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5 mitos sobre a igreja anglicana


Esse ano (2017) comemoramos 500 Anos de Reforma Protestante. Tantos anos depois, e tanto contribuiu a Igreja Anglicana para o progresso da Teologia Reformada, sem que isso impedisse que alguns mitos sobre ela fossem sendo perpetuados no imaginário comum. Nesse texto abordaremos alguns deles.





1. A Igreja da Inglaterra foi reformada para justificar o adultério de um rei?
É verdade que Henrique VIII declarou a independência da Igreja Nacional quando o Papa recusou anular seu casamento, impedindo-o de se casar novamente. Porém, Henrique VIII não reformou a Igreja da Inglaterra quando impediu que o Papa pudesse continuar tendo autoridade sobre ela. 

Quem introduziu a teologia reformada na Igreja foram outros homens, como o Arcebispo Thomaz Cranmer, principalmente. Não se pode negar, contudo, que a jogada política do Rei facilitou muito o trabalho daqueles religiosos que já desejavam levar a igreja inglesa para os braços da Reforma Protestante, e eles souberam aproveitar isso muito bem. Acredita-se que Henrique morreu crendo nos dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana, porém, quando seu filho Eduardo VI subiu ao trono, ainda criança, o caminho para a Reforma já estava bem pavimentado.
2. O Chefe da Igreja da Inglaterra é o rei e a rainha do Trono Inglês?
Esse mito existe até hoje porque quando Henrique VIII tirou a autoridade do Papa sobre a Igreja de seu país declarou que o Chefe da mesma era ele. E isso é assim até hoje. 
Se faz necessário compreender este fato historicamente, a fim de evitar cair em interpretações equivocadas - como já demonstramos em uma carta aberta que publicamos.  Antigamente o Papa tinha o poder sobre a Igreja da Inglaterra, tanto espiritualmente quanto politicamente. O rei retirou essa autoridade para impedir que o Papa pudesse continuar interferindo na igreja nacional. Ele nomeou a si mesmo o chefe da Igreja, como uma espécie de guardião e protetor, mas não como pastor ou teólogo. Até hoje é assim, contudo, sem que o monarca inglês possa mandar na Igreja espiritualmente ou teologicamente. Na verdade, inexiste no Anglicanismo uma autoridade central: não há Papa na Igreja Anglicana. 

Ademais, esse papel de protetor e guardião da Igreja existe apenas dentro da jurisdição inglesa, em nada valendo para as igrejas anglicanas espalhadas pelo mundo.

3. A Igreja Anglicana representa apenas uma ruptura com Roma, mas não é uma Reforma de fato?

Outra ideia equivocada é que os anglicanos são iguais aos católicos romanos com apenas algumas diferenças superficiais e estéticas. Mas isso está muito longe de ser verdade. É correto que os anglicanos mantém o legado histórico do cristianismo, seja no campo teológico, espiritual ou litúrgico, porém, isso em nada depõe contra sua herança reformada. 
Mais do que isso. A Igreja Anglicana não é apenas herdeira da Reforma, ela de fato participou ativamente da Reforma: por exemplo, um dos documentos mais importantes na história de boa parte das igrejas reformadas é a Confissão de Fé de Westminster, que nasceu no coração do anglicanismo e cuja base teológica são os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra. Por preconceito ou desconhecimento muitos reformados ignoram os fatos.

Esse mito tem a ver ainda com a ideia daqueles que imaginam ter sido a Reforma uma tentativa de destruir a Igreja para começar tudo do zero. Na verdade, a Reforma foi o trabalho de retirar o excesso de bagagem, de coisas prejudiciais e equivocadas, sem abrir mão de todo o legado cristão. 


4. A Igreja da Inglaterra perseguiu "os puritanos"?

O fato é que naqueles dias tão conturbados praticamente todos os protestantes acabaram perseguindo alguém. Até mesmo puritanos perseguiam outros grupos e quando alguns mais radicais chegaram ao poder, na Revolução Puritana Inglesa, não apenas conduziram a burguesia ao poder, como instauraram uma ditadura sob o domínio de Oliver Cromwell, um puritano.

Mas, não quer dizer que "os puritanos" eram ditadores, mas que puritanos - alguns grupos que assim se denominavam - foram ditadores e sanguinários. Porque na verdade havia vários grupos denominados puritanos. Muitos desses grupos se recusavam a seguir, por exemplo, as ordens litúrgicas vigentes no país, e por isso foram demitidos, expulsos, presos, deportados ou pior. Outros puritanos não tiveram problema algum: inclusive muitos teólogos, diáconos, presbíteros e bispos da Igreja da Inglaterra, e que dela jamais saíram, eram puritanos. Ironicamente, quando os puritanos que foram perseguidos subiram ao poder também instauraram leis litúrgicas que obrigavam todos a obedecer ou...

