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Os Males do Calvinismo

 




Os Males do Calvinismo 

 

Frank B. Beck

 

 

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto[1]

 

Em anos recentes tem havido uma ênfase crescente sobre a teologia calvinista. A republicação dos comentários de João Calvino sobre as Escrituras e o livro de John Gill, The Body of Divinity; The Reign of Grace, de Abraham Booth; e os sermões de Charles Haddon Spurgeon; juntamente com livros recentes tais como: The Reformed Doctrine of Predestination, de Loraine Boettner; Calvinism, de Abraham Kuyper; The Sovereignty of God, de A. W. Pink; também o aumento da popularidade do Christian Reformed Hour com umas 200 estações de rádio reproduzindo sua programação e sua circulação mensal do Back to God Family Altar a 55.000 leitores e outras antigas publicações em contínua reimpressão: The Gospel Standard, Signs of The Times, Zion’s Witness, e Zion’s Lanmark é ampla evidência que o Calvinismo está longe de estar morto.

I. O que é Calvinismo?

O Calvinismo é um sistema de crença. É um sistema de verdade. É uma forma de ensinar a Bíblia, popularizada por João Calvino, o grande Reformador Protestante. Por conseguinte, é chamado “Calvinismo”. Calvino tomou-o de Agostinho, bem como da Escritura, e Agostinho tomou-o dos escritos de Paulo nas Escrituras e da igreja primitiva, e Paulo recebeu-o, “não de homem, mas de Deus” (Gálatas 1:11, 12).

O Calvinismo declara que o pecador está literalmente “morto em delitos e pecados” (Efésios 2:1) e, portanto, não pode fazer nada em favor da salvação de sua alma. Ele declara que o homem tem uma vontade e, portanto, não é uma máquina, mas sua vontade não é livre nas questões espirituais, para as quais está morto. Ele é mantido cativo pelo Diabo (2 Timóteo 2:26) e não busca a Deus (Romanos 3:11).

O Calvinismo crê que Cristo morreu somente pelos eleitos, ou Suas ovelhas, num sentido salvífico (João 10:15; 1 Pedro 2:24, 25). Crê que Cristo salva a quem Ele quer (João 5:21; Romanos 9:18); que a regeneração do Espírito Santo cria o verdadeiro arrependimento e o dom da fé no coração daqueles por quem Cristo morreu (2 Timóteo 2:25 e Hebreus 12:2).

O Calvinismo declara que os propósitos de Deus nunca podem ser frustrados (Isaías 46:10; Salmos 115:3).

Que crença chocante! Essa é a fé querida por aqueles chamados de “calvinistas”. É um erro chamar alguém que sustenta essas visões mencionadas de “hiper-calvinistas”. Eles não são hiper-calvinistas, mas calvinistas.

II. Quais são alguns dos “males” do Calvinismo?

Primeiro, o Calvinismo humilha o homem, e esse é deveras um grande mal! Aos olhos do homem carnal ou natural, o Calvinismo tira cada palha sobre a qual o homem se apoiaria. Como o profeta Miquéias, que era odiado pelo ímpio Rei Acabe, pois nunca profetizava o bem para ele, mas sempre o mal (2Cr. 18:7). O Calvinismo lhes diz que o “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:7, 8); os homens são “maus” (Lucas 11:13), “por natureza filhos da ira” (Efésios 2:3).

Por causa da depravação total e inabilidade do homem, o Calvinismo declara que o homem não tem liberdade de vontade. Ele pode escolher apenas o pecado. Sua vontade é controlada por sua natureza, e sua natureza é corrupta. Esse é um grande mal! O homem não gosta de ser informado que não pode fazer o que quer. Ele não gosta de ouvir a Escritura: “Não há ninguém que busque a Deus” (Romanos 3:11); ou as palavras de Cristo: “E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40); “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”; ou quando Ele disse a Jerusalém: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos… e tu não quiseste” (Mateus 23:37). O homem carnal gosta de pensar que há certa bondade em todos os homens, que todos os homens estão buscando a Deus, e que eles podem se arrepender e vir a Jesus Cristo a qualquer momento que assim decidirem.

Segundo, o Calvinismo exalta a Deus. Ele não somente rebaixa o homem, sua vontade, obras e dignidade ao pó, mas apresenta Deus como DEUS! Coloca Deus sobre o trono. Ele diz, Deus pode e de fato faz tudo o que quer; Deus é absolutamente livre e independente. O Calvinismo confessa: “Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou” (Salmos 115:3); o Filho do homem desperta, ou vivifica, “aqueles que quer” (João 5:21); o Espírito Santo dá dons espirituais e habilidades a vários membros do corpo de Cristo, “repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Coríntios 12:11); e “como lhe agrada” (v. 18). Ele proclama com regozijo que Deus “faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11) e que “dele… são todas as coisas” (Romanos 11:36).

Terceiro, o Calvinismo honra a morte de Cristo. Ele diz que a morte do Senhor Jesus Cristo realmente salva! Que Cristo de fato morreu no lugar do crente! Crê plenamente nas Escrituras: “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Coríntios 15:3) e “Cristo morreu por nós” (Romanos 5:8). Visto que Ele morreu em nosso lugar e pagou a penalidade por nossos pecados, nós fomos libertos; isso porque Deus não demandará que o pagamento seja feito duas vezes; primeiro das mãos sangrentas do meu Substituo, e então das minhas. Deus não cobrará a dívida duas vezes. Se Cristo morreu por todos os homens sem exceção, então todos os homens sem exceção serão salvos. Como pode alguém perder-se e ir para o inferno por seus pecados se Cristo morreu por ele, pagou pelos seus pecados e expurgou os mesmos (João 1:29)? Mas é evidente que nem todos os homens são salvos (Mateus 7:13), pois Cristo não poderia ter sofrido pelos pecados daqueles que morrem em seu pecado (João 8:24). Cristo “tira o pecado do mundo” (João 1:29), mas não o pecado dos incrédulos. Como poderia, visto que o pecado deles “permanece”? (João 9:41).

Cristo suportou verdadeiramente os pecados daqueles por quem morreu em seu corpo sobre a cruz, que foram sarados por suas feridas (1 Pedro 2:24 e Isaías 53), e voltaram ao Pastor e Bispo de suas almas (v. 25). Eles foram “justificados” (tempo passado) por Cristo, pois este morreu por eles (Romanos 5:9). Ele redimiu-os (Efésios 1:7). Ele lavou-os de seus pecados em Seu sangue (Apocalipse 1:5). Eles foram “reconciliados” (tempo passado) com Deus por Cristo (Romanos 5:10); e seus pecados não são imputados ou cobrados deles (2 Coríntios 5:19). Tudo isso e mais Ele fez por aqueles por quem morreu. Visto que isso não é verdade de todos os homens individualmente, Cristo não morreu por todos os homens sem exceção, mas somente pelo “mundo” dos eleitos. Isso é o que a Palavra de Deus ensina. Cristo se deu a si mesmo em “preço de redenção por todos” (1 Timóteo 2:6), mas no sentido de dar Sua vida pelas ovelhas (João 10:15). Cristo é a propiciação pelos pecados do mundo todo (1 João 2:2), porém somente no sentido de que Ele realmente morreu, não pelos pecados dos judeus eleitos apenas, a quem João ministrava (ver Gálatas 2), mas também pelos pecados de todo o mundo gentil eleito. Ele se deu “em resgate de muitos” (Marcos 10:45). Aqueles por quem Cristo morreu são todos salvos. Ele salvou-os por Sua morte no lugar deles. Ele não morreu em vão.

