666 O Que Representa Realmente? Quem é a Besta do Apocalipse?

 


Uma análise crítica das interpretações

“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” (Apocalipse 13.18)

As pessoas esperavam o fim do mundo em 1666, que seria a soma do fim dos mil anos (quando então Satanás seria solto conforme Apocalipse 20.3), com o terrível número da besta. Mas para decepção dos prognosticadores de plantão, o fim não veio. Entretanto, para quem pensa que a superstição e especulação em torno do 666 ficaram restritas à Idade Média está muito enganado. Estes algarismos apocalípticos continuam em alta, principalmente nos meios religiosos. E, diga-se de passagem, que não só as seitas protestantes, mas até mesmo católicos, arriscam um palpite cabalístico em cima deste misterioso número, como podemos ver no livro do padre Léo Persch. A interpretação vem de uma tal Vassula, vidente católica, que diz receber visões e orientações de Jesus e Maria a respeito do fim dos tempos. Numa dessas interpretações ela associa o anticristo com a maçonaria:

“Com a inteligência iluminada pela luz divina consegue-se decifrar o número 666 o nome de um homem, e esse nome, indicado por tal número é o anticristo. [...] O número 666 indicado três vezes , isto é, multiplicado por três, exprime o ano de 1998. Nesse período histórico, a franco-maçonaria, aliada com a maçonaria eclesiástica, conseguirá o seu grande intento...” [1]

Contudo, a fama do 666 extrapolou os limites da religião e foi parar na boca dos profanos. “The Number of the Beast” é a faixa musical do grupo Iron Maiden. Uma música com letras satânicas. A propósito, este é o número preferido dos satanistas e virou até nome de revista em Marselha/França. [2]

Sem dúvida, ultimamente, há muito barulho não só em torno deste número como também do nome “besta”, que no Brasil ganhou fama com um automóvel, a van, Besta, fabricada por uma montadora coreana. Já em Bruxelas um computador gigantesco foi batizado com o mesmo nome. [3]

Há alguns anos, a popularização do código de barras fez brilhar o imaginário religioso. Começou a divulgar nos meios cristãos que este código trazia nas extremidades e no meio de modo oculto o número 666, o qual seria marcado na mão direita dos consumidores. [4] Contudo, isto já é coisa do passado, foi abandonado de vez, agora a coqueluche do momento é o chamado “bio-microchip”. Criado pelo Dr. Carl Sanders, é atualmente produzido por várias empresas inclusive a Motorola para o Mondex SmartCard.

Certos periódicos afirmaram que os cientistas que trabalharam neste projeto descobriram que o melhor lugar do corpo humano para ser implantado o tal “chip” é na testa e na mão direita. [5] Seria essa a marca da besta ou mais um boato sensacionalista? Seja como for, o caso é que esta notícia já está causando pânico em alguns meios evangélicos. [6]

De fato muita contra-informação pode ser encontrada, especialmente na internet sobre este assunto.[7] Apocalipse 13, tem trabalhado com o imaginário de cristãos e não cristãos desde a época pós-apostólica. Muito se tem escrito sobre isso, sem contudo, haver consenso. Este trecho foi assunto nos escritos de alguns vultos da patrística, mereceu atenção no pensamento dos reformadores e chegou até ao nosso turbulento século XIX com força total.

O caso é que para muitos isso está se transformando numa verdadeira esquizofrenia escatológica. Até mesmo o próprio versículo que traz o número, dizem esconder o 666, isto é, 18 = 3 x 6 (6+6+6=18) . [8]


COISAS DO ORIENTE

É notório a todos que literaturas orientais, principalmente as antigas, quando vertidas para o ocidente, tende a apresentar não só dificuldades lingüísticas. [9] Isso porque, quando lemos tais livros não estamos apenas lendo simples caracteres, mas absorvendo também seus costumes, crenças, filosofias, enfim, toda uma bagagem cultural diferente e estranha a nós ocidentais. E se tratando de matéria religiosa, a coisa tende a complicar ainda mais. A Bíblia, o livro dos cristãos, é uma literatura também oriental com uma riquíssima linguagem: simbólica, poética e cultural, não fazendo exceção à regra.

Não obstante, há de se esclarecer, que a Bíblia enquanto mensagem de salvação, no essencial, é de fácil compreensão, ou parafraseando Isaías, “até mesmo os loucos não poderão errar esse caminho” (Isaías 35.8), o qual é Jesus Cristo (João 14.6).

Mas à parte da mensagem essencial, ou Evangelho, existem as exceções que se encontram no livro sacro. Essas são passagens não tão claras, que por vezes envolvem o conhecimento do contexto sócio-cultural e religioso da época para uma real compreensão. Quando não, são passagens no campo das profecias a serem ainda cumpridas num futuro próximo. Quanto a esta última, não raro poucas passagens merecem tanta atenção quanto Apocalipse 13.16-18, quando o assunto é especulação.


ESPECULAÇÕES ESCATOLÓGICAS

Os intérpretes que se aventuram a decifrar o número e o nome da besta geralmente procuram se basear em grandes personagens da história mundial para impingir o famigerado título bestial.

As interpretações, como não poderiam deixar de ser, são as mais variadas possíveis assim como os métodos utilizados para decifrar o enigma apocalíptico.

No afã de se conseguir tal intento às vezes, os pressupostos empregados forçam tais intérpretes (até mesmo os mais cautelosos) a sair fora do eixo bíblico, tornando suas interpretações um verdadeiro malabarismo, destituídas de qualquer análise contextual mais lata. Os princípios fundamentais da boa exegese bíblica são deixados de lado em detrimento de interpretações forçadas oriundas de uma mentalidade pré-conceituosa. A história mundial é forçada ao máximo, para não dizer adulterada, a fim de se encaixar em pressupostos doutrinários.


A MATEMÁTICA COMO FERRAMENTA

Os estudiosos em geral entendem que João estava usando a gematria, um sistema criptográfico (ato de em escrever em cifra ou em código) que consiste em atribuir valores numéricos às letras.

É sabido que o latim, o grego e o hebraico usavam letras em lugar de algarismos. Assim as letras funcionavam como números. Troca-se as letras pelos números e consegue-se chegar ao famigerado 666.

Na época de João este era um método vulgar. Foi descoberto pela arqueologia o nome de moças em valores numéricos. Na cidade de Pompéia sobre um muro aparece uma inscrição: "Phílo hes arithmós phme", (amo aquela cujo número é phme, onde ph=500 + m = 40 + e = 5, total = 545)."Eu amo aquela cujo nome é 545”. Tanto, pagãos como judeus e cristãos usavam o simbolismo numérico. Os “Oráculos Sibilinos” do século II d.C., apontava o valor do nome de Cristo que daria 888. Já os gregos invocavam o deus Júpiter cujo número do nome era 717. Os gnósticos viam no número 365 algo de místico, pois transferidos para o alfabeto grego traduzia a palavra “Abrasaks”. [10]

Por seu turno Clemente e Orígenes jogavam com o significado do número 318 que seria a abreviação do nome de Cristo - IHT. [11]


A BESTA NOS ESCRITOS CRISTÃOS PRIMITIVOS

Parece que o primeiro escritor cristão a tentar decifrar a besta do apocalipse usando este método foi Ireneu em sua obra "Adv. Haer. V, 30,3". Ele sugeriu vários nomes dentre os quais Lateinos (Latino) e Teitan (Titã). A transliteração destes nomes somados dá o valor 666.

Também o nome “Neron Caesar” (César Nero) em grego vertido para o hebraico dá 666:

N V R N R S Q

50 + 6 + 200 + 50 + 200 + 60 + 100 = 666


Em forma latina (tirando-se o “n”) o número varia para 616. Parece que esta era a interpretação mais convincente para os cristãos primitivos. Tanto é que dois pequenos manuscritos do Apocalipse, que hoje já não mais existem, trazia 616 ao invés de 666. [12]

Com a chegada da Reforma protestante, alguns reformadores viam no papa, a figura do anticristo, a besta do Apocalipse. [13] A propósito a palavra Italika Ekklesia daria o número 666. O que faziam muitos pensar que a besta sairia dessa igreja. Lutero chegou a conjecturar “São seiscentos e sessenta e seis anos; é o tempo que já dura o papado secular”. [14] Ainda outros nomes como Signal da Crvx, Latinvs Rex Sacerdos e Ioannes Pavlvs Secvndo também dão 666.

