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Jeremias e a Vara de Amendoeira

 

 

Jeremias e a Vara de Amendoeira


"Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir". (Jeremias 1:11,12)

Amendoeira é uma palavra hebraica, "shoked", e significa "vigilante". Esta árvore é da família das rosáceas, de semente oleaginosa, e é a primeira planta a florescer na primavera. É como se ela ficasse vigiando o fim do inverno e o início da primavera, e quando ocorre o equinócio da primavera, a amendoeira é a primeira a brotar! Daí seu nome de vigilante.

Deus estava dizendo a Jeremias: Eu sou como a amendoeira que vigia a primavera. Eu estou vigiando para que as minhas palavras se cumpram. E você Jeremias deve aprender a ser vigilante como é a amendoeira.

Na simbologia bíblica "vara" significa "pessoa". Em João 15:5 Jesus afirmou: "Vós sois as varas..." Portanto "vara de amendoeira" significa: pessoa vigilante.

As profecias do Antigo testamento são expressas das seguintes maneiras: Verbal, Factual e simbólica.

1. Verbal - Quando ela é falada. "Assim diz o Senhor..." Assim se faz um enunciado do que vai suceder ou uma observação de Deus.

2. Factual - É quando um fato, algo que sucede, que é histórico, real, concreto, é apontado como um evento também a suceder no futuro. A páscoa é um fato histórico, real, mas já era um anúncio profético da obra do Senhor Jesus Cristo.

3. Simbólica - Quando um símbolo é tomado como sendo uma mensagem. Muitas vezes a simbólica vem através de atos ou palavras. Como Jeremias e a vara de amendoeira.

Quando Deus deu a Jeremias a visão da vara de amendoeira, ele alertava para a vigilância, pois a Palavra de Deus iria se cumprir, quer Jeremias quisesse ou não. Não que Deus fosse ruim, mal, mas porque Ele já sabia do pecado de Judá. Jeremias jamais poderia se intimidar por se achar uma criança, ou incapaz, e deixar de anunciar o que Deus iria mandar.

O cristão deve ser vigilante, não somente porque "Jesus vai voltar" mas também em anunciar as Boas Novas do Reino, pois sabemos que a Palavra de Deus irá se cumprir, quer o mundo queira ou não. E já tem se cumprido! Não podemos nos intimidar diante de pessoas da alta sociedade, ou de pessoas que tem "pensamento positivo" sobre o mundo e a vida, mas anunciar que Jesus está voltando, e que este mundo (kosmos=sistema de coisas) tem um prazo estabelecido por Deus.

"Prega a palavra". Esta foi a ordem dada a Timóteo. "...instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes..." (2 Timóteo 4:2) Esta Palavra não nos ensina a sermos incovenientes, em que em qualquer lugar devamos ficar 24 horas pregando sem parar, se tornando um crente chato. Mas de ter o compromisso de dever anunciar nas horas certas, que é chegado o Reino dos Céus. Que o Senhor Jesus derramou na cruz do calvário sangue puro para nos salvar. Nunca deixar de falar!

Devemos vigiar também sobre a volta do Senhor Jesus Cristo. Mas não apenas esperar com medo, ou porque "o mundo vai se acabar", etc, como se seguir ao Senhor fosse por medo ou pressão. Mas obedecer ao "ide", pois bem aventurado o servo que o Senhor assim o encontrar fazendo.

Muitos pensam que falaram de Jesus em vão, que foram alvos de piadas, zombarias, e arrependem-se até de terem falado sobre Deus. Se o amado leitor não sabe a semente da amendoeira é chamada de "um despertar". Ela permanece nas ondas do mar por meses, e quando a maré enche, é lançada pelas ondas na praia, e se torna uma árvore enorme. A palavra de Deus nunca volta vazia. O nosso trabalho nunca é vão no Senhor Jesus Cristo. A semente da Palavra de Deus que você lançou em algum coração, um dia a maré enche. Um dia essa semente germina. Um dia desses ela se torna uma linda árvore. Saiba que o tempo de Deus não é nosso tempo. Seja vigilante como é a amendoeira. Seja o primeiro a falar. Seja o primeiro a dizer: Jesus é bom. E esses frutos, mesmo que demorem, eles irão se transformar em lindas árvores para a Glória do Senhor Jesus!

