O que é servir a Deus?


SERVIR A DEUS é sacrificar o seu lazer semanal do domingo para durante uma ou duas horas discutir o sexo dos anjos e outros assuntos afins?

SERVIR A DEUS é imbuir-se de um inflamável espírito de triunfalismo que não admite derrotas e desilusões, como se o viver fosse a própria negação do sofrimento?

SERVIR A DEUS é não questionar nada que vá de encontro às “verdades espirituais” preconizadas pela sua instituição religiosa?

SERVIR A DEUS é estar diuturnamente preocupado em ganhar o mundo para Cristo, esquecendo os cuidados básicos com os seus, em seu próprio lar?

SERVIR A DEUS é construir templos suntuosos e colocar líderes impecavelmente vestidos em seus ornamentados púlpitos “cristãos”, para serem vistos como intocáveis e irrepreensíveis oráculos do reino dos céus?

SERVIR A DEUS é mostrar cada vez mais ostentação e riqueza à medida que a igreja cresce numericamente?

SERVIR A DEUS é ter muita cautela para não estabelecer com o seu Pastor uma relação espontânea de amizade e afeto, para que ele não o reprove nem o censure?

SERVIR A DEUS é se martirizar dia a dia, mascarando a sua própria individualidade, numa tentativa inócua de exteriormente, identificar-se com o seu líder?

SERVIR A DEUS é infundir medo nos corações das pessoas, para que elas se rendam e fiquem passivamente aprisionadas entre as quatro paredes “sagradas” do templo?

SERVIR A DEUS é vender planos pessoais de salvação em prestações suaves e módicas com juros supostamente menores que os de mercado?

SERVIR A DEUS é dizer para a criança que se ela não se comportar decentemente na igreja, Jesus fica triste e o Diabo alegre?

SERVIR A DEUS é trocar a estrutura familiar opressiva por um sistema religioso que desumaniza em vez de humanizar?

SERVIR A DEUS é torcer pela igreja como quem torce por um time de futebol, onde o que mais interessa é a vitória, mesmo com gol roubado pelo juiz da partida?

SERVIR A DEUS é abdicar da liberdade de discordar, a fim de manter uma relação de amizade aparente com o seu líder?

SERVIR A DEUS é nunca tentar fugir dos padrões convencionais do culto evangélico pasteurizado?

SERVIR A DEUS é ter todo o seu tempo dedicado ao cumprimento das obrigações eclesiásticas?

SERVIR A DEUS é se imiscuir no meio de multidões ruidosas em passeatas para Cristo, sem atentar que o que elas mais almejam é demonstrar o “poder político” de suas instituições eclesiásticas?

SERVIR A DEUS é buscar apaixonadamente a hegemonia de sua igreja, mesmo que para atingir este objetivo, tenha que falar mal das outras denominações?

SERVIR A DEUS é um investimento que fazemos com muito suor e sacrifício, no intuito de lá na frente, recebermos uma grandiosa recompensa?

SERVIR A DEUS é fazer amigos com as riquezas adquiridas de maneira suja, para depois de lavá-las, serem trazidas ao altar, com o rótulo falso de “dinheiro purificado?

SERVIR A DEUS é fazer parte de uma engrenagem que para manter a coesão do grupo se faz necessário adiar por tempo indeterminado o amadurecimento pessoal?

SERVIR A DEUS é deixar de desfrutar as delícias que Ele nos deixou aqui na terra, em troca de uma castradora e violenta religiosidade?

SERVIR A DEUS é combater compulsivamente os erros dos outros, e fechar os olhos para os demônios que habitam dentro de nós?

Ao responder com um SIM as perguntas acima, o leitor estará simplesmente concordando que, SERVIR A DEUS é prendê-Lo nos limites estreitos de uma instituição, instituição essa, que à maneira de um asilo, oferece guarida a nossa loucura de pensar que podemos definir o indefinível, de pensar que podemos reduzir ou conceituar o indecifrável, de pensar que podemos mensurar ou fixar conceitos e regras sobre um Deus que é indizível e que está em pleno e puro movimento.

E assim, como doentes mentais que perderam a maravilhosa capacidade de pensar, vamos perecendo pela vida afora. Vamos perecendo, ao permitir que outros pensem por nós, guiando-nos aleatoriamente nas densas trevas da ignorância.

Há um ditado popular que expressa uma cruel realidade, ao afirmar que a Bíblia do protestante cheira a “sovaco” por estar sempre debaixo da axila direita; ao passo que a do católico cheira a “mofo”, por estar sempre posta num oratório, eternamente aberta em um dos capítulos do livro de Salmos.

Uma interessante passagem do livro de Isaias (730 AC) reflete com todas as letras o estágio em que nos encontramos hoje, senão vejamos:

“...Dá-se o livro ao que não sabe ler dizendo: Por favor, lê isto; e ele dirá: Não sei ler.
Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina”.
( Isaias 29; 12 e 13)

Que pena! Depois de decorridos tantos anos, se faz necessário evocar uma frase emblemática dita pelo profeta Oseias (700 AC) cujo eco, ainda hoje, continua a bater forte nas paredes resistentes de muitos corações: “O meu povo padece por falta de conhecimento”.


Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira,  setembro de 2009

Uma Corrente Dourada de Cinco Elos





por
Dr. James Montgomery Boice

"Porque os que conheceu de antemão também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou" (Romanos 8.29-30).
Quando eu escrevia sobre Romanos 8.28 no estudo anterior, disse que para muitos cristãos, este verso é uma das afirmações mais confortantes em toda a Palavra de Deus. A razão é óbvia. Ele nos diz que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Isto é, Deus tem um grande e bom propósito para todos os cristãos e Ele está trabalhando em todas as muitas circunstâncias detalhadas de suas vidas a fim de alcançá-lo.
Maravilhoso como este verso é, os versos que seguem são ainda mais maravilhosos, por dizerem como Deus cumprirá o seu propósito e nos lembrar que é o próprio Deus quem o cumpre. O último lembrete é a base para o que comumente é conhecido como “segurança eterna” ou “a perseverança dos santos”.
Algum tempo atrás, eu soube de uma história divertida, mas aparentemente real. Em 1966, o santo e místico hindu Rao anunciou que ele caminharia sobre a água. Isto atraiu bastante atenção, e no dia marcado para o evento, uma imensa multidão se reuniu ao redor de um grande tanque em Bombaim, Índia, onde tudo iria ocorrer. O iluminado, cheio de devoção, preparou-se para o milagre e então caminhou em direção à beira do tanque. Um silêncio solene desceu sobre os observadores reunidos. Rao olhou rapidamente para o céu, andou em direção à água, e então imediatamente afundou dentro do tanque. Resmungando, completamente molhado, e furioso, ele emergiu da piscina e voltou-se raivosamente para a multidão embaraçada. “Um de vocês”, ele disse, “é um incrédulo”.
Felizmente, nossa salvação não é algo assim, porque se fosse, nunca aconteceria. Em assuntos espirituais, somos todos incrédulos. Nós somos fracos na fé. Mas nós somos ensinados nestes grandes versículos de Romanos que a salvação não depende de nossa fé, embora ela seja necessária, mas dos propósitos de Deus.
E é da mesma forma a respeito do amor. O apóstolo já disse que em todas as coisas Deus trabalha para o bem daqueles que O amam. Mas temendo que, de alguma forma, imaginemos que a força do nosso amor é o fator determinante na salvação, Paulo nos lembra que nosso lugar neste ótimo fluxo de eventos não é baseado em nosso amor por Deus, mas no fato de que Ele tem fixado Seu amor sobre nós.
De que formas Deus nos amou?
Deixe-me mostrar os modos.
Estes versos nos introduzem a cinco grandes doutrinas: (1) Conhecimento de antemão, (2) predestinação, (3) Chamado eficaz, (4) Justificação, e (5) Glorificação. Estas cinco doutrinas são tão fortemente conectadas que têm sido chamadas correta e acuradamente como “um corrente dourada de cinco elos”. Cada elo é forjado no céu. Isto é, cada um descreve algo que Deus faz e e não abre mão de fazê-lo. É por isto que John R. W. Stott as chama de “cinco irrefutáveis afirmações” [1]. As duas primeiras têm relação com o eterno conselho de Deus ou determinações passadas. As duas últimas estão concentradas naquilo que Deus fez, está fazendo ou fará conosco. O termo do meio (chamados) conecta o primeiro e o último par.
Estas doutrinas seguirão de eternidade para eternidade. Como resultado, não existe maior expressão da maravilhosa atividade salvadora de Deus em toda a Bíblia.

Pré-Conhecimento Divino

O mais importante destes cinco termos é o primeiro, mas surpreendentemente (ou não tão surpreendente, uma vez que nossos caminhos não são os caminhos de Deus, nem Seus pensamentos nossos pensamentos), é o mais mal-entendido. É composto de duas palavras separadas: “pré”, que significa “de antemão”, e “conhecimento” [2]. Isto tem tomado o significado de que, já que Deus conhece todas as coisas, Deus conhece de antemão aqueles que crerão nEle e aqueles que não crerão, e como resultado disto, Ele predestinou para a salvação aqueles a quem Ele previu que crerão nEle. Em outras palavras, o que Deus conhece de antemão ou prevê é a fé das pessoas
Presciência é uma idéia tão importante que nós estaremos voltando nela em nosso próximo estudo e examinaremos cuidadosamente o sentido em que ela é usada na Bíblia. Porém, aqui, podemos ver algo como uma explanação, mas nunca fará justiça a esta passagem.
Em primeiro lugar, o versículo não diz que Deus conheceu de antemão especificamente o que suas criaturas fariam. Não está falando sobre ações humanas, portanto. Pelo contrário, está falando inteiramente de Deus e do que Deus faz. Cada um destes cinco termos seguem esta forma: Deus conheceu de antemão, Deus predestinou, Deus chamou, Deus justificou, Deus glorificou. Mais ainda, o assunto da presciência divina não são as ações de certas pessoas mas as próprias pessoas. Neste sentido, pode apenas significar que Deus fixou uma atenção especial sobre estes ou os amou de forma salvífica.
Este é o modo em que o termo freqüentemente é usado no Antigo Testamento. Amós 3.2, por exemplo. A Versão King James [3] traduz literalmente as palavras de Deus aqui, usando o verbo “conhecer” (Hebreu yada) – “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades”. Mas a idéia da eleição neste contexto é tão óbvia que a NVI realça o sentido do texto ao traduzir “Escolhi apenas vocês de todas as nações da Terra...”
E há outro problema. Se o palavreado significa que Deus conheceu de antemão o que as pessoas farão em resposta a Ele ou à pregação do Evangelho, e então determina seus destinos baseado nisto, o que, digam-me, Deus poderia ver ou pré-conhecer a não ser uma determinada oposição, da parte de todos os homens? Se os corações dos homens e mulheres são tão depravados quanto Paulo ensinou que eles são – se é verdade que “ ’Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus’” (Romanos 3.10-11) – como haveria alguma chance de Deus prever em algum coração humano algo a não ser descrença?
John Murray apresenta isto de uma forma complementar mas levemente diferente: “Mesmo se fosse garantido que ‘conhecer de antemão’ significa a presciência da fé, a doutrina bíblica da eleição não é necessarimente eliminada ou refutada. Pois é certamente verdade que Deus prevê a fé; Ele prevê tudo que virá a acontecer. A questão então simplesmente seria: em que ponto origina-se esta fé, que Deus prevê? E a única resposta bíblica é que a fé que Deus prevê é a fé que Ele mesmo cria (cf. João 3.3-8; 6.44,45,65; Efésios 2.8; Filipenses 1.29; 2 Pedro 1.2). Assim, Sua eterna presciência da fé é precondicionada por Seu decreto de gerar esta fé naqueles a quem Ele previu como crentes” [4].
Pré-conhecimento significa que a salvação tem sua origem na mente ou eternos conselhos de Deus, não no homem. Isto coloca nossa atenção no amor seletivo de Deus, de forma que algumas pessoas são eleitas para ser conformes à imagem de Jesus Cristo, que é aquilo que Paulo já havia dito.

Presciência e Predestinação

A objeção principal a este entedimento de presciência é que, se está correto, então presciência e predestinação (o termo que segue) significam a mesma coisa e Paulo, portanto, seria redundante. Mas os termos não são sinônimos. Predestinação nos leva a um passo adiante.
Como presciência, predestinação é composta de duas palavras separadas: “pré”, significando de antemão, e “destino” ou “destinação”. Isto significa determinar o destino de uma pessoa de antemão, e este é o sentido em que se difere da presciência. Como já vimos, conhecer de antemão signifca fixar o amor sobre alguém ou a eleger. Isto “não nos informa qual o destino para onde os escolhidos serão levados” [5]. Isto é o que a predestinação supre. Ela nos conta que, tendo firmado seu amor seletivo sobre nós, a seguir Deus nos designa para sermos “conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Ele faz isto, como os próximos termos apresentam, ao chamar, justificar e glorificar estes que escolheu.
D. Martyn Lloyd Jones nos mostra que a palavra grega que é traduzida como “predestinou” tem em seu radical a palavra para “horizonte” (grego, proorizo). O horizonte é uma linha divisória, demarcando e separando o que nós podemos ver daquilo que não podemos ver. Tudo além do horizonte está em uma categoria; tudo antes do horizonte está em outra. Lloyd Jones sugere, portanto, que o significado da palavra é que Deus, tendo conhecido de antemão certas pessoas, as tira da categoria alienada e as coloca dentro do círculo de Seus propósitos salvíficos. “Em outras palavras”, ele diz, “Ele marcou um destino particular para eles” [6].
Este destino é se tornar como Jesus Cristo.

