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A guerra e o Soldado Negligente

Continuação de estudos nos livros históricos. Cristologia no livro de Josué

A Epístola aos Efésios corresponde, no Novo Testamento, ao livro de Josué no Velho. Fala-nos da nossa herança em Cristo, dos lugares celestes, o lugar das nossas bênçãos, o lugar que é nosso como sendo ressucitados junto com Cristo. É a epístola em que achamos a mais completa descrição do propósito do amor de Deus para conosco.Também é aqui que se descreve a nossa armadura e a nossa guerra.aprendemos que não lutaremos mais contra pessoas todavia contra espíritos malignos. (Efes.6:12).
Nos inimigos de Israel podemos ver figuras dos nossos. O Egito é uma figura do mundo. Os amalequitas --descendentes como eram de Esaú, aquele que vendeu a sua primogenitura por um simples prato de lentilhas— temos uma figura da carne, da nossa natureza humana. Mas nos cananeus vemos figurado um inimigo ainda mais temível; falam-nos dos inimigos espirituais.


As Ciladas do Diabo A luta entre Israel e os cananeus aprasenta-nos, em figura, a nossa luta contra Satanás o as suas hostes maléficas. «revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo"(efesios 6:11) Àquele que melhor conhecem o poder do Espírito Santo e sua plenitude (vide estudo sobre o assunto aqui), e mais experiência têm dele, são aqueles que também melhor enfrentam Satanás nessa guerra.

O Diabo não se apresenta só no seu Caráter de leão procurando tragar-nos, mas também como serpente para nos tentar e como anjo de luz, para nos cegar e levar ao erro. também gosta de incutir nos homens a ideia que ele não existe para que possa agir livremente. Não devemos nunca subestimá-lo, nem tão pouco superestimá-lo.


 
O Mar Vermelho e o Jordão Na história do povo de Israel havia um espaço de 40 anos entre a sua passagem do Mar Vermelho e do rio Jordão.Esse intervalo foi caracterizado pela falta da fé, e a desobediência; e de fato se não tivesse havido a falta da fé, desobediência e rebelião, que foram a causa por demorarem tanto tempo andando nesse deserto escaldante, o povo nunca teria tido necessidade de passar o Jordão, pois teria marchado diretamente de Ka-desh-barnea e entrado na terra de Canaan precisarem passar pelo rio Jordão.
Os dois, o mar e o rio, são mencionados juntos no Salmo 114:5
"Que tens, ó mar, que assim foges? E tu, Jordão, para tornares atrás?"

Vemos que há uma ligação íntima entre eles, considerados do ponto de vista ilustrativo. A passagem pelo leito tanto de um como de outro fala-nos da morte. Ambos mostram em silueta a nossa participação na morte de Cristo.

A passagem do Mar Vermelho inclui tudo no propósito de Deus, ainda que nem sempre na nossa experiência ali foram libertados do Egito eram agora livres da opressão mas muitas vezes gostariam de voltar para trás e se envolverem em toda aquele idolatria e imoralidades reinantes. Há crentes que entendem de forma plena o sentido da morte de Cristo e estão cientes de terem recebido o Espírito Santo ao se converterem, mas não é assim com todos.

Devido à falta de ensino claro acerca dos propósitos do amor de Deus e da plenitude do Evangelho, ou talvez a sua própria desobediência ou falta de zelo, muitos vão vivendo durante anos uma vida cuja experiência corresponde à dos israelitas quando andavam errantes no deserto, e precisam alguma experiência definitiva e nova, como foi para os israelitas a passagem do Jordão, para os Introduzir na nova e boa terra de paz, descanso e vitória. Eles sabem que a morte de Cristo é a base da sua salvação, estão cheios de filosofias e doutrinas mas não entendem plenamente o que é estar morto com Cristo.

Romanos 6:4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.
A História da passagem do Jordão pelo povo do Israel é cheia de Instrução para nós a este respeito.