Que Deus te abençoe rica e poderosamente em nome de Jesus.
|  Autor: Pastor Denis de Oliveira  |  Divulgação: estudosgospel.Com.BR |

O SENHOR DOS EXERCITOS PARTE II


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Porquanto que isto seja verdade esta conotação não se restringe a este comando de tropas militares, como diz John Hartley, bem fundamentado biblicamente, "na verdade afirma o governo universal de Javé, que abrange cada força ou exército, tanto celeste, quanto cósmico ou terreno" (Hartler, 2001:1258). Isto significaria a supremacia do Deus de Israel sobre os outros deuses. A compreensão sobre os outros deuses. A compreensão sobre este Deus ficaria mais ampla, porque o Deus guerreiro seria também o Deus Supremo. Nenhuma nação na terra poderia nada contra o deus de Israel. Nem o Egito pode, nem Amon, nem Moabe, nem as nações cananéias, nem qualquer outra nação. Os poetas hebreus contaram essa glória:

"Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade. Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro. Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra"

Não há exército que possa com o Deus de Israel. Ele é o Deus Supremo, Salmo 46: 9 – 11.

Nesta direção, Deus rege a ordem da terra e do céu. Essa harmonia terrena e celeste é comandada por deus, o Deus de Israel. Por isso é dito que ao final da criação Deus é autor de tudo criado sobre a terra e no céu: "E foram terminados os céus e a terra e todos os seus exércitos" (Gen. 2:1). Não há como fazer um corte entre a produção literária e a cultura de onde o texto emergiu, nem como desligar a criação da conotação da experiência vivencial. É evidente a origem das onomatopéias, do "tic-tac" do relógio ao verbo "tictatear". Não se pode omitir o barulho do vento nas rochas das montanhas e montes de Israel com o som da palavra "vento" em hebraico HWr (Ruac) Há toda uma fundamentação vivencial da formação dos conceitos, como diz Humbolt "nada passa pela intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos" __ Embora os sabores são diversos, e haja o amargo e o doce , o doce e o azedo, há um fundamento comum: as papilas gustativas.

Como o nome de Deus na descrição da criação foi ~ihla? Porque sua origem é de hla, que significa "força", "autoridade", "poder". Nenhuma palavra se adequaria melhor àquela narrativa que descrevia as ações de um deus que para criar teria que ter "poder". Como o nome de Deus nos textos que falam da comunhão e da convivência é hUwhiy ? Porque é um nome que implica proximidade, aproximação, presença.

Como a expressão referente ao Deus das batalhas é twabc hUwhiyi
? Porque nenhuma outra expressão iria implicar no sentido necessário para expressar do Deus que luta pelo seu povo. É esse majestoso deus, temível e guerreiro, que comanda Israel.

O uso sincrônico da expressão

Façamos, agora, um corte epistemológico no uso da expressão, levando em conta o contexto histórico, no qual os profetas se apossaram daquela expressão conhecida comumente, para dar-lhe um sentido especial. Sendo isso feito especialmente no círculo dos profetas pós-exílios. A compreensão que esses homens de Deus tiveram do Deus deles, naquele momento difícil da vida do povo, fica marcada insistentemente nos seus escritos, onde se registra uma incidência de uso jamais constatada nos outros escritos, também sagrados, dos descendentes de Israel.



Os últimos três profetas escritores pós-exílicos tiveram como contemporâneos, entre tantos outros, Esdras e Neemias. Este usa com freqüência a expressão ~imsh ihla hUhi
(YHWH Deus dos céus) como o nome do Deus do seu povo. Faz uso também do nome mais comum e universalizado ~ihla, como aquele que está em Jerusalém (Ne. 1:3). Conquanto esteja em Jerusalém, o Deus dos descendentes de Israel é o Deus também do céu. Este sentido é o que também entendiam alguns profetas pré e exílicos, como é o caso de Isaías (Is.10:5-4;47;37:16) (Jr. 10:16, etc). Deve-se levar em conta, na escolha deste título para Deus, o próprio contexto situacional de Neemias, que vivia como um funcionário do palácio do rei dominador do mundo mais conhecido de então. Ambiente que não poderia ser desconsiderado com todas as expressões próprias da função exercida no seu âmbito vivencial. Esdras também usa uma expressão, podemos asseverar, "politicamente correta", Larsy ihla
(Deus de Israel), pois afirmar o Deus de Israel não seria negar os deuses das outras nações, seria afirmar um entre outros, embora considerando o seu Deus como o maior, o mais forte, o mais importante. Apesar de todo o exemplo de vida consagrada e de dedicação profunda a Deus e do próprio ambiente, onde exerciam as suas atividades eram necessários os cuidados e requintes diplomáticos devidamente aplicados no cotidiano da vida intrincada da política interna e externa. Neste contexto vivencial as possibilidades de reflexão teológica eram praticamente reduzidas. A preocupação aí era mais de conservação do poder, manutenção do "status quo", de uma ação diplomática adequada, para evitar o confronto externo em falência interna. Daí o cuidado e a diplomacia de Esdras e Neemias, os quais se referiram a Deus de um modo bastante conveniente e cuidadoso.