Dois tipos de Chamado

O próximo passo nesta corrente de cinco elos é o que os téologos chamam de chamado eficaz. É importante usar o adjetivo eficaz neste ponto, porque há dois tipos de chamados referidos na Bíblia, e é fácil se confundir quanto a eles.
Um tipo de chamado é externo, geral e universal. É um convite aberto a todas as pessoas a se arrependerem de seus pecados, voltarem-se ao Senhor Jesus Cristo, e serem salvas. É isto que Jesus disse quando falou “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Ou também, quando ele diz “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (João 7.37). O problema com este tipo de chamado é que, por sua própria conta, nenhum homem ou mulher jamais responderá positivamente. Eles ouvem o chamado, mas dão as costas, preferindo seus próprios caminhos a Deus. É por isto que Jesus também diz que “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6.44).
O outro tipo de chamado é interno, específico e efetivo. Isto é, não somente faz o convite, como também providencia a habilidade ou desejo de responder positivamente. É a atração de Deus para Si mesmo ou o trazer à vida espiritual aquele que sem este chamado continuaria morto e distante dEle.
Não há maior ilustração disto que o chamado de Jesus para Lázaro, irmão de Maria e Marta, que havia morrido quatro dias antes. Lázaro em seu túmulo é um retrato de todo ser humano em seu estado natural – morto de corpo e alma, amarrado com faixas, deitado em uma tumba, selada por uma grande pedra. Vamos chamá-lo de volta: “Lázaro, Lázaro. Vem para fora, Lázaro. Nós queremos você de volta. Nós sentimos sua falta. Se você apenas se levantasse pra fora dessa tumba e voltasse para nós, você verá que nós estamos todos ansiosos por ter você de volta. Ninguém aqui irá pôr qualquer empecilho no seu caminho”.
O quê? Lázaro não virá? Ele não quer estar conosco?
O problema é que Lázaro não tem a capacidade de voltar. O chamado é dado, mas ele não pode vir.
Ah, mas deixe Jesus tomar lugar diante do túmulo. Deixe Jesus dizer “Lázaro, vem para fora”, e a história é bastante diferente. As palavras são as mesmas, mas agora o chamado não é um mero convite. É um chamado eficaz. O mesmo Deus que originalmente chamou a criação do nada está agora chamando a vida da morte, e Seu chamado é ouvido. Lázaro, mesmo que estivesse morto há quatro dias, ouve Jesus e obedece à voz do Mestre.
É assim que Deus chama aqueles que ele conheceu de antemão e predestinou à salvação.

Chamado e Justificação

O próximo passo na grande corrente divina de atos salvíficos é a justificação. Já discutimos muito sobre justificação no volume 1 desta série, então não precisamos discutí-la em detalhes aqui. Resumidamente é um ato judicial pelo qual Deus declara pessoas pecadoras como justas diante dEle, não baseado em seus próprios méritos, por eles terem feito algo, mas com base naquilo que Cristo fez por eles, por morrer em seus lugares na cruz. Jesus carregou seus castigos, tomando sobre si a punição pelos pecados dessas pessoas. Tendo sido punidos estes pecados, Deus então imputa a perfeita justiça de Jesus Cristo na conta deles.
O que precisa ser discutido aqui é a relação do chamado eficaz com a justificação. Ou, colocando na forma de uma questão: Por que Paulo coloca o chamado neste lugar da corrente? Por que chamado vem entre conhecimento e predestinação de um lado, e justificação e glorificação no outro?
Existem duas razões.
Primeiro, o chamado é o ponto em que as coisas determinadas de antemão na mente e conselho de Deus entram no tempo. Nós falamos de “pré” conhecimento e “pré” destinação. Mas estas duas referências ao tempo só têm significado para nós. Estritamente falando, isto não é um instante de tempo em Deus. Porque o fim é o começo e o começo é o fim, “antemão” e “pré” nada significam para Ele. Deus simplesmente “conhece” e “determina”, e isto eternamente. Mas o que Ele já decretou na eternidade torna-se real no tempo, e o chamado é o ponto em que Seu conhecimento eterno de alguns e Sua predestinação daqueles à salvação encontram o que chamaríamos de manifestação concreta. Somos criaturas no tempo. Então é pelo chamado específico de Deus à fé, no tempo, que nós somos salvos.
Segundo, justificação, que vem logo após o chamado na lista de ações divinas, está sempre conectada com fé ou crença, e é por meio do chamado divino ao indivíduo que a fé é imputada na pessoa. O chamado de Deus cria ou estimula a fé. Ou, como nós poderíamos portanto dizer mais acuradamente, é o chamado de Deus que traz para fora a vida espiritual, da qual a fé é o a primeira evidência real ou prova.
Romanos 8.29-30 não contém uma lista completa dos passos na experiência de salvação de alguém, somente cinco dos mais importantes passos tomados por Deus em benefício dos cristãos. Se o texto incluísse todos os passos, o que os teólogos chamam de ordo salutis, teria de listar estes: pré-conhecimento, predestinação, chamado, regeneração, fé, arrependimento, justificação, adoção, santificação, perseverança e glorificação [7]. A lista completa apresenta o assunto. Depois da predestinação, o passo imediato é nosso chamado, de onde vem a fé que leva à justificação.
A Bíblia nunca diz que nós somos salvos por causa da nossa fé. Isto faria da fé algo bom em nós que, de alguma forma, contribuiria com o processo. Mas é dito que nós somos salvos por meio ou através da fé, significando que Deus deve criá-la em nós antes que nós possamos ser justificados.

