O Stress Do Ministro do Evangelho


O STRESS DO MINISTRO RELIGIOSO
por Eunice Pedroso M. Assumpção


Este trabalho é parte da dissertação de mestrado em Teologia com concentração em Aconselhamento,   sob o título  “STRESS, TRABALHO E ESTILO DE VIDA DO MINISTRO RELIGIOSO”  apresentada pela autora  em abril/2002 ao Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, Instituto Mackenzie, São Paulo (SP), sob orientação de Calvino Camargo.

RESUMO
O stress em pessoas que trabalham na área de relações humanas tem sido alvo de estudos de profissionais que se preocupam com a qualidade de vida e com o modo de se lidar com essa questão.
O stress pode ser visto como resultado direto da relação da pessoa com o seu meio ambiente, e pode tomar diferentes formas para diferentes pessoas.
Os líderes religiosos não estão isentos das pressões do cotidiano e diversos autores têm discutido questões que envolvem a saúde física e emocional desses líderes e a sua relação com o stress.
O objetivo desta pesquisa foi compreender as possíveis conseqüências do modo de viver do ministro religioso nas diversas áreas de sua vida, seja profissional, pessoal, familiar.
 Para tal, com a colaboração de doze pastores de igrejas históricas, independente de idade, tempo de ministério ou denominação religiosa, realizaram-se entrevistas dirigidas acompanhadas de um questionário.
 As respostas demonstraram marcantes similaridades entre os aspectos que os pastores consideraram estressores em suas vidas, tais como a solidão, a dificuldade para lidar com conflitos, a qualificação profissional insuficiente, dentre outros.
 O estudo não pretende ser conclusivo. Contudo, espera-se que as reflexões geradas sejam de utilidade para a vida pessoal de pastores, seminaristas, dirigentes de escolas teológicas e demais interessados no tema.
PALAVRAS CHAVES: stress, dificuldades ministeriais, controle, direção espiritual, qualificação profissional.
 
STRESS, TRABALHO E ESTILO DE VIDA DO MINISTRO RELIGIOSO
A primeira parte do nosso seminário se refere a uma exposição teórica resumida  sobre stress e qualidade de vida e a segunda parte apresenta os resultados da pesquisa para dissertação de mestrado em Aconselhamento Cristão. O objetivo não é esgotar o tema nem ser conclusivo, mas demonstrar onde se encontram as principais origens de fatores estressores na vida do líder religioso.
Portanto, citando K. Levin,  “NADA MAIS PRÁTICO QUE UMA BOA TEORIA”
 
I - O que é STRESS?
“Uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias às quais está submetida, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem-estar”. (França, 1996) Essa relação é, portanto uma resposta do organismo. As reações são adequadas à demanda e independem de controle: a amígdala (situada acima do tronco cerebral)  envia ao córtex cerebral ordem de despejar hormônio do stress no organismo. 
STRESS BOM = EUSTRESS ( atividades prazerosas: cansaço e recuperação)
STRESS MAU= DISTRESS ( reações prolongadas demais, inadequadas, gerando doenças)
SAG – Síndrome da Adaptação Geral: é  um conjunto de alterações que estimulam as defesas orgânicas e que ocorrem durante o tempo em que duram os agentes estressores.
Exemplos:
• Liberação de cortisona das glândulas supra-renais (para proteção, mas com stress crônico destrói a resistência orgânica).
• Taquicardia (bombeia mais sangue para músculos e pulmões, mas no stress crônico causa pressão alta, ataque cardíaco, etc.

II - FASES DO STRESS
1) Reação de alarme: é a adaptação natural dos seres vivos, ainda que possa ser exagerada. O retorno à homeostase é relativamente rápido. Sintomas: taquicardia, sudorese, esgotamento,  tensão muscular.
2) Fase de resistência: prolongamento da reação de alarme. Sintomas: dor de cabeça, perturbações do sono, medo, nervosismo, apetite oscilante, ranger de dentes, queda de cabelo, roer unhas, isolamento social, impotência sexual temporária.
3) Fase de quase exaustão: o organismo  não  consegue mais resistir ou adaptar-se  e há um colapso gradual. Sintomas: cansaço mental, concentração difícil, perda de memória imediata, apatia, herpes, diminuição da libido, gastrite, úlcera. A pessoa ainda consegue trabalhar, com uma vida relativamente normal, mas com muito esforço e intercalando com  momentos de total desconforto ( a chamada gangorra emocional).
4) Fase de exaustão: os sintomas são específicos da doença que vier a se instalar, não consegue trabalhar, tem decisões impensadas, depressão. Pode levar à morte.
 
III – DEPRESSÃO
Segundo Hart, a depressão é considerada  como um risco vocacional para os ministros religiosos, devido as  altas expectativas  que acompanham o ministério religioso. Contudo prevalece ainda uma boa dose de desinformação sobre o processo dessa doença.
”Cristãos  não estão sujeitos à depressão, ou depressão é conseqüência do pecado”, são  conceitos ainda vigentes em algumas comunidades.
Na depressão, a serotonina, que é um neurotransmissor,  é recaptada pelo organismo, como numa eclusa (represa ), então os anti-depressivos têm a função de inibir essa recaptação e não são “calmantes” como popularmente se supõe. O tratamento da depressão  exige acompanhamento médico e psicológico.
IV - STRESS x BURNOUT
Alguns autores consideram que o termo  stress se refere a sintomas físicos e burnout a sintomas emocionais, mas de uma maneira geral, burnout e stress têm como causa a má adaptação a um trabalho  com grande carga tensional. No burnout  a pessoa se sente como se “extinguindo”.
                         
             BURNOUT 
 
1 - Desligamento de atividades
2 - Emoções embotadas
3 - Danos emocionais primário
4 - Afeta a motivação
5 - Produz desmoralização
6 - Sensação de perda de ideais e esperança
7 - Perda de ideais e esperança
8 - Sensação de impotência e desesperança
9 - Paranóia, despersonalização, 
    desligamento          
10 - Não mata, mas torna a vida sem valor           
            
            STRESS
 
    1-Hiperatividade
    2 - Emoções superativadas
    3 - Danos físicos primários
    4 - Afeta a energia fisica
    5 - Produz desintegração
    6 - Sensação de perda de combustível   energia   
    7 - Depressão causada pela falta de   energia física
    8 - Senso de urgência e hiperatividade 
    9 - Pânico, fobia, ansiedade
  10 - Pode matar prematuramente
 
V- QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
Indicadores da OMS (Sampaio, 1999)
 
• Saúde física
 
• Saúde psicológica
 
• Nível de independência
 
• Relações sociais
 
• Meio ambiente
 
Penosidade – O trabalho é considerado penoso quando há sofrimento físico e mental, seja simultâneo ou não.
O stress relacionado ao trabalho apresenta situações com ameaças ambientais, falta de realização pessoal/profissional, com prejuízo de saúde física ou mental decorrente de demandas excessivas ao trabalhador, ou quando este não se sente com recursos adequados para enfrentar as situações.
 
VI - ENFRENTAMENTO DO STRESS – COPING
O enfrentamento ou coping (lidar com)  depende de como o indivíduo administra os fatores aos quais é submetido. Para isso há um esforço cognitivo e comportamental em constante mudança no intuito de controlar a situação.
Coping é diferente de reação de stress: no primeiro a ação passa por avaliação cognitiva, elaborando estratégias para lidar com o stress. Ex.: descanso semanal, férias,  lazer em geral - são atividades planejadas.

