso pai. Quando ele caiu, todos caíram. A condenação veio sobre nós, não por causa do que fizemos, mas por causa do que Adão fez (verso 18). "Pela desobediência de um só homem muitos se torna¬ram pecadores..." (verso 19). De modo que nós nos tornamos pecadores não por algo que aconteceu em nós, e sim por algo que aconteceu completamente fora de nós. Deus salvou a raça humana dando-nos outro pai: Jesus Cristo (Is. 9:6). Da mesma maneira que todos foram condenados pelo que Adão fez, foram todos justificados pelo que Cristo fez. "...Por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida." Rom. 5: 18. Porque como pela desobediência de um só homem muitos se tor- naram pecadores, assim também, por meio da obediência dc um só, muitos se tornarão justos" Rom. 5:19.
De modo que é para sempre certo que a única base da aceitação para com Deus é o que Cristo já fez por nós. Cristo, e unicamente Cristo foi encontrado agradável à vista de Deus. Existe somente uma razão para nossa aceitação para com Deus—o fato de que Cristo foi aceito. Sua obediência de dois mil anos atrás é a única base de nossa aceitação para com Deus no dia de hoje.
CONTINUA

Sermão O grande Segredo

01.wma

Propagandas Anti Religiao nos EUA




ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (*) - Um grupo humanista nos EUA lançou uma campanha com cartazes dizendo ao público que tudo bem dormir aos domingos, entre outras coisas.

"Obviamente, há muitas razões para rejeitar a religião, a maioria delas intelectual," disse Dan Barker, co-presidente da FFRF. "Mas encare-a - um dos benefícios imediatos ao parar de ir à igreja, além de obter um aumento de 10 por cento, porque você pode parar com o dízimo, é começar a dormir aos domingos! O que o mundo realmente precisa é de um bom sono."

A Freedom From Religion Foundation (FFRF) terá 20 outdoors colocados em toda a área de Tampa e São Petersburgo, na Flórida, este mês.

Quatro anúncios diferentes estão sendo apresentados, incluindo "Dormir aos Domingos," "Imagine nenhuma religião," "Deus e o Governo: uma mistura perigosa," e "Na Razão Nós Confiamos" - que é a mais recente mensagem do grupo.

Algumas das mensagens são projetados com uma estampa vitral.

"Queremos que os nossos outdoors sejam atraentes, e uma vez que nossas mensagens sejam controversas, os livres-pensadores amarão os vitrais tanto quanto os religiosos,” disse a Co-Presidente da FFRF, Annie Laurie Gaylor, em um comunicado. "Mas nós também gostaríamos de criar um pouco de dissonância cognitiva. Haveria algo se você visse esta mensagem: "Imagine nenhuma religião" ou "Dormir aos domingos," em uma Igreja?"

Retomado em 1978, descreve-se como a FFRF, uma associação de livres-pensadores, inclusive os ateus, agnósticos e céticos. “O Madison,” grupo de Wisconsin tem créditos de mais de 15.500 membros em todo o país.

Gaylor salientou que os não-religiosos são o maior segmento crescente da vertente da população identificada como religiosa nos Estados Unidos. A popularmente citada Pesquisa de 2008 de Identificação de Religiosos Americanos (2008 American Religious Identification Survey) revelou que a porcentagem dos norte-americanos afirmando não ter religião saltaram de 8,2 por cento em 1990 para 15 por cento.

Embora muitos não frequentem serviços religiosos, mais da metade (56 por cento) dos norte-americanos acreditam em Deus e não são religiosos e 49 por cento oram, regularmente, de acordo com o sociólogo RE Bradley Wright.

Ainda assim, FFRF quer enviar a mensagem de que nem todos os norte-americanos acreditam em Deus ou seguem uma religião.

"Se todas as pessoas veêm se é religião, ela ganha por omissão," disse Gaylor, conforme relatado pelo jornal St. Petersburg Times.