Em seu livro “Guerra e Paz” , Leon Tolstoi especula em torno da idéia de Napoleão ser a besta com o número 666. [15] O teólogo Petrelli aplicou esse número a Joseph Smith. Diocleciano, Lutero, Calvino, Hitler e outros foram igualmente vítimas dos matemáticos do Apocalipse. O último grande nome cogitado para engrossar essa lista foi o senhor Bill Gates, dono da Microsoft, que segundo dizem também daria 666. [16]


O NÚMERO DA BESTA NA VISÃO DAS SEITAS

Como já dissemos, a Bíblia de fato possui alguns pontos obscuros. As seitas aproveitam essa “dificuldade”, usando justamente essas passagens para extrair delas novas revelações, até então desconhecidas para o mundo. As seitas alimentam esta utopia teológica baseadas na suposição de que Deus esteja através delas revelando “mistérios” para os tempos do fim. Isso é sintomático entre esses movimentos. Essa patologia teológica incurável em algumas seitas tem feito especulações absurdas em torno do número 666. Vejamos algumas:


1. Adventistas do Sétimo Dia

“O Papa é a Besta”:

Para os adventistas o Papa é inquestionavelmente o anticristo. Embora não se possa achar nada de concreto nos escritos de Ellen G. White [17] sobre este cálculo, alguns pioneiros adventistas como Uriah Smith, em seu livro “As profecias do Apocalipse”, já trazia o cálculo do número 666 aplicando-o ao papa. [18]

Fazem isso partindo da premissa de que o papa mudou a lei de Deus, principalmente o quarto mandamento, então chegam a conclusão que ele deve ser o anticristo conforme fala Daniel 7.25.

Para confirmar tal fato era preciso forjar uma ligação de seu nome com o número 666.

Como não conseguiram o resultado usando o nome de nenhum papa, inventaram um título latino que supostamente o papa usaria em sua Tiara, o “VICARIUS FILII DEI” (Vigário do Filho de Deus). Daí a famosa sominha que passou a fazer parte da teologia adventista até hoje:



V I C A R I V S F I L I I D E I


5 + 1 + 100+1+5+ 1+50+1+1 + 500+ 1= 666

Acontece, porém, que esta soma enfrenta algumas dificuldades insuperáveis:

A primeira delas é que a soma correta não dá 666, mas 664. Veja o computo correto:

5+1+100+ IV + 1+50+1+1 + 500+ 1= 664 IV é = 4 e não O 5, COMO XL é = 40 e não 60


A segunda questão é que isto não é o “nome de um homem”, mas o título de uma suposta função que aquele líder católico exerce.

Outrossim, temos que levar em consideração que não se pode provar que tal título existia de fato na Tiara papal. E ao que tudo indica, nem mesmo este corresponde ao nome correto do título, o qual seria corretamente chamado de “Vigário de Cristo”.

Outra, o Apocalípse foi escrito em grego e não em latim, conseqüentemente o cálculo deveria ser feito por estas letras. É temeroso acreditar que os os destinatários de João conhecessem o latim já que este era um idioma usado apenas nos territórios do Ocidente Europeu.

Demais disso, pode-se até usando este mesmo cálculo, encaixar a profetisa dos adventistas nele:

E L L E N G O U L D W H I T E

50+50+ 5+50+500 5+5 + 1 = 666 – o número da besta.

Onde “w” é = v,v = 5,5 (tanto é que no nome “Walter” o “W” é lido com som de “V”)

Diante disso, atualmente, muitos teólogos adventistas já não mais associam o número da besta com o título papal. [19]


2. Testemunhas de Jeová

“A Besta é sistema político do mundo”:


Depois de mudarem diversas vezes suas doutrinas a respeito do Apocalipse, as Testemunhas de Jeová chegaram a conclusão no livro “Revelação – seu grande clímax está próximo” [20] que a besta seria apenas o mundo em sua forma organizada politicamente, sendo a ONU a imagem da besta. Dizem: “Assim, como seis é inferior a sete, assim 666 – seis em três estágios – é um nome apropriado para o gigantesco sistema político do mundo.”

É claro que esta interpretação é descabida e vai contra o próprio texto que diz que é o “nome de homem” e não de um sistema político. É um interpretação sem pé nem cabeça!

O que muitos não sabem é que hoje a ONU já não é mais vista como a imagem da besta. Essa mudança ocorreu porque a “Sociedade Torre de Vigia”, tentou se filiar a ONU. É a velha tática da seita de mudar constantemente sua doutrina! [21]


3. “Movimento do Nome Sagrado”

“O nome Jesus é a Besta”

A principal preocupação deste movimento é com o homônimo escrito e oral do nome sagrado: Yahweh para Deus e, Yahshua para Jesus. Desta ênfase deriva o nome deste Movimento, cujos representantes principais aqui no Brasil são conhecidos como “Testemunhas de Yehoshua”.

Como a seita detesta o nome Jesus, resolveram encontrar o equivalente numérico para o nome fatídico da besta em cima do nome do Filho de Deus. Demonstram isso da seguinte maneira:

I E S U S C R I S T V S F I L I I D E I (Jesus Cristo Filho de Deus)

1 + 5 + 100 + 1 + 5 + 1 + 50 + 2 + 500 + 1 = 666

Em primeiro lugar, gostaríamos de lembrar que IESVS CRISTVS FILII DEI é IESVS CRISTVS + FILII DEI. Em segundo lugar, IESVS CRISTVS sozinho equivale a 112. Em terceiro lugar, FILII (genitivo masculino singular) deveria ser FILIVS (nominativo masculino singular). Assim sendo, teríamos:

F I L I V S D E I

1 + 50 + 1 + 5 + 500 + 1 = 558

I E S U S C R I S T V S = 112 + F I L I V S D E I = 558 = 670

670 é diferente de 666

Percebemos, portanto, a necessidade da presença de títulos ou apostos – sem contar com a presença de FILII, ao invés da forma correta FILIVS – para se chegar ao número 666. [22]

Outrossim, o restante da expressão “Filho de Deus” não faz parte do nome, mas é um título.

Outros, no entanto, levados por uma obstinação mórbida, preferem usar apenas o nome “Jesus” e transliterá-lo em caracteres hebraicos, fazendo valer 666.

Esse foi o artifício exposto por outra variante deste movimento conhecidos como "Comunidade Judaica Messianitas":

J não há essa letra em hebraico = -

E não há valor numérico em hebraico = -

S vale 60 – 0 = 6

U vale 6 = 6

S vale 60 – 0 = 6 [23]

Não é necessário ser teólogo para perceber que os erros e as interpretações forçadas neste cálculo estão às escâncaras. Primeiro, porque a soma destes números daria 126 e não 666. Segundo, porque ele faz arbitrariamente 60 valer 6 e depois usa uma palavra portuguesa transformando-a em numerais hebraicos. Isso é simplesmente ridículo!


QUEM É A BESTA AFINAL?

Há comentaristas que acreditam que a figura de Nero preenche perfeitamente o cumprimento da profecia. [24] Contudo, o Apocalipse é uma revelação para o futuro. O alcance dos eventos descritos ali terão um cumprimento bem mais amplo do que qualquer um já visto na história. Neste caso, acredito que Nero, pode ser visto apenas como mais um tipo do anticristo e não o próprio anticristo.

Por outro lado há os que enxergam neste número apenas um simbolismo da imperfeição humana. O número da besta não é só número de homem, ou seja, do homem terreno em contraste com o divino, mas também significa a imperfeição e rebelião contra Deus. Satanás sempre quis imitar a Deus. Como o número de Deus é sete, o número da perfeição, o inimigo de Deus também terá seu número. Enquanto Deus marca nas testas de seus servos o seu nome, a Besta deixará sua marca naqueles que a servirão. Significando que o anticristo procurará chegar a perfeição, mas sempre ficará aquém dela.