A reação de stress – independe de nossa vontade, é comandada pelo sistema límbico como conseqüência de um fator estressor. Na reação  de luta ou fuga há a adaptação necessária automaticamente.
 
VII- DIREÇÃO ESPIRITUAL
Está diretamente ligada ao tema do coping – a pessoa sob orientação de um diretor espiritual lida melhor com o stress.
 Peterson (2000): orientação espiritual se dá quando duas pessoas se dispõem  a gastar tempo para entender o que Deus está fazendo na sua vida, numa relação que nenhum livro ou fita cassete pode oferecer.
 Objetivo da D.E. – entender em que situação está sua fé com relação ao julgamento e à graça através de atividades como:
 
• Ensinar a orar
• Ajudar a discernir a presença de Deus bem no centro de sua vida
• Compartilhar a busca da luz através da escuridão da peregrinação
• Guiar a formação de auto-entendimento que seja bíblico e espiritual e não meramente psicológico ou sociológico. (Peterson,2000)

“Todos deveriam conhecer esta verdade: ninguém é dotado de tanta prudência e sabedoria que seja apto a guiar sua própria vida espiritual.
 
O amor próprio é um guia cego e engana muitos. A luz de nosso próprio julgamento é fraca e não podemos divisar todos os perigos ou ciladas e erros aos quais estamos propensos na vida do espírito”. (Peterson, Um pastor segundo o coração de Deus, Textus, 2000, pg 153).

VIII - APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
 
CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS

Foram utilizados 12 sujeitos, pastores de igrejas históricas de diferentes localidades do país,independente do tipo de dedicação (parcial/integral), tempo de ministério e idade.
 
Características:
• Idade: 24 a 75 anos
• Estado civil: 11 casados, 1 solteiro
• Tempo de ministério: 1 licenciado, 1 jubilado e os outros entre 8 e 25 anos de ministério.
• Tipo de ministério: 2 com tempo parcial (prof. Seminário e igreja local), 8 em tempo integral, 1 licenciado e 1 jubilado.

Questionário da pesquisa ( 10 questões): 

Aspectos Psicossociais – questões de número  1 a 5.
Dificuldades no exercício da Profissão – questões 6 e 7.
Qualificação profissional (grau de adequação) – questões 8 a 10.
 A fim de caracterizar a amostra da qual foram coletados os dados desta pesquisa, a análise das respostas foi conduzida de maneira a identificar, a partir da perspectiva do sujeito,  se há  stress nas atividades pastorais. Para tal, foram consideras as seguintes questões:

1 -Tipo de motivação para o pastorado – Quais os motivos?

Há motivações internas como experiências com Deus  e externas, como influência de familiares e líderes.  
Predominam como fontes de motivo para o pastorado,  experiências fortes com Deus na adolescência e juventude, marcando predominantemente um campo na relação pessoal com Deus.  
Também é considerado significativo o número de respostas cuja motivação é de caráter externo como: influência da família, envolvimento pessoal nos trabalhos da igreja e influência da liderança a igreja, combinando ainda  motivos internos com externos (família e experiência pessoal).
 
2 - Qualidade de relacionamento com pares e colegas de trabalho – Como eles se relacionam com a liderança da igreja e seus colegas de ministério?
Predominam dois tipos de relacionamento: um é superficial, marcado pela presença de sentimentos negativos ( excesso de formalidade, competitividade, superficialidade, desconfiança, luta pelo poder) e o outro é um relacionamento considerado bom,  marcado  também por sentimentos negativos.
 
3 - Qualidade do relacionamento com familiares – A família se envolve com o ministério?
A relação com familiares é boa,  procurando não envolver a família nos problemas da igreja.
Isto pode ser observado em frases como “Não me abro em casa,  para preservar a família dos problemas”; “Sinto que gostaria de ter mais tempo para a família”.
 
4 - Qualidade do lazer –  É importante? Há lazer de forma sistematizada?

Aparece, mais acentuadamente, a ausência de lazer ou lazer insuficiente, com dificuldades de sistematizar  essa área da vida. Frases usadas pelos entrevistados: “gostaria de ter tempo para jogar futebol, fazer caminhadas com a esposa”.
 
5 - Saúde – Como é a situação no aspecto  geral?
O comprometimento de saúde física ou psicológica é o que predomina. Frases como  “Tenho problemas com a coluna”; “Sou hipertenso” e “Tive depressão” foram comuns. Apenas um entrevistado declarou não ter problemas com a saúde.
 
6 - Fatores estressores na vida pessoal – Do ponto de vista do entrevistado quais as causas do seu stress?

-  falta de privacidade e tempo para família com sentimento de culpa por esse último
-  falta de tempo para si;
-  isolamento;
-  pressão econômica;
-  doença crônica familiares/esposa;
-  dificuldades em  planejar atividades, não conseguir planejar o tempo.
 
7 - Fatores estressores na vida ministerial – Quais são os  fatores?
-  solidão;
-  falta de ser pastoreado e de ter amizades profundas e significativas;
-  estar disponível  24  horas por dia;
-  fragmentação de atividades;
-  dificuldade para lidar com pessoas por não ter recebido conhecimento suficiente nas instituições    formadoras;sensação de estar  sempre sendo  observado;
- medo de se expor;expectativas de santidade do clero,  tanto da comunidade quanto da sociedade;competitividade;disputas pelo poder;burocracia inibidora;administração eclesial.
 
8 - Grau de adequação na qualificação – O seminário prepara para a realidade das igrejas? Sente-se preparado para o ministério em sua totalidade?
Predomina a resposta negativa. Os que responderam haver um preparo parcial  acham que há muita ênfase na teoria, um academicismo exagerado, não havendo visão da realidade das igrejas.
 
9 - Quais as dificuldades nos seminários hoje?

- Não há um trabalho anterior com os  candidatos. Muitos  são enviados sem conhecerem suas próprias motivações (vocação equivocada);
- Não são trabalhadas as questões emocionais do candidato;
- Relação com tutor superficial, muito aquém do ideal;
- Não há  bom clima emocional nos seminários;
- Não há prática espiritual;
- Há um desequilíbrio entre teoria e prática e  o conhecimento bíblico ministrado não tem garantido  bons relacionamentos entre pastor/ministério/vida pessoal;
- Alunos saem extremamente autoritários;
- Professores frustrados com pastorado ministrando a futuros pastores passam uma imagem negativa do ministério;
- Remuneração dos professores aquém das necessidades;
- Forma pastores doentes que podem ministrar para igrejas doentes;
- Nos moldes atuais o seminário  de tempo integral forma pastores que não sabem administrar seu tempo.
 