FFRF começou campanhas em cartazes em outubro de 2007 e até agora tem colocado as suas mensagens em 25 estados. Esta é a primeira vez que o grupo está fazendo publicidade na Flórida.



* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo. 
Fonte: Christian Post

Teologia Fácil- O que é Justificação nos Escritos Paulinos (Parte 1)



O nascimento de Jesus foi o acontecimento mais surpreendente que já aconteceu sobre a terra. Nada igual a isto ocorreu no passado. E nada igual poderá suceder jamais. O Excelso e Único Santo que habita na luz inacessível e na incompreensível majestade se fez membro da família humana. O criador do céu, da terra e das galáxias do espaço sem fim nasceu de uma mulher, cresceu no humilde lar de um camponês, viajou como um pregador itinerante, morreu em agonia e vergonha, levantou da tumba e ascendeu ao céu. Os doze apóstolos foram escolhidos como testemunhas oculares destes acontecimentos.
Depois, o Cristo que ascendeu ao céu escolheu outro homem por meio do qual o Espírito Santo revelaria o verdadeiro significado daqueles acontecimentos históricos que os doze apóstolos testemunharam. E nos escritos de Paulo que o Evangelho dado aos hebreus em símbolos, som¬bras e promessas fica plenamente revelado. (Col. 1:25-27; Efé. 3:1-8; Gál. 1:12; 1 Tim. 1:3; 2 Cor. 3:10; 2 Cor. 12: 1-5, 12; Rom. 16:25, 26).
O tema do Evangelho de Paulo era Cristo, e este crucifi¬cado para justificação dos pecadores (1 Cor. 2: 2; Gál. 1: 4). E certo que os demais apóstolos também deram testemunho da salvação dos pecadores por meio de Jesus; porém Paulo nos mostra como é que o Evangelho é uma revelação da justiça de Deus (Rom. 1:16, 17). Como pode um Deus justo justificar a pecadores? Como pode a extensão da misericórdia para transgressores da Lei ser consistente com as exigências da Justiça divina? Estas não são só perguntas interessantes apenas, mas que devem ser respondidas, se é que o homem rebelde há de reconciliar-se com o caráter de Deus.
A Justificação
A palavra-chave nos escritos de Paulo é justificação. Tanto no Velho como no Novo Testamento as palavras justificar e justificação têm um significado legal e judicial bem definido; são palavras que estão intimamente relacionadas com a idéia de juízo ou teste (Deut. 25:1, 1 Cor. 4:3; Mat. 12:37). A palavra justificação pode ser definida com ser alguém declarado justo por um tribunal. Quando se diz que Deus justifica a um homem, quer-se dizer que seu caso foi levado a juízo diante de Seu Divino Tribunal e que, depois de examinar o caso, declarou-se o acusado tão livre de qualquer falta e culpa como se fosse todo ele justo e agradável à vista de Sua Santa Lei. Em português, a palavra aceitação se ajusta bem ao significado de justificação.
Se justificação significa ser declarado justo ante o Tribunal da infinita justiça, quem então será justificado? Ai de mim. "Como pois seria justo o homem perante Deus e como seria puro aquele que nasce de mulher? " "Que é o homem para que seja puro e o que nasce de mulher, para ser justo? " "Eis que Deus não confia nem nos seus Santos; nem os céus são puros aos seus olhos, quanto menos o homem que é abominável e corrupto que bebe a iniqüidade como a água? " Jó. 25:4; 15:14-16.
Em sua grande epístola dirigida aos Romanos o apóstolo propõe responder ao grito universal do coração humano: "Como, pois, seria justo o homem perante Deus? Jó. 25:4. O que significa essa pergunta é: Que posso fazer para levar Deus a aceitar-me? Então a resposta de Paulo é enfática: Absolutamente nada!
Antes de apresentarmos o modo mediante o qual Deus alcança o homem, o apóstolo expõe a inutilidade do modo mediante o qual o homem tenta alcançar a Deus. Não há nem um justo, ninguém que entenda, ninguém que busque .a Deus, ninguém que faça o bem (Rom. 3:10-12). Ninguém tem uma vida capaz de confrontar as normas da lei de Deus (Rom. 3: 19). "Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei..." Rom. 3:20.
Paulo não diz simplesmente que ninguém pode chegar a ser justo à vista de Deus mediante sua forma de agir. Aqui ele usa o tempo futuro do verbo. Ele quer dizer que nenhum mortal virá a ser considerado justo alguma vez com base em sua própria vida. Nenhum homem pode enfrentar o juízo de Deus com uma consciência tranqüila se sua confiança descansa no mérito de sua própria vida. A razão fica firmemente estabelecida: "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus." Rom. 3:23. Ou ainda, como declara Salomão. "Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e que não peque." Ecl. 7:20.
Continua