É correto, portanto, dizer que os anglicanos perseguiram puritanos, e que puritanos perseguiram anglicanos e outros puritanos também, mas é falso dizer a Igreja da Inglaterra tenha perseguido "os puritanos", como se fossem uma coisa só. De modo semelhante é correto dizer que puritanos instauraram um reino de terror na Inglaterra e perseguiram muita gente quando tiveram a chance, mas não se pode dizer o mesmo "dos puritanos" - o que seria injusto com boa parte deles. 

E este é um pecado que todos os herdeiros da Reforma precisam reconhecer: não foram apenas os católicos romanos que tentaram 'converter' o mundo a ferro e fogo. Triste, mas verdadeiro.

5. A Igreja da Inglaterra abraçou o liberalismo.

O cristianismo no Ocidente enfrenta múltiplos desafios e o liberalismo teológico é um deles. É normal que quando os liberais conseguem avanços nos arraiais anglicanos vire notícia no mundo inteiro. Isso se dá porque a Igreja Anglicana é a terceira maior tradição cristã do mundo, ficando atrás apenas do Catolicismo Romano e do Oriental. Mas o liberalismo está em todos os lugares, em todas as tradições.

Mas, apesar de todos os estragos, engana-se quem pensa que o anglicanismo se rendeu ao liberalismo teológico. Muito pelo contrário. É bem possível que o maior enfrentamento contra os liberais esteja agora mesmo sendo encabeçado pelo anglicanismo. Novamente é útil ler a carta aberta que escrevemos ao CACP, e que ja mencionamos nesse artigo. 

fonte: http://olharanglicano.blogspot.com.br/2017/08/5-mitos-sobre-igreja-anglicana.html 

Os Pais da Igreja


TERMO PAI
O termo “Pai” era atribuído pelos fiéis aos mestres e bispos da Igreja Primitiva. Historicamente falando, surgiu devido à reverência e amor que muitos cristãos tinham pelos seus líderes religiosos dos primeiros séculos. Eram assim chamados carinhosamente devido ao amor e zelo que tinham pela igreja. Mais tarde, o termo é atribuído particularmente aos bispos do concílio de Nicéia, e posteriormente Gregório VII reivindicou com exclusividade o termo “papa”, ou seja, "pai dos pais”.

Com a morte do último apóstolo, João em Éfeso, termina a era apostólica, porém Deus já havia capacitado homens para cuidar de sua Igreja, e começou uma nova era para o cristianismo. Assim, a obra que os apóstolos receberam do Senhor Jesus e a desenvolveram tão arduamente acha-se agora nas mãos de novos líderes que tinham a incumbência de desenvolver a vida litúrgica da Igreja como fizeram os apóstolos.

O período que comumente é chamado de pos-apostólico é de intenso desenvolvimento do pensamento cristão. Seu trabalho e influência garantiram a unidade da Igreja. Para um assunto tão importante, a Igreja convocou grandes assembléias conciliares, os chamados Concílios Ecumênicos, dos quais participavam todos os bispos, que no final promulgavam suas declarações de fé.

Para uma melhor compreensão, podemos dividir os Pais da Igreja em três grandes grupos, a saber: Pais Apostólicos, Apologistas e Polemistas. Todavia, essa divisão não é absoluta, pois podemos enquadrar alguns deles em mais de um desses grupos devido à vasta literatura que produziram para a edificação e defesa do cristianismo, como é o caso de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim, temos:

PAIS APOSTÓLICOS
Foram os mais antigos escritores cristãos fora do Novo Testamento, pertencendo à chamada “era subapostólica”. Eles tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da Igreja, geralmente entre o primeiro e segundo século. Os mais importantes foram:

CLEMENTE DE ROMA (30-100 d.C.)
Clemente era um cristão que gozava de grande autoridade entre seus contemporâneos. Orígenes e Eusébio de Cesáreia identificam-no como o colaborador de Paulo mencionado em Filipenses: “E peço também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida” (Filipenses 4.3). Irineu de Lião escreveu que Clemente teria sido o terceiro sucessor do apóstolo Pedro no pastorado da Igreja em Roma. Segundo Tertuliano, ele foi consagrado pelas mãos do apóstolo Pedro. Escreveu uma Epístola chamada de 1º Clemente, escrita de Roma por volta de 95 d.C., para a igreja em Corinto. A obra Atos dos Mártires, do século IV ou V d.C., afirma que Clemente foi exilado para a península de Queronese, na área do mar Negro, foi atirado ao mar com uma âncora amarrada ao seu pescoço.

INÁCIO DE ANTIOQUIA DA SÍRIA (35-108 d.C.)
Conforme se encontra na História Eclesiástica, de Eusébio, Inácio teria sido o segundo bispo de Antioquia: “Mas, depois que Evódio fora estabelecido o primeiro sobre os antioquenos, Inácio o segundo, reinava no tempo do qual falamos”.

Foi martirizado em Roma, durante o reinado de Trajano (97-117 d.C.). Inácio quando seguiu para Roma estava disposta a ser martirizado, pois durante a viagem escreveu cartas às igrejas menifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor. Foi lançado às feras no Anfitetatro romanono ano 108.