Mas o que essa sabedoria e esse conhecimento permitem que os crentes façam? A passagem diz que podemos "calcular". Calcular o quê? Podemos calcular o número da besta.

O principal propósito de alertar os crentes sobre a marca é permitir que eles saibam que, quando em forma de número, o "nome" da besta será 666. Assim, os crentes que estiverem passando pela Tribulação, quando lhes for sugerido que recebam o número 666 na fronte ou na mão direita, deverão rejeitá-lo, mesmo que isso signifique a morte. Outra conclusão que podemos tirar é que qualquer marca ou dispositivo oferecido antes dessa época não é a marca da besta que deve ser evitada. Todos saberão e aderirão conscientemente a ela, enquanto outros a rejeitarão e sofrerão as conseqüências por isso.[25]

O que o nome e o número da besta significam será conhecido dos santos que estiverem na terra na época em que a besta estiver aqui em pessoa. De uma coisa temos certeza: mingúem na terra atualmente tem sabedoria suficiente para compreender o número da besta. [26]


CONCLUSÃO

Admito que no momento é impossível averiguar a identidade deste diabólico personagem, pelos motivos já expostos.

Quanto às interpretações acima mencionadas é praticamente inútil, tentar abordar, ainda que por alto, todos os aspectos ou analisar-lhes as contradições.

Todos os cálculos que se fez até agora mostraram-se falhos. Isto porque, com um pouco de criatividade, é fácil impingir o número da besta em qualquer um. Se não funciona com letras hebraicas, troca-se por latinas ou gregas. Acrescenta-se e tira-se títulos. Existem vários modos de se obter o número. Principalmente quando usamos líderes mundiais que mormente possuem vários títulos. [27] Mas até mesmo usado num "João da Silva" este número pode se encaixar. Os vários recursos disponíveis tornam as chances bastante altas. É o malabarismo do estica-encolhe exegético afim de forçar o número 666 se encaixar no personagem de sua escolha. O vale tudo em nome do fanatismo!

Isto posto, repudiamos tal irresponsável teologia escatológica especulativa que serve mais para confundir, do que para elucidar a questão.


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Notas bibliográficas

[1] Persch, Léo. A Segunda Vinda de Jesus. Campinas: Ed. Raboni, 1995, p. 155.

[2] Malgo, Wim. Terá Chegado o Fim de Todas as Coisas? Porto Alegre – RS: Obra Missionária Chamada da meia-Noite, p. 35.

[3] Para saber mais sobre o uso deste número em nosso século ver “O Controle Total – 666”, Wim Malgo, “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” – Porto Alegre-RS.

A Kia Motors do Brasil é, desde maio de 1992, representante oficial da montadora sul-coreana no país. No site oficial http://www.kia.com.br/empresa.php encontramos a frase: "O sucesso foi tão expressivo que, ainda hoje, dez anos após o seu lançamento, a Besta ainda é sinônimo de van no mercado brasileiro."

[4] Para ver uma defesa do próprio inventor do código de barras George J. Laurer, contra esta neurose religiosa acesse o site na sessão de perguntas e repostas http://www.laurerupc.com/.

Obs: Há alguns anos houve um verdadeiro pandemônio entre Milhares de sacerdotes, monges e fiéis cristãos ortodoxos russos que recusavam-se a aceitar os novos números do cadastro de contribuintes (equivalente ao CPF) dados pelo governo, afirmando que o código de barras no formulário continha a marca da besta.

[5] Revista Adonay, sob o título “A Marca da Besta”. Ano 4 – nº 23 –julho e agosto de 2000, pp. 26-29.

[6] O site http://www.relatorioalfa.com.br/, garante que empresa americana está pronta para marcar 75 mil brasileiros com um micro chip transmissor.

[7] Muitas coisas já foram identificadas com o famigerado 666. Exemplos foram extraídos do código da internet WWW, onde convertem o W em número romano VI=6; VI VI VI = 6 6 6. O sinal da besta seria o computador, na testa (com o monitor) e na mão (com o mouse). Também encontraram o número na frase “Viva, Viva, Viva a Sociedade Alternativa”, da música do ex-roqueiro Raul Seixas, onde transformaram a sílaba VI em algarismo romano V = 6. Então o VIva VIva VIva, virou 6 6 6. “ Marquei um X, um X, um X no seu coração” da cantora Xuxa também se enquadraria na famosa continha. Segundo dizem a letra X pronunciada em português seria XIS, lendo de trás para frente vira SIX que em inglês é 6. Então SIX,SIX,SIX = 666.

[8] Deve-se ter em mente que o original grego não trazia a divisão em capítulos e versículos. A primeira Bíblia que trouxe esta divisão foi a Vulgata em 1555.

[9] Exemplos deste tipo podemos encontrar no Corão muçulmano e no Bhagavad Gita indiano.

[10] Champlin, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - vol. 6, São Paulo: Ed. Hagnos, 2002, pp. 560-562.

[11] Ele alegoriza os 318 servos de Abraão (9:8), ao se referir a morte de Cristo na cruz, na base de que a letra grega para 300 tem a forma de cruz e que os numerais gregos para 18 são as duas primeiras letras do nome de Jesus.

[12] Champlin, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - vol. 6, São Paulo: Ed. Hagnos, 2002, pp. 560-562.
Obs: Os manuscritos usados por Ireneu são conhecidos como manuscrito C (Codex Ephraemi Rescriptus) do séc. V d.C; e o itz do Séc. VIII d.C. Curiosamente o manuscrito conhecido como itar do séc. IX d.C. trás o nº 646.

[13] Uma defesa ardorosa deste ponto de vista foi feita pelo Dr. Aníbal Pereira dos Reis, em seu livro “O número 666 de Apocalipse 13.18” Ed. Caminho de Damasco.

[14] Citado em “Profetas e Prognósticos – visionários otimistas e pessimistas de Delfos até o Clube de Roma”, Helmut Swoboda, São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1980, p.70.

[15] Ibid., p.72.

[16] Outros nomes nesta lista : Constantino, Martinho Lutero, reverendo Pat Robertson, reverendo Moon, Yasser Arafat, Aiatolá Khomeini, Saddan Hussein, Kennedy, Mussolini, Balaão, Ronald Reagan, César, Adonição em hebraico, Calígula, rei Juan Carlos da Espanha, Ismet o pai da Turquia moderna, imperador Frederico II da Alemanha, rei George II da Inglaterra, Nikita Kruschev, Napoleão, Joseph Stalin, Mussolini. Até mesmo o nome Jesus de Nazaré" em hebraico (YRSN VSY) dá 666. Também a própria "besta" em grego (= Thérion) escrita com letras hebraicas (= TRYVN) soma 666.

Para uma defesa de Bill Gates veja o site http://www.dgol.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1116.

[17] Alguns estudiosos adventistas afirmam que Ellen White atribuiu o nº 666 não a besta, mas a sua imagem. Para mais informações ver o livro "A Word to the Little Flock". Extraído do site www.jovemadventista.com/religiao/666/666

[18] Op. Cit., Casa Publicadora Brasileira, 1991, p. 214.

[19] Para ver mais sobre esta omissão consultar 1) As profecias do fim pág. 316-318 - Autor Hans K. La Rondelle (Professor emérito de Teologia da Univ. de Andrews)- Publicado pela ACES (1999); 2) Apocalipse: suas revelações pág. 413-415 - Autor C. Mervyn Maxwell (diretor do departamento de História Eclesiástica e professor de História da igreja na universidade de Andrews)- Publicado pela ACES (1991)

Curiosamente a lição da Escola Sabatina de 20 a 27/05/2000 que tratava sobre a famosa tríplice mensagem angélica, omitiu que a besta do Apocalipse é o papa. Os termos "falsos sistemas religiosos" e "falsos sistemas de adoração" são utilizados para substituir os costumeiros "Roma" e o "poder papal" tão marcantes no livro "O Grande Conflito".

[20] Op. Cit., 1998, p. 196.

[21] Para mais informações http://www.geocities.com/osarsif/

[22] Revista Defesa da Fé, Edição Especial 2000, p. 278.

[23] Panfleto “666” de autoria de D. Mathyas Pynto, líder de uma facção deste movimento. Cópias dos originais nos arquivos do CACP..