10 - O que falta nos seminários hoje? O que poderia ser mudado, incluído?
- Falta ênfase em vivência de aconselhamento;
- Falta uma força tarefa entre seminário, presbitério, igreja local, tutor e aluno, oferecendo maior visão do campo de trabalho,  seja evangelismo, missões,  educação cristã ou outro;
- Falta consciência do sofrimento inerente ao pastorado. (A Bíblia, no livro de Isaías traz  textos que apontam para um  servo que vem para sofrer).
- Preparar melhor o candidato antes de enviar ao seminário através de testes de dons, conhecimento de si mesmo e suas motivações;
- Vida de oração;
- Gastar mais tempo  em conversa e aconselhamento entre tutor e tutorado;
- Professores que busquem a melhor conversa, o melhor ambiente na teoria e na prática;
- Definir metas, pois  do modo como são atualmente  os seminários, não formam nem o teólogo nem o pastor, apenas técnicos  nas Escrituras Sagradas;
- Mestres que conheçam a vida comunitária e seu coração;
- Levar o aluno a conhecer a fundo o comportamento humano através de um bom conhecimento de psicologia;
- Maior conhecimento bíblico integrado com a prática  pois a bíblia trata do relacionamento de Deus com o ser humano e do relacionamento entre os seres humanos, logo, conhecimento bíblico que não provoca relacionamento é falso;
- Fundir teologia acadêmica e teologia pastoral.
 
IX – Conseqüências para a igreja local
Este texto não fez parte da pesquisa, mas observei que ao mesmo tempo em que a pesquisa ia se desenvolvendo, algumas pessoas ou grupos também se ocupavam com o tema, ainda que de um outro ângulo.
Artigos e livros produzidos por profissionais da área de psicologia ou pastores, juntaram-se à ação de dirigentes de seminários numa dinâmica, sobre a qual talvez Jung, em sua teoria da sincronicidade, tivesse algo a dizer.

Como cristã, tenho visto  a providência divina em muitas áreas de atuação do povo de Deus, mas o certo é que muitas coisas estão sendo feitas, no sentido de tratar a questão do stress no ministério religioso.

Em entrevista com Reverendo Adão Carlos   (diretor do SPS em Campinas SP desde janeiro  de 2002), ele  revelou que em conseqüência de observações ao longo de seu ministério, vem implantando naquela instituição mudanças significativas no sentido de sanar alguns problemas. Na sua opinião, quando um pastor não lida corretamente com as dificuldades, a igreja sofre:

• Insegurança – o rebanho fica inseguro.
• Desorientação – Não há sinalização quanto ao caminho a ser seguido.
• Divisão interna – nos conflitos, as pessoas tendem a se posicionar ao lado do pastor ou de seus desafetos.
• Inimizade – em decorrência do posicionamento no item anterior.
Geralmente a crise provoca a saída do pastor ou pode ocorrer  divisão da igreja.
Tendo em vista essas observações, as mudanças visam preparar melhor o aluno para o trabalho em campo, através de:
• Estágios desde o segundo ano em igreja local, em capelania de  hospitais através de convênios com Hosp. Samaritano e Unicamp, com acompanhamento do capelão e em instituições sociais.
• Reuniões simuladas de Conselho e Presbitério.
• Testes psicológicos na admissão do candidato e a partir do qual se desenvolve  um trabalho de orientação e acompanhamento pelo tempo que for necessário.
• Encaminhamento a psicólogo dos casos em que há necessidade.
“O ser humano é capaz de adaptar-se ao meio ambiente desfavorável, mas esta adaptação não acontece impunemente”.  Lennart Levy