Quarto, o Calvinismo reconhece o poder do Espírito Santo. O pecador está “morto” espiritualmente. Ele não pode fazer nada. Não pode ouvir o evangelho, desejar, arrepender-se ou crer. Esse é outro “mal” do Calvinismo. O homem gosta de pensar que tem alguma parte em sua salvação. Mas o Calvinismo dá toda a glória ao Espírito Santo na regeneração. Ele é soberano. É o Espírito Santo que “vivifica” ou dá vida (João 6:63). O Espírito Santo dá o novo nascimento a quem quer (João 3:3-8). Se já nascemos de novo, é porque o Espírito Santo desejou e fez isso. É pelo Espírito Santo que somos convencidos do pecado (João 16:7-11); que Cristo é revelado a nós (1 Coríntios 2:9-14); que confessamos que Jesus é Senhor (1Coríntios 12:3); e temos qualquer dom espiritual com o qual servir a Deus (1 Coríntios 12:11); ou qualquer desejo de fazê-lo (Romanos 5:5 e Gálatas 5:22, 23). O Calvinismo faz-nos dependentes somente do Espírito Santo.

Quinto, o Calvinismo magnifica a graça de Deus. Sim, os calvinistas vão ao extremo sobre a graça de Deus, se isso é possível. Pense! Embora o pecador esteja morto em pecado e ódio a Deus, e mereça a ira de Deus, e a despeito do fato que Deus não nos deve nada, visto ter criado o homem reto, que grande graça essa que Deus tenha elegido alguns de nós à vida eterna e fé salvífica (Atos 13:48)! Que Ele tenha enviado Seu Filho unigênito para levar os nossos pecados em Seu próprio corpo sobre a cruz (Isaías 53:6); no devido tempo envia Seu Espírito Santo para nos vivificar; e nos perdoa plena, livremente e para sempre de todas as nossas culpas e pecados (Efésios 1:7)! Que graça!

Sexto, o Calvinismo dá segurança eterna aos crentes. Esse é um mal enorme! É chamada de uma “doutrina perigosa” por muitos. Todavia, existem tantas passagens da Escritura ensinando a veracidade dessa doutrina, que eu quase não sei por onde começar. Uma pessoa não precisa passar do oitavo capítulo de Romanos. Esse capítulo começa com “nenhuma condenação” para aqueles que estão em Cristo (versículo 1); continua com nenhuma acusação contra aqueles em Cristo (versículos 31-34); e conclui com nenhuma separação para aqueles que estão em Cristo (versículos 35-39). No versículo 28, Deus chama os eleitos “segundo o Seu propósito”. Nos versículos seguintes é dito que Deus os conhece de antemão, predestina, chama, justifica e glorifica-os – todos eles, e SOMENTE eles. Leia Romanos 8:28-31 e observe as palavras “daqueles” e “aos que”! Quão inclusivo e exclusivo é isso. Cada um deles Deus glorificará com certeza. Veja também João 6:39 e João 10:26-30.

Sétimo, o Calvinismo dá o entusiasmo correto à pregação do evangelho. Se eu sei que Deus tem um povo que Ele chamará (2 Timóteo 2:10), e que há certo número de pessoas a quem Deus o Pai deu ao Filho, e que todos eles virão a Ele (João 6:37), e que as ovelhas, por quem Cristo dá a Sua vida, ouvirão Sua voz e O seguirão (João 10:26-27), e que a Palavra de Deus não voltará vazia, mas cumprirá o que lhe agrada e prosperará naquilo para o qual Ele a enviou (Isaías 55:11); isso deveria me fazer perguntar: “Bem, por que pregar então? Por que não enviar outros?”? Não! Há toda razão para a pregação. Seria tão tolo quanto perguntar: “Por que pescar então?”, visto que eu sei que o lago está cheio de peixe; ou, “Por que trabalhar então?”, visto ter certeza que conseguirei dinheiro suficiente para sustentar eu e a minha família. Tal fato não foi um obstáculo à pregação do apóstolo Paulo, quando ele considerou trabalhar em Corinto. O Senhor lhe apareceu numa visão e disse: “Não temas, mas fala, e não te cales… pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos 18:10). Isso foi após o Redentor ressurreto dizer: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:18-20).

 

Fonte: The Evils of Calvinism, Frank B. Beck, Predestinarian Press

 

 

 

 

 



[1] E-mail para contato: felipe@monergismo.com. Traduzido em junho/2008.

fonte:monergismo.com 

Liberalismo teológico: como a praga liberal começa

 
Sou Anglicano. Isso certamente surpreende muitas pessoas. Afinal de contas, como pode um teólogo reformado, e portanto, conservador, fazer parte de uma tradição cristã que costuma sair no Jornal das Dez por seu nada disfarçado flerte com a teologia liberal? A má fama do Anglicanismo é tanta que, muito recentemente, um casal de homossexuais escreveu ao nosso Bispo no Brasil para saber como faria para congregar conosco na Free Church of England.

Acontece que eu sou Anglicano, mas não sou liberal. E o leitor talvez fique surpreso ao descobrir que milhões de anglicanos são cristãos conservadores. Talvez se surpreenda ainda mais se eu disser que o maior esforço global contra o liberalismo teológico é fruto do trabalho de… Anglicanos! É verdade que nem todos são reformados como eu, mas são conservadores, mesmo discordando deste ou daquele ponto secundário, e as vezes até litúrgico. O problema mais grave nessa história é que os Liberais possuem muito poder econômico, político e midiático. Assim, pouco a pouco, eles vão ganhado espaço na sociedade, no Governo, na Mídia, e na Igreja –  e não apenas nas Igrejas que integram o Anglicanismo, mas também em outras denominações importantes como as presbiterianas, luteranas, metodistas, pentecostais e até dentro do Catolicismo Romano.

Um segundo problema é que não se vende jornal publicando noticias que mostram existir uma maioria cristã, dentro do Anglicanismo, lutando bravamente contra o trator liberal. Mas, se um algum bispo ou presbítero aloprado resolver fazer um casamento gay, certamente sairá em Rede Nacional – mesmo eles agindo contra as regras de órgãos importantes, como a Comunhão Anglicana. Isso explica as pessoas ficarem com a impressão de que Anglicano é tudo igual, e que o Liberalismo dominou tudo e todos. Felizmente isso não é verdade. Até mesmo aqui no Brasil, onde uma grande Igreja Anglicana como a IEAB, adepta do liberalismo, domina o noticiário, há cristãos anglicanos conservadores – ainda que, a alguns anos, a maior parte deles tenha sido excluída pelos liberais, formando hoje a Igreja Diocese Anglicana do Recife, que já foi mais conhecida como Diocese Anglicana do Recife, nos dias do saudoso Bispo Robson Cavalcante.