Glorificou (Tempo Passado)

Glorificação também é algo que estudamos antes, e agora voltamos ao assunto novamente antes que completemos estes estudos de Romanos 8. Significa ser feito como Jesus Cristo, que é o que Paulo disse antes. Mas aqui há algo que devemos notar. Quando Paulo menciona glorificação, ele se refere a isto no passado (“glorificou”) ao invés do futuro (“glorificará”) ou num futuro passivo (“serão glorificados”), algo que talvez esperássemos que ele deveria fazer.
Por que isto? A única possível e também óbvia razão é que ele está pensando no passo final de nossa salvação como sendo tão certa que é possível referir-se a ela como se já houvesse acontecido. E, é claro, ele faz isto deliberadamente para nos assegurar que é exatamente o que acontecerá. Lembra o que ele diz em sua carta aos cristãos em Filipos? Ele escreve “Fazendo sempre com alegria oração por vós... tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.4,6). Este é um atalho para o que estamos descobrindo em Romanos. Deus começou a “boa obra” por conhecer de antemão, predestinar, chamar e justificar. E porque Ele nunca volta atrás naquilo que Ele disse, ou muda Sua mente, nós podemos saber que Ele aperfeiçoará a boa obra até o dia em que nós seremos como Jesus Cristo, sendo glorificados.

Tudo de Deus

Tenho uma conclusão simples, lembrar você novamente que todas estas coisas foram feitas por Deus. São os pontos importantes, os pontos que realmente importam. Sem eles, nenhum de nós seria salvo. Ou se fôssemos “salvos” nenhum de nós continuaria nesta salvação.
Nós temos de acreditar. É claro, nós temos. Paulo já falou da natureza e necessidade da fé nos capítulos 3 e 4 de Romanos. Mas mesmo nossa fé é de Deus ou, como nós provavelmente diríamos melhor, é resultado de Seu trabalho em nós. Em Efésios Paulo diz “porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). Quando somos salvos, primeiramente pensamos naturalmente que temos uma grande participação nisto, talvez por causa de ensinamentos errôneos ou superficiais, mas muito comumente apenas porque sabemos mais sobre nossos próprios pensamentos e sentimentos do que conhecemos de Deus. Mas, há quanto mais tempo alguém é cristão, mais ele se distancia de qualquer sentimento de que somos responsáveis por nossa salvação ou mesmo alguma parte dela, e mais próximos chegamos à conclusão de que é tudo de Deus.
É algo bom que seja de Deus, também! Porque fosse cumprido por nós, nós poderíamos simplesmente descumprí-la e não há dúvida que o faríamos. Se Deus é o autor, a salvação é algo que é feita sabiamente, bem e eternamente.
Robert Haldane, um dos grandes comentarista de Romanos, provê este resumo.
Ao rever esta passagem, devemos observar que em tudo que é dito, o homem não atua em nenhuma parte, mas é passivo, e tudo é feito por Deus. O homem é eleito, predestinado, chamado, justificado e glorificado por Deus. O Apóstolo estava aqui concluindo tudo o que ele havia dito antes ao enumerar tópicos de consolação aos crentes, e está agora pronto para apresentar que Deus é “por nós”, ou em favor de Seu povo. Poderia alguma coisa, então, ser mais consoladora àqueles que amam a Deus, que desta maneira serem assegurados de que a grande preocupação quanto a sua salvação não é deixada aos seus cuidados? Deus cuida até mesmo da promessa deles. Deus, tomando tudo sobre Ele mesmo. Ele se fez responsável por eles. Não há lugar, então, para risco ou mudança. Ele fará perfeito aquilo que concernia a eles [8].
Anos atrás, Harry A. Ironside, um grande mestre da Bíblia, contou uma história sobre um velho cristão a quem pediram que desse seu testemunho. Ele contou como Deus o procurou e encontrou, como Deus o amou, chamou, salvou, libertou, purificou e curou – um grande testemunho da graça, poder e glória de Deus. Mas depois do encontro um irmão provavelmente legalista o chamou num canto e criticou seu testemunho, como certamente alguns de nós faríamos. Ele disse “eu apreciei tudo o que você contou sobre o que Deus fez por você. Mas você não mencionou a sua parte nisto. Salvação é na verdade participação nossa e participação de Deus. Você deveria ter mencionado algo sobre a sua parte”.
“Ah, claro”, o velho cristão respondeu. “Peço desculpas por isso. Me perdoe. Eu realmente deveria ter dito alguma coisa sobre a minha parte. Minha participação foi fugir e a participação de Deus foi correr atrás de mim até que pudesse me pegar” [9].
Todos nós fugimos. Mas Deus colocou Seu amor em nós, nos prdestinou a tornar-nos como Jesus Cristo, nos chamou à fé e arrependimento, nos justificou e, sim, até mesmo nos glorificou, tão certo de que Seu plano será completo. Que apenas Ele seja louvado!

NOTAS:

[1] - John R. W. Stott, Men Made New: An Exposition of Romans 5-8 (Grand Rapids: Baker Book House, 1984), p. 101.
[2] - Nota do Tradutor: preferi manter a linguagem do autor em alguns trechos. No nosso caso, é conheceu de antemão e nao “pré-conheceu” ou “presciência”.
[3] - Em nosso caso, Almeida Fiel e Corrigida

[4] - John Murray, The Epistle to the Romans (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 968), p. 316.

[5] - Ibid., p. 318.
[6] - D. M. Lloyd Jones, Romans, An Exposition of Chapter 8:17-39, The Final Perseverance of the Saints (Grand Rapids: Zondervan, 1976), p. 241
[7] - Há uma clássica exposição da ordo salutis em Redenção – Consumada e Aplicada, de John Murray
[8] - Robert Haldane, An Exposition of the Epistle to the Romans (MacDill AFB: MacDonald Publishing, 1958), pp. 407, 408.
[9] - História contada em Ray C. Stedman, From Guilt to Glory. Vol. 1, Hope for the Helpless (Portland Multnomah Press 1978), p. 302 

Fonte: monergismo.com

Papel do Homem diante de Deus


Em uma sociedade onde cada vez mais os papéis ficam indefinidos esse estudo é de grande valia para analisar qual é o verdadeiro papel do homem diante de Deus.

