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O QUE É UM QUIASMA? INTERPRETAÇÃO BÍBLICA



Por Joelson Gomes
Do Seminário Teo. Evan. Congregacional em João Pessoa/PB

  

Bruce Waltke disse certa vez que para entender a Bíblia deve se entender primeiro como ela funciona, e isso é uma grande verdade. Quando não se entende como a Bíblia funciona fica-se num nível de conhecimento superficial, pois existem vários níveis de conhecimento. E um fator muito importante para entender as Escrituras é conhecer o que é um quiasmo, pois a Bíblia está cheia deles.
 Quiasmo ou Quiasma (em grego: χιάζω, chiátsō, "formar como a letra Χ") é uma figura de linguagem ou uma figura de música em que elementos são dispostos de forma cruzada. O nome se deriva da letra grega X (Chi), e é em latim chiasmus, como ainda hoje no inglês, alemão e outras línguas, e sofreu uma alteração no português por causa da pronúncia do italiano, que pronuncia o ch como k. É uma figura de estilo que envolve a repetição, na ordem inversa e ao redor de um ponto central, de alguns elementos de uma sentença. Para entender o que o autor quer passar com a passagem deve-se entender onde está o centro do quiasmo. Observe estes exemplos do Antigo Testamento:
      1-    Isaias 6.10:

                        A- "Torna insensível o coração deste povo,

                           B- endurece-lhe os ouvidos

                                   C- e fecha-lhe os olhos,

                                   C1- para que não venha ele a ver com os olhos,

                        B1- a ouvir com os ouvidos

                     A1- e a entender com o coração, e se converta e seja salvo."


  
Veja que o centro da mensagem está na letra C, o que vem antes ou depois apontam para esta realidade: ”e fecha-lhes os olhos”. E note como A combina com A1, B com B1, e C com C1.




        2-    Amós 5.4b-6:



            A. Buscai-me e vivei;

                 B. Porém não busqueis a Betel

                    C. nem venhais a Gilgal

                      D. nem passeis a Berseba;

                   C. porque Gilgal certamente será levada cativa,

                B. e Betel será desfeita em nada.

           A. Buscai ao Senhor e vivei.



Veja agora um exemplo mais simples no Novo Testamento em Marcos 2.27:


              a.O sábado foi estabelecido

                  b.por causa do Homem

                  b1.e não o homem

            a1.por causa do sábado


  

As vezes o quiasmo é formado por capítulos inteiros ou blocos de capítulos. Observe este quiasmo em alguns capítulos do Êxodo:

             a.24,15b-18: a nuvem sobre o Sinai

                    b.25,1-31,11: normas para construir o santuário

                     c.31,12-17: normas relativas ao sábado

                        d.31,18-34,35: ruptura e renovação da aliança

                    c.35,1-3: normas relativas ao sábado

                  b.35,4-40-33: construção do santuário

             a.40,34-38: a nuvem sobre a Morada


Assim, pode-se achar quiasmos em toda a Bíblia, o leitor interprete deve estar atento aos mesmos para entender o funcionamento de cada passagem, e os professores de exegese dos seminários devem estar atentos a isso para mostrar aos seus alunos.

Hermenêutica, que Bicho é Esse? Palestras Para Jovens Teologia Fácil


Hermenêutica é um ramo da filosofia que se debate com a compreensão humana e a interpretação de textos escritos. O termo "hermenêutica" provém do verbo grego "hermēneuein" e significa "declarar", "anunciar", "interpretar", "esclarecer" e, por último, "traduzir". Significa que alguma coisa é "tornada compreensível" ou "levada à compreensão". Encontra-se desde os séculos XVII e XVIII o uso do termo no sentido de uma interpretação correta e objetiva da Bíblia.
Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese deriva do grego exegeomai, exegesis; sentido é de extrair, externar, exteriorizar, expor; ou seja, um bom exegeta não insere nada no texto e sim extraí dele.

 
A exegese pode ser de cinco tipos.
a)Exegese Estrutural – Doutrina que sustenta que o significado do texto bíblico está além do processo de composição e das intenções do autor.
b)Exegese Gramático-histórica – princípio de interpretação bíblica que leva em conta apenas a sintaxe e o contexto histórico no qual foi composta a Bíblia.
c)Exegese Teológica – Princípio de interpretação bíblica que toma por parâmetro as doutrinas sistematizadas pelos estudiosos da Igreja.
d)Texto e Contexto – O texto bíblico é a passagem focalizada como um todo significado dependente do contexto para interpretação.O contexto é o que vem antes e depois do texto .
e)Contexto Bíblico e Histórico – O contexto bíblico realiza-se na própria Bíblia. O Contexto histórico leva em consideração a época em o autor escreveu. Nalguns casos a própria Bíblia oferece o contexto histórico, mas noutros, é preciso recorrer a livros que abordem questões culturais e históricas.
Na História do Antigo Testamento e da Igreja eram encontrados alguns tipos fundamentais de exegese tais como:
a)Exegese Rabínica – Os judeus interpretavam a Escritura letra a letra, por causa da noção de inspiração que tinham. Se uma palavra não tinha sentido perceptível imediatamente, eles usavam artifícios intelectuais (alegorizavam), para lhe dar um sentido, porque todas as palavras da Bíblia tinham que ter uma explicação.
A Igreja primitiva herdou muito do rabinismo.
Eles encontraram nela vários sentidos, a saber: literal, pleno e acomodatício
Literal: Sentido inerente às palavras, expressão pura e simples da ideia do autor.
Pleno: fundado no literal, mas que tem um aprofundamento não revelado pelo autor. Deus. A palavra do profeta refere uma situação histórica; a palavra de Deus refere o futuro.
Acomodatício: é a acomodação a um sentido à parte que combina com as palavras. É a Bíblia aplicada à realidade apenas pela coincidência dos textos. Por exemplo, em Mateus se lê "do Egito chamei meu filho" …para que se cumprisse a Escritura. Mas o sentido, ou seja, a aplicação original deste trecho não se referia ao Filho de Deus, mas à saída do Povo do Egito. Outro exemplo de acomodação é a aplicação a Maria dos textos do livro da Sabedoria. Estes são mais literatura que Escritura. Todavia, crendo-se na inspiração, se aceita que as palavras do autor podem Ter uma significação mais profundo que a original.
b) Exegese Católica
Na exegese católica, partia-se dos escritos dos pais da Igreja para a Bíblia. Para a cristandade defensora dessa exegese, a Bíblia dizia aquilo que os pais da Igreja já haviam dito. Hugo de São Vítor chegou a dizer: "aprende primeiro o que deves crer e então vai à Bíblia para encontrares a confirmação". Principalmente na idade média, a exegese esteve de mãos atadas pelas tradições e pela autoridade dos concílios. A regra era apegarem-se ao máximo aos métodos tradicionais de interpretação valorizando mais a tradição e menos a Bíblia.