O povo chegou ao rio exatamente quando este estava cheio e transbordava em todas as suas margens, tornando assim a sua passagem impossível do ponto de vista humano. Mas logo que, em Obediência à palavra do Senhor, os sacerdotes levaram a arca e as águas recuaram e eles ficaram em pé no meio do rio. O general Josué mandou que um homem de cada tribo pegasse uma pedra do meio do rio para ao atravessar fazer um memorial em Gilgal para
Josué 4:24 24 Para que todos os povos da terra conheçam que a mão do SENHOR é forte, a fim de que temais ao SENHOR, vosso Deus, todos os dias.
Esperamos em Deus que possamos ser iluminados ao ponto de percebemos qual nossa verdadeira luta e o que devemos fazer para não falhar nessa missão "quase" impossível.

 
O Senhor nos guie.

Cristo no Pentateuco Livro Números

Esta é a continuação dos estudos no livro de Números.
Estudos anteriores no livro de números clique aqui
O Nazireado
No capítulo seis temos a lei do nazireado. Fala-nos de consagração e devoção especial a Deus,o nazireu separava-se a si próprio. Cristo é o exemplo perfeito do nazireado. O voto era de um caráter todo especial, mas não devemos pensar que o que esta figura no cristianismo é uma coisa só para alguns. O sacerdócio, por exemplo, era privilégio de uma parte especial do povo de Israel, porém no cristianismo representa privilégio de todos. O nazireado fala-nos, sem duvida, de uma vocação especial, isto é, uma devoção e dedicação notáveis, porém isto agora pode ser um privilégio de todos que o desejem.
Haviam três coisas ligadas ao voto de nazireu: não podia beber nem vinho nem bebida forte; não deveria cortar o cabelo; e não podia entrar onde houvesse algum morto.
O vinho representa aquilo que alegra o coração do homem (Sal. 104:15), e aqui representa esses prazeres terrestres que, embora não tendo nada de mal em si, corrompem muitas vezes o coração, afastando-o em certa medida de Deus e das coisas de Deus. «A bebida forte» representa aquilo que tem ainda em maior grau esse caráter.
Ora, o nazireu era um homem que se consagrava a Deus ou se separava para Ele, e assim hoje é nosso privilegio supremo consagrarmo-nos de um modo especial e definitivo ao Senhor, para achar n'Ele o nosso pleno e suficiente prazer aqui na terra.
O fato de o nazireu deixar crescer o cabelo indicava que ele negava-se a si próprio, renunciando a sua dignidade e os seus direitos como homem para se consagrar inteiramente a Deus.
O terceiro ponto indicado do nazireu, não entrar onde houvesse um morto, nos aponta para impossibilidade e a incompatibilidade de Deus, do qual procede toda vida, com a morte. Lembremos depois que o homem pecou ficou sob o dominio de satanás recebendo como o salário a morte. Morte é algo antinatural o ser humano não foi feito para morrer. Mas nosso Deus é a fonte de toda a vida e é incompatível tanto com a morte quanto com o pecado. Então precisamos nos separar de tudo que tenha caído no poder da morte, em outras palavras, necessitamos urgentemente nos separar do pecado! Precisamos andar em santidade íntima e constante com ele.
Para nós, os dias do nosso nazierado só terminarão quando deixarmos este mundo. Nós somos exortados a apresentarmos nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Assim precisamos andar no poder da cruz negando-se a nós mesmos, subjugando os nossos corpos, e nos santificando sempre.
A VARA DE AARÃO
Na vara de Aarão que floresceu, sobre a qual lemos no cap 19, temos a figura de Cristo ressurreto, reconhecido por Deus como sumo-sacerdote. No cap. 16 vemos como o sacerdócio de Aarão foi posto em dúvida por alguns, de maneira que Deus o confirmou de um modo notável.
Moises recebeu dos filhos de Israel uma vara por cada tribo, doze varas de todos os príncipes das tribos, e sobre elas deveria escrever os nomes das respectivas tribos.
Sendo que o nome de Aarão estava escrito sobre a vara da tribo de Levi. As varas foram em seguida postas no templo da congregação diante do Senhor, determinando Ele que a vara do homem que tivesse escolhido floresceria. Assim, no dia seguinte, quando Moises entrou na tenda do testemunho eis que a vara de Aarão florescera; e brotara renovos e dera amêndoas. As doze varas eram secas, sem vida; mas Deus, o Deus vivo, entrou em cena e pelo seu grande poder Ele, deu vida à vara de Aarão e Moises trouxe-a para fora e mostrou ao povo. De uma madeira morta e inerte Deus agora trás fruto e vida. O sacerdócio fundava-se nessa graça divina e preciosa que da morte tirava a vida, e a vara de Aarão foi uma linda expressão dessa graça que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.
A vara de Moises era o símbolo de poder e autoridade e não era suficiente em si para conduzir a congregação através do deserto. O poder podia destruir os rebeldes, mas só a graça e a misericórdia podiam sustentar um povo rebelde e pecador e conduzi-lo ao fim desejado. Foi em relação à vara de Aarão que o SENHOR disse: ACF Números 17:10 Então o SENHOR disse a Moisés: Torna a pôr a vara de Arão perante o testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão.
No capítulo nove da Epístola aos Hebreus lemos em relação à arca da aliança, que nela estava "o vaso de ouro que continha o maná, a vara de Aarão que tinha florescido, e as tábuas da Lei" (ver. 4). Isto foi no tempo em que estavam no deserto. O maná e a vara foram a provisão da graça divina para Israel durante as atribulações do deserto. O maná o alimento, que falava de Cristo e a vara a graça sacerdotal. Mas quando tinham acabado as peregrinações no deserto e o povo já se achava na terra, muito tempo mais tarde, sob o domínio de Salomão e na glória do deste, lemos que "1 Reis 8:9 9 Na arca, nada havia, senão só as duas tábuas de pedra que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o SENHOR fez aliança com os filhos de Israel, saindo eles da terra do Egito"
Passadas para sempre as tribulações do deserto, permanecia somente aquilo que era o fundamento do governo do Senhor no meio do Seu povo.
Continua no próximo estudo.