O Homem como Marido
* Deus pretende que a maioria dos homens case: “E disse o SENHOR Deus:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele”
(Gn 2.18).
* O homem deve se apegar à sua esposa, esquecendo qualquer outra mulher:
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher,
e serão ambos uma carne” (Gn 2.24).
* O marido deve ser a “cabeça” de sua esposa, provendo liderança e
assumindo responsabilidades pela direção de toda a família: “… Porque o
marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja… De
sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres
sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Ef 5.19-24).
* O marido deve amar sacrificialmente a sua esposa, estando disposto a
abdicar de todos os seus interesses em favor da santidade dela: “Vós, maridos,
amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se
entregou por ela” (Ef 5.25).
* O marido deve amar e cuidar da sua esposa: “Assim devem os maridos
amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a
sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5.28).
* O marido deve ser compreensível e gentil com a sua esposa: “Igualmente
vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher,
como vaso mais fraco” (1Pe 3.7).
* O marido deve conceder à sua esposa plena honra como “co-herdeira” em
Cristo: “ … sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não
sejam impedidas as vossas orações. ” (1Pe 3.7).
1 E-mail para contato: felipe@monergismo.com. Traduzido em outubro/2010.
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
www.monergismo.com
2
* O marido tem o dever de ter intimidade sexual com a sua esposa: “O
marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao
marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o
marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu
próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por
consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à
oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela
vossa incontinência” (1Co 7.3-5).
O Homem como Pai
* O homem deve (até onde Deus lhe der a graça) ter muitos filhos,
produzindo assim uma semente santa: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a
terra, e sujeitai-a” (Gn 1.28).
* O homem tem o dever primário na disciplina dos seus filhos: “Além do que,
tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os
reverenciamos” (Hb 12.9 com Dt 6.6ss, Ef 6.4).
* O homem não deve exasperar ou frustrar seus filhos sendo arbitrário,
inconsistente ou injusto em sua liderança: “E vós, pais, não provoqueis à ira a
vossos filhos” (Ef 6.4).
O Homem como Líder Espiritual
* O homem tem responsabilidade primária pela santificação da sua esposa:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a
si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem
da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula,
nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.25-27).
* O homem tem responsabilidade primária pela educação cristã dos seus
filhos: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na
doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4). “E estas palavras, que hoje te
ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantandote…”
(Dt 6.6ss).
* O homem tem responsabilidade primária de exercer liderança na igreja:
“Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o
marido, mas que esteja em silêncio” (1Tm 2.11ss). “As vossas mulheres
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
www.monergismo.com
3
estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam
sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa,
interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as
mulheres falem na igreja” (1Co 14.34-35).
Pensamentos Finais
O homem foi criado à imagem de Deus para refletir a sua glória, honra e
domínio. Porque os homens pecadores estão em rebelião contra Deus, eles
não podem senão atacar a Sua imagem, especialmente em termos do que
significa ser um homem.
No mundo moderno, talvez não haja doutrina mais ofensiva hoje (além
daquela de Jesus ser o único caminho para Deus) do que o dever das esposas
piedosas respeitarem, honrarem e se submeterem à liderança dos seus
maridos.
Contudo, que nunca entreguemos ao Adversário qualquer munição, mas sim
nos foquemos no homem como sendo líder piedoso, amoroso e abnegado no
lar. Não somente isso desarmará os ataques contra a verdade da Palavra de
Deus, mas também assegurará que os nossos lares sejam pacíficos,
gratificantes e alegres para todo membro da família.

http://highlands-reformed.com/

Por que Cristo Morreu?

 

 

POR QUE CRISTO MORREU?

"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo espírito".
Este é um universo sofredor. Sofrer é um fato mais patente em todos os lugares e entre todas as classes. Não há classe isenta de sofrer. O rico sofre tanto quanto o pobre; exaltado tão bem quanto o humilde. Os homens sofrem no corpo, na mente e na alma. Se todos os corações sofredores pudessem ser colecionados e mostrados, quem ia querer olhar tal cena? Os santos (salvos ou crentes) sofrem tanto quanto os pecadores. Todo este sofrimento é um resultado poderoso da devastação que pecado fez.
Mas nosso texto fala do sofrimento de alguém que foi Justo. E a pergunta diante de nós é: Por que Jesus Cristo sofreu? Por que Cristo morreu?
Negativamente.
1. Não por ter sido vencido por seus inimigos. Os homens vencem e matam uns aos outros desde os dias em que Caim matou Abel. E de acordo com as aparências, Cristo foi perseguido à morte por seus inimigos. Onde quer que fosse ele era criticado, caluniado e abusado. Do primeiro ao último sermão, os homens estavam determinados para destruí-lo. Mas Jesus não morreu como uma vítima das circunstâncias criadas por eles. "Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem". João 19:11. "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos"? Mateus 26:53.
2. Ele não morreu para fazer Deus nos amar. Cristo não comprou o amor de Deus pelos pecadores. Foi o amor que fez Cristo morrer por nós. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". João 3:16. Cristo foi o canal pelo qual o amor de Deus nos alcançou. Sua morte foi a maneira pela qual Deus mostrou seu amor por nós. O amor sempre faz algo para aqueles que são os recipientes deste amor. O amor de Deus entregou Cristo nas mãos da Justiça, com todos os nossos pecados sobre ele, e a Justiça o sentenciou à morte. O amor levou Cristo ao tribunal da Justiça e clamou: "Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas". Zacarias 13:7.
O amor de Deus é soberano, não é um amor baseado num relacionamento, não é um amor por obrigação.
Positivamente.
1. A morte de Cristo foi voluntária. Os injustos são os únicos punidos contra a vontade. A Justiça não punirá o inocente contra a vontade dele. A morte de Cristo foi o ato voluntário da vontade de Deus. Sua obediência até a morte não foi uma obediência forçada, mas voluntária e amorosa. Cristo estava feliz por morrer pelos pecadores. Foi amor tanto pelo Pai quanto por nós que o fez morrer. Falando sobre sua morte, ele disse: "Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai". João 10:18.
2. A morte de Cristo foi expiatória e substituinte. Ele morreu, o justo pelo injusto. Sacrifício é algo feito pelo interesse dos outros. Sacrifício é tirar algo de si para dar aos outros. O sacrifício dói em quem o fez, mas ajuda quem o recebe. A morte fez Jesus clamar: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste"? Mateus 27:46.
3. A morte de Cristo teve um propósito. Havia um desígnio em sua morte. Ele não morreu por acaso, isto é, sem qualquer objetivo definido aos resultados. Os homens fazem muitas coisas assim. Mas Jesus Cristo teve um objetivo claro em sua morte e também é capaz de assegurar os resultados. Nosso texto nos dá o propósito pelo qual Cristo morreu: foi para levar-nos a Deus.
Os homens, por natureza estão longe de Deus, Não é uma distância física entre nós e Deus. A distância é moral, é de culpa. A Justiça de Deus nos olha com desagrado, e assim aproximar-nos de Deus é receber o favor de sua Justiça. E não há que nos possa reconciliar ao favor da Justiça de Deus menos que a morte de Cristo. "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto". Efésios 2:13.
4. A morte de Cristo foi poderosa, o maior de todos os milagres. O poder de morrer é o maior de todos os poderes.
(1). Poderosa em sua natureza. Não poderia confiar em Cristo se ele fosse uma vítima sem poder para livrar-se a si mesmo em sua morte. Se fosse Cristo somente uma vítima em sua morte, ele nem poderia me ajudar em minha morte. Mas, Cristo Jesus morreu com o propósito de salvar o pecador da morte.
(2). Poderosa em seus efeitos. O sangue de Cristo não foi derramado em vão. Ele não morreu à toa e por isso não ficará desapontado com os resultados de sua morte. No Calvário, Cristo satisfez a lei da justiça de Deus no lugar do pecador eleito. Ele morreu para levar-nos a Deus e por isso trará muitos filhos à glória. O Príncipe da nossa salvação foi aperfeiçoado através do sofrimento! Não aperfeiçoado no seu caráter essencial, mas sim oficialmente, como Salvador. Jesus Cristo não tinha pecado e era perfeito mesmo, mas não podia ser um Salvador perfeito sem morrer. "Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só, mas se morrer, dá muito fruto". João 12:24. Deus disse sobre seu Filho: "O meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si". Isaías 53:11. Se Cristo no Calvário levou minhas iniqüidades, então minha justificação é certa. Ele não levaria meus pecados e então deixa de mim justificar. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou". Romanos 8:28-30.