[24] Para uma defesa desta tese ver “Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento”, Rio de Janeiro: Ed. CPAD, 2003, pp. 1891-1893.

[25] Revista "Chamada da Meia-Noite, janeiro de 2004.

[26] Sr., Lockyer Herbert. Apocalípse: O Drama dos Séculos. Miami, Flórida EUA: Ed. Vida, 1982, pp. 141-142.

[27] Veja este exemplo usando o nome do dono da Microsoft, Bill Gates: Se você usar a chamada linguagem ASCII que consiste em pressionar ALT+66, aparece a letra B, Alt+73=I, Alt +76=L, Alt+76=L, Alt+71=G, Alt+65=A, Alt+84=T, Alt+69=E e por fim Alt+83=S. Somando todos estes números, obtem-se o número 663. Mas como isto não se encaixa, lembraram que ele se chama Bill Gates III (terceiro). Então 663+3=666. Fácil, não? Porém se esqueceram que o nome dele não é Bill, mas William Gates III.
Eis um exemplo típico de quase todos os “caçadores de besta”: preferem ignorar os fatos a abdicar de suas idéias preconcebidas. 

fonte: cacp.org

Belo Corinho Cantado Por Elvis Presley (Música e Tradução)



Ajude-me

Elvis Presley


Senhor, ajude-me a andar outra milha... apenas mais uma milha

Estou cansado de caminhar completamente só

Senhor, ajude-me a dar outro sorriso... apenas mais um sorriso

Tu sabes que não posso fazê-lo por conta própria


 

CORO:

Nunca pensei que precisava de ajuda antes

Pensava que poderia fazer tudo sozinho

Agora que sei que não posso mais

Com coração humilde, de joelhos, estou lhe implorando, por favor,

Ajude-me


 

Desça do seu trono dourado até mim, um solitário

Preciso sentir o toque da tua terna mão

Remova as cadeias de trevas e deixe-me ver, Senhor, deixe-me ver

Aonde me encaixo em seu plano grandioso


 

CORO:

Nunca pensei que precisava de ajuda antes

Pensava que poderia fazer tudo sozinho

Agora que sei que não posso mais

Com coração humilde, de joelhos, estou lhe implorando, por favor,

Ajude-me.


fonte: monergismo.com

Igreja Batista Casa Lesbicas e é Processada por um Membro



Para Yvonne Moore, quando sua congregação batista do Sul realizou uma “cerimônia de compromisso” lésbico, não foi só algo contra a Bíblia — foi uma traição pessoal.
A traição levou a idosa negra, que havia frequentado a Igreja Batista da Aliança em Washington D.C. durante 37 anos, a processar para que suas doações semanais fossem devolvidas — doações avaliadas em aproximadamente 250 mil dólares.
Fiquei transtornada — eu dou para a igreja dez centavos de cada dólar. Eu pago dízimos, e eles não respeitaram os membros o suficiente para nos escutar”, disse Moore numa entrevista da CNN publicada na quinta-feira. “Não acredito nessas coisas. Sou uma batista do Sul. A Bíblia fala contra o homossexualismo — não se pode levar isso para dentro da igreja”, disse ela.
Moore diz que frequentou o evento não acreditando que ocorreria em sua igreja, e achou a cerimônia “totalmente repugnante”.
Evidentemente, Moore não é o único membro transtornado com a mudança: a reportagem da CNN menciona brevemente que a congregação perdeu metade de suas famílias por causa do descalabro. Os pastores Christine e Dennis Wiley, porém, foram obstinados em sua decisão de celebrar a união da dupla lésbica.
Não dá para você simplesmente ler uma Bíblia e pensar que de certa maneira você não dominou a palavra de Deus”, disse Dennis Wiley.
Mais tarde Moore desistiu do processo, embora tenha dito que não voltará mais àquela igreja.
Num encontro anual neste mês, os líderes americanos dos batistas do Sul aprovaram resoluções se opondo à normalização da homossexualidade nas forças armadas e no ambiente de trabalho.
O Distrito de Colúmbia [onde fica a capital dos EUA] começou a disponibilizar licenças de casamento para duplas de mesmo sexo em março, juntando-se a cinco estados que revogaram a definição legal de casamento entre um homem e uma mulher.

Renê Terra Nova se Auto Intitula Patriarca Idêntico a Abraão



O "apóstolo" René Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração (MIR), no dia 19 de junho foi reconhecido publicamente diante de sua igreja, em Manaus, como patriarca. O titulo, segundo nota postada em seu blog, reconhece o papel de patriarca o qual o apóstolo Renê estaria exercendo no Brasil e nas nações por onde tem passado. O titulo/ministério é semelhante ao que Deus deu a Abraão, relatado no Velho Testamento.

René foi o precursor do movimento G12 no Brasil, trazendo o modelo criado por César Castellanos para o centro de várias igrejas e debates. A alguns anos René rompeu com Cesar e criou outro movimento, o M12, onde a forma de trabalho e doutrina continuam basicamente as mesmas, a única diferença para a original é o nome: o G12 de Cesar Castellanos significa “Governo dos 12″, já o M12 de Terra Nova significa “Modelo dos 12″.

Segundo o site do MIR, o novo título dado a René aconteceu em um culto especial, onde após a entrada dos estandartes que representariam as 12 tribos, das bandeiras dos 27 Estados brasileiros, e dos representantes internacionais, foi exibido um vídeo mostrando o que seriam as marcas do patriarcado na vida dos apóstolos do MIR. Em seguida foi realizado um “ato profético do manto sacerdotal em cor púrpura”, sobre a vida do casal de apóstolos, Renê e Ana Marita Terra Nova.

Em seguida, os representantes participantes subiram ao pulpito para afirmar que reconhecem Renê Terra Nova como Patriarca. O apóstolo Fabio Abud, de São Paulo, foi o primeiro a falar no culto, declarando que reconhecia o manto de Patriarca sobre a vida do apóstolo Renê e afirmando estar agradecido pelo pai espiritual que tem a Visão Celular no Brasil. Em seguida, o presidente da ICEJ, Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém, Malcolm Hedding, declarou que Israel também reconhecia o legado patriarcal do apóstolo, lembrando o chamado de Abraão.

Em mensagem exibida no vídeo, a apóstola Valnice Milhomens, que esteve no MIR, afirmou que o apóstolo Renê Terra Nova é muito importante para o Brasil, segundo ela, devido a sua liderança de amor, dedicação e seriedade no que faz. Outro apóstolo, Marcel Alexandre, representou a voz local e emocionado declarou em nome de todo o MIR, e todas as igrejas de Manaus, o reconhecimento de que há um Patriarca de uma visão no Brasil e mentor de uma nova geração de líderes, que segundo o site do ministério, são desatados na Visão.

John Piper Sobre o evangelho da prosperidade

Epístola aos Romanos Por Martinho Lutero (Parte 2) Vale a pena ler!




  1. Pecado
    A Escritura Sagrada chama pecado, não somente a obra exterior do corpo, senão a todas as atividades que impelem, ou movem para ela, como seja, o íntimo do coração com todas as suas forças. Por conseguinte a palavrinha fazer significa que o homem se entrega completamente ao pecado. Pois não se produz nenhuma obra exterior do pecado a menos que o homem se empenhe nela com corpo e alma. A Escritura enfoca especialmente ao coração e àraiz e à fonte principal de todo pecado que é a incredualidade no íntimo do coração. Assim como somente a fé justifica, trazendo consigo o Espírito e o prazer para as boas obras exteriores, da mesma maneira também somente a incredulidade peca e incita a carne e a faz sentir prazer pelas más obras exteriores, como ocorreu com Adão e Eva no Paraíso, Gen. 3:26.
    Por isso Cristo chama pecado somente a incredulidade, quando diz em João 16:8, 9: "O Espírito castigará o mundo, por causa do pecado, porque não crêem em mim". Por isso também, antes de ocorrer boas ou más obras, como sucede nos bons e maus frutos, deve existir primeiro no coração a fé ou a incredulidade, como raiz, como seiva, e força principal de todos os pecados, que é chamado nas Escrituras a cabeça da serpente, e do velho dragão que seria espisoteada pela descendência da mulher, por Cristo, como foi prometido a Adão.