No entanto, isto não ocorreu no círculo profético que foi formado no cativeiro. Nesse contexto o pensar era livre dos obstáculos da diplomacia política. Entre os profetas, a expressão twavc hUwhy foi tomada com um sentido bem mais amplo do que o até então conhecido. Fica evidente que a incidência de uso é amplamente maior do que em qualquer outro período da história da elaboração dos textos sagrados. Ageu, Zacarias, Malaquias e outros profetas que não escreveram, mas que faziam parte do círculo profético na Babilônia, se apossaram da expressão acima e a usaram para comunicar a compreensão que tiveram de Deus naquela situação aflitiva, que é a de estar no cativeiro, numa terra estrangeira, numa situação incômoda. É, exatamente, aí que surge a indagação a respeito da situação real de vida: por que fomos expulsos de nossa pátria ? O que nosso Deus tem a ver com tudo isso ? Como compreender um Deus que permite tal mudança? Por que o sofrimento da guerra e da deportação humilhante ? E perceberam que Deus é mais do que comandante dos exércitos. Mais do que autoridade sobre os astros do céu. Ele é soberano sobre todos os aspectos da vida do seu povo. Ele não seria somente o i (Gn.22:14, "Senhor proverá"). O ("Senhor é minha bandeira", Ex.17:15); o ("Senhor Deus é nossa justiça", Jeremias 2:1); o ("Senhor é paz", Juízes 24:6); ("Senhor que está lá") nem o (altíssimo); (o que provê); como o vê Isaías amplamente em seus escritos, mas, sendo esta expressão enriquecida pela experiência do cativeiro, lida e relida refletidamente por um grupo de homens preocupados e empenhados em interpretar a História para seus contemporâneos. Sem dúvida, esta era uma função bastante conhecida pela comunidade israelita e esperada por eles. Esta era uma expectativa arraigada na mentalidade dos ouvintes dos profetas: o que Deus fala na História ? o que significa a interferência do Deus que age, que se move de sua imutabilidade e de modo suprarracional, se neste de temporalidade para tangenciar a existência do seu povo e de sua História ? Quem é esse Ser que se revela, mesmo fora das possibilidades racionais ? E quando o faz, até que ponto interfere ? É sobre isso que refletiam os do círculo profético, visto que os que não pertenciam a esse círculo não tinham interesse nesse tipo de reflexão. Suas preocupações eram outras. Lícitas, mas outras. Pode acontecer o que ocorreu com Marco Aurélio, estóico do último período do Estoicismo Antigo, que era guerreiro e filósofo. Mas, o mais natural e comum é o que aconteceu no Cativeiro: homens como Daniel, Esdras, Neemias e outros produziram para os governos, tiveram uma ação fundamentada na política; homens como Ageu, Zacarias e Malaquias e outros produziram para o povo uma reflexão interpretativa, teológica, fundamentada no pensar inquiridor sobre o sentido da História do povo, do qual faziam parte.