 
A Exegese Protestante
Surgiu do protesto de alguns cristãos contra a autoridade da Igreja como intérprete fiel da Bíblia. Lutero instituiu o princípio da "sola scriptura" (só a Escritura), sem tradição, sem autoridade, sem outra prova que não a própria Bíblia. A partir daquele instante, os Protestantes dedicaram-se ao estudo mais profundo da Bíblia, antecipando-se mesmo aos Católicos.
Por causa deste entendimento de Lutero surgiram várias correntes de interpretação, que podem se resumir em Três: a conservadora, a racionalista e a Hegeliana.
A conservadora parte daquele princípio da inspiração como ditado, em que se consideram até os pontos massoréticos como inspirados. Não se deve aplicar qualquer método científico para entender o que está escrito. É só ler e, do modo que Deus quiser, se compreende.
A racionalista foi influenciada pelo iluminismo e começou a negar os milagres. Daí passou-se à negação de certos fatos, como os referentes a Abraão. Afirmam que as narrações descritas como provam o vocabulário, os costumes, são coisas de uma época posterior, atribuído àquela por ignorância. Esta teoria teve muito sucesso e começaram a surgir várias 'vidas' de Jesus em que ele era apresentado como um pregador popular, frustrado, fracassado.
Hegeliana. Nessa perspectiva, o apóstolo Paulo, entusiasmado, teria feito uma doutrina, que a atribuiu a Cristo (tese). Depois, João, com seu Evangelho constituiu a antítese. Finalmente Marcos fez a síntese.
A intenção dessa postagem é deixar você com "a pulga atrás de orelha", agora você pode estar se perguntando, será que tudo que um dia pensei que era certo, seria apenas por causa do meu ponto de vista e interpretação pessoal? Será que aquilo que eu li, eu entendi mesmo? Será que aquele texto tem outro sentido maior do que a minha percepção?
Deus os Ilumine nessa caminhada!

Os Cristãos Sem Cristo


Dia desses resolvi ler um trecho do evangelho de Lucas, lá pelo capítulo onze; cheguei até a parte em que Jesus foi convidado para um jantar na casa de um fariseu, onde tinha muita comida boa e também, muita frescura. O fariseu sentiu-se escandalizado só por que Jesus não lavou as mãos antes de comer, ah, e não é que o fariseu estivesse com nojinho por achar anti-higiênico comer sem se lavar, mas sim por motivos cerimoniais. Jesus como não gostava dessa hipocrisia religiosa – na verdade ele não gostava de hipocrisia –, foi logo “descendo sarrafo” e disse que assim como limpavam o exterior deviam limpar o interior, que estava cheio de ávida ganância e perversidade. É claro que os religiosos não gostaram nada do que Ele disse, e foram logo se defendendo, o que não adiantou muito, e mais uma vez ficaram sem saber o que dizer, e como de costume começaram a planejar uma forma de confundi-lo através das palavras. Será que não percebiam que Jesus além de conhecer a intenção de seus corações, tinha as repostas para qualquer coisa que dissesse respeito à vida humana e ao reino de Deus?

Jesus nunca se deixou enganar pela hipocrisia dos religiosos de seu tempo; a máscara de santidade poderia até convencer aos outros e até a si próprios, mas nunca a Jesus, e não precisava ser Deus para se ter essa percepção, bastava observar as obras dos tais “santos” de Deus. (Mt 12:1-7; Lc 11:42)

Toda hipocrisia, mentira, falsidade enche o saco, mas a hipocrisia religiosa, mais especificadamente a cristã, é terrível, pois se finge em nome de Deus. Cristo odiou a hipocrisia dos fariseus e odeia a hipocrisia cristã, que valoriza a aparência mais do que o indivíduo, os dogmas mais do que a misericórdia e o MEU mais do que o NOSSO.

Muitos cristãos acham que fama, sucesso e dinheiro, é o que Cristo deseja para todos os seus seguidores. “Não nascemos para ser cauda e sim cabeça”, dizem, e baseados nisso, vivem em busca de prosperidade e reconhecimento. Quanto maior você é, mais será bajulado, admirado, invejado. Status, dinheiro... em algumas igrejas quem manda é quem dá o dízimo maior, quem é mais conhecido ou possui alguma influência. Pra que viver no anonimato se você pode ser um pastor famoso ou um artista gospel conhecido? Pode até ter sua música na novela das oito se tiver fé, claro que é tudo para glória do Senhor, pois esse é o seu propósito, tornar seus amados filhos melhores que os filhos do Diabo. Ledo engano. Enquanto esteve aqui na terra, Jesus nunca procurou holofotes, jamais quis aparecer ou ter qualquer reconhecimento, seu prazer era viver para glória do Pai. Jesus gostava de estar entre pessoas que não eram desejadas pela sociedade de seu tempo e certa feita, agradeceu ao Pai por ocultar aos sábios e instruídos o que foi revelado aos pequeninos (Lc 10:21), imagino que seja por que uns são arrogantes, pois só consideram como verdade, a verdade de seus próprios corações, e outros, humildes o suficiente para aceitar depender unicamente daquele que se declarou como sendo a única verdade.

Diferente de alguns cristãos, Jesus não tinha como objetivo “esfregar” sua verdade na cara de alguém, não estava interessado em provar a torto e a direito que era Deus e não andava por ai com partido político-religioso tentando dominar a capital do império romano para instaurar o culto à sua pessoa, ao contrário, Ele disse que quem quisesse segui-lo deveria viver Dele (Mc 8: 34-35). Também, não ameaçava com inferno aqueles que não o aceitassem como Salvador. Não consigo imaginar Jesus olhando torto para um homossexual, um negro, uma mulher, um deficiente, gente que constantemente sofre preconceitos. Tenho quase certeza que Ele desejaria se achegar a estas pessoas e conversar sobre os mais variados assuntos, pois Jesus gostava de estar com todo tipo de pessoa, definitivamente a intolerância não era característica sua.

A recomendação de Jesus é que seus seguidores sejam sal e luz da terra, ou seja, devem influenciar as pessoas ao redor com a sua fé, demonstrando amor ao irmão da sua própria igreja, ao vizinho, ao colega de trabalho, ou a qualquer outro ser humano, mesmo que este não compartilhe a mesma crença. Todo aquele que está em Cristo ama independente do que o outro É. Jesus é assim, ama e está pronto a receber a qualquer um; aceita cada ser humano, independente da cor, do sexo, da condição social, e deseja que cada um dos seus seguidores sinta, veja e que sobre tudo, AME como Ele.


Ps: Como é difícil lembrar que o reino de Deus me chama para amar a mulher que acabou de sair da clínica de abortos (e, sim, até seu médico), a pessoa promíscua que está morrendo de AIDS, o rico proprietário de terras que está explorando a criação de Deus. Se não consigo demonstrar amor a tais pessoas, então devo questionar se realmente entendi o evangelho de Jesus.

Philip Yancey

Louve ao Senhor no Salmo 100 Parte Final.

II - ANÁLISE LITERÁRIA

2.1 Os paralelismos do Salmo

    Nesta primeira parte do salmo, observamos que o elemento A (Salmo de ações de graça) faz parte de uma expressão que indica gratidão. O elemento A', na segunda cola, é a palavra traduzida por "celebrai com júbilo". Estes dois elementos se relacionam por um paralelismo sintético, ou seja, quando a primeira parte da linha poética é completada pela segunda, ampliando a idéia daquilo que o salmista queria dizer.
Com isto, a melodia para ações de graça pode ser entendida como aquele cântico de
gratidão
dado ou celebrado
com júbilo.
    Na segunda linha poética (vs. 2) os elementos encontrados, nesta parte do salmo, se relacionam de uma forma construta ou sintética; Vejamos: O elemento A (Servi ao Senhor) nos transmite a idéia de um serviço a Deus. A expressão "com alegria" completa a idéia do imperativo encontrado na palavra servir.
    O elemento B (apresentai-vos diante dele com cântico) nos mostra que aquele que serve com alegria, se apresenta diante de Deus com cântico; quando o salmista escreve este verso, percebemos que há uma progressão de idéia nos fazendo compreender que o servo de Deus o serve com alegria se apresentando diante dele, para tal tarefa, com cântico.
    Na terceira linha poética (vs. 3) temos o nome impronunciável de Deus geralmente traduzido por SENHOR. Temos um segundo nome para se referir ao Deus de Israel. Neste verso não temos duas pessoas diferentes, mas uma pessoa só, todavia expressa com nomes diferentes. O objetivo do salmista é expressar duas verdades a partir dos nomes dados a Deus, como veremos mais adiante.
    Na quarta linha poética (vs. 4) temos o elemento A (entrai); o elemento B (porta); o elemento C (com ações de graças). Numa outra linha poética encontramos o elemento B' (átrios) e o elemento C' (hino de louvor). Neste caso, as duas linhas poéticas formam um paralelo sinonímico, quase, perfeito se não fosse à omissão do elemento A na segunda parte; ainda sim, o elemento B está ligado com o elemento B' por transmitirem a mesma idéia (porta e átrio) e o elemento C está ligado com o elemento C', por terem, também, a mesma idéia (ações de graça e hino de louvor).
Vejamos:
Entrai por suas portas com ações de graças