Mas, apesar dessa longa introdução, não vou falar hoje destes e outros heróis da resistência cristã dentro do Anglicanismo. O que desejo é fazer um alerta importantíssimo, válido tanto para meus companheiro anglicanos, quanto para qualquer outro cristão, servindo ao senhor em qualquer outra tradição eclesiástica. Esse alerta começa com uma questão: Como a praga do liberalismo começa?

Ouvi certa feita sobre o método que seria o adequado para cozinhar um sapo vivo. Não sei se procede, nem o que faria alguém desejar fazer tal coisa, mas vale pela moral da história. Segundo me contaram, para conseguir cozinhar um sapo vivo é necessário ir aquecendo a água aos poucos, para que o coitado vá se acostumando a temperatura crescente e não saia pulando da frigideira. Quando ele se der conta, se é que dará, será tarde demais. Essa história se aplica perfeitamente ao método sorrateiro pelo qual o Liberalismo, moral e teológico, se infiltra numa Denominação, ou mesmo em uma Igreja Local. Os liberais jamais chegam chutando a porta tentando impor sua agenda sem mais nem menos. Existe todo um plano que consiste em ir, lentamente, ganhando pequenos espaços, pequenas lutas, até que, por fim, esteja tudo contaminado.
O apóstolo S. Paulo alertava a Igreja de Corínto sobre este método sorrateiro que o Diabo usa para contaminar o Corpo: “Não é boa a vossa jactância! Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa” (I Cor. 5:6,7a). Mas, nem sempre estamos dispostos a nos livrar do fermento; ou, simplesmente achamos que um pouco de veneno não nos fará mau. Como sapos cozidos lentamente, talvez não consigamos acordar a tempo. É assim que o liberalismo, e as heresias mais diversas, vai entrando na Igreja, de modo geral. Se você, como eu, acredita que o “mundo gospel” deturpou a essência do Evangelho, então deves saber que essa mentalidade mundana, carnal e materialista foi chegando aos poucos, seduzindo uns e outros, até que ninguém mais estranhasse o novo cenário. “Ninguém mais”, claro, é modo de dizer, pois Deus nunca deixar de ter os seus milhares que resistem as tentações de Baal.

No final deste ano de 2015, como acontece todos os anos, nossa Igreja, a Free Church of England, se reunirá em seu Sínodo Anual, que possivelmente terá, pela primeira vez, a presença de nosso Bispo Primaz, o Revdm. John Fenwick, da Inglaterra. Um evento muito apropriado para as novas ordenações de presbíteros e diáconos que nossa missão no Brasil tanto precisa. Uma ocasião na qual os candidatos precisam jurar fidelidade ao cristianismo bíblico, e assinar nossa Declaração de Princípios.

Alguns críticos costumam me dizer que tudo isso é um exagero, e que a Igreja não precisa olhar tão de perto para a fé das pessoas, ou de seus ministros ordenados. Será mesmo que não? Ou, posto de outra forma: saberia o leitor me dizer exatamente o que o seu pastor local acredita sobre Deus, o pecado, a santificação, as diretrizes bíblicas sobre o Matrimônio e sexualidade humana? Sabemos o que os professores ensinam em nossos Seminários e Escolas Dominicais? Acredito, de coração, que precisamos e temos o direito de saber!

É por isso que em nossa luta contra o liberalismo temos nos organizado mundialmente para buscar diretrizes claras, através das quais a Igreja possa ter certeza que sua fé está sendo guardada e ensinada com fidelidade, afinal, ela é “a Igreja do Deus vivo, a coluna e a firmeza da verdade” (I Tim. 3:5). Milhões de nós, reunidos em Global Anglican Future Conference (GAFCON), temos por dever aceitar e subscrever uma declaração que, dentre outras coisas, afirma receber como verdade de fé “a criação por Deus da humanidade como macho e fêmea, e o padrão imutável do casamento cristão entre homem e mulher como o lugar apropriado para a intimidade sexual e a base da família. Arrependemo-nos por nossas falhas em manter esse padrão, e conclamamos uma renovação do compromisso de fidelidade duradoura no casamento e de abstinência para os em celibato”.

Um exagero definir as coisas tão claramente, e exigir que as Igrejas e seus representantes subscrevam? Certamente não! Ceder, ainda que um pouco de cada vez, é como ver a barreira de uma represa com pequenos trincos e imaginar que se consertará por si só. É verdade o que dizem sobre a caminhada de 10 kilometros começar com apenas um passo – uma verdade que se aplica também ao método liberal de se infiltrar e atropelar o Cristianismo ortodoxo no Ocidente.

O Dr. David W. Virtue descreve precisamente o método usado pelos liberais. Primeiro, eles chegam dizendo que querem apenas conviver pacificamente, e que não é preciso concordar em tudo com todos. É como um pacto de amizade. Mas, depois de conquistarem esse pequeno espaço, eles se revelam como verdadeiramente são,  a exemplo de bispos progressistas como K. Jeffers Schori ( EUA), Fred Hiltz (Canadá), juntamente com Michael Ingham, ou mesmo o homossexual assumido Gene Robinson, que trabalham ativamente para que “todas as expressões ortodoxas sejam, primeiro, marginalizadas, para em seguida serem expulsas da Igreja, e finalmente destruídas”, explica Dr. Virtue. Em outras palavras, é uma agenda progressista, que vai cozinhando o sapo lentamente, para não assustá-lo, mas que não tem qualquer intenção de deixá-lo vivo.

Concordo, portanto, com a conclusão do autor, que é uma das mais importantes vozes do Anglicanismo conservador na atualidade, e que foi membro por quarenta anos da hoje mais liberal denominação anglicana (TEC). Sua análise final é que “não podemos permitir que o liberalismo sobreviva”. As pessoas imaginam que não existam anglicanos fieis, mas estão erradas. Acontece que esses irmãos estão perdendo seus salários, suas catedrais e paróquias e seminários, e não poucas vezes ainda são arrastados diante de Tribunais seculares. O prejuízo dos cristãos evangélicos, tanto dentro do Anglicanismo, quanto dentro de outras igrejas tradicionais, como a Presbiteriana dos EUA, já ultrapassou em muito a casa dos bilhões de dólares! Um plano esta em curso para destruir o cristianismo ortodoxo, bem como os evangélicais, e nós precisamos estar atentos a isso. O próximo passo na América do Norte, que é um tipo de laboratório para o resto do mundo, parece ser tornar a fé histórica da Igreja uma prática ilegal. Se tiver oportunidade ainda escreverei sobre essa ameaça aqui.