O PREGADOR E O SERMÃO

1.QUALIDADES DO PREGADOR DO EVANGELHO

Naturalmente para que alguém obtenha êxito como mensageiro de Deus deve possuir certas qualidades, ou satisfazer a determinadas condições.
O fator essencial, a característica de maior importância, é a piedade, que, no dizer do apóstolo, "para tudo é proveitosa", I Timóteo 4:8. Só o crente consagrado, verdadeiramente espiritual, alcançará grandes vitórias por Deus e para Deus. O homem leviano, superficial, poderá ser notável orador político e obterá, talvez o aplauso e admiração de muitos, porém jamais conseguirá tornar-se um eficiente pregador ou um instrumento poderoso usado pelo Senhor.
No mínimo três elementos são essenciais à eficiência do seu trabalho: humildade, para alcançar graça; oração, a fim de conseguir poder; estudo da Bíblia, para obter sabedoria.
2. PREPARO INDIVIDUAL DO PREGADOR
Antes mesmo de preocupar-se com a mensagem, deve o pregador cuidar de si. É princípio inegável que aquilo que ele faz depende do que ele é. Daí as recomendações de Paulo a Timóteo: "Tem cuidado de ti mesmo (a pessoa) e da doutrina" (o trabalho); e mais adiante: "Procura apresentar-te aprovado perante Deus, como obreiro que não tem de que se envergonhar (o indivíduo) e que maneja bem a palavra da verdade", (a ação) (I Timóteo 3:16 e II Timóteo 2:15).
Para que o pregador seja bem sucedido em seu trabalho, é indispensável uma preparação completa, a qual abrange três aspectos: físico, intelectual e espiritual.
Preparação física: boa condição do organismo; saúde equilibrada. A Bíblia fala muito a respeito do equilíbrio das refeições. Nunca devemos exagerar na alimentação. Só recentemente que a ciência descobriu que a comida em excesso, pode ser prejudicial. Porém, a Bíblia Sagrada ensinava essa verdade há 3.500 anos atrás. "Depois disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Nenhuma gordura de boi, nem de carneiro, nem de cabra comereis. Todavia pode-se usar a gordura do animal que morre por si mesmo, e a gordura do que é dilacerado por feras, para qualquer outro fim; mas de maneira alguma comereis dela" (Levítico 7:22-24). Temos conhecimento no dia de hoje, quão pernicioso é o colesterol em nosso sangue. O exercício também é muito importante para quem quer servir ao Senhor. Longas caminhadas e outras atividades que "desemperram" os músculos são indispensáveis na vida do servo do Senhor. Acredito que o fator que pesou na longevidade de anos na vida dos servos do Senhor, foi sem dúvida alguma, as longas caminhadas que eles eram obrigados a fazer no cotidiano de suas vidas. Abraão, Isaque, Jacó e muitos outros patriarcas eram caminhantes inveterados.
O próprio Moisés caminhou no deserto, conduzindo o rebelde povo de Israel, pelo menos quarenta anos. Não é de admirar que Moisé morreu com 120 anos de idade (Deuteronômio 34:7). Se Moisés tivesse algum problema sério de saúde, naturalmente não seria usado por Deus para estar à frente do povo hebreu por longos quarenta anos.
Vamos imaginar se Moisés fosse um cardíaco. Como resistiria ele as longas caminhadas naquele deserto abrasador? É necessário, portanto, que o servo do Senhor cuide de sua saúde. O apóstolo João, o ancião, desejou saúde ao seu amigo Gaio (III João 2).
Preparação intelectual: É natural que o pregador seja amante dos livros. Indispensável, pois, se torna que vá, aos poucos, formando a sua biblioteca. Devido ao elevado custo atual dos livros, deve o pregador selecionar os volumes que precisa adquirir, evitando gastar tempo e dinheiro com obras que poderia dispensar.
O pregador compreensivo se dedicará às matérias essenciais, ao tipo de estudo mais proveitoso para o seu ministério. Não perderá os seus momentos preciosos com leituras supérfluas ou que nada edificam.
Além da Bíblia, que é o primordial, e da Arte de Pregar, a língua materna deve merecer sua atenção perene. Como é lamentável o pregador, e quanto é prejudicial à mensagem, cometer graves erros de português. Não se fala de ser um erudito, mas de evitar erros primários. Quanto mais cultura ele tiver, mais fácil e mais eficiente será o seu ministério. O pregador precisa conhecer bem o homem e a cultura de seu tempo: suas idéias, seus costumes, seus problemas, seus recursos, sua personalidade e sua psicologia. Por isso, o pregador não pode contetar-se em estudar apenas sua Bíblia. O pregador não deve ser "homem de um livro só". Mas, há muita gente que se ufana disso. Quem afirma que o pregador deve estudar só a Bíblia revela ignorância ou preguiça mental.
O pregador precisa estar em dia com o seu tempo, com a cultura de seu povo ou do povo a quem ele vai ministrar. Se ele está no Brasil, precisa conhecer a psicologia do povo brasileiro, o grau de cultura deste povo, suas aspirações, suas frustrações, o que faz, como o faz, o que pensa e o que pretende. Se ele dirigir a outro país, terá que conhecer o mesmo a respeito do povo daquele país. Precisará não só conhecer essa cultura, mas assimilá-la e integrar-se nela.
Por isso, o pregador terá que ler muito (ser leitor inveterado e insaciável de informações). Ler jornais, revistas, livros; ouvir rádio, ver televisão (menos o que não presta); estar se informando dos mais diversos noticíarios do mundo. Ele precisa ver, ouvir e sentir o seu povo.
Paulo, o apóstolo aos gentios, não esquecia do seu preparo intelectual, e isto se nota quando ele pediu ao seu colega Timóteo, os livros e pergaminhos (II Timóteo 4:13). Concluimos, pois, que Paulo valorizava o preparo intelectual.
3. PREPARO ESPIRITUAL DO PREGADOR
O pregador deve, prioritariamente, buscar a qualidade espiritual. O bom condicionamento físico e o preparo intelectual são bons, e até necessários, mas nada disso adianta, se o pregador não empenhar-se na busca da santidade, (I Timóteo 4:13).
a) - Estudo da Bíblia. O pregador deve levar a sério o estudo das Sagradas Escrituras. Para obter sucesso em sua labuta no dia a dia, o pregador ou pastor precisa desenvolver o hábito de estudar com afinco o Santo Livro.
"Não se aparte de sua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás proseperar o teu caminho, e serás bem sucedido" (Josué 1:8). Neste pequeno e excelente versículo, temos uma receita divina. Deus, aqui, mostra o que futuro sucesso de Josué, seria observar e pôr em prática o Santo Livro. Paulo também sabia do valor das Escrituras Sagradas na vida de Timóteo, seu filho na fé. Eis o conselho que Paulo deu ao Jovem Timóteo: "Procure apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que maneja bem a palavra da verdade" (II Timóteo 2:15).
As Santas Escrituras são instrumentos poderosíssimos na vida de quem quer dedicar na causa do Evangelho. Paulo, o maior pregador de todos os tempos, abaixo de Cristo, disse: "Porque não me envergonho do Evangelho, pois o é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" (Romanos 1:16).
b) - Oração: Devido a grande importância do assunto, dedicaremos alguns parágrafos à oração, como fator sem igual para o progresso espiritual do obreiro.
Alguém, numa certa ocasião, disse acertadamente: "A oração é a primeira, a segunda e a terceira coisa necessária ao pregador". O pregador que não se dedica à oração, não pode ser bem sucedido em seu ministério.
Todas as Escrituras estam cheias de exemplos de homens de oração profunda e piedosa. Os heróis do Antigo Testamento a usavam como arma eficiente nas suas grandes vitórias. Um dos grandes exemplos de oração é o do patrairca Jó. Jó sofreu as mais terríveis pressões que a vida reserva; porém, a Bíblia diz que Jó continuou imbatível em sua jornada de fé. Jó perdeu todos os seus bens materiais, perdeu todos os seus dez filhos, e, por fim, perdeu a saúde, mas não perdeu a sua esperança no Todo-Poderoso. Este valoroso homem continuava orando a Deus, apesar dos dissabores que sofreu. Vejamos o que a Bíblia diz a respeito de Jó e sua oração: "O Senhor, pois, virou o cativeiro de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu a Jó o dobro do que antes possuía" (Jó 42:10).
Davi, o segundo rei da nação de Israel, também era um homem de oração. Este homem foi notável em seus momentos de devoção a Deus. São dele essas palavras que nos estimulam às orações: "De tarde, de manhã e ao meio-dia me queixarei e me lamentarei (oração); e Ele ouvirá a minha voz" (Salmos 55:17).