Nos seus átrios com hinos de louvor

Na outra parte poética do versículo 4 temos o elemento D (rendei-lhe graças) e o elemento D' ((bendizei-lhe) formando um paralelismo sinonímico perfeito, onde todos os elementos se relacionam entre si; repetindo a mesma idéia, mas usando palavras diferentes: "rendei-lhe e bendizei-lhe".
    A quinta linha poética (vs. 5), na primeira parte do versículo, observamos o elemento A (bom), fazendo parte de uma estrutura chamada de posição predicativa, onde, na opinião do salmista, o SENHOR é bom (como de fato é). No fim do versículo temos a palavra que forma o elemento B (bondade). Desta maneira, na última linha poética, contemplamos um paralelismo sintético ou construtivo porque há um complemento de idéia. O Deus que é bom manifesta a sua bondade para sempre.
    2.2 A Estrutura do Salmo
    Como o próprio nome diz, este salmo se enquadra dentro do que chamamos de Salmos de ações de graça. Cássio Murilo apresenta este salmo como um hino a YHWH salvador. Sellin o apresenta como estando enquadrado na categoria dos salmos hínicos.
    Embora os nomes sejam diferentes, ambos apresentam a mesma estrutura para classificar este salmo como hino. Ele é composto de: a) convite ao louvor; b) motivação – "porque"; e c) novo convite ao louvor. Todos estes elementos encontramos no Salmo 100; todavia não na ordem descrita.
A palavra traduzida por ações de graça, pode se referir a um sacrifício de ação de graça oferecido num contexto de culto. No versículo 1, esta palavra introduz o salmo nos convocando para adorarmos por meio de ações de graça o SENHOR.
    Este salmo possui uma particularidade: é formado por sete imperativos em quatro versículos. É uma forma singular para exortar ou chamar a atenção para a singularidade da adoração ao Senhor. O salmista queria deixar muito claro a importância de adorar a Deus por aquilo que o SENHOR é e fez
    Nestes primeiros quatro versículos encontramos sete imperativos que são escritos numa sequência progressiva: Celebrar a Deus. O que celebra serve a Deus como forma de adoração. Sabe quem é Deus (o criador e o Deus presente na vida de seu povo). Entra na sua presença e lhe dá graças e lhe bendiz o nome (adorando-O).
    Esta sequência de imperativos é uma preparação para o real motivo desta adoração. Tudo o que foi dito, anteriormente, já é suficiente para rendermos uma adoração imensurável. Mas o principal motivador desta adoração é o que se encontra no último versículo. É nesta parte que está à razão de adorarmos a Deus.
O versículo 5 começa com a conjunção "porque". Nos salmos de ações de graça esta expressão indica o motivo da adoração ou a parte central do poema. Normalmente esta parte dos salmos de ações de graça se liga à introdução, porém neste caso, o versículo vem no fim por causa da estrutura montada pelo salmista por intermédio da sequência progressiva dos imperativos. É a liberdade que a poesia nos dá, transgredir a sequência lógica da escrita.
III – ANÁLISE TEOLÓGICA
    3.1 Comentário do Texto
    O salmo a ser discutido, começa fazendo uma convocação aos moradores da terra para uma adoração que se manifesta por ações de graça. A palavra traduzida por ações de graça, é uma palavra "que corresponde à necessidade espontânea de dar expressão material e pública à ação de graças por qualquer tipo de auxílio ou de benefício. Para a qual tinham por hábito se utilizar os tipos correntes de holocausto ou de imolação (Gn 46.1; Sl 50.14; 56.13; 107.22)". Dentro de um contexto de culto era oferecido esse sacrifício de ação de graça.
    De acordo com a afirmação de Eichrodt, há um motivo para se prestar essa ação de graça: qualquer tipo de auxílio ou benefício; O salmo 100 nos mostrará um benefício para a prática desse tipo de gratidão. Em particular, o salmo aponta à bondade de Deus. Este benefício, gracioso, de Deus em nós é o real motivo para adorarmos ao SENHOR.
    De acordo com Sellin e Càssio Murilo Dias, o salmo de ações de graça é constituído por alguns elementos que, por sua vez, formam uma estrutura, a saber:

  1. Convite ao louvor;

  2. Motivação – "porque"; e

  3. Novo convite ao louvor (geralmente na conclusão).
Entretanto, estes elementos nem sempre aparecem na mesma ordem dada acima, mas se fazem presente.
O salmo começa com o primeiro elemento – convite ao louvor – quando diz: "Celebrai ao SENHOR toda a terra". Contudo, o motivo para adorarmos não aparece como o segundo elemento, mas, apenas, no fim. A conjunção "porque", responsável por introduzir, nestes tipos de salmos, o motivo para a adoração, é encontrada na última linha poética, onde está escrito: "Porque o SENHOR é bom. O salmista nos diz que a razão da nossa adoração, em forma de gratidão, é pela bondade de Deus.
A expressão "o SENHOR é bom", que se encontra na posição predicativa, tem a sua idéia repetida, na sequência, quando o salmista diz que a sua bondade e a sua fidelidade duram para sempre. Desse modo a frase tem o significado de 'bondade verdadeira' ou algo do gênero. A bondade de Deus é fiel e jamais acaba e também nunca falha é algo verdadeiro na vida do seu povo. Com isso, o salmista nos ensina a louvar a Deus consoante ao fato dele ser bom e usar de bondade e de fidelidade para conosco. O versículo poderia ficar assim traduzido: "Porque o Senhor é bom e a sua bondade verdadeira dura para sempre".
    A palavra traduzida por "bondade" é ds,x, (hesed). De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia (DAT), o melhor caminho para entendermos o significado desta palavra é seguir o conceito secular, ou seja, a relação entre uma pessoa e outra.
O ponto central está ligado a atitude de uma pessoa para com a outra, onde aquele que se encontra numa posição de ajudar o faz com base na sua liberdade de querer usar de bondade para com a outra pessoa. Por exemplo: Boaz reconheceu a atitude de Rute para com a sua sogra como sendo um ato de bondade. Rute não tinha a obrigação de ajudar e nem estava presa por uma aliança, mas tomou tal atitude com base na sua liberdade de agir e por um ato de bondade com a sua sogra. Isto é ds,x, (hesed).
Quando chegamos a bondade (ds,x,) divina, ela se refere à sua aliança ou aos seus atos de bondade provenientes do seu próprio Ser? Deus é obrigado a ser bom conosco?
De acordo com o DAT

é óbvio que Deus encontrava-se numa aliança com Israel, que ele também expressava essa relação em hesed, que a hesed de Deus era eterna (observe-se o refrão do Sl 136). Está claro que a hesed não envolve necessariamente uma aliança e nem significa fidelidade a uma aliança...