Cristo No Pentateuco Números Parte II

Continuação do estudo do livro de números apresentando Cristo.
O Povo Contado-A primeira coisa que notamos neste livro é que Deus mandou contar o povo, e tendo-os assim reconhecido, colocou-os, cada um no seu lugar, em redor do Seu tabernáculo. Ah! Que pensamento encantador este de sermos conhecidos individualmente por Deus e colocados em íntima relação com Ele.
RA 1 Corintios 8:3 Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.
Peregrinação-Números é o livro de peregrinação. Vemos que Deus ordenou tudo que dizia respeito à ordem da marcha do povo, e que Ele o acompanhou, guiando-o, guardando-o, e suprindo toda a sua necessidade ate ao fim. Apesar do fracasso e da rebelião do povo, Deus manifestou a Sua fidelidade, misericórdia e paciência. O Apóstolo Pedro na sua primeira Epístola admoesta os crentes, dirigindo-se-lhes como a peregrinos e forasteiros (cap. 2:11). Assim neste mundo temos que andar como verdadeiros peregrinos, andar com Deus, guiados, sustentados e guardados por Ele. «Guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação» (1 Ped. 1:5). Portanto temos que operar a nossa salvação com temor e tremor Filipenses 2:12-13 12 Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; 13 porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.
A Nuvem- A presença de Javé no meio do povo, para guiá-lo, foi confirmada pela nuvem que cobriu o tabernáculo e que de noite tinha a aparência de fogo. Muitos estudiosos rabinos pensam que provavelmente a nuvem estendia-se por sobre o acampamento dando assim certo abrigo do calor do sol de dia e com aparência de fogo de noite Iluminando tudo. O que é certo é que a nuvem regulava cada movimento do povo. Quando se levantava de sobre o tabernáculo os filhos de Israel partiram após ela, e no lugar onde a nuvem parava aí o povo assentava o seu arraial. Todo o tempo em que a nuvem estava parada sobre o tabernáculo permaneciam no mesmo Iugar; e se acontecia estar parada sobre ele muito tempo, quer fosse dois dias, um mês ou por mais tempo ficavam no mesmo lugar.
Ao mandato do SENHOR montavam acampamento e ao Seu Mandato partiam. Ele era o Guia do Seu povo, O pastor de Israel, O guarda de Sião. Lembramos aqui as palavras do Senhor Jesus: «Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida» (João 8:12).
As Trombetas de Prata- As trombetas de prata eram intimamente ligadas com a coluna da nuvem. Foram usadas para dar sinal para a partida do povo nas suas viagens, e para a convocação do povo, quer fosse para saírem à guerra, quer nos dias de alegria das suas festas solenes.
O toque das trombetas fazia-se ouvir até aos confins do acampamento e quando Israel ouvia, tinha de obedecer ao chamado. Havia duas trombetas e eram de prata. Esse símbolo nos remete à pureza da palavra do Senhor (salmos 12:6 As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes.) e o testemunho que ela nos dá de Cristo. ( Mateus18:16
16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça).
Devemos notar também que só os sacerdotes podiam tocar as trombetas, pois só aqueles que conhecem o seu Iugar como tais diante de Deus podem usar como convém a Palavra do Senhor.
O senhor nos Ilumine.
Continua parte III.

O SENHOR DOS EXERCITOS PARTE I

Aqui está um interessante estudo exegético sobre a expressão o SENHOR dos exércitos e o que ele quer realmente significar para os israelitas.

Rev. Humberto Gomes Freitas*
Na leitura dos livros dos profetas pós-exílicos, Ageu, Zacarias e Malaquias, somos confrontados com uma evidência contundente: a expressão twabc hwhy" (Adonai tsevaot) é um dado lingüístico marcante naqueles livros. Assemelha-se a um "ornamento barroco" em cada página de cada um desses profetas tamanha é sua repetição insistente.

Como é sabido por todos os que trabalham na área da produção de texto, nenhum texto é neutro. Nenhum é imparcial, nada que se coloca num texto é arbitrário, cada pequeno elemento, por menor que seja é intencional. Portanto, surge a indagação: por que este uso insistente? Por que eivar cada página do texto com a mesma expressão? Por que ela foi tão usada pelos profetas neste período, e se por eles? Por que os contemporâneos dos profetas pós-exílicos que atuaram em outra área da atividade, mesmo sendo israelitas, não se apossaram da expressão? Os dicionários e enciclopédias especializadas não ajudam muito, pois, suas colocações não levam em conta a incidência do uso pós-cativeiro, e a definem como uma referência ao domínio de Deus sobre os exércitos da terra e do céu. Este artigo levanta uma hipótese sobre tal fenômeno lingüístico.

O homem é essencialmente um ser da linguagem. Não é sem razão que Heidegger ¹ afirma: " a linguagem é a morada do ser". Desde tempos imemoriais o homem está criando um mundo paralelo ao mundo do objetivo e concreto que é sua interpretação dele, o mundo da linguagem ². È através dela que o homem se situa no mundo das coisas. Das coisas abstraímos atributos, e as classificamos; tanto em termo de consistência e substancialidade como no nível da exegética. Neste sentido, e só assim, pode-se viver contextualizado na cultura e determinado por ela, até certo pronto. São as palavras que constituem as coisas ³ ao nosso redor e nos encaminham a elas. São o nosso contato, o que tangencia a realidade da "res extensa" cartesiana.