  2. Graça
    A diferença entre graça e dádiva é que graça significa propriamente benevolência ou favor de Deus que ele abriga consigo mesmo para conosco e que inclina a dar-nos a Cristo, ao Espírito com seus dons. Assim o evidencia no capítulo quinto (Rom. 5:15) quando diz: "A graça e o dom em Cristo, etc. . ." Ainda que os dons e o Espírito cresçam diariamente em nós— não chegando nunca a ser perfeitos, de maneira que ainda permanecem em nós maus desejos e pecado, que lutam contra o espírito, como afirma mais adiante em Romanos 7:5, 14 e 23 e Gálatas 5:17 e como se promete em Gênesis 3:15, a luta entre a estirpe da mulher e da serpente—a graça faz tanto que nos podemos considerar completamente justificados diante de Deus; ela não se divide nem se fracciona, como ocorre com os dons, senão que nos incorpora totalmente em sua benevolência, por causa de Cristo, nosso intercessor e mediador, e por haver começado os dons em nós.
    Desta forma entendes, pois, o capítulo sétimo em que São Paulo se chama ainda pecador, e contudo afirma, no oitavo, que não há nada de condenável naqueles que estão em Cristo por causa dos imperfeitos dons e do espírito. Somos ainda pecadores por causa da carne que ainda não morreu, mas porque cremos em Cristo e temos o princípio do Espírito. Deus é tão favorável e misericordioso para conosco, que não considera tais pecados nem quer julgá-los, senão que procederá conosco segundo nossa fé em Cristo até que o pecado seja suprimido.
    3.  Fé
    A não é a ilusão humana ou o sonho que alguns consideram como tal e quando vêem que não segue um melhoramento da vida nem boas obras, ainda que todavia possam ouvir e falar muito sobre ela, então caem no erro e afirmam que a fé não é suficiente, de maneira que teriam de fazer obras para ser bom e salvo.
    Isto sucede quando escutam o evangelho e vêm depois e formam por conta própria um pensamento no coração que lhes diz: eu creio; depois consideram isso uma fé correta; mas como é uma invenção humana e um pensamento que nunca se experimenta no íntimo do coração, então não chega a produzir nada e não se segue nenhuma melhora.
    Mas a fé é uma obra divina em nós, que nos transforma e nos faz nascer de novo, de Deus, S. João 1:13, mata o velho Adão e nos faz ser um homem distinto de coração, de ânimo, de sentido e de todas as forças, trazendo o Espírito Santo consigo. A fé é uma coisa viva, laboriosa, ativa, poderosa de maneira que é impossível que não produza o bem sem cessar. Tampouco indaga se tem que fazer boas obras, senão, antes de perguntar já as fez e está sempre fazendo. Mas quem não faz tais obras é um homem incrédulo, anda às tontas. Busca a fé e as obras boas e não sabe o que é Fé ou boas obras, e fala, e conversa muito sobre ambas.
    A fé é uma viva e inamovível segurança na graça de Deus, tão certa que um homem morreria mil vezes por ela. E tal segurança e conhecimento da graça divina faz o homem alegre, valente e contente ante Deus e todas as criaturas, pois é o que realiza o Espírito Santo na fé. Por isso se está disposto e contente sem nenhuma imposição para fazer o bem e servir a qualquer um, para sofrer tudo por amor e louvor a Deus, que lhe tem mostrado tal graça. Por conseguinte, é impossível separar a obra da fé, tão impossível como é separar o arder e o resplandecer do fogo. Por isso deves ter muito cuidado ante teus próprios falsos pensamentos, e ante inúteis charlatães que querem ser inteligentes para julgar sobre as boas obras e são os mais torpes.
    Roga a Deus para que produza a fé em ti, do contrário ficarás eternamente privado dela, ainda que inventes ou faças o que quiserdes ou possas.


  3. Justiça
    Agora bem, a justiça é tal fé e se chama justiça de Deus, ou que vale diante de Deus, pelo fato de que é um dom de Deus e faz com que o homem dê a cada um o que lhe deve. Pois pela fé chega a ser o homem livre de pecado e a cumprir com agrado os mandamentos de Deus; com isso dá a Deus a honra que lhe corresponde e lhe paga o que lhe deve. Mas o homem lhe serve voluntariamente com o que pode e paga também com isso a qualquer um. Tal justiça não pode ser realizada pela natureza, pela livre vontade e por nossas forças. Pois assim como ninguém pode dar fé a si mesmo, tampouco ninguém pode tirar a incredulidade. Como se quer, pois, remover um só pecado, ainda que fosse o menor deles? Por isso é falsidade, hipocrisia e pecado o que ocorre fora da fé ou na incredulidade (Rom. 14:23) por mais que seja em aparência.


  4. Carne e espírito
    A carne e o espírito não deves compreender aqui como se a primeira fosse somente o que concerne a impureza, e o segundo ao interior do coração. Paulo chama carne, igualmente que Cristo (São João 3:6), a todo o nascido de carne, todo o homem com corpo e alma, com a razão e todos os sentidos. Precisamente porque tudo no homem tende para a carne, de modo que também podes chamar carnal àquele que sem a graça inventa muito sobre elevadas questões espirituais, ensina e fala muito. Podes aprender muito bem das obras da carne, segundo Gálatas (5:19 em diante) onde o apóstolo chama obra da carne também à heresia e ao ódio. Em Romanos 8:3 diz que, mediante a carne, a lei se debilita, o que não se afirma com respeito à impureza, mas a todos os pecados e principalmente no que respeita à incredulidade que é o mais espiritual dos vícios.
    Por outra parte, também tens que chamar espiritual àquele que realiza as obras mais externas, como Cristo ao lavar os pés dos discípulos, e Pedro ao conduzir a barca e pescar. Por conseguinte a carne é um homem que vive e realiza interna e externamente o que está ao serviço da carne e da vida temporal. O espírito é o homem que vive e realiza interna e externamente o que está a serviço do espírito e da vida eterna. Sem esta compreensão dessas palavras nunca entenderás esta epístola de São Paulo nem nenhum livro da Sagrada Escritura. Por isso deves precaver-te de todos os mestres que utilizam estas palavras em outro sentido, seja quem for, Jerônimo, Agostinho, Ambrósio, Orígenes, semelhantes a eles ou ainda superiores. Agora vamos considerar a Epístola.

Hebraico Iemenita

Shólôm !!!

Não, eu não estou maluco, quis dizer "shólôm" mesmo !!! Essa é a pronúncia do hebraico iemenita , que é bem diferente da pronúncia oficial de Israel , à pronúncia sefaradita (dos judeus espanhóis e portugueses) e se assemelha um pouco à pronúncia ashquenazita (dos judeus da região da Alemanha, Polônia, etc). Existem outras diferenças no mínimo curiosas. Já de cara, notei diferença no גּ - guimel , que eles chamam de "jimal" , pronunciando "djimal" como na palavra "jeans" ou no inglês "joy". E sem o daguesh ( ג ) , como o "r" francês, seria um "khaf" ( כ ) com "gh". O interessante nessa pronúncia, é a forte influência do árabe, pois no hebraico não existe som de "j" , como indica a pronúncia do guimel iemenita. A vogal qamatz gadol para eles é pronunciada como "ó". Bom, quem quiser aprender essa pronúncia que, na minha opinião é belíssima, visite a página http://sagavyah.tripod.com/ALEFBET.html e divirtam-se

Shalom (agora de volta à pronúncia sefaradit)

fonte:http://torahyeshua.blogspot.com

P.39 Qual Dever que Deus Exige do Homem? Catecismos Estudo

"O dever que Deus exige do homem é a obediência à sua vontade revelada”( Dt 29. 29; Mq 6. 8; 1Sm 15. 22)".