Portanto a bondade verdadeira de Deus atua na nossa vida não porque Deus está obrigado a fazer isso por causa da aliança, mas porque ele nos ama e tem prazer em agir, bondosamente, em nosso favor. O SENHOR é o Deus de Israel (referindo-se a todos os que lhe pertencem por meio de Cristo) para sempre e a sua bondade (ds,x,), para com o seu povo, também, dura para sempre. Por esta razão o salmista nos convida a aclamar, celebrar este maravilhoso Deus.
Compreendendo o motivo de louvarmos ao SENHOR de todo o nosso coração, fica mais fácil de entendermos o porquê do salmista, antes de dizer o motivo do louvor, escreve a sequência de imperativos progressivos.
O versículo um começa com o imperativo "celebrai". Esta palavra hebraica era usada no contexto de guerra e traduzida por "gritar" (cf. Js 6.5; 1Sm 17.52). Por isso, a tradução da Bíblia de Jerusalém e da NVI, que usam a palavra "aclamai", parece uma melhor opção de tradução. Neste primeiro versículo encontramos o convite para que todos louvem a Deus.
Esta afirmação é embasada pela qualidade da ação verbal encontrada no salmo 100 que indica uma causa para este convite. O verbo está no hifil, isto é, existe uma causa para que este aclamar aconteça; neste caso, é a bondade de Deus. O salmista ordena que todos os povos explodam em louvor, deem gritos de vitórias para louvar a Deus porque ele é bom. A causa deste convite é a bondade de Deus.
O versículo dois nos mostra que estes adoradores da terra são os seus servos e que estes deveriam servir ao seu Deus apresentando-se diante dele para este serviço, como retribuição a sua bondade. Com a presença da expressão com alegria, isso nos indica que este serviço não era algo pesado e, sim, prazeroso na vida daquele que serve ao SENHOR. A segunda parte reforça a idéia da primeira ao dizer: "apresentai-vos diante dele com cântico".
Este tipo de serviço, quando oferecido a Deus, ele consistirá de uma obediência ao SENHOR. Eu obedeço a Deus, e demonstro isso, o servindo com alegria e me apresentando diante dele com cântico de louvor porque eu sei que Deus é bom e a sua bondade verdadeira dura para sempre.
No versículo 3 encontramos um jogo de idéias muito interessante. Na primeira parte da linha poética o salmista apresenta Deus como sendo a força criadora e o Ser que sempre está presente. Ele se utiliza dos nomes hwhy (Yaveh) e ~yhiîl{a,< (elohim).
O salmista diz que nós somos obra das mãos de Deus porque foi ele quem nos fez; neste caso, esta afirmação tem ligação com a palavra ~yhiîl{a>, .
Esta é a mesma palavra usada em Gênesis, no capítulo um, para mostrar Deus como criador de todas as coisas, inclusive do homem. A força criadora do universo é a mesma força que fez o homem a partir do pó da terra e a mulher de sua costela.   
Nesta mesma linha poética temos a afirmação que não somos apenas feitura de Deus, mas constituído seu povo, onde ele é feito nosso pastor. Somos parte do seu pastoreio. Isso denota a idéia de um Deus presente e que cuida de seu povo. A declaração está relacionada com o primeiro nome
que aparece; o nome impronunciável de Deus hwhy, o Deus presente; aquele que se faz presente.
É o mesmo nome que Deus se apresentou a Moisés em Êx 3 e o mesmo nome que esteve presente na vida de Israel em toda a sua história e o nome da Aliança com este povo. O Deus que se faz presente e que criou todas as coisas age de maneira bondosa com a sua criação e com o seu povo escolhido.
    O versículo quatro nos mostra que os adoradores deveriam entrar por suas portas. Parece que o salmista, neste caso, faz uma referência ao Templo, o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. O Templo é tido como o centro religioso da nação de Israel. Entrar pelas portas do Templo, ou como a outra cola poética nos diz: "no seu pátio", era, simbolicamente, entrar na presença deste Deus, visto que a Arca da aliança estava no Templo.
Eles, na presença deste Deus, deveriam dar graças e bendizer. O verbo dar enfatiza o reconhecimento e a declaração de um fato, seja ele bom ou mal; o salmista usa este verbo, pois o salmo é um cântico de louvor pelo aspecto real da bondade de Deus.
O verbo encontra-se no hifil, logo existe uma causa para este louvor, neste caso, como já vimos, a bondade de Deus. Por causa desta bondade, aqueles que vinham ao Templo para adorar, o faziam declarando esse fato na vida deles.
O verbo bendizer encontra-se no piel (uso mais comum deste verbo bendizer). A raiz deste verbo é traduzida por "abençoar". Normalmente, a bênção era transmitida de uma pessoa que estava numa posição maior para uma na posição inferior.
Tal tratamento tornou-se um meio formal de expressar agradecimento e louvor a uma pessoa por ter compartilhado um benefício de sua vida. É bastante comum que o SENHOR seja tratado dessa forma. A bênção no AT está diretamente ligada à natureza bondosa de Deus. Por esta razão Deus deveria ser bendito.
Portanto, no caso do salmo 100, essas palavras não aparecem como duas ações distintas, mas elas formam um paralelismo sinonímico (transmitem uma mesma idéia). Com isso, Aqueles que entram na presença do SENHOR, dão graças a ele porque realmente Deus tem sido bondoso com a vida de seu povo e lhe bendizem o nome por saberem que Deus, infinitamente superior ao seu povo, tem usado de bondade para com eles.
    Resumidamente, poderíamos dizer:
"Aquele que celebra ao SENHOR o faz porque Deus é bom!
Aquele que serve com alegria o faz porque o SENHOR é bom!
Aquele que tem conhecimento que faz parte do povo e é cuidado por este Deus, sabe que o SENHOR o faz porque ele é bom!
Aquele que entra na sua presença tem a certeza de que está na presença do maravilhoso Deus, porque o SENHOR é bom!
Aquele que glorifica o seu bendito nome, o faz porque o SENHOR é bom!"
3.2 Implicações do Salmo 100 para a vida do Cristão
1. Deus é o único alvo da nossa adoração. Não há outro Deus que importa ser adorado que não seja o nosso SENHOR;
2. O nosso serviço a Deus demonstra uma forma de adorarmos ao SENHOR por causa da sua bondade.
3. Chegamos à conclusão que Deus não é apenas o Ser criador de todas as coisas, inclusive do homem, mas é o Ser sustentador de tudo – a natureza e o seu povo.
4. Toda a nossa gratidão e hino de louvor são motivados pela bondade verdadeira de Deus na vida de seu povo. Assim como Deus é eterno; eterna é a sua bondade para conosco, então como não adorá-lo.
CONCLUSÃO
O Salmo 100 apresenta-nos uma oportunidade de pensar sobre a teologia e a prática de adoração. Nos cinco versículos deste hino, encontramos uma breve, mas poderosa expressão de adoração aceitável ao Senhor. Nos versos que o salmista apresentou, nestas poucas palavras líricas, podemos ver um modelo de culto que une alguns dos atos e atitudes mais importantes de adoração bíblica: o culto na presença do SENHOR e para o SENHOR; louvar a Deus por aquilo que ele fez e por aquilo que ele é; reconhecimento da grandeza de Deus no universo e na vida pessoal; entoar-lhe cânticos de adoração; etc.
Em uma única frase poderíamos descrever tudo aquilo que desejávamos transmitir na análise do poema:
De maneira simples e viva este Salmo diz para nós, Deus é Deus, somos dele. Ele é eternamente bom; adoremo-lo e louvemo-lo. É mensagem que qualquer um pode entender e mensagem a que todos devem obedecer.
A esse Deus seja dada toda a gratidão desde agora e para todo o sempre!
Amém!