Um exemplo do ódio liberal contra os evangélicos e conservadores foi quanto, não muito tempo atrás, os progressistas de plantão decidiram boicotar um professor universitário conservador. Como Anglicano vou seguir dando exemplos dentro da minha própria tradição: o Bispo N.T. Wrigth, que tem vários livros publicados no Brasil, estava deixando seu cargo como Bispo de Durham, na Inglaterra, para assumir uma cadeira na School of Divinityna University of St. Andrews. Rapidamente os progressistas atacaram, tentando forçar a Universidade a rejeitar o novo professor, acusando-o de ser “homofóbico” – seja lá o que isso significa. Felizmente a instituição não cedeu, nem foi procurar um professor mais tolerante. Writgth assumiu seu novo posto apesar da raiva progressista. E se a Universidade tivesse cedido, indo procurar um professor mais “tolerante”? Teria sido mais um “pequeno” avanço em prol da agenda liberal, que a cada ataque exige uma fatia maior do bolo. Custe o que custar, é preciso resistir e não ceder nenhum passo.

É necessário fazer frente a isso, mesmo que nos coloquem no hall dos “reacionários” da fé. Mais importante que nossa popularidade é ser fiel ao Evangelho do Cristo. Como anglicano, me pergunto porque a Comunhão Anglicana sequer censurou William Temple, que em 1953 publicou um livro no qual afirmava que “não existe tal coisa como verdade revelada”, ou James Pike, que em 1960 declarava que a Doutrina da Trindade era “desatualizada, incompreensível e não-essencial”, ou ainda Ransey, que em 61 surpreenderia o mundo ao dizer que “o céu não é um lugar apenas para os cristãos… espero ver muitos ateus lá”. Será que ninguém viu? Ou os conservadores estavam apenas tentando ser tolerantes? Ora, qual é o limite quando as pessoas começam a questionar as doutrinas mais fundamentais da Fé Cristã, e nada é feito para impedi-las? Para ser justo, a Comunhão Anglicana não poderia punir literalmente um herege porque, ao contrário da Igreja de Roma, nós Anglicanos não possuímos uma sede ou um Papa, todavia, é necessário ter mecanismos que impeçam que as pessoas alterem os fundamentos da fé a seu bel-prazer. Sem tais mecanismos e coragem, os dias da Comunhão Anglicana podem estar contados, já que ela não passa de um enfeite sem qualquer utilidade prática na atual crise.

Precisamos compreender, sejamos Anglicanos ou não, que ceder não é uma opção real. Recentemente um grupo de irmãos insatisfeitos com os rumos da mais antiga e liberal denominação anglicana do Brasil resolveu desligar-se. Não querendo abrir uma nova denominação, procuraram filiar-se a nós, da Free Church of England (também conhecida aqui como Igreja Anglicana Reformada do Brasil), porque possuímos  Ordens válidas e plenamente aceitas pela Igreja da Inglaterra. Além disso, somos membros do GAFCON, a maior instituição anglicana do mundo, depois da própria Comunhão. Mas, em meio ao processo de admissão desses irmãos, o bispo comissionado pela FCE para o Brasil, o Reverendíssimo Josep Rossello, achou por bem verificar as convicções dos mesmos sobre temas importantes da fé histórica, como a autoridade das Escrituras. Infelizmente, constatou-se que, apesar de insatisfeitos com os abusos dos liberais, eles mesmos já estavam flertando com o liberalismo, soubessem disso ou não. Não foram aceitos na FCE, pois um pouco de fermento pode causar muito estrago. E não faltou quem nos taxasse de reacionários e fundamentalistas. Foi uma decisão dura, e triste, mas é preciso não ceder! Um único pastor, ou mesmo professor de seminário flertando com a heresia, querido leitor, pode significar toda uma geração perdida no futuro.

Talvez o leitor já tenha visto em sua própria denominação, ou Igreja local, aqueles que relativizam a autoridade das Escrituras, a exclusividade de Cristo, a moralidade judaico-cristã, ou qualquer outra doutrina fundamental do Evangelho. Cuidado! Como a praga do liberalismo começa? Um passo de cada vez… Que o leitor não se deixe enganar, o ódio dos progressistas contra o Cristianismo histórico não tem limites, e eles estão dispostos a tudo para destruí-lo, mesmo que precisem levar para o abismo todo o Ocidente. Hoje, mais do que nunca, o Senhor convoca soldados dispostos a pagar o preço de resistir. Quem atenderá ao seu chamado? Se não nós, quem?

Não é, entretanto, desejo deste artigo promover qualquer tipo de caça as bruxas, até porque não é necessário: são as bruxas que estão nos caçando! Recai sobre nós o dever de seguir o conselho de Judas de “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3b).

Rev. Marcelo Lemos. Presbítero da Free Church of England (IARB), autor do livro “Quem São os Anglicanos?”, e editor do blog Olhar Anglicano.

OS ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS DE DEUS

                                 
         