Tudo quanto sabemos sobre sua vida é através de suas sete cartas escritas no caminho rumo ao martírio em Roma; Carta aos Efésios, Romanos, Filadélfia, Esmirna, Trálios, Magnésia e Policarpo. Inácio é o primeiro escritor a apresentar claramente o padrão de ministério: um bispo numa igreja com seus presbíteros e diáconos. Opôs-se às heresias gnósticas. Sua preocupação principal era com a unidade da Igreja.

POLICARPO (69-155 d.C.)
Foi discípulo do apóstolo João, provavelmente nasceu em 70 d.C. Eusébio declara que não somente foi instruído pelos apóstolos e conviveu com muitos que haviam visto o Senhor, mas também foi instituído bispo da Ásia pelos apóstolos, na Igreja de Esmirna. Aparentemente Policarpo conhecia alguns personagens ilustres de sua época, como Inácio, Irineu, Aniceto de Roma e Marcião, o qual resistiu a sua doutrina e chamou-lhe de “primogênito de Satanás”. De acordo com Irineu, Policarpo escreveu diversas cartas à comunidade e a bispos em particular, das quais preservou somente a carta aos Filipenses.

Em um dos seus escritos que trazem o seu nome é nos dada à narrativa de sua morte. Devido a sua idade, quiseram fazê-lo negar o nome de Jesus e assim escapar com vida, ao que ele respondeu: “Eu tenho servido a Cristo por 86 anos e Ele nuca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou?”. Quando o colocaram na fogueira, o fogo não o queimou, e então seus inimigos o apunhalaram até a morte e depois o queimaram.

PAPIAS (70-140 d.C.)
Bispo de Hierápolis, de quem somente sabemos alguma coisa através de escritos de Eusébio e Irineu. Ele era um homem curioso, que tinha o habito de inquirir sobre as origens do cristianismo. Foi Papias quem iniciou a tradição que diz que Marcos era interprete de Pedro: “Marcos, que foi interprete de Pedro, pôs por escrito, ainda que não com ordem, o quanto recordava que o Senhor havia feito”.

Segundo Irineu de Lião, teria sido discípulo do apóstolo João, conforme Eusébio de Cesáreia, Papias fora discípulo de “outro João, o “presbítero”, e não o apóstolo João.

Escreveu uma coleção de relatos sobre ditos e feitos do Senhor e de seus discípulos, da qual restam somente pequenos fragmentos.

PAIS APOLOGISTAS
Foram aqueles que empregaram todas as suas habilidades literárias em defesa do cristianismo perante a perseguição do Estado. Geralmente este grupo se situa no segundo século, e o mais proeminentes entre eles foram:

TERTULIANO (155-220 d.C.)
Nasceu em Cartago, um dos principais centros culturais do Império Romano. Destinado a família ao estudo das leis, recebeu esmerada educação. Aos vinte anos seguiu para Roma, onde ampliou sua formação. Regressou a Cartago no final do século II e, depois de se converter ao cristianismo, dedicou-se ao estudo das Escrituras, da literatura cristã e profana e dos tratados gnósticos. Iniciou então uma produtiva atividade literária voltada para a consolidação da Igreja no norte da África. Teólogo foi o principal apologista da igreja ocidental e o primeiro teólogo cristão a escrever em latim. Ele contribuía com seus escritos para fixar o léxico e a doutrina do cristianismo ocidental. Formado em direito, ensinou oratória a advogou em Roma, onde se converteu ao cristianismo.

Possivelmente as sua maiores contribuições foram suas discussões sobre a Trindade e a Encarnação do Logos. A sua principal obra escrita em defesa do cristianismo foi Apologética.

JUSTINO MARTIR (100-166 d.C.)
Filho de pais pagãos teria nascido perto da cidade de Siquém, onde passou boa parte de sua juventude numa busca filosófica atrás da verdade. Ele foi um filósofo platônico. Seus estudos profundos do platonismo, pitagorismo, do estoicismo e do aristetolismo convenceram-no de que nem toda a verdade está contida na filosofia e que ele precisava continuar inquirindo a verdade.

Vários livros são atribuídos a Justino, porém somente três são aceitos como genuínos. São os denominados de Primeira Apologia, Segunda Apologia e o Diálogo com Trifo, o judeu. Sua Primeira Apologia é dirigida ao imperador Antonino Pio, que reinou de 138-161 d.C., aos seus filhos Lucius e Marco Aurélio, a todo o senado romano e “a todos os romanos”. A Segunda Apologia é dirigida ao senado romano, embora já tivesse sido alcançada pela Primeira. Os dois foram escritos para contestar a perseguição. O Diálogo com Trifo consta de uma conversa de dois dias entre Justino e um douto judeu contemporâneo dele.