Estudo Bíblico- Os Nomes de Deus

Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. (Êxodo 3:13-14)


Na cultura judaica, o nome refere-se àquela parte que define a identidade, a natureza e a essência de cada ser. Para cada judeu, o nome é o seu chamado espiritual, um título que reflete seus traços particulares de caráter.

Nomes de Deus no Antigo Testamento

Elohim : Deus poderoso

El´- aquele que é forte – Elohim : plural
Uso ligado à soberania de Deus
Gn 1:1; Dt 5:23, 8:15; Sl 68:7; Is 45:18, 54:5; Jr 32:27

a) El´Shaddai – Deus todo-poderoso – importância pactual
Gn 17:1-2; 28:3;43:14;48:3 Ex 6:1-5; 17:1 Sl 91:1-2
b) El´Elyom : Deus altíssimo – majestade e possuidor de tudo
Gn 14:18-24; Dt 32:8 Sl 92-8
c) El´Olam – Deus Eterno – imutabilidade
Gn 21:33 Is 40:28

Adonai : Deus governador – superioridade Dt 10:17

Iavé (YHWH) : Deus Redentor Ex 3:1-4

a) Iavé Jireh – Deus proverá : Gn 22:14
b) Iavé Mecadishken – Deus santifica : Ex 31:13 Lv 21: 8,23
c) Iavé Nissi – Deus minha bandeira : Ex 17:15
d) Iavé Rohi – Deus pastor : Sl 23:1 => 1Pe 2:25, 5:4
e) Iavé Shalom – Deus é paz : Jz 6:24 => Rm 15:33 1 Ts 5:23
f) Iavé Tsidkenu – Deus é justiça : Jr 23:6 Lv 19:35-36
g) Iavé shamah – Deus ali – Ez 48:35
h) Iavé Elohim Israel : Senhor Deus de Israel : Jz 5:3; Is 17:6

Nomes de Deus no Novo Testamento

Théos : Deus – Jo 10:34; 1 Co 1:18-24, 15:18

Kyrios : Senhor , que possui poder : Lc 10:2, Fp 2:11

Atribuído também ao Filho e ao Espírito Santo : Fp 2:9-10 ; 2 Co 3:17-18

Páter (ou Abba em aramaico) – Pai : Ef 1:3, Jo 5:17-23 , Gl 4:17





fonte: http://adironteologia.blogspot.com

Louve ao Senhor no Salmo 100- Parte I


TEXTO: SALMO 100

Salmo de ações de graças. Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. 2 Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. 3 Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio. 4 Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. 5 Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.
INTRODUÇÃO
Seminarista Rogério Mattos
O ser humano, por natureza, é um ser religioso. O seu interesse nas coisas divinas é uma prova disso. Uma maneira em que esse interesse se expressa é no culto que ele oferece ao deus da sua vida. O povo de Israel não era diferente. O que distinguiu o povo de Israel dos demais povos não foi o fato de adorar um único Deus, mas as características da sua adoração.
Cultuar ou adorar significa dar honra a. É o ato de reconhecer a grandeza e a majestade de uma divindade. É uma expressão externa de uma atitude interna; é a convicção de que a divindade merece a nossa devoção. Assim, no Antigo Testamento, para os judeus, cultuar o seu Deus YHWH (IAVÉ) era tanto um ato como uma atitude
Esses dois aspectos do culto de Israel são evidentes na linguagem que o Antigo Testamento usa para descrever a adoração. O Salmo 100 é reconhecido como um hino de louvor e um convite para adorar a Deus. Este Salmo se destaca tanto pela simplicidade de linguagem como a profundidade das suas expressões teológicas.
Entre todos os salmos, este é um convite para entrar na presença do SENHOR com a única intenção de adorá-lo. A linguagem conduz os adoradores até os átrios do templo em Jerusalém onde podem contemplar a grandeza do SENHOR e oferecer uma resposta. É um Salmo que trata tanto das atitudes do adorador como suas ações. Assim, é um Salmo excelente para considerar a teologia de culto no Antigo Testamento e a sua análise teológica deve começar, estritamente, pelo texto.
Esta análise visa expor a situação histórica do Salmo e analisar algumas palavras chave que o autor escolheu para comunicar esta verdade, bem como a sintaxe das palavras no seu contexto gramatical.


I – ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL

1.1 O Nome Salmos

A palavra salmo vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A palavra hebraica para o livro é têhillím e significa louvores. O livro contém uma coleção de cento e cinqüenta cânticos da vida religiosa e da adoração hebraica – cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Pode-se dizer que os salmos representam o antigo hinário do povo de Deus.
1.2 Autoria
Quem escreveu os salmos? Fazer esta pergunta é quase o mesmo que perguntar quem escreveu os nossos hinários modernos. A resposta pode ser – muitas pessoas. Muitos compositores contribuíram com a coleção de cânticos e poemas que conhecemos como o livro de salmos. A tese mais aceita é a de que alguém depois do cativeiro na Babilônia compilou esses salmos em um só volume, neste caso poderia ter sido o cronista Esdras.
Um problema para se estabelecer uma autoria dos salmos se deve ao fato de que "na maioria dos casos, o próprio texto dos salmos não indica o autor nominalmente.". Porém, quando encontramos alguma informação nos títulos dos salmos ele nos apresenta o "seguinte quadro tradicional: um salmo de Moisés (Sl 90); setenta e três de Davi (a maioria de acha nos livros I e II); doze de Asafe (50, 73-83); dez dos descendentes de Coré (42, 44-49, 87-88); um ou dois de Salomão (72? E 127); um de Hemã, o Ezraíta (88); um de Etã, o Ezraíta (89)".
1.3 A presença dos Salmos na Palavra de Deus
Os salmos têm um lugar singular na Bíblia, por dois motivos. Primeiro, ele nos dão uma visão de como era a adoração em Israel de maneira pessoal e congregacional. Certos salmos eram feitos para todos os "crentes". A congregação certamente usava, por exemplo, o salmo 136 como uma forma de leitura responsiva.
Outros salmos estão mais ligados às experiências do indivíduo. O salmo 3 descreve os sentimentos intensos de Davi enquanto ele fugia de seu filho Absalão. Muitos outros salmos revelam experiências pessoais de adoração.
Segundo, os salmos lidam com todos os aspectos da vida hebraica. O povo louvava a Deus por seus grandes feitos e por bênçãos especiais. Eles também agradeciam pelo perdão dos pecados. Algumas vezes, lamentavam as circunstâncias difíceis da vida e imploravam para que Deus amaldiçoasse os seus inimigos da fé. Os salmos conseguem abranger de maneira satisfatória a teologia e a vida diária das pessoas.
Paul House afirma que

nenhum outro livro do AT possui escopo histórico e teológico que se vê nos salmos. Como documento teológico o livro abrange toda uma gama de confissões bíblicas sobre o caráter, a atividade e os interesses do Senhor. Aqui Deus é chamado de criador, sustentador, protetor, salvador, juiz, estabelecedor de aliança e restaurador. Aqui se revela toda uma série de ações divinas que dão sentido a esses nomes, e aqui também se apresentam os ambientes históricos que fornecem o contexto para a realidade e reflexão teológica. Os principais acontecimentos da história de Israelita... são mencionados para dar sustentação às declarações do livro acerca do dia-a-dia das pessoas.