A Mulher na Cruz. Retrato da Feminização na Igreja.






Em Julho de 2000, aconteceu a Assembléia Nacional das Mulheres Presbiterianas, em Kentucky, Estados Unidos. Neste evento, com mais de 6.000 mulheres participantes, houve, em muitos momentos a pregação fiel da Palavra, porém, a reunião também serviu de palco para apresentação de tendências teológicas muito estranhas. A figura acima, por exemplo, é a foto de um poster que estava sendo vendido na entrada da Assembléia de nome "Woman on the Cross" (Mulher na Cruz). Outro poster (ao lado) trazia a "Blessing in the name of Christa" (Bênção no nome de Crista". Uma reivindicação do "Voices of Sophia", movimento feminista da Presbyterian Church of United States of America (PCUSA), defendendo a igualdade de gênero até nas pessoas da Trindade. O "Voices of Sophia"http://www.voicesofsophia.wordpress.com está intimamente ligado ao "More Light Presbyterians", movimento homossexual que atua na PCUSA http://www.mlp.org/.


Pela graça de Deus, estas aberrações ainda não chegaram à Igreja Presbiteriana do Brasil. As mulheres de nossas Sociedades Auxiliadoras Femininas, espalhadas pelo país, são piedosas e tementes a Deus. Realizam um trabalho exemplar, sem necessitarem de ordenação pastoral. Aliás, nem querem, porque são fiéis à Palavra de Deus.


 

Todavia, há uma transformação ocorrendo em nossas igrejas. A feminilização de algumas áreas.


 

Na Liderança


 

Tem crescido pelo Brasil o número de pastoras, bispas e presbíteras. O aumento deste número não se deve a mais conhecimento bíblico do que tiveram nossos pais, mas sim ao argumento sociológico. Com o crescimento das oportunidades para as mulheres na sociedade, logo chegaram os defensores de que o ministério também deveria abrir oportunidades para as irmãs, mesmo sendo a Bíblia tão clara quanto a esta proibição.

Enquanto isso, na sociedade de uma forma geral, não são poucos os lares que têm na mulher o seu forte referencial. Maridos acuados, omissos e sem atuação no lar são encontrados em barracos, casas e mansões. Os reflexos deste comportamento na igreja são imediatos. É cada vez mais frequente o jargão "As mulheres fazem um excelente trabalho aqui na igreja, já os homens..."
Essa tendência da sociedade, repletida na igreja, faz com que a maioria dos cargos das igrejas sejam ocupados por mulheres. Assim, temos uma situação preocupante. Muitas vezes a fonte de ensino bíblico de um garoto, em casa, é uma mulher, a mãe, e, ao chegar na igreja, também serão mulheres que o ensinarão na Escola Dominical. Conclusão: Igreja é coisa de mulher.

Na Adoração

A adoração também tem sido feminilizada. Atingindo muito mais a emoção do que a razão, os cânticos atuais são bem próprios para atingir as mulheres, mas deixam uma lacuna grande na carência racional que o homem tem. Observe letras como "me derramar, dizer que te amo", "tu és formoso", "sentar no seu colo", etc... Letras românticas para expressar adoração a Cristo, que não é namorado, mas Senhor.