Autor:  C. D. Cole
Fonte: www.obreiroaprovado.com 

Templo Ou Teatro?

 

Um Templo ou um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: "Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a 'dúvida sincera' de vocês é muito melhor do que a fé".
Talvez o leitor diga: "Mas ninguém fala desta maneira".
É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista.
O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?
Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.
 Charles H. Spurgeon

Quando Deformamos o Verdadeiro Deus


Quando Israel caiu nas garras das religiões de fertilidade, o Senhor não saiu de cena. Não era essa a questão: [na verdade o que ocorreu foi que] começaram a interpretá-lo cada vez mais como um deus da fertilidade. Sem que se dessem conta, transformaram o Senhor conforme a imagem de um deus da fertilidade. Encontramos exemplo disso no bezerro de ouro no Sinai (Ex. 32) e no culto aos bezerros em Betel e Dã (1Re. 12:28ff). A intenção de Israel e de Jeroboão [o rei] não era introduzir um outro novo deus. Queriam, sem dúvida, honrar ao Senhor. Porém, dispuseram-se a fazê-lo por meio da imagem de um cabrito, símbolo da fertilidade. Quando se começa a ver o Senhor como um deus da fertilidade, o passo [seguinte] em direção a[o deus] Baal é tampouco demasiado grande, pois, se o Senhor é um deus da fertilidade, então ele já não enfrenta mais a Baal, posto que Baal e o Senhor passam a se complementar mutuamente. Afinal de contas, ambos lidam com a fertilidade.
Para Israel, oferecer sacrifício aos baalins também não era, de forma alguma, afastar-se do Senhor. Claro que não! Pois o Senhor e Baal não eram mais rivais, e sim complementares. E, quando chegavam profetas dizendo “vocês apostataram do Senhor e se contaminaram ao seguir os baalins”, eles respondiam: “Não diga isso! Nem mesmo passou por nossa cabeça a ideia de abandonar o Senhor”, e acreditavam estar com razão ao retrucar dessa forma.
De modo semelhante, existem hoje em dia cristãos e teólogos que têm a boca cheia de palavras e de termos bíblicos, mas que lhes atribuíram um conteúdo completamente distinto que já não tem a ver coisa alguma com o sentido bíblico.
Foi exatamente isso que ocorreu com Israel. Quando o motivo da fertilidade começou a dominar o povo, o Senhor não foi abolido [culturalmente], mas foi efetivamente deformado [e transformado] em um Deus que só tinha o nome em comum com o autêntico Senhor. [...]
—–
O Autor: Meint R. van den Berg (1928-2001), pastor e missionário holandês, formou-se em teologia em Kampen, pastoreou diversas congregações em seu país e serviu no campo missionário sul-africano durante vários anos. É autor de diversos comentários bíblicos, de obras teológicas e de contos de ficção.
Traduzido por: Lucas G. Freire (Dez. 2009).

O Casamento Está Falido?


Há anos a instituição do casamento vem sendo atacada e demolida por uma sociedade sem Deus. Rotula-se ele como algo ultrapassado, que pode ter servido em algum momento na evolução sociológica do homem, mas que não tem mais lugar em pessoas modernas e esclarecidas. Esse ataque começa sempre pelo questionamento de sua indissolubilidade. Casamentos existentes são quebrados com a maior facilidade e, por maior que tenha sido a cerimônia original, a quebra ocorre sem a menor cerimônia.

Seguindo o mesmo curso de pensamento, a sociedade passa a considerar o passo inicial como desnecessário. Deve-se “experimentar” a vida conjunta, “para ver se dá certo”. E “se der certo”, para que se casar? A felicidade, nos dizem, não depende da cerimônia.

Aliado ao descaso e desprezo pelo casamento, temos a banalização do mesmo, com resultados possivelmente até mais destrutivos. Personalidades famosas, do mundo esportivo ou televisivo, “casam-se” em um festivo evento social, às vezes até no meio de comprometimentos conjugais passados que ainda não foram formalmente ou juridicamente encerrados. Os novos relacionamentos são detonados poucos meses depois, com grande publicidade e, invariavelmente, com grandes somas de dinheiro trocando de bolsos.

Infelizmente, já notamos reflexos dessas atitudes dentro das nossas igrejas. Não somente os abandonos, o repúdio e o divórcio tornam-se cada vez mais comuns, mas muitos jovens já não dão a importância devida à cerimônia de casamento. Aceitam naturalmente a sua banalização.

Enquanto muitos cristãos estão desenvolvendo idéias bem diferentes das que a Bíblia apresenta, é incrível que alguns alertas surjam até dos que estão do lado de fora das igrejas evangélicas. O conhecido Stephen Kanitz escreveu alguns pensamentos sóbrios sobre o formalismo que cerca os relacionamentos matrimoniais e sobre a cerimônia de casamento (VEJA, 1873, 29.09.04). Nesse artigo, que tem recebido ampla circulação, ele disse:
A essência do contrato de casamento é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais, no altar, acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato... Banalizamos a frase
mais importante do casamento. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro.

Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível.

Essa colocação do Kanitz é verdadeira. Os integrantes do casal, ao longo do seu percurso após o casamento, encontrarão muitos homens e mulheres, que poderiam até ser classificados como “ideais”, mas o contrato firmado deveria elevar o bom senso acima da atratividade pontual. Ele continua:


O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa
incerteza...

Kanitz chama a nossa atenção, portanto, para muitos aspectos que estão sendo deixado de lado, em nossa sociedade e que contribuem progressivamente para a dissolução dela mesma.