Os salmos declaram as verdades de Deus em um estilo cheio de beleza que fala tanto às nossas mentes quanto aos nossos corações.
1.4 A Divisão dos Salmos
Os salmos estão divididos em cinco livros. Esta divisão é feita para se fazer uma alusão aos cinco livros da Lei (hipótese bem aceita). Pensando nisso, o saltério ficou assim dividido:
Livro I – os salmos de número 1 ao 42;
Livro II – os salmos de número 43 a 72;
Livro III – os salmos de número 73 a 89;
Livro IV – os salmos de número 90 a 106;
Livro V – os salmos de número 107 a 150.
1.5 Os Tipos de Salmos
Os salmos estão classificados em 7 tipos de categorias, a saber:

  1. HINO – cânticos de louvor e ação de graças a Deus por aquilo que ele é e aquilo que ele fez;

  2. PENITÊNCIA – confissão do arrependimento pelo pecado, súplica pela graça e perdão de Deus;

  3. SABEDORIA – observações gerais sobre a vida, especialmente, acerca de Deus e de nosso relacionamento com ele;

  4. REALEZA – o tema principal é o rei como filho de Davi e instrumento especial de Deus para governar o povo;


  5. MESSIÂNICO –
    descreve alguns aspectos da pessoa ou do ministério do Messias;

  6. IMPRECATÓRIO – pedido a Deus por julgamento contra os inimigos de Deus e/ou os inimigos de seu povo;

  7. LAMENTO – lamento por uma situação; normalmente inclui declarações de lamento, confiança em Deus e afirmação de louvor a ele.
1.6 Data da Escrita
A data da escrita é muito difícil de precisar, visto que cada salmo fora escrito em tempos e épocas diferentes. Entretanto, Gagliardi tem uma opinião coerente a cerca da questão de data envolvendo os salmos com a qual nos ajudará a assumir uma posição quanto a esta questão.
Ele nos diz:

A data da composição é diferente da data da organização do livro, pois a maioria dos autores não pensava estar compondo para uma futura coletânea que serviria à liturgia do templo. As datas de composição são tão distantes quanto Moisés, cerca de 1440 a.C. (Sl 90) e talvez Esdras em torno de 450 a.C. (Sl 119) ou ainda o de número 126 e 137.

Sendo assim, o melhor é afirmarmos que a data da escrita dos Salmos é incerta.
1.7 Os salmos e o Cristão
Os salmos continuam sendo um tesouro de auxílio espiritual para os cristãos. Suas palavras falam ao nosso coração assim como certamente falaram ao coração de outros desde os dias eu foram escritos. Seja qual for o nosso estado de espírito, seja qual dor nossa situação, as vozes antigas nos convidam ouvi-las. Elas também já passaram por alegria, tristeza, luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras experiências que tocam tão profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a aprender delas enquanto o Espírito Santo usa essas palavras para nos trazer para mais perto do Senhor.

Cristo no Pentateuco Parte II

CRISTO NO PENTATEUCO PARTE II- CONT LIVRO DE LEVÍTICO



OS SACRIFÍCIOS- Os primeiro sete capítulos do livro de Levítico apresentam-nos quatro classes de sacrifícios, sendo a ordem da sua apresentação inversa da sua aplicação prática à necessidade dos homens. As quatro classes são: 1 os holocaustos, 2 as ofertas de manjares, 3 os sacrifícios de paz, 4 os sacrifícios pelo pecado. Vemos que é necessário uma série de sacrifícios para poder apresentar simbolicamente a perfeição do sacrifício de Cristo.

Os sacrifícios acima mencionados podem ser divididos em dois grupos: 1 os que eram oferecidos como ofertas queimadas de um cheiro agradável ao Senhor, 2 os que eram oferecidos pela expiação do pecado.

O HOLOCAUSTO- Vem nos apresentar, em primeiro lugar, a absoluta e perfeita obediência e devoção de Cristo à vontade de Deus até a morte. Salmos 40:8 agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. E também em efésios 5:2 2 e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. Assim como o pecador do passado colocava a mão na cabeça do animal do holocausto indentificando-se assim com ele, também nós nos podemos identificar pela fé com toda a perfeição de Cristo e de seu sacrifício, com todo esse cheiro suave que subiu até Deus na consumação desse grande holocausto que foi a morte do cordeiro de Deus na cruz do calvário. Efésios 1:6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,

É interessante também notar o que lemos no capítulo 6 de Levítico sobre a lei do holocausto:

Levítico 6:9 Dá ordem a Arão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto: o holocausto ficará na lareira do altar toda a noite até pela manhã, e nela se manterá aceso o fogo do altar. Somos aqui lembrados do caráter permanente deste sacrifício, e de como todo este tempo de noite até a gloriosa manhã que, em breve vai raiar, toda a perfeição de Cristo, o cheiro suave do seu sacrifício permanente que estará eternamente diante de Deus. Toda a sua justiça foi satisfeita com a imolação do cordeiro que tira o pecado do mundo.

A OFERTA DE MANJARES- Era de flor de farinha com azeito e incenso. Aquilo era puro e santo e belo, caracterizando assim a pureza da vida de Cristo, graça e perfeição em sua vida terrena. Uma parte desta oferta era queimada no altar e a outra parte pertencia ao sacerdote. Ah! Meus amados irmãos Deus nunca poderá esquecer-se da fragrância da vida santa do seu Filho aqui na terra. O memorial queimado era dele; mas a nós também é dado alimentarmo-nos da vida perfeita de Cristo, hoje representada pela santa ceia. Tomara que saibamos aproveitar deste privilégio!

OS SACRIFÍCIOS DE PAZ- Fala-nos de paz com Deus, da reconciliação e salvação aplicadas. O que caracteriza esta oferta é que, em vez de tudo ser queimado, ou tudo ser entregue ao sacerdote, ela, por assim dizer, fornece uma mesa onde Deus, o sacerdote e o pecador todos se encontrem. Fala-nos de comunhão e assim é também uma oferta de louvor de cheiro suave ao Senhor.

O SACRIFÍCIO PELO PECADO – Tinha por fim explícito a expiação do pecado. A gordura deste sacrifício era queimada sobre o altar do holocausto, significando assim a sua aceitação pelo Senhor. Depois o restante era levado para fora e ali queimado em um lugar limpo, mostrando assim o caráter extremamente pernicioso e danoso do pecado. O senhor Jesus tornou-se por nós esse sacrifício pelo pecado. Hebreus 9:26 Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

2 Coríntios 5:21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Quem poderá compreender a agonia que sentiu o Senhor quando assim Se achou identificado com o pecado e foi desamparado por Deus que dele escondeu o rosto? Louvado seja o seu Santo nome. Por ele ter dado a Si mesmo por Nós miseráveis pecadores.

Senhor nos Ilumine.

Leia também a parte I deste estudo Cristo no Pentateuco. Clique aqui.