Esta moda romântica já foi denunciada no livro de Michael Horton "A Face de Deus". O autor mostra ali a influência do gnosticismo em hinos e cânticos individualistas e que valorizam a experiência ao invés do conhecimento. Esta deturpação tem ocorrido em muitas letras cantadas nas igrejas. Despreza-se a transcendência de Deus, isto é, o fato de ele ser Deus, superior às criaturas, majestoso e sublime, e supervaloriza-se a imanência, com frases como "quero tocar-te", "quero sentir teu calor", "beijar tua face". Faz-se uma caricatura de Deus, que é tanto transcendente quanto imanente.

É urgente, portanto, que as igrejas atentem para o que estão cantando. Jesus Cristo é Deus, não namorado. É preciso resgatar as letras que exaltam a majestade de Deus, sua santidade, a obra redentora do Filho e a gloriosa esperança do porvir.

Concluindo, precisamos rever esta situação, a começar do resgate de uma adoração mais racional que emocional e do comprometimento de homens que ocupem os cargos de liderança da Igreja. Seria muito importante que homens fossem professores de Escola Dominical, ensinando crianças e adolescentes. Os pequeninos precisam de referenciais masculinos de fé.

Assim, erguei-vos homens! Cristo quer-vos de pé!



fonte: resistenciaprotestante.blogspot.com

Epístola aos Romanos por Martinho Lutero (parte 4) Vale a Pena Ler!