Esta é a segunda parte do Breve Catecismo. A primeira tratou daquilo que devemos crer; agora, o BCW tratará o que devemos fazer ou, em outras palavras, o que Deus requer de nós. A primeira pergunta desta segunda seção é semelhante à segunda pergunta da primeira seção. As respostas às ambas perguntas são as mesmas. O Senhor Deus nos deu as Escrituras como regra para nos orientar quanto à maneira de glorificá-los e gozá-lo (P.1); mas esta regra deve ser obedecida, pois é exida pelo Doador (P.2). É a sua vontade revelada. Neste ponto notamos que ainda hoje existe uma “Batalha pela Bíblia”. Os ataques contra as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, já de longas datas, não cessaram. A simples menção das Escrituras em uma conversa particular, já se perceberá que, milhares que tenham uma Bíblia, nunca a leram. “Já vem você citar a Bíblia!”, Dizem alguns. Estes dias conversava com um amigo da minha mocidade, e que se tornou seguidor da Seita “Vale do Amanhecer”, quando, para minha surpresa (eu não sabia até o momento), ele diz: “costumo reunir meus filhos e pedir para o mais velho ler a Bíblia pra gente!”. A pergunta do BCW nos mostra que Deus revelou a Sua vontade e que esta revelação consta nas Escrituras. No mais estrito sentido do termo, as Escrituras são as palavras de Deus (Pv. 30. 5, 6; 2Tm 3.16,17). Ela nos foi entregue por Deus para “preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”(CFW 1§ i). Ainda citando a Confissão de Fé de Westminster, encontramos que “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas”. É a este Livro e apenas a Ele que o Seu Autor requer obediência, o que não fazê-lo, torna-se pecado (Tg 1.22 - 25; 4.17; Mq 6.8).

Rev. Gaspar de Souza. SDG

Teologia Fácil- A Graça Comum- Vale a Pena Estudar Este Tema!


   

A Graça Comum

I. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA

A. Introdução e definição

Quando Adão e Eva pecaram, tornaram-se réus da punição eterna e da separação de

Deus (Gênesis 2:17). Do mesmo modo, hoje, quando os seres humanos pecam, eles se

tornam sujeito à ira de Deus e à punição eterna: "o salário do pecado é a morte"

(Romanos 6:23). Isso significa que, uma vez que as pessoas pecam, a justiça de Deus

requer somente uma coisa — que elas sejam eternamente separadas de Deus, alienadas

da possibilidade de experimentar qualquer bem da parte dEle, e que elas existam para

sempre no inferno, recebendo eternamente apenas a Sua ira. De fato, isso foi o que

aconteceu aos anjos que pecaram e poderia ter acontecido exatamente conosco

também: "Pois Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas os lançou no inferno,

prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo" (2 Pedro

2:4).

Mas, de fato, Adão e Eva não morreram imediatamente (embora a sentença de morte

começasse a ser aplicada na vida deles no dia em que pecaram). A execução plena da

sentença de morte foi retardada por muitos anos. Além disso, milhões de seus

descendentes até o dia de hoje não morrem nem vão para o inferno tão logo pecam, mas

continuam a viver por muitos anos, desfrutando bênçãos incontáveis nesta vida. Como

pode ser isso? Como Deus pode continuar a conferir bênçãos a pecadores que merecem

somente a morte — não somente aos que finalmente serão salvos, mas também a

milhões que nunca serão salvos, cujos pecados nunca serão perdoados?

A respostas a essas perguntas é que Deus concede-lhes graça comum. Podemos definir

graça comum da seguinte maneira: Graça comum é a graça de Deus pela qual Ele dá às

pessoas bênçãos inumeráveis que não são parte da salvação. A palavra comum aqui

significa algo que é dado a todos os homens e não é restrito aos crentes ou aos eleitos

somente.

Diferentemente da graça comum, a graça de Deus que leva pessoas à salvação é muitas

vezes chamada "graça salvadora". Naturalmente, quando falamos a respeito da "graça

comum" e da "graça salvadora", não estamos sugerindo que há duas diferentes espécies

de graça no próprio Deus, mas apenas estamos dizendo que a graça de Deus se manifesta

no mundo de duas maneiras diferentes. A graça comum é diferente da graça salvadora

quanto aos resultados (ela não traz salvação), seus destinatários (é dada aos crentes e

descrentes igualmente) e sua fonte (ela não flui diretamente da obra expiatória de

Cristo, visto que a morte dEle não obtém nenhuma medida de perdão para os descrentes

e, portanto, nem os crentes nem os descrentes fazem jus às suas bênçãos). Contudo,

sobre o último ponto, deve ser dito que a graça comum flui indiretamente da obra

redentora de Cristo, porque o fato de Deus não julgar o mundo assim que o pecado

entrou nele talvez seja apenas porque Ele planejou finalmente salvar alguns pecadores

por meio da morte de Seu Filho.

B. Exemplos de graça comum

Se olhamos para o mundo ao nosso redor e o contrastamos com o fogo do inferno que ele

merece, podemos ver imediatamente a abundante evidência da graça comum de Deus

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em milhares de exemplos na vida diária. Podemos distinguir diversas categorias

específicas nas quais essa graça comum pode ser vista.

1. A esfera física. Os descrentes continuam a viver neste mundo somente por causa da

graça comum de Deus — cada vez que as pessoas respiram é pela graça, pois o salário do

pecado é a morte, não a vida. Além disso, a terra não produz somente espinhos e ervas

daninhas (Gênesis 3:18), nem permanece um deserto ressequido, mas a graça comum de

Deus provê comida e material para roupa e abrigo, muitas vezes em grande abundância

e diversidade. Jesus disse: "Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os

perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque Ele

faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos" (Mateus

5:44,45). Aqui Jesus apela para a abundante graça comum de Deus como encorajamento

aos seus discípulos, para que eles também concedam amor e orem para que os

descrentes sejam abençoados (cf. Lucas 6:35,36). Semelhantemente, Paulo disse ao

povo de Listra: "No passado [Deus] permitiu que todas as nações seguissem os seus

próprios caminhos. Contudo. Deus não ficou sem testemunho: mostrou sua bondade,

dando-lhes chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo-lhes sustento com

fartura e um coração cheio de alegria" (Atos 14:16,17).

O Antigo Testamento também fala da graça comum de Deus que vem aos descrentes

tanto quanto aos crentes. Um exemplo específico é o de Potifar, o capitão da guarda do

Egito que comprou José como escravo: "o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa

de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa

como no campo" (Gênesis 39:5). Davi fala de modo muito mais geral a respeito das

criaturas que o Senhor fez:

"O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas. [...] Os

olhos de todos estão voltados para ti, e tu lhes dás o alimento no devido tempo. Abres a

tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos" (Salmos 145:9,15,16).

Estes versículos são outro lembrete de que a bondade que é encontrada em toda a

criação não acontece automaticamente — ela se deve à bondade de Deus e Sua

compaixão.

2. A esfera intelectual. Satanás é "mentiroso e pai da mentira" e "não há verdade nele"

(João 8:44), porque lhe foi dado ter domínio sobre o mal e sobre a irracionalidade e

comprometimento com a falsidade que acompanha o mal radical. Mas os seres humanos

no mundo de hoje, mesmo os descrentes, não estão totalmente entregues à mentira,

irracionalidade e ignorância. Todas as pessoas são capazes de ter um pouco de

compreensão da verdade; de fato, algumas possuem grande inteligência e

entendimento. Isso também deve ser visto como resultado da graça comum de Deus.

João fala de Jesus como "a verdadeira luz, que ilumina todos os homens" (João 1:9),

pois, em seu papel como criador e sustentador do universo (não particularmente em seu

papel como redentor), o Filho de Deus concede iluminação e entendimento que vêm a

todas as pessoas no mundo.

A graça comum de Deus na esfera intelectual é vista no fato de que todas as pessoas têm

certo conhecimento de Deus: "porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como

Deus, nem lhe renderam graças" (Romanos 1:21). Isso significa que há um senso da

existência de Deus e muitas vezes a fome de conhecer Deus que Ele permite que

permaneça no coração das pessoas, embora isso resulte muitas vezes em muitos religiões

diferentes criadas pelos homens. Portanto, mesmo quando falando a pessoas que

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sustentavam religiões falsas, Paulo pôde encontrar um ponto de contato com respeito ao

conhecimento da existência de Deus, exatamente como fez quando falou aos filósofos

atenienses: "Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos [...] o

que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio" (Atos 17:22,23).