Acho digno de nota que algumas pessoas estejam verificando a necessidade de dar importância ao formalismo e aos votos que são proferidos em uma cerimônia de casamento. Mas para nós, cristãos, este momento envolve mais do que um contrato horizontal fechado entre dois lados – Deus está envolvido na cerimônia e nas promessas proferidas e isso é um pacto solene feito na sua presença (Ml 2.13-16). Nesse pacto, Deus está bem mais comprometido, do que as partes humanas poderiam estar, com o cumprimento do acordo.

O projeto de Deus foi e ainda é bom! – um homem e uma mulher – pessoas de sexos opostos, deixam suas famílias para formar uma união singular – uma nova família independente. Esta é a regra dada pelo Criador à raça humana, para sua própria preservação! Paulo compara o relacionamento entre Jesus e a sua igreja àquele existente entre um marido e uma esposa (Ef 5.25-32). Nossos casamentos devem ilustrar esse tipo de amor, aos nossos filhos e ao mundo!

Assim, quando participarmos da próxima cerimônia de um casamento cristão, não vamos pensar que estamos apenas atravessando os trejeitos de uma convenção social em extinção. Não vamos concentrar nossas mentes nos aspectos cansativos da ocasião. Vamos nos lembrar de que estamos tendo o privilégio de participar e testemunhar a realização de um pacto solene, igualmente testemunhado e atestado por nosso Deus Santo e Soberano.


Solano Portela.

O Reino da Graça e o Reino da Glória



"Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação."
Hb. 9: 28.

 
A mensagem do Evangelho gira em torno de dois grandes eventos: O primeiro é a segunda vinda de Cristo. Assim como há dois adventos distintos, há dois reinos distintos, trazidos à luz pelo Evangelho: O reino da graça e o reino da glória.
Quando Cristo começou a pregar "... e o reino de Deus está próximo..." (Mar. 1: 15) não estava se referindo ao futuro e imortal reino da glória. Ele se referia ao reino da graça que havia de estabelecer por seu amargo sofrimento e morte uma vez que este reino existia por propósito desde a eternidade, e por virtude de uma promessa desde a queda do homem (Rom. 16: 25; Gên. 3: 15).
Disse o escritor da epístola aos Hebreus: "Acheguemo-nos, portanto, confiantemente junto ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça..." Heb. 4: 16. O trono da graça representa o reino da graça, uma vez que a existência de um trono implica a existência de um reino. Nos é dito que quando Cristo subiu ao céu assentou-se no trono (Heb. 1:3; Heb. 8: 12). Ele não se assentou no trono da glória; assentou-se no trono da graça, em seu trono sacerdotal do ofício intercessório. O profeta disse: "...Ele."assentar-se-á no seu trono e dominará e será sacerdote no seu trono..." Zac. 6: 13.
O reino da glória existe ainda que por virtude da promessa e não será estabelecido antes do segundo advento de Cristo. O próprio Jesus disse: "Quando vier o filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono de sua glória, e toadas as nações serão reunidas em sua presença..." Mat. 25: 31, 32.

 
Confundindo os Dois Reinos
Na época do primeiro advento, o povo judeu esperava um Messias que haveria do assentar-se no trono de Davi. Quando ouviram João Batista proclamar, "O reino dos céus está próximo", encheram-se de visões da glória de um reino literal. Nem mesmo João Batista e os discípulos de Jesus tinham uma idéia correta do propósito do primeiro advento de Cristo, nem idéia da natureza do reino que Ele estava para estabelecer. No início eles não podiam distinguir claramente entre o reino da graça e o reino da glória. A mesma confusão existe ainda na mente de muitos que professam a fé cristã. Quando pessoas dizem que a vinda de Cristo é sua vinda ao coração de seu povo estão confundindo tragicamente o reino da graça e o reino da glória. Quando os crentes começam a buscar aqui e agora um cumprimento espiritual, uma segunda benção de perfeição empírica, estão tentando trazer certos elementos do reino da glória ao reino da graça, trazer o "ainda não" dentro do "já". 1 João 3:2.

 

 
O Reino da Graça
Um reino se estabelece costumeiramente por guerra e conquista. O reino da graça não é uma exceção. Ficou já estabelecido pelo conflito e a conquista do reino da morte e do diabo por parte de Cristo. "E despojando os principados e as potestades, publicamente as expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz." Col. 2: 15. "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele igualmente participou para que por sua morte destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo." Heb. 2: 14.
Quem são os que entram no reino da graça? Os pecadores; os pecadores de toda classe. Porquanto Graça significa favor ou misericórdia para com aqueles que são pecaminosos, Perdidos e indignos. Os santos anjos não necessitam, nem tão pouco recebem, graça e não é previlégio deles entrar neste reino. Este reino é para o aleijado, para o coxo, para o cego. Do seu trono de graça Cristo advoga ante a Justiça para que os pecadores possam ser admitidos neste reino. Neles mesmos não têm direito à entrada. Somente merecem a morte e extermínio. Porém Cristo intercede pelos transgressores. Isa. 53: 1. Ele fez propiciação por seus pecados e satisfez a justiça em seu favor. Entre Deus e o pecador só fica a misericórdia— a infinita misericórdia. Graça significa ser aceito apesar de ser inaceitável. E ser completamente compreendido e completamente perdoado. Os que procuram fazer dignos a si mesmos ou mais aptos para entrar no reino da graça estão cavando de fato profundas valas diante das portas do reino que nunca poderão atravessar.
Não obstante, não devemos imaginar que a graça colocará um homem no céu contra sua própria vontade. Lá só podem entrar os que crêem. E não é que a fé possa ser autogerada pelo pecador (porque a graça, e unicamente ela, inspira e cria fé), mas a fé é o pecador dizer "sim" ao convite de Deus para entrar pelas portas da justificação e aceitação.
Se unicamente os pecadores podem entrar no reino da graça, quem, então, são os súditos desse reino? A resposta é: Os pecadores. Se não fossem pecadores não seria o reino da graça. Os súditos deste reino comem, bebem, e respiram graça. E a graça é somente para pecadores. O apóstolo Paulo disse: "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus." Rom. 3: 23. Aqui temos uma definição do pecado. Significa estar destituído da glória de Deus. (Tanto no hebraico como no grego, a palavra para pecado em geral, significa ficar aquém, errar o alvo). Não somente estamos todos destituídos da glória de Deus, mas também continuamos cada vez mais destituídos da glória de Deus. Portanto, todos os santos na terra são ainda pecadores e continuam sendo pecadores em si mesmos tanto tempo quanto são destituídos da glória de Deus. E na mesma medida de tempo estão necessitados da graça.
"Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus." Rom. 5: 1, 2.
Os que estão justificados (os que estão dentro do reino da graça) se alegram na esperança da glória de Deus. Eles esperam, gemem, suspiram sua completa restauração como filhos de Deus. Juntamente com Paulo exclamam: "Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo: se com eles sofrermos, para que também com ele sejamos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós. Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção de nosso corpo. Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como se espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos." Rom. 8: 17, 18; 22-25.