Quando estudamos o Evangelho de Lucas, que apresenta Jesus com homem perfeito, e dá ênfase à sua dependência de Deus na realização do ministério na terra, aprendemos que o Senhor vivia em constante comunhão com Deus; no batismo, "orando Ele, o céu se abriu" (Lucas 3:21); após a efetuação de prodígios, retirava-se para o deserto e ali orava (Lucas 5:16); antes de escolher os doze, "subiu ao monte a fim de orar, e passou a noite em oração a Deus" (Lucas 6:12); esteve sozinho, orando pouco antes de interrogar aos seus discípulos: "Quem dizem o homem que eu sou?" (Lucas 9:18); noutra ocasião levou três dos mais íntimos companheiros "e subiu ao monte a orar e ali se transfigurou" (Lucas 9:29); exultante, orou ao Pai com ação de graças pelas revelações aos humildes seguidores (Lucas 10:21); "estando Ele a orar em certo lugar" os seus discípulos suplicaram que lhes ensinasse a orar (Lucas 11"1); na cruz orou, pedindo perdão para os inimigos (Lucas 23:34). E conforme o testemunho do autor da carta aos hebreus, ainda hoje "vive para interceder por nós" (Hebreus 7:25).
Paulo é outro exemplo magnífico: não obstante as múltiplas responsabilidades do apóstolo, suas contínuas viagens, as perseguições que enfrentava, as lutas do ministério e os labores constantes, encontramo-lo sempre em oração intercessória, conforme aprendemos dos seus escritos: "Incessantemente faço menção de vós, pedindo nas minhas orações..." (Romanos 1:9-10). "Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada"
(I Coríntios 1:4). "Fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas por todos vós com alegria" (Filipenses 1:4). "Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós" (Colossenses 1:3).
Por falta de espaço e tempo, não podemos transcrever aqui muitas outras passagens que revelam a importância da oração.
4. AQUELES QUE O SENHOR CHAMA
Consideremos então a importância do crente redimido por Jesus Cristo ser o arauto das verdades eternas do Evangelho. Como crente em Cristo, muitos privilégios tenho tido em minha vida. Porém, nenhum outro privilégio pode se comparar com a oportunidade de servir o meu Criador. Lembro-me do apóstolo Paulo que considerava o grande privilegiado de ser escolhido para "...anunciar as inescrutáveis riquezas de Cristo" (Efésios 3:8). Pregar o Evangelho de Cristo, sem dúvida alguma, é pregar a maior riqueza de todo o universo. Estou certo de que Deus concede a todos os convertidos, seja homem ou mulher, seja moço ou moça, menino ou menina, essa grande bênção de falar de Cristo aos seus semelhantes que necessitam de salvação. Todos os regenerados pelo poder do Espírito Santo de Deus, podem e devem falar de Jesus como sendo a única esperança ao perdido pecador.
Pregar o Evangelho de Cristo, não quer dizer com isso, que todos devem ocupar a direção ou liderança de uma determinada igreja. Aprendemos nas Escrituras Sagradas que nem todos são chamados para ocuparem o pastorado da igreja. Deus, que conhece os corações, escolhe e capacita àqueles que por Ele são chamados para este grandioso serviço. Paulo mesmo disse que nem todos têm um mesmo dom na Igreja de Cristo. "E uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas: são todos mestres? são todos operadores de milagres? todos têm dom de curar? Falam todos línguas? Interpretam todos? Mas procurai com melhor zelo os maiores dons. Ademais, eu vos mostrarei um caminho sobremodo excelente" (I Coríntios 12:28-31).
Sabemos que, no caso da mulher, Deus proíbe terminantemente ocupar uma posição de liderança na igreja. Apesar deste ensino produzir muita polêmica entre igrejas e pastores, ele continua firme nas páginas das Escrituras Sagradas. Veja as seguintes passagens: (I Coríntios 14:34; I Timóteo 2:11-13). Quando uma mulher se levanta para fazer uma pregação, exercendo assim, a liderança sobre os homens, ela está frontalmente desobedecendo a palavra do Senhor.
Porém, com isso, não quer dizer que a mulher não pode fazer nada pela causa de Cristo. Muito pelo contrário, a mulher pode e deve ser uma ferramenta útil nas mãos do Senhor. O mesmo apóstolo que ordenou que as mulheres aprendessem em silêncio nas igrejas, mais tarde disse: "E peço a ti, meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque trabalharam comigo no Evangelho..." (Filipenses 4:3). Paulo está se referindo às duas mulheres (Evódia e Síntique) que aparentemente estavam tendo alguns problemas pessoais. Mas o que nos chama a atenção é Paulo (chamado por muitos de machista) dizendo que essas duas mulheres trabalharam com ele no Evangelho.
A mulher Samaritana também serve como exemplo de que a mulher pode ser muito útil na causa do Senhor. A mulher Samaritana, a mando de Cristo, foi à cidade e convidou (não pregou) aos homens e disse: "Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; será este, porventura, o Cristo?" (João 4:29-30). Sim, esta mulher fez algo muito importante, pois ela foi convidar os homens da cidade a virem até onde Cristo estava. Isto as mulheres podem fazer nos dias de hojem também. As convertidas, na semelhança da mulher Samaritana, podem convidar homens, seus conhecidos e amigos, a virem à Igreja para ouvir a pregação do Evangelho.
Algumas mulheres que foram milagrosamente curadas por Cristo, acompanhavam-no e o serviam com as suas posses (Lucas 8:1-3). Aprendemos, então, que as mulheres podem fazer muito em prol do Evangelho. Hoje em dias, em nossas igrejas, as irmãs têm contribuído muito, principalmente quando usam os seus dons musicais, ajudando com suas vozes e, mesmo nos intrumentos musicais, como pianos, teclados, acordeons etc. Elas colaboram desta maneira sem exercer nenhuma liderança sobre os homens. Quantas irmãs têm sido úteis no Evangelho como educadoras de crianças, encaminhando-as a Cristo como Salvador.
5. O QUE É CHAMADO DEVE OBEDECER IMEDIATAMENTE
Quando alguém se sente chamado para o ser pastor, evangelista ou pregador, não deve hesitar, mas sem delongas aceitar a chamada de Deus. Temos o exemplo do apóstolo Paulo, que quando chamado, não questionou com Deus, mas imediatamente aceitou o grande desafio de ser usado pelo Senhor. Veja Gálatas 1:16-17. Também o profeta Isaías, no Antigo Testamento, é um exemplo de obediência imediata quando sentiu que Deus o estava chamando para o ministério: "Depois disso ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim". (Isaías 6:8).
O chamado por Deus para pregar o Evangelho não deve esquecer que os anjos também desejariam desempenhar este glorioso serviço. "...para as quais coisas os anjos bem desejariam atentar" (I Pedro 1:12). Os anjos são numerosíssimos, pertencentes a muitas ordens diferentes, dotados de grande inteligência, poder e autoridade, e alguns deles são dirigentes de vastas regiões dos mundos celestiais. Veja Efésios 1:21 e Apocalipse 19:17.
Aceitar a chamada de Deus para o trabalho de anunciar o Santo Evangelho, é o que de mais honroso se poderia almejar. Muitos se enchem de orgulho pelo simples fato de ser aprovados num concurso do Banco do Estado, do Banco do Brasil, do Banco Central etc. Outros se acham agraciados por ocuparem altos cargos nas mais altas hierarquia do Governo ou de uma grande empresa de prestígio internacional. Mas digo com toda a convicção, que nenhum cargo na terra, por mais importante que seja entre os mortais, se eqüivale ser chamado por Deus para o seu santo serviço.
Há vária maneiras de pregar o Evangelho de Cristo. Você pode falar com um amigo ou amiga. Podemos ir a um hospital ou presidiário e, então expor com humildade, a mensagem aos doente ou presos.
6. EXEMPLOS DE ALGUNS HOMENS CHAMADOS E USADOS POR DEUS
Gostaria de relacionar alguns homens, que apesar de serem fracos e vulneráveis ao pecado, Deus os usou poderosamente para desempenhar alguns trabalhos especiais:
- Moisés foi chamado especialmente para tirar o povo da escravidão do Egito (Êxodo 3:10).
- Deus chamou Josué para liderar o povo de Israel em direção da terra prometida (Josué 1:1-2).
- Samuel foi usado para ser o último grande Juiz da nação Hebraica e ajudar o povo a escolher o primeiro rei de sua história (I Samuel 3:1-14; 8:6-7; 10:1).
- Davi, o segundo rei da história de Israel, foi chamado pelo Senhor para substituir Saul que deixara Israel com moral baixa (I Samuel 16:11-13).
- Salomão foi chamado por Deus para dar continuidade ao reinado de seu pai, o rei Davi (I Reis 1:37 e 2:1-4).
- Jonas foi chamado para pregar a um povo estranho às alianças de Deus, o povo de Nínive (Jonas 1:1-2).
- Jesus chamou os doze apóstolos para estarem ao seu lado e, também, para serem os primeiros fundamentos de sua Igreja (Lucas 9:1-6; I Coríntios 12:28).
- Paulo, o apóstolo aos gentios, foi chamado pelo Senhor para sofrer pelo seu nome (Atos 9:15-16).
- Timóteo, o jovem companheiro do apóstolo Paulo, foi chamado para trabalhar na causa do Evangelho (I Timóteo 4:14-15).
- Alguns são chamados para exercerem o pastorado da igreja e outros são chamados para o honrado trabalho diaconato (Atos 6:1-6 e I Timóteo 3:1-10).