Continua parte III

Uma forma equivocada de interpretar a Biblia


DISPENSACIONALISMO
Por Rev. Daniel Carneiro.*
Introdução
O dispensacionalismo já foi conhecido como DARBYNISMO devido ao nome do seu fundador, um pastor anglicano chamado John Nelson Darby, que viveu entre 1800 e 1882. Darby foi muito influenciado por padres jesuítas na formação desse pensamento.
O dispensacionalismo não é apenas um ensino sobre o milênio e o futuro, é também um sistema teológico errôneo.
O nome “dispensacionalismo” vem do fato que a teoria divide a história da humanidade em diferentes dispensações; em cada uma delas Deus tem uma relação pactual diferente com os homens, que termina com uma falha deles em cumprir os requerimentos de Deus.
Quais são as dispensações? São sete. Ei-las:
1-Inocência: Vai da criação à queda.
Julgamento: expulsão do paraíso.
2-Consciência: Vai da expulsão de Adão e Eva do paraíso ao dilúvio.
Julgamento: o dilúvio.
3- Governo Humano: Do dilúvio a Abraão.
Julgamento: torre de babel.
4- Promessa: Vai de Abraão ao cativeiro do Egito
Julgamento: cativeiro do Egito.
5- Lei: Do Sinai ao Calvário.
Julgamento: destruição do templo.
6- Graça: Vai do Calvário ao arrebatamento.
Julgamento: a grande tribulação.
7- Milênio: Vai do arrebatamento ao fim do mundo.
Julgamento: fora do céu.
Note que cada dispensação termina com um julgamento de Deus.
Explicando as dispensações, Scofield diz:
“Uma dispensação é um período de prova durante o qual o homem é provado quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus... cada dispensação pode ser considerada como uma nova prova do homem natural, e cada uma delas termina em juízo... assinalando o seu fracasso”.
Na verdade “dispensação” que é um termo bíblico, em grego é “oikonomos” significa mordomia, disposição ou administração. Nunca significa um período de prova.
Não há sete dispensações, mas apenas duas formas de DEUS tratar com seu povo. Uma na Primeira Aliança (Velho Testamento) e outra na Segunda Aliança (Novo Testamento). A dispensação do Velho Testamento tem vários períodos dentro da aliança da graça.
Há a aliança com Noé, com Abraão, com Moisés, e com Davi. É uma só aliança em vários períodos. A mesma aliança era sempre renovada.
No Novo Testamento a aliança é essencialmente a mesma do V.T. a diferença está no fato que no V.T. a aliança era nacional e no N.T. é universal.
De acordo com o dispensacionalismo nós agora estamos vivendo na “era da Igreja” ou na “dispensação da graça”, faltando apenas uma, isto é, a “dispensação do reino” ou “milênio”.
Vejamos mais alguns erros teológicos do dispensacionalismo.
I - O Dispensacionalismo é um Método Falho de Interpretar a Escritura
O dispensacionalismo ensina que todo o V.T. e algumas partes do N.T. são aplicados aos judeus e não tem nenhuma aplicação aos crentes do N.T. a não ser por curiosidade.
Por exemplo: o sermão do monte e a oração do Pai nosso, não tem nada a ver conosco, crentes do N.T. e, sim, só com os judeus.
Quanto a este argumento, leia o que Paulo diz em 2 Timóteo 3.15-17.
Paulo diz que TODA a Bíblia é de extremo valor para o crente, não apenas um pedaço dela. Paulo aqui está falando para os crentes do N.T. sobre o valor que a Escritura -V.T. - tinha para eles.
II - O Dispensacionalismo é Estritamente Literalista
Neste ponto os dispensacionalistas são como os fariseus que não conseguiam ver em Cristo um Rei espiritual, e assim, o crucificaram. Eles esperavam ansiosamente por um rei político. Um messias político .
Ora, em muitas passagens a Bíblia “espiritualiza” – dá significação espiritual- as coisas do V.T.
Por exemplo, 1 Co 10.1-4; 1 Pd 2.5-9 e todo o livro de Hebreus que fala do tabernáculo, dos sacrifícios, de Jerusalém e Sião, etc.
Ainda mais, como podemos ler literalmente 1 Co 12.12-15 que trata da Igreja como um organismo? A Igreja é literalmente um corpo? Não. apenas figuradamente.
É a oposição a espiritualização de certas partes da Bíblia, que leva os dispensacionalistas a negar o reino celestial e espiritual de Cristo. Para eles, o reino de Cristo tem de ser literal, físico, geográfico e, em Jerusalém.
Nós cremos que haverá um reino físico, visível de Cristo, mas afirmamos que há um reinado de Cristo hoje, ainda que reconhecido só pela Igreja. Mas há (1 Co 15.25).
III - O Dispensacionalismo faz Separação entre Israel e a Igreja
Segundo os dispensacionalistas, Israel é Israel e a igreja é a Igreja. Os dois não devem ser confundidos.
Aliás, a Igreja é um “parêntese” no plano de Deus. Ela não existia no plano original de Deus.
A Escritura chama o Israel do V.T. de Igreja e chama a Igreja do N.T. de Israel espiritual (At 7.38 – a palavra “congregação”, em grego é Ekklesia; Rm 2. 28,29)
Em gálatas 3.29, Paulo fala sobre os descendentes de Abraão. Quem são estes? A Igreja é claro.
IV - O Dispensacionalismo Ensina que o Espírito Santo Será Retirado da Terra na hora do Arrebatamento
Durante a tribulação os judeus serão salvos e trazidos à fé em Cristo sem as operações soberanas do Espírito Santo.
Como vai ser possível isso acontecer, visto que a fé é um dom de Deus através do Espírito Santo? E também a regeneração ou novo nascimento que é essencial para a salvação, é obra exclusiva do Espírito Santo.
 Como haverá a conversão de Israel e outros sem as operações do Espírito Santo? ( Jo. 3.3-8; Ef 2.8).
Mais uma vez afirmamos o que falta ao povo Santo é apenas profundidade e seriedade nas verdades divinas.
DEUS nos ilumine.
AMÉM.
* Reverendo Daniel Carneiro é professor de Teologia Sistemática no SPN e pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.

“Contradições Bíblicas II”

Contradições bíblicas

A Bíblia contém muitas contradições aparentes em suas páginas. Por exemplo, os quatro Evangelhos nos fornecem quatro relatos diferentes sobre o que estava escrito na placa que foi pendurada na cruz. Mateus diz: "Este é Jesus, o rei dos judeus" (27.37). Entretanto Marcos contradiz essas palavras ao relatar que a inscrição era: "o rei dos judeus" (15.26). Lucas informa ainda outra inscrição: "este é o rei dos judeus" e João por sua vez afirma: "Jesus nazareno, rei dos judeus" (19.19). Quem está à cata de contradições pode ter aí um prato cheio, afirmando então que a Bíblia está repleta de erros! Essas pessoas preferem, assim, rejeitar toda a obra, achando-a suspeita.

Por outro lado àqueles que confiam em Deus não vêem problema algum em harmonizar os evangelhos. Usemos um exemplo simples.Pensem em um acidente de carro com vítimas, imagine agora uma pessoa comum, um perito, um policial e um paramédico relatando o mesmo fato. Notem que ao informar cada um tem um objetivo diferente, eles escrevem a pessoas diferentes; não soaria bem ao perito dizer, por exemplo, que o carro vinha e bateu em outro carro de lado que bateu em outro de frente. Melhor ao perito seria dizer que o veículo "A" vinha a 60km/h e colidiu com o veículo "B" na diagonal esquerda e este voltou-se completamente em seu eixo e colidiu por sua vez no veículo "C" frontalmente danificando-lhe completamente sua força propulsora (motor). Portanto, teríamos nesse fato simples, pelo menos quatro relatos diferentes e por isso deixaria de ser verdade o fato do acidente?

Nas mesmas passagens que os sábios e orgulhosos vêem contradições os humildes e pequeninos descobrem grandes verdades reveladas (Lc 10.21) Deus escolheu o que era vergonha para o mundo tendo em vista confundir e humilhar os sábios (1Co 1.27). Se um homem ímpio se recusa a se humilhar e a obedecer ao evangelho, preferindo levantar objeções à Bíblia, não irá além do propósito do seu coração.