Cristo No Pentateuco Números Parte II

Continuação do estudo do livro de números apresentando Cristo.
O Povo Contado-A primeira coisa que notamos neste livro é que Deus mandou contar o povo, e tendo-os assim reconhecido, colocou-os, cada um no seu lugar, em redor do Seu tabernáculo. Ah! Que pensamento encantador este de sermos conhecidos individualmente por Deus e colocados em íntima relação com Ele.
RA 1 Corintios 8:3 Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.
Peregrinação-Números é o livro de peregrinação. Vemos que Deus ordenou tudo que dizia respeito à ordem da marcha do povo, e que Ele o acompanhou, guiando-o, guardando-o, e suprindo toda a sua necessidade ate ao fim. Apesar do fracasso e da rebelião do povo, Deus manifestou a Sua fidelidade, misericórdia e paciência. O Apóstolo Pedro na sua primeira Epístola admoesta os crentes, dirigindo-se-lhes como a peregrinos e forasteiros (cap. 2:11). Assim neste mundo temos que andar como verdadeiros peregrinos, andar com Deus, guiados, sustentados e guardados por Ele. «Guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação» (1 Ped. 1:5). Portanto temos que operar a nossa salvação com temor e tremor Filipenses 2:12-13 12 Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; 13 porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.
A Nuvem- A presença de Javé no meio do povo, para guiá-lo, foi confirmada pela nuvem que cobriu o tabernáculo e que de noite tinha a aparência de fogo. Muitos estudiosos rabinos pensam que provavelmente a nuvem estendia-se por sobre o acampamento dando assim certo abrigo do calor do sol de dia e com aparência de fogo de noite Iluminando tudo. O que é certo é que a nuvem regulava cada movimento do povo. Quando se levantava de sobre o tabernáculo os filhos de Israel partiram após ela, e no lugar onde a nuvem parava aí o povo assentava o seu arraial. Todo o tempo em que a nuvem estava parada sobre o tabernáculo permaneciam no mesmo Iugar; e se acontecia estar parada sobre ele muito tempo, quer fosse dois dias, um mês ou por mais tempo ficavam no mesmo lugar.
Ao mandato do SENHOR montavam acampamento e ao Seu Mandato partiam. Ele era o Guia do Seu povo, O pastor de Israel, O guarda de Sião. Lembramos aqui as palavras do Senhor Jesus: «Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida» (João 8:12).
As Trombetas de Prata- As trombetas de prata eram intimamente ligadas com a coluna da nuvem. Foram usadas para dar sinal para a partida do povo nas suas viagens, e para a convocação do povo, quer fosse para saírem à guerra, quer nos dias de alegria das suas festas solenes.
O toque das trombetas fazia-se ouvir até aos confins do acampamento e quando Israel ouvia, tinha de obedecer ao chamado. Havia duas trombetas e eram de prata. Esse símbolo nos remete à pureza da palavra do Senhor (salmos 12:6 As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes.) e o testemunho que ela nos dá de Cristo. ( Mateus18:16
16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça).
Devemos notar também que só os sacerdotes podiam tocar as trombetas, pois só aqueles que conhecem o seu Iugar como tais diante de Deus podem usar como convém a Palavra do Senhor.
O senhor nos Ilumine.
Continua parte III.