É bom lembrar novamente, que, quando alguém é chamado por Deus para pregar o Evangelho, não se deve questionar o Todo-Poderoso. Lembremos de Moisés e como ele queria fugir, mas não pôde (Êxodo 4:10-17).
Outro homem que procurou "tirar o corpo fora" foi Gideão, mas também não pôde (Juízes 6:14-15). Poderíamos ainda falar do profeta Jonas, que ao ser chamado para pregar aos ninivitas, ele procurou fugir desta grande responsabilidade (Jonas 1:1-4).
7. AS DIFICULDADES NA VIDA DO PREGADOR
A vida de quem prega o Evangelho de Jesus Cristo é marcada de muitos obstáculos e dificuldades. É lamentável que a maioria não compreende a vida daquele que se entrega para o serviço de Deus. Aqueles que acham que a vida do pregador, evangelista ou pastor é "moleza", são os que menos cooperam na causa do Evangelho.
Todo pregador do Evangelho, mais cedo ou mais tarde, será criticado. Porém, a crítica mais dolorida não é tanto dos descrentes, pois deles é de se esperar qualquer tipo de crítica, mas as que mais ferem o pregador são aquelas que vêm de pessoas que estão no rol da membros da igreja. Paulo sofreu este ataque de alguns membros da Igreja de Corinto (I Coríntios 4:3; II Corintios 10:10-13; II Coríntios 11:6). Outro exemplo de crítica ferina que abala o pregador ou dirigente encontra-se no livro de Números quando Arão e Míriam criticaram a Moisés devido o seu casamento com a mulher cuhita (Números 12:1-15). Deus, entretanto, tomou as dores de Moisés e deu uma dura reprimenda em Arão e Míriam por terem falado contra Moisés. Não sei o porquê, mas Deus foi muito mais severo com Míriam, irmã de Moisés, deixando-a leprosa (Números 12:10).
Outra dificuldade que o pregador, evangelista, pastor ou qualquer dirigente de igreja depara em seu caminho, é quando algumas pessoas o considera como um "superstar" ou "super-espiritual". Há pessoas, por incrível que pareça, que consideram o pastor ou dirigente de igreja um "semi-deus". É claro que o pastor ou pregador deve ser exemplo em tudo, mas considerá-lo como alguém que tem a solução para todos os tipos de problemas, é o cúmulo do absurdo. Creio que todo pregador mais cedo ou mais tarde terá de enfrentar esse tipo de problema. A nação de Israel caiu grave neste erro quando achou que seu líder era um "super-homem". Moisés não agüentou a pressão de tanta "choradeira" do povo e disse a Deus: "Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz, para que me dissesses: Leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança de peito, para a terra que com juramento prometeste a seus pais? Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto choram diante de mim, dizendo: Dá-nos carne a comer. Eu só não posso levar a todo este povo, porque me é pesado demais. Se tu me hás de tratar assim, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria"
(Número 11:12-15). Quando o pregador é pressionado desta maneira, a sua reação é semelhante à de Moisés. Mas com o tempo o pastor ou dirigente de uma igreja aprende a se esquivar de tais problemas, mas naturalmente, isto se aprende depois de muitos anos no "batente". Antigamente eu perdia noites de sono com alguns problemas que membros de minha igreja me traziam. Eram problemas que estavam além de minha capacidade. Eram questões familiares, tais como: brigas de esposo e esposa; pais que vinham reclamar de um determinado filho rebelde; alguns dizendo que precisavam de emprego; outros que diziam que estavam com falta de dinheiro etc. Ora, esses tipos de questões o pastor ou dirigente de igreja não pode solucionar. Podemos e devemos orar a Deus, e esperar que Ele dê a solução ao problema. Se o pastor ou dirigente de igrejas forem ajudar financeiramente os irmãos pobres, então precisaria de uma fortuna tal como a do Bill Gates ou de qualquer outro bilionário deste mundo. Porém, como é o caso de muitos pastores e dirigentes, eles estão na lista dos mais pobres de suas igrejas. O pastor ou pregador do Evangelho deve aprender que sua principal ocupação é cuidar do rebanho de Deus e procurar ganhar almas para Cristo. Que nós, pastores e pregadores, aprendamos agir como Cristo: "Homem, quem me constiuiu a mim como juíz ou repartidor entre vós?" (Lucas 12:14). As dificuldades financeiras e as diferenças sociais é uma realidade, porém, o pastor ou dirigente não pode fazer nada para resolver esta questão. As Sagtradas Escrituras dizem que os pobres sempre existirão na terra. Veja Deuteronômio 15:11 e Mateus 26:11.
8. A PREGAÇÃO
Vamos agora falar da pregação. Pregar significa anunciar, divulgar, proclamar em alta voz uma determinada mensagem. Qual é a mensagem que o pregador deve proclamar? A mensagem da Bíblia. A Bíblia e somente a Bíblia que o pregador deve anunciar.
As Sagradas Escrituras é a fonte inesgotável da mensagem de Deus. Suas páginas inspiradas contêm tudo o que precisa o servo de Deus para o desempenho eficiente da missão de pregar. Este maravilhoso Livro apresenta variado material para o abastecimento perene do obreiro: poesia, história, biografia, doutrina, profecia... A Bíblia tem uma palavra adequada para cada ouvinte, em todo o tempo e em qualquer circunstância: é pão para o faminto, água para o sedento, alívio para o amargurado, conforto para o perseguido e luz para o duvidoso.
Não podemos negar o valor da psicologia, da filosofia e da antropologia, mas recorrer a esses valores para convencer o homem de seu estado pecaminoso, é atingir as raias do absurdo!!!
O apóstolo Paulo reconheceu o valor das Escrituras Sagradas, quando disse: "Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra" (II Timóteo 3:16-17). Jeremias, o profeta do Antigo Testamento, também reconheceu o valor da Palavra do Senhor, quando ouviu de Deus as seguintes palavras: "Não é a minha Palavra como fogo, diz o Senhor; e como martelo que esmiúça a pedra?" (Jeremias 23:29). O famoso rei Davi disse: "Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos" (Salmos 19:8).
Portanto, não podemos deixar de reconhecer que o Livro Divino contém tudo quanto o pregador ou pastor precisa em seu trabalho.
É muito importante que o pregador examine a sua Bíblia de diferentes modos, evitando assim o enfado ou monotonia e tornando o estudo mais atraente e proveitoso. Deve considerá-la como um todo, procurando vê-la de maneira ampla ou geral, como alguém que, de avião, contempla panorâmicamente determinada cidade. A seguir, procure estudar livro por livro, a fim de compreender os ensinos principais, os fatos salientes de cada um deles, inclusive o autor, a data, as circunstâncias históricas, a quem foi dirigida a sua mensagem e com que intento. Depois estude os seus capítulos mais notáveis, os quais apresenta verdades profundas e essênciais. Então procure os textos que se destacam pelo seu valor e profundeza, buscando sempre entender o seu verdadeiro sentido.
9. TIPOS DE PREGAÇÃO
Todos apreciam a variedade. Em razão disso, o pregador deve esforçar-se para não se escravizar a um só tipo de mensagem, o que prejudicaria o seu trabalho. Porém, ele tem que expor ao povo do Senhor "...todo o conselho de Deus" (Atos 20:27). Nunca esquecer que em determinadas ocasiões, o pregador deve trazer uma mensagem apropriada. EXEMPLO: Num velório, a pregação deve ser mais séria; o pregador deve trazer uma mensagem de esperança às pessoas que assistem. O servo de Deus deve ter sempre em mente que numa ocasião desta, as pessoas estão mais receptivas do que, quando assistem culto em uma festa de aniversário ou de casamento. No livro de Eclesiastes encontramos as sábias palavras do rei Salomão: "Melhor é ir à casa de luto (velório) do que ir à casa onde há banquete (festa); porque naquela (no velório) se vê o fim de todos os homens, e os vivos (que estão no velório) o aplicam ao seu coração" (Eclesiaste 7:2).
Há vários tipos de sermões, e naturalmente todos eles são úteis, mas aquele que prega o Evangelho deve aprimorar-se no tipo de sermão que mais lhe agrada. Porém, os tipos de sermões mais usados e conhecidos são estes três: TÓPICOS, TEXTUAL E EXPOSITIVO. Vejamos então, através de exemplos, como se desenvolve estes três tipos de sermões:
1º) Tópico: quando um assunto se desenvolve através de comparação de diversos trechos da Bíblia. Muitos pregadores usam este tipo de sermão, pois a vantagem de ser usado facilita com que o pregador apresente um assunto mais completo. Jesus e seus apóstolos fizeram uso largamente deste tipo de sermão. Vamos ilustrar aqui alguns sermões deste tipo:
I - Palavra da Cruz - I Coríntios 1:18-31.
1) Mensagem do amor divino;
2) Mensagem da dor ou do sofrimento;
3) Mensagem do perdão;
4) Mensagem da vitória.