O mundo criado pela linguagem não é perfeitamente superposto ao mundo do cotidiano. A superposição é falha e as arestas desencontradas, sobram ou faltam as margens, que parecem nunca poderem ser justificadas. Mesmo assim, pode-se referir ao momento da enunciação primitiva e originária como um ponto de partida estático, e, acrescentar-se um momento da que seja não primitiva e originária, mas também continuadora de um desenvolvimento mais longo. Assim sucede com alguns nomes de Deus. Ele tem muitos nomes. Todos resultado da visão antropocêntrica, interpretativa, oriunda da perspectiva humana. Tudo isto é natural da linguagem, da sua origem e continuidade.

Procura-se então uma possível conotação da expressão hebraica " twabc hwhy i" (Adonai Tsevaot - SENHOR DOS EXÉRCITOS) na compreensão que os profetas pós-exílicos tiverem de Deus a partir da leitura que fizeram da interferência Dele na história do povo hebraico.




O uso diacrônico da expressão - A expressão já era conhecida dos profetas e do povo. Seu uso, esporádico, pode ser constatado no percurso da história em vários momentos e situações diversas. A primeira vez que ela aparece é em I Samuel 1:3. Nesta instancia o sentido parece ser direcionado ao mais comum, que é o de que ele é o verdadeiro comandante dos exércitos de Israel. Como diz John E. Hartley no artigo que escreveu para o Dicionário Internacional de Teologia do antigo Testamento.

"Esse divino aparece pela primeira vez em I Samuel 1:3. Parece que surgiu no final do período dos juízes e nas proximidades do santuário de Siló, onde a arca da aliança estava abrigada. A arca simbolizava o governo de Deus, pois afirmava-se que ele está entronizado entre os querubins (I Samuel 4:4 cf. Salmo 99:1) Este título certamente contém a afirmação de que é o verdadeiro comandante dos exércitos de Israel .

E era natural e espontâneo o pensar nesta direção dentro de uma comunidade inserida num mundo profundamente imerso na religiosidade, e na qual eram abrigados muitos deuses, todos eles guerreiros. Guerreiros valentes que lutavam cada um pela nação que as escolhiam. Nas guerras, a nação que vencia, vencia o deus dela; o deus que vencia, vencia a nação dele.

Isto fica claro em várias instâncias das Escrituras. Tomemos dois exemplos que evidenciam este fato: As pragas antes da libertação do povo israelita do Egito. Tais pragas não foram expressões de um deus tirano e maligno, pleno de sadismo, vingativo, que se alegrava em atormentar os egípcios para vê-los sofrer. De maneira nenhuma! Demonstram, ao contrário, o poder da intervenção de Deus e o seu poder sobre os deuses do Egito, ARA Exodus 18:11 agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios, quando agiram arrogantemente contra o povo.



Outro trecho, também claro sobre este conceito, o que se encontra em Isaias 36:18 – 20, onde está registrado o desafio que Senaqueribe lança sobre Israel e sobre o Deus de Israel, quando se referem, os seus enviados, aos deuses humilhados de nações humilhadas e conquistadas por Senaqueribe:

"Não deixem que Ezequias os engane quando diz que o Senhor 5 os livrará . Alguma vez o deus de qualquer nação livrou sua terra das mãos do rei da Assíria? Onde está os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Eles livraram Samaria das minhas mãos? Quem dentre todos os deuses dessas nações conseguiu livrar a sua terra? Como o SENHOR poderá livrar Jerusalém das minhas mãos?

Não há como não considerar a mentalidade de então como uma mentalidade também do povo de Deus. A grande diferença residia na proximidade de Deus. Foi Ele que com "mão forte e o braço estendido" libertou o povo que estava prisioneiro no Egito, guiou o povo pelo deserto: fez maravilhas à vista deles, os protegeu com a nuvem durante o dia, os iluminou com o fogo durante a noite, destruiu exércitos com Josué e com os Juízes, lutou as suas guerras, venceu por eles. Essas experiências vivenciadas solidificaram o conceito de comandante dos exércitos de Israel. Este sentido, sem dúvida, foi adquirido cedo na história de Israel. Os eventos confirmaram esta compreensão: Deus de Israel, Deus dos Exércitos de Israel. Deus Guerreiro, chefe de Guerreiros, SENHOR DOS EXÉRCITOS.


*O Rev. Humberto é Teólogo formado pelo SPN, Especialista em Antigo Testamento, Um dos membros da comissão de tradução da Bíblia NVI no Brasil( parte do Antigo Testamento), Professor de Hebraico, Bacharel em filosofia, professor de história de Israel no SPN.

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