                Semana retrasada dissertamos, nesta coluna dominical, sobre os atributos incomunicáveis de Deus, que são prerrogativas indisputáveis do Senhor, e não podem ser compartilhadas, em nenhuma hipótese, com os seres humanos. Como emblemáticos exemplos de atributos radicados no cerne essencial e intransferível da divindade, apontamos a onipotência, a onisciência e a onipresença. Deus tudo pode, tudo sabe e em todos os lugares manifesta a sua gloriosa presença.
                Já os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que ele compartilha com as suas criaturas, conferindo a elas as possibilidades efetivas para encarná-las e manifestá-las em seu viver cotidiano. É claro que, na realidade concreta e experiencial dos homens, tais atributos comunicáveis nunca se operacionalizam de modo pleno e isento de imperfeição, dado que os homens se encontram, ontologicamente, contaminados pela corrupção do pecado. Em suma: os atributos comunicáveis de Deus incorporam-se à condição humana e materializam-se de forma limitada.
                No viver prático das pessoas regeneradas, renascidas pelo poder do Espírito Santo de Deus e do transformador evangelho da graça do Pai e do Filho, tais atributos comunicáveis de Deus devem ser reais, visíveis e progressivos, uma espécie de antecipação gloriosa daquilo que nós seremos e faremos quando, completamente glorificados e sem o mais leve vestígio do pecado, estivermos, definitivamente, na presença do Senhor, com corpos plenamente renovados e almas totalmente purificadas.
                A Escritura Sagrada diz-nos que Deus é amor. Essa é a imutável essência do seu ser. Amor que, antes mesmo de ser explicitado nos grandes atos da criação do mundo e do homem, e, depois, na redenção dos seus eleitos, já se constituía na natureza intrínseca do relacionamento que, na eternidade, Pai/Filho/Espírito Santo vivenciavam entre si. O Deus revelado nas Escrituras Sagradas é, sobretudo, um Deus relacional.
                Na belíssima Oração Sacerdotal que realizou, Jesus Cristo fala ao Pai acerca da glória que lhe foi conferida, porque me “amaste antes da fundação do mundo” (João 17.24). Pois é exatamente esse amor que norteia o maravilhoso relacionamento exponenciado pelas pessoas da Trindade que Deus, por meio da obra regeneradora do seu Santo Espírito, comunica ao seu povo para que ele o pratique de forma genuína, facilmente perceptível, de modo a fazer com que as pessoas com as quais nós convivemos percebam, claramente, que, em nós, o evangelho é uma verdade comprovada por nossos exemplos e gestos; e não um mero discurso, peça retórica bonita para ser ouvida, mas realidade feia demais para ser acatada, dado que, flagrantemente, negada pelas nossas atitudes.
                Num dos últimos sermões que pregou aos seus discípulos, Jesus Cristo, de modo luminosamente incontroverso sentenciou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos ameis, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. (João 13.34,35).
                Ao criar o homem à sua imagem e semelhança, Deus o fez com propósitos distintos, mas rigorosamente complementares: que ele amasse a Deus com todas as dimensões do seu ser; o glorificasse em todos os seus atos; e, e igual modo, amasse o seu próximo, irreservada e altruisticamente, transformando o viver na terra numa experiência comunitária marcada pelos indeléveis signos da fraternidade, da solidariedade e do amor recíproco.
                O flagelo abominável do pecado, contudo, conforme conta-nos o santo livro, entrou na história humana, envenenou os corações e infeccionou as almas com o vírus do desamor, do ódio e da indiferença. No lugar da cooperação amistosa, instalou-se a competição predatória; no lugar do cuidado de uns para com os ostros, entronizou-se o egoísmo e a lógica perversa do cada um por si. Que o diga Caim, que, ao ser perguntado por Deus acerca do seu irmão Abel, insolentemente respondeu: “Não sei; acaso, sou o tutor de meu irmão?”. (Gênesis 4.9b).
                A Escritura Sagrada nos afirma que “o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”. (Romanos 5.5b). Amar, portanto, irmãos queridos, não é uma opção a ser acolhida ou rejeitada por nós, de conformidade com a nossa vontade, mas sim um mandamento do Senhor, para cujo cumprimento recebemos de Deus a capacitação do seu Espírito Santo.
                Assim como o amor, a misericórdia também é um atributo que Deus nos comunica. Misericórdia é um atributo moral que faz com que Deus tenha uma disposição permanentemente benévola para colocar em seu coração um ser miserável, completamente despojado de qualquer merecimento. Por meio da misericórdia, Deus estende a sua mão bondosa a quem nada faz para desse ato gracioso tornar-se merecedor. Mesmo quando arrepende-se dos seus pecados e clama a Deus pela sua misericórdia, ainda assim, ele não se torna portador de mérito algum, dado que o arrependimento somente pode brotar no coração do pecador pela ação do Espírito Santo.
                Um dos exemplos mais impressionantes da misericórdia de Deus, nós encontramos na dramática história do rei Manassés. Depois de fazer da iniquidade o seu mais acalentado projeto de vida, Manassés tornou-se prisioneiro de um exército adversário de Israel; objeto do escárnio público e símbolo de um líder derrotado por sua própria maldade. Mas, arrependido, ele roga ao Senhor, que se apieda dele, concede-lhe perdão; enfim, é misericordioso para com ele.
                O crente em Jesus Cristo, alvo da misericórdia de Deus, deve também ser misericordioso com as pessoas que o cercam e com as quais convive, notadamente com as que mais sofrem, principalmente, o sofrimento maior, vivenciado pelos que se encontram longe de Deus e do evangelho da salvação, caminhando, céleres, para uma eternidade de eterno sofrimento. Um coração duro, frio e insensível à dor alheia, desprovido de misericórdia, não combina em nada com quem se diz renovado pelo poder do evangelho.
                Outro atributo comunicável de Deus é o que aponta para a sua gloriosa santidade. A Escritura Sagrada nos apresenta Deus como um ser santo, santo e santo; aliás, esse é o único atributo de Deus que aparece repetido três vezes. Alguns intérpretes sugerem que essa reiteração, para além da intensidade argumentativa de que se reveste, sinaliza para as três pessoas da Trindade. Seja como for, o ponto evidenciado radica na absoluta perfeição moral que envolve todo o ser de Deus.
                O Livro de Levítico, por exemplo, está, o tempo todo, lembrando ao povo de Israel, que Deus é santo; e que ninguém pode se aproximar dele desassistido do ministério de um mediador eficaz e suficiente chamado Jesus Cristo, tipologicamente, representado por todo o sistema sacrificial instituído pelo próprio Deus para assegurar ao seu povo livre acesso à sua presença.
                Deus é santo e, de igual modo, exige santidade dos que se dizem seus servos. Na Oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a santificar o nome do Senhor em nosso viver. O apóstolo Pedro, em sua primeira epístola, exorta-nos dizendo: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1.15b-16).
                Na vida prática de um cristão, a santidade, cultivada de modo progressivo é tão importante, que o autor da epístola aos Hebreus sentencia: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. (Hebreus 12.14). O apóstolo João, por sua vez, afirma que quem nutre, em seu coração, a esperança viva de um dia estar com o Senhor, em sua refulgente glória, “a si mesmo se purifica, assim como ele é puro” (I João 3.3b).
                Amor, misericórdia e santidade, eis, aqui, três atributos comunicáveis de Deus, que devem fazer parte da nossa vida aqui na terra, até o dia em que, no céu, se manifestarão de modo pleno e perene. Certamente, amados irmãos, dada a nossa inata pecaminosidade, nenhum de nós “é suficiente para essas coisas”, mas, pela mediação de Jesus Cristo e pelo munificente poder do Espírito Santo, “em todas essas coisas somos mais do que vencedores”. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                                                                              JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                              PRESBÍTERO