II - "Vinde" - Lucas 14:15-24.
1) Uma necessidade (do homem);
2) um apelo (de Deus);
3) Uma oportunidade (para todos);
4) umaresponsabilidade (dos que escutam o convite)

III - Símbolo e Realidade - Números 21:1-9.
A serpente de metal como um perfeito tipo de Cristo:
1) Providenciada por Deus;
2) Para socorrer a um povo aflito;
3) Semelhante, mas distinta;
4) Levantada;
5) O alvo da fé;
6) O suficiente.
2º) Textual: quando não apenas o assunto, mas de igual modo os pontos ou divisões são extraídos do próprio versículo. Assim, o pregador analisa mais minuciosamente o conteúdo do texto, explicando as suas verdades, ou salientando as suas frases. As divisões da mensagem correspondem exatamente às cláusulas do versículo sobre o qual está baseada. É de grande utilidade este método, pois consiste na interpretação do texto da maneira mais completa.
Vejamos alguns exemplos de sermões textuais:
I - A Mensagem do Evangelho - Atos 17:30-31
1) Divina: "Deus";
2) Perdoadora: "Não tendo em conta os tempos da ignorância;
3) Urgente: "Agora";
4) Universal: "A todos os homens, em todo o lugar";
5) Definida: "Que se arrependam";
6) Responsabilidade dos que a ouvem ou perigo de desprezá-la: "Há de julgar o mundo com justiça".

II - Os verdadeiros seguidores de Cristo - João 10:27-28.
1) Obedientes: "ouvem a minha voz";
2) Dedicados: "me seguem";
3) Salvos: "dou-lhes a vida eterna";
4) Seguros: "nunca perecerão";
5) Protegidos: "Ninguém as arrebatará da minhas mãos"

Ou, ainda, estes outros:

Baseando-nos no Salmo 9:17, usamos o seguinte esboço:
l) Uma classe: os ímpios;
2) uma punição: serão lançados;
3) U lugar: o inferno;
4) Uma atitude: esquecimento de Deus.
Usando Mateus 8:11, pregamos um sermão com as seguintes divisões:

1) A maior garantia - "EU vos digo"; (a palavra infalível de Cristo);
2) A mais sábia escolha: "virão";
3) A mais ampla oportunidade: "do Oriente e do Ocidente" (isto é, todos, a humanidade inteira);
4) O melhor descanso: "sentarão";
5) A mais doce companhia: "Abraão, Isaque e Jacó" (todos os remidos);
6) A mais feliz habitação: "o reino de Deus", o céu. Concluindo, analisamos, por contraste:
7) A mais lamentável tragédia: ser lançado fora (por desprezar o Evangelho).
3º) Expositivo: é uma exegese da Escritura, a análise de um trecho da Bíblia, com maior número de pormenores. Tem sido, por certo, o tipo menos popular. Sem dúvida alguma, esse tipo de sermão exige um estudo sério, uma meditação profunda. A essência do sermão expositivo é a explicação detalhada de um trecho das Escrituras Sagradas escolhido pelo pregador. Para este tipo de sermão, exige-se da parte do pregador um cuidado especial, pois, se a exposição do trecho não for bem claro em sua explanação, haverá da parte dos ouvintes uma interrogação ("no ar") pelo fato de não te entendidos a mensagem.
O sermão expositivo possibilita maior conhecimento bíblico tanto para o pregador, como para os ouvintes. É um método rápido e eficaz para o fortalecimento ou edificação da igreja; dá mais honra à Palavra inspirada; a interpretação é mais exata, mais fiel, pois o mensageiro não tem oportunidade de afastar-se do texto sob o impulso da imaginação, e, enfim, a persistência ou hábito no seu uso torna-se uma grande bênção para o obreiro.
Vamos mostrar alguns sermões bíblicos desta categoria:

I - A Mulher Cananéia - No trecho de Mateus 15:21-28.
1) Sua posicão - estrangeira;
2) Sua necessidade - a filha enferma;
3) - Seu embaraço - aparente indiferença de Jesus e repreensão do povo;
4) - Sua humildade, perseverança e fé;
5) - Resultado: a cura.

II - Na história do cego de nascensa - No capítulo 9 de João.
1) - Sua condição - cego, mendigo;
2) - Sua oportunidade: encontrar-se com Jesus;
3) - Sua atitude - obediência, fé, persistência;
4) - Sua cura - imediata, completa;
5) - Sua prova- as oposições;
6) - Seu testemunho corajoso - vs. 16, 33 e sobretudo o 25.

III - Podemos considerar na parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-24) as diferentes atitudes do moço ou as suas várias situações.
1) - Arrogância - "da-me";
2) - Dissipação - "gastou tudo";
3) - Ruína total - padecendo necessidade;
4) - Humilhação - procurando emprego; Despertamento - "caiu em si";
5) - Decisão - voltando ao lar;
6) - Recompensa - a recepção festiva.

IV - Uma série de condições para se ser salvo encontramos no trecho clássico de Isaías 55:1-8.
1) - Ter sede;
2) - Vir a Cristo;
3) - Receber de graça;
4) - Não demorar;
5) - Abandonar a vida pecaminosa.
Creio que os exemplos destes três tipos de pregação é mais do que suficientes para aqueles, que porventura podem aproveitar este estudo. Obras Bibliográficas usadas neste trabalho: Ajuda a Pregadores Leigos, de Edgar Leitão. Exposição do Novo Testamento, de Walter L. Liefild A arte de pregar o Evangelho, de Plínio Moreira da Silva
 fonte:obreiroaprovado.com