Cap. 6—A luta diária contra o pecado
No capítulo sexto considera a obra especial da fé, a luta do espírito com a carne, dirigida a matar completamente os pecados e prazeres restantes que ficam depois da justificação, e nos ensina que nós não estamos livres pela fé, de maneira que possamos estar ociosos, frouxos, e seguros, como se já não existisse nenhum pecado. O pecado continua existindo mas não conduz â condenação por causa da fé que luta contra ele. Por isso durante toda nossa vida temos bastante que fazer com nós mesmos, para subjugar nosso corpo, matar seus apetites, e dobrar seus membros, de maneira que sejam obedientes ao espírito e não aos prazeres, a fim de que sejamos iguais a Cristo, em sua morte e ressurreição e realizemos nosso batismo que significa também a morte dos pecados e uma nova vida na graça até que, totalmente puros dos pecados, ressuscitemos na forma corporal com Cristo e vivamos eternamente.
E isto o podemos fazer porque, afirma ele, estamos na graça e não na lei. Isto o interpreta de maneira tal que não estar na lei não deve significar não ter nenhuma lei, de modo que se possa fazer o que cada um quer, senão que estar debaixo da lei significa ocupar-se em suas obras sem a graça. Então dominará certamente o pecado pela lei, porque ninguém sente uma inclinação natural por ela: mas isso mesmo é um grande pecado. A graça, pelo contrário, nos faz amáveis à lei, de modo que o pecado já não existe e a lei não está mais em oposição, senão de acordo conosco.
Esta é a verdadeira liberdade^ do pecado e da lei, do qual fala até o final deste capítulo. E uma liberdade para fazer só e gozosamente o bem, e para viver de uma maneira piedosa sem a imposição da lei. Por tal motivo, tal liberdade é uma liberdade espiritual, que não dispensa a lei, antes oferece o que é exigido por ela, quer dizer, o prazer e o amor para que a lei seja silenciada, e não tenha mais que exercer ou exigir. E o mesmo que se tivesse alguma dívida com um senhor feudal e não fosse paga. Poderias desfazer-te dele de duas maneiras: ou bem não tomasse nada de ti e rompesse teu registro de dívidas, ou algum homem bondoso pagasse em teu lugar e te desse o suficiente para que saísses da dívida. Desta maneira Cristo nos libertou da lei. Por isso não é uma liberdade desordenada e corporal que não tenha que fazer nada, senão uma liberdade que faz muitas e muitas obras, mas está livre da exigência e da dívida da lei.
Cap. 7—Morto para a lei e o conflito dentro do crente
No capítulo sétimo confirma o anterior mediante uma comparação com a vida matrimonial Quando um homem morre, então sua mulher volta a estar solteira, e um está separado do outro definitivamente; mas não de tal maneira que a mulher não possa, ou que não lhe seja permitido tomar a outro homem por esposo, senão está mais ainda em completa liberdade para fazê-lo, o que não podia fazer antes que morresse seu esposo. Assim nossa consciência está atada a este homem velho e pecador; quando este perece mediante o espírito, então está a consciência livre e separada da lei, não no sentido de que a consciência não tenha que fazer nada, senão que deve primeiro e realmente unir-se a Cristo, o outro esposo, e produzir frutos na vida.
Depois expõe a natureza do pecado e da lei, a saber como mediante a lei, se excita tanto mais, e se faz poderoso o pecado. Porque o homem velho se faz sempre mais inimigo da lei, porque não pode pagar o que é exigido por ela.
Pois o pecar é sua natureza e não pode por si mesmo fazer outra coisa; por isso é a lei sua morte e seu martírio. Não é que a lei seja má, senão que a má natureza não pode suportar o bem, ou seja, que a lei exija dele algo bom. Do mesmo modo que um enfermo não pode suportar que se exija que corra, e salte e faça outras obras próprias de uma pessoa sã.
Por isso conclui S. Paulo que onde se compreende bem a lei e é captada da melhor maneira, ali não faz mais que recordar-nos de nossos pecados e nos mata mediante os mesmos e nos faz merecedores da ira eterna, o que se aprende e se experimenta tão bem na consciência quando é tocada seriamente pela lei. Por conseguinte tem-se que ter algo distinto e superior à lei para tornar o homem bom e salvo. Os que não entendem corretamente a lei são cegos; portam-se com temeridade e pensam satisfazer â lei com obras, pois não sabem quanto exige um coração livre, de boa vontade, alegre. Por isso não podem olhar a Moisés face a face; pois está coberta e tapada para eles por um véu.
Depois mostra como o espírito e a carne lutam entre si em um homem e se coloca ele mesmo como exemplo, para que aprendamos a obra de matar os pecados em nós. Mas ele chama a ambos, ao espírito e à carne, uma lei, porque assim como é próprio da lei divina que impulsione e exiga, assim também a carne impulsiona, exige e se rebela contra o espírito, e quer ver cumprido o seu desejo. Esta luta permanece em nós enquanto vivemos, em alguns mais, em outros menos, segundo que o espírito ou a carne chegue a ser mais forte; contudo o homem mesmo em sua totalidade é ambas as coisas, espírito e carne; este homem luta consigo mesmo até que chegue a ser completamente espiritual.
Cap. 8—As aflições como ajuda contra a carne
No capítulo oitavo consola a tais lutadores com que tal carne não condena, e mostra além disso a natureza da carne e do espírito e como o espírito vem de Cristo que nos tem dado seu Espírito Santo que nos faz espirituais e modera a carne e nos assegura que não obstante somos filhos de Deus, ainda que o pecado desencadeia em nós o seu furor, sempre que siga- mos ao espírito e nos opomos ao pecado para matá-lo. Como nada melhor existe para suprimir a carne do que a cruz e o sofrimento, consola-nos no sofrimento mediante a assistância do espírito, do amor e de todas as criaturas, quer dizer, ambas as coisas: o espírito suspira em nós e a criatura anela em nós que sejamos livrados ou libertados da carne e do pecado. Assim podemos ver que estes três capítulos se dirigem à mesma obra de fé, isto é, matar o velho Adão e submeter a carne.

Jonas e a Teimosia Nossa de Cada Dia



Estudamos, no último mês, o difícil livro de Jonas. Digo difícil pelo paradoxal ensino de um profeta sem amor, que termina a sua missão chateado porque Deus demonstrou misericórdia aos que ouviram a pregação, creram e se arrependeram.