 
Agora bem, estes são os fatos que têm sido claramente expostos: o povo de Deus ficará glorificado coletivamente quando seus corpos forem transformados por ocasião do segundo advento de Cristo. Todavia, eles não alcançaram essa glória. Pacientemente, porém, aguardam-na em esperança. Enquanto isso, eles estão carentes dessa glória de Deus, e nesse sentido são pecadores ainda, e confessam continuamente —se assim não fizessem seriam mentirosos (1 João 1: 8). E enquanto esperam que essa glória seja revelada neles, necessitam da graça. A graça deverá reinar até a glória, tal como declara Paulo: "...assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo Nosso Senhor." Rom.5:21.
A graça é livre (ainda que não barata). Contudo é duro para o orgulhoso coração humano aceitar humildemente a dádiva que contém o custoso preço do tesouro celestial. E se os pecadores se pudessem convencer de sua necessidade de graça, sempre ficaria neles uma tendência de quererem livrar-se dela tão logo que pudessem. Querem "pagar sua própria passagem". Ou, como Martinho Lutero adverte em seu comentário sobre o livro de Romanos, algumas vezes se acham bem apressados para chegar a ser puros e santos, impecáveis. O reformador assemelha a situação do resgatado pecador com a do homem que foi socorrido pelo bom Samaritano. Cristo, o Bom Samaritano, aplica vinho e azeite às feridas do pecador e o conduz até a estalagem para o tratamento final. Encomenda o homem ao cuidado do estalajadeiro com promessa de pagar tais serviços em seu retorno. O paciente começa a convalescer. Todavia, nenhuma coisa poderia fazer mais dano do que supor-se completamente bom. Como disse Lutero, a igreja é uma estalagem ou enfermaria para o enfermo convalescente. E o redil da graça onde os internados são objetos de cuidado e solicitude especial de Cristo. Enquanto se tenham a si mesmos por pecadores que imploram a misericórdia de Deus, o Senhor os considerará com justos. Quando os espíritos fanáticos na Alemanha tantaram elevar-se acima da justificação pela fé Lutero exclamou: "Livre-me o Senhor de uma igreja onde há somente santos. Quero estar em companheirismo com os humildes, débeis e enfermos que reconhecem e sentem seus pecados e que gemem e clamam continuamente diante de Deus do fundo de seus corações para obter consolação e apoio."
A verdade de que se obtém justificação continuamente pela graça (Rom. 3: 24. Note o tempo presente contínuo) é conforto e consolação para os santos. Não é isto uma almofada macia onde os hipócritas possam descansar suas cabeças, nem um convite ao presunçoso para brincar sobre a misericórdia de Deus. No caso de que algum espírito antinomiano (contra a lei) perverta a verdade encorajando-se a pecar sem que sinta remorso algum na consciência, queremos dizer isto: aquele que pensa que pode continuar violando a Lei de Deus para que a graça abunde (Rom. 6: 1; 1 Jo. 3: 9) é ladrão e roubador que tenta alcançar o aprisco da graça entrando por outra via que não é a porta (Jo. 10: 1). Os que vivem debaixo da graça sabem quanto custou a Deus e a Cristo consegui-la para eles. Tais se deleitam na Lei de Deus segundo o homem interior e seu único lamento é saber que sempre estão muito abaixo de suas exigências (Rom. 7: 22-25). Preferem morrer a pecar deliberadamente. Contudo, compreendem que os melhores atos de suas vidas são indignos diante de Deus.
A Lei de Deus não foi posta de lado pela morte de Jesus; são sua penalidade e condenação para com os súditos da graça que foram canceladas. A Lei ainda cumpre sua missão de magnificar o pecado diante do crente para dar-lhe consciência permanente de que a graça deve continuar abundando. (Rom. 5: 20).

 
Continua...

Uma Parábola Calvinista



Suponha que vocês estão em uma prisão condenados eternamente pelos seus atos e transgressões e não há ninguém que queira pagar a fiança.

Então aparece um Homem e diz: Quero pagar a fiança destes homens!
O delegado pergunta: De todos eles?

O Homem diz: Não! Só daqueles três homens ali no canto.
Delegado: Então você não pode pagar por todos?
Homem: Posso pagar por todos, mas só quero estes.
Delegado: E vai condenar os outros a prisão eterna?
Homem: Eles apenas receberão o pagamento pelo seu pecado.
Delegado: Você é injusto!
Homem: Injusto, eu? Só haveria justiça se salvasse a todos? Não os coloquei ai, eles que se colocaram neste estado, disse que se me desobedecessem iriam parar na prisão, mas deram ouvidos a um mentiroso que andava na fazenda e me desobedeceram. Deixando-os ai mostro minha justiça, pois pagarão pelos próprios atos, e com estes três mostro minha misericórdia, pois os livrarei do cárcere.
Delegado: Mas porque só estes três?
Homem: Porque eu os quero, escolhi para mim, construi uma nova fazenda e quero levá-los comigo.
Delegado: Mas estes pecaram como os outros, o que eles fizeram para merecer isto?
Homem: Nada! Decerto que merecem a prisão, mas o que tem você se eu que sou misericordioso quero levá-los.
Delegado: Se fosse misericordioso levaria todos, não?
Homem: Não! Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
Delegado: Mas o preço é alto e até hoje ninguém pôde pagar.
Homem: Eu pago com minha vida.
Delegado: Ok! Vou tirar os três.
Homem: Não! As chaves da prisão são minhas, tiro quem eu quiser. E em verdade te digo que os que eu escolher Jamais voltarão à prisão, pois o valor está quitado.

O Homem então chega à cela, abre e tira três homens que já havia escolhido. Então um dos que ficaram pega em seu braço e diz: Senhor! Senhor! Em tua fazenda trabalhamos e fizemos o que disseste e agora nos deixa na prisão? Então o Homem fala:

“Apartai-vos de mim praticantes de iniqüidade, nunca vos conheci. Estão ai pelos seus atos não pelos meus.”



***
À todos aqueles que ainda afirmam a Soberania de Deus nestes dias de cristianismo antropocêntrico.
fonte: soberanagraça