OS ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS DE DEUS


                                               
                Semana retrasada dissertamos, nesta coluna dominical, sobre os atributos incomunicáveis de Deus, que são prerrogativas indisputáveis do Senhor, e não podem ser compartilhadas, em nenhuma hipótese, com os seres humanos. Como emblemáticos exemplos de atributos radicados no cerne essencial e intransferível da divindade, apontamos a onipotência, a onisciência e a onipresença. Deus tudo pode, tudo sabe e em todos os lugares manifesta a sua gloriosa presença.
                Já os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que ele compartilha com as suas criaturas, conferindo a elas as possibilidades efetivas para encarná-las e manifestá-las em seu viver cotidiano. É claro que, na realidade concreta e experiencial dos homens, tais atributos comunicáveis nunca se operacionalizam de modo pleno e isento de imperfeição, dado que os homens se encontram, ontologicamente, contaminados pela corrupção do pecado. Em suma: os atributos comunicáveis de Deus incorporam-se à condição humana e materializam-se de forma limitada.
                No viver prático das pessoas regeneradas, renascidas pelo poder do Espírito Santo de Deus e do transformador evangelho da graça do Pai e do Filho, tais atributos comunicáveis de Deus devem ser reais, visíveis e progressivos, uma espécie de antecipação gloriosa daquilo que nós seremos e faremos quando, completamente glorificados e sem o mais leve vestígio do pecado, estivermos, definitivamente, na presença do Senhor, com corpos plenamente renovados e almas totalmente purificadas.
                A Escritura Sagrada diz-nos que Deus é amor. Essa é a imutável essência do seu ser. Amor que, antes mesmo de ser explicitado nos grandes atos da criação do mundo e do homem, e, depois, na redenção dos seus eleitos, já se constituía na natureza intrínseca do relacionamento que, na eternidade, Pai/Filho/Espírito Santo vivenciavam entre si. O Deus revelado nas Escrituras Sagradas é, sobretudo, um Deus relacional.
                Na belíssima Oração Sacerdotal que realizou, Jesus Cristo fala ao Pai acerca da glória que lhe foi conferida, porque me “amaste antes da fundação do mundo” (João 17.24). Pois é exatamente esse amor que norteia o maravilhoso relacionamento exponenciado pelas pessoas da Trindade que Deus, por meio da obra regeneradora do seu Santo Espírito, comunica ao seu povo para que ele o pratique de forma genuína, facilmente perceptível, de modo a fazer com que as pessoas com as quais nós convivemos percebam, claramente, que, em nós, o evangelho é uma verdade comprovada por nossos exemplos e gestos; e não um mero discurso, peça retórica bonita para ser ouvida, mas realidade feia demais para ser acatada, dado que, flagrantemente, negada pelas nossas atitudes.
                Num dos últimos sermões que pregou aos seus discípulos, Jesus Cristo, de modo luminosamente incontroverso sentenciou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos ameis, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. (João 13.34,35).
                Ao criar o homem à sua imagem e semelhança, Deus o fez com propósitos distintos, mas rigorosamente complementares: que ele amasse a Deus com todas as dimensões do seu ser; o glorificasse em todos os seus atos; e, e igual modo, amasse o seu próximo, irreservada e altruisticamente, transformando o viver na terra numa experiência comunitária marcada pelos indeléveis signos da fraternidade, da solidariedade e do amor recíproco.
                O flagelo abominável do pecado, contudo, conforme conta-nos o santo livro, entrou na história humana, envenenou os corações e infeccionou as almas com o vírus do desamor, do ódio e da indiferença. No lugar da cooperação amistosa, instalou-se a competição predatória; no lugar do cuidado de uns para com os ostros, entronizou-se o egoísmo e a lógica perversa do cada um por si. Que o diga Caim, que, ao ser perguntado por Deus acerca do seu irmão Abel, insolentemente respondeu: “Não sei; acaso, sou o tutor de meu irmão?”. (Gênesis 4.9b).
                A Escritura Sagrada nos afirma que “o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”. (Romanos 5.5b). Amar, portanto, irmãos queridos, não é uma opção a ser acolhida ou rejeitada por nós, de conformidade com a nossa vontade, mas sim um mandamento do Senhor, para cujo cumprimento recebemos de Deus a capacitação do seu Espírito Santo.
                Assim como o amor, a misericórdia também é um atributo que Deus nos comunica. Misericórdia é um atributo moral que faz com que Deus tenha uma disposição permanentemente benévola para colocar em seu coração um ser miserável, completamente despojado de qualquer merecimento. Por meio da misericórdia, Deus estende a sua mão bondosa a quem nada faz para desse ato gracioso tornar-se merecedor. Mesmo quando arrepende-se dos seus pecados e clama a Deus pela sua misericórdia, ainda assim, ele não se torna portador de mérito algum, dado que o arrependimento somente pode brotar no coração do pecador pela ação do Espírito Santo.
                Um dos exemplos mais impressionantes da misericórdia de Deus, nós encontramos na dramática história do rei Manassés. Depois de fazer da iniquidade o seu mais acalentado projeto de vida, Manassés tornou-se prisioneiro de um exército adversário de Israel; objeto do escárnio público e símbolo de um líder derrotado por sua própria maldade. Mas, arrependido, ele roga ao Senhor, que se apieda dele, concede-lhe perdão; enfim, é misericordioso para com ele.
                O crente em Jesus Cristo, alvo da misericórdia de Deus, deve também ser misericordioso com as pessoas que o cercam e com as quais convive, notadamente com as que mais sofrem, principalmente, o sofrimento maior, vivenciado pelos que se encontram longe de Deus e do evangelho da salvação, caminhando, céleres, para uma eternidade de eterno sofrimento. Um coração duro, frio e insensível à dor alheia, desprovido de misericórdia, não combina em nada com quem se diz renovado pelo poder do evangelho.
                Outro atributo comunicável de Deus é o que aponta para a sua gloriosa santidade. A Escritura Sagrada nos apresenta Deus como um ser santo, santo e santo; aliás, esse é o único atributo de Deus que aparece repetido três vezes. Alguns intérpretes sugerem que essa reiteração, para além da intensidade argumentativa de que se reveste, sinaliza para as três pessoas da Trindade. Seja como for, o ponto evidenciado radica na absoluta perfeição moral que envolve todo o ser de Deus.
                O Livro de Levítico, por exemplo, está, o tempo todo, lembrando ao povo de Israel, que Deus é santo; e que ninguém pode se aproximar dele desassistido do ministério de um mediador eficaz e suficiente chamado Jesus Cristo, tipologicamente, representado por todo o sistema sacrificial instituído pelo próprio Deus para assegurar ao seu povo livre acesso à sua presença.
                Deus é santo e, de igual modo, exige santidade dos que se dizem seus servos. Na Oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a santificar o nome do Senhor em nosso viver. O apóstolo Pedro, em sua primeira epístola, exorta-nos dizendo: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1.15b-16).
                Na vida prática de um cristão, a santidade, cultivada de modo progressivo é tão importante, que o autor da epístola aos Hebreus sentencia: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. (Hebreus 12.14). O apóstolo João, por sua vez, afirma que quem nutre, em seu coração, a esperança viva de um dia estar com o Senhor, em sua refulgente glória, “a si mesmo se purifica, assim como ele é puro” (I João 3.3b).
                Amor, misericórdia e santidade, eis, aqui, três atributos comunicáveis de Deus, que devem fazer parte da nossa vida aqui na terra, até o dia em que, no céu, se manifestarão de modo pleno e perene. Certamente, amados irmãos, dada a nossa inata pecaminosidade, nenhum de nós “é suficiente para essas coisas”, mas, pela mediação de Jesus Cristo e pelo munificente poder do Espírito Santo, “em todas essas coisas somos mais do que vencedores”. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                                                                              JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                              PRESBÍTERO