Percebemos nuances desafiadoras sobre a vocação de Deus, a missão da igreja e dos cristãos, a obra evangelística, as consequências da obediência e da desobediência, etc., etc. O que segue tais exposições não é o tradicional ato de colocar o livro de Jonas novamente na prateleira e partir para uma nova obra, sem muito compromisso. Pelo contrário, o desafio diante de nós é o de aprendermos os princípios do livro, para aplicarmos tais ensinamentos ao nosso cotidiano.

Como um resumão, ofereço os seguintes princípios e aplicações:

1 Deus chama pessoas imperfeitas. Homens falhos como Jonas, você e eu somos vocacionados por Deus para o cumprimento da missão. Isso significa que não devemos, nem podemos, ter a expectativa de perfeição antes de nos engajarmos na obra do Senhor. Pelo contrário, mesmo imperfeitos, somos chamados ao serviço.

2 Deus trata as pessoas imperfeitas ao longo da missão. Enquanto respondemos positivamente ao chamado de Deus, somos por ele tratados em nossas mazelas e pecados – purificados pelo Altíssimo, e por Ele habilitados para uma atuação fiel.

3 A soberania de Deus garante o cumprimento da Sua vontade. Por mais que Jonas lutasse para fugir de Deus, foi alcançado, e Deus o fez ser obediente. Do mesmo modo, precisamos entender que a vontade soberana de Deus está acima dos nossos desejos. Tudo está submetido ao Seu querer. Por isso, podemos descansar na certeza de que os planos do Senhor nunca serão frustrados.

4 Deus disciplina quem ama. O Senhor exerce juízo sobre o Seu povo, para ensiná-lo tratá-lo. Precisamos receber o juízo de Deus como expressão do Seu amor por nós. Deus está mais interessado em nossa salvação do que em nosso bem-estar.

5 A pregação é o método escolhido por Deus para a salvação de vidas. Longe do showbiz, dos espetáculos ou técnicas de manipulação e convencimento, o anúncio da Palavra de Deus é o meio por Ele escolhido para a salvação de vidas. Isso nos ensina a abrir mão da confiança em recursos, para nos apegarmos à mensagem fiel da Escritura.

6 Deus pode salvar mesmo os pecadores mais endurecidos. Os assírios ninivitas eram perversos e brutais. Qualquer observador externo diria que eles eram os típicos “nós cegos”, sem esperança de transformação. Mas o Deus misericordioso deu a eles a fé e o arrependimento, e transformou a sua vida. Isso nos ensina que podemos ter esperança mesmo diante daquelas pessoas a quem reputamos por eternamente perdidas. Como Jonas ensina: “a salvação pertence ao Senhor” (Jn.2.9). Cabe-nos a pregação da Palavra, e Deus se encarrega de fazer o resto. Por isso podemos ter esperança!

7 O processo de santificação e tratamento Divino continua ao longo desta vida. Jonas terminou o livro chateado pela salvação dos ninivitas. Mesmo após a disciplina do Senhor, e a sua obediência, ele demonstrou novamente que é um pecador, e se irou com Deus por causa da misericórdia demonstrada para com os assírios em questão. E, novamente, Deus foi ensiná-lo uma lição, e tratar o coração do profeta. Assim acontece conosco. Somos disciplinados, aprendemos, e em seguida voltamos a pecar. Deus misericordiosamente nos ensina novamente, aprendemos a nova lição, e pecamos em outra área. Por isso, podemos dizer como Lutero, somos “justos e pecadores”, pois a obra completa de Jesus nos garantiu a bênção da salvação e somos vistos como justos pelo Pai por causa do Filho, mas ao mesmo tempo estamos sendo trabalhados em nossos pecados e contradições, porque a obra de santificação ainda está sendo desenvolvida.

Pratiquemos, pois, esses pontos. Vivamos a partir de tal perspectiva, e sejamos testemunhas fiéis do Deus que nos tem tranformado.