Cristo no Pentateuco Numeros Parte I

Continuando nossa série de estudos de Cristo no Pentateuco agora focalizaremos o livro de Números.

Introdução.

No livro de Números temos a história da vida do povo de Israel no deserto depois de ter partido do Sinai, isto é, depois da sua incorporação formal como povo escolhido de Deus sob o pacto da lei.

É uma história de triste e terrível fracasso. Em vez de uma marcha rápida para Canaã com a feliz posse da terra, tiveram de passar quarenta anos no deserto peregrinando. E durante esse tempo ali pereceu sob juízo divino a inteira geração que saiu do Egito. Uma nova geração foi conduzida para o limite da terra, vencendo toda oposição até se achar em frente da terra prometida e pronto para entrar. O propósito de Deus para o seu povo era dar-lhe uma terra abençoada que manava leite e mel. Leite das inúmeras cabras que por ali haviam e o mel do deserto, bastante conhecido por todos, chamado Tâmara além de outras delícias que se plantavam na região. Entretanto o povo não o quis, recusaram-se a subir e tomar posse da terra. Tudo isto estava dentro do propósito bendito do Deus Santo, mas era também resultado da desobediência do povo.

A lição espiritual aqui é simples e clara. Temos figurativamente a vida de muitos cristãos de hoje em dia. Remidos da escravidão de Satanás e contados entre o povo do Senhor deixam, contudo, de entrar na plenitude da benção do Evangelho de Cristo, de desfrutar das virtudes celestes por causa da nossa dura cerviz. Acaso muitas vezes não queremos nós voltar para o Egito? Voltar à escravidão dos desejos da nossa natureza humana? Será que não murmuramos muitas vezes da vida Cristã dizendo que era melhor nos tempos que não éramos crentes? Você poderá estar agora dizendo: - Antes eu podia sonegar o imposto de renda e estaria com um pouco mais de dinheiro! Hoje em dia tenho que declarar tudo! Essa vida cristã para mim não é benção ao invés de ganhar mais, eu perdi! Dentre muitas outras coisas que reclamamos e desejamos novamente nos deitar na lama do pecado. Porém apesar de mim e de você, a graça de Deus não falha, ELE nos dá dia a dia sua provisão, proteção, direção, quantas são as bênçãos da sua vida? Sabe contá-las? Existe um hino cristão que diz em uma de suas estrofes: "conta as muitas bênçãos dize de uma vez e verás surpreso o quanto Deus já fez, conta as muitas bênçãos logo exultarás e fortalecido tudo vencerás!"

O Senhor nos Ilumine e nos ensine a nos deliciarmos NELE.

Continua Parte II

Quem é Jesus?- Análise Evangelho de João

João 1: 1, 14
" PRÓLOGO DE JOÃO: UMA MENSAGEM ESSENCIAL DO SEU EVANGELHO".