A Grande (e esquecida por muitos) Comissão


                                                           A GRANDE COMISSÃO
               Consumada a obra da redenção do seu povo; concluídos os quarenta dias em que permaneceu com os seus discípulos dando-lhes instruções concernentes ao reino de Deus; chegada a hora de retornar, glorioso, ao Pai, o Senhor Jesus Cristo deu uma ordem aos seus discípulos, que ficou, pelos séculos afora, conhecida como a Grande Comissão: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 16.5,16).
               Grande Comissão essa que é extensiva a todos os cristãos de todos os tempos; a todos os que efetivamente foram alcançados pela graça salvadora que reside no coração do evangelho, e não apenas a um agrupamento seleto de seguidores do Filho de Deus. A Grande Comissão constitui-se num dos propósitos mais solenes da vida da igreja de Jesus Cristo em sua peregrinação terrena, sendo os outros a adoração ao Deus único, vivo e verdadeiro, que em Cristo Jesus revelou-se de modo superlativamente especial. A educação dos povos por meio do ensino fiel da Palavra de Deus e, de igual modo, a prática amorosa do misericordioso serviço cristão.
               É nosso objetivo nesta meditação, examinar, mais detidamente, alguns aspectos conceituais que nuclearizam o mandamento do Senhor para os seus discípulos. O primeiro ponto é que nós não estamos diante de uma mera sugestão dada por Jesus Cristo, diante da qual os seus servos podem reagir de maneira positiva ou negativa, acatando-a ou ignorando-a, de conformidade com a conveniente interpretação que cada um queira dar às palavras do Mestre. Nada disso.
               Estamos em face de uma ordem, uma clara e insofismável determinação da segunda pessoa da santíssima Trindade, diante da qual a melhor e única atitude a ser tomada é a mesma empreendida pelo jovem profeta Samuel, o qual, ao ser visitado por Deus numa sobrenatural visão, respondeu: “Fala, porque o teu servo ouve” (1 Samuel 3.10b). E não somente ouviu o que Deus lhe falou como foi obediente às ordens recebidas, no exercício do seu ministério.
               Passemos, agora, à abordagem dos aspectos maio estritamente lingüísticos do texto em apreço. Considerando que o mandamento primacial contido no texto é o de pregar, os exegetas das Escrituras Sagradas são unânimes em afirmar que o modo verbal mais harmonizado com as reais palavras proferidas por Jesus Cristo é o que se inclina para o gerúndio: indo, e não ide.
               A ideia seria mais ou menos a seguinte: indo pelo caminho, preguem o evangelho a todas as criaturas que encontrarem. A distinção não se esgota apenas nos meandros de sutilezas gramaticais aparentemente desimportantes, mas radica num traço semântico revelador de um detalhe mais profundo. O indo pressupõe uma atividade contínua, nunca interrompida, em todo o tempo executada.
               Na realidade, o que se pontua aqui é que a igreja de Jesus Cristo, em toda a sua trajetória, nunca pode desconectar-se da sua missão indeclinável de proclamadora da pessoa e da obra de Jesus Cristo; de quem ele é e do que ele fez no calvário para salvar pecadores e reconciliá-los com Deus.
               Igreja e pregação do evangelho são realidades indissociáveis, inseparáveis. Pressupor a existência de uma igreja que não é missionária, no limite, configura-se numa absoluta contradição de termos. O modelo mais paradigmático de uma igreja compreendedora da sua intransferível missão de anunciar a obra redentora do Filho de Deus é o que nos é descrito pelo médico-historiador Lucas, no livro de Atos dos Apóstolos.
               Vê-se ali que, depois das perseguições que lhe sobrevieram, a igreja saiu por toda a parte anunciando os feitos redentivos do Filho de Deus. “Indo por todo o mundo”. O mundo é o campo missionário da igreja. Não há um só recanto da terra que não careça da pregação do evangelho. De maneira peremptória, a Escritura sentencia: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Assim, se todos pecaram, todos carecem de salvação. E é por meio da pregação do evangelho que o pecador toma conhecimento da sua miséria, da sua completa falência moral e espiritual e, de igual modo, da grande salvação somente encontrável na pessoa de Jesus Cristo.
               “Indo por todo o mundo pregai o evangelho”. Pregar o evangelho, eis a indesviável tarefa da igreja. Pregar significa anunciar todo o conselho de Deus. Contar, com fidelidade escriturística, o que Cristo fez no calvário. De pronto, vê-se que a pregação é cristocêntrica, não antropocêntrica. Deve ser centrada em Deus, no que ele, na pessoa do seu Filho, realizou na cruz; não no que ele fez em mim de modo existencial, dando-me isto, aquilo e aquilo outro, de preferência benesses materiais.
               É por essa razão que devemos ter muito cuidado com a extravagância sensacionalista de certos testemunhos que falam de tudo e de todos, menos da única verdade que deve permanentemente ser enfatizada: o que Jesus Cristo fez no calvário para redimir as ovelhas que lhe foram entregues pelo Pai antes da fundação do mundo. É óbvio que o que Cristo fez na cruz tem implicações na vida de quem pelo seu evangelho é alcançado. É óbvio que quando o Espírito Santo aplica em nossos corações a obra poderosa de Jesus Cristo, nós experimentamos um processo de transformação que, crescentemente, vai-nos assemelhando ao Filho de Deus, até aquele dia em que, glorificados, na eternidade, estaremos, para sempre, livres do mais ele vestígio do pecado. O ponto central que queremos evidenciar a respeito do caráter essencial da pregação é mostrar que ela deve ser objetiva, não subjetiva; focada na realidade exterior do que Cristo fez, não no intimismo interior daquilo que sentimos, pensamos e, a todo o custo, queremos verbalizar.
               Quando pensamos com mais rigor teológico nas palavras de Jesus presentes na Grande Comissão, ficamos com a nítida convicção de que muito do que se tem chamado, hoje, de pregação do evangelho, de evangelho pregado não tem absolutamente nada. Chamar as pessoas para Deus, prometendo-lhes saúde perfeita e perdurável, opulentos bens materiais e muito dinheiro na conta bancária, não é pregar evangelho, de forma alguma. É, isto sim, praticar abominável estelionato espiritual e promover charlatanismo irresponsável e pecaminoso, crime de lesa consciência da pior espécie. E, no limite, dar às pessoas, não a sólida esperança da vida eterna que procede de Deus e da sua graça, mas, sim, inúteis ilusões, emergidas das mentes teologicamente enfermas e dos corações interesseiros de pregadores falsos, os quais vão ter de prestar contas a Deus pela corrupção doutrinária que difundiram e pelos imensos males que causaram nas vidas das pessoas que se deixaram envenenar por tais (des)ensinamentos.
               Precisamos, pois, a fim de pregarmos corretamente o evangelho, conhecê-lo com profundidade. E, para conhecê-lo verticalmente, precisamos fazer da leitura da Palavra de Deus, e da sua meditação detida, um exercício de disciplina espiritual a ser diligentemente cultivado. Desse modo, estaremos agindo como quem verdadeiramente ama a Deus e tem grande apreço por sua santa Lei. Por fim, a pregação do evangelho tem implicações extremamente sérias para a vida do ser humano: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”.
               Primariamente, a pregação do evangelho deve ter como indisputável alvo a proclamação da glória de um Deus santo e justo que, tendo sido ultrajado pela cósmica e iníqua rebelião das suas criaturas, providenciou para elas, graciosa e amorosamente, uma eterna salvação, radicada na pessoa e na obra de Jesus Cristo na cruz do calvário.
               A pregação verdadeira anuncia ao homem o seu pecado, culpa e conseqüente condenação. De igual modo, ao mesmo tempo em que o confronta, expondo-lhe a deplorável situação em que se encontra, a pregação do evangelho o exorta ao arrependimento, a uma confissão de pecados e a um lançar-se aos pés de Jesus Cristo, crendo nele como único e suficiente salvador.
               Como se pode ver, à luz do que nos é ensinado pela Palavra de Deus, a pregação do evangelho, intocável coração da Grande Comissão estabelecida por Jesus Cristo, é uma tarefa extremamente séria, portadora de relevância eterna. A vida e a morte, o céu e o inferno, a bem-aventurança eterna e danação sem fim acham-se indeslindavelmente presentes na pregação do evangelho realizada em harmonia com as Escrituras Sagradas.
               Por isso, pregar evangelho não é falar de si mesmo. Não é contar piadas. Não é levar as pessoas a um sorriso de autocomplacência. Não é destilar otimismo em gotas, nem muito menos oferecer, regiamente pago, um Jesus mercadológico, permanentemente disposto a satisfazer os caprichos egoísticos de uma geração de pecadores exigentes e de crentes mimados e cheios de vontade e de supostos direitos. Jesus esse que, evidentemente, não é aquele que nos é revelado pelas Escrituras Sagradas.
               Pregar o evangelho significa, em perspectiva bem distinta, proclamar todo o conselho de um Deus santo, justo e amoroso, que, para a sua própria glória, resolveu sacrificar-se a si mesmo, na pessoa do seu Filho amado, a fim de conceder o dom da vida eterna a todos aqueles a quem, livre e soberanamente, ele amou antes da fundação do mundo.
               Em face, pois, de verdades tão grandiosas, que nós não somente tenhamos uma clara e bíblica compreensão do que realmente significa a Grande Comissão ordenada por Jesus Cristo, como também haja em nós uma constante atitude de obediência ao seu santo conteúdo. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                                                                       JOSÉ MÁRIO DA SILVA
                                                                                                       PRESBÍTERO
                                                           