Soli Deo Gloria.
fonte: http://allenporto.blogspot.com/

Epístola aos Romanos Por Martinho Lutero (Parte 3) Esboço do Livro, Vale A Pena Ler!




Cap. 1—Os pecados graves dos homens
E dever de um pregador evangélico que em primeiro lugar, mediante a revelação da lei e dos pecados, castigue tudo e declare como pecado tudo o que não é vivido como procedente do espírito e da fé em Cristo, de modo que os homens sejam conduzidos para o conhecimento de si mesmos e de sua miséria, para que se façam humildes e desejosos de ajuda. Da mesma forma o faz São Paulo e começa no primeiro capítulo a castigar os pecados graves e a incredulidade que são visíveis à luz do dia, como os pecados que se deram e ainda se dão nos pagãos que vivem sem a graça de Deus, e afirma que mediante o evangelho a cólera de Deus se revelará desde o céu sobre todos os homens por causa de seu ateísmo e de sua injustiça. Porque se bem sabem e vêem diariamente que há um Deus, a natureza em si todavia, fora da graça, é tão perversa que nem lhe agradece nem lhe honra; pelo contrário, se faz cega a si mesma e cai sem cessar em ações piores, até que depois da idolatria também produz os mais vergonhosos pecados e os vícios sem pudor, e além disso permite que outros o façam de forma impune.

 
Cap. 2—Hipocrisia e justiça própria
No capítulo seguinte estende tal castigo mesmo àqueles que tão bons parecem exteriormente ou os que pecam em segredo, como ocorria com os judeus, e como sucede atualmente com todos os hipócritas que de má vontade vivem corretamente e no fundo do coração são inimigos da lei de Deus, mas que, contudo, acham um prazer em julgar a outras pessoas o que é próprio de todos os impostores que se consideram a si mesmos puros, mas que estão cheios de avareza, de ódio, de orgulho, e de toda imundícia, Mateus 23:27 em diante. Precisamente são aqueles que desprezam a bondade de Deus e que por sua dureza acumulam a cólera de Deus sobre eles. Desta maneira São Paulo, como um autêntico intérprete da lei, a ninguém deixa sem pecado, senão que anuncia a cólera de Deus a todos os que querem viver corretamente por sua própria natureza ou por livre vontade, e não os faz aparecer melhores do que os pecadores comuns: com efeito afirma que são duros de coração e impenitentes.
Cap. 3—Todos os homens são pecadores; salvação por fé
No capítulo terceiro coloca a todos em um mesmo grupo e diz que um é como o outro, todos pecadores ante Deus, exceto que os judeus tinham a palavra de Deus, ainda que muitos não creram nela; mas com isso não perde validade a fé e a verdade de Deus, e acrescenta uma afirmação do Salmo 50:6 que Deus permanece justo em sua palavra. Depois insiste de novo e demonstra também mediante a Escritura que todos são pecadores e que pelas obras da lei ninguém é justificado, mas que a lei foi dada somente para reconhecer os pecados.
Depois começa e mostra o reto caminho para chegar a ser bom e salvo, e afirma: Todos são pecadores e sem a glória de Deus, devem ser justificados sem merecimento algum pela fé em Jesus Cristo quem nos tem feito merecidos por seu sangue, tendo chegado a ser um instrumento de propiciação por parte de Deus que perdoa nossos pacados anteriores para provar com isso que sua justiça que ele entrega na fé, é a única que nos ajuda. Naquele tempo foi revelada mediante o Evangelho, e antes testificada pela lei e os profetas. Assim a lei se estabelece mediante a fé, ainda que com isso caem as obras da lei com toda sua glória.