Este incrível princípio é claramente ilustrado no relato da captura de Zedequias, rei de Judá. O profeta Jeremias disse a Zedequias que Deus o julgaria. Ele foi informado de que seria entregue nas mãos do rei da Babilônia (Jr 32.4). Isso é confirmado em Jr 39.5-7, quando lemos o relato da captura de Zedequias, depois levado ao rei Nabucodonosor e, em seguida, acorrentado para ser transportado para a Babilônia. Eruditos mostram Ezequiel falando do mesmo fato informando assim uma possível falha (doce engano). Ez 12.13


 
Também estenderei a minha rede sobre ele, e será apanhado nas minhas malhas; levá-lo-ei a Babilônia, à terra dos caldeus, mas não a verá, ainda que venha a morrer ali.





A pergunta dos adversários da fé é a seguinte: se este texto também fala de Zedequias, como poderia alguém ser preso e levado ao cativeiro e não ver o que está acontecendo. A ânsia de desqualificar é tão grande que nem se dão conta do texto de Jr 39:6-7
6 O rei da Babilônia mandou matar, em Ribla, os filhos de Zedequias à vista deste; também matou a todos os príncipes de Judá. 7 Vazou os olhos a Zedequias e o atou com duas cadeias de bronze, para o levar à Babilônia.

Este é o princípio que subjazem muitas "contradições" das Sagradas Letras, tais como: quantos cavalos tinham Davi, que foi a primeira pessoa a chegar ao túmulo de Jesus etc.

Deus simplesmente "vira a mesa" sobre os homens orgulhosos, arrogantes e confiantes em sua justiça própria. Quando se colocam soberbamente do lado de fora do Reino de Deus e tentam justificar sua pecaminosidade através de coisas que, aos seus olhos, descredenciam a bíblia, tais homens não percebem que simplesmente Deus tornou mais baixa a porta da vida para que somente àqueles que forem humildes o suficiente para se curvar possam passar por baixo dela.

Amém.

O rugido do leao parte I


O rugido do leão
Imaginem agora este lugar que irei descrever. A prosperidade, a exploração e o lucro eram os aspectos mais marcantes dessa sociedade, os ricos eram suficientemente ricos para possuírem diversas casas, para se interessarem por móveis ostensivamente caros e para não se privarem de qualquer satisfação física. Por outro lado os pobres eram verdadeiramente pobres e horrivelmente explorados: eles sofriam extorsões imobiliárias, extorsões legais, e extorsões comerciais; aquele que não tinham alguém influente para pedir por ele sempre se dava mal em qualquer esfera da sociedade para quem se voltasse. O dinheiro e a ganância dominavam tudo: os governantes eram frívolos e inescrupulosos, as mulheres viviam para o prazer e coisas inúteis do gênero. Num país assim você poderia perguntar e a igreja onde estava? Realmente havia igreja, o povo era extremamente religioso e zeloso com seu calendário litúrgico, cultos eram entusiasticamente apresentados. Mas não havia nenhuma base neles que não fosse a lógica humana. O homem estava no centro e precisava estar satisfeito. A religião era um empreendimento autojustificante feito no piloto automático, abominável a Deus, mas gostoso aos homens. Talvez até não entendessem porquê Deus não gostaria de um culto tão animado quando este! E aí amigo leitor já descobriu que país é esse? Talvez pense em Brasil ou em outro país emergente mas lhes informo para grande surpresa de todos que esse País era o Reino de Uzias em Judá 755 aC.
Este será os temas dos próximos posts no Plugados com Deus não percam peguem suas bíblias e estudemos juntos esse importantíssimo livro para os cristãos como para a sociedade!
Não percam.
Equipe Plugados com Deus.

Sobre figueiras e aproveitadores


Lc 13:6-9 6 Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. 7 Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?8 Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume.9Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.
uma figueira centenaria

Parábola pequena apenas 3 versículos mas de uma profundidade impressionante. Elaborada pelo Senhor para acusar algo que já acontecia no passado e hoje acontece de forma muito mais latente. Passemos a explanação da parábola.
Esta comparação fala de algo que não era incomum em Israel, eram plantadas normalmente  figueiras junto de vinhas, vemos essa figura de linguagem em Joel 1:7 e outra vez em Joel 1:12. Em Isaias 5:1-7 temos a clássica parábola da vinha. O dono da vinha é o Senhor e vinha é o povo, a casa de Israel.
A parábola de Jesus se concentra em uma planta na vinha, que é uma figueira e não uma videira. Esta escolha pode ter sido feita para chamar atenção porque na palestina a figueira dá seu fruto dez meses por ano e essa aí a três anos não dava nada. Em Oséias 9:16 a falta de frutos está relacionada ao dias idólatras que o profeta vivia.
imaginem aquela figuera enorme sugando nutrientes desse solo.

Mais uma vez Jesus usa uma terapia de choque contra os fariseus porque eles entenderam claramente quem eram representados nessa história. Vemos que o dono da vinha está interessado em sua frutificação e não em sua destruição como o foi em Isaias, ele faz sérias perguntas a respeito de uma árvore em particular, a figueira. Ela é infrutífera e por isso está sugando as forças da vinha. Se ali continuar o proprietário tomará atitudes para preservar a saúde da sua vinha! A parábola começa com um plantio e termina com a ameaça de arrancar o que foi plantado.
O verbo cortar é melhor traduzido como arrancar. Um Judeu quando corta uma planta ele não a corta como os ocidentais ele literalmente arranca pela raiz,aqui se apresenta um quadro vivo de uma eliminação radical de algo ruim no meio da vinha. A figueira além de não produzir fruto ficava ali ocupando espaço e tornando o solo impróprio para a vinha. Vejamos mais a frente que o vinhateiro age. Cava ao redor oferece estrume para que ela possa reagir, se não houver reação o juízo vindouro é certo.
Creio que já tenham entendido a que Jesus estava se referindo: ele referia-se  ao seu povo, seu rebanho que estava sofrendo, estava sendo sugado e explorado por pastores maus que não produziam fruto e ainda deveriam a frase muito repetida hoje. Ovelha é quem produz ovelha não vou trabalhar nisso! E fica ocupando espaço, tempo e dinheiro das igrejas sem produzir nada. O interessante é que são tão desonestos que dizem que a figueira é o povo que é o povo que deve produzir bons frutos e a videira eles não explicam quem são. O povo muitas vezes ignorante não percebe o engodo que ferem os princípios mais básicos da hermenêutica e se angustiam cada vez mais diante desses lobos.
Quando os líderes espirituais são infrutíferos, não apenas falham na sua missão de obedecer ao dono da vinha que é o Senhor, mas também esterilizam, embaçam, atrapalham, a vida da comunidade que está ao seu redor. Deus tem muito cuidado por sua comunidade e não tolerará indefinidamente essa situação. Misericórdia é oferecida a essa liderança infrutífera para que ela se converta. Deus age para renovar e perdoar. Esses atos estão além dos líderes que não conseguem se renovar a si próprios. A oferta de misericórdia dada por Deus precisa suscitar alguma reação interior de mudança; se assim não for, não acontecerá a renovação e o juízo chegará e aquela figueira será arrancada do meio da comunidade pelas suas raízes.
Assim, roguemos a Deus perdão e graça aos nossos líderes para que não continuem a esterilizar seu povo santo e caro. Fomos comprados a preço de Sangue pensem nisso.
Amém.
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