A graça comum de Deus na esfera intelectual também resulta na capacidade de captar a

verdade e distingui-la do erro e de experimentar crescimento em conhecimento que

pode ser usado na investigação do universo e na tarefa de dominar a terra. Isso significa

que toda ciência e tecnologia desenvolvida pelos não-cristãos é resultado da graça

comum, permitindo-lhes fazer descobertas e invenções incríveis, para desenvolver os

recursos do planeta na criação de muitos bens materiais, para produção e distribuição

desses recursos e para alcançar habilidades na obra produtiva. Em sentido prático, isso

significa que, cada vez que entramos em uma mercearia, andamos em um automóvel ou

entramos em uma casa, devemos lembrar que estamos experimentando os resultados da

abundante graça comum de Deus derramada tão ricamente sobre toda a raça.

3. A esfera moral. Pela graça comum Deus também refreia as pessoas de serem tão más

quanto poderiam. Novamente o reino demoníaco, totalmente dedicado ao mal e à

destruição, proporciona um contraste claro com a sociedade humana, na qual o mal é

claramente refreado. Se as pessoas persistem dura e repetidamente em seguir o pecado

durante o curso de sua vida, Deus finalmente as entregará ao maior de todos os pecados

(cf. Salmos 81:12; Romanos 1:24,26,28), mas no caso da maioria dos seres humanos eles

não caem nas profundezas às quais seus pecados normalmente os levariam, porque Deus

intervém e coloca freio na sua conduta. Um refreamento muito eficaz é a força da

consciência. Paulo diz: "De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam

naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a

Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão

testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora

defendendo-os" (Romanos 1:32). E em muitos outros casos, essa sensação interior da

consciência leva os indivíduos a estabelecer leis e costumes na sociedade que são, em

termos da conduta exterior que eles aprovam ou proíbem, totalmente iguais às leis

morais da Escritura. As pessoas muitas vezes estabelecem leis ou têm costumes que

respeitam a santidade do casamento e da família, protegem a vida humana e proíbem o

roubo e a falsidade no falar. Por causa disso, elas muitas vezes seguem caminhos

moralmente retos e exteriormente andam conforme os padrões morais encontrados na

Escritura. Embora a conduta moral delas não possa ganhar méritos com Deus, visto que a

Escritura claramente diz que "diante de Deus ninguém é justificado pela Lei" (Gálatas

3:11) e "Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça

o bem, não há nem um sequer" (Romanos 3:12), contudo, em algum sentido menor que

ganhar a aprovação ou o mérito eterno de Deus, os descrentes realmente fazem "o

bem". Jesus sugere isso quando diz: "E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que

são bons para com vocês? Até os 'pecadores' agem assim" (Lucas 6:33).

4. A esfera da criatividade. Deus distribuiu medidas significativas de capacidade em

áreas artísticas e musicais, assim como em outras esferas nas quais a criatividade e a

habilidade podem expressar-se, como praticar esportes, cozinhar, escrever, e assim por

diante. Além disso, Deus nos dá a capacidade de apreciar a beleza em muitas áreas da

vida. E nessa área, assim como na esfera física e intelectual, as bênçãos da graça

comum são às vezes derramadas sobre os descrentes até mais abundantemente que

sobre os crentes. Todavia, em todos os casos, ela é resultado da graça de Deus.

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5. A esfera da sociedade. A graça de Deus também é evidente na existência de várias

organizações e estruturas na raça humana. Vemos isso primeiramente na família

humana, ressaltado pelo fato de que Adão e Eva permaneceram marido e mulher após a

queda e então tiveram filhos, homens e mulheres (Gênesis 5:4). Os filhos de Adão e Eva

casaram-se e formaram famílias para si mesmos (Gênesis 4:17,19,26). A família humana

permanece ainda hoje, não simplesmente como instituição para os crentes, mas para

todas as pessoas.

O governo humano é também resultado da graça comum. Ele foi instituído no princípio

por Deus após o dilúvio (ver Gênesis 9:6) e, segundo Romanos 13 claramente afirma, foi

estabelecido por Deus: "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois

não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele

estabelecidas". Está claro que o governo é dom de Deus para a raça em geral, pois Paulo

diz que a autoridade "é serva de Deus para o seu bem" e que ela é "serva de Deus,

agente de justiça para punir quem pratica o mal" (Romanos 13:4). Um dos principais

meios que Deus usa para refrear o mal no mundo é o governo humano. As leis humanas,

as forças policiais e os sistemas judiciais proporcionam poderosa repressão às más ações,

e esses são freios necessários, pois há muito mal no mundo que é irracional e pode ser

restringido somente pela força, já que ele não será impedido pela razão ou pela

educação. Obviamente a pecaminosidade das pessoas pode também afetar os governos

em si mesmos, de forma que o governo humano, igual a todas as outras bênçãos da graça

comum que Deus dá, pode ser usado tanto para o propósito do bem como do mal.

6. A esfera religiosa. Mesmo na esfera da religião humana, a graça comum de Deus traz

algumas bênçãos para as pessoas incrédulas. Jesus nos diz: "Amem os seus inimigos e

orem por aqueles que os perseguem" (Mateus 5:44), e desde que não há qualquer

restrição no contexto para que se ore simplesmente pela salvação deles e como a ordem

de orar pelos que nos perseguem é combinada com a ordem de amá-los, parece razoável

concluir que Deus pretende responder a nossas orações pelos que nos perseguem em

muitas áreas de suas vidas. De fato, Paulo especificamente ordena que oremos "pelos

reis e por todos os que exercem autoridade" (1 Timóteo 2:2). Quando procuramos o bem

dos descrentes, isso é coerente com a própria prática divina de conceder sol e chuva a

"maus e bons" (Mateus 5:45) e também está de acordo com a prática de Jesus durante o

Seu ministério terreno, quando Ele curou cada pessoa que lhe era trazida (Lucas 4:40).

Não há indicação alguma de que ele tenha exigido que todos cressem nele ou

concordassem que ele era o Messias antes de lhes conceder cura física.

Deus responde às orações dos descrentes? Embora Deus não tenha prometido responder

às orações dos descrentes como prometeu responder às orações dos que vêm a Ele em

nome de Jesus, e embora Ele não tenha obrigação de responder às orações dos

descrentes, mesmo assim Deus pode por Sua graça comum ouvir e responder

positivamente às orações deles, demonstrando dessa forma Sua misericórdia e bondade

de outro modo ainda (cf. Salmos 145:9,15; Mateus 7:22; Lucas 6:35,36). Esse é

provavelmente o sentido de 1 Timóteo 4:10, que diz que Deus é o "Salvador de todos os

homens, especialmente dos que crêem". Aqui "Salvador" não significa restritamente

"quem perdoa pecados e dá vida eterna", porque tais coisas não são dadas aos que não

crêem. "Salvador" deve ter aqui um sentido mais geral — a saber, "quem resgata da

miséria, quem liberta". Em caso de pobreza e miséria, Deus muitas vezes ouve as

orações dos descrentes e os livra graciosamente de seus problemas. Além disso, mesmo

os descrentes muitas vezes possuem um senso de gratidão para com Deus pela bondade

da criação, pela libertação em meio ao perigo e pelas bênçãos da família, do lar, das

amizades e do país.

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7. A graça comum não salva pessoas. A despeito de tudo isso, devemos perceber que a

graça comum é diferente da graça salvadora. A graça comum não muda o coração

humano nem traz pessoas ao genuíno arrependimento ou à fé — ela não pode salvar e

não salva pessoas (embora na esfera intelectual e moral ela possa preparar as pessoas

para torná-las mais dispostas a aceitar o evangelho). A graça comum refreia o pecado,

mas não muda a disposição fundamental de pecar nem purifica a natureza humana

decaída.

Devemos também reconhecer que as ações que os descrentes realizam por causa da

graça comum não merecem a aprovação ou o favor de Deus. Essas ações não procedem

da fé ("tudo o que não provém da fé é pecado", Romanos 14:23) nem são motivadas

pelo amor a Deus (Mateus 22:37), e sim pelo amor ao ego sob uma ou outra forma.