Foi um dos homens mais competentes do seu tempo e um dos principais defensores da Fé Cristã. Seus livros que ainda existem, oferecem informações valiosas sobre a vida da Igreja nos meados do segundo século. Foi martirizado em Roma, no ano de 166

PAIS POLEMISTAS
Diferentemente dos apologistas do segundo século, que procuraram fazer uma explanação e uma justificação racional do cristianismo para as autoridades, os polemistas empenharam-se em responder os desafios dos falsos ensinos heréticos, condenando veementemente esses ensinos e seus mestres.

Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e dentro da Igreja. Apesar de a maioria ter vivido no Oriente, os grandes polemistas vieram do Ocidente:

IRINEU (130-202 d.C.)
Oriundo da Ásia Menor, em sua juventude foi discípulo de Policarpo, de acordo com Eusébio de Cesáreia. Irineu escreveu a Florino, um ex-condiscípulo de Policarpo, que apostatara tornando-se valentiniano: “Pois os estudos de nossa juventude cresceram com nossa mente e se uniram a ele com tamanha firmeza, que também posso dizer até o lugar em que o bendito Policarpo costumava se sentar e discursar; e também suas entradas, suas saídas, o caráter de sua vida e a forma de sue corpo, e suas conversas com as pessoas, e seu relacionamento familiar com João, conforme costumava contar, bem como sua familiaridade com os que haviam visto o Senhor. Também a respeito de seus milagres, sua doutrina, tudo isso era contado por Policarpo, de acordo com as Sagradas Escrituras, conforme havia recebido das testemunhas oculares da doutrina da salvação”.

A maior parte de sua obra desenvolveu-se no campo da literatura polêmica contra o ensina gnóstico, que acreditava na existência de um mundo distinto de Deus. Sua primeira obra, Adversus Haereses, título em latim que significa “Contra Heresias”, escrita entre 182 e 188 d.C., salienta-se por sua habilidade, moderação e pureza na apresentação do cristianismo, condenando os ensinos de Marcião.

ORÍGENES (185-254 d.C.)
Orígenes foi o maior dos intérpretes alegóricos e o mais prolífico da antiguidade cristã. A maior parte das informações sobre a vida de Orígenes pode ser localizada no sexto livro da História Eclesiástica, de Eusébio de Cesáreia. Nasceu em Alexandria, no Egito, onde foi aluno de Clemente, o que o faria sucessor deste anos mais tarde. Ficou à frente da escola catequética por 28 anos, levando uma vida extremamente ascética e piedosa. Devido ao seu zelo, interpretou literalmente o texto de Mateus 19.12, que diz: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do Reino dos céus. Quem pode receber que o receba”, e mutilou-se a si mesmo.

Seu pai Leônidas morreu martirizado em 202, o que fez com que ele sentisse o mesmo sentimento, a ponto de dizer ao pai que se encontrava preso: “Não vás mudar de idéia por causa de nós”. Em 212 esteve em Roma, Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia Maméia, chamou-o a Antioquia para ouvir suas lições. Morreu em Cesáreia durante a perseguição do imperador Décio.

A produção literária de Orígenes foi enorme. Segundo estimativa, ele foi o autor de seis mil pergaminhos. Uma vez que seus conhecimentos bíblicos eram enormes e estava consciente de que o texto das Escrituras continha ligeiras variantes, compôs a “Hexapla”, uma obra monumental de erudição bíblica que não foi conservada na íntegra.

CIPRIANO (200-258 d.C.)
Thascius Cecilius Cyprianus era de família nobre e influente de Cartago. Converteu-se ao cristianismo em 246 d.C., sendo posteriormente eleito bispo em sua cidade natal, por volta de 249 d.C. Exerceu um ministério pastoral influente produzindo vários escritos antes de ser perseguido e decapitado nos dias do imperador Valeriano.

As principais obras de Cipriano são: Tratado Sobre a Unidade da Igreja e Dos Caídos, ambas escritas em 251 d.C., enviadas aos confessores romanos da fé. De habitu virginum (249 d.C.), De mortalitate (252 d.C.), De opere et eleemosnynis (252 d.C.) e uma coleção de cartas. Algumas de suas obras são revisões dos escritos de Tertuliano, a quem Cipriano chamava de mestre.

Presbiterianos no Brasil: 150 anos origens e doutrina (3)


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15.    Como sabemos que a Bíblia foi inspirada por Deus?

R. O testemunho de Jesus sobre o Antigo Testamento (Mt 22.29; Mc 12.24; Lc 24.25, 27, 32 e Jo 5.39). O testemunho da Bíblia sobre sua natureza (2 Tm 3.16-17; 2 Pe 1.20, 21). A experiência de milhões de pessoas cuja vida foi transformada pela leitura da Bíblia e a nossa própria experiência de sentir Deus falando conosco, quando lemos a Bíblia. Tudo isto é evidência da inspiração divina das Escrituras. Porém, como esta aceitação é matéria de fé e não de prova científica, só a operação do Espírito Santo em nós é que nos dá a convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus.

16.    Por que a Bíblia "católica" tem 7 livros a mais do que a "nossa"

Bíblia?