 
Cap, 4 As boas obras como sinais exteriores da fé
No capítulo quarto —já que nos primeiros três capítulos se puseram de manifesto os pecados, e se ensinou o caminho da fé para a justiça— começa a defrontar algumas objeções e protestos ; no primeiro termo considera aquela que em geral levantam os que ouvem que a fé torna justo sem as obras e dizem não haver que se fazer agora boas obras: Ele mesmo cita o caso de Abraão e diz: Que fez pois Abraão com suas obras? Foi tudo em vão? Não tinham suas obras nenhuma utilidade? E conclui que Abraão, sem obra alguma, somente pela fé foi justificado, de tal maneira, que antes da obra de sua circuncisão foi considerado como justo pela Escritura somente por causa de sua fé, Genesis 15:6. Mas se a obra da circuncisão não fez nada com respeito a sua justiça, que sem embargo Deus lhe mandou e que era uma boa obra de obediência, então certamente não haverá nenhuma outra obra que faça algo com respeito à justiça. Mas como a circuncisão de Abraão era um sinal exterior para que provasse sua justiça na fé, então todas as boas obras são somente sinais exteriores que resultam da fé e mostram, como os bons frutos, que o homem já está justificado interiormente diante de Deus. Desta maneira confirma agora S. Paulo com um excelente exemplo da Escritura a doutrina pela fé exposta no terceiro capítulo e acrescenta ainda uma testemunha, Davi, no Salmo 32:1 e 2 que também sustenta que o homem é justificado, sem obras, ainda que não deixará de fazer obras quando está justificado. Depois estende o exemplo a todas as obras da lei e conclui que os judeus não podem ser herança de Abraão somente por causa do sangue, muito menos ainda por causa das obras da lei, mas devem herdar a fé de Abraão se querem ser herdeiros autênticos, porque Abraão antes da lei —ambas, tanto a de Moisés como a da circuncisão— foi justificado pela fé e é chamado o pai de todos os crentes. Ademais, a lei produz mais ira que graça, porque ninguém a cumpre com amor e gosto de modo que a lei produz mais não-graça do que graça. Por isso somente a fé pode alcançar a graça prometida a Abraão, porque também esses exemplos foram escritos para nós, com o objetivo de que também crêssemos.
Cap. 5—Os frutos da fé
No quinto capítulo refere-se aos frutos e obras da fé: paz, alegria, amor a Deus e ao próximo; e mais segurança, intrepi- dez, resolução, valor e esperança na tristeza e no sofrimento. Pois tudo isto é o que se segue quando a fé é correta por causa do bem superabundante que Deus nos mostra em Cristo, a quem deixou morrer por nós, antes que o pedíssemos, mas mesmo quando ainda éramos inimigos. Por conseguinte, é evidente que a fé sem obra alguma justifica, do que não se deduz, porém, que por isso não se deva fazer nenhuma obra boa, pelo contrário, as obras verdadeiras não devem ficar fora; delas nada sabem os falsos devotos que inventam obras próprias nas quais não há nem paz, nem alegria, nem segurança, nem amor, nem esperança, nem intrepidez, nem nenhuma classe de verdadeira obra e fé cristã.
Depois faz uma agradável digressão e rodeio e relata de onde provém ambas, o pecado, e a justiça, a morte e a vida, confrontando finalmente a ambos: Adão e Cristo. Quer dizer: por isso teve que vir Cristo, outro Adão, que nos deixasse a herança de sua justiça, mediante um novo e espiritual nascimento na fé, assim como aquele Adão nos deixou como herança o pecado mediante o original nascimento carnal. Mas manifesta e confirma com isso que ninguém pode com as obras livrar-se, a si mesmo do pecado e chegar à justiça, assim como, tão pouco pode evitar nascer corporalmente. Com isso se demonstra também que a lei divina—que por lógica deveria ajudar—se é que pode ajudar algo para a justiça, não somente não tem ajudado, senão que também tem aumentado os pecados, pelo fato de que a má natureza se faz tanto mais inimiga da lei, e quer satisfazer seus apetites tanto mais quanto é proibida pela lei. Desta maneira a lei torna ainda mais necessário a Cristo e exige mais graça que ajude à natureza.