A Pílula Masculina

Rev. Augustus Nicodemus
Em vias de comercialização, o primeiro contraceptivo oral masculino do mundo chega ao Brasil, e com ele, algumas indagações de cristãos sobre a legalidade Bíblica de um homem crente usar a "pílula" para não ter filhos.
A questão interessa a muitos cristãos. Muitos jovens casais têm evitado filhos nos dias de hoje. As razões geralmente apresentadas são a explosão demográfica das grandes cidades onde vivem, a depravação e corrupção cada vez maiores do ambiente onde seus filhos haveriam de crescer, tal como o uso de drogas e a delinqüência infantil e juvenil. Alega-se ainda a falta de segurança que sentem em relação a filhos: saberei dar respostas? Será que serei capaz de viver uma vida exemplar? E, por fim, o argumento mais forte, o alto custo financeiro hoje de se criar filhos. Para os que pensam assim, filhos atrapalhariam os planos financeiros de se ter uma vida financeira mais tranqüila.
Por outro lado, há algumas boas razões para se enfrentar as dificuldades mencionadas acima.
1) Filhos são fonte de grande alegria, isto a Bíblia deixa muito claro, mas especifica que especialmente os filhos que andam nos caminhos do Senhor (ler Pv 28.7; 29.3,17). Filhos que crescem sem disciplina vão para o mundo, desobedecendo a Deus, e dão grande dor a seus pais (Pv 17.21,25; 28.7; 29-3,15). "Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar um filho sábio nele se alegrará" (Pv 23.24). Filhos sábios não crescem em árvores: são fruto de toda uma vida de disciplina, instrução, companheirismo, amor, e orientação nos caminhos de Deus. Mas o resultado vale a pena.
2) Filhos são bênção do Senhor. Os Salmos 127 e 128 comemoram a felicidade do justo em ter muitos filhos, como bênção de Deus. Muitos jovens casais cristãos, ao contrário do ensino bíblico, vêem os filhos como sendo um tropeço, um estorvo às suas carteiras profissionais, aos planos de divertir-se, conhecer o mundo... quem pode fazer isto com filhos pendurados nas calças?
É possível que estes cristãos mudem de idéia, quando já for muito tarde, quando estiverem aposentados, doentes, velhos e sozinhos largados num asilo de idosos, sem ninguém que venha visitá-los, conversar com eles, e alegrá-los.
3) Filhos fazem parte da estratégia de Deus em transformar o mundo. Filhos criados em famílias cristãs sólidas são via de regra os melhores crentes e, portanto, os mais aptos a cumprir o que Jesus ensinou, que a corrupção da sociedade poderá ser neutralizada por homens e mulheres santos (Mt 5.13-16), agindo como sal e luz deste mundo. É em lares cristãos fortes que jovens, que serão o sal e a luz deste mundo, são devidamente equipados. Deus deseja que o mundo ouça o Evangelho (Mt 18.18-20). Nossos filhos podem ser os instrumentos necessários para isso, como disse B. Ray: "O propósito de Deus em nos dar filhos é que conquistemos o mundo para ele".
Na minha opinião, à luz do ensino bíblico sobre o plano de Deus para a família e os filhos, constitui-se uma transgressão do propósito divino o evitar filhos por motivos egoístas quer seja com contraceptivos masculinos ou femininos. Gente que não quer o trabalho de criar crianças e casam pelo sexo e companhia se esquecem que tiveram um pai e uma mãe que pensaram diferente. O sexo e o companheirismo trazidos pelo casamento não são a sua única finalidade. Criar filhos é bem menos complicado e difícil do que se pensa, quando o casal o faz na dependência de Deus.
Por outro lado, creio que não vai contra o propósito de Deus o casal controlar o número de filhos, e mesmo chegar a uma época em que decida evitá-los. Minha esposa e eu temos quatro filhos. Na realidade queríamos ter cinco, mas por problemas de saúde dela, tivemos de parar nos quatro. Creio que já demos nossa contribuição para encher o mundo e dominá-lo! E não nos sentimos constrangidos em evitar que ela engravide mais uma vez.
Assim, creio que nada há contrário ao uso da pílula masculina por um cristão, desde que pelos motivos corretos. Sobre o fato de ser "masculina", não, vejo nada nas Escrituras que condenem a pílula por isto. A pílula masculina ainda tem a vantagem sobre alguns contraceptivos femininos de evitar uma outra questão ética relacionada com o controle da natalidade, que é a do uso de métodos que são abortivos.

Reforma ou Reavivamento?


Reforma ou Reavivamento:
O que a Igreja Precisa?
Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo.com

Porque a Covenant Protestant Reformed Church tem falado contra a ênfase
atual sobre reavivamento, existem aqueles que crêem que temos “negado
nossa herança reavivalista”. Desejamos colocar as coisas de uma maneira
correta.
Concordaríamos com muitos que a igreja visível atual está numa triste
condição, despedaçada, fraca e sem compromisso. Mas não cremos que um
reavivamento, como esse é comumente entendido, seja a resposta.
Não temos objeção à palavra “reavivamento”, visto que é usada na
Escritura. Cremos, portanto, que o tipo de reavivamento que a maioria das
pessoas quer, e ora a favor, não é o tipo de reavivamento sobre o qual a
Escritura fala. Nem cremos que a idéia popular de reavivamento seja o tipo de
coisa que a igreja necessite hoje.
Cremos nisso porque uma palavra que aparece em toda conversa sobre
reavivamento é a palavra “extraordinário”. O reavivamento em si, de acordo
com todos que falam dele, é algo extraordinário e envolve números
extraordinários de conversões, manifestações extraordinárias do Espírito, etc.
O que a igreja necessita não é algo extraordinário, mas coisas bem
ordinárias (ordinárias, pelo menos até onde diz respeito a Palavra de Deus).
Antes de a igreja orar por números extraordinários de conversões, ela precisa
fazer a obra ordinária de cuidar e ensinar os membros que já possui. Isso
raramente é feito.
Antes de pensarmos em dons extraordinários do Espírito, precisamos
ter os dons ordinários do Espírito, um viver cristão piedoso (Gl. 5:22-26),
ensinar e pregar todo o conselho de Deus (Atos 20:27), ter um governo de
igreja bíblico (não por um homem, mas por presbíteros) e uma adoração
bíblica (João 4:24). Essas coisas estão tristemente ausentes na igreja.
Tal retorno às coisas ordinárias da Escritura (na verdade, não tão
ordinárias), preferimos chamar de “reforma”, não “reavivamento”, embora
não divagaremos sobre palavras.
A grande Reforma Protestante do século dezesseis foi uma verdadeira
reforma nesse sentido. Foi um retorno às Escrituras, às doutrinas da Escritura,

à pregação e ensino de todas as verdades da Escritura, ao governo de igreja
bíblico, à disciplina e adoração.
Essas e muitas outras coisas “ordinárias”, desesperadamente necessárias
para a igreja, estão faltando. As crianças da igreja não são instruídas, a
adoração em família é algo esquecido. A observância do Dia do Senhor
desapareceu quase completamente. Onde a igreja tem presbíteros, eles são
freqüentemente ignorantes quanto ao seu chamado e a eleição de presbíteros
em muitos casos é pouco mais que competição de popularidade, ou uma
questão de política. A adoração é grandemente uma questão de formalismo. A
disciplina eclesiástica está totalmente ausente. A pregação degenera-se em
comentário político ou num chamado à ação social. Muitas doutrinas da
Escritura estão quase inteiramente esquecidas.
Daremos apenas um exemplo doutrinário do que queremos dizer: entre
muitas outras coisas, a Reforma do século dezesseis foi um retorno à grande
doutrina bíblica da justificação pela fé somente, sem obras. Essa doutrina não
somente é raramente pregada hoje, mas dificilmente encontramos um cristão
em dez que possa ao menos explicar o que ela significa. Todavia, é um
entendimento dessa verdade que leva à paz com Deus por meio de Jesus
Cristo (Rm. 5:1). Assim se dá com muitas outras doutrinas.
Cremos que o interesse atual em reavivamento é apenas um desejo por
um “reparador instantâneo” dos problemas da igreja, quando o que é
realmente necessário é a obra árdua de fazer as coisas ordinárias às quais a
Palavra de Deus chama a igreja. Essa obra pertence tanto aos oficiais, como
aos membros da igreja. Mediante tal obra a igreja será reformada e renovada,
assim como o foi há quase 500 anos. Sem ela, não há esperança para a igreja.
Possa Deus em sua misericórdia concedê-la!
Fonte: http://www.cprf.co.uk/