R. Porque o Concílio de Trento, no dia 15 de abril de 1546, anexou, por decreto, esses livros à Bíblia. Nós não os aceitamos e a "nossa" Bíblia não os têm porque eles não tem nem as evidências externas nem as evidências internas de que são inspirados por Deus. A Igreja Católica Romana nos acusa de termos retirado 7 livros das Escrituras. No entanto, foi ela que os acrescentou à Bíblia, no Concílio de Trento.

17.    Que é que as Escrituras nos revelam a respeito de Deus?

R. Que Deus é Espírito (Jo 4.24) e, portanto, não tem corpo como nós (Lc 24.39); que Deus é um Ser pessoal, capaz de compreender os nossos sentimentos e conhecer os nossos pensamentos (SI 103.14 e 139.1-7); que Deus é eterno (SI 90.2), imutável (Ml 3.6), infinito (I Rs 8.27), conhece todas as coisas (SI 139.4), vê tudo o que se passa no céu e na terra (Pv 15.3), está presente, ao mesmo tempo, em todos os lugares (SI 139.7-10), é onipotente (Mt 19.26), nos ama (1 Jo 4.8), é cheio de misericórdia (SI 57.10 e 100.5). Revela-nos também que Deus é justíssimo (SI 119.137) e terrível em Seus juízos (Hb 10.31). O Deus de quem a Bíblia nos fala é um Deus Triúno, isto é, subiste em três Pessoas.

18.    Que é a Santíssima Trindade?

R. É a coexistência das Três Pessoas na Divindade Única: O Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 27.19; 2 Co 13.13). São Três Pessoas distintas, da mesma substância, iguais em poder e glória, porém um só Deus. É um mistério que não pode ser expli¬cado nem definido, porque está além do alcance da mente do homem. Em suma: Ou aceitamos a Triunidade do Deus Único, ou temos de admitir três Deuses na Bíblia. A Bíblia, no entanto, nos ensina com muita clareza que existe um só Deus verdadeiro (1 Co 8.5, 6; 1 Tm 2.5), e que o Pai é Deus (Gl 1.1; Ef 6.23), que o Filho é Deus (Jo 1.1 e 2 Pe 1.1) e que o Espírito Santo é Deus (At 5.3, 4).

19.    Como Deus se relaciona com o universo?

R. Deus o criou (Gn 1.1 e Ef 3.9), Deus o dirige (Dn 4.35), Deus o governa (Jó 34.12-15; SI 22.28;103.19), Deus o preserva (Ne 9.6). Ele tem um plano eterno de ação (Ef 1.11). Nada acontece sem que Ele tenha ordenado ou permitido (Mt 10.29). Deus não improvisa nem é surpreendido pelos acontecimentos. Na Sua infinita sabedoria, Ele dirige tudo segundo Sua própria vontade sem, contudo, tirar a liberdade do homem nem violentar a vontade do ser humano.

20.    Que é predestinação?

R. É a doutrina bíblica segundo a qual Deus já determinou o destino eterno de todo o ser humano (Rm 8.29-30; Rm 9.14-21; Ef 1.3-5), tanto dos que se salvam como dos que se perdem.

21.    A doutrina da predestinação anula a pregação do Evangelho?

R. Não, porque Deus, que nos predestinou para a salvação em Cristo, é o mesmo que "amou ao mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Deus não é o autor do pecado (Tg 1.12), não viola a liberdade humana e não deseja a perdição do pecador (Ez 33.11). O decreto divino da predestinação se cumpre segundo o propósito de Deus, que opera segundo Sua justiça e Sua graça. Os que buscam a Deus com sinceridade de alma, são tangidos por Seu Espírito misericordioso, e os que O rejeitam, fazem-no levados por sua própria soberba, como réprobos rebelados contra Deus, e nos quais se manifesta a justiça divina, que retribui a cada um, segundo as suas obras.



22.    A doutrina da predestinação se harmoniza com a lógica humana?

R. O pensamento e as ações de Deus não precisam submeter-se ao juízo da lógica humana. O próprio Deus afirma que os Seus pensamentos não são os nossos pensamentos, nem os Seus caminhos, os nossos caminhos (Is 55.8, 9). Querer submeter a ação divina à lógica humana é tentar colocar o homem na posição de soberano e Deus na de súdito.

Bússola Para dias Desorientados. Confissão de fé westminster XX, XXI



Horrível se sentir perdido não? Diante de de tantas vozes parece que é assim que o Cristão sincero se sente. O estudo da confissão de fé de westminster é uma ótima bússola embasada nas Escrituras para uma fé sadia. Hoje continuaremos estudando esta confissão tão importante na história da Igreja e os assuntos São: Liberdade Cristã e Domingo. Boa leitura.

Ps. Procure em nosso blog as etiquetas com a sigla CFW e terá acesso a todas as postagens. Deus nos Ilumine.

CAPÍTULO XX

DA LIBERDADE CRISTÃ E DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA

I. A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem livres do poder deste mundo. do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam.

Ref. Tito 2:14; I Tess. 1: 10; Gal. 3:13; Rom. 8: 1; Gal. 1:4; At. 26:18; Rom. 6:14; I João 1:7; Sal. 119:71; Rom. 8:28; I Cor, 15:54-57; Rom. 5l: 1-2; Ef. 2:18 e 3:12; Heb. 10: 19; Rom. 8:14. 15; Gal. 6:6; I João 6:18; Gal. 3:9, 14, e 5: 1; At. 15: 10; Heb. 4:14, 16, e 10: 19-22; João 7:38-39; Rom. 5:5.

II. Só Deus é senhor da consciência, e ele deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que em qualquer coisa, sejam contrários à sua palavra ou que, em matéria de fé ou de culto estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como coisa de consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer para elas fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma razão.

Ref. Rom. 14:4, 10; Tiago 4:12; At. 4:19, e 5:29; Mat. 28:8-10; Col. 2:20-23; Gal. 1: 10, e 2:4-5, e 4:9-10, e 5: 1;. Rom, 14:23; At. 17:11; João 4:22; Jer. 8:9; I Ped. 3: 15.

III. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, cometem qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência, destroem por isso mesmo o fim da liberdade cristã; o fim da liberdade é que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justiça, diante dele todos os dias da nossa vida.

Ref. Luc. 1:74-75; Rom. 6:15; Gal. 5:13; I Ped. 2:16; II Ped. 3: 15.


IV. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas.

Ref. I Ped. 2:13-16; Heb. 13:17; Mat. 18:15-17; II Tess.3:14; Tito3:10; I Cor. 5:11-13; Rom. 16:17; II Tess. 3:6.

CAPÍTULO XXI

DO CULTO RELIGIOSO E DO DOMINGO

I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.

Ref. Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6.

II.    O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não
deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da
queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo.

Ref. João 5:23; Mat. 28:19; II Cor. 13:14; Col. 2:18; Apoc 19:10; Rom. l:25; João 14:6; I Tim. 2:5; Ef. 2:18; Col. 3:17.

III.    A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus
exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes.

Ref. Fil. 4:6; I Tim. 2:1; Col. 4:2; Sal. 65:2, e 67:3; I Tess. 5:17-18; João 14:13-14; I Ped. 2:5; Rom. 8:26; Ef. 6:8; João 5:14; Sal. 47:7; Heb. 12:28; Gen. 18:27; Tiago 5:16; Ef. 6:18; I Cor. 14:14.

IV.    A oração deve ser feita por coisas lícitas e por todas as classes de homens que existem atualmente ou que existirão no futuro; mas não pelos mortos, nem por aqueles que se saiba terem cometido o pecado para a morte.

Ref. Mat. 26:42; I Tim. 2:1-2; João 17:20; II Sam. 7:29, e 12:21-23; Luc. 16:25-26; I João 5: 16.


V.    A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por
Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.

Ref. At. 15:21; Apoc. 1:3; II Tim. 4:2; Tiago 1:22: At. 10:33; Heb. 4:2; Col. 3:16; Ef. 5:19; Tiago 5:13; At. 16:25; Mat. 28:19; At. 2:42; Deut. 6:13; Ne. 10:29; Ec. 5:4-5; Joel 2:12; Mat. 9:15.

VI.    Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade - tanto em famílias
diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembléias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.

Ref. João 5:21; Mal. 1:11; I Tim. 2:8; João 4:23-24; Jer. 10: 25; Jó 1:5; II Sam. 6:18-20; Deut. 6:6-7; Mat. 6: 11, e 6:6; Isa. 56:7; Heb. 10:25; Prov. 5:34; At. 2:42.

VII.    Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete
para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de
continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.

Ref. Exo. 20:8-11; Gen. 2:3; I Cor. 16:1-2; At. 20:7; Apoc.1:10; Mat. 5: 17-18.

VIII.    Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus
empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.

Ref. Exo. 16:23-26,29:30, e 31:15-16; Isa.58:13.

Presbiterianos no Brasil 150 anos: Origens e doutrina (2)


Continuando nossas perguntas e respostas sobre a Igreja Presbiteriana do Brasil. Conheça um pouco mais Igrejas Cristãs no Brasil existem muitas mas poucas tem 150 anos de História. caso deseje ler primeiro artigo clique aqui



8. Quem foi o primeiro missionário presbiteriano a vir para o Brasil?

R. Foi o Rev. Ashbel Green Simonton, que che-gou ao Brasil, no Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto de 1859. Tinha apenas 26 anos de idade. Seu minis-tério durou apenas 8 anos, pois Simonton faleceu em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1867. A essa altura, porém, a nossa Igreja já tinha um presbitério (Presbitério do Rio de Janeiro), um Seminário, cin¬co pastores e três Igrejas organizadas (A Ia. do Rio de Janeiro, a 13 de São Paulo e a de Brotas, no Esta¬do de São Paulo).



9. Quando Simonton chegou ao Brasil, já havia aqui missionários de outras denominações?

R. Simonton encontrou, no Rio de Janeiro, o Dr. Robert Reid Kalley, médico escocês, que fazia um trabalho missionário independente. Do trabalho do Dr. Kalley resultou a Igreja Evangélica Fluminense. Havia também pastores que vieram acompanhando imigrantes europeus. Estes pastores, entretanto, se limitavam a dar assistência espiritual aos imigrantes. Simonton foi, portanto, o primeiro missionário enviado ao Brasil, com o objetivo de evangelizar os brasileiros. Os missionários de outras denominações só chegaram bem mais tarde.



10.    Em que estão baseadas as doutrinas da Igreja Presbiteriana?

R. Estão baseadas na Bíblia, a Palavra de Deus. Nossa Igreja não aceita nenhuma doutrina que não tenha base sólida nas Escrituras (Gl 1.8,9).



11.    Que é uma "doutrina baseada solidamente nas Escrituras Sagradas?"

R. É uma doutrina baseada na Bíblia toda ou, seja, que compreende todos os livros da Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse. A nossa Igreja não aceita doutrinas baseadas em apenas algumas passagens ou textos isolados das Escrituras.



12.    Quais são os padrões doutrinários da Igreja Presbiteriana?

R. Nossa Igreja adota, como exposição das doutrinas bíblicas, a Confissão de Fé, o Catecismo Maior e o Catecismo Menor ou Breve Catecismo. Contudo, deve ficar bem claro que nossa única regra infalível de Fé e Prática é a Escritura Sagrada. Adotamos a Confissão de fé e os Catecismos como exposição do sistema de doutrinas ensinadas nas Santas Escrituras. Isto se faz necessário em virtude de a Bíblia não trazer as doutrinas já sistematizadas.



13. Quem elaborou a Confissão de Fé e os Catecismos?

R. A Confissão de Fé e os Catecismos foram elaborados por 151 teólogos de várias Igrejas Cristãs, reunidos na Abadia de Westminster, em Londres, na Inglaterra, de julho de 1643 a fevereiro de 1649. Estes livros foram preparados em espírito de oração e profunda submissão ao ensino das Escrituras.



14.    Que é Escritura Sagrada?

R. É a Palavra de Deus expressa em forma escrita. É o livro que nos dá conhecimento de Deus e de Sua vontade, necessário para a salvação" (2 Tm 3.15, 16). A Bíblia é composta de 66 livros, escritos, por, no mínimo, 36 Autores, que viveram em tempos e lugares diferentes, num período de 1.600 anos. No entanto, o Autor da Bíblia é o próprio Deus, que inspirou os Autores a que nos referimos.


Didaqué Primeiro Catecismo da Igreja Cristã



  Didaquê (Διδαχń em grego clássico) ou Instrução dos Doze Apóstolos, é um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão. Didaquê significa doutrina, instrução. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.


Didaqué:

A Instrução dos Doze Apóstolos

(Ano 145-150 DC)



O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE



CAPÍTULO I



1 Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.

2 Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3 Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.



4 Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.



5 Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6 Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.





CAPÍTULO II



1 O segundo mandamento da instrução é:



2 Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.



3 Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.



4 Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.



5 A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.



6 Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.



7 Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

Presbiterianos No Brasil 150 anos: Origens e Doutrina

 A Igreja Presbiteriana do Brasil fez 150 anos recentemente, já foi durante muito tempo a maior denominação protestante do Brasil e no entanto hoje em dia existem pessoas que nos perguntam: Que igreja é essa? Bem, decidimos formular, muito brevemente, de onde viemos e o que cremos iremos discorrer em alguns breves posts nossas origens e nossa doutrina. Porque como bem dizia o Reverendo  Thomas Porter:
Quem conheçe o presbiterianismo não sai dele!
Boa Leitura.

1. Como surgiu a Igreja Presbiteriana?
R. Surgiu da Reforma Religiosa do Século XVI. Deus levantou um homem chamado João Calvino para conduzir Seu povo de volta à Bíblia. E, desta volta à Bíblia, nasceu a Igreja Presbiteriana.

2. Como se processou a Reforma Reforma Religiosa do Século XVI?
R. A Reforma tem, como data básica de sua origem, o dia 31 de outubro de 1517, dia em que Lutero afixou as suas 95 teses, contra as indulgências, na porta da capela de Wittemberg. Martinho Lutero era monge agostiniano e pretendia reformar a Igreja à qual pertencia. Porém, como foi excomungado pelo papa Leão X, viu-se obrigado a romper com a sua igreja, dando, assim, origem ao movimento religioso conhecido como Luteranismo. Movimentos religiosos independentes surgiram em outras regiões. Na Suíça, levantou-se Zwinglio, sucedido depois por Calvino. As Igrejas que adotaram as doutrinas e o sistema Calvinistas, denominam-se Igrejas Reformadas ou Presbiterianas. Da Suíça, o Presbiterianismo se espalhou para os Países Baixos, França, Escócia e Inglaterra. E, a seguir, atingiu a todos os Continentes.

3. Quem foi João Calvino?
R. Foi um dos Reformadores do Século XVI. Nasceu em Noyon, Picardia, na França, no dia 10 de julho de 1509, e faleceu em Genebra, na Suíça, no dia 27 de maio de 1564. Aos 14 anos de idade, Calvino entrou para a Universidade de Paris. Formou-se em direito na Universidade de Orleans, aos vinte anos de idade. Converteu-se a Cristo em 1533. Calvino foi o mais culto e o mais inteligente entre todos os Reformadores. Escreveu Comentários sobre todos os livros da Bíblia, com exceção do Apocalipse. Escreveu Sermões e Cartas e também Tratados. Sua obra mais importante foi A Instituição da Religião Cristã, mais conhecida como As Institutas. Nesta obra ele apresenta um sistema de doutrinas absolutamente bíblicas. Este sistema de doutrinas é conhecido como Calvinismo.

4. É verdade que a primeira Igreja que surgiu foi a Igreja Católica?
R. Não, não é verdade. A Igreja do Novo Testamento é chamada de Igreja Primitiva, por ter sido a primeira e não ter nenhum nome especial. Esta Igreja não pode ser identificada com a Igreja Católica Romana, por várias razões, como, por exemplo, as seguintes: 1. Os problemas doutrinários e éticos sur-gidos na Igreja Primitiva eram resolvidos pelo Presbitério (At 15.1-29); na Igreja Católica, são resolvidos pelo papa; 2. Na Igreja Primitiva não havia missa; havia culto com cânticos de hinos, orações,leitura bíblica e pregação; 3. Todos os membros da Igreja Primitiva participavam do pão e do vinho, na Santa Ceia (I Co 11.23-29); na Igreja Católica só o padre é que participa do vinho, na comunhão. 4. Na Igreja Primitiva não havia padre, nem cardeal, nem papa; havia, sim, presbíteros e diáconos. Qualquer pessoa que examinar o Novo Testamento, fundamento da Igreja Cristã, verá claramente que a Igreja Católica Romana não tem nenhuma semelhança com a Igreja Primitiva.

5. Como surgiu a Igreja Católica Romana?
R. Surgiu da degeneração da Igreja Primitiva. Desde o início, homens fraudulentos entraram para a Igreja. No princípio, entretanto, as perseguições contra os cristãos se encarregaram de purificar a comunidade cristã. No ano 323, por um decreto do Imperador Constantino, o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano. Cessaram as perseguições e muitas pessoas, sem serem verdadeiramente convertidas, entraram para a Igreja. A atuação de tais pessoas e a influência do mundo pagão levaram a Igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocam brutalmente com os ensinos bíblicos. Eis alguns exemplos: No ano 375 foi instituído o culto aos santos; no ano 431, instituiu-se o culto a Maria, a partir do Concílio de Éfeso, cidade que era gardiã da deusa diana dos Efésios; em 503, surgiu a doutrina do purgatório; em 783 foi adotada a adoração de imagens e relíquias; em 1090, inventou-se o rosário; em 1229, foi proibida a leitura da Bíblia. Há muitas outras inovações
que seria longo mencionar aqui. Felizmente, Deus levantou homens para conduzir Seu povo de volta à Bíblia. Vários movimentos de reforma religiosa, inclusive os propostos pelos Concílios de Constança, Pisa e Basiléia, fracassaram. Porém, a Reforma Religiosa do Século XVI triunfou.

6.    Por que Calvino não se uniu a Lutero, ao invés de criar um movimento à parte?
R. Porque Lutero queria apenas reformar a Igreja, enquanto Calvino entendia que a Igreja estava tão degenerada, que não havia como reformá-la. Calvino se propôs organizar uma nova Igreja que, na sua doutrina, na sua liturgia e na sua forma de governo, fosse idêntica à Igreja Primitiva e sempre se auto avaliasse e reforma-se a si mesma, uma vez que o coração do homem é tendente a corromper-se.

7.Como o presbiterianismo chegou ao Brasil?
R. No Século XVI houve uma tentativa de implantação do presbiterianismo no Brasil, através dos franceses que aqui chegaram em 1557. A Ceia do Senhor, segundo o rito bíblico calvinista, foi celebrada pela primeira vez, na América do Sul, no dia 21 de março de 1557, no Rio de Janeiro. Os franceses, no entanto, foram expulsos de nosso país em 1567. Duas outras tentativas foram feitas através dos holandeses, em 1624 e em 1630. Em 1654, os holandeses foram expulsos do Brasil, e as comunidades presbiterianas que eles haviam implantado no nordeste, desapareceram. A implantação definitiva do presbiterianismo, no Brasil, se deu através do trabalho de missionários, que vieram especialmente para evangelizar os brasileiros.
Continua proximo post

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