Portanto, embora possamos prontamente dizer que as obras dos descrentes que se

conformam externamente às leis de Deus são "boas" em algum sentido, contudo elas

não são boas em termos de merecer a aprovação de Deus nem de tornar Deus endividado

para com o pecador em sentido algum.

Finalmente, devemos reconhecer que os descrentes muitas vezes recebem mais graça

comum que os crentes — eles podem ser mais habilidosos, trabalhar com mais esforço,

ser mais inteligentes, mais criativos ou ter mais dos benefícios materiais desta vida para

desfrutar. Isso não indica de forma alguma que eles são mais favorecidos por Deus no

sentido absoluto ou que eles vão ganhar qualquer coisa relativa à salvação eterna, mas

significa somente que Deus distribui as bênçãos da graça comum de vários modos, muitas

vezes concedendo bênçãos bastante significativas a descrentes. Em tudo isso,

obviamente, eles devem tomar consciência da bondade de Deus (Ateus 14:17) e

reconhecer que a vontade revelada de Deus é que essa "bondade de Deus" finalmente os

conduza "ao arrependimento" (Romanos 2:4).

C. Razões para a graça comum

Por que Deus concede graça comum a pessoas imerecedoras que nunca virão à salvação?

Podemos sugerir ao menos quatro razões.

1. Para redimir os que serão salvos. Pedro diz que o dia do juízo e da execução final de

punição está sendo retardado porque há ainda mais pessoas que serão salvas. "O Senhor

não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é

paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao

arrependimento." (2 Pedro 3:9,10). De fato, essa razão foi verdadeira desde o princípio

da história humana, pois, se Deus quisesse salvar qualquer pessoa entre todos que

compõem a humanidade pecaminosa, Ele não poderia destruir todos os pecadores

imediatamente (nesse caso não sobraria ninguém da raça humana). Ao contrário, Ele

resolveu permitir que seres humanos pecaminosos vivessem algum tempo de modo a ter

uma oportunidade de arrependimento e também para que pudessem gerar filhos,

capacitando gerações subseqüentes a viver, a ouvir o evangelho e se arrepender.

2. Para demonstrar a bondade e a misericórdia de Deus. A bondade e a misericórdia de

Deus não são vistas somente na salvação dos crentes, mas também nas bênçãos que Deus

dá aos pecadores que não as merecem. Quando Deus "é bondoso para com os ingratos e

maus" (Lucas 6:35), essa bondade é revelada no universo, para a Sua glória. Davi diz: "O

Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas" (Salmos

145:9). Na história de Jesus conversando com o moço rico, lemos: "Jesus olhou para ele

e o amou" (Marcos 10:21), embora o homem fosse um descrente que no mesmo instante

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afastou-se de Jesus porque possuía muitas riquezas. Berkhof diz que Deus "derrama

incontáveis bênçãos sobre todos os homens e também indica claramente que elas são

expressões de uma disposição favorável de Deus que, contudo, fica muito aquém da

volição positiva exercida para lhes perdoar, suspender a sentença a eles imposta e

assegurar-lhes a salvação".

Não é injusto Deus retratar a execução da punição do pecado e dar temporariamente

bênçãos aos seres humanos, porque a punição não é esquecida, mas apenas retardada.

Retardando a punição, Deus mostra claramente que não tem prazer em executar o juízo

final, mas, ao contrário, Ele se deleita na salvação de homens e mulheres. "Juro pela

minha vida, palavra do Soberano, o SENHOR, que não tenho prazer na morte dos ímpios,

antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam" (Ezequiel 33:11).

Deus "deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da

verdade" (1 Timóteo 2:4). Em tudo isso o tempo de espera da punição dá uma evidência

clara da misericórdia, bondade e amor de Deus.

3. Para demonstrar a justiça de Deus. Quando repetidamente Deus convida os pecadores

a virem à fé e repetidamente eles recusam os Seus convites, a justiça de Deus em

condená-los é vista muito mais claramente. Paulo adverte que quem persiste na

incredulidade está simplesmente acumulando a ira para si mesmo: "Contudo, por causa

da teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para

o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento" (Romanos 2:5). No dia

do juízo todas as bocas serão silenciadas (Romanos 3:19), e ninguém será capaz de

contrapor que Deus foi injusto.

4. Para demonstrar a glória de Deus. Finalmente, a glória de Deus é mostrada de muitas

formas pelas atividades dos seres humanos em todas as áreas nas quais a graça comum

está em operação. No desenvolvimento e no exercício do domínio sobre a terra, homens

e mulheres demonstram e refletem a sabedoria do seu Criador, comprovam as

qualidades dadas por Deus, as virtudes morais e a autoridade sobre o universo, e coisas

semelhantes. Embora todas essas atividades sejam contaminadas por motivos

pecaminosos, elas apesar disso refletem a excelência de nosso Criador e, portanto,

trazem a glória a Ele, não de forma plena e perfeita, mas ainda assim significativa.

C. Nossa resposta à doutrina da graça comum

Pensando sobre as várias espécies de bondades vistas na vida dos descrentes por causa

da graça comum que Deus dá abundantemente, devemos ter em mente três pontos.

1. Graça comum não significa que quem a recebe será salvo. Mesmo uma porção

excepcional de graça comum não significa que quem a recebe será salvo. Até as pessoas

mais habilidosas, mas inteligentes, mais ricas e poderosas no mundo ainda carecem do

evangelho de Jesus Cristo ou serão condenadas eternamente! Os nossos vizinhos mais

bondosos e de moral mais elevada ainda carecem do evangelho de Jesus Cristo ou serão

condenados eternamente! Exteriormente pode parecer que eles não têm necessidade

algumas, mas a Escritura ainda diz que os descrentes são "inimigos de Deus" (Romanos

5:10; cf. Colossenses. 1:21; Tiago 4:4) e são "contra" Cristo (Mateus 12:30). Eles são

"inimigos da cruz de Cristo" e "só pensam nas coisas terrenas" (Filipenses 3:18,19),

sendo "por natureza merecedores da ira" (Efésios 2:3).

2. Devemos ser cuidados em não rejeitar as coisas boas que os descrentes fazem,

considerando-as totalmente más. Pela graça comum os descrentes fazem algumas coisas

boas, e devemos ver a mão de Deus nelas, sendo agradecidos por elas, como por

exemplo nas amizades, em cada ato de bondade, no que elas trazem de bênçãos para

outras pessoas. Tudo isso — embora o descrente não o saiba — procede em última

análise de Deus, e Deus merece a glória por tudo.

3. A doutrina da graça comum deveria estimular nosso coração à gratidão muito maior a

Deus. Quando descemos uma rua e vemos casas, jardins e famílias vivendo em

segurança, ou quando negociamos no mercado e vemos os resultados abundantes do

progresso tecnológico, ou quando andamos pelos bosques e vemos a beleza da natureza,

ou quando somos protegidos pelas autoridades, ou quando somos educados no vasto

conhecimento humano, devemos perceber não somente que Deus, em Sua soberania, é o

responsável último por todas essas bênçãos, mas também que Deus as tem concedido aos

descrentes, embora eles não tenham absolutamente nenhum mérito com relação a elas!

Essas bênçãos no mundo não são apenas evidências do poder e sabedoria de Deus, mas a

manifestação contínua da Sua graça abundante. A percepção deste fato deveria fazer

nosso coração se encher de gratidão a Deus em cada atividade de nossa vida.

Autor: Wayne Grudem

Fonte: Teologia Sistemática do autor, Editora Vida Nova, págs. 297-304. Compre este

livro em http://www.vidanova.com.br .

Estudos Bíblicos - Curso Teológico

http://sites.google.com/site/estudosbiblicossolascriptura

Carta as Bispas, Apóstolas e Pastoras em Geral.

 
 
 
[*Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]

Minha cara Evônia,

Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.

Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos. Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.

Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma atitude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.

E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.

Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.

1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.

2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).

3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).

4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.

5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos sexuais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?

6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homossexualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homossexualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.

7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]

8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.

Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que sexo antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homossexual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?

Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso... na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.

Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.

Um abraço,

Augustus

NOTAS

[1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.

[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”.