Sem. Rogério Mattos
"Vs. 1 - No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Vs. 14 - E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" – Edição Revista e Atualizada.
    O versículo 14 funciona como um divisor das águas no primeiro capítulo deste evangelho e, também, como uma introdução de toda a obra cristológica que vem a seguir. Este texto - 14a - é muito semelhante ao final do verso 1 quanto a sua forma gramatical. No fim do vs. 1 encontramos uma estrutura composta por uma conjunção, um nominativo, um verbo e um nominativo seguido de artigo - kai. qeo.j h=n o` lo,goj (kai Théos en hó Logos - e o verbo era Deus). No verso 14a temos a mesma estrutura: uma conjunção, um nominativo, um verbo e um nominativo seguido de artigo (embora não apareçam na mesma ordem) -
Kai. o` lo,goj sa.rx evge,neto
(kai hó Lógos sarks egeneto - e o verbo se fez carne). Neste primeiro versículo temos a eternidade do
lo,goj, sua relação com o Pai e sua divindade. A diferença entre os versos um e catorze não está a quem se referem, pois os dois falam da mesma pessoa, mas na ênfase dada; No vs 1 a ênfase recai sobre a divindade do lo,goj. Este Lógos é o próprio Deus.
    O vs. 14 está relacionado, intimamente, com o verso 1, visto que esse lo,goj , descrito por João, é o Deus que se fez carne - o` lo,goj sa.rx evge,neto
(hó Lógos sarks egeneto - e o verbo se fez carne). João nos apresenta o Deus-Conosco, o Emanuel, o Deus-homem, o Deus de carne e osso. A ênfase agora está na humanidade do
lo,goj. Ao fazer isso, João ataca, violentamente, mas de forma sutil, a idéia gnóstica, expressa pelo docetismo, de que Cristo tinha apenas a aparência de homem, mas que não tinha corpo físico, real, de um homem.
    A encarnação do lo,goj (que é Cristo) não se limitou apenas ao seu nascimento, mas por toda a sua vida enquanto esteve entre nós e nesta mesma condição na qual ele, Cristo, continua subsistindo com a mesma natureza (cf. At 1: 6-11; Ap 1: 7). A encarnação de Jesus é o próprio Deus manifestado na carne: E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne... (1Tm 3.16a, Texto Bizantino).
    Esse fato de se manifestar na carne nos remonta para o ato de Deus se fazer presente no meio de seu povo no deserto, porém não fisicamente como Jesus. João ao escrever "... habitou entre nós..." faz uso da palavra grega (evskh,nwsen – eskénosen) cujo substantivo se deriva de uma palavra que quer dizer tenda, fazendo, assim, uma alusão ao passado do judeu onde o seu Deus veio habitar no meio deles enquanto peregrinavam pelo deserto.
    Dessa maneira, a presença de Deus conduzindo o seu povo no período mosaico é testemunhada e lembrada na pessoa física do lo,goj, mostrando que o Deus do AT presente no meio daquela congregação é o mesmo Deus que se revelara por meio do Senhor Jesus Cristo; fato, este, que acaba por manifestar a glória de Deus como nos diz o restante do versículo - ...vimos a sua glória. Essa glória não era uma visão como foi no caso de Isaías e na transfiguração, por exemplo. Mas João e alguns de seu tempo puderam ver a glória de Deus através de Jesus numa série de eventos a partir de seu nascimento, batismo, morte, e até sua ressurreição.
    O próprio evangelista, ao escrever sua primeira epístola universal, capítulo primeiro e verso 3a, testifica deste fato quando diz: kai. h` zwh. evfanerw,qh kai. e`wra,kamen kai. marturou/men
(kai He zoe efaneróthe kai eorákamen kai martyrumen - Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos…). O verbo e`wra,kamen (eorákamen) traduzido por vimos – encontra-se no Perfeito Indicativo Ativo cuja qualidade da ação quer dizer algo que aconteceu no passado e tem a sua validade ainda para o tempo presente. Com isso, João diz que eles viram o lo,goj encarnado e o testemunho que tem sido dado pela igreja no presente se baseia nesta verdade. Deus se encarnou, continua encarnado e por isso nós testemunhamos, continuamente, acerca desse Deus, visto que o verbo marturou/men (martyrumen - testemunhar) encontra-se no Presente do Indicativo Ativo, indicando uma ação, preferencialmente, linear, contínua. A proclamação contínua da realidade da encarnação do verbo é o conteúdo da pregação apostólica.
    Para ratificar esta mensagem, João se utiliza de um empirismo teológico. Ele começa o verso de número 1, do capítulo 1, da primeira epístola de João, com a seguinte frase: ai` cei/rej h`mw/n evyhla,fhsan
peri. tou/ lo,gou th/j zwh/j
(hai chereis hemon epseláfesan peri tu logu tes zoes – e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida). O verbo evyhla,fhsan (epseláfesan - traduzido por apalparam) encontra-se no Aoristo Indicativo Ativo, mostrando uma ação pontilear, uma ação vista como um todo, completa e definitiva, pois não se repete. Sendo assim, João quis dizer que, enquanto o lo,goj – encarnado para sempre – esteve no meio deles, verdadeiramente, as próprias mãos dos apóstolos tocaram, fisicamente, o lo,goj
de Deus,
o unigênito do Pai (
monogenou/j para. patro,j – monogenus pará patrós).
    Esta frase monogenou/j para. patro,j é mais do que uma simples metáfora. Jesus não recebe uma glória como se fosse apenas o unigênito do pai, mas a recebe porque ele reflete plenamente, ou melhor, perfeitamente, essa realidade.
    O termo unigênito (monogenh,j) não focaliza o seu nascimento, mas enfatiza o fato de ser ele o objeto do amor do Pai. Há entre o Deus-Pai e o Deus-Filho uma relação filial diferenciada de tudo que temos em relacionamentos, humanamente, conhecidos. João tem a intenção de fazer uma distinção entre o relacionamento exclusivo de Jesus com o Pai e entre aqueles que viriam a ser filhos de Deus por meio dele. João nos mostra que Cristo se relaciona diretamente com o Pai e os demais filhos de Deus se relacionariam com o Pai por intermédio de Jesus Cristo, o mediador desta relação. Esta expressão, também, nos faz lembrar o batismo de Jesus.
    É uma expressão empregada com o mesmo sentido, por assim dizer, da palavra amado (avgaphto,j – agapetós) nos evangelhos sinóticos por ocasião da voz que veio do céu dizendo: "...Este é o meu Filho amado..." (Mt 3.17; Mc 1.11; Lc 3.22). João dá o testemunho que a partir da encarnação do lo,goj, ele, João, e os outros que estavam presentes naquela ocasião, viram a glória de Deus, em Cristo Jesus. Uma glória que só Cristo poderia ter e expressá-la. Única.
    Para concluir, nesta parte do evangelho de João chamado: prólogo, encontramos a divindade e a humanidade de Cristo descritas nestes dois versos. O versículo que faz a separação das narrativas entre essas duas naturezas é o vs. 14. Antes do verso 14 temos a ênfase na divindade e depois deste versículo a humanidade; e no restante do livro joanino toda esta parte (o prólogo) pode ser vista. Como bem disse Champlin: "Este vs. 14 faz parte integral da seção que cobre os versículos catorze a dezoito, e que serve de coroa da doutrina do Lógos, parte essa que contém a mesma mensagem essencial do evangelho inteiro de João."
    Isso nos traz algumas implicações para a nossa vida :



  1. Com relação a aquilo que muitas vezes nos assalta – o nosso sofrimento – podemos descansar e confiar em Cristo porque ele sabe exatamente o que é padecer, pois experimentou, no seu próprio corpo, todas as nossas mazelas físico-emocionais porque se fez carne e habitou entre nós;



  2. Como Deus-Homem ofereceu um perfeito sacrifício a Deus-Pai em favor dos seus eleitos, a tal ponto de poder dizer para o próprio Deus, nos momentos finais de sua vida, pregado naquela cruz: "Está consumado". Tudo que era necessário fazer para o eleito receber a salvação foi feito e sem falta alguma;



  3. Como Deus-Homem oferece uma perfeita intercessão por seus eleitos diante de Deus-Pai; o nosso Sumo-sacerdote, diariamente, advoga as nossas causas perante Deus-Pai que nos ouve as orações e nos abençoa mediante Cristo Jesus;



  4. O amor de Deus-Pai, por seus filhos, se evidencia no amor que ele tem por seu eterno Filho Jesus. O amor de Deus jamais acaba;
A encarnação, definitiva, de Cristo serve de base para a nossa contínua pregação do evangelho. Nós pregamos aquilo que Jesus fez por nós, desde a sua encarnação até a sua morte, ressurreição e ascensão aos céus.

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