Bibliografia Reformada Básica.


 

Bibliografia Reformada Básica



Esta bibliografia é bem resumida e está sendo atualizada. Mas já tem o suficiente para quem quer sobreviver em território liberal...


PSICOLOGIA GERAL
BONOW, I. W. Elementos de Psicologia. São Paulo: Melhoramentos.
HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia. São Paulo: Vida Nova, 1995. 490p.
NICHOLI Jr., Armand N. A Questão de Deus: Viçosa, MG: Ultimato
MARX, Melvin H. & HILLIX, William A. Sistemas e Teorias em Psicologia. São Paulo: Cultrix, 1993.

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
GEISLER, Norman L. e FEINBERG, Paul D. Introdução à Filosofia: uma perspectiva cristã. São Paulo: Vida Nova, 1983, 1996.
NASH, Ronald. As Questões Finais da Vida. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
SPROUL, R.C. Filosofia para Iniciantes. São Paulo: Vida Nova, 2002.

HISTÓRIA DA FILOSOFIA
BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983.
MONDIN, Batista. Curso de filosofia. São Paulo: Edições Paulinas, 1987. V. 1, 2 e 3.
PADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luis. História da Filosofia. Rio de Janeiro: Melhoramentos.

SOCIOLOGIA GERAL (E DA RELIGIÃO)
ARON, Raymond. Etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
BERGER, Peter. O Dossel Sagrado: Elementos para uma Sociologia da Religião. São Paulo: Paulinas, 1985.
RIBEIRO, Darcy, O povo brasileiro (São Paulo: Companhia das Letras, 1995).
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Pioneira, 1987.
BIÉLER, André. A Força Oculta dos Protestantes. CEP

ANTROPOLOGIA
HESSELGRAVE, David J., A comunicação transcultural do evangelho, vols. 1, 2 e 3. São Paulo: Vida Nova, 1994.
HIEBERT, Paul G., O evangelho e a diversidade das culturas: Um guia de antropologia missionária. São Paulo: Vida Nova, 2001.
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ESTERCI, Neide, Peter Fry e Mirian Goldenberg (org.), Fazendo antropologia no Brasil. Rio de Janeiro: DP & A Editora, 2001.
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INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO
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DILLARD, R. e LONGMAN III, T. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2006.
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO
BRUCE, Frederick Fye. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, reimpressão, 2004.
CARSON, D.A.; Moo, Douglas J. e Morris, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.
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GEISLER, Norman & William Nix. Introdução Bíblica. São Paulo: Editora Vida, 1997.
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GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA DA BÍBLIA
BRUCE, F. F. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1990, 2a edição)
COLEMAN, W. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Venda Nova: Betânia, 1998.
COSTA, Hermisten M. P. da. A Literatura Apocalíptico–Judaica. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992.
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DANA, H.E. Mundo do Novo Testamento. 4ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP. 1990.
DANIEL-ROPS, Henry. A Vida Diária nos Tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova, 1983.
GUNDRY, R. H. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Vida.
HILL, A. e WALTON, J. Panorama do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2006.
ORRÚ, Geruásio F. Os Manuscritos de Qumran e o Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.
PACKER, J., TENNEY, M. e WHITE Jr, W. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1988.
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São Paulo: Editora Vida, 1984.ROBERTSON, O. Palmer. Terra de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 1998.
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HEBRAICO
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LASOR, William Sanford trad. Rubens Paes. Gramática Sintática do Grego do Novo Testamento, 2a. Edição, 1998. São Paulo: Vida Nova, reimpressão 2002.
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DOCKERY, David S. Hermenêutica Contemporânea à luz da igreja primitiva. São Paulo, SP: Editora Vida, 2001.
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KAISER JR, Walter C. & SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica: como ouvir a Palavra de Deus apesar dos ruídos de nossa época. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã.
PRATT, JR., R. Ele nos Deu Histórias. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
SPROUL, RC. O Conhecimento das Escrituras. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo: Vida, 1999.

TEOLOGIA BÍBLICA DO ANTIGO TESTAMENTO
HOUSE, Paul. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2006.
ROBERTSON, O. P. O Cristo dos Pactos. São Paulo: Cultura Cristã.
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VAN GRONINGEN, G. O progresso da Revelação no Antigo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação, 3 vols. São Paulo, Cultura Cristã.
VAN GRONINGEN, Gerard. Revelação Messiânica no Antigo Testamento. São Paulo, Cultura Cristã, 2003.

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO
LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2003.
MORRIS, Leon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2003.
RIDDERBOS, H., A Teologia do Apóstolo Paulo. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

METODOLOGIA EXEGÉTICA
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LÓGICA (E FILOSOFIA DA CIÊNCIA)
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DICIONÁRIOS E ATLAS
DAVIS, J. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro, JUERP.
DOUGLAS, J. M. Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo, Vida Nova.
DOWLEY, Tim, Editor. Atlas Vida Nova da Bíblia e da história do Cristianismo. São Paulo, Vida Nova, 1997.
HARRIS, R., ARCHER, G. e WALTKE, B. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.
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ROWLEY, H. H. Pequeno Atlas bíblico. São Paulo, ASTE.
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WALTON, R. História da igreja em quadros. São Paulo: Vida, 2003.
WALTON, J. O Antigo testamento em quadros. São Paulo: Vida, 2001.

COMENTÁRIOS BÍBLICOS
A Bíblia Fala Hoje. ABU Editora.
Série Comentário do Novo Testamento. William Hendriksen e Simon Kistemaster. Cultura Cristã
Série Comentário do Antigo Testamento Cultura Cristã.
Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova.
Série: Comentários de João Calvino – Paracletos/Fiel
Série: Cultura Bíblica – Vida Nova
Série: El Nuevo Testamento de William Barclay – La Aurora
 
Fonte: o